ELETROMAGNETISMO E ONDAS
• Interação elétrica
• Circuitos Elétricos
• Eletromagnetismo
• Oscilações e ondas
• Ondas acústicas e eletromagnéticas
Interação elétrica
Carga Elétrica
A carga elétrica é um conceito físico que determina as interações eletromagnéticas
dos corpos eletrizados.
Assim, a partir do atrito entre os corpos, ocorre o fenômeno chamado “eletrização”,
de modo que todos os corpos possuem a propriedade de se atraírem ou se repelirem.
Dessa forma, cargas de mesma natureza (positivo e positivo, negativo e negativo) se
repelem, enquanto que as cargas de sinais contrários (positivas e negativas) se atraem.
Isso ocorre pelo fato que as cargas elétricas são formadas por partículas elementares
que constituem os átomos, conhecidas como prótons (carga positiva), elétrons (carga
negativa) e nêutrons (carga neutra).
No Sistema Internacional, a unidade de carga elétrica é o Coulomb (C) em homenagem
ao físico francês Charles Augustin de Coulomb (1736-1806) pelas suas contribuições
nos estudos da eletricidade.
Carga Elétrica Puntiforme
As chamadas “cargas elétricas puntiformes” correspondem aos corpos eletrizados
cujas dimensões e massa são desprezíveis, se comparadas às distâncias que os afastam
de outros corpos eletrizados.
Átomos
Os átomos são unidades fundamentais da matéria, formados por um núcleo com carga
elétrica positiva, chamada de prótons, e os nêutrons, partículas de carga neutra.
O núcleo atômico, que carrega quase toda a massa (99,9%) do átomo, é envolvido por
uma nuvem de elétrons de carga negativa, localizados na eletrosfera.
Prótons (p+)
Os prótons são partículas eletrizadas de carga positiva, as quais, junto aos nêutrons,
constituem o núcleo dos átomos.
Possuem o mesmo valor da carga dos elétrons, e por isso, os prótons e os elétrons
tendem a se atrair eletricamente.
O valor da carga do próton e do elétron é chamado de quantidade de carga elementar
(e) e possui o valor de e = 1,6 .10-19 C.
Elétrons (e-)
Os elétrons são minúsculas partículas eletrizadas de carga negativa e massa
desprezível (cerca de 1840 vezes menor que a massa do núcleo atômico).
Diferente dos prótons e dos nêutrons, os elétrons encontram-se na eletrosfera, os
quais circundam o núcleo atômico, a partir da força eletromagnética.
Nêutrons (n0)
Os nêutrons são partículas de carga neutra, ou seja, não possuem carga; junto aos
prótons, constituem o núcleo dos átomos.
Possui grande importância no núcleo dos átomos, uma vez que proporciona
estabilidade ao núcleo atômico, já que a força nuclear faz com que seja atraído por
elétrons e prótons.
Campo Elétrico
O campo elétrico é um local donde há uma forte concentração de força elétrica, é um
tipo força que as cargas elétricas geram ao seu redor.
Cálculo de Cargas Elétricas
Para calcular a quantidade de cargas elétricas, utiliza-se a seguinte expressão:
Q = n.e
Onde,
Q: carga elétrica
n: quantidade de elétrons
e: 1,6 . 10-19C, chamada de carga elétrica elementar
Lei de Coulomb
A Lei de Coulomb foi formulada pelo físico francês Charles Augustin de Coulomb (1736-
1806) no final do século XVIII. Ela apresenta conceitos acerca da interação eletrostática
entre as partículas eletricamente carregadas:
“A força de ação mútua entre dois corpos carregados tem a direção da linha que une os
corpos e sua intensidade é diretamente proporcional ao produto das cargas e
inversamente proporcional ao quadrado da distância que as separa”.
Assim, para calcular a força elétrica das cargas:
Onde:
F: força (N)
K: constante elétrica: 9.109 Nm2/C2
q1 e q2: cargas elétricas (C)
r: distância da força elétrica (m)
Potencial Elétrico
O potencial elétrico ou potencial eletrostático de um ponto em relação a um ponto de
referência, é definido pelo trabalho da força elétrica sobre uma carga eletrizada no
deslocamento entre esses dois pontos.
Sendo uma grandeza escalar, necessita apenas, para ficar totalmente definida, da
intensidade e de uma unidade de medida. Portanto, não requer nem direção, nem
sentido.
Fórmula
O potencial de um ponto pertencente a um campo elétrico é encontrado dividindo-se
o trabalho pelo valor da carga. Esse valor é sempre medido em relação a um ponto de
referência.
Ao se definir um ponto de referência, convenciona-se que o potencial neste ponto é
nulo.
Assim, a fórmula para o cálculo do potencial elétrico é dado por:
Onde:
VA: Potencial elétrico do ponto A (V)
TAB: Trabalho da força elétrica ao deslocar a carga do ponto A ao ponto B (J)
q: Carga elétrica (C)
No Sistema Internacional de Unidade (SI) o potencial elétrico é medido
em Volts (Joule/Coulomb) em homenagem ao físico italiano Alessandro Volta (1745-
1827), criador da pilha elétrica.
Diferença de Potencial
A diferença de potencial (ddp), também chamada de tensão elétrica ou voltagem, é
uma importante grandeza no estudo dos fenômenos elétricos.
No cotidiano, usa-se mais o conceito de diferença de potencial do que o de potencial
elétrico de um ponto. Por exemplo, nos aparelhos elétricos, normalmente aparece a
indicação da sua voltagem.
O voltímetro é um instrumento usado para medir a ddp
Quando dizemos que existe uma alta voltagem entre dois pontos, significa que a carga
recebe uma grande quantidade de energia no seu deslocamento.
A diferença de potencial é indicada por:
U = VA - VB
U: diferença de potencial (V)
VA: potencial elétrico em um ponto A (V)
VB: potencial elétrico em um ponto B (V)
Exemplo
Uma carga elétrica de pequenas dimensões e com intensidade de 4.10-6 C é
transportada de um ponto A para um ponto B de um campo elétrico. O trabalho
realizado pela força elétrica que age sobre a carga tem intensidade de 3.10-4 J.
Determine:
a) O potencial elétrico do ponto A, considerando o ponto B como ponto de referência.
b) A diferença de potencial entre os pontos A e B.
Solução:
a) Considerando o ponto B como ponto de referência, temos:
b) A diferença de potencial é calculada considerando o potencial nos pontos A e B.
Como o ponto B foi definido como ponto de referência, então VB=0. Sendo assim,
temos:
U = VA - VB
U = 75 - 0 = 75 V
Potencial Elétrico no Campo de uma Carga
Quando um campo elétrico é gerado por uma carga fixa no vácuo, a diferença de
potencial pode ser calculada como sendo:
Onde,
U: diferença de potencial (V)
k0: constante eletrostática no vácuo (9.109 N.m2/C2)
Q: carga elétrica fixa (C)
dA: distância da carga fixa ao ponto A (m)
dB: distância da carga fixa ao ponto B (m)
Se considerarmos o ponto B infinitamente afastado da carga Q (VB = 0), então teremos
que o potencial no ponto A será dado por:
Sendo,
VA: potencial do ponto A (V)
k0: constante eletrostática no vácuo (9.109 N.m2/C2)
Q: carga elétrica fixa (C)
dA: distância da carga fixa ao ponto A (m)
Para calcular o potencial elétrico resultante de um sistema de cargas, basta calcular o
valor do potencial de cada carga no campo elétrico e depois somá-los.
Exemplo
Uma carga puntiforme de 2.10-8 C, está fixa no vácuo e gera um campo elétrico a sua
volta. Qual o potencial elétrico de um ponto situado a uma distância de 60 cm desta
carga? Considere k0 = 9.109 N.m2/C2 e adote como referencial o infinito.
Solução:
Para calcular o potencial no ponto dado, basta substituir na fórmula. Contudo,
devemos ter atenção as unidades, pois a unidade da distância não está no sistema
internacional. Então, primeiro devemos fazer a mudança de unidade:
d = 60 cm = 0,6 m
Substituindo:
Superfície Equipotencial
Numa superfície equipotencial todos os pontos apresentam um valor constante para o
potencial elétrico.
Em um campo elétrico gerado por uma carga puntiforme, as superfícies equipotenciais
serão esferas concêntricas, ou seja, apresentam um mesmo ponto central.
A carga puntiforme situa-se no centro dessas esferas e as linhas de força são
perpendiculares as superfícies equipotenciais.
Na figura abaixo representamos uma carga Q, carregada positivamente. Indicamos
ainda as linhas de força e as superfícies equipotenciais.
Energia Potencial Elétrica
A energia potencial elétrica está associada ao trabalho da força elétricas dentro de um
campo elétrico.
Para uma carga puntual fixa, a energia potencial elétrica, medida em Joule (J), é
expressa pela seguinte fórmula:
Sendo:
Ep: energia potencial elétrica (J)
K: constante elétrica do meio (N.m2/C2). No vácuo, seu valor é de 9.109 N.m2/C2.
Q: carga fixa (C)
q: carga de prova (C)
d: distância entre as cargas (m)
Processos de Eletrização
Os processos de eletrização são métodos onde um corpo deixa de ser eletricamente
neutro e passa a estar carregado positivamente ou negativamente.
Os corpos são formados por átomos e estes são constituídos por elétrons, prótons e
nêutrons, que são as principais partículas elementares.
No interior do átomo, chamado de núcleo, ficam os nêutrons e prótons. Os elétrons
ficam girando ao redor do núcleo.
Essas partículas apresentam uma propriedade física chamada carga elétrica. Esta
propriedade está relacionada ao fato de ocorrer uma força de atração ou de repulsão
entre elas.
Os elétrons e os prótons são atraídos entre si. Os nêutrons não são nem repelidos nem
atraídos por prótons ou elétrons.
Entretanto, se aproximarmos dois prótons ocorrerá uma força de repulsão e que o
mesmo ocorrerá quando aproximamos dois elétrons.
Como os elétrons e os prótons se atraem, dizemos que possuem efeitos elétricos
contrários. Desta forma, definiu-se que a carga elétrica dos prótons é positiva e a dos
elétrons é negativa.
Os nêutrons por não apresentarem efeitos elétricos, não possuem cargas.
Dizemos que um corpo é neutro quando o número de prótons (carga positiva) é igual
ao número de elétrons (carga negativa). Quando um corpo recebe ou perde elétrons
ele se torna eletrizado.
Quando aproximamos dois corpos eletrizados com cargas de sinais contrários,
observamos que ocorre uma força de atração. Já quando os corpos possuem cargas de
sinais iguais, eles se repelem.
Note que a eletrização ocorre pela mudança no número de elétrons e não de prótons.
Como estes estão localizados no núcleo dos átomos, por processos de eletrização, não
é possível mudar este número.
Tipos de Eletrização
Existem três tipos de eletrização: por atrito, por contato e por indução.
Eletrização por Atrito
Os elétrons estão localizados na eletrosfera, que é a parte externa do núcleo e são
mantidos girando ao seu redor por forças eletrostáticas. Contudo, esta força vai
diminuindo com a distância.
Desta forma, os elétrons mais exteriores da eletrosfera são mais facilmente retirados
de sua órbita. Quando esfregamos dois corpos, alguns desses elétrons migram de um
corpo para o outro.
O corpo que recebeu esses elétrons ficará carregado negativamente, por sua vez, o
que perdeu elétrons ficará carregado positivamente. Portanto, fica carregado
positivamente quem perdeu elétrons e não quem ganhou prótons.
Receber ou perder elétrons depende da substância de que é constituído o corpo. Esse
fenômeno é chamado de triboelétrico e através de experimentos em laboratório são
elaborada séries triboelétricas.
Nesta tabela, os elementos são ordenados de tal modo que adquirem cargas positivas,
quando atritadas por um que o segue, e com cargas negativas, quando atritadas por
um que o precede na tabela.
Eletrização por Contato
Este tipo de eletrização ocorre quando um corpo condutor está carregado e entra em
contato com um outro corpo. Parte da carga irá ser transferida para o outro corpo.
Neste processo, os corpos envolvidos ficam carregados com cargas de mesmo sinal e a
carga do corpo que estava inicialmente eletrizado diminui.
Quando os corpos envolvidos na eletrização são condutores de mesmas dimensões e
mesma forma, após o contato, terão cargas de mesmo valor.
Na figura abaixo, vemos que a menina ao encostar em uma esfera condutora
eletrizada, também ficou carregada com cargas de mesmo sinal da esfera.
Prova disto, é observar que seu cabelo está "arrepiado". Como neste tipo de
eletrização as cargas possuem mesmo sinal, os fios passam a se repelirem.
A menina também ficou eletrizada ao encostar na esfera condutora eletrizada
Exemplo
Uma esfera metálica carregada com carga positiva de módulo igual a 6Q é colocada em
contato com uma outra esfera neutra, idêntica a primeira. Após o contato, as esferas
são novamente separadas. Qual a carga final de cada uma das esferas?
Solução
Ao serem colocadas em contato, parte da carga da primeira esfera será transferida
para a segunda esfera, como as esferas são idênticas, cada uma ficará com metade das
cargas, ou seja:
Assim, cada esfera ficará carregada com carga positiva e igual a 3Q.
Eletrização por Indução
A eletrização por indução pode ocorrer sem contato entre os corpos. Quando um
corpo eletrizado (indutor) é aproximado de um condutor (induzido), inicialmente
neutro, induz neste uma distribuição de cargas.
O condutor permanecerá neutro, entretanto, a região do condutor mais próxima do
indutor ficará com excesso de cargas de sinal contrário do corpo eletrizado.
No esquema abaixo, mostramos uma forma de eletrizar duas esferas condutoras,
inicialmente neutras, usando a indução.
Ao aproximar um bastão eletrizado positivamente, os elétrons do conjunto, serão
atraídos para a extremidade mais próxima ao bastão.
Mantendo ainda o bastão na mesma posição, separamos as esferas. Assim, a esfera
mais próxima do bastão ficará com excesso de cargas negativas, enquanto a outra
esfera ficará com falta de elétrons, ou seja, carregada positivamente.
Poderíamos ainda, fazer o mesmo processo para eletrizar uma única esfera. Neste
caso, seria necessário fazer uma conexão com a Terra (aterramento), para que o
condutor ficasse carregado com carga oposta do bastão.
Condutores e isolantes
Quanto à mobilidade das cargas elétricas, os materiais podem ser condutores ou
isolantes.
Os materiais que ao serem eletrizados as cargas se espalham imediatamente por toda
a sua extensão, são chamados de condutores elétricos, sendo um exemplo os metais.
Outros materiais, ao contrário, conservam o excesso de carga nas regiões onde elas
surgiram, neste caso, são chamados de isolantes ou dielétricos.
A madeira e o plástico são exemplos de materiais isolantes. O ar seco também é um
bom isolante elétrico, entretanto, aumenta a sua condutividade elétrica quando está
úmido.
Tanto na eletrização por contato quanto na eletrização por indução é necessário que
os corpos envolvidos sejam condutores.
Como em ambos os tipos de eletrização há necessidade que as cargas tenham
mobilidade, nos corpos isolantes, isto não é possível. Portanto, a eletrização dos
materiais isolantes só ocorre por atrito.
Circuito Elétrico
Leis de Ohm
As Leis de Ohm, postuladas pelo físico alemão Georg Simon Ohm (1787 – 1854) em
1827, determinam a resistência elétrica dos condutores.
Além de definir o conceito de resistência elétrica, Georg Ohm demostrou que no
condutor a corrente elétrica é diretamente proporcional à diferença de potencial
aplicada.
Foi assim que ele postulou a Primeira Lei de Ohm.
Suas experiências com diferentes comprimentos e espessuras de fios elétricos, foram
cruciais para que postulasse a Segunda Lei de Ohm.
Nela, a resistência elétrica do condutor, dependendo da constituição do material, é
proporcional ao seu comprimento. Ao mesmo tempo, ela é inversamente proporcional
à área de secção transversal.
Primeira Lei de Ohm
A Primeira Lei de Ohm postula que um condutor ôhmico (resistência constante)
mantido à temperatura constante, a intensidade (i) de corrente elétrica será
proporcional à diferença de potencial (ddp) aplicada entre suas extremidades.
Ou seja, sua resistência elétrica é constante. Ela é representada pela seguinte fórmula:
ou
Onde:
R: resistência, medida em Ohm (Ω)
U: diferença de potencial elétrico (ddp), medido em Volts (V)
I: intensidade da corrente elétrica, medida em Ampére (A).
Segunda Lei de Ohm
A Segunda Lei de Ohm estabelece que a resistência elétrica de um material é
diretamente proporcional ao seu comprimento, inversamente proporcional à sua área
de secção transversal.
Além disso, ela depende do material do qual é constituído.
É representada pela seguinte fórmula:
Onde:
R: resistência (Ω)
ρ: resistividade do condutor (depende do material e de sua temperatura, medida em
Ω.m)
L: comprimento (m)
A: área de secção transversal (mm2)
Resistência Elétrica
A resistência elétrica, medida sob a grandeza Ω (Ohm), designa a capacidade que um
condutor tem de se opor à passagem de corrente elétrica.
Em outras palavras, a função da resistência elétrica é de dificultar a passagem
de corrente elétrica.
Observe que a resistência de 1 Ω (ohm) equivale a 1V/A (Volts/Ampére)
Resistores
Os resistores são dispositivos eletrônicos cuja função é a de transformar energia
elétrica em energia térmica (calor), por meio do efeito joule.
Dessa maneira, os resistores ôhmicos ou lineares são aqueles que obedecem a
primeira lei de ohm (R=U/I). A intensidade (i) da corrente elétrica é diretamente
proporcional a sua diferença de potencial (ddp), chamada também de voltagem. Por
outro lado, os resistores não ôhmicos, não obedecem à lei de ohm.
Circuito elétrico é um circuito fechado. Ele começa e termina no mesmo ponto, sendo
formado por vários elementos que se ligam e, assim, tornam possível a passagem da
corrente elétrica.
O caminho fechado percorrido por uma corrente elétrica é o que chamamos de
circuito elétrico. Sua função é enviar energia para os diversos elementos que
constituem o circuito, como: lâmpadas, aparelhos eletrônicos e motores elétricos.
O caminho por onde passa a corrente elétrica é um condutor, geralmente um fio de
cobre. É por ele que os elétrons se movem formando a corrente elétrica do circuito.
A intensidade da corrente que percorre o circuito é a quantidade de carga que o
circuito transporta por unidade de tempo.
Onde Q é a quantidade de carga,
é o intervalo de tempo .
No S.I. a carga é medida em Q (coulomb) e o tempo em s (segundos). A intensidade é
medida em A (amperes).
Se a corrente é contínua, a intensidade da corrente no circuito também é. Nas
instalações residenciais a corrente é alterna, de modo que a intensidade também é
variável.
O sentido da corrente, por convenção, é o oposto do movimento dos elétrons.
Elementos de um Circuito Elétrico
Resistores
Os resistores, ou resistências, são componentes do circuito elétrico com duas funções.
Uma delas é converter a energia elétrica em energia térmica, a outra é limitar a
passagem da corrente elétrica através do controle da voltagem.
A 1ª Lei de Ohm relaciona tensão e corrente, é:
Onde,
R é a resistência,
U é a tensão,
i é a intensidade da corrente.
Símbolo ou representação esquemática de um resistor.
Capacitores
Os capacitores, ou condensadores, são componentes elétricos que armazenam cargas
elétricas. Essas cargas elétricas são utilizadas sempre que haja resistência, ou seja,
sempre que a passagem da corrente elétrica seja dificultada.
É constituído por dois condutores separados por um isolante. As cargas (de sinais
contrários) acumulam-se devido à força eletrostática.
Esta capacidade eletrostática depende da carga e da tensão no capacitor.
Símbolo ou representação esquemática de um capacitor.
Geradores
Os geradores são dispositivos que prolongam a diferença de potencial entre dois
corpos. É dessa forma que eles conseguem transformar diferentes tipos de energia.
É a fonte de cargas do circuito e o responsável por manter a diferença de potencial.
Sua função é fornecer energia para as cargas, fazendo com que ele a aumente de um
para outro polo.
A equação do gerador real é:
Onde,
U é a tensão,
E é a força eletromotriz,
r é a resistência interna
i é a corrente.
Símbolo ou representação esquemática de um capacitor.
Condutores
Os condutores são os elementos que permitem que as cargas circulem facilmente num
circuito elétrico. Geralmente, fio metálicos, de cobre.
Símbolo ou representação esquemática de um condutor.
Indutores
Os indutores são os dispositivos que armazenam a energia elétrica através de um
campo magnético. Também são utilizados em circuitos como um filtro para altas
frequências e para proteger o circuito de grandes oscilações da corrente.
Símbolo ou representação esquemática de um resistor.
Circuito Elétrico Simples
Circuito Elétrico Simples é aquele que percorre apenas um caminho. O exemplo mais
comum é uma bateria.
Nas baterias, são sempre os mesmos elétrons que estão circulando. Se não fosse
assim, elas não conseguiam receber energia logo após a ter fornecido.
Circuito Elétrico em Série
Circuito elétrico em série é aquele em que existe uma associação. A partir dessa
associação, os componentes ligam-se entre si na mesma sequência e na mesma
direção.
Como exemplo, podemos citar as lâmpadas usadas na decoração das árvores de Natal.
O circuito feito por elas é simples e o fato de uma lâmpada queimar prejudica as
restantes.
Circuito Elétrico em Paralelo
Circuito Elétrico em paralelo é aquele em que existe uma associação onde a corrente
elétrica se divide ao longo do circuito.
Isso acontece para haver tensão elétrica constante em todos os pontos. Exemplo disso
é o circuito elétrico residencial, onde todas as tomadas existentes na casa tem de ter a
mesma tensão elétrica.
Circuito elétrico misto
O circuito misto possui tanto elementos e arranjos de circuitos paralelos quanto de
circuitos em série. Alguns consumidores no circuito misto são ligados de forma
independente, em paralelo. Há outros trechos no circuito misto com ligações
dependes, em série.
Potência Elétrica
Potência elétrica é definida como a rapidez com que um trabalho é realizado. Ou seja,
é a medida do trabalho realizado por uma unidade de tempo.
A unidade de potência no sistema internacional de medidas é o watt (W), em
homenagem ao matemático e engenheiro James Watts que aprimorou a máquina à
vapor.
No caso dos equipamentos elétricos, a potência indica a quantidade de energia elétrica
que foi transformada em outro tipo de energia por unidade de tempo.
Por exemplo, uma lâmpada incandescente que em 1 segundo transforma 100 joule de
energia elétrica em energia térmica e luminosa terá uma potência elétrica de 100 W.
Lâmpadas incandescentes
Fórmula da Potência Elétrica
Para calcular a potência elétrica utilizamos a seguinte fórmula:
P=U.i
Sendo,
P: potência (W)
i: corrente elétrica (A)
U: diferença de potencial (V)
Exemplo
Qual a potência elétrica desenvolvida por um motor, quando a diferença de potencial
(ddp) nos seus terminais é de 110 V e a corrente que o atravessa tem intensidade de
20A ?
Solução:
Para calcular a potência, basta multiplicar a corrente pela ddp, sendo assim temos:
P = 20 . 110 = 2200 W
Frequentemente, a potência é expressa em kW, que é um múltiplo do W, de forma
que 1 kW = 1000 W. Sendo assim, a potência do motor é de 2,2 kW.
Efeito Joule
Os resistores são dispositivos elétricos que ao serem percorridos por uma corrente,
transformam energia elétrica em energia térmica.
Esse fenômeno é chamado de efeito Joule e neste caso dizemos que o resistor dissipa
a energia elétrica.
Aquecedores, chuveiros elétricos, secadores de cabelo, lâmpadas incandescentes,
ferros de passar roupa são exemplos de equipamentos que utilizam esse efeito.
Cálculo da Potência no Efeito Joule
Para calcular a potência elétrica em um resistor, podemos usar a seguinte expressão:
P = R . i2
Sendo,
P: potência (W)
R: resistência (Ω)
i: corrente (A)
Usando a Lei de Ohm (U = R . i), podemos substituir a corrente na expressão anterior e
encontrar a potência em função da diferença de potencial e da resistência. Nesse caso,
teremos:
Sendo,
P: potência (W)
U: ddp (V)
R: resistência (Ω)
Exemplo
Um chuveiro elétrico apresenta as seguintes especificações: 2200 W - 220 V,
considerando que o chuveiro foi instalado corretamente, determine:
a) o valor da resistência elétrica do chuveiro quando em funcionamento.
b) a intensidade da corrente que o atravessa.
Solução:
a) Para encontrar o valor da resistência podemos usar a fórmula da potência no efeito
Joule, assim temos:
b) Para encontrar a corrente, podemos novamente usar a fórmula da potência, só que
agora a que aparece a corrente.
Cálculo da Energia Elétrica
Quando um equipamento elétrico fica em funcionamento durante um determinado
intervalo de tempo, podemos calcular a energia elétrica que foi consumida.
Para fazer esse cálculo, basta multiplicar a potência do equipamento pelo tempo de
funcionamento, assim a energia elétrica é encontrada usando-se a fórmula:
Eel = P. Δt
Sendo,
Eel: energia elétrica (J)
P: potência (W)
Δt: intervalo de tempo (s)
No cotidiano, é muito comum o valor da energia elétrica ser expresso em kWh. Neste
caso, para transformar de Joule para kWh, podemos usar a seguinte relação:
1 kWh = 3 600 000 J
Exemplo
Um aquecedor elétrico apresenta uma potência de 3000 W. Qual o custo mensal deste
aquecedor ao ficar ligado durante 3 horas todos os dias? Considere que 1 kWh custa
R$ 0,40.
Solução:
Primeiro vamos calcular o valor da energia consumida pelo aquecedor em 1 dia:
Eel= 3000.3 = 9000 Wh = 9 kWh
Como queremos saber do custo em 1 mês, vamos multiplicar esse valor por 30, assim
encontramos:
Eel= 9 . 30 = 270 kWh
Finalmente, para encontrar o valor em reais, basta multiplicar o valor encontrado por
0,40, então:
Valor = 270 . 0,4 = 108
Assim, custo do aquecedor ao final de 1 mês será de 108 reais.
Curto-circuito
Os curto-circuitos são assim chamados porque representam o caminho mais curto que
a corrente elétrica pode realizar em um circuito. Para compreender melhor esse
fenômeno, faremos uma análise detalhada de como ocorre um curto-circuito.
O circuito elétrico é o caminho que a corrente percorre entre os dois terminais de uma
fonte de tensão. Normalmente ele é composto por um gerador de eletricidade e
resistências elétricas, de forma que, quando o circuito é fechado, estabelece-se uma
corrente elétrica entre os seus terminais. Observe a figura a seguir:
Um circuito elétrico é constituído por uma fonte de tensão e resistências elétricas nas
quais é estabelecida uma corrente elétrica
Na figura, as duas resistências estão em paralelo. Sendo assim, a ddp em cada resistor é
igual à tensão da fonte (V). Já a corrente elétrica é proporcional à resistência em cada
resistor. Se as duas resistências forem iguais, então a corrente elétrica será igual nos
dois resistores. Mas se diminuirmos o valor da resistência em R1, haverá um aumento
na corrente elétrica que passa por ele e também na corrente elétrica fornecida pela
fonte.
Considerando agora um caso extremo, em que o valor de R1 é bem próximo
da resistência do condutor do circuito, a corrente elétrica que passa pelo pelo resistor é
muito elevada, bem como a corrente que entra no circuito. Já a corrente no outro
resistor, R2, é praticamente nula. Esse tipo de situação é o que caracteriza um curto-
circuito.
Resumindo, podemos utilizar a seguinte definição:
“Um curto-circuito ocorre quando a resistência elétrica em um circuito é muito
pequena e a corrente elétrica que o atravessa atinge uma intensidade muito
elevada.”
Esse aumento na corrente elétrica causa uma grande liberação de energia e,
consequentemente, um superaquecimento dos condutores. Essa liberação de calor
pode ser obtida matematicamente.
Primeiro utilizamos a Lei de Ohm para relacionar a corrente (i) com a tensão elétrica (V)
e a resistência (R) de um circuito:
i=V
R
Em seguida, calculamos a potência dissipada no resistor, que representa a quantidade
de energia que é transformada em calor por efeito Joule, com a expressão:
P = V.i
Substituindo i, temos:
P = V2
R
A partir da equação obtida, podemos concluir que a potência dissipada é inversamente
proporcional ao valor da resistência. Assim, quanto menor a resistência, maior é a
dissipação de energia elétrica no condutor. Note que, na equação acima, se R tende a
zero (R→0), P tende ao infinito (P→∞).
A dissipação instantânea de energia que ocorre em um curto-circuito pode gerar faíscas
e explosões, ocasionando vários danos nos circuitos elétricos, além de poder originar
incêndios devastadores em residências e indústrias. Para evitar esse tipo de acidente,
são utilizados os fusíveis e os disjuntores, que são dispositivos que detectam a alteração
da corrente elétrica e interrompem sua passagem automaticamente.
Eletromagnetismo
Eletromagnetismo é a área responsável por estudar os fenômenos elétricos e os
fenômenos magnéticos de maneira unificada. Essa área comporta os estudos da Física
desde a lei de Coulomb (que estuda a força elétrica) até as equações de Maxwell.
Resumo sobre eletromagnetismo
• O eletromagnetismo comporta tudo que é estudado em eletricidade e em
magnetismo.
• Existem diversas fórmulas estudadas no eletromagnetismo, entre elas a lei
de Faraday-Lenz e as equações de Maxwell.
• O eletromagnetismo é importante no desenvolvimento das tecnologias
usadas nos equipamentos elétricos e eletrônicos, investigação da origem da
vida e no uso e aperfeiçoamento da eletricidade e magnetismo para os mais
diversos fins.
• No século 19 descobriram-se os efeitos magnéticos das correntes elétricas,
sendo o ponto de partida do estudo do eletromagnetismo.
Campo Magnético
Campo magnético é uma região do espaço capaz de exercer forças sobre cargas
elétricas em movimento e em materiais dotados de propriedades magnéticas. O campo
magnético é uma grandeza física vetorial medida em tesla (T). Tanto o campo
magnético produzido pelos ímãs naturais quanto aquele gerado por ímãs artificiais são
resultado da movimentação das cargas elétricas no interior dos ímãs.
Definição de campo magnético
Quando uma partícula eletricamente carregada move-se, dá-se origem a um campo
magnético. De acordo com as leis do eletromagnetismo, esse campo magnético origina-
se da variação de intensidade do campo elétrico.
Nos materiais magnéticos, como nos ímãs naturais, o campo magnético é resultado do
alinhamento de um grande número de domínios magnéticos, que são regiões
microscópicas no interior do ímã, dotadas de um campo magnético, como se fossem
pequenas bússolas. A forma como os domínios magnéticos estão organizados define
qual é o tipo de magnetismo presente no material.
Na figura a seguir, mostramos como são dispostos os domínios magnéticos de materiais
ferromagnéticos, diamagnéticos e paramagnéticos, observe:
Diferentes tipos de materiais magnéticos
Os materiais ferromagnéticos são aqueles que respondem fortemente à presença de
um campo magnético externo; materiais diamagnéticos são repelidos pelo campo
magnético; e, por fim, os materiais paramagnéticos são levemente atraídos por campos
magnéticos externos.
Todo campo magnético é dotado de dois polos magnéticos, chamados de polo sul e polo
norte. Ambos dizem respeito ao sentido do vetor campo magnético, que sai e entra no
polo norte, assim como fazem as linhas do campo magnético, que serão definidas
adiante. Ademais, Não é possível que exista um campo magnético com somente um
desses polos, em respeito a uma das leis do eletromagnetismo que prevê a não
existência de monopolos magnéticos.
Linhas de campo magnético
O campo magnético costuma ser representado pelas linhas de indução.
Na figura mostramos as linhas de campo magnético, usadas como um artifício para
facilitar a visualização do campo. Uma vez que o campo magnético é uma grandeza
vetorial, cada um dos infinitos pontos do espaço localizados nos arredores de um ímã
apresenta um módulo, uma direção e um sentido. Dessa forma, representá-lo seria uma
tarefa muito difícil se não fosse o uso das linhas.
As linhas de campo magnético ou linhas de indução são representadas
pela tangente do vetor campo magnético naquela região do espaço. Vamos conferir
as propriedades delas.
• São sempre fechadas, uma vez que não existe monopolo magnético.
• Sempre emergem do polo norte magnético e sempre imergem no polo sul
magnético, bem como o vetor de campo magnético sempre aponta no
sentido do norte magnético.
• A densidade delas indica a intensidade do campo magnético naquela região.
• Elas nunca se cruzam.
Fontes e fórmulas do campo magnético
Existem diferentes fontes de campo magnético. Elas afetam a forma como o campo é
distribuído no espaço, e, por isso, é importante conhecer algumas delas, bem como as
fórmulas usadas para calculá-las. Começaremos com o campo magnético produzido por
uma corrente elétrica.
Campo magnético gerado por uma corrente elétrica
Quando uma corrente elétrica percorre um fio condutor retilíneo, um campo magnético
circular forma-se ao longo de toda a sua extensão. As linhas de indução desse campo
são concêntricas em relação ao fio. O seu sentido é determinado pela regra da mão
direita, de acordo com ela, quando apontamos o polegar no sentido da corrente elétrica,
os demais dedos da mão fecham-se no sentido do campo magnético.
O campo magnético produzido por uma corrente elétrica, denotado pelo símbolo B,
pode ser calculado pela fórmula a seguir:
B – campo magnético (T)
μ0 – permeabilidade magnética do vácuo (4π.10 –7 T.m/A)
i – corrente elétrica (A)
R – distância ao fio (m)
Campo magnético de uma espira condutora
Uma espira é um fio condutor fechado, em formato circular. O campo magnético
produzido na região central dela pode ser calculado pela fórmula seguinte, confira:
Campo magnético de uma bobina (solenoide)
Bobinas, também conhecidas como solenoides, são formadas por um longo fio condutor
enrolado diversas vezes, tratando-se, portanto, da combinação de um grande número
de espiras.
A fórmula usada para calcular o campo magnético no interior do solenoide é esta:
N – número de voltas do solenoide
L – comprimento do solenoide
Campo magnético terrestre
O campo magnético terrestre origina-se do movimento relativo ao núcleo e à crosta
terrestre, uma vez que essas estruturas giram em diferentes velocidades. A presença de
íons no conteúdo magnético do núcleo terrestre e sua rotação dão origem a um campo
magnético tridimensional, que perpassa todo o planeta e protege a nossa atmosfera,
fazendo com que ela não seja varrida pelas partículas emitidas pelo Sol, conhecidas
como vento solar. A interação entre essas partículas e o campo magnético terrestre dá
origem às auroras polares.
As linhas de campo magnético da Terra emanam de uma região próxima ao polo sul
geográfico, e o mesmo acontece com o polo sul magnético, em que as linhas de campo
magnético imergem. Os polos magnéticos e geográficos não são coincidentes devido ao
plano de rotação da Terra, que é diferente do plano formado pela Linha do Equador.
A figura mostra o formato das linhas de campo magnético da Terra, confira:
Caso tenha maior interesse no tema deste tópico, acesse nosso texto: Campo magnético
terrestre.
Exercícios sobre campo magnético
Questão 1) Calcule a intensidade do campo magnético produzido por um fio condutor
retilíneo, percorrido por uma corrente elétrica constante de 0,5 A, a uma distância de
50 cm do fio.
Dados: μ0 = 4π.10 –7 T.m/A
a) 2.10 –7 T
b) 2π.10 –7 T
c) 5,0.10 –6 T
d) 2,5.10 –7 T
e) 4,0.10 –3 T
Gabarito: Letra b
Resolução:
Com base nos dados fornecidos pelo enunciado, calcularemos o campo magnético
produzido pelo condutor retilíneo, observe:
Após o cálculo, descobrimos que a intensidade do campo magnético é de 2π.10-7 T.m/A.
Questão 2) Com base em seus conhecimentos e de acordo com o texto, assinale a
alternativa correta com relação às linhas de indução:
a) As linhas de indução são linhas abertas, que saem do norte magnético e entram no
sul magnético.
b) As linhas de indução saem do polo sul magnético e entram no polo norte magnético.
c) As linhas de indução são sempre fechadas e representam a tangente dos vetores de
campo magnético.
d) A concentração de linhas de indução em uma região do espaço é inversamente
proporcional à intensidade do campo magnético dessa mesma região.
e) As linhas de campo magnético são usadas como um artifício para representar o
módulo, a direção e o sentido do campo magnético.
Gabarito: Letra c
Resolução:
Devemos lembrar-nos de que as linhas de indução são, na verdade, as tangentes dos
vetores de campo magnético. Além disso, são sempre fechadas, emergindo do norte
magnético e imergindo no sul magnético. Portanto, a alternativa correta é a letra c.
Questão 3) Um solenoide de 10 cm de comprimento e 500 voltas é percorrido por uma
corrente elétrica de 1,0 A. Determine a intensidade do campo magnético produzido no
interior do solenoide.
Dados: μ0 = 4π.10 –7 T.m/A
a) 2π.10 –3 T
b) 4π.10 –7 T
c) 4π.10 –3 T
d) 4.10 –4 T
e) π.10 –3 T
Gabarito: Letra a
Resolução:
Por meio da fórmula do campo magnético do solenoide e com base nos dados
fornecidos no enunciado, devemos fazer o seguinte cálculo, observe:
O cálculo mostra que a intensidade do campo magnético produzido no interior do
solenoide é igual a 2π.10 –3 T. Dessa forma, a alternativa correta é a letra a.
Lei de Faraday
A Lei de Faraday ou Lei de Indução Eletromagnética, enuncia que quando houver
variação do fluxo magnético por um circuito, surgirá nele uma força eletromotriz
induzida.
Este fenômeno foi observado utilizando um ímã para produzir o fluxo magnético.
Quando o ímã se movimenta em relação a uma bobina (fio condutor na forma de
espiras), gera uma corrente elétrica no circuito ao qual a bobina está ligada.
Na imagem, é possível observar a bobina à esquerda e o ímã à direita. A seta indica o
movimento relativo entre o ímã e a bobina. Abaixo, um amperímetro indica a leitura
de uma corrente elétrica: a corrente induzida pelo movimento do ímã.
Essa lei foi estabelecida por Michael Faraday, em 1831, a partir da descoberta do
fenômeno da indução eletromagnética. Para sua concepção Faraday realizou inúmeros
experimentos.
Sendo uma lei fundamental do eletromagnetismo, foi o ponto de partida para a
construção dos dínamos e sua aplicação na produção de energia elétrica em larga
escala.
Nas usinas de geração de energia elétrica, a energia mecânica produz a variação do
fluxo magnético. A partir dessa variação, surge uma corrente induzida no gerador.
Abaixo, observamos o esquema de uma usina hidrelétrica. Este tipo de usina utiliza o
movimento da água (energia mecânica) para gerar a variação do fluxo magnético.
Esquema de uma usina hidrelétrica
Fórmula
A fórmula matemática que representa a lei de Faraday, como é utilizada atualmente,
foi concebida pelo físico Alemão Franz Ernst Neumann, é indicada como:
Sendo,
ε: força eletromotriz induzida (fem) (V)
ΔΦ: variação do fluxo magnético (Wb)
Δt: intervalo de tempo (s)
O sinal negativo da fórmula indica que o sentido da fem induzida é em oposição a
variação do fluxo magnético.
Exemplo
Uma espira está imersa em um campo magnético e a intensidade do fluxo magnético
que a atravessa é igual a 2. 10-6 Wb. Em um intervalo de 5s a intensidade do campo
magnético é reduzida a zero. Determine o valor da fem induzida na espira nesse
intervalo de tempo.
Solução:
Podemos substituir os dados diretamente na fórmula da fem induzida:
Assim, surgirá na espira uma fem de 4.10-7 V
Lei de Lenz
Em 1834 o físico russo Heinrich Lenz, baseado nos trabalhos de Faraday, propôs uma
regra para a definição do sentido da corrente induzida.
Com a lei de Faraday é possível determinar o valor da fem induzida em um circuito e a
partir daí podemos encontrar a intensidade da corrente induzida.
Contudo, verifica-se que a corrente induzida apresenta sentidos diferentes conforme a
variação do fluxo magnético.
Nesta época já era conhecido que uma corrente elétrica cria ao seu redor um campo
magnético e que esse fenômeno também ocorria com a corrente induzida.
Lenz observou que o sentido deste campo depende do aumento ou da diminuição do
fluxo magnético.
A lei de Lenz estabelece que o sentido do campo magnético produzido pela corrente
induzida é contrário a variação do fluxo magnético.
Isto é, se o fluxo magnético aumenta, aparecerá no circuito uma corrente induzida que
criará um campo magnético induzido em sentido oposto ao do campo magnético que o
circuito está imerso.
Na imagem abaixo, temos um ímã se aproximando de uma espira. Essa aproximação
produz um aumento do fluxo magnético através da espira.
Nesta situação, o campo magnético criado pela corrente induzida surge para anular
esse aumento, portanto, tem o sentido contrário do campo magnético do ímã.
Por outro lado, se o fluxo magnético diminui, o sentido da corrente será tal que o
campo produzido por ela terá o mesmo sentido do campo magnético criado pelo ímã.
Na figura abaixo, representamos agora o ímã se afastando da espira. Neste caso, o
campo criado pela corrente induzida surge para impedir que ocorra redução do fluxo,
logo tem o mesmo sentido do campo do íma.
Para definir o sentido da corrente induzida aplica-se a regra de Ampère.
Regra de Ampère
Esta é uma regra prática para a definição do sentido do campo magnético produzido
por uma corrente.
Nesta regra usamos a mão direita, como se estivéssemos envolvendo o fio. O dedão irá
apontar o sentido da corrente e os demais dedos o sentido do campo magnético.
Transformadores
Transformadores são dispositivos eletrônicos que transferem energia elétrica de um
circuito elétrico para outro ou até mesmo entre vários circuitos. A passagem de uma
corrente elétrica alternada em qualquer uma das duas bobinas de um transformador
gera um fluxo magnético variável em seu núcleo metálico, causando o surgimento de
uma força eletromotriz induzida na outra bobina. É por meio da lei de indução de
Faraday, descoberta em 1831, que se descreve o efeito da tensão elétrica induzida nas
bobinas dos transformadores em razão das mudanças no fluxo de campo magnético.
Ademais, entender o funcionamento dos transformadores, que são aplicações
tecnológicas diretamente derivadas do estudo da indução de Faraday, tem grande
importância para a compreensão de importantes conceitos do eletromagnetismo.
O que é um transformador e para que serve?
Transformador é um aparelho capaz de abaixar ou diminuir a tensão e a corrente
elétrica fornecidas a um circuito elétrico qualquer. Operam exclusivamente com
correntes alternadas e sua capacidade de aumentar ou reduzir uma tensão elétrica
está diretamente relacionada com a quantidade de voltas em que um fio condutor é
enrolado em torno de duas extremidades de um núcleo de ferro, chamadas de
enrolamentos primário e secundário.
Esse núcleo de ferro geralmente é construído em formato retangular ou ainda em
formato de U. Além disso, também é comum que seja constituído como uma
combinação de diversas lâminas de ferro, colocadas em contato próximo, de modo a
evitar maiores perdas de energia.
Fórmulas dos transformadores
A principal fórmula utilizada para os transformadores é aquela que relaciona a tensão
elétrica e o número de enrolamentos nos circuitos primário e secundário. Veja:
UP e US – tensão elétrica nos enrolamentos primário e secundário
NP e NS – número de voltas nos enrolamentos primário e secundário
Além da fórmula acima, há uma fórmula que relaciona a corrente elétrica nos
enrolamentos com o número de voltas:
iP e iS – correntes elétricas nos enrolamentos primário e secundário.
Questão 1 - (Acafe) Tasers são armas de eletrochoque que usam uma corrente elétrica
para imobilizar pessoas que estejam representando alguma ameaça a alguém ou à
ordem pública. O sistema interno da arma cria e trata a corrente elétrica que será
descarregada por meio dos fios de cobre. Capacitores, transformadores e baterias são
peças fundamentais nesse processo.
Nesse sentido, assinale a alternativa correta que completa as lacunas das frases a
seguir:
O transformador é um equipamento elétrico que tem seu princípio de funcionamento
baseado na __________. A bateria é uma fonte de energia que transforma energia
__________ em energia elétrica. O capacitor é um dispositivo que armazena
__________.
a) Lei de Coulomb - térmica - campo magnético
b) Lei de Lenz - luminosa - corrente elétrica
c) Lei de Faraday - química - cargas elétricas
d) Lei de Newton - magnética - resistência elétrica
Gabarito: letra C.
Os transformadores são equipamentos baseados nas leis de Faraday e Lenz. As
baterias são dispositivos que transformam a energia química em energia elétrica por
meio de reações espontâneas de oxirredução. Capacitor é um dispositivo eletrônico
cuja função básica é armazenar cargas elétricas, consequentemente é um acumulador
de energia potencial elétrica.
Questão 2 - (Uerj) O princípio físico do funcionamento de alternadores e
transformadores, comprovável de modo experimental, refere-se à produção de
corrente elétrica por meio da variação de um campo magnético aplicado a um circuito
elétrico.
Esse princípio se fundamenta na denominada lei de:
a) Newton
b) Ampère
c) Faraday
d) Coulomb
Gabarito: letra C. A lei de indução de Faraday afirma que a variação do fluxo magnético
através de um condutor, como uma bobina, resulta na produção de uma força
eletromotriz induzida.
Resumo sobre motor elétrico
O motor elétrico é um exemplo de receptor elétrico.
O motor elétrico é uma máquina que transforma a energia elétrica em energia
mecânica.
Os motores elétricos podem ser de corrente alternada, contínua ou universal.
Diferentemente do motor elétrico, o gerador elétrico gera energia elétrica por meio de
outras formas de energia.
Os motores elétricos são usados em aparelhos elétricos para realizar uma tarefa
mecânica.
O que é motor elétrico?
Também chamado de atuador elétrico, o motor elétrico é um tipo de receptor elétrico
capaz de transformar a energia elétrica, que recebe da fonte de alimentação, em
energia mecânica, para a realização de alguma atividade mecânica.
Quais são os tipos de motor elétrico?
Os motores são divididos em três categorias:
Motor elétrico de corrente alternada: é aquele que precisa ser conectado a uma fonte
de alimentação alternada (corrente elétrica que varia durante o percurso), sendo o
tipo mais usado, já que geralmente a forma de distribuição de energia elétrica é em
corrente alternada. Ele é empregado na indústria, pois é possível controlar e variar a
sua velocidade.
Motor elétrico de corrente contínua: é aquele que precisa ser conectado a uma fonte
de alimentação contínua (corrente elétrica que não varia durante o percurso),
podendo demandar um circuito retificador que transformará a corrente alternada em
corrente contínua. Ele é empregado em carros elétricos e em eletrônicos portáteis, por
conseguir ter uma partida ou ligação rápida.
Motor elétrico de corrente universal: é aquele que pode ser conectado em uma fonte
de alimentação alternada ou contínua.
Como funciona o motor elétrico?
O motor elétrico funciona por meio dos dois príncípios fundamentais do
eletromagnetismo: o princípio que expressa que os campos magnéticos que possuem
mesma polaridade se repelem e o princípio que expressa que cargas elétricas em
movimento (corrente elétrica) conseguem criar um campo magnético.
Quando ligamos o aparelho elétrico na tomada, ele passa a ser percorrido por uma
corrente elétrica que energiza as escovas e bobinas do estator, gerando um campo
magnético de igual polaridade àquela dos imãs fixados no interior da sua carcaça,
fazendo o motor elétrico rotacionar e, consequentemente, gerar energia mecânica.
Diferença entre o motor elétrico e o gerador elétrico
O motor elétrico e o gerador elétrico são dispositivos elétricos usados na conversão de
uma forma de energia em outra, contudo eles apresentam algumas diferenças.
Motor elétrico: é um receptor elétrico que converte a energia elétrica em energia
mecânica.
Gerador elétrico: não é um receptor elétrico, já que converte outras formas de
energia, como energia eólica e energia mecânica, em energia elétrica.
Onde o motor elétrico pode ser usado?
Os motores elétricos podem ser usados quando precisamos que um aparelho elétrico
execute alguma tarefa mecânica, como no caso das furadeiras, esteiras
transportadoras, agitadores, misturadores, elevadores, geladeiras, máquinas de lavar,
liquidificadores, multiprocessadores etc.
Carga movendo no campo magnético uniforme
Carga lançada paralelamente às linhas do campo magnético
Suponhamos que temos um campo magnético uniforme e que lancemos uma carga
elétrica nesse campo. Dependendo da direção assumida pela velocidade da carga em
relação ao campo magnético, ela poderá descrever no interior desse campo magnético
vários movimentos.
Se lançarmos uma carga elétrica com velocidade v no interior de um campo magnético
uniforme B, essa carga realizará um movimento uniforme no interior do campo
magnético. Portanto, os diferentes tipos de trajetória assumidos pela carga dependem
do ângulo com que ela foi lançada no campo magnético.
Na primeira situação analisada, vamos supor que a carga q seja lançada no campo
magnético formando um ângulo de 0º ou 180º com a direção das linhas do campo
magnético.
Na figura acima vemos que a carga elétrica foi lançada formando um ângulo θ = 0º e na
segunda situação foi lançada com um ângulo θ = 180º. Para determinarmos a força
magnética que age sobre a partícula temos a seguinte equação:
Fmg=|q|.[Link] θ
Como o sen 0º = 0 e o sen 180º = 0, podemos concluir que sobre a carga não atuará força
magnética, ou seja, a força é nula. Isso nos dá a entender que a partícula está, no interior
do campo magnético, em movimento retilíneo uniforme.
Agora vamos supor que a carga elétrica seja lançada perpendicularmente, isto é,
formando um ângulo θ = 90º com as linhas do campo magnético.
De acordo com a equação da força magnética,
Fmg=|q|.[Link] θ
Como o sen 90º = 1, temos que a força magnética fica:
Fmg=|q|.v.B
Da equação acima podemos concluir que a carga quando lançada perpendicularmente
às linhas de campo magnético uniforme realiza um movimento circular uniforme em
uma circunferência cujo plano é perpendicular à direção das linhas do campo magnético.
Oscilações e Ondas
Ondas
As ondas são perturbações que se propagam pelo espaço sem transporte de matéria,
apenas de energia.
O elemento que provoca uma onda é denominado fonte, por exemplo, uma pedra
lançada nas águas de um rio gerarão ondas circulares.
Ondas circulares na superfície de um líquido
São exemplos de ondas: ondas do mar, ondas de rádio, som, luz, raio-x, micro-ondas
dentre outras.
A parte da Física que estuda as ondas e suas características é chamada de ondulatória.
Características das Ondas
Para caracterizar as ondas usamos as seguintes grandezas:
• Amplitude: corresponde à altura da onda, marcada pela distância entre o ponto
de equilíbrio (repouso) da onda até a crista. Note que a “crista” indica o ponto
máximo da onda, enquanto o “vale”, representa a ponto mínimo.
• Comprimento de onda: Representado pela letra grega lambda (λ), é a distância
entre dois vales ou duas cristas sucessivas.
• Velocidade: representado pela letra (v), a velocidade de uma onda depende do
meio em que ela está se propagando. Assim, quando uma onda muda seu
meio de propagação, a sua velocidade pode mudar.
• Frequência: representada pela letra (f), no sistema internacional a frequência é
medida em hertz (Hz) e corresponde ao número de oscilações da onda em
determinado intervalo de tempo. A frequência de uma onda não depende do
meio de propagação, apenas da frequência da fonte que produziu a onda.
• Período: representado pela letra (T), o período corresponde ao tempo de um
comprimento de onda. No sistema internacional, a unidade de medida do
período é segundos (s).
Tipos de Ondas
As ondas podem ser classificadas quanto ao meio em que se propagam. Quanto à
natureza, há dois tipos de ondas:
Ondas Mecânicas
As ondas mecânicas precisam de um meio material para se propagar, como o ar, a
água ou o solo. Isso significa que, para que essas ondas se movam de um lugar para
outro, elas dependem das vibrações das partículas nesse meio.
Por exemplo, quando você balança uma corda ou uma mola, as ondas que você cria se
movem ao longo da corda ou da mola pela vibração das partículas. Da mesma forma,
as ondas na superfície da água se movem quando as partículas da água oscilam para
cima e para baixo. As ondas sonoras são outro exemplo de ondas mecânicas,
propagando-se através do ar à medida que as partículas de ar vibram.
Ondas Eletromagnéticas
As ondas eletromagnéticas não precisam de um meio material para se propagar. Elas
podem viajar tanto por meios materiais como no vácuo (espaço vazio), o que as torna
essenciais para a comunicação espacial e muitas tecnologias modernas.
Essas ondas são formadas pela oscilação de campos elétricos e magnéticos que se
influenciam mutuamente. Quando o campo elétrico oscila, ele gera um campo
magnético que varia; este campo magnético em mudança, por sua vez, gera um campo
elétrico oscilante, e assim por diante.
Classificação das Ondas
Segundo a direção de propagação das ondas, elas são classificadas em:
• Ondas Unidimensionais: as ondas que se propagam em uma direção.
Exemplo: ondas em uma corda.
• Ondas Bidimensionais: as ondas que se propagam em duas direções.
Exemplo: ondas se propagando na superfície de um lago.
• Ondas Tridimensionais: as ondas que se propagam em todas as direções
possíveis.
Exemplo: ondas sonoras.
As ondas também podem ser classificadas conforme a direção de vibração:
• Ondas Longitudinais: a vibração da fonte é paralela ao deslocamento da onda.
Exemplo: ondas sonoras.
• Ondas Transversais: a vibração é perpendicular à propagação da onda.
Exemplo: onda em uma corda.
Fórmulas
Relação entre período e frequência
O período é o inverso da frequência.
Assim:
Velocidade de propagação
A velocidade também pode ser calculada em função da frequência, substituindo o
período pelo inverso da frequência.
Temos:
Exemplo
Qual o período e a velocidade de propagação de uma onda que apresenta frequência
de 5Hz e comprimento de onda de 0,2 m?
Como o período é o inverso da frequência, então:
Para calcular a velocidade usamos o comprimento de onda e a frequência, assim:
Fenômenos Ondulatórios
Reflexão
Uma onda se propagando em um determinado meio ao se deparar com um obstáculo
pode sofrer reflexão, isto é inverter o sentido da propagação.
Ao sofrer reflexão, o comprimento de onda, a velocidade de propagação e a frequência
da onda não se alteram.
Um exemplo é quando uma pessoa grita em um vale e escuta alguns segundos depois
o eco da sua voz.
Através da reflexão da luz conseguimos ver nossa própria imagem em uma superfície
polida.
Imagem refletida na superfície tranquila de um lago.
Refração
A refração é um fenômeno que acontece quando uma onda muda o meio de
propagação. Nesse caso, poderá ocorrer uma mudança no valor da velocidade e na
direção de propagação.
As ondas em uma praia se quebram paralelamente a orla, devido ao fenômeno da
refração. A mudança de profundidade da água (meio de propagação) faz com que a
direção das ondas se modifique, tornando-as paralela à orla da praia.
Difração
As ondas contornam obstáculos. Quando isso ocorre dissemos que a onda sofreu
difração.
A difração nos permite ouvir, por exemplo, uma pessoa que está do outro lado de um
muro.
Ao passar por um obstáculo, as ondas sofrem um espalhamento.
Interferência
Quando duas ondas se encontram, ocorre uma interação entre suas amplitudes
chamada de interferência.
A interferência pode ser construtiva (aumento da amplitude) ou destrutiva (diminuição
da amplitude).
Ondas Estacionárias
As ondas estacionárias ocorrem da superposição de ondas periódicas iguais e de
sentidos contrários.
Ao ocorrer interferência construtiva e destrutiva, apresentam pontos que vibram e
outros que não vibram.
Podemos produzir ondas estacionárias em uma corda com as extremidades fixas,
como, por exemplo, nas cordas de um violão.
Velocidade e comprimento de onda
Onda periódica em uma corda
Se fizermos frequentemente o movimento harmônico simples em uma extremidade de
uma corda fixa esticada na horizontal, produziremos uma sequência de ondas com
períodos de repetição iguais, ou seja, produziremos uma onda periódica, conhecida
também como trem de ondas, que se propaga com velocidade constante.
Na figura acima temos o exemplo, ou seja, a configuração básica de uma onda periódica
em um instante t, logo após os movimentos periódicos terem começado.
De acordo com a figura abaixo, se soubermos a configuração da onda periódica, temos
a possibilidade de identificar algumas dessas características. O ponto mais alto da corda
da figura abaixo, por exemplo, denomina-se crista da onda; já o ponto mais baixo da
corda, denomina-se vale da onda. Sendo assim, a distância entre duas cristas ou dois
vales consecutivos é definida como sendo o comprimento de onda.
Representamos o comprimento de uma onda qualquer utilizando o seguinte símbolo:
(λ).
Ainda com relação à figura abaixo, podemos dizer que a distância entre uma crista e um
vale consecutivos de uma onda periódica é igual a meio comprimento de onda, ou seja,
(λ/2); e a distância entre uma crista ou um vale à posição de equilíbrio é igual a um
quarto do comprimento de onda (λ/4).
Como sabemos que cada ponto da corda realiza um MHS, também é possível determinar
o comprimento de onda como sendo a menor distância entre dois pontos
em concordância de fase. Dizemos que dois pontos estão em concordância de fase se
eles executarem o mesmo MHS, ou seja, se eles possuírem a mesma aceleração,
velocidade e elongação.
Dessa forma, podemos afirmar que sempre duas cristas e dois vales estão em
concordância de fase. Já quanto a uma crista e um vale, dizemos que eles estão em
oposição de fase. Sendo assim, podemos definir que:
O comprimento de onda (λ) corresponde à menor distância entre dois pontos da onda
em concordância de fase.
Pela definição da velocidade média, temos:
Sendo vm = v, Δs = λ e Δt = T, temos que:
Sabendo que o período é o inverso da frequência, T = 1/f, vem a Equação fundamental
das Ondas:
v=λ .f
A equação acima, que fornece a velocidade de propagação de uma onda, vale para
ondas mecânicas e eletromagnéticas.
Ondas acústicas e Eletromagnéticas
Acústica é a área da física que estuda as ondas sonoras e os seus fenômenos. A acústica
aborda fenômenos ondulatórios, como a reflexão, refração, difração, absorção e efeito
Doppler, bem como as características do som — onda mecânica capaz de propagar-se
através de meios sólidos, líquidos e gasosos.
Acústica e som
O som é uma onda mecânica, por isso, necessita de um meio físico pelo qual possa
propagar-se. Além disso, o som é uma onda longitudinal, ou seja, a perturbação que
produz uma onda sonora ocorre na mesma direção em que essa onda propaga-se, como
no caso em que esticamos uma mola e a soltamos.
O som é uma onda de pressão que produz regiões de compressão e rarefação no ar ou
em outros meios. Quando essas vibrações chegam ao nosso ouvido, são transmitidas
para um conjunto de ossículos que ajudam a transmitir a informação para o nosso
cérebro.
Nem todos os sons são audíveis, os seres humanos conseguem escutar sons cujas
frequências estejam entre 20 Hz e 20.000 Hz, esse intervalo de frequências é conhecido
como espectro audível. Sons de frequência inferior a 20 Hz são conhecidos como
infrassons, enquanto os sons de frequência superior a 20.000 Hz são chamados
ultrassons.
O som é uma onda de pressão que se propaga pelo ar e outros meios.
Característica do som
A frequência do som diz respeito a uma de suas características: a altura. Sons de alta
frequência são chamados de sons altos, percebidos como tons agudos. Sons de baixa
frequência, por sua vez, são sons graves, chamados de sons baixos.
A intensidade sonora é outra característica do som que nos permite diferenciar
diferentes fontes sonoras. Dizemos que a intensidade do som é a quantidade de
energia que a onda sonora é capaz de transferir, a cada m², a cada segundo. A unidade
de medida da intensidade sonora é o W/m².
Para fins práticos, a intensidade sonora é geralmente apresentada na escala de
decibéis, essa escala compara a intensidade de uma onda sonora com a menor
intensidade audível, que é de cerca de 10-12 W/m². Esse valor é conhecido como
limiar da audição e corresponde ao barulho de uma formiga roendo uma folha de
árvore, por exemplo.
N – número de decibéis
I – intensidade do som (W/m²)
I0 – limiar de audibilidade (10-12 W/m²)
A velocidade de propagação do som depende exclusivamente do meio em que ele se
propaga. No ar, à temperatura ambiente (25 ºC) e à pressão de 1 atm, a velocidade de
propagação do som é de cerca de 340 m/s. A velocidade do som em um meio está
relacionada a fatores como a densidade do meio e sua elasticidade, ou seja, a
capacidade das moléculas de conservar sua energia mecânica durante as colisões entre
partículas vizinhas.
v – velocidade do som (m/s)
λ – comprimento de onda (m)
f – frequência do som (Hz)
Além da altura e da intensidade, o timbre é a outra característica que nos permite
diferenciar duas notas musicais idênticas, produzidas por fontes diferentes (violino e
piano, por exemplo). O timbre diz respeito à forma de vibração da onda e é uma
característica própria de cada fonte sonora.
Acústica na música
A acústica está presente na música, principalmente quando estudamos a formação de
ondas estacionárias. As ondas estacionárias são produzidas quando alguma condição
de contorno restringe a propagação do som, nesse caso, uma onda incidente e uma
onda refletida produzem interferência mútua, desse modo, sob certas condições, são
formados os harmônicos.
Nos instrumentos de corda, utilizam-se presilhas que servem para controlar o tamanho
da corda, além disso, a tração aplicada sobre as cordas também afeta a velocidade de
propagação das ondas sonoras (lei de Brook-Taylor). Nesse tipo de instrumento, os
harmônicos são formados quando o comprimento da corda é suficientemente grande
para que se formem ondas estacionárias de comprimento igual a um múltiplo inteiro
de metade de um comprimento de onda.
L – comprimento da corda
n – número do harmônico (n = 1, 2, 3...)
A acústica também estuda a formação de harmônicos nos tubos sonoros, como nas
flautas. Nesse caso, existem dois tipos de tubos sonoros: abertos e fechados. Nestes,
um dos lados é fechado, naqueles, as duas extremidades são abertas.
Exercícios sobre acústica
Questão 1) (Enem) Ao ouvir uma flauta e um piano emitindo a mesma nota musical,
consegue-se diferenciar esses instrumentos um do outro.
Essa diferenciação se deve principalmente ao(a):
a) intensidade sonora do som de cada instrumento musical.
b) potência sonora do som emitido pelos diferentes instrumentos musicais.
c) diferente velocidade de propagação do som emitido por cada instrumento musical.
d) timbre do som, que faz com que os formatos das ondas de cada instrumento sejam
diferentes.
e) altura do som, que possui diferentes frequências para diferentes instrumentos
musicais.
Gabarito: Letra D
Resolução:
A qualidade do som que nos permite distinguir sons de mesma frequência e
intensidade é o timbre, portanto, a alternativa correta é a letra D.
Questão 2) (Enem) Quando adolescente, as nossas tardes, após as aulas, consistiam
em tomar às mãos o violão e o dicionário de acordes de Almir Chediak e desafiar nosso
amigo Hamilton a descobrir, apenas ouvindo o acorde, quais notas eram escolhidas.
Sempre perdíamos a aposta, ele possui o ouvido absoluto.
O ouvido absoluto é uma característica perceptual de poucos indivíduos capazes de
identificar notas isoladas sem outras referências, isto é, sem precisar relacioná-las com
outras notas de uma melodia.
No contexto apresentado, a propriedade física das ondas que permite essa distinção
entre as notas é a:
a) frequência.
b) intensidade.
c) forma da onda.
d) amplitude da onda.
e) velocidade de propagação.
Gabarito: Letra A
Resolução:
A qualidade do som que nos permite distinguir diferentes notas musicais é a
frequência do som, logo, a alternativa correta é a letra A.
Questão 3) (Enem) Visando a reduzir a poluição sonora de uma cidade, a Câmara de
Vereadores aprovou uma lei que impõe o limite máximo de 40 dB (decibéis) para o
nível sonoro permitido após as 22 horas.
Ao aprovar a referida lei, os vereadores estão limitando qual característica da onda?
a) A altura da onda sonora
b) A amplitude da onda sonora
c) A frequência da onda sonora
d) A velocidade da onda sonora
e) O timbre da onda sonora
Gabarito: Letra B
Resolução:
A intensidade sonora da onda está relacionada com amplitude da onda, logo, a
resposta correta é a letra B.
Ondas estacionárioas - Cordas vibrantes
O estudo de cordas vibrantes consiste na identificação de uma coisa: Harmônicos. No estudo de
harmônicos nos relacionamos esses harmônicos com parâmetros ligados a onda, como
comprimento de onda, frequência, etc. Ondas em corda de comprimento L, vamos analisar como
são esses harmônicos.
Na figura 01, pode-se deduzir uma fórmula para cálculo do comprimento de onda em função do
comprimento da corda:
Onde:
• n é o número do harmônico.
• L é o comprimento da corda.
• λ é o comprimento de onda.
Dica: Não é preciso decorar a fórmula se você perceber que o número do harmônico representa o
número de "quibes" (metade do comprimento de onda) do desenho.
Ventre e Nó
Em cordas vibrantes (e em tubos sonoros nas próximas aulas) nós podemos analisar pontos
importantes em relação a interferência entre a onda emitida e a onda refletida. Esses pontos
recebem o nome de Ventre e Nó. O Ventre é o ponto da onda onde ocorre interferência construtiva,
ou seja, esse ponto onde a intensidade apresenta seu maior valor. Já o Nó é o ponto da onda onde
ocorre a interferência destrutiva, ou seja, esse ponto onde a intensidade assume um valor nulo.
Ondas estacionárias – Tubos
Em cordas vibrantes é possível notar que todas os harmônicos observados apresentam uma coisa
em comum: todos eles apresentam um nó em suas extremidades. Pode voltar para a Figura 01 para
confirmar. Isso vai mudar em tubos sonoros.
Enquanto a corda vibrante representa uma corda presa em suas extremidades sendo perturbada,
os tubos sonoros são tubos onde a onda sonora é confinada. Esses tubos podem ter suas
extremidades abertas ou fechadas e isso interfere na forma da onda estacionara da seguinte forma:
• aberto: forma ventre
• fechado: forma nó
Quando esse tubo apresenta as extremidades abertas, chamamos esse tubo de tubo aberto. Para
esse tubo, temos a formação de harmônicos bem parecidos com os harmônicos das cordas
vibrantes (dizemos isso em relação ao número de quibes). Por conta disso, a equação que relaciona
os parâmetros para tubos abertos é igual a das cordas vibrantes.
Tubos fechados são tubos que apresentam uma das extremidades fechadas. Para esses tubos
vamos utilizar a mesma estratégia utilizada nas cordas vibrantes: observar a forma da onda e contar
os quibes.
A partir das equações encontradas, podemos deduzir a seguinte equação para tubos fechados.
Note que para tubos fechados só temos harmônicos impares.
Ondas Eletromagnéticas
Ondas eletromagnéticas são aquelas que resultam da libertação das fontes de energia
elétrica e magnética em conjunto. Elas são formadas pelo campo elétrico e o
magnético, se propagando no vácuo à velocidade da luz, cerca de 300 000 km/s. Por
esse motivo, recebe o nome de onda eletromagnética.
A velocidade de propagação das ondas eletromagnéticas depende do meio. Em meios
que não o vácuo, estas ondas viajam a uma velocidade menor.
As ondas eletromagnéticas são transversais, ou seja, direcionam-se
perpendicularmente à direção da propagação.
Tipos de Ondas Eletromagnéticas
São 7 os tipos de ondas eletromagnéticas: ondas de rádio, micro-
ondas, infravermelho, luz visível, ultravioleta, raios x e raios gama.
O que determina a sua classificação é a frequência e a oscilação com que as ondas são
emitidas e também o seu comprimento. Quanto mais alta a frequência, menor o
comprimento de uma onda.
As ondas são medidas pelo espectro eletromagnético. Através das faixas desse
mecanismo é possível verificar a distribuição da intensidade do eletromagnetismo.
Onde elas estão?
As ondas eletromagnéticas propagam-se no vácuo a todo momento. Isso porque tudo
o que existe tem eletromagnetismo.
A energia elétrica surge da agitação dos átomos que estão na formação de todos os
corpos. O magnetismo surge da movimentação dessa carga elétrica e, como resultado,
surgem as ondas eletromagnéticas.
Inúmeras coisas que utilizamos no dia a dia funcionam através das ondas
eletromagnéticas. São exemplos: o rádio, a televisão, o celular, o micro-ondas, o
controle remoto, a internet sem fios, o bluetooth, etc.
E o que são Ondas Mecânicas?
Enquanto as ondas eletromagnéticas não precisam de um meio material para se
propagar, as ondas mecânicas necessariamente precisam.
É o caso, por exemplo, do telefone com fios. O fio é o meio utilizado para que a onda
mecânica percorra o seu caminho e transporte energia.
Os celulares, por outro lado, não têm fios. Fazem uso das ondas eletromagnéticas.