Interpretaà à o (R-PAS)
Interpretaà à o (R-PAS)
INTERPRETAÇÃO R-PAS
Ajustar escores para Complexidade: se o escore de Complexidade for muito baixo (EP
<85) ou muito alto (EP >115), o interpretador deve avaliar se seria importante ou não
ajustar os demais escores para Complexidade (p. 374 e 396 / p. 40 Mihura e Meyer).
Escores ajustados para Complexidade estimam qual seria o escore da pessoa se ela tivesse um
nível de complexidade mediano. Escores muito baixos em complexidade (< 80), exigem
interpretações mais cautelosas nos outros escores, já que existem menos dados de Rorschach
pessoalmente relevantes para serem agrupados (p. 398).
ADULTOS
Página 1 do perfil
Interpretar quando: EP <=90 (P25) ou >=110 (P75)
Página 2 do perfil
Interpretar quando: EP <=85 (P15) ou >= 115 (P85)
EP
Ícones Interpretação Adulto Criança/adolescente
Verde (1 DP acima ou abaixo Média 90 – 110 85 – 115
da média) (P25 – P75)
Amarelo (entre 1 e 2 DP acima Baixo 80 – 90 70 – 85
ou abaixo da média) Alto 110 – 120 115 – 130
Vermelho (entre 2 e 3 DP Muito baixo 70 – 80 55 – 70
acima ou abaixo da média) Muito alto 120 – 130 130 – 145
Preto (mais de 3 DP acima ou Extremamente baixo < 70 < 55
abaixo da média) Extremamente alto > 130 > 145
21 – 22 88
23 – 24 89
24 – 26 90
27 – 28 91
29 – 31 92
31 – 32 93
34 – 36 94
36 – 38 95
38 – 40 96
41 – 43 97
45 – 46 98
46 – 48 99
49 – 51 100
52 – 53 101
54 – 56 102
57 – 58 103
59 – 62 104
62 – 64 105
65 – 67 106
67 – 69 107
70 – 71 108
72 109
74 – 76 110
76 – 78 111
78 – 79 112
80 – 82 113
82 – 83 114
84 – 85 115
85 – 86 116
87 – 88 117
88 – 89 118
89 – 90 119 – 120
90 119
91 120
92 – 93 121 – 122
94 123 – 124
95 124 – 125
96 126 – 127
97 127 – 130
98 131 – 133
99 133 – 136
> 99 > 137
3
PERCENTIL:
P5: o desempenho do sujeito foi superior ao de 5% das pessoas da amostra (ou seja, muito
inferior à média)
P75: o desempenho do sujeito foi superior ao de 75% das pessoas da amostra (ou seja, acima
da média). Ex: se o sujeito dá 30 respostas ao Rorschach, significa que seu desempenho foi
acima da média (P75: 27 respostas / P95: 33 respostas).
PÁGINA 1 DO PERFIL
Médias da tabela 9.4 (p. 349 - 354)
Interpretar quando:
EP < 90 ou > 110 (90 a 110 é a média)
Percentil < 25 (abaixo da média) ou > 75 (acima da média)
Os resultados da Página 1 têm suporte de validade mais forte e devem ser analisados
antes das variáveis de Página 2
1.3) Rotações do cartão (CT): relacionado com abordagem ativa e enérgica da tarefa,
curiosidade intelectual, flexibilidade, independência, compulsão, hostilidade ou desafio,
oposição, desinibição, ansiedade, autoritarismo, suspeitas.
Alto (>= 7): pode refletir o nível de interesse pela tarefa ou uma evitação de perceptos
perturbadores.
CT= 0: pode sugerir abordagem cautelosa, reservada e excessivamente conformista [ex:
abordagem reservada (CT= 0), mas forneceu um protocolo válido (R= 21) e suficientemente
elaborado (Complexidade EP= 107 e F% EP= 93)].
2.1) Complexidade:
Como índice de reação situacional ao teste: pode variar de acordo com o nível de interesse,
motivação e compromisso com a tarefa.
Complexidade baixa: pode ser devido a uma abordagem ao teste cautelosa, retraída,
sujeito que busca se mostrar de modo favorável, dissimular (suprimindo material
pessoalmente importante e potencialmente comprometedor); sujeito que está sendo
conscientemente reservado para não se expor.
Complexidade alta: esforço exagerado ou desordenado por simular uma perturbação
psicológica grave; ou esforço para exibir as suas aptidões.
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ESCORES BRUTOS
Média Moda P5 P25 P50 P75 P95
74,6 66 43 58 70 89 116
Alto (>= 89): indica que o sujeito trouxe uma quantidade considerável de esforço psicológico
e atividade para investir no enfrentamento das demandas do teste. Atuar desse modo na vida
real associa-se com mais sucesso e flexibilidade no enfrentamento e com uma preferência por
mais atividade cognitiva e energia ao reagir às dificuldades do dia a dia.
Na ausência de uma tentativa de exagerar, os escores de Complexidade podem refletir
quer uma força psicológica, quer a presença de perturbação. A história do funcionamento
adaptativo individual, outras informações e observações e o contexto da avaliação, devem ser
consistentes com a direção da interpretação. Na maioria dos contextos clínicos, as elevações
em Complexidade são devidas à combinação de recursos cognitivos autênticos ou patologia.
c) Como expressão de perturbação (disfunção severa real): pode estar relacionado com
confusão (pensamentos confusos e desinibidos), limites psicológicos pobres e sentimento de
estar tomado por ideias e emoções perturbadoras e fracamente controladas. Nesses casos,
deve haver outros indicadores de disfunção grave na história da pessoa, sobretudo quando
obtidos a partir de outras fontes; no Rorschach poderá haver, por exemplo, EII-3 alto, SevCog
alto, etc.
Às vezes, pode envolver características problemáticas: perda do controle ou do foco
como resultado de ansiedade, trauma (sujeito inundado e subjugado pelo trauma), agitação,
preocupações internas, mania, psicose emergente, ruminação autodestrutiva, pensar em
excesso, complicação excessiva, obsessões interiores, uso de drogas. Não é necessariamente
adaptativo tornar todo o problema complexo ou empenhar um processamento diferenciado e
esforçado quando seria suficiente uma solução simples, direta e conhecida.
EII-3 + Complexidade altos, com hipótese prévia de psicose: o EII-3 alto indica a
presença de psicopatologia significativa, assim, se considerará que esta complexidade
ideacional pode andar de mãos dadas com a patologia do sujeito, portanto, não nos
concentraremos em seus escores ajustados para complexidade.
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Caso Max: (R e Pu altos, Complexidade alta): “como esse estilo de processamento complexo
parece ser o modo natural de ser de Max, nós nos concentraremos principalmente em seus
resultados não-CAdj” [não Ajustados para Complexidade] (Uso do R-PAS, p. 274).
Baixo (<= 58): pode ser devido a um déficit cognitivo ou de enfrentamento, a um fator
emocional, a um estilo de resposta defensivo e inseguro ou a uma fraca aliança de avaliação.
Para saber em qual opção o sujeito se encaixa, ver a história de vida.
b) Como fator emocional: pode resultar de uma manobra defensiva emocional intrínseca
para ocultar aspectos do self (não apenas do examinador, mas também da própria pessoa),
assim, existe uma inibição medrosa de implicar-se espontaneamente na tarefa. Pode ser
também devida à desistência e falta de implicação com o ambiente (secundárias à depressão
ou à constrição cognitiva) e rigidez resultante da ansiedade. Reação a trauma (evitativo e
constrito, perda traumática da sensibilidade; uma história de trauma, conteúdo traumático
nas respostas e respostas comportamentalmente receosas tornarão essa interpretação mais
viável).
Alto nível cognitivo + complexidade abaixo da média= o sujeito está se fechando como uma
estratégia geral de enfrentamento (coping), especialmente em situações desconhecidas como
o Rorschach; ou ele está se fechando devido a uma psicopatologia, como depressão severa ou
estresse pós-traumático; ou não foi formada uma boa aliança com o examinador; ou razões
situacionais.
Os escores ajustados para complexidade (CAdj) não são mais acurados ou melhores que os
escores brutos, eles apenas oferecem informações diferentes. Interpretar os escores ajustados
é uma opção, não uma exigência (“Uso do sistema de avaliação...”, p. 47).
Se você for ajustar os escores para complexidade (porque a complexidade foi alta ou baixa):
primeiro, analise os escores brutos (círculos coloridos), não ajustados. Posteriormente,
analise os escores ajustados (quadradinhos coloridos). Os escores ajustados estimam como
seriam os resultados se o nível de complexidade do protocolo estivesse dentro da média. Os
escores ajustados não são mais válidos que os escores brutos, seu significado é apenas
diferente. Mostram quais escores são altos ou baixos, considerando o nível de complexidade
do protocolo (p. 60-61).
Protocolos com complexidade alta (> 115): tem mais probabilidade das variáveis terem
valores elevados (acima da média), portanto, variáveis abaixo da média em protocolos
complexos têm poder preditivo negativo mais forte (ou seja, você pode ter mais confiança de
que a característica está mesmo ausente/rebaixada, ex: WSumC baixo= pouca reatividade
emocional)
Protocolos com complexidade baixa (< 85): nestes, algumas variáveis terão valores muito
baixos, portanto, variáveis que estiverem acima da média em protocolos simplistas têm poder
preditivo positivo mais forte (ou seja, você pode ter mais confiança de que a característica
está mesmo presente/elevada, ex: T alto= forte necessidade de proximidade)
2.2) R (total de respostas): as razões das variações de R são múltiplas e sensíveis a muitas
influências, por isso sua interpretação precisa ser considerada à luz de outras variáveis, como
a Complexidade. Ao considerar o R, deve-se também considerar a medida em que Pedir (Pr) e
Puxar (Pu) foram usados. Associa-se à tendência para ter ou expressar ideias.
Alto (> 30): flexibilidade ideacional (do pensamento), motivação e engajamento com a tarefa
(sobretudo se Complexidade for média ou alta). Reatividade simples e superficial (se a
Complexidade for baixa). Sujeito cumpridor ou obediente; verbal e perceptivamente
inteligente e fluente; é obsessivo ou vigilante; é enérgico ou maníaco; gosta de ser o centro da
atenção; acredita que produzir mais é um sinal de sucesso; fortes esforços de realização,
superar limites, testar regras; razões emocionais ou cognitivas (hipomania, TDAH, lesão no
lobo frontal)
Baixo (< 20): na ausência de defesa motivada ou de uma fraca aliança de avaliação, sugere
inflexibilidade de ver as coisas de múltiplas perspectivas, em especial quando existem Pedir
(Pr) e estes não resultam em respostas adicionais. Limitações cognitivas ou neurológicas (ex:
QI muito baixo, Alzheimer, autismo, envelhecimento), dificuldades emocionais (depressão,
ansiedade), rigidez cognitiva secundária à ansiedade, dinâmica interpessoal (oposição).
Obrigatoriedade do exame, defensividade, inibição temerosa de se engajar na tarefa; trauma.
As razões de ordem emocional para um R baixo são semelhantes às de uma Complexidade
baixa.
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2.3) F% (Forma%) (substitui o L): Está relacionado com dar atenção, reagir a e articular
sutilezas e nuances no ambiente do borrão de tinta, e isso é generalizado para processos
semelhantes no dar atenção à vida interior e ao mundo exterior. Sua interpretação é
semelhante à interpretação da Complexidade, mas ao contrário (ex: F% alto é análogo a uma
Complexidade baixa).
Alto (>= 52,8%) (como L alto): pessoa não dá atenção ou não foca nos aspectos sutis do seu
ambiente interno ou externo. Pode compreender a si própria, aos outros e ao ambiente de
maneira simples e irrefletida. Pode aproximar-se do mundo de modo descomprometido,
distante e sem envolvimento. Essa simplificação ou carência de envolvimento pode ser uma
adaptação a uma complexidade ou a incertezas estressantes, mas uma falta de conhecimento
tem suas implicações. Simplificação, abordagem direta e desimplicada na compreensão do
ambiente. Abordagem sem compromisso ou desmotivada para fazer o teste.
Baixo (<= 29%) (como L baixo): a pessoa é capaz de dar atenção e articular nuances e
aspectos sutis do seu mundo interno e externo. Assim, ela tem capacidade para se
comprometer significativamente com os aspectos complexos e sutis das suas experiências e
relações. Pode ser uma desvantagem, no sentido de que pode ser difícil para a pessoa focar
em aspectos importantes do ambiente enquanto ignora coisas sem importância e adota uma
posição destacada e objetiva quando apropriada. As pessoas menos saudáveis podem ser
facilmente incomodadas ou influenciadas com questões simples por detectar nuances ou
sutilezas em virtude da sua falta de proteção contra as circunstâncias perturbadoras.
Quando o F% se aproxima de zero: é provável que sugira uma abertura patológica ou muito
incomum às experiências e às informações ambientais que podem esgotar os recursos
psicológicos.
Complexidade alta (EP= 123) + F% médio (EP= 90): protocolo complexo e elaborado,
sujeito engajado na tarefa, protocolo suficientemente rico para interpretação.
Baixo (< 4,5) [antigo EB evitativo]: recursos psicológicos limitados, ausência de pensamento
(M) e emoção (WsumC) estimulante, problema crônico com a capacidade de enfrentamento
(coping). Contudo, essas inferências podem ser enganadoras se o MC for restringido devido
ao retraimento ou a outros fatores situacionais (ex: episódio depressivo em curso).
Encontrado em pesquisas com agressores violentos, pacientes com Alzheimer, Asperger,
traumatismo craniano.
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Em protocolos muito complexos ou longos, MC – PPD tende a ser mais baixo, então, nesses casos,
deve-se consultar os escores ajustados para Complexidade.
Alto (>= + 1) [antiga nota D positiva]: capacidade interior para enfrentar vigorosamente e de
modo eficiente os acontecimentos diários da vida. A pessoa pode mobilizar seus próprios
recursos internos para diferentes contextos, por isso não é facilmente influenciada por
eventos situacionais. Isto pode torná-la mais estável, preditiva, confiante e resiliente na
manipulação de situações estressantes e aflitivas. Pode também torná-la menos vulnerável do
que a maioria das pessoas aos revezes e aos agentes estressores, ou às alterações nas
relações com os outros.
Baixo (<= ̶ 5) [antiga nota D negativa no limite do -1 pro -2]: capacidade interna limitada
para enfrentar com eficiência os eventos da vida diária. Falta capacidade de coping para lidar
com as dificuldades com que se depara. Escassez de recursos psicológicos para lidar com
experiências perturbadoras ou desconfortáveis, especialmente as que envolvem necessidades
ou preocupações incômodas ou urgentes. Os agentes situacionais do estresse influenciam,
mais do que os outros, estes sujeitos, levando a alterações na concentração e no pensamento
ou ao comportamento impulsivo e aflições/perturbações emocionais, o que os torna mais
instáveis e imprevisíveis. Intenso distress que o sujeito não tem recursos para enfrentar e que
aumenta significativamente o risco de comportamento impulsivo. Risco aumentado de
comportamento impulsivo, mal controlado e imprevisível. Pode funcionar melhor num
ambiente previsível e estruturado. Pode estar associado a sensibilidade psicológica e a uma
tendência para se perturbar ou se preocupar com as inconsistências do mundo.
Em sujeitos saudáveis, pode estar relacionado com ansiedades e estresse contidos, no
contexto de um compromisso profundo e significativo na vida (estas perturbações
comprometeriam o funcionamento em sujeitos psiquiatricamente perturbados).
Com EII-3 alto: “o risco para dificuldades comportamentais e de coping é ainda mais
aumentado pela severidade de sua psicopatologia, funções deficientes do ego e
representações distorcidas de si mesmo e dos outros” (Uso do R-PAS, p. 275).
Nota: No SC, ao se jogar o -5 na tabela, o resultado da D seria -1 (no limite pro -2, pois de -3
a -5 a nota D= -1, e de -5,5 a -7,5 a nota D= -2)
Exemplo de MC-PPD mediano, mas cujos recursos psicológicos não são suficientes para
lidar com experiências angustiantes:
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a) Adolescente vítima de bullying e abuso sexual, com traços borderline (MC-PPD / EP= 92):
Recursos psicológicos adequados, mas parece que o sujeito não conseguiu processar o
acúmulo de experiências interpessoais aversivas (YTVC’ / EP= 127) e tem uma profunda
sensação de estar danificado (MOR / EP= 130).
b) Psicose emergente (MC-PPD / EP= 109): muitos temas emocionais negativos nas respostas
(MOR EP= 131; AGM EP= 125; CritCont EP= 120); descontrole emocional (CF + C)/SumC EP=
128.
c) Tentativa de suicídio recente (MC-PPD / EP= 99): O SC-Comp ficou um pouco acima da
média (EP= 117). Apesar do MC bom (EP= 120), a maioria das suas capacidades cognitivas e
emocionais está atulhada de sentimentos, pensamentos e imagens perturbadores (a maioria
dos códigos M e de Cor é acompanhada por MOR, MAP, AGC ou AGM / ContCrit EP= 131) ou
necessidades dependentes não atendidas (ODL / EP= 118). Está experimentando
considerável sofrimento implícito na forma de ansiedade, disforia, solidão e desamparo
(YTVC’ / EP= 122).
2.9) M/MC (Proporção de M). (M dividido por MC) [MC é o antigo EA]
Em geral, 4 respostas M e/ou respostas de cor devem estar presentes antes de se
interpretar esta proporção, contudo, interpretações provisórias podem ser consideradas no
caso de menos respostas, se M for zero e WSumC for 2 ou 3, ou vice-versa.
Avalia o grau em que as decisões e ações sofrem o impacto da deliberação (M) versus a
reatividade, a vitalidade e a expressividade emocionais (WSumC).
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Alto (>= 0,67) [antigo EB introversivo]: estilo de enfrentamento caracterizado por uma
estratégia de deliberação e ponderação. As decisões e ações são geralmente prorrogadas até
que as múltiplas opções tenham sido consideradas. As decisões raramente sofrem o impacto
das reações imediatas e fortes, da emotividade e da interação com estímulos exteriores. As
reações emocionais tendem a envolver componentes ideacionais e representações interiores e
não se baseiam apenas em reações espontâneas a eventos ou interações com o mundo. Pode
haver alguma preferência por “viver no mundo interno”, “viver em sua cabeça” e certa
resistência a “viver o momento”, quando este último implica estar absorvido em fenômenos
exteriores.
Média (0,37 a 0,66) [antigo EB ambigual]: as decisões e ações são orientadas não só pela
atividade ideacional e pela lógica, mas também pelas reações afetivas e pelos sentimentos
(adaptabilidade e flexibilidade). Capacidade de equilibrar as escolhas, a solução de problemas
e a tomada de decisão usando tanto suas habilidades de pensamento como suas reações
emocionais. Na presença de psicopatologia pode haver ambivalência e confusão sobre como
reagir, o que pode resultar em ações indecisas.
Baixo (<= 0,36) [antigo EB extratensivo]: o enfrentamento das situações se traduz pela
reação espontânea e pela interação com o mundo; processa as situações com base em
emoções, não filtrando suas reações por meio da deliberação reflexiva. Uma abordagem
tentativa-e-erro ou dar-e-receber destaca-se na orientação da ação. As reações instintivas,
inspirações e emoções, em vez da ponderação sobre as coisas e da representação mental de
acontecimentos, influenciam o modo como a pessoa encara os acontecimentos, o mundo e a si
própria.
Alto (>= 0,71) [antigo FC < CF + C]: as reações a estímulos de tom emocional no ambiente
externo ou interno tendem a ser diretas, espontâneas, imediatas e absorventes. Essas reações
são acompanhadas de relativamente reduzido controle cognitivo, filtragem mental,
processamento intelectual ou restrição.
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Baixo (<= 0,33) [antigo FC > CF + C]: as reações a estímulos do ambiente com tom emocional
tendem a ser moduladas e emudecidas pelo processamento mental e pelo controle cognitivo
(menor reatividade passiva e máximo controle cognitivo). Isso pode refletir desenvolvimento
emocional e maturidade. Contudo, se muito rebaixado, os sujeitos podem confiar
excessivamente na lógica ou na constrição afetiva como reação a situações emocionais e a
estímulos ambientais fortes. Sujeitos assim podem não ser capazes de “deixar pra lá” e de
aproveitar a vida com facilidade. Pessoa mais formal na expressão dos sentimentos.
3) Percepção e Pensamento
As variáveis desse domínio referem-se a problemas de pensamento, juízo ou percepção;
convencionalidade e visão de mundo como os outros veem. Estão relacionadas com a
severidade da psicopatologia, sendo a forma mais extrema representada pelo espectro
esquizofrênico e das perturbações psicóticas. A combinação mais desadaptada de variáveis
poderia implicar baixa complexidade/compromisso e problemas significativos de percepção e
pensamento.
Quando os valores são adequados: bom teste de realidade; pensamento lógico,
organizado e preciso; não há evidências de comprometimento no teste de realidade ou de
transtorno do pensamento. É provável que veja a maioria das coisas com clareza e acurácia,
com processos de pensamento organizados, e pensamento e raciocínio lógicos e eficazes;
capacidade de ver o ambiente de modo realista, com poucas distorções.
Ex: não percebe o ambiente de modo distorcido (FQ-); capacidade de ver o ambiente de
maneira convencional, lê o ambiente sem distorção e com entendimento consensual (FQo); ao
processar as percepções, não as distorce por meio do pensamento ilógico, lapsos cognitivos
ou pensamento ineficaz, seu pensamento é nítido e o raciocínio é claro (WSumCog, SevCog,
TP-Comp); não demonstrou nenhuma evidência de psicopatologia severa (EII-3).
Avaliar os componentes que fizeram o EII-3 ser alto (todos os aspectos estão
prejudicados ou um ou dois aspectos é que estão contribuindo para a desorganização da
personalidade?). Ex: o tipo de perturbação do pensamento que se mostrou particularmente
problemático foi a lógica e a coerência (WSumCog), um excesso de conteúdo perturbador de
pensamento (CritCont) e compreensões problemáticas de trocas interpessoais (PHR), todos
os quais podem comprometer o funcionamento efetivo no dia-a-dia.
EII-3 alto (>= + 0,3) com TP-Comp baixo ou médio (0 a 1): a elevação em EII-3 pode
ser devida a conteúdo grosseiro (Conteúdos Críticos) e a pensamento perturbado (Códigos
Cognitivos) ou a representações de objeto deficientes (PHR). Se assim for, deve-se considerar
inferências relacionadas com disfunção geral da personalidade ou a contribuição de trauma,
em vez de perturbações do tipo psicótico.
EII-3 alto (+0,4 / EP= 113) com TP-Comp, FQ-, WD-, WSumCog, FQo e P medianos:
suas respostas refletem mais psicopatologia geral do que a média das pessoas, no entanto, há
poucos casos de imprecisão perceptiva arbitrária ou problemas com pensamento claro e
lógico (TP-Comp). Não apresenta indicações notáveis de transtorno de pensamento ou
intrusão de ideação bizarra (WSumCog, SevCog) e sua acurácia perceptiva geral é intacta e
não arbitrária (FQ-, WD-, FQo, P). Sendo assim, realiza julgamentos precisos e geralmente
adaptativos da realidade, o que provavelmente explica sua capacidade geral de funcionar em
sociedade (caso de sujeito paranoico).
EII-3 alto (1,1), TP-Comp alto (2,5), FQ- alto (25%), FQo baixo (40%), FQu alto
(35%), P baixo (3), CritCont baixo (15%), WSumCog médio (6), SevCog médio-alto (um
INC2) com MC alto (10,5)= A capacidade para usar seus pontos fortes (MC) é comprometida
por dificuldades significativas com o teste de realidade e acurácia perceptiva. Provavelmente
tem psicopatologia significativa e dificuldades com o teste de realidade (EII-3, TP-Comp). A
causa dominante para a elevação foi a leitura equivocada sobre o ambiente (FQ-), ele
raramente percebeu o ambiente de modo convencional (FQo, P) e frequentemente ofereceu
percepções que tinham pouco a ver com os estímulos (FQ-). Os resultados não sugerem
escape de material primitivo (CritCont) nem dificuldades generalizadas com pensamento
claro (WSumCog). (Usos do R-PAS, p. 343).
EII-3 baixo (<= ̶ 0,7) e notas altas de Complexidade: saúde psicológica com
processamento cognitivo claro e qualificado
3.2) TP-Comp (composto Percepção e Pensamento) [semelhante ao antigo PTI]: avalia o teste
de realidade (FQ- e WD-) e a desorganização do pensamento (WSumCog e FAB2). Elevações
médias ocorrem com alguma frequência em perturbações de médias a moderadamente graves
sem psicose clara, indicando vulnerabilidade potencial a níveis psicóticos de perturbação.
Muito alto (escore bruto > ou próximo de 3): perturbação severa, com problemas notáveis
do pensamento e do teste de realidade como frequentemente se encontra nos transtornos do
espectro esquizofrênico, transtornos esquizoafetivos, transtorno maníaco bipolar com
aspectos psicóticos e transtornos psicóticos induzidos por drogas. Esse dado não tem
probabilidade de aparecer associado a fingimento ou trauma, embora possa acontecer.
Alto (escore bruto > ou próximo de 2): sugere problemas em pensar com clareza e ver as
coisas de modo preciso. Pode indicar vulnerabilidade a estados psicóticos, quase psicóticos ou
borderline. Pode estar associado com fingimento ou trauma.
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Médio a baixo (escore bruto < 1): capacidade para pensar com clareza e ver as coisas de
modo correto. A saúde psicológica com pensamento claro e sofisticado fica bem demonstrada
com um escore baixo de TP-Comp e um escore alto de Complexidade.
3.3) WSumCog (Códigos Cognitivos) [antigo WSum6] (soma de DV1, DV2, INC1, INC2, DR1,
DR2, FAB1, FAB2, PEC, CON) [PEC: antigo ALOG]: medida do pensamento perturbado e
desorganizado, que é frequentemente associada com a psicose ou esquizofrenia (porém, pode
haver falsos positivos quando é composto por códigos cognitivos de nível 1). A revisão da
natureza dos códigos cognitivos pode ajudar a compreender se a elevação é devida a
problemas de pensamento frequentes, mas medianos (nível 1) ou problemas de pensamento
menos frequentes, mas graves (nível 2, PEC e CON) ou ambos.
DV: problemas médios a graves na expressão verbal. DV1: simples lapso cognitivo
expressão não sofisticada ou talvez uma palavra engraçada. DV2: usos errados mais
sérios de palavras ou frases, incluindo neologismos confusos que impedem a
comunicação.
DR: sujeito afasta-se da tarefa. Pensamento que perde o rumo. DR1: comunicação clara
que se afasta um pouco da tarefa e pode ser reconduzida ao tópico original. O DR1
menor e ocasional poderia mesmo representar uma força no sentido de identificar
alguém que é flexível e de expressão livre, o que pode ser um bom sinal para expressão
pessoal e terapia. DR2: frases bizarras sem sequência lógica que deixam o ouvinte
pasmado e confuso, ou que se afastam do tópico original de modo que se torna difícil
voltar a ele e impede a comunicação. O DR2 mais severo, sobretudo quando ocorre
diversas vezes, pode indicar desconfiguração do pensamento e pode impedir a
competência do sujeito para se comunicar eficientemente com os outros.
INC: imagem ou conceito que é composto de modo irreal. Sujeito junta ideias de
maneiras irrealistas, que não fazem sentido, o que pode levar a entendimentos
equivocados. INC1: erro cognitivo simples, perda de inibição ou uma experiência
deliberadamente engraçada ou criativa INC2: combinações mais bizarras de ideias que
podem ser perturbadoras ou difíceis de compreender. Colapso das categorias
conceituais e das fronteiras entre a fantasia e a realidade.
3.4) SevCog (Códigos Cognitivos Severos) (códigos de Nível 2 + PEC + CON): captura as
alterações mais graves dos processos de pensamento. Nível 2: compreensão errônea da
situação pela maneira como a pessoa combina ou comunica ideias. São respostas bizarras que
perdem o contato com a realidade, por isso são muitas vezes a expressão comportamental de
uma perturbação do pensamento.
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3.5) FQ-% [antigo X-%]: medida de distorção ou de interpretação errônea, levando a juízos
fracos e a comportamento não-convencional; falsa interpretação, distorção da realidade.
Como cerca de 15% a 20% das respostas de não-pacientes são FQ-, sua presença por si só não
deve ser tomada como sinal de patologia. É importante também reconhecer que, mesmo em
pessoas de funcionalidade elevada, não é raro encontrar interpretações idiossincráticas de
situações ou atribuições erradas a eventos.
Alto: fortemente associado à alteração da realidade e à psicopatologia. Intensas preocupações
pessoais podem ultrapassar a capacidade de processar e interpretar a realidade exterior, e a
pessoa pode descrever as coisas de maneira errada, distorcida, personalizada, que os outros
não compreenderão. Interpretação errônea dos estímulos ambientais.
Se os FQ- concentram-se mais, ou se pelo menos metade deles estão nos cartões
coloridos: problemas para interpretar estímulos realisticamente, particularmente em
situações emocionalmente carregadas. A qualidade do teste de realidade é influenciada por
situações que solicitam processamento emocional.
Ver a quais códigos o FQ- está associado. Ex: duas das quatro FQ- possuem código AGM:
preocupações com agressão podem interferir em seu teste de realidade.
3.6) WD-%: é semelhante ao FQ-%, mas indica de modo mais específico se a distorção ou a
interpretação errônea ocorrem mesmo nas situações de percepção que são mais geralmente
escolhidas, convencionalmente usadas e ligadas a objetos familiarmente identificados; as
distorções nesse contexto podem ser consideradas mais atípicas e problemáticas do que nas
FQ-.
WD-% e FQ-% são a melhor combinação de escores a usar para avaliar o juízo perceptivo e o
teste de realidade. Pode ser importante compará-los e determinar se as percepções da pessoa,
com respeito a eventos e circunstâncias, falham e são distorcidas mais especificamente nas
situações raras (Dd) versus nas comuns (W e D).
Alto (>= 12%): fortemente associado a perturbação da realidade e psicopatologia. Mesmo
quando a pessoa está prestando atenção aos aspectos comuns, convencionais ou óbvios do
18
Na média: A pessoa pode ver o mundo com os outros veem. Capacidade de ver as
características mais convencionais e óbvias do ambiente.
Ex: P na média (5) + FQu alto (44%) + FQ- um pouco elevado (16%): quando o sujeito é
deixado para estruturar e interpretar sua experiência por conta própria, ele pensa de maneira
incomum e peculiar (FQu) e pode ser suscetível a algumas percepções equivocadas de seu
entorno (FQ-), no entanto, é tão capaz quanto os outros de identificar as pistas óbvias e
convencionais que o cercam (P).
Alto (>= 7): escores muito altos, na ausência de complexidade, podem estar associados com
banalidade, ser manifestamente convencional e com visão estereotipada/rígida do mundo,
conformidade, pouca restrição ao que é imposto, cautela, insegurança, desejabilidade social
elevada. Esforços para suprimir material revelador da personalidade. Em sujeitos
perturbados, um escore alto pode representar uma força importante, revelando capacidade
para, pelo menos às vezes, verem o mundo segundo o modo convencional.
Baixo (<= 3): dificuldade em ver o mundo de forma comum ou convencional; problemas no
teste de realidade; idiossincrasia; desejo de ser diferente; não conformidade; dificuldade de
perceber pistas externas óbvias. Relaciona-se também com psicose e problemas cognitivos e
neurológicos (asperger, autismo, Alzheimer, lesões cerebrais). Examine as respostas que
suplantam as respostas Populares mais comuns (isto é, cartões III, V e VIII e depois I, IV, VI e
VII) para ver o que é tão atrativo que determina a supressão de uma resposta convencional
aos estímulos óbvios ali presentes.
4) Stress e Distress
19
As variáveis desse domínio têm alguma relação com o stress e com a angústia de diversas
maneiras (distress= estresse excessivo, a ponto de causar sofrimento).
Quando as variáveis deste domínio não estão elevadas: aparente ausência de estresse e
distress implícitos, o que pode ser congruente com a aparência clínica distanciada e
despreocupada do sujeito durante a entrevista.
m: tipo ansioso de ideação que está fora do controle da pessoa ou possivelmente afetando a
pessoa a partir de forças externas. Estado de tensão mental ou de agitação; ideação que atinge
o sujeito em vez de ter origem nele. Ideações indesejadas e perturbadoras. Alto: Sensação de
ansiedade resultante do impacto de forças externas ou internas que o sujeito não pode
controlar. O sujeito pode ter a sensação de que algo perigoso está se agitando dentro dele e
pronto para vir à tona. Este alto grau de ideação indesejada e perturbadora pode interferir no
pensamento direcionado a objetivos. Ideação indesejada e distrativa que está associada à
tensão interna e estressores ambientais.
Média Moda P5 P25 P50 P75 P95
1,6 0 0 0 1 2 5
20
5.1) ODL% (Linguagem de dependência oral) [antigo ROD]: avalia atitudes e comportamentos
dependentes implícitos. Traço ou estado dependente.
Alto (>= 16%): fortes necessidades implícitas de dependência que podem ter implicações
importantes no funcionamento interpessoal. Dependência dos outros no amparo, na
orientação, no apoio, na direção, na subsistência psicológica e nas dificuldades concomitantes
com a assertividade própria; sensibilidade à perda e à rejeição. Necessidade de ser ajudado
e/ou protegido (ver conteúdo da resposta).
MAP e MAH= zero: Não há inferências seguras, mas sugere que as representações não são
nem particularmente saudáveis nem destrutivas.
Alto (> 0,67) (predomínio de MAP): psicopatologia ou fracas relações de objeto, inclusive
esquemas distorcidos do self e de outras relações. Dificuldade em interagir com os outros de
modo amadurecido e mutuamente desenvolvedor, fortalecedor e autônomo; dificuldade para
visualizar as interações com os outros de maneira mutuamente gratificante e autônoma. Os
relacionamentos são vistos como destrutivos, maléficos, controladores ou prejudiciais.
Expressão de relações de objeto, de esquemas interpessoais e de modelos de vinculação
problemáticos, embora possam também ser reativos a crises psicológicas de tipo estado. Pode
haver abuso de poder. Expectativa de malevolência. Tendência para atribuir características
negativas, destrutivas, centradas em si próprio ou malévolas às relações e interações. Escores
muito altos são comuns em sujeitos com traços de personalidade borderline. Ler as respostas
para ver como foram caracterizadas as interações, ex: expectativa de exploração, abuso de
poder, intenção malévola, etc.
22
Baixo (<= 0,33) (predomínio de MAH): capacidade para encarar e estabelecer relações de
maneira amadurecida, mutuamente desenvolvedora, fortalecedora e que também respeita a
independência e a separação dos participantes. Potencial para relações dotadas de
maturidade e saudáveis, incluindo uma provável capacidade de intimidade e profundidade.
5.5) M- : compreensão atípica ou distorcida das pessoas que sugere relações interpessoais
perturbadas. Percepções equivocadas e incompreensão das experiências dos outros.
Capacidade limitada de formar impressões acuradas e realistas das experiências internas dos
23
outros. Lacuna entre o modo como o sujeito pensa e percebe, de um lado, e o que ele acha que
outras pessoas pensariam, de outro.
M- = 1: tendência ocasional para entender as pessoas de maneira equivocada (ler a resposta e
os códigos que a acompanham para ver em que situação sua compreensão de si e do outro
pode se tornar pouco clara. Ex: se acompanhado de ODL= em experiências de dependência;
AGM: preocupação com agressão poderia leva-lo a julgamentos errôneos dos outros).
M- > 1: a acurácia na compreensão de situações interpessoais pode estar seriamente
comprometida.
As representações podem ser prejudicadas por preocupações ou crenças que interferem
na apreciação realista e na compreensão dos pensamentos e intenções das outras pessoas
(como escore de baixa frequência, é importante estar atento às decisões hesitantes de
codificação, de modo a considerar o seu impacto na interpretação. Isso é sobretudo verdade
em protocolos longos, complexos, nos quais M- = 1 ou 2 poderiam representar resultados do
tipo falso positivo).
Ex: sujeito que deu 7M (todos passivos e 2 M-): distorções ideacionais significativas
associadas a representações humanas, indicando também propensão a fantasias e projeções
delirantes/fantasias escapistas em relação a si mesmo e aos outros.
Alto (> 3): interesse pelos outros e visão mais precisa, equilibrada, integrada e completa das
pessoas; acredita-se que sugere um potencial de compreensão mais realista, completa e
abrangente de si próprio e dos outros, indicadora de uma capacidade de relações
interpessoais saudáveis.
Baixo (<= 1): problemas de compreensão das outras pessoas como sujeitos totais completos,
nos termos dos seus papéis sociais particulares ou do seu significado enquanto objetos de
desejo, de medo ou de repugnância. Atraso desenvolvimental no entendimento das pessoas
como sujeitos complexos e íntegros.
5.8) COP: estas respostas podem estar sujeitas à manipulação de impressões e podem refletir
interesse em se apresentar como cooperativo ou como receptivo a sinais sociais positivos.
Alto (>= 2): propensão para encarar as interações como fontes de apoio, úteis, vantajosas,
gratificantes, positivas, compensadoras e colaborativas. Propenso a esperar interações
colaborativas com os outros, então provavelmente procura relacionamentos.
Baixo (zero): pode não estar interessado em relacionamentos ou pode não encarar,
geralmente, as relações como fonte de apoio e cooperadoras.
PÁGINA 2 DO PERFIL
Interpretar quando:
25
EP <=85 ou >=115
Percentil <= 15 (abaixo da média) ou >=85 (acima da média).
Médias da tabela 9.4 (p. 349 - 354)
A interpretação das variáveis da pág. 2 deve ser feita com mais cuidado. Em geral, desvios mais
extremos em relação ao valor esperado são necessários para atribuir significado interpretativo
às variáveis.
1.1) W%: processamento holístico, global, síntese cognitiva. Capacidade de ver o “quadro
geral”. Interpretar considerando a qualidade do W, incluindo o Sy, a presença de Blends ou
conteúdos múltiplos.
Tendência a levar em conta muitos detalhes e uma grande quantidade de informação ao
fazer observações no seu dia a dia. Outros escores indicarão se este tipo de processamento da
informação leva a conclusões que são realistas e fazem sentido (Ver FQo e WSumCog)
Fornecer W nos cartões divididos (II, III, VIII, IX e X), sobretudo quando acompanhados
de síntese (Sy): indica empenho cognitivo complexo e sugere tendência para assumir a
situação total, para se desafiar, para utilizar toda a informação disponível. A precisão e a
lógica desse esforço mais sofisticado seriam, no entanto, determinadas pelo menos em parte
pela perturbação do pensamento (Códigos Cognitivos) e pela precisão perceptiva da resposta
(FQ).
W nas manchas unidas (I, IV, V) ou acompanhado de vago (Vg): solução simples, sem
sofisticação. Do mesmo modo, dar uma W simplista de objeto único mal ajustado nas manchas
fragmentadas (II, III, VII, VIII, IX, X) reflete um modo impreciso de processamento que se
observa com frequências nas crianças mais jovens (ex: respostas W vagas e impressionistas:
uma pintura com os dedos; um campo de flores / W de forma indefinida: inseto ou um animal
sem elaboração).
o óbvio ou evitá-lo defensivamente. Ser atraído por alguma fonte de preocupação emocional.
Preferir ocupar-se com as minúcias da vida. Prestar atenção a detalhes; obsessividade ou
vigilância.
1.5) Vg% [antigo DQv e DQv/+]: o processamento vago, impressionista e não sofisticado e
relativamente ineficaz no mundo real, que pode ser devido a um déficit cognitivo, a um estilo
cognitivo, à impulsividade e/ou à defesa evasiva.
Vg alto: como defesa evasiva (evitação defensiva): o avaliando não é específico, a resposta
carece de diferenciação e discriminação, quer para evitar um conteúdo alternativo, quer para
evitar o risco de errar. Pode também refletir um estilo cognitivo histérico ou histriônico; ou
pode ser simplesmente uma solução geral para evitar relatar informação ou detalhes
específicos. Tendência para desistir facilmente e fracasso em resistir a impulsos ou ideias
nascentes até que ganhem uma forma mais madura.
Vg% alto com Sy% alto (>= 39%) ou com Complexidade alta: existe alguma variabilidade
ou inconsistência nas operações cognitivas, na qualificação do pensamento nas situações e no
27
tempo (tem competência para produzir respostas complexas, mas às vezes regride para
percepções impressionistas e pouco elaboradas).
1.6) V e FD: sofisticação cognitiva. A perspectiva poderia ser interpretada de forma mais
negativa em casos de extremo distanciamento, como na depressão e na paranoia, em que a
visão da própria pessoa ou dos outros tem uma coloração afetiva negativa.
V: perspectiva analítica ou avaliativa; diferenciação fina. Forte associação com medidas de
aptidão (ex: QI). No contexto da depressão, pode estar associado à autoavaliação negativa e à
avaliação negativa do mundo em geral, e pode contribuir para ruminações e risco de suicídio.
FD: Sugere uma tomada de perspectiva, uma percepção por diferentes pontos de referência,
uma perspectiva avaliativa ou uma capacidade avaliativa mais geral. O distanciamento
defensivo extremo (ex: estar muito longe ou muito alto acima) pode indicar dissociação em
casos de trauma. Um percepto visto pairando e em direção do avaliando pode ocorrer em
estados paranoicos. Podem também estar associado a experiências de vazio (ex: usar espaços
brancos como olhos, mas vê-los como buracos). Tradicionalmente, o FD foi usado como
medida de introspecção, mas nenhuma pesquisa sólida apoia essa interpretação.
VISTA (V)
Média Moda P5 P25 P50 P75 P95
0,7 0 0 0 0 1 3
FORMA-DIMENSÃO (FD)
Média Moda P5 P25 P50 P75 P95
1 0 0 0 1 1 3
1.7) R8910% (número de respostas nos cartões de VIII a X, dividido por R) [semelhante ao
antigo Afr]: receptividade geral a estímulos atraentes e excitantes que pode abranger
situações emocionais com outras pessoas (precisa ser melhor investigado). Reatividade
comportamental a estímulos externos evocativos.
Problema: pode ser falsamente baixo nos sujeitos que são muitos receptivos aos estímulos,
mas que não dão muitas respostas nos cartões coloridos, porque às vezes dão uma única
resposta, altamente complexa e detalhada, abrangendo vários elementos (Sy).
Alto: a pessoa se sente confortável e até mesmo pode procurar esse tipo de situação
interpessoal e grupal onde as pessoas expressam e compartilham seus sentimentos com mais
facilidade.
Baixo: tendência ao retraimento afetivo, à sensação de desconforto diante de situações que
mobilizam afetos e sentimentos.
1.9) C puro: abertura a impressões imediatas e a uma vivência relativamente não filtrada ou
não modulada. Isso pode ter implicações nas experiências internas (ex: reatividade
emocional; ser inundado pelo afeto ou capturado por ideias) e nas reações ao ambiente (ex:
espontaneidade; resposta precipitada e maleável). Se ocorrer num conteúdo positivo e
convencional ou ocorrer num sujeito claramente saudável e controlado, pode ser associada a
disposição em permitir-se experiências positivas.
A investigação não confirmou o C puro como preditor de violência, embora um estudo tenha
encontrado uma associação positiva com ser abusador de crianças (p. 506).
Alto e com FQn: ausência de envolvimento do ego para organizar e conter sua experiência
crua e intensa de emoções.
1.10) Mp/(Mp + Ma) (Proporção de Mp). (Mp dividido por Mp + Ma) [semelhante ao antigo
Ma : Mp]. Deve haver 4 respostas para se interpretar esta variável, contudo, interpretações
cautelosas podem ser consideradas no caso de menos respostas se Mp for zero e Ma for 2 ou
3, e vice-versa.
Índice de passividade do comportamento. Propensão para a fantasia e a ideação passiva
(versus ativa), em especial envolvendo pessoas.
Alto (predomínio de Mp): propensão para imaginação reflexiva, fantasia passiva ou
ruminação. Pensamento passivo ao invés de ativo, diligente e direcionado a objetivos. A fuga
29
para uma fantasia de escape ou para uma ideação ruminante podem suplantar o compromisso
ativo com o ambiente sob a forma de solução de problemas intencional e iniciativa pessoal.
2) Percepção e Pensamento
2.1) FQu% [antigo Xu%]: modos não convencionais e individualistas de interpretar o mundo,
a si mesmo, os outros e situações específicas. As outras pessoas podem conseguir
compreender como a pessoa interpreta as situações, mas as interpretações são mais
personalizadas, idiossincráticas ou individualizadas, pouco convencionais. Pode indicar
criatividade.
3) Stress e Distress
Interprete com o MC-PPD (antigo EA-es) para determinar o nível dos recursos psicológicos
(MC) em comparação com essa medida de exigências psicológicas (PPD).
3.2) CBlend (determinante misto de cor cromática com acromática ou sombreado: FC, CF ou
C com Y, T, V ou C’) [antigo determinante misto de cor-sombreado (cor-SH)].
Sugere sensibilidade às emoções ou ao ambiente. Propensão para reações emocionais
espontâneas (cromática), para se comprometer com preocupações com inconsistências,
indefinições e tonalidades (sombreado) ou escuridão e enfraquecimento (acromática).
30
3.3.) C’ (acromático): pode indicar o ser atraído por estímulos lúgubres, negativos,
angustiantes, sobretudo quando implica explicações ou descrições de aspectos negativos ou
cinzentos. Orientação afetiva negativa que pode indicar uma reatividade emocional contida ou
uma atitude geralmente triste face à vida. Esse escore não apresenta precisão na relação com
autorrelato ou diagnóstico de depressão.
Alto (> 3): esforços por reduzir ou abafar a reatividade emocional. Disforia excessiva. Sujeito
incorporou as características tristes e sombrias do seu ambiente. Essas inferências devem ser
examinadas com o conteúdo da resposta para se assegurar de que o conteúdo é consistente
com essa interpretação (ex: um poço negro) em vez de ser indicativa de uma valência mais
neutra ou positiva (objetos brancos ou de tom escuro com uma conotação mais positiva, ex:
um smoking preto).
0,7 0 0 0 0 1 3
Avaliar se o conteúdo abarca múltiplos códigos ou se foca em um ou dois (ex: An e Bl; AGM e
Ex) e em que medida tem mais probabilidade de ser problemático ou benigno (ex: carne
morta e podre versus biscoito quebrado). É possível encontrar elevações positivas ou
saudáveis em protocolos onde estes conteúdos estão logicamente integrados numa imagem
de resposta autêntica e socialmente aceitável. Nessas situações, a imagem dos Conteúdos
Críticos é silenciada ou contida, em vez de imprecisa ou ruidosa. Estes sujeitos podem
expressar as necessidades, urgências ou fantasias de modo socialmente aceitável e podem
alcançar a gratificação pessoal.
Bl: imagem de medo ou de vulnerabilidade, mas pode também estar associado a prazer sádico
em ferir os outros. Podem ser imagens contidas e benignas (pingo de sangue) ou caóticas e
que implicam trauma, ódio ou terror. É possível que a pessoa tenha passado por ou
presenciado cenas sangrentas na vida real.
Ex: pode indicar sentimento de explosão (“explodindo de raiva”) ou de estar fora de controle,
bem como receio dos mesmos. Sentimento de poder, entusiasmo ou perigo. “Vulcão
explodindo” traz consigo mais poder e perigo do que a de fogos de artifício explodindo.
Fi: associado com calor e perigo, usados para descrever a raiva e o mau humor (“pegando fogo
de raiva”) ou paixão. A natureza do fogo deve ter um papel na compreensão da resposta
(“incêndio numa floresta” representa perigo e destruição, “a chama de uma vela” sugere mais
controle e utilidade, com menos perigo)
Sx: incômodos ou preocupações sexuais (ver o tema da resposta para ver o tipo de
preocupação. Ex: relação sexual, gênero, procriação). A produção de muitas respostas Sx,
sobretudo quando descritas de modo crú, pode indicar descompensação dos padrões
32
4.1) SumH (todos os conteúdos humanos): interesse e consciência interpessoais. Como são
vistos os outros, a si próprio ou ambos; modelos de vinculação.
Alto: interesse pelas pessoas, é atenta a elas. Pode estar relacionado com cautela e vigilância
paranoides (ver se V-Comp está elevado).
Baixo: limitado interesse pelas pessoas, ou outros interesses fortes e preocupantes que
competem com pensamentos sobre as pessoas.
SumH= 0: problemas, conflito ou evitação interpessoais.
4.4) r (Reflexos) [antigo Fr + rF]: indica que a pessoa pode ter a experiência de encontrar a si
mesma refletida no mundo, de uma maneira autocentrada. Cognitivamente, sugere que o
sujeito usa a si próprio como ponto de referência ao processar a informação.
Alto (>= 1): essa interpretação é indicada nos casos em que um humano ou animal está vendo
a si próprio numa superfície refletora, mas não quando a resposta é simplesmente o reflexo de
uma paisagem. Com frequência, a rotação do cartão para a lateral (< ou >) produz muito mais
codificações de reflexo de paisagem, o que pode provocar inferências falso-positivas. Assim, as
inferências devem considerar cuidadosamente o tipo de resposta de reflexo dada e se a
rotação do cartão (CT) se encontra acima da média.
Concentração em si próprio, características narcísicas. A pessoa pode necessitar do
apoio do espelho ou pode ter a vivência de si própria refletida no mundo de maneira
autocentrada, sugere traços de narcisismo ou de agradavelmente envolvido consigo próprio
(centrado ou autoabsorvido em si mesmo). No entanto, isso raramente se observa sem
conflito, pois é muito frequente que a pessoa exija simultaneamente considerável apoio
exterior, admiração e aprovação para manter uma autoestima exagerada que contrarie os
medos de inadequação e deficiência subjacentes. Pode refletir um aprisionamento
desenvolvimental em um estágio mais infantilizado do desenvolvimento (um achado comum
em adultos que foram crianças abusadas ou negligenciadas).
4.5) p/(p + a) (Proporção de passivo) (p dividido por p+a) [semelhante ao antigo a : p].
É necessário haver 4 respostas de movimento para interpretar esta variável; contudo,
interpretações cautelosas podem ser consideradas no caso de menos respostas, se p for zero e
a for 2 ou 3, ou vice-versa.
Medida bruta das inclinações ou atitudes passivas versus ativas; pensamento passivo,
receptivo, inerte e sem foco versus pensamento ativo, enérgico, motivado e orientado para um
objetivo.
Alto: Inclinação ou atitude passiva que pode implicar confiar nos outros ou uma tendência
para render-se à oportunidade, à sorte ou ao destino e desse modo demonstrar um coping
menos efetivo.
4.6) AGM [antigo AG]: intenção ou motivo agressivo. O sujeito se identificou com a atividade
agressiva, mas este código não revela sua atitude para com a agressão (pode incluir prazer,
interesse, medo ou afastamento). Ao interpretar esta variável, deve-se estar ciente de que as
respostas agressivas são facilmente manipuladas (embelezadas ou inibidas).
Alto: pode indicar conhecimento de, e talvez um interesse em, ou preocupação com intenções
ou ações agressivas no mundo. Prevê ataques e agressões como possíveis desfechos em
relacionamentos. Como resposta de movimento, pressupõe certa capacidade para mentalizar
impulsos agressivos, implicando alguma capacidade de atrasar sua atuação. Não há nenhuma
evidência garantida de que o AGM esteja relacionado com agressão física dirigida sobre si
próprio ou outros.
4.7) T (textura): medida bruta da sensibilidade às impressões táteis, que traduz o interesse
pela proximidade ou contato interpessoal.
T= 0 ou 1: estes valores encontram-se na amplitude normal. T=1 pode sugerir conforto e
interesse pela proximidade e um estilo seguro de vinculação.
T > 1: preocupação com ou forte necessidade de proximidade, contato interpessoal ou apoio,
e um estilo de vinculação ansioso ou preocupado. Intensidade ansiosa à volta do desejo de ser
tocado ou de estar próximo de outros. Pode estar associado a sentimento de solidão ou dor e
angústia, porque as necessidades interpessoais não são satisfeitas.
4.8) PER:
Alto (> 1): presença de um caráter imaturo, egocêntrico e disposição para agir de modo
intelectualmente autoritário e com dificuldade de lidar com pessoas que fazem
questionamentos sobre o seu comportamento. Tendência para justificar a sua visão e as suas
posições com base no conhecimento ou autoridade privada, pessoal, destacando quanto
conhecimento, especialidade ou experiência possui (qualidade mais grandiosa e narcísica).
35
4.9) An:
Alto (> 2): interesse ou preocupações com o corpo, como em pessoas com história de abuso
ou trauma sexual e pessoas com danos físicos graves. A pessoa tem preocupações com a
integridade do corpo ou com a integridade psíquica; ansiedade com a integridade física e com
danos; preocupação com o bem-estar físico; preocupações físicas ou médicas (como doenças);
preocupações com o corpo podem estar relacionadas também à preocupação com a aparência.
Pode representar uma vulnerabilidade ou fragilidade em termos de corpo ou psique. Os
profissionais médicos, técnicos e estudantes de Medicina relatam An com mais frequência,
simplesmente em razão da sua maior exposição a essas imagens; mas também pode acontecer
que estejam usando esse conhecimento especializado para “ganhar” o examinador ou para se
esquivar do risco de ser posto à prova ou de errar ao dar respostas (defesa). Quando as
respostas são de radiografia e outros tipos de exames médicos, podem refletir uma expressão
mais controlada, objetiva ou comedida de aspectos somáticos ou vulneráveis.
OUTROS:
2) FQn (none): menor controle deliberado das ideias, dos sentimentos ou dos impulsos. Estão
associadas às respostas vagas (Vg).