0% acharam este documento útil (0 voto)
180 visualizações35 páginas

Interpretaà à o (R-PAS)

O documento aborda a interpretação dos escores do R-PAS, destacando a importância de ajustar os escores de Complexidade para garantir uma avaliação precisa. Ele fornece diretrizes específicas para a interpretação de escores em adultos e crianças, enfatizando a necessidade de considerar variáveis multidimensionais em vez de categóricas. Além disso, discute como fatores pessoais e situacionais influenciam a complexidade e o engajamento do sujeito durante a avaliação.

Enviado por

8hmqvrzjk2
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
180 visualizações35 páginas

Interpretaà à o (R-PAS)

O documento aborda a interpretação dos escores do R-PAS, destacando a importância de ajustar os escores de Complexidade para garantir uma avaliação precisa. Ele fornece diretrizes específicas para a interpretação de escores em adultos e crianças, enfatizando a necessidade de considerar variáveis multidimensionais em vez de categóricas. Além disso, discute como fatores pessoais e situacionais influenciam a complexidade e o engajamento do sujeito durante a avaliação.

Enviado por

8hmqvrzjk2
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

1

INTERPRETAÇÃO R-PAS

Ajustar escores para Complexidade: se o escore de Complexidade for muito baixo (EP
<85) ou muito alto (EP >115), o interpretador deve avaliar se seria importante ou não
ajustar os demais escores para Complexidade (p. 374 e 396 / p. 40 Mihura e Meyer).
Escores ajustados para Complexidade estimam qual seria o escore da pessoa se ela tivesse um
nível de complexidade mediano. Escores muito baixos em complexidade (< 80), exigem
interpretações mais cautelosas nos outros escores, já que existem menos dados de Rorschach
pessoalmente relevantes para serem agrupados (p. 398).

ADULTOS
Página 1 do perfil
Interpretar quando: EP <=90 (P25) ou >=110 (P75)
Página 2 do perfil
Interpretar quando: EP <=85 (P15) ou >= 115 (P85)

EP
Ícones Interpretação Adulto Criança/adolescente
Verde (1 DP acima ou abaixo Média 90 – 110 85 – 115
da média) (P25 – P75)
Amarelo (entre 1 e 2 DP acima Baixo 80 – 90 70 – 85
ou abaixo da média) Alto 110 – 120 115 – 130
Vermelho (entre 2 e 3 DP Muito baixo 70 – 80 55 – 70
acima ou abaixo da média) Muito alto 120 – 130 130 – 145
Preto (mais de 3 DP acima ou Extremamente baixo < 70 < 55
abaixo da média) Extremamente alto > 130 > 145

CORRESPONDÊNCIA APROXIMADA (ADULTOS)


PERCENTIL EP
1 64 - 66
2 68 – 70
3 70 – 72
4 73 – 74
5 75
6 77
7 78
8 79
10 – 11 81 – 82
12 – 13 83
14 84
15 – 17 85
17 – 18 86
19 87
2

21 – 22 88
23 – 24 89
24 – 26 90
27 – 28 91
29 – 31 92
31 – 32 93
34 – 36 94
36 – 38 95
38 – 40 96
41 – 43 97
45 – 46 98
46 – 48 99
49 – 51 100
52 – 53 101
54 – 56 102
57 – 58 103
59 – 62 104
62 – 64 105
65 – 67 106
67 – 69 107
70 – 71 108
72 109
74 – 76 110
76 – 78 111
78 – 79 112
80 – 82 113
82 – 83 114
84 – 85 115
85 – 86 116
87 – 88 117
88 – 89 118
89 – 90 119 – 120
90 119
91 120
92 – 93 121 – 122
94 123 – 124
95 124 – 125
96 126 – 127
97 127 – 130
98 131 – 133
99 133 – 136
> 99 > 137
3

PERCENTIL:
P5: o desempenho do sujeito foi superior ao de 5% das pessoas da amostra (ou seja, muito
inferior à média)
P75: o desempenho do sujeito foi superior ao de 75% das pessoas da amostra (ou seja, acima
da média). Ex: se o sujeito dá 30 respostas ao Rorschach, significa que seu desempenho foi
acima da média (P75: 27 respostas / P95: 33 respostas).

MODA: resultado mais frequente na amostra, que mais apareceu.

INTERPRETAÇÃO: interpretar todas os escores como variáveis multidimensionais num


contínuo, em vez de variáveis categóricas com notas de corte específicas. À medida que os
escores se distanciam da média, a característica em avaliação torna-se acentuadamente
diferente da pessoa típica e, como tal, com potencial clínico significativo.

PÁGINA 1 DO PERFIL
Médias da tabela 9.4 (p. 349 - 354)

Interpretar quando:
EP < 90 ou > 110 (90 a 110 é a média)
Percentil < 25 (abaixo da média) ou > 75 (acima da média)

Os resultados da Página 1 têm suporte de validade mais forte e devem ser analisados
antes das variáveis de Página 2

1) Comportamentos e observações na aplicação


Indicam como o sujeito se adapta e como encontra o seu próprio modo numa situação
complexa com escassa orientação e direção, assim, ele encontra-se numa situação não-
diretiva, ambígua, com uma outra pessoa (provavelmente desconhecida) que é uma figura
chave na tomada de decisão que afetará a sua vida. O objetivo do exame pode ainda afetar o
modo como a tarefa e a relação na avaliação são encaradas.

1.1) Pedir (Pr).


Alto (> 1): pode ser o resultado de qualidades pessoais ou fatores situacionais. Déficit
cognitivo, dificuldades afetivas (depressão, ansiedade), dinâmica interpessoal (oposição),
situação de teste (avaliação obrigatória) ou um contrato de avaliação pouco satisfatório.
Competência cognitiva limitada, rigidez, percepção inflexível, falta de confiança e de
engajamento, motivação limitada, evasão, defesa, resistência, relutância em se engajar; ou um
estilo de resposta não cooperativo, opositor ou passivo-agressivo.

Média Moda P5 P25 P50 P75 P95


1 0 0 0 1 1,5 4,3

1.2) Puxar (Pu).


Alto (> 0): fortes esforços de realização, obsessão, ambição, esforço por agradar,
produtividade para amenizar a insegurança. Desinibição, qualidades maníacas ou
hipomaníacas afetivamente guiadas, limites psicológicos pobres, TDAH, lesão do lobo frontal,
problemas/falta de disposição em seguir ou interiorizar regras. Pode refletir um desafio
interpessoal (testar as regras) ou um teste do examinador.
4

Média Moda P5 P25 P50 P75 P95


0,3 0 0 0 0 0 2

1.3) Rotações do cartão (CT): relacionado com abordagem ativa e enérgica da tarefa,
curiosidade intelectual, flexibilidade, independência, compulsão, hostilidade ou desafio,
oposição, desinibição, ansiedade, autoritarismo, suspeitas.
Alto (>= 7): pode refletir o nível de interesse pela tarefa ou uma evitação de perceptos
perturbadores.
CT= 0: pode sugerir abordagem cautelosa, reservada e excessivamente conformista [ex:
abordagem reservada (CT= 0), mas forneceu um protocolo válido (R= 21) e suficientemente
elaborado (Complexidade EP= 107 e F% EP= 93)].

Média Moda P5 P25 P50 P75 P95


4,1 0 0 0 3 7 12,1

2) Engajamento e processamento cognitivo


Relacionado com a complexidade, a produtividade, os recursos psicológicos, a motivação e o
compromisso, a idade, os anos de estudo, a inteligência e a adaptabilidade.

2.1) Complexidade:

A compreensão do nível de complexidade do protocolo constituiu um dos componentes mais


importantes da interpretação. Essa dimensão alcança a principal fonte de variabilidade de
todos os escores do teste. Varia de acordo com os recursos pessoais e com as reações
situacionais.

Recursos pessoais: relaciona-se com a idade, nível de escolaridade, inteligência, curiosidade,


atenção ao detalhe, criatividade, abertura às experiências, produtividade, adaptação e
recursos psicológicos.
Complexidade baixa: sujeitos cognitivamente limitados (ex: déficits neuropsicológicos,
baixo QI, ou sintomas negativos de esquizofrenia) produzem protocolos simplistas. A
Complexidade baixa também pode ser devida a constrição caracterológica, fuga depressiva,
entorpecimento traumático ou ansiedade geradora de constrição cognitiva ou rigidez; ou
desconforto com a ambiguidade e a insegurança.
Complexidade alta: pensamento sofisticado; sujeitos brilhantes e comprometidos
produzem com mais frequência protocolos com Complexidade elevada (se não produzirem,
investigar a razão).

Como índice de reação situacional ao teste: pode variar de acordo com o nível de interesse,
motivação e compromisso com a tarefa.
Complexidade baixa: pode ser devido a uma abordagem ao teste cautelosa, retraída,
sujeito que busca se mostrar de modo favorável, dissimular (suprimindo material
pessoalmente importante e potencialmente comprometedor); sujeito que está sendo
conscientemente reservado para não se expor.
Complexidade alta: esforço exagerado ou desordenado por simular uma perturbação
psicológica grave; ou esforço para exibir as suas aptidões.
5

ESCORES BRUTOS
Média Moda P5 P25 P50 P75 P95
74,6 66 43 58 70 89 116

Alto (>= 89): indica que o sujeito trouxe uma quantidade considerável de esforço psicológico
e atividade para investir no enfrentamento das demandas do teste. Atuar desse modo na vida
real associa-se com mais sucesso e flexibilidade no enfrentamento e com uma preferência por
mais atividade cognitiva e energia ao reagir às dificuldades do dia a dia.
Na ausência de uma tentativa de exagerar, os escores de Complexidade podem refletir
quer uma força psicológica, quer a presença de perturbação. A história do funcionamento
adaptativo individual, outras informações e observações e o contexto da avaliação, devem ser
consistentes com a direção da interpretação. Na maioria dos contextos clínicos, as elevações
em Complexidade são devidas à combinação de recursos cognitivos autênticos ou patologia.

a) Como expressão de exagero ou de fingimento (simulação): há muitas respostas


complexas, dramáticas, violentas ou grosseiras. Pode ser evidente se: houver elaborações
excessivas, com narrativas surpreendentes por serem chocantes, mas dadas sem indicação de
perturbação da fala; se houver recusa intermitente em cooperar; ou se houver um escore alto
de Conteúdos Críticos na ausência de qualquer trauma conhecido. Deve-se levar em
consideração as circunstâncias da avaliação, o potencial do ganho secundário e outras
informações para inferir que a Complexidade é elevada por causa do exagero/fingimento.

b) Como força psicológica: sugere processamento elevado, sofisticação cognitiva, alta


capacidade de entender e organizar informações do seu ambiente por meio da
conceitualização das relações entre os diferentes aspectos de sua experiência, capacidade
altamente desenvolvida de manter em mente e expressar múltiplas ideias. Produtividade,
recursos psicológicos superiores e compromisso com o mundo. Em sujeitos saudáveis,
relaciona-se com modos sofisticados e flexíveis de coping e de pensamento.

c) Como expressão de perturbação (disfunção severa real): pode estar relacionado com
confusão (pensamentos confusos e desinibidos), limites psicológicos pobres e sentimento de
estar tomado por ideias e emoções perturbadoras e fracamente controladas. Nesses casos,
deve haver outros indicadores de disfunção grave na história da pessoa, sobretudo quando
obtidos a partir de outras fontes; no Rorschach poderá haver, por exemplo, EII-3 alto, SevCog
alto, etc.
Às vezes, pode envolver características problemáticas: perda do controle ou do foco
como resultado de ansiedade, trauma (sujeito inundado e subjugado pelo trauma), agitação,
preocupações internas, mania, psicose emergente, ruminação autodestrutiva, pensar em
excesso, complicação excessiva, obsessões interiores, uso de drogas. Não é necessariamente
adaptativo tornar todo o problema complexo ou empenhar um processamento diferenciado e
esforçado quando seria suficiente uma solução simples, direta e conhecida.

Pu (puxar) alto + Complexidade alta + R alto= problemas de falta de inibição ou de


controle do impulso.
Pu baixo + Complexidade alta= recursos organizados para um processamento
complexo e um alto funcionamento adaptativo junto de esforços de realização.

EII-3 + Complexidade altos, com hipótese prévia de psicose: o EII-3 alto indica a
presença de psicopatologia significativa, assim, se considerará que esta complexidade
ideacional pode andar de mãos dadas com a patologia do sujeito, portanto, não nos
concentraremos em seus escores ajustados para complexidade.
6

Caso Max: (R e Pu altos, Complexidade alta): “como esse estilo de processamento complexo
parece ser o modo natural de ser de Max, nós nos concentraremos principalmente em seus
resultados não-CAdj” [não Ajustados para Complexidade] (Uso do R-PAS, p. 274).

Baixo (<= 58): pode ser devido a um déficit cognitivo ou de enfrentamento, a um fator
emocional, a um estilo de resposta defensivo e inseguro ou a uma fraca aliança de avaliação.
Para saber em qual opção o sujeito se encaixa, ver a história de vida.

a) Como déficit cognitivo ou de enfrentamento: a pessoa tem uma história de


funcionamento autônomo limitado fora de um ambiente estruturado. Propensão para
processamento simplista, recursos psicológicos inadequados e competência limitada para se
desvencilhar no mundo (fraco coping). Provavelmente terá dificuldade em descrever
sentimentos, pensamentos e reações.

b) Como fator emocional: pode resultar de uma manobra defensiva emocional intrínseca
para ocultar aspectos do self (não apenas do examinador, mas também da própria pessoa),
assim, existe uma inibição medrosa de implicar-se espontaneamente na tarefa. Pode ser
também devida à desistência e falta de implicação com o ambiente (secundárias à depressão
ou à constrição cognitiva) e rigidez resultante da ansiedade. Reação a trauma (evitativo e
constrito, perda traumática da sensibilidade; uma história de trauma, conteúdo traumático
nas respostas e respostas comportamentalmente receosas tornarão essa interpretação mais
viável).

c) Como estilo de resposta defensivo e inseguro: de uma perspectiva situacionalmente


reativa, sugere uma implicação defensivamente limitada com a tarefa, dando respostas
simplistas ou estereotipadas (um escore baixo de Complexidade numa pessoa com boa
expressão e brilhante, com estudos avançados, seria consistente com essa interpretação).
Tentativa de suprimir ao invés de expressar; mostra mais como a pessoa esconde as coisas do
que como revela a sua personalidade. Pode também refletir insegurança pessoal ao invés de
medo de como os resultados serão usados, indicando que o sujeito tende a atuar de maneira
reservada, insegura e pessoalmente não reveladora em outros contextos. Como resultado,
poderá enfrentar as exigências situacionais de forma fraca em situações emocionais ou
interpessoais relativamente pouco estruturadas.

d) Como fraca aliança de avaliação entre o examinador e o sujeito: limitado compromisso


do sujeito com a tarefa devido à desconfiança ou desinteresse (principalmente se o sujeito
tem boas competências cognitivas e o motivo da avaliação não explica o seu pouco
compromisso). Talvez o examinador não tenha estabelecido uma relação e comprometido o
sujeito na tarefa, ou talvez o sujeito não estava pronto para apresentar informação e dar
exemplos pessoalmente relevantes na entrevista.

Alto nível cognitivo + complexidade abaixo da média= o sujeito está se fechando como uma
estratégia geral de enfrentamento (coping), especialmente em situações desconhecidas como
o Rorschach; ou ele está se fechando devido a uma psicopatologia, como depressão severa ou
estresse pós-traumático; ou não foi formada uma boa aliança com o examinador; ou razões
situacionais.

 Como interpretar escores ajustados para Complexidade (quadradinhos coloridos do


gráfico)
7

Os escores ajustados para complexidade (CAdj) não são mais acurados ou melhores que os
escores brutos, eles apenas oferecem informações diferentes. Interpretar os escores ajustados
é uma opção, não uma exigência (“Uso do sistema de avaliação...”, p. 47).

A interpretação dos escores ajustados é semelhante à interpretação de pontos fortes e fracos


em subtestes de QI (p. 59).

Se você for ajustar os escores para complexidade (porque a complexidade foi alta ou baixa):
primeiro, analise os escores brutos (círculos coloridos), não ajustados. Posteriormente,
analise os escores ajustados (quadradinhos coloridos). Os escores ajustados estimam como
seriam os resultados se o nível de complexidade do protocolo estivesse dentro da média. Os
escores ajustados não são mais válidos que os escores brutos, seu significado é apenas
diferente. Mostram quais escores são altos ou baixos, considerando o nível de complexidade
do protocolo (p. 60-61).

Protocolos com complexidade alta (> 115): tem mais probabilidade das variáveis terem
valores elevados (acima da média), portanto, variáveis abaixo da média em protocolos
complexos têm poder preditivo negativo mais forte (ou seja, você pode ter mais confiança de
que a característica está mesmo ausente/rebaixada, ex: WSumC baixo= pouca reatividade
emocional)

Protocolos com complexidade baixa (< 85): nestes, algumas variáveis terão valores muito
baixos, portanto, variáveis que estiverem acima da média em protocolos simplistas têm poder
preditivo positivo mais forte (ou seja, você pode ter mais confiança de que a característica
está mesmo presente/elevada, ex: T alto= forte necessidade de proximidade)

2.2) R (total de respostas): as razões das variações de R são múltiplas e sensíveis a muitas
influências, por isso sua interpretação precisa ser considerada à luz de outras variáveis, como
a Complexidade. Ao considerar o R, deve-se também considerar a medida em que Pedir (Pr) e
Puxar (Pu) foram usados. Associa-se à tendência para ter ou expressar ideias.

Alto (> 30): flexibilidade ideacional (do pensamento), motivação e engajamento com a tarefa
(sobretudo se Complexidade for média ou alta). Reatividade simples e superficial (se a
Complexidade for baixa). Sujeito cumpridor ou obediente; verbal e perceptivamente
inteligente e fluente; é obsessivo ou vigilante; é enérgico ou maníaco; gosta de ser o centro da
atenção; acredita que produzir mais é um sinal de sucesso; fortes esforços de realização,
superar limites, testar regras; razões emocionais ou cognitivas (hipomania, TDAH, lesão no
lobo frontal)

Baixo (< 20): na ausência de defesa motivada ou de uma fraca aliança de avaliação, sugere
inflexibilidade de ver as coisas de múltiplas perspectivas, em especial quando existem Pedir
(Pr) e estes não resultam em respostas adicionais. Limitações cognitivas ou neurológicas (ex:
QI muito baixo, Alzheimer, autismo, envelhecimento), dificuldades emocionais (depressão,
ansiedade), rigidez cognitiva secundária à ansiedade, dinâmica interpessoal (oposição).
Obrigatoriedade do exame, defensividade, inibição temerosa de se engajar na tarefa; trauma.
As razões de ordem emocional para um R baixo são semelhantes às de uma Complexidade
baixa.
8

Média Moda P5 P25 P50 P75 P95


24,2 20 18 20 23 27 33

2.3) F% (Forma%) (substitui o L): Está relacionado com dar atenção, reagir a e articular
sutilezas e nuances no ambiente do borrão de tinta, e isso é generalizado para processos
semelhantes no dar atenção à vida interior e ao mundo exterior. Sua interpretação é
semelhante à interpretação da Complexidade, mas ao contrário (ex: F% alto é análogo a uma
Complexidade baixa).

Alto (>= 52,8%) (como L alto): pessoa não dá atenção ou não foca nos aspectos sutis do seu
ambiente interno ou externo. Pode compreender a si própria, aos outros e ao ambiente de
maneira simples e irrefletida. Pode aproximar-se do mundo de modo descomprometido,
distante e sem envolvimento. Essa simplificação ou carência de envolvimento pode ser uma
adaptação a uma complexidade ou a incertezas estressantes, mas uma falta de conhecimento
tem suas implicações. Simplificação, abordagem direta e desimplicada na compreensão do
ambiente. Abordagem sem compromisso ou desmotivada para fazer o teste.
Baixo (<= 29%) (como L baixo): a pessoa é capaz de dar atenção e articular nuances e
aspectos sutis do seu mundo interno e externo. Assim, ela tem capacidade para se
comprometer significativamente com os aspectos complexos e sutis das suas experiências e
relações. Pode ser uma desvantagem, no sentido de que pode ser difícil para a pessoa focar
em aspectos importantes do ambiente enquanto ignora coisas sem importância e adota uma
posição destacada e objetiva quando apropriada. As pessoas menos saudáveis podem ser
facilmente incomodadas ou influenciadas com questões simples por detectar nuances ou
sutilezas em virtude da sua falta de proteção contra as circunstâncias perturbadoras.
Quando o F% se aproxima de zero: é provável que sugira uma abertura patológica ou muito
incomum às experiências e às informações ambientais que podem esgotar os recursos
psicológicos.

Média Moda P5 P25 P50 P75 P95


41,6% 50% 15% 29% 41% 52,8% 72%

Complexidade alta (EP= 123) + F% médio (EP= 90): protocolo complexo e elaborado,
sujeito engajado na tarefa, protocolo suficientemente rico para interpretação.

2.4) Blend (mistura; determinantes mistos): Modos complexos de reagir à experiência.


Correlaciona-se com o QI, nível educacional e bom resultado no tratamento
Na média: competência mediana para articular e identificar múltiplos aspectos do ambiente e
para processar o ambiente experiencial, atentando simultaneamente às suas múltiplas
características.
Alto (>= 6 ou >= 24%): tendência para processar nova informação com riqueza e
flexibilidade, atendendo simultaneamente a diversos aspectos da situação. Blend com vários
determinantes pode indicar complexidade excessiva que leva à confusão e imprevisibilidade e
que pode dificultar que a pessoa compreenda os outros ou até a si mesma.
Baixo (<=2 ou <= 8%): processamento simplista marcado pela negligência e pelo ato de
ignorar as oportunidades de atender à riqueza e à complexidade do ambiente. Poucos
9

recursos eficientes para enfrentar situações complexas, conflituosas ou estressantes.


Predisposição para dar respostas imaturas em situações complexas.

Média Moda P5 P25 P50 P75 P95


4,1 2 0 2 3,5 6 10
17,2% 0% 0% 8% 15% 24% 41%

2.5) Sy (síntese) [antigo DQ+ e DQv/+]: Medida de processamento e de enfrentamento


complexos e qualificados, refletindo a atividade cognitiva integrativa ou o pensamento
relacional. Síntese e integração de conceitos e ideias diferentes (interesse ou inclinação para
o processamento combinatório, em que se avalia como as coisas ou ideias se relacionam entre
si). Divisão da informação e dos problemas em partes e sua síntese numa organização mais
complexa. Necessidade de descobrir como tudo está conectado. Correlaciona-se com o nível
educacional e o QI.
Sy com FAB: o pensamento combinatório é parcialmente infundido de ideias irreais.
Alto (>= 9 ou >= 39%): o processamento cognitivo e o pensamento incorporam
componentes sintéticos e complexos. Operações psicológicas e cognitivas ricas e variadas
(deve-se rever o Vg% para determinar se há também casos de pensamento menos
qualificado, vago e impressionista, que sugeririam mais variabilidade na maneira como a
pessoa aborda o processamento e a conceitualização).
Baixo (<= 4 ou <= 16%): o processamento cognitivo foca nos componentes comuns, fáceis
de alcançar e imediatos. O pensamento é simples e linear, em oposição ao combinatório,
relacional e sintetizador (deve-se rever o Vg% para avaliar se o pensamento vago e
impressionista substitui a integração sintetizadora). Pouco propenso a fazer conexões e
sintetizar informações.

Média (5 a 8 ou 17% a 38%):


Média Moda P5 P25 P50 P75 P95
6,8 7 1 4 7 9 13
28,5% 17% 5% 16% 28% 39% 56,9%

2.6) MC (M + WSumC) [antigo EA]: Índice de recursos psicológicos e de capacidade


adaptativa; coping. Vitalidade psicológica, energia ideacional e emocional da pessoa.
Correlaciona-se com a inteligência e o nível educacional.
Alto (> 9,5): competência para se engajar no mundo com vitalidade, pensamento reflexivo,
emoção (responsividade emocional) e atividade psicológica. Um MC elevado geralmente
acha-se associado a melhor adaptação, levando-se em conta outras variáveis e fatores (o MC
pode não indicar recursos saudáveis e boa adaptação se for acompanhado de FQn, FQ-, C puro
ou Códigos Cognitivos [antigo WSum6]).

Baixo (< 4,5) [antigo EB evitativo]: recursos psicológicos limitados, ausência de pensamento
(M) e emoção (WsumC) estimulante, problema crônico com a capacidade de enfrentamento
(coping). Contudo, essas inferências podem ser enganadoras se o MC for restringido devido
ao retraimento ou a outros fatores situacionais (ex: episódio depressivo em curso).
Encontrado em pesquisas com agressores violentos, pacientes com Alzheimer, Asperger,
traumatismo craniano.
10

Média Moda P5 P25 P50 P75 P95


7,3 5 2 4,5 6,5 9,5 14,5

2.7) MC – PPD (PPD: FM + m + Y + T + V + C’) [antigo EA - es] : medida da probabilidade de


eficiência do coping. Obtém-se pela comparação dos códigos que sugerem os recursos
associados com a elaboração ideativa (M) e a reatividade vigorosa ao mundo (WSumC), com
os códigos que sugerem ansiedade potencialmente exigente e disforia (Y, T, V, C’) e ideação
perturbada (FM, m). “A confirmação da investigação é mais forte para MC como medida da
capacidade interna para lidar com os eventos do dia a dia do que para os PPD como uma taxa
ou um dreno dos recursos. Por conseguinte, é possível que a capacidade bem-sucedida de
enfrentamento possa ser explicada apenas pela MC” (p. 498).

Em protocolos muito complexos ou longos, MC – PPD tende a ser mais baixo, então, nesses casos,
deve-se consultar os escores ajustados para Complexidade.

Alto (>= + 1) [antiga nota D positiva]: capacidade interior para enfrentar vigorosamente e de
modo eficiente os acontecimentos diários da vida. A pessoa pode mobilizar seus próprios
recursos internos para diferentes contextos, por isso não é facilmente influenciada por
eventos situacionais. Isto pode torná-la mais estável, preditiva, confiante e resiliente na
manipulação de situações estressantes e aflitivas. Pode também torná-la menos vulnerável do
que a maioria das pessoas aos revezes e aos agentes estressores, ou às alterações nas
relações com os outros.

Baixo (<= ̶ 5) [antiga nota D negativa no limite do -1 pro -2]: capacidade interna limitada
para enfrentar com eficiência os eventos da vida diária. Falta capacidade de coping para lidar
com as dificuldades com que se depara. Escassez de recursos psicológicos para lidar com
experiências perturbadoras ou desconfortáveis, especialmente as que envolvem necessidades
ou preocupações incômodas ou urgentes. Os agentes situacionais do estresse influenciam,
mais do que os outros, estes sujeitos, levando a alterações na concentração e no pensamento
ou ao comportamento impulsivo e aflições/perturbações emocionais, o que os torna mais
instáveis e imprevisíveis. Intenso distress que o sujeito não tem recursos para enfrentar e que
aumenta significativamente o risco de comportamento impulsivo. Risco aumentado de
comportamento impulsivo, mal controlado e imprevisível. Pode funcionar melhor num
ambiente previsível e estruturado. Pode estar associado a sensibilidade psicológica e a uma
tendência para se perturbar ou se preocupar com as inconsistências do mundo.
Em sujeitos saudáveis, pode estar relacionado com ansiedades e estresse contidos, no
contexto de um compromisso profundo e significativo na vida (estas perturbações
comprometeriam o funcionamento em sujeitos psiquiatricamente perturbados).

Com EII-3 alto: “o risco para dificuldades comportamentais e de coping é ainda mais
aumentado pela severidade de sua psicopatologia, funções deficientes do ego e
representações distorcidas de si mesmo e dos outros” (Uso do R-PAS, p. 275).

 Nota: No SC, ao se jogar o -5 na tabela, o resultado da D seria -1 (no limite pro -2, pois de -3
a -5 a nota D= -1, e de -5,5 a -7,5 a nota D= -2)
Exemplo de MC-PPD mediano, mas cujos recursos psicológicos não são suficientes para
lidar com experiências angustiantes:
11

a) Adolescente vítima de bullying e abuso sexual, com traços borderline (MC-PPD / EP= 92):
Recursos psicológicos adequados, mas parece que o sujeito não conseguiu processar o
acúmulo de experiências interpessoais aversivas (YTVC’ / EP= 127) e tem uma profunda
sensação de estar danificado (MOR / EP= 130).
b) Psicose emergente (MC-PPD / EP= 109): muitos temas emocionais negativos nas respostas
(MOR EP= 131; AGM EP= 125; CritCont EP= 120); descontrole emocional (CF + C)/SumC EP=
128.
c) Tentativa de suicídio recente (MC-PPD / EP= 99): O SC-Comp ficou um pouco acima da
média (EP= 117). Apesar do MC bom (EP= 120), a maioria das suas capacidades cognitivas e
emocionais está atulhada de sentimentos, pensamentos e imagens perturbadores (a maioria
dos códigos M e de Cor é acompanhada por MOR, MAP, AGC ou AGM / ContCrit EP= 131) ou
necessidades dependentes não atendidas (ODL / EP= 118). Está experimentando
considerável sofrimento implícito na forma de ansiedade, disforia, solidão e desamparo
(YTVC’ / EP= 122).

Média Moda P5 P25 P50 P75 P95


- 2,3 -2 - 11 -5 -2 +1 +5

2.8) M: capacidade de usar a imaginação para elaborar as experiências ou atividades


humanas. Maturidade desenvolvimental. Empatia; as respostas M contribuem para a
capacidade de identificação com os outros. Relaciona-se com inteligência e desenvolvimento
cognitivo (os resultados tendem a ser baixos em pacientes com Alzheimer, TDAH, Asperger,
traumatismo craniano e envelhecimento). Capacidade de refletir sobre as experiências, de
pensar antes de agir e de mentalizar (compreender o comportamento próprio e de outros
através da atribuição de estados mentais. Atividade mental imaginativa, a qual nos permite
perceber e interpretar o comportamento humano em termos de estados mentais
intencionais, por exemplo, necessidades, desejos, sentimentos, crenças, metas, propósitos e
razões. Capacidade para representar estados de sua própria mente, bem como a de outras
pessoas). As respostas M ótimas abrangem MAH, boa FQ e ausência de Códigos Cognitivos ou
Temáticos problemáticos.
Alto (>= 5): ideação, cognição interpessoal, imaginação, inteligência, raciocínio e capacidade
de pensar antes de agir e refletir sobre suas ações, empatia. Pode implicar mais
conhecimento, ação, deliberação e intencionalidade, enxergando-o como o agente ou
iniciador da vivência.
Baixo (<= 2): escassez de capacidade reflexiva e possíveis dificuldades para tomar as
perspectivas dos outros e ser empático. Com H puro= 0, indica que os relacionamentos são
provavelmente superficiais e sem reciprocidade real.

Média Moda P5 P25 P50 P75 P95


3,8 3 0,1 2 3 5 9

2.9) M/MC (Proporção de M). (M dividido por MC) [MC é o antigo EA]
Em geral, 4 respostas M e/ou respostas de cor devem estar presentes antes de se
interpretar esta proporção, contudo, interpretações provisórias podem ser consideradas no
caso de menos respostas, se M for zero e WSumC for 2 ou 3, ou vice-versa.
Avalia o grau em que as decisões e ações sofrem o impacto da deliberação (M) versus a
reatividade, a vitalidade e a expressividade emocionais (WSumC).
12

Algumas pesquisas sugerem que a força relativa de M é o componente mais importante


destas variáveis. Além disso, antes de se fazerem inferências sobre a forte reatividade
emocional ou impulsividade, há muitos outros fatores que devem ser avaliados como
cooperantes, como alto nível de estresse, perturbação do pensamento ou uso de substâncias.
Proporção de cor (CF + C/SumC): também deve ser consultada com respeito à força
das reações e expressões emocionais da pessoa.
Quando o escores brutos de M e WSumC são baixos (de 0 a 2, ex: 0 : 1 / 1 : 2)
interpretar como MC baixo (vide item 2.6).

Alto (>= 0,67) [antigo EB introversivo]: estilo de enfrentamento caracterizado por uma
estratégia de deliberação e ponderação. As decisões e ações são geralmente prorrogadas até
que as múltiplas opções tenham sido consideradas. As decisões raramente sofrem o impacto
das reações imediatas e fortes, da emotividade e da interação com estímulos exteriores. As
reações emocionais tendem a envolver componentes ideacionais e representações interiores e
não se baseiam apenas em reações espontâneas a eventos ou interações com o mundo. Pode
haver alguma preferência por “viver no mundo interno”, “viver em sua cabeça” e certa
resistência a “viver o momento”, quando este último implica estar absorvido em fenômenos
exteriores.
Média (0,37 a 0,66) [antigo EB ambigual]: as decisões e ações são orientadas não só pela
atividade ideacional e pela lógica, mas também pelas reações afetivas e pelos sentimentos
(adaptabilidade e flexibilidade). Capacidade de equilibrar as escolhas, a solução de problemas
e a tomada de decisão usando tanto suas habilidades de pensamento como suas reações
emocionais. Na presença de psicopatologia pode haver ambivalência e confusão sobre como
reagir, o que pode resultar em ações indecisas.
Baixo (<= 0,36) [antigo EB extratensivo]: o enfrentamento das situações se traduz pela
reação espontânea e pela interação com o mundo; processa as situações com base em
emoções, não filtrando suas reações por meio da deliberação reflexiva. Uma abordagem
tentativa-e-erro ou dar-e-receber destaca-se na orientação da ação. As reações instintivas,
inspirações e emoções, em vez da ponderação sobre as coisas e da representação mental de
acontecimentos, influenciam o modo como a pessoa encara os acontecimentos, o mundo e a si
própria.

Média Moda P5 P25 P50 P75 P95


0,51 0,67 0,14 0,36 0,53 0,67 0,89

2.10) (CF+C)/SumC (Proporção de CFC) (CF+C dividido por FC + CF + C):


Em geral 4 respostas de cor devem estar presentes antes de se interpretar esta
proporção, contudo, interpretações provisórias podem ser consideradas para menos
respostas se CF+C for zero e FC for 2 ou 3, ou vice-versa.
Medida crua da relativa ausência ou relaxamento do controle cognitivo e da modulação
nas reações ao ambiente, sobretudo quando existe provocação/estimulação emocional. A
natureza das respostas de cor pode afetar a interpretação (ex: predomínio de respostas de cor
com fogo e sangue nos cartões II e III, ou de explosões nos cartões IX e X é interpretado de
modo diferente do que respostas cor mais positivas ou divertidas nos cartões VIII e X).

Alto (>= 0,71) [antigo FC < CF + C]: as reações a estímulos de tom emocional no ambiente
externo ou interno tendem a ser diretas, espontâneas, imediatas e absorventes. Essas reações
são acompanhadas de relativamente reduzido controle cognitivo, filtragem mental,
processamento intelectual ou restrição.
13

Em sujeitos saudáveis e em respostas com conteúdo agradável, os escores altos sugerem


receptividade a emoções divertidas ou positivas, que permitem apreciar a vida.
Pode relacionar-se com a violência e outras medidas de afetividade negativa desregulada,
como TEPT e transtorno de personalidade borderline.
Muito alto: as reações emocionais podem ser bastante intensas, e as respostas a situações
emocionais, dramáticas. Pessoa lábil, sugestionável, dramática, passional e predisposta a
violentas descargas afetivas. Essa interpretação pode ser mais verdadeira no caso da
modulação das emoções negativas do que no caso do controle emocional geral.

(CF+C)/SumC alto + C puro + R8910% elevados: as respostas a situações ambientais


estimulantes são espontâneas e absorventes.

Baixo (<= 0,33) [antigo FC > CF + C]: as reações a estímulos do ambiente com tom emocional
tendem a ser moduladas e emudecidas pelo processamento mental e pelo controle cognitivo
(menor reatividade passiva e máximo controle cognitivo). Isso pode refletir desenvolvimento
emocional e maturidade. Contudo, se muito rebaixado, os sujeitos podem confiar
excessivamente na lógica ou na constrição afetiva como reação a situações emocionais e a
estímulos ambientais fortes. Sujeitos assim podem não ser capazes de “deixar pra lá” e de
aproveitar a vida com facilidade. Pessoa mais formal na expressão dos sentimentos.

Média Moda P5 P25 P50 P75 P95


0,5 0,5 0 0,33 0,5 0,71 1,0

3) Percepção e Pensamento
As variáveis desse domínio referem-se a problemas de pensamento, juízo ou percepção;
convencionalidade e visão de mundo como os outros veem. Estão relacionadas com a
severidade da psicopatologia, sendo a forma mais extrema representada pelo espectro
esquizofrênico e das perturbações psicóticas. A combinação mais desadaptada de variáveis
poderia implicar baixa complexidade/compromisso e problemas significativos de percepção e
pensamento.
Quando os valores são adequados: bom teste de realidade; pensamento lógico,
organizado e preciso; não há evidências de comprometimento no teste de realidade ou de
transtorno do pensamento. É provável que veja a maioria das coisas com clareza e acurácia,
com processos de pensamento organizados, e pensamento e raciocínio lógicos e eficazes;
capacidade de ver o ambiente de modo realista, com poucas distorções.
Ex: não percebe o ambiente de modo distorcido (FQ-); capacidade de ver o ambiente de
maneira convencional, lê o ambiente sem distorção e com entendimento consensual (FQo); ao
processar as percepções, não as distorce por meio do pensamento ilógico, lapsos cognitivos
ou pensamento ineficaz, seu pensamento é nítido e o raciocínio é claro (WSumCog, SevCog,
TP-Comp); não demonstrou nenhuma evidência de psicopatologia severa (EII-3).

3.1) EII-3 (índice de enfraquecimento do ego): índice geral de comprometimento da


personalidade. Medida da perturbação do pensamento e da gravidade da psicopatologia. Os
componentes abrangem teste de realidade (FQ), perturbação do pensamento (Códigos
Cognitivos), falhas na censura (Conteúdos Críticos) e medidas de compreensão errônea e
distúrbio interpessoal (M-, GHR, PHR). O EII-3 é semelhante ao TP-Comp, mas inclui também
conteúdo de pensamento grosseiro e perturbado (Conteúdos Críticos) e imagens relacionadas
com representação de si próprio e dos outros (M-, GHR, PHR).
14

Avaliar os componentes que fizeram o EII-3 ser alto (todos os aspectos estão
prejudicados ou um ou dois aspectos é que estão contribuindo para a desorganização da
personalidade?). Ex: o tipo de perturbação do pensamento que se mostrou particularmente
problemático foi a lógica e a coerência (WSumCog), um excesso de conteúdo perturbador de
pensamento (CritCont) e compreensões problemáticas de trocas interpessoais (PHR), todos
os quais podem comprometer o funcionamento efetivo no dia-a-dia.
EII-3 alto (>= + 0,3) com TP-Comp baixo ou médio (0 a 1): a elevação em EII-3 pode
ser devida a conteúdo grosseiro (Conteúdos Críticos) e a pensamento perturbado (Códigos
Cognitivos) ou a representações de objeto deficientes (PHR). Se assim for, deve-se considerar
inferências relacionadas com disfunção geral da personalidade ou a contribuição de trauma,
em vez de perturbações do tipo psicótico.
EII-3 alto (+0,4 / EP= 113) com TP-Comp, FQ-, WD-, WSumCog, FQo e P medianos:
suas respostas refletem mais psicopatologia geral do que a média das pessoas, no entanto, há
poucos casos de imprecisão perceptiva arbitrária ou problemas com pensamento claro e
lógico (TP-Comp). Não apresenta indicações notáveis de transtorno de pensamento ou
intrusão de ideação bizarra (WSumCog, SevCog) e sua acurácia perceptiva geral é intacta e
não arbitrária (FQ-, WD-, FQo, P). Sendo assim, realiza julgamentos precisos e geralmente
adaptativos da realidade, o que provavelmente explica sua capacidade geral de funcionar em
sociedade (caso de sujeito paranoico).
EII-3 alto (1,1), TP-Comp alto (2,5), FQ- alto (25%), FQo baixo (40%), FQu alto
(35%), P baixo (3), CritCont baixo (15%), WSumCog médio (6), SevCog médio-alto (um
INC2) com MC alto (10,5)= A capacidade para usar seus pontos fortes (MC) é comprometida
por dificuldades significativas com o teste de realidade e acurácia perceptiva. Provavelmente
tem psicopatologia significativa e dificuldades com o teste de realidade (EII-3, TP-Comp). A
causa dominante para a elevação foi a leitura equivocada sobre o ambiente (FQ-), ele
raramente percebeu o ambiente de modo convencional (FQo, P) e frequentemente ofereceu
percepções que tinham pouco a ver com os estímulos (FQ-). Os resultados não sugerem
escape de material primitivo (CritCont) nem dificuldades generalizadas com pensamento
claro (WSumCog). (Usos do R-PAS, p. 343).
EII-3 baixo (<= ̶ 0,7) e notas altas de Complexidade: saúde psicológica com
processamento cognitivo claro e qualificado

Média Moda P5 P25 P50 P75 P95


- 0,1 0,1 - 1,3 - 0,7 - 0,1 + 0,3 + 1,2

3.2) TP-Comp (composto Percepção e Pensamento) [semelhante ao antigo PTI]: avalia o teste
de realidade (FQ- e WD-) e a desorganização do pensamento (WSumCog e FAB2). Elevações
médias ocorrem com alguma frequência em perturbações de médias a moderadamente graves
sem psicose clara, indicando vulnerabilidade potencial a níveis psicóticos de perturbação.
Muito alto (escore bruto > ou próximo de 3): perturbação severa, com problemas notáveis
do pensamento e do teste de realidade como frequentemente se encontra nos transtornos do
espectro esquizofrênico, transtornos esquizoafetivos, transtorno maníaco bipolar com
aspectos psicóticos e transtornos psicóticos induzidos por drogas. Esse dado não tem
probabilidade de aparecer associado a fingimento ou trauma, embora possa acontecer.
Alto (escore bruto > ou próximo de 2): sugere problemas em pensar com clareza e ver as
coisas de modo preciso. Pode indicar vulnerabilidade a estados psicóticos, quase psicóticos ou
borderline. Pode estar associado com fingimento ou trauma.
15

Médio a baixo (escore bruto < 1): capacidade para pensar com clareza e ver as coisas de
modo correto. A saúde psicológica com pensamento claro e sofisticado fica bem demonstrada
com um escore baixo de TP-Comp e um escore alto de Complexidade.

Média Moda P5 P25 P50 P75 P95


0,6 0,1 - 0,5 0 +0,6 + 1,1 + 2,1

3.3) WSumCog (Códigos Cognitivos) [antigo WSum6] (soma de DV1, DV2, INC1, INC2, DR1,
DR2, FAB1, FAB2, PEC, CON) [PEC: antigo ALOG]: medida do pensamento perturbado e
desorganizado, que é frequentemente associada com a psicose ou esquizofrenia (porém, pode
haver falsos positivos quando é composto por códigos cognitivos de nível 1). A revisão da
natureza dos códigos cognitivos pode ajudar a compreender se a elevação é devida a
problemas de pensamento frequentes, mas medianos (nível 1) ou problemas de pensamento
menos frequentes, mas graves (nível 2, PEC e CON) ou ambos.

Elevações médias: pensamento e raciocínio imaturos e ineficientes, e não pensamento


perturbado ou desorganizado, principalmente quando predomina o nível 1 e respostas
qualitativamente menos perturbadas ou dadas em brincadeira.
Alto: pensamento confuso, perturbado ou desorganizado, como nos transtornos do espectro
psicótico. Quanto mais elevado, pior. Aumenta o risco de comportamento socialmente
inadequado. Mas se SevCog for baixo: pode indicar problemas cognitivos menos graves.
Alto com FQ- na média: capaz de reconhecer pistas e formar impressões mais convencionais
de eventos, mas sua capacidade de raciocinar e formar inferências sobre o que percebe é
perturbada. Não há uma grave deficiência no teste de realidade, mas o raciocínio pode se
tornar confuso e ilógico. Embora possa perceber uma situação com precisão, é vulnerável a
tirar conclusões sem fundamento sobre ela.
Se os códigos cognitivos se concentram mais nas pranchas cromáticas: pode-se inferir
que essa vulnerabilidade no raciocínio é exacerbada na medida em que ele experimenta maior
agitação emocional. A capacidade de pensar claramente é prejudicada por situações que
solicitam processamento emocional.
Se os códigos cognitivos se concentram nas respostas com m: sua forma de pensar
encontra-se perturbada em função do estresse situacional que está vivendo.
Se aparecem códigos cognitivos até nas P: mesmo ao perceber situações de forma precisa e
convencional (mostrando bom teste de realidade), ele ainda tende a sujeitar tais percepções a
uma lógica falha.
Alto, mas sem DV e DR (mas com vários INC e/ou FAB): “a ausência de linguagem
perturbada nas respostas de Chandra é consistente com a razão pela qual outras pessoas que
conversaram com ela não identificaram prontamente uma perturbação subjacente em seu
pensamento. O transtorno de pensamento de Chandra era caracterizado pelo modo como ela
percebia o mundo e como ela pensava sobre o que via (FQ-% e WD-% EP= 114). Sua
perturbação não estava representada em fala desorganizada ou linguagem idiossincrática”
(WSumCog EP= 150) (p. 121).
“O tipo de tendência psicótica descrito aqui, que inclui representações mentais irrealistas (5
INC e WSumCog EP= 119) e uma propensão modesta para interpretações distorcidas do
ambiente (FQ-% EP= 112; WD-% EP= 114 ), provavelmente não seria óbvio no discurso de
Max durante uma entrevista clínica (ausência de respostas SevCog e DV). (...). O potencial de
que lapsos do tipo psicótico tenham impactos negativos sobre a capacidade de Max para
exercer o bom senso e passar o dia sem entrar em apuros é, no entanto, elevado (EII-3)” (p.
276-277).
16

Média Moda P5 P25 P50 P75 P95


7,7 0 0 2 6 11 21,9

 DV: problemas médios a graves na expressão verbal. DV1: simples lapso cognitivo
expressão não sofisticada ou talvez uma palavra engraçada. DV2: usos errados mais
sérios de palavras ou frases, incluindo neologismos confusos que impedem a
comunicação.

 DR: sujeito afasta-se da tarefa. Pensamento que perde o rumo. DR1: comunicação clara
que se afasta um pouco da tarefa e pode ser reconduzida ao tópico original. O DR1
menor e ocasional poderia mesmo representar uma força no sentido de identificar
alguém que é flexível e de expressão livre, o que pode ser um bom sinal para expressão
pessoal e terapia. DR2: frases bizarras sem sequência lógica que deixam o ouvinte
pasmado e confuso, ou que se afastam do tópico original de modo que se torna difícil
voltar a ele e impede a comunicação. O DR2 mais severo, sobretudo quando ocorre
diversas vezes, pode indicar desconfiguração do pensamento e pode impedir a
competência do sujeito para se comunicar eficientemente com os outros.

 INC: imagem ou conceito que é composto de modo irreal. Sujeito junta ideias de
maneiras irrealistas, que não fazem sentido, o que pode levar a entendimentos
equivocados. INC1: erro cognitivo simples, perda de inibição ou uma experiência
deliberadamente engraçada ou criativa INC2: combinações mais bizarras de ideias que
podem ser perturbadoras ou difíceis de compreender. Colapso das categorias
conceituais e das fronteiras entre a fantasia e a realidade.

 FAB: combinação de ideias, conceitos ou pensamentos de maneira contraditória ou


ilógica. Sujeito junta ideias de maneiras que não fazem sentido. FAB1: são muitas vezes
engraçadas (poderiam com facilidade ser incluídas em desenho animado) e podem ser
interpessoalmente interessantes ou pelo menos facilmente aceitas por outros,
indicando por vezes criatividade ou espontaneidade. FAB2: combinações bizarras e
ilógicas de ideias que não fazem sentido e podem impedir a comunicação.

 PEC (antigo ALOG): raciocínio peculiar, forçado, confuso ou manifestamente concreto;


pulos para conclusões sem fundamento. Podem ir de um raciocínio concreto e
superficial relativamente benigno até associações altamente perturbadas, bizarras e
ilógicas que indicam perturbação do pensamento.

 CON: estas respostas fundem imagens visuais ou ideias contraditórias e mutuamente


exclusivas. Essas condensações, especialmente as que resultam num neologismo (ex:
morcegoleta), estão mais ligadas com pensamento primitivo ou psicótico.

3.4) SevCog (Códigos Cognitivos Severos) (códigos de Nível 2 + PEC + CON): captura as
alterações mais graves dos processos de pensamento. Nível 2: compreensão errônea da
situação pela maneira como a pessoa combina ou comunica ideias. São respostas bizarras que
perdem o contato com a realidade, por isso são muitas vezes a expressão comportamental de
uma perturbação do pensamento.
17

Alto: indicativo de lapsos de nível psicótico na conceitualização, no raciocínio, na


comunicação e na organização do pensamento. Rupturas severas nos processos de
pensamento; perturbação grave do pensamento.
SevCog baixo (zero) e WSumCog alto: problemas cognitivos idiossincráticos como
solução irrefletida de problemas ou padrões de pensamento imaturos que provavelmente não
estão associados com perturbações do espectro esquizofrênico ou psicótico (deve-se
considerar se o brincar com o examinador ou com a tarefa, os esforços deliberados para
chocar ou provocar ou a inclinação para dramatização da narrativa podem ser processos mais
saudáveis, que contribuíram para a elevação).
SevCog e EII-3 altos: quando interpreta e forma inferências a partir de estímulos
ambíguos por sua própria conta, tende a raciocinar de maneiras marcadamente
idiossincráticas e ilógicas.

Média Moda P5 P25 P50 P75 P95


0,4 0 0 0 0 1 2

3.5) FQ-% [antigo X-%]: medida de distorção ou de interpretação errônea, levando a juízos
fracos e a comportamento não-convencional; falsa interpretação, distorção da realidade.
Como cerca de 15% a 20% das respostas de não-pacientes são FQ-, sua presença por si só não
deve ser tomada como sinal de patologia. É importante também reconhecer que, mesmo em
pessoas de funcionalidade elevada, não é raro encontrar interpretações idiossincráticas de
situações ou atribuições erradas a eventos.
Alto: fortemente associado à alteração da realidade e à psicopatologia. Intensas preocupações
pessoais podem ultrapassar a capacidade de processar e interpretar a realidade exterior, e a
pessoa pode descrever as coisas de maneira errada, distorcida, personalizada, que os outros
não compreenderão. Interpretação errônea dos estímulos ambientais.
Se os FQ- concentram-se mais, ou se pelo menos metade deles estão nos cartões
coloridos: problemas para interpretar estímulos realisticamente, particularmente em
situações emocionalmente carregadas. A qualidade do teste de realidade é influenciada por
situações que solicitam processamento emocional.
Ver a quais códigos o FQ- está associado. Ex: duas das quatro FQ- possuem código AGM:
preocupações com agressão podem interferir em seu teste de realidade.

Média Moda P5 P25 P50 P75 P95


9,6% 05% 0% 05% 09% 14% 21,2%

3.6) WD-%: é semelhante ao FQ-%, mas indica de modo mais específico se a distorção ou a
interpretação errônea ocorrem mesmo nas situações de percepção que são mais geralmente
escolhidas, convencionalmente usadas e ligadas a objetos familiarmente identificados; as
distorções nesse contexto podem ser consideradas mais atípicas e problemáticas do que nas
FQ-.
WD-% e FQ-% são a melhor combinação de escores a usar para avaliar o juízo perceptivo e o
teste de realidade. Pode ser importante compará-los e determinar se as percepções da pessoa,
com respeito a eventos e circunstâncias, falham e são distorcidas mais especificamente nas
situações raras (Dd) versus nas comuns (W e D).
Alto (>= 12%): fortemente associado a perturbação da realidade e psicopatologia. Mesmo
quando a pessoa está prestando atenção aos aspectos comuns, convencionais ou óbvios do
18

ambiente, há a propensão para a informação ser interpretada ou traduzida de forma


distorcida ou idiossincrática.

Média Moda P5 P25 P50 P75 P95


8,2% 0 0 4% 6% 12% 21,1%

3.7) FQo%: medida do juízo convencional e da capacidade de enxergar o mundo da maneira


como a maioria das pessoas enxerga. Medida de convencionalidade; julgamento convencional
do ambiente.
Alto (>= 68%): saúde psicológica e bom teste de realidade
Baixo (<= 50%): determinar se isso se deve a problemas no teste de realidade (FQ-% e WD-
% altos). Se assim não for, a pessoa pode ter uma abordagem da vida menos convencional e
mais individualista (ver FQu%), e não um problema patológico de teste de realidade.

Média Moda P5 P25 P50 P75 P95


59,1% 50% 38% 50% 58% 68% 81,1%

3.8) P (Popular): medida de interpretações do ambiente que são bastante convencionais e


amplamente aceitas, e da sensibilidade aos sinais exteriores óbvios.

Na média: A pessoa pode ver o mundo com os outros veem. Capacidade de ver as
características mais convencionais e óbvias do ambiente.
Ex: P na média (5) + FQu alto (44%) + FQ- um pouco elevado (16%): quando o sujeito é
deixado para estruturar e interpretar sua experiência por conta própria, ele pensa de maneira
incomum e peculiar (FQu) e pode ser suscetível a algumas percepções equivocadas de seu
entorno (FQ-), no entanto, é tão capaz quanto os outros de identificar as pistas óbvias e
convencionais que o cercam (P).
Alto (>= 7): escores muito altos, na ausência de complexidade, podem estar associados com
banalidade, ser manifestamente convencional e com visão estereotipada/rígida do mundo,
conformidade, pouca restrição ao que é imposto, cautela, insegurança, desejabilidade social
elevada. Esforços para suprimir material revelador da personalidade. Em sujeitos
perturbados, um escore alto pode representar uma força importante, revelando capacidade
para, pelo menos às vezes, verem o mundo segundo o modo convencional.
Baixo (<= 3): dificuldade em ver o mundo de forma comum ou convencional; problemas no
teste de realidade; idiossincrasia; desejo de ser diferente; não conformidade; dificuldade de
perceber pistas externas óbvias. Relaciona-se também com psicose e problemas cognitivos e
neurológicos (asperger, autismo, Alzheimer, lesões cerebrais). Examine as respostas que
suplantam as respostas Populares mais comuns (isto é, cartões III, V e VIII e depois I, IV, VI e
VII) para ver o que é tão atrativo que determina a supressão de uma resposta convencional
aos estímulos óbvios ali presentes.

Média Moda P5 P25 P50 P75 P95


5,6 6 2 4 6 7 9

4) Stress e Distress
19

As variáveis desse domínio têm alguma relação com o stress e com a angústia de diversas
maneiras (distress= estresse excessivo, a ponto de causar sofrimento).
Quando as variáveis deste domínio não estão elevadas: aparente ausência de estresse e
distress implícitos, o que pode ser congruente com a aparência clínica distanciada e
despreocupada do sujeito durante a entrevista.

4.1) YTVC’ (Y + T + V + C’): as respostas de sombreado implicam em ser incomodado ou


distraído pelas inconsistências, incertezas, sutilezas e nuances no ambiente. Sensibilidade às
tonalidades e às inconsistências que geralmente podem ser adaptadas ou desadaptadas.
Correlaciona-se com Complexidade e com R, portanto sua interpretação negativa deve ser
cautelosa, pois está fortemente associado ao nível de educação.
Sensibilidade ansiosa. Em sujeitos saudáveis, pode estar associado a uma sensibilidade
adaptativa a essas tonalidades e sutilezas na vida interior ou emocional da pessoa ou dentro
das vivências interpessoais. Embora sugira competência cognitiva e sensibilidade, pode se
tornar inconveniente se excessiva ou se a pessoa estiver deprimida (pode levar a ruminações)
ou num estado de estresse.
Média: sensibilidade média às sutilezas da vida interna ou emocional, mas não em um grau
em que essas sensibilidades pudessem interferir no coping e adaptação adequados.
Alto (>= 7): nos sujeitos menos saudáveis, essas experiências interferem no coping e na
adaptação, e a pessoa experimenta provavelmente uma angústia implícita considerável
relacionada com ansiedade. Experiências de irritação, ansiedade, tristeza, disforia, solidão ou
desamparo.
Baixo (<= 2): menos sensível que a média das pessoas a sutilezas e nuances em termos de
características de seu próprio mundo psicológico interior e aspectos de seu ambiente; menor
sensibilidade às sutilezas de suas próprias experiências internas do que a maioria dos adultos,
ou talvez o sujeito reprima seus sentimentos.

Média Moda P5 P25 P50 P75 P95


4,7 3 0 2 4 7 11

4.2) m e Y: relacionam-se com estressores de nível moderado a grave. Também podem


refletir uma resposta esperada ou natural aos estressores, ainda que assinalem uma luta
interior e um funcionamento aquém do ótimo. Os resultados são mais fortes para m do que
para Y como medida de estresse e angústia.
Quando abaixo da média ou na média: não parece experimentar o desamparo, angústia (Y)
ou ideação perturbadora (m) que são frequentemente associados a estressores externos.

m: tipo ansioso de ideação que está fora do controle da pessoa ou possivelmente afetando a
pessoa a partir de forças externas. Estado de tensão mental ou de agitação; ideação que atinge
o sujeito em vez de ter origem nele. Ideações indesejadas e perturbadoras. Alto: Sensação de
ansiedade resultante do impacto de forças externas ou internas que o sujeito não pode
controlar. O sujeito pode ter a sensação de que algo perigoso está se agitando dentro dele e
pronto para vir à tona. Este alto grau de ideação indesejada e perturbadora pode interferir no
pensamento direcionado a objetivos. Ideação indesejada e distrativa que está associada à
tensão interna e estressores ambientais.
Média Moda P5 P25 P50 P75 P95
1,6 0 0 0 1 2 5
20

Y: sentimento de desamparo diante dos estressores; vulnerabilidade ansiosa.


Média Moda P5 P25 P50 P75 P95
1,5 0 0 0 1 2 5

4.3) MOR: representações pessoais destrutivas ou negativas, sentimentos negativos sobre o


self. O sujeito pode enxergar a si mesmo como defeituoso, danificado, falho, ou de algum modo
prejudicado ou machucado pela vida e eventos exteriores. Tende a ser elevado entre
deprimidos, traumatizados (TEPT, vítimas de abuso sexual, perturbações dissociativas
graves) e nos que tentaram suicídio.
Pensamento depressivo, desmoralização, visão de mundo sombria, negativa. Ideação
disfórica e pessimista. A maioria das elevações implica algum reconhecimento ou expectativa
de agressão e de dano.
Embora seja raro, uma pessoa que experimente satisfação com a morbidez vista no
borrão pode estar se identificando com o agressor que cometeu o dano, em vez de com a
vítima da agressão. Neste caso, o MOR pode estar associado com as tendências agressivas ou
com a aceitação da agressão.
Se a elevação for devida a respostas MOR do tipo disfóricas (ex: pessoa triste), pode
sugerir uma visão disfórica e negativa do mundo e a presença implícita de angústia.
MOR, AGC, AGM, MAP e ODL elevados: padrão de relacionamentos interpessoais
problemáticos em que os sentimentos de vulnerabilidade, medo da agressão e necessidades
dependentes comprometem sua capacidade de lidar efetivamente com seus relacionamentos
(caso Mary).
MOR e V-Comp elevados: sujeito se vê como prejudicado pela vida e por eventos
externos, o que vinculado a seu alto grau de vigilância (V-Comp alto), cria uma percepção de
que seu ambiente é ameaçador, persecutório ou prenunciador de desgraças.

Média Moda P5 P25 P50 P75 P95


1,3 0 0 0 1 2 4

4.4) SC-Comp (composto Preocupação com o Suicídio) [antigo S-CON]


Uma medida geral de risco e intencionalidade de suicídio e de comportamento autodestrutivo
(não apenas pensamento suicida). Psicologicamente, pode estar relacionado com desespero.
As evidências sugerem que não está relacionado com automutilação ou gestos suicidas que
careçam de intento letal.
Muito alto (escore bruto cerca de 8): risco implícito de suicídio mais preocupante (pode
não ser reconhecido em comportamento manifesto nem em autorrelato, mas que deve ser
examinado com o paciente). O sujeito tem características similares às de pessoas que estão em
risco aumentado de suicídio ou comportamento sério de automutilação com intenção de
morrer.
Alto (escore bruto cerca de 7): possível risco de suicídio, que pode não ser claramente
evidente em declaração pessoal ou em autorrelato e deve ser examinado.

Média Moda P5 P25 P50 P75 P95


4,7 4,3 3 3,7 4,4 5,6 7,3

5) Representação de si e dos outros


21

Modos de compreender o self, os outros e as relações. A relação interpessoal é um


componente central da adaptação humana.

5.1) ODL% (Linguagem de dependência oral) [antigo ROD]: avalia atitudes e comportamentos
dependentes implícitos. Traço ou estado dependente.
Alto (>= 16%): fortes necessidades implícitas de dependência que podem ter implicações
importantes no funcionamento interpessoal. Dependência dos outros no amparo, na
orientação, no apoio, na direção, na subsistência psicológica e nas dificuldades concomitantes
com a assertividade própria; sensibilidade à perda e à rejeição. Necessidade de ser ajudado
e/ou protegido (ver conteúdo da resposta).

Média Moda P5 P25 P50 P75 P95


11,6% 5% 0 5% 10% 16% 33,1%
2,6 2 0 1 2 4 7

5.2) SR (reversão do espaço em branco): criatividade, individualidade, oposição ou esforços


saudáveis de autonomia e afirmação pessoal; ser sensível à pressão interpessoal de modo a
resistir; possível aversão a ser controlado por outros; esforços de independência. A pesquisa
apoia mais o SR como indicador de oposição ou de fazer o oposto do que é pedido (pode
indicar teimosia, rigidez e resistência a mudar suas crenças). Há escasso apoio à interpretação
de SR como medida de raiva, por isso essa inferência deve ser evitada.
Alto: condições paranoicas, oposição, hostilidade subjacente que prejudica a harmonia nas
relações.

Média Moda P5 P25 P50 P75 P95


1,1 0 0 0 1 2 3

5.3) MAP/MAHP (Proporção de MAP) (MAP dividido por MAH + MAP)


Em regra, 4 respostas MA devem ocorrer antes de se interpretar essa variável (porém,
interpretações cautelosas podem ser consideradas com menos respostas MA se o MAP for
zero e o MAH de 2 ou 3, ou vice-versa).
Medida geral do nível de funcionamento das relações de objeto.

MAP e MAH= zero: Não há inferências seguras, mas sugere que as representações não são
nem particularmente saudáveis nem destrutivas.
Alto (> 0,67) (predomínio de MAP): psicopatologia ou fracas relações de objeto, inclusive
esquemas distorcidos do self e de outras relações. Dificuldade em interagir com os outros de
modo amadurecido e mutuamente desenvolvedor, fortalecedor e autônomo; dificuldade para
visualizar as interações com os outros de maneira mutuamente gratificante e autônoma. Os
relacionamentos são vistos como destrutivos, maléficos, controladores ou prejudiciais.
Expressão de relações de objeto, de esquemas interpessoais e de modelos de vinculação
problemáticos, embora possam também ser reativos a crises psicológicas de tipo estado. Pode
haver abuso de poder. Expectativa de malevolência. Tendência para atribuir características
negativas, destrutivas, centradas em si próprio ou malévolas às relações e interações. Escores
muito altos são comuns em sujeitos com traços de personalidade borderline. Ler as respostas
para ver como foram caracterizadas as interações, ex: expectativa de exploração, abuso de
poder, intenção malévola, etc.
22

Baixo (<= 0,33) (predomínio de MAH): capacidade para encarar e estabelecer relações de
maneira amadurecida, mutuamente desenvolvedora, fortalecedora e que também respeita a
independência e a separação dos participantes. Potencial para relações dotadas de
maturidade e saudáveis, incluindo uma provável capacidade de intimidade e profundidade.

Média Moda P5 P25 P50 P75 P95


0,51 0,33 0,13 0,33 0,50 0,67 1,0

5.4) PHR/GPHR (Proporção PHR) (PHR dividido por GHR + PHR)


A proporção geralmente não tem precisão com menos de 4 escores brutos, embora
diferenças de PHR para GHR de 0 a 2 ou 3 e vice-versa possam ser interpretadas
cautelosamente.
Medida geral de como o sujeito compreende as pessoas e as relações, inclusive a si
mesmo; competência interpessoal e capacidade de relacionamento. PHR e GHR estão mais
relacionados com as representações sociais normativas e com competência em interações
interpessoais; MAP e MAH têm mais a ver com a experiência pessoal de relações e capacidade
de intimidade.

Alto (>= 0,5) (predomínio de PHR): compreensão problemática, errônea ou menos


adaptativa de si próprio, dos outros e das relações. Reflete relações fracassadas, conflituosas e
tendência a comportamentos sociais inadequados. Pode indicar qualquer uma das seguintes
maneiras como o self e os outros são percebidos: distorcidos, ilógicos/confusos, danificados,
malévolos, agressivos, personalizados, parciais, irreais ou vulneráveis. Pode ser útil
determinar se há algum tema particular que leve aos códigos PHR (ex: agressivo e
personalizado versus distorcido e ilógico. Se todas as respostas PHR incluem um código Sx ou
AGM: visão de relacionamentos como negativos, insatisfatórios e problemáticos devido a
preocupações com agressão e sexualidade).
Baixo (<= 0,25) (predomínio de GHR): competência interpessoal e habilidade no
gerenciamento e na compreensão de interações e relações; habilidade para compreender a si
própria e aos outros. Capacidade para imaginar o self e as relações com os outros de forma
adaptativa e positiva. Não significa necessariamente que existam relações próximas e
significativas, ou que o sujeito se preocupe realmente com os outros ou lhes seja sensível,
embora tais efeitos sejam mais prováveis com escores baixos. Algumas pessoas com escores
baixos podem usar a sua consciência social sofisticada para influenciar ou manipular os
outros.

Média Moda P5 P25 P50 P75 P95


0,35 0,33 0 0,25 0,33 0,50 0,69

PHR/GPHR alto + MAP/MAHP alto + AGM alto= representações humanas confusas,


inacuradamente percebidas e/ou contaminadas por preocupações com agressão,
malevolência e danos. Potenciais relacionamentos são carregados de expectativas de
decepção e rejeição dolorosas e malevolência.

5.5) M- : compreensão atípica ou distorcida das pessoas que sugere relações interpessoais
perturbadas. Percepções equivocadas e incompreensão das experiências dos outros.
Capacidade limitada de formar impressões acuradas e realistas das experiências internas dos
23

outros. Lacuna entre o modo como o sujeito pensa e percebe, de um lado, e o que ele acha que
outras pessoas pensariam, de outro.
M- = 1: tendência ocasional para entender as pessoas de maneira equivocada (ler a resposta e
os códigos que a acompanham para ver em que situação sua compreensão de si e do outro
pode se tornar pouco clara. Ex: se acompanhado de ODL= em experiências de dependência;
AGM: preocupação com agressão poderia leva-lo a julgamentos errôneos dos outros).
M- > 1: a acurácia na compreensão de situações interpessoais pode estar seriamente
comprometida.
As representações podem ser prejudicadas por preocupações ou crenças que interferem
na apreciação realista e na compreensão dos pensamentos e intenções das outras pessoas
(como escore de baixa frequência, é importante estar atento às decisões hesitantes de
codificação, de modo a considerar o seu impacto na interpretação. Isso é sobretudo verdade
em protocolos longos, complexos, nos quais M- = 1 ou 2 poderiam representar resultados do
tipo falso positivo).
Ex: sujeito que deu 7M (todos passivos e 2 M-): distorções ideacionais significativas
associadas a representações humanas, indicando também propensão a fantasias e projeções
delirantes/fantasias escapistas em relação a si mesmo e aos outros.

Média Moda P5 P25 P50 P75 P95


0,4 0 0 0 0 1 2

5.6) AGC (conteúdo agressivo): reflete incômodos, preocupações e identificações agressivas.


Deve ser sempre interpretado no contexto da história do comportamento agressivo e
competitivo e da organização global da personalidade do sujeito. Este contexto ajudará a
estimar o grau de identificação com o agressor, do passar ao ato da agressão e da medida em
que o nível de agressão é sublimado ou auxilia a luta pelo domínio e a competitividade
socialmente aceitável. O conteúdo das mesmas também deve ser considerado.

Baixo: a intenção e o contexto da avaliação necessitam ser considerados ao interpretar um


escore baixo (as respostas AGC podem ser conscientemente suprimidas num esforço do
sujeito para negar interesses agressivos e apresentar a si próprio como não agressivo e não
representando qualquer ameaça).
Alto (> 4): Imagens agressivas, perigosas e poderosas encontram-se na mente da pessoa, mas
não indicam a atitude da pessoa para com essas imagens, o que poderia refletir quer
identificação positiva com o poder e o perigo, quer medos ansiosos dos mesmos, quer ambos.
- Identificação com o poder, agressividade e perigo. Comportamentos agressivos e cruéis
podem não estar envolvidos, de modo que os interesses agressivos ou as preocupações
podem ser expressos de modos socialmente mais aceitáveis pela competitividade e esforços
de realização, passatempos (ex: colecionar armas, videogames) ou escolhas ocupacionais.
- Pode também indicar medo de perigos agressivos no ambiente, preocupação com perigos ou
danos potenciais.

Média Moda P5 P25 P50 P75 P95


3,1 4 0 1 3 4 7

5.7) H (puro): Competência para representar mentalmente humanos completos, intactos


(considerar a qualidade das mesmas, se são acompanhadas de GHR, PHR, MAH ou MAP).
24

Alto (> 3): interesse pelos outros e visão mais precisa, equilibrada, integrada e completa das
pessoas; acredita-se que sugere um potencial de compreensão mais realista, completa e
abrangente de si próprio e dos outros, indicadora de uma capacidade de relações
interpessoais saudáveis.
Baixo (<= 1): problemas de compreensão das outras pessoas como sujeitos totais completos,
nos termos dos seus papéis sociais particulares ou do seu significado enquanto objetos de
desejo, de medo ou de repugnância. Atraso desenvolvimental no entendimento das pessoas
como sujeitos complexos e íntegros.

Média Moda P5 P25 P50 P75 P95


2,6 2 0 1 2 3 6

5.8) COP: estas respostas podem estar sujeitas à manipulação de impressões e podem refletir
interesse em se apresentar como cooperativo ou como receptivo a sinais sociais positivos.
Alto (>= 2): propensão para encarar as interações como fontes de apoio, úteis, vantajosas,
gratificantes, positivas, compensadoras e colaborativas. Propenso a esperar interações
colaborativas com os outros, então provavelmente procura relacionamentos.
Baixo (zero): pode não estar interessado em relacionamentos ou pode não encarar,
geralmente, as relações como fonte de apoio e cooperadoras.

Média Moda P5 P25 P50 P75 P95


1,1 0 0 0 1 2 3

5.9) MAH: representações saudáveis e adaptativas.


Alto (> 1): potencial para relações interpessoais dotadas de maturidade e saudáveis;
compreensão saudável e produtiva das relações, incluindo uma provável capacidade de
profundidade e intimidade (este escore pode ser afetado pela manipulação de impressão
positiva). Capacidade de vislumbrar interações mutuamente proveitosas. Modelos de
vinculação saudáveis e positivos. Percebe os relacionamentos como úteis e benéficos.
Ex: a maneira como entende a si mesmo e aos outros é uma combinação de capacidades
desenvolvidas de forma madura e de habilidades sociais efetivas (MAH= 2, COP= 3) e
capacidade de sérios entendimentos equivocados dos outros (M- = 3).

Média Moda P5 P25 P50 P75 P95


0,8 0 0 0 0 1 2,1

PÁGINA 2 DO PERFIL
Interpretar quando:
25

EP <=85 ou >=115
Percentil <= 15 (abaixo da média) ou >=85 (acima da média).
Médias da tabela 9.4 (p. 349 - 354)

A interpretação das variáveis da pág. 2 deve ser feita com mais cuidado. Em geral, desvios mais
extremos em relação ao valor esperado são necessários para atribuir significado interpretativo
às variáveis.

1) Engajamento e processamento cognitivo

1.1) W%: processamento holístico, global, síntese cognitiva. Capacidade de ver o “quadro
geral”. Interpretar considerando a qualidade do W, incluindo o Sy, a presença de Blends ou
conteúdos múltiplos.
Tendência a levar em conta muitos detalhes e uma grande quantidade de informação ao
fazer observações no seu dia a dia. Outros escores indicarão se este tipo de processamento da
informação leva a conclusões que são realistas e fazem sentido (Ver FQo e WSumCog)

Fornecer W nos cartões divididos (II, III, VIII, IX e X), sobretudo quando acompanhados
de síntese (Sy): indica empenho cognitivo complexo e sugere tendência para assumir a
situação total, para se desafiar, para utilizar toda a informação disponível. A precisão e a
lógica desse esforço mais sofisticado seriam, no entanto, determinadas pelo menos em parte
pela perturbação do pensamento (Códigos Cognitivos) e pela precisão perceptiva da resposta
(FQ).
W nas manchas unidas (I, IV, V) ou acompanhado de vago (Vg): solução simples, sem
sofisticação. Do mesmo modo, dar uma W simplista de objeto único mal ajustado nas manchas
fragmentadas (II, III, VII, VIII, IX, X) reflete um modo impreciso de processamento que se
observa com frequências nas crianças mais jovens (ex: respostas W vagas e impressionistas:
uma pintura com os dedos; um campo de flores / W de forma indefinida: inseto ou um animal
sem elaboração).

Média Moda P5 P25 P50 P75 P95


40,7% 52% 10% 26% 39,5% 54,8% 77%
9,6 9 3 6 9 12 18,9

1.2) Dd%: tendência para focar em detalhes incomuns, pequenos ou idiossincráticos. A


pessoa pode impor uma maneira idiossincrática de encarar o mundo em lugar das maneiras
mais frequentes de receber informação (D). Pode envolver fazer discriminações mais finas,
preocupar-se demasiadamente com os detalhes e focar em elementos ou pequenas unidades
de informação à custa de enxergar o cenário mais amplo (W). Um predomínio de localizações
de pequenos Dd associa-se a prestar atenção a detalhes, que podem refletir obsessividade ou
vigilância.
Dd atípicas (Dd99): é um comportamento que sugere uma maneira ímpar, individual ou
única de conceber ou entender o ambiente. Pessoa atraída para fatos ou pistas muito
arbitrários, idiográficos ou personalizados. Maneira estranha de inspecionar o ambiente,
focando em informações idiossincráticas (se muitos forem FQ-: forma impressões inacuradas
em relação ao que observa).
Alto: pensamento detalhado e preciso, capacidade de fazer discriminações finas,
perfeccionistas ou idiossincráticas; ou estilo cognitivo mais patológico, obsessivo ou
paranoico. Tentativa de impor seu próprio modo de ver as coisas. Dificuldade em reconhecer
26

o óbvio ou evitá-lo defensivamente. Ser atraído por alguma fonte de preocupação emocional.
Preferir ocupar-se com as minúcias da vida. Prestar atenção a detalhes; obsessividade ou
vigilância.

Média Moda P5 P25 P50 P75 P95


15,5% 0 0 8% 14% 22% 36%
3,8 2 0 2 3 5 10

1.3) SI (integração do espaço em branco): pensamento complexo, sofisticado e flexível, típico


de pessoas que sabem dar atenção, diferenciar e sintetizar aspectos do ambiente;
possivelmente criatividade; esforço cognitivo; motivação; capacidade de síntese; integração
complexa. Há forte relação entre SI e educação.

Média Moda P5 P25 P50 P75 P95


2,8 2 0 1 3 4 6,1

1.4) IntCont (Conteúdo Intelectualizado: 2xABS + Art + Ay) [antigo Índice de


Intelectualização]. Estilo de processamento da informação intelectualizado, abstrato ou
simbólico. Rever o conteúdo da resposta para se assegurar que ele possui a qualidade
intelectualizada (ex: conteúdos de Art decorativa podem refletir mais interesse pelas
aparências. Conteúdos de Art não qualificados, como uma pintura com os dedos de uma
criança ou representações vagas ou impressionistas, podem ser mais histriônicos ou
regressivos).
Alto (> 4): tendência para responder de maneira altamente intelectualizada,
pseudointelectual ou pedante. A pessoa pode preferir falar sobre sentimentos do que
vivenciá-los diretamente. Mantém muitas das experiências emocionais tão longe quanto
possível, tratando-as como preocupações intelectuais. É muitas vezes usada como defesa
contra desentendimento ou angústia emocional ou social.
Art: processo intelectual de representação de experiências emocionais
Ay: visão intelectualizada do mundo

Média Moda P5 P25 P50 P75 P95


2,5 0 0 1 2 4 7

1.5) Vg% [antigo DQv e DQv/+]: o processamento vago, impressionista e não sofisticado e
relativamente ineficaz no mundo real, que pode ser devido a um déficit cognitivo, a um estilo
cognitivo, à impulsividade e/ou à defesa evasiva.
Vg alto: como defesa evasiva (evitação defensiva): o avaliando não é específico, a resposta
carece de diferenciação e discriminação, quer para evitar um conteúdo alternativo, quer para
evitar o risco de errar. Pode também refletir um estilo cognitivo histérico ou histriônico; ou
pode ser simplesmente uma solução geral para evitar relatar informação ou detalhes
específicos. Tendência para desistir facilmente e fracasso em resistir a impulsos ou ideias
nascentes até que ganhem uma forma mais madura.
Vg% alto com Sy% alto (>= 39%) ou com Complexidade alta: existe alguma variabilidade
ou inconsistência nas operações cognitivas, na qualificação do pensamento nas situações e no
27

tempo (tem competência para produzir respostas complexas, mas às vezes regride para
percepções impressionistas e pouco elaboradas).

Média Moda P5 P25 P50 P75 P95


6,3% 0 0 0 4% 10% 22%
1,6 0 0 0 1 2 5

1.6) V e FD: sofisticação cognitiva. A perspectiva poderia ser interpretada de forma mais
negativa em casos de extremo distanciamento, como na depressão e na paranoia, em que a
visão da própria pessoa ou dos outros tem uma coloração afetiva negativa.
V: perspectiva analítica ou avaliativa; diferenciação fina. Forte associação com medidas de
aptidão (ex: QI). No contexto da depressão, pode estar associado à autoavaliação negativa e à
avaliação negativa do mundo em geral, e pode contribuir para ruminações e risco de suicídio.
FD: Sugere uma tomada de perspectiva, uma percepção por diferentes pontos de referência,
uma perspectiva avaliativa ou uma capacidade avaliativa mais geral. O distanciamento
defensivo extremo (ex: estar muito longe ou muito alto acima) pode indicar dissociação em
casos de trauma. Um percepto visto pairando e em direção do avaliando pode ocorrer em
estados paranoicos. Podem também estar associado a experiências de vazio (ex: usar espaços
brancos como olhos, mas vê-los como buracos). Tradicionalmente, o FD foi usado como
medida de introspecção, mas nenhuma pesquisa sólida apoia essa interpretação.

VISTA (V)
Média Moda P5 P25 P50 P75 P95
0,7 0 0 0 0 1 3

FORMA-DIMENSÃO (FD)
Média Moda P5 P25 P50 P75 P95
1 0 0 0 1 1 3

1.7) R8910% (número de respostas nos cartões de VIII a X, dividido por R) [semelhante ao
antigo Afr]: receptividade geral a estímulos atraentes e excitantes que pode abranger
situações emocionais com outras pessoas (precisa ser melhor investigado). Reatividade
comportamental a estímulos externos evocativos.
Problema: pode ser falsamente baixo nos sujeitos que são muitos receptivos aos estímulos,
mas que não dão muitas respostas nos cartões coloridos, porque às vezes dão uma única
resposta, altamente complexa e detalhada, abrangendo vários elementos (Sy).
Alto: a pessoa se sente confortável e até mesmo pode procurar esse tipo de situação
interpessoal e grupal onde as pessoas expressam e compartilham seus sentimentos com mais
facilidade.
Baixo: tendência ao retraimento afetivo, à sensação de desconforto diante de situações que
mobilizam afetos e sentimentos.

Média Moda P5 P25 P50 P75 P95


31,8% 33% 22% 29% 32% 35% 40%
28

1.8) WSumC: relaciona-se com um interesse em, e um conhecimento de aspectos


estimulantes e atraentes do ambiente, que podem incluir as reações emocionais aos mesmos.
Receptividade a estímulos evocativos do ambiente, incluindo os provenientes de outras
pessoas. Pode ser encarada como uma medida bruta da reatividade, vitalidade e vivacidade e
talvez uma disposição em processar e reagir à emoção.
Como componente de MC (antigo EA), está também globalmente associada à adaptação e à
força psicológica (essa inferência deve ser reavaliada se a cor for predominantemente
codificada com respostas de sangue, fogo ou explosão).
Baixo: pouca reatividade emocional; reações emocionais limitadas; inibição; evitação
emocional; afastamento traumático; ou recursos cognitivos limitados que impedem o
envolvimento com a tarefa. Pode ser um sujeito mais sério, que não aprecia o que os outros
acham divertido, não exprime sentimentos de modo espontâneo. Os outros podem não o
sentir como alguém de quem possam se aproximar ou alguém convidativo. Sujeito
emocionalmente limitado que necessita de um conhecimento ou consciência bem
desenvolvida das suas reações afetivas.
WSumC= 0. Reatividade muito limitada, evitação, idiossincrasia ou problemas em fazer o
teste. Sua capacidade de coping terá limitações. Capacidade reduzida de considerar e
responder às emoções. Evita entrar em contato com seus sentimentos. Junto com YTVC’ baixo:
dificuldade de se identificar com o sofrimento emocional dos outros, pouca sensibilidade aos
desconfortos e rupturas que os outros podem experimentar em razão do seu acesso limitado
às próprias emoções angustiantes.
Alto: pessoa muito reativa e espontânea e eventualmente explosiva se tiver C puro.

Média Moda P5 P25 P50 P75 P95


3,4 2 0,5 1,5 3 5 7,5

1.9) C puro: abertura a impressões imediatas e a uma vivência relativamente não filtrada ou
não modulada. Isso pode ter implicações nas experiências internas (ex: reatividade
emocional; ser inundado pelo afeto ou capturado por ideias) e nas reações ao ambiente (ex:
espontaneidade; resposta precipitada e maleável). Se ocorrer num conteúdo positivo e
convencional ou ocorrer num sujeito claramente saudável e controlado, pode ser associada a
disposição em permitir-se experiências positivas.
A investigação não confirmou o C puro como preditor de violência, embora um estudo tenha
encontrado uma associação positiva com ser abusador de crianças (p. 506).
Alto e com FQn: ausência de envolvimento do ego para organizar e conter sua experiência
crua e intensa de emoções.

Média Moda P5 P25 P50 P75 P95


0,4 0 0 0 0 1 2

1.10) Mp/(Mp + Ma) (Proporção de Mp). (Mp dividido por Mp + Ma) [semelhante ao antigo
Ma : Mp]. Deve haver 4 respostas para se interpretar esta variável, contudo, interpretações
cautelosas podem ser consideradas no caso de menos respostas se Mp for zero e Ma for 2 ou
3, e vice-versa.
Índice de passividade do comportamento. Propensão para a fantasia e a ideação passiva
(versus ativa), em especial envolvendo pessoas.
Alto (predomínio de Mp): propensão para imaginação reflexiva, fantasia passiva ou
ruminação. Pensamento passivo ao invés de ativo, diligente e direcionado a objetivos. A fuga
29

para uma fantasia de escape ou para uma ideação ruminante podem suplantar o compromisso
ativo com o ambiente sob a forma de solução de problemas intencional e iniciativa pessoal.

Média Moda P5 P25 P50 P75 P95


0,43 0,33 0 0,25 0,40 0,66 0,86

2) Percepção e Pensamento

2.1) FQu% [antigo Xu%]: modos não convencionais e individualistas de interpretar o mundo,
a si mesmo, os outros e situações específicas. As outras pessoas podem conseguir
compreender como a pessoa interpreta as situações, mas as interpretações são mais
personalizadas, idiossincráticas ou individualizadas, pouco convencionais. Pode indicar
criatividade.

Média Moda P5 P25 P50 P75 P95


30% 33% 12% 20% 31% 38,3% 50%

3) Stress e Distress

3.1) PPD (Determinantes potencialmente problemáticos – FM, m, Y, T, V, C’) [antigo es]:


geralmente se relaciona com aptidão cognitiva (isto é, capacidade para animar perceptos – FM
e m – e dar atenção e descrever uma variedade de aspectos das manchas – Y, T, V, C’), que em
certas circunstâncias, pode se tornar um fardo.
FM: ideação estimulada por uma necessidade ou instinto

Interprete com o MC-PPD (antigo EA-es) para determinar o nível dos recursos psicológicos
(MC) em comparação com essa medida de exigências psicológicas (PPD).

Alto (>=12): Experiências fora do controle da pessoa em termos de necessidades,


sentimentos ou perturbações estimulantes, irritantes, aflitivas ou urgentes. Facilmente
dominado pelo estresse e distresse. Estímulos internos altamente disruptivos e irritantes que
estão fora de seu controle. Pode estar elevado em protocolos longos e complexos de sujeitos
saudáveis que usam um processamento complexo; nestes casos, estará provavelmente
associada a riqueza da experiência interior, atividade elevada com o mundo e profundidade e
sensibilidade.

Média Moda P5 P25 P50 P75 P95


9,6 8 3 6 9 12 19

3.2) CBlend (determinante misto de cor cromática com acromática ou sombreado: FC, CF ou
C com Y, T, V ou C’) [antigo determinante misto de cor-sombreado (cor-SH)].
Sugere sensibilidade às emoções ou ao ambiente. Propensão para reações emocionais
espontâneas (cromática), para se comprometer com preocupações com inconsistências,
indefinições e tonalidades (sombreado) ou escuridão e enfraquecimento (acromática).
30

Se > 1: a pessoa tem inclinação para experiências vulneráveis de afetos mistos –


especificamente, sentimentos negativos que destroem/estragam as reações positivas e de
satisfação/prazer. Sujeito vulnerável a experimentar estados afetivos positivos e negativos
misturados, e suas emoções positivas podem ser facilmente manchadas por emoções
negativas (uma reação comum para lidar com essas experiências é restringir qualquer
expressão espontânea das emoções, a fim de evitar afetos desconfortáveis. Ex: uma pessoa
pode evitar sentimentos bons espontâneos porque eles evocam também esse estado
vulnerável, angustiante).
Essas inferências são mais razoáveis quando as cores cromáticas são manchadas com
sombreado (quando o sombreado ou a tonalidade acromática ocorrem numa área de cor
cromática, em contraste com os casos em que a cor e o sombreado ocorrem em áreas
diferentes da mancha), mostrando uma associação com aspectos autodestrutivos e tentativas
de suicídio (p. 507).

Média Moda P5 P25 P50 P75 P95


0,7 0 0 0 0 1 3

3.3.) C’ (acromático): pode indicar o ser atraído por estímulos lúgubres, negativos,
angustiantes, sobretudo quando implica explicações ou descrições de aspectos negativos ou
cinzentos. Orientação afetiva negativa que pode indicar uma reatividade emocional contida ou
uma atitude geralmente triste face à vida. Esse escore não apresenta precisão na relação com
autorrelato ou diagnóstico de depressão.
Alto (> 3): esforços por reduzir ou abafar a reatividade emocional. Disforia excessiva. Sujeito
incorporou as características tristes e sombrias do seu ambiente. Essas inferências devem ser
examinadas com o conteúdo da resposta para se assegurar de que o conteúdo é consistente
com essa interpretação (ex: um poço negro) em vez de ser indicativa de uma valência mais
neutra ou positiva (objetos brancos ou de tom escuro com uma conotação mais positiva, ex:
um smoking preto).

Média Moda P5 P25 P50 P75 P95


1,8 0 0 0 1 3 5

3.4) V (vista): embora os sistemas interpretativos anteriores se tenham centrado nos


aspectos negativos, disfóricos ou críticos (autoavaliação negativa), dar este tipo de resposta
exige um apreciável grau de qualificação cognitiva que seria raro numa criança ou num adulto
com QI baixo. Em sujeitos saudáveis, pode sugerir uma capacidade avaliativa mais evoluída do
self, do outro ou interpessoal, mesmo no caso de implicar algum desconforto.
Implica a tomada de perspectiva ou uma atitude avaliativa. Pode estar associada com
certo desconforto ou insatisfação quando orientada contra si próprio ou os outros, mas não é
problemática ou patológica em si mesma. Pessoa “atraída pela escuridão”. Vergonha,
autocrítica. No contexto da depressão ou da psicopatologia, a descoberta de falha ou a crítica
de si próprio ou dos outros pode tornar-se excessiva e perturbadora ou estar relacionada com
a ruminação, mantendo assim a angústia.
(Ex: se respostas V só apareceram no conteúdo Sx: sentimentos negativos de culpa e vergonha
ligados à sexualidade).

Média Moda P5 P25 P50 P75 P95


31

0,7 0 0 0 0 1 3

3.5) CritCont% (conteúdos críticos: MOR + AGM + An + Bl + Ex + Fi + Sx/R): medida de falha


ou fracasso do ego em censurar conteúdos problemáticos.
Os conteúdos são os principais componentes da resposta que são manipulados quando
as pessoas tentam parecer mais perturbadas psicologicamente do que são (comparados com
localização, qualidades do objeto [Sy, Vg, Par], determinantes e FQ). No contexto de fingir-se
mal, pode-se sempre ver um aumento nos conteúdos críticos/dramáticos.
Podem ocorrer falsos-negativos (Usos do R-PAS, p. 382).
OBS: A imagética dos conteúdos críticos é mais especificamente associada a traumas que
envolvem danos corporais, portanto, se o índice for baixo, não descarta a possibilidade de
outros tipos de trauma.

Alto (> 28%): sugere:


a) experiências traumáticas: histórico de trauma e possibilidade de dissociação (junto com EII-
3 alto); traumatismo grave com sintomatologia ativa, experiências traumáticas ainda
vivamente marcadas na memória do sujeito, a ponto de ofuscar seu contato com a realidade.
b) pensamento primitivo, cognições pouco precisas ou primárias que podem sugerir uma falha
na censura (como nos estados borderlines e psicóticos. Pessoas com nível borderline ou
psicótico de organização da personalidade costumam exibir um longo histórico de
funcionamento ruim ou irregular). O grau em que estes conteúdos são extremos, maus ou
bizarros em oposição a modulados, sutis e integrados relaciona-se também com o grau de
perturbação psicológica. Sujeito incapaz de filtrar da consciência preocupações do processo
primário emocionalmente intensas.
c) fingimento ou exagero, quando toma a forma de expressar imagens imprecisas, dramáticas
ou perturbadas no teste, num esforço por chocar.

Avaliar se o conteúdo abarca múltiplos códigos ou se foca em um ou dois (ex: An e Bl; AGM e
Ex) e em que medida tem mais probabilidade de ser problemático ou benigno (ex: carne
morta e podre versus biscoito quebrado). É possível encontrar elevações positivas ou
saudáveis em protocolos onde estes conteúdos estão logicamente integrados numa imagem
de resposta autêntica e socialmente aceitável. Nessas situações, a imagem dos Conteúdos
Críticos é silenciada ou contida, em vez de imprecisa ou ruidosa. Estes sujeitos podem
expressar as necessidades, urgências ou fantasias de modo socialmente aceitável e podem
alcançar a gratificação pessoal.

Bl: imagem de medo ou de vulnerabilidade, mas pode também estar associado a prazer sádico
em ferir os outros. Podem ser imagens contidas e benignas (pingo de sangue) ou caóticas e
que implicam trauma, ódio ou terror. É possível que a pessoa tenha passado por ou
presenciado cenas sangrentas na vida real.
Ex: pode indicar sentimento de explosão (“explodindo de raiva”) ou de estar fora de controle,
bem como receio dos mesmos. Sentimento de poder, entusiasmo ou perigo. “Vulcão
explodindo” traz consigo mais poder e perigo do que a de fogos de artifício explodindo.
Fi: associado com calor e perigo, usados para descrever a raiva e o mau humor (“pegando fogo
de raiva”) ou paixão. A natureza do fogo deve ter um papel na compreensão da resposta
(“incêndio numa floresta” representa perigo e destruição, “a chama de uma vela” sugere mais
controle e utilidade, com menos perigo)
Sx: incômodos ou preocupações sexuais (ver o tema da resposta para ver o tipo de
preocupação. Ex: relação sexual, gênero, procriação). A produção de muitas respostas Sx,
sobretudo quando descritas de modo crú, pode indicar descompensação dos padrões
32

perturbados de pensamento, preocupação com um trauma sexual, provocação hostil ou


sexualizada com o examinador ou um esforço por exibir “maturidade” e “sofisticação” (P75= 1
/ P95= 2).

Média Moda P5 P25 P50 P75 P95


20,4% 10% 03% 10% 19% 28% 45,9%

4) Representação de si e dos outros

4.1) SumH (todos os conteúdos humanos): interesse e consciência interpessoais. Como são
vistos os outros, a si próprio ou ambos; modelos de vinculação.
Alto: interesse pelas pessoas, é atenta a elas. Pode estar relacionado com cautela e vigilância
paranoides (ver se V-Comp está elevado).
Baixo: limitado interesse pelas pessoas, ou outros interesses fortes e preocupantes que
competem com pensamentos sobre as pessoas.
SumH= 0: problemas, conflito ou evitação interpessoais.

Média Moda P5 P25 P50 P75 P95


6,2 5 2 4 6 8 11,9

4.2) NPH/SumH (Proporção de H não puro). (H) + Hd + (Hd)/todos os conteúdos humanos


[semelhante ao antigo H : (H) + Hd + (Hd)]
Deve geralmente haver 4 respostas de conteúdo humano para interpretar esta variável;
porém, interpretações cautelosas podem ser consideradas com menos respostas se NPH for
zero e H for 2 ou 3, e vice-versa.
Alto (> 0,75) [predomínio de (H) + Hd + (Hd)]: tendência para encarar a si mesmo e aos
outros de maneira irrealista ou imaginária ou mentalmente fantasiar cenários desse modo.
Propensão para representar mentalmente a si mesma e aos outros de maneiras simplistas,
incompletas, irrealistas ou fantasiosas. Isso contrasta com uma compreensão desenvolvida e
informada das qualidades reais de si próprio e dos outros. Tendência para se identificar com
personagens imaginários da cultura popular ou com a vida de fantasia preferida pela própria
pessoa. A imagética mental pode ser ansiosa e ameaçadora ou divertida e interessante. Uma
revisão desses conteúdos deve ajudar a compreender melhor a natureza particular do modo
como são vistos ou imaginados os humanos.
Hd: conceitualização limitada e cognitivamente menos evoluída dos outros ou talvez uma
concentração em certas características, que ocorre às custas de uma visão mais equilibrada ou
integrada dos outros (ex: propensão para ver apenas olhos pode refletir atenção ou
inquietações com a direção do olhar dos outros; partes sexuais podem refletir preocupações
sexuais).
(H): estas representações não têm por base interações comuns, do dia a dia e reais com os
outros, e não sugerem uma visão realista de si próprio e dos outros. A pessoa, pelo menos às
vezes, compreende a si mesma e aos outros de um modo que se baseia em elaborações
fantasiosas, imaginárias ou irreais, à custa de características realistas e considerações mais
comuns.

Média Moda P5 P25 P50 P75 P95


33

0,59 0,67 0,2 0,5 0,6 0,75 1,0

4.3) V-Comp (Composto Vigilância) [semelhante ao antigo HVI]: avaliação de cautela,


cognição esforçada e focalizada, sensibilidade aos indícios de perigo, e precaução e
distanciamento interpessoal. Ativação e atenção crônicas destinadas a proteger-se contra
ameaças potenciais.
Elevações neste índice podem estar associadas ao escrutínio vigilante do ambiente com
respeito a ameaças, mas as elevações não são específicas de condições paranoicas, porque
esse índice detecta mais os aspectos de um estilo cognitivo do que uma expectativa de
maldade dos outros e de medo.
A hipervigilância pode levar o sujeito a interpretar os acontecimentos de maneira excessiva,
considerando-os mais perigosos ou malévolos do que realmente são.
Alto (escore bruto > 4.5): estilo cognitivo de processamento da informação focalizado,
esforçado, detalhista, cauteloso e vigilante. Pode estar associado a distanciamento e cautela
interpessoais. Observa vigilantemente os outros no ambiente em busca de sinais de ameaça
potencial (comum em TEPT se CritCont% alto)
Muito alto (escore bruto > 5,5): estilo cognitivo mais extremado, inflexível e vigilante com
importante distanciamento e precaução interpessoal. Pode estar associado a uma
personalidade paranoica organizada. Num contexto de teste de realidade pobre (FQ- e
especialmente M-) e pensamento perturbado (Códigos Cognitivos elevados), há probabilidade
de projeções paranoides.

Média Moda P5 P25 P50 P75 P95


3,2 2,9 1,1 2,3 3,2 4 5,8

4.4) r (Reflexos) [antigo Fr + rF]: indica que a pessoa pode ter a experiência de encontrar a si
mesma refletida no mundo, de uma maneira autocentrada. Cognitivamente, sugere que o
sujeito usa a si próprio como ponto de referência ao processar a informação.
Alto (>= 1): essa interpretação é indicada nos casos em que um humano ou animal está vendo
a si próprio numa superfície refletora, mas não quando a resposta é simplesmente o reflexo de
uma paisagem. Com frequência, a rotação do cartão para a lateral (< ou >) produz muito mais
codificações de reflexo de paisagem, o que pode provocar inferências falso-positivas. Assim, as
inferências devem considerar cuidadosamente o tipo de resposta de reflexo dada e se a
rotação do cartão (CT) se encontra acima da média.
Concentração em si próprio, características narcísicas. A pessoa pode necessitar do
apoio do espelho ou pode ter a vivência de si própria refletida no mundo de maneira
autocentrada, sugere traços de narcisismo ou de agradavelmente envolvido consigo próprio
(centrado ou autoabsorvido em si mesmo). No entanto, isso raramente se observa sem
conflito, pois é muito frequente que a pessoa exija simultaneamente considerável apoio
exterior, admiração e aprovação para manter uma autoestima exagerada que contrarie os
medos de inadequação e deficiência subjacentes. Pode refletir um aprisionamento
desenvolvimental em um estágio mais infantilizado do desenvolvimento (um achado comum
em adultos que foram crianças abusadas ou negligenciadas).

Média Moda P5 P25 P50 P75 P95


0,5 0 0 0 0 1 2
34

4.5) p/(p + a) (Proporção de passivo) (p dividido por p+a) [semelhante ao antigo a : p].
É necessário haver 4 respostas de movimento para interpretar esta variável; contudo,
interpretações cautelosas podem ser consideradas no caso de menos respostas, se p for zero e
a for 2 ou 3, ou vice-versa.
Medida bruta das inclinações ou atitudes passivas versus ativas; pensamento passivo,
receptivo, inerte e sem foco versus pensamento ativo, enérgico, motivado e orientado para um
objetivo.
Alto: Inclinação ou atitude passiva que pode implicar confiar nos outros ou uma tendência
para render-se à oportunidade, à sorte ou ao destino e desse modo demonstrar um coping
menos efetivo.

Média Moda P5 P25 P50 P75 P95


0.42 0,5 0,9 0,27 0,41 0,55 0,8

4.6) AGM [antigo AG]: intenção ou motivo agressivo. O sujeito se identificou com a atividade
agressiva, mas este código não revela sua atitude para com a agressão (pode incluir prazer,
interesse, medo ou afastamento). Ao interpretar esta variável, deve-se estar ciente de que as
respostas agressivas são facilmente manipuladas (embelezadas ou inibidas).
Alto: pode indicar conhecimento de, e talvez um interesse em, ou preocupação com intenções
ou ações agressivas no mundo. Prevê ataques e agressões como possíveis desfechos em
relacionamentos. Como resposta de movimento, pressupõe certa capacidade para mentalizar
impulsos agressivos, implicando alguma capacidade de atrasar sua atuação. Não há nenhuma
evidência garantida de que o AGM esteja relacionado com agressão física dirigida sobre si
próprio ou outros.

Média Moda P5 P25 P50 P75 P95


0,5 0 0 0 0 1 2

4.7) T (textura): medida bruta da sensibilidade às impressões táteis, que traduz o interesse
pela proximidade ou contato interpessoal.
T= 0 ou 1: estes valores encontram-se na amplitude normal. T=1 pode sugerir conforto e
interesse pela proximidade e um estilo seguro de vinculação.
T > 1: preocupação com ou forte necessidade de proximidade, contato interpessoal ou apoio,
e um estilo de vinculação ansioso ou preocupado. Intensidade ansiosa à volta do desejo de ser
tocado ou de estar próximo de outros. Pode estar associado a sentimento de solidão ou dor e
angústia, porque as necessidades interpessoais não são satisfeitas.

Média Moda P5 P25 P50 P75 P95


0,7 0 0 0 0 1 2

4.8) PER:
Alto (> 1): presença de um caráter imaturo, egocêntrico e disposição para agir de modo
intelectualmente autoritário e com dificuldade de lidar com pessoas que fazem
questionamentos sobre o seu comportamento. Tendência para justificar a sua visão e as suas
posições com base no conhecimento ou autoridade privada, pessoal, destacando quanto
conhecimento, especialidade ou experiência possui (qualidade mais grandiosa e narcísica).
35

Pode sugerir defesa se a informação pessoal for comunicada de modo autoritário ou


pessoalmente justificada. Sujeito busca reforçar seu senso de si mesmo com reações
defensivas autojustificadoras e/ou engrandecedoras (esforço para se imunizar perante o
desafio ou a crítica). Ou pode ser uma tentativa de comprometer o examinador, se for
comunicada como um compartilhar de experiências. Necessidade de expressão da sua
subjetividade. Imaturidade.

Média Moda P5 P25 P50 P75 P95


0,7 0 0 0 0 1 3

4.9) An:
Alto (> 2): interesse ou preocupações com o corpo, como em pessoas com história de abuso
ou trauma sexual e pessoas com danos físicos graves. A pessoa tem preocupações com a
integridade do corpo ou com a integridade psíquica; ansiedade com a integridade física e com
danos; preocupação com o bem-estar físico; preocupações físicas ou médicas (como doenças);
preocupações com o corpo podem estar relacionadas também à preocupação com a aparência.
Pode representar uma vulnerabilidade ou fragilidade em termos de corpo ou psique. Os
profissionais médicos, técnicos e estudantes de Medicina relatam An com mais frequência,
simplesmente em razão da sua maior exposição a essas imagens; mas também pode acontecer
que estejam usando esse conhecimento especializado para “ganhar” o examinador ou para se
esquivar do risco de ser posto à prova ou de errar ao dar respostas (defesa). Quando as
respostas são de radiografia e outros tipos de exames médicos, podem refletir uma expressão
mais controlada, objetiva ou comedida de aspectos somáticos ou vulneráveis.

Média Moda P5 P25 P50 P75 P95


1,4 0 0 0 1 2 4

OUTROS:

1) Cg (pontua V-Comp): preocupações com esconder ou proteger a si mesmo. Vestuário


decorativo e na moda: pode sugerir que a pessoa foca na imagem superficial. Vestuário muito
pesado e protetor (ex: couro ou armadura): pode sugerir uma preocupação defensiva ligada à
vulnerabilidade. Para se cobrir ou disfarçar: interesse em ou desconfiança do que está “por
baixo da superfície”.

Média Moda P5 P25 P50 P75 P95


2 1 0 1 1,5 3 5

2) FQn (none): menor controle deliberado das ideias, dos sentimentos ou dos impulsos. Estão
associadas às respostas vagas (Vg).

Média Moda P5 P25 P50 P75 P95


0,3 0 0 0 0 0 1,1

Você também pode gostar