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Contestação Trabalhista

A Patrulha Mineira Ltda apresenta contestação em resposta à ação trabalhista movida por Antônio Queiroz, alegando que o autor não desejou retornar ao trabalho após a alta previdenciária e que suas funções não justificam o pedido de adicional de periculosidade. A empresa argumenta que a suspensão do plano de saúde se deu pela inadimplência do reclamante e que não há fundamento para os pedidos de pagamento de salários e honorários. A contestação requer a total improcedência da reclamação e a condenação do reclamante em custas processuais e honorários advocatícios.

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Contestação Trabalhista

A Patrulha Mineira Ltda apresenta contestação em resposta à ação trabalhista movida por Antônio Queiroz, alegando que o autor não desejou retornar ao trabalho após a alta previdenciária e que suas funções não justificam o pedido de adicional de periculosidade. A empresa argumenta que a suspensão do plano de saúde se deu pela inadimplência do reclamante e que não há fundamento para os pedidos de pagamento de salários e honorários. A contestação requer a total improcedência da reclamação e a condenação do reclamante em custas processuais e honorários advocatícios.

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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DO TRABALHO DA 1ª VARA

DO TRABALHO DE UBERLÂNDIA - MG

Processo n.º 0010101-10.2021.5.03.0001

Patrulha Mineira Ltda, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no


CNPJ sob nº 25.252.252/0001-25, estabelecida na Av. das Nações, nº 30,
Centro, Uberlândia/MG, CEP 30.000-000, através de seu advogado e
procurador que a esta subscreve (instrumento de mandato anexo), vem
respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, com fulcro no artigo 847,
Parágrafo Único, da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), apresentar

CONTESTAÇÃO

Em face da ação trabalhista que lhe move Antônio Queiroz,


devidamente qualificado nos autos em epígrafe, pelas razões de fato e de
direito a seguir aduzidas:

I – DOS FATOS

O autor ingressou com reclamação trabalhista pleiteando o pagamento


da integridade dos seus salários a partir do dia 09/01/2021, bem como a
determinação de seu retorno imediato ao trabalho e reativação do plano de
saúde sob alegação de estar em limbo jurídico previdenciário por culpa
exclusiva da reclamada. Requer também o pagamento de adicional de
periculosidade devido a função que exerce.

Ocorre que os fatos não ocorreram nem se apresentam da forma


relatada pelo autor.

Primeiramente, não houve recusa da empresa em readmitir o


trabalhador após a alta previdenciária. A verdade é que foi o reclamante quem
manifestou o desejo de ficar afastado das atividades laborativas. Conforme
carta anexa, escrita de próprio punho pelo reclamante, o obreiro manifesta seu
desejo de não retornar ao trabalho até que seja julgado seu recurso
administrativo junto ao INSS.

Além disso, Antônio não fazia qualquer trabalho de vigilância patrimonial.


Suas atividades eram de vigia e porteiro, não tendo qualquer responsabilidade
quanto ao patrimônio de sua empresa. Assevera-se ainda, que ele nunca
utilizou ou portou arma de fogo nas dependências da reclamada.

No que tange ao plano de saúde, este é custeado tanto pela empresa


quanto pelo trabalhador. Conforme documento anexo, foi enviado notificação
extrajudicial para Antônio quando estava ainda auferindo benefício
previdenciário, para que ele regularizasse o pagamento da sua cota parte do
plano de saúde, sob pena de sua suspensão, o que não ocorreu. Frisa-se que
mesmo assim a reclamada manteve o convênio por mais algum tempo, porém,
diante da alta previdenciária e da recusa do reclamante em retornar às
atividades, alternativa não restou senão a suspensão do plano de saúde.

Assim sendo, não merecem prosperar as pretensões do reclamante.

II – DOS FUNDAMENTOS JURÍDICOS

a) DO LIMBO JURÍDICO PREVIDENCIÁRIO

O reclamante, ao receber o laudo de aptidão de retorno ao trabalho


emitido pelo INSS, manifestou o desejo de ficar afastado das atividades
laborativas até que fosse julgado seu recurso administrativo junto ao INSS. É o
que se extrai da carta anexa, escrita de próprio punho pelo reclamante.
.

Excelência, ante os fatos relatados e comprovados pelos documentos


anexos, é inconteste a não caracterização do Limbo Jurídico Previdenciário,
uma vez que a Doutrina e a Jurisprudência afastam tal classificação nos casos
em que há a recusa do funcionário em retornar ao trabalho.

É o entendimento que se extrai da decisão colacionada abaixo:

EMENTA: LIMBO JURÍDICO PREVIDENCIÁRIO. NÃO


CONFIGURAÇÃO. O chamado limbo jurídico previdenciário
ocorre quando o trabalhador é considerado apto à prestação de
serviços pela previdência social, cessando o direito a benefício
previdenciário que percebia, mas tido por inapto pelo empregador,
que não autoriza o retorno ao labor, permanecendo sem salários
e em condição jurídica indefinida, enquanto formula pedidos de
reconsideração ao INSS e/ou negocia a autorização para retorno
às atividades. A esse respeito, o entendimento predominante é no
sentido de que a responsabilidade pelo pagamento dos salários,
após a cessação do benefício previdenciário, é do empregador.
Não é esse, contudo, o quadro fático circunstancial descortinado
nestes autos. Se a Reclamante optou por não retornar às suas
atividades laborais com a finalidade de apresentar recursos à
entidade previdenciária e pugnar por sua aposentadoria, mesmo
instada pela empresa a assumir suas funções, não é possível
imputar à Ré a responsabilidade pelo pagamento dos salários do
período.

Diante do exposto, requer a total improcedência do pedido do


reclamante.

b) DA SUSPENSÃO DO PLANO DE SAÚDE

Como demonstrado, o reclamante possuía plano de saúde, este


custeado tanto pela empresa quanto pelo trabalhador. Conforme documento
anexo, foi enviado notificação extrajudicial para Antônio quando estava ainda
auferindo benefício previdenciário, para que ele regularizasse o pagamento da
sua cota parte do plano de saúde, sob pena de sua suspensão.

Ocorre Excelência, que o reclamante não regularizou os pagamentos de


seu plano de saúde, inadimplente desde o início do recebimento do auxílio-
doença, assumindo assim o risco da suspensão. Frisa-se que mesmo assim a
reclamada manteve o convênio por mais algum tempo, porém, diante da alta
previdenciária e da recusa do reclamante em retornar ao trabalho, alternativa
não restou senão a suspensão do plano de saúde.

Ora, se o reclamante optou por não pagar sua cota parte do convênio,
não pode a empresa ser responsabilizada por tal suspensão. É este o
entendimento da jurisprudência. Vejamos:

AGRAVO. AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE


REVISTA INTERPOSTO NA VIGÊNCIA DA LEI 13.015/2014.
SUSPENSÃO DO CONTRATO DE TRABALHO. PLANO DE
SAÚDE. QUOTA-PARTE DO EMPREGADO.
INADIMPLEMENTO. No caso, a Corte de Origem consignou ser
"incontroverso nos autos que a autora aderiu ao plano de saúde
oferecido pela reclamada na modalidade de coparticipação,
devendo cada uma das partes arcar com os custos
correspondentes à sua cota-parte". Registrou ainda que "As
correspondências e os respectivos avisos de recebimento (ID
dcd9197 - págs. 01-04 e ID 5b71b2b - págs. 01-02), datados de
29-05-15 e 12-11-15, bem como os comprovam a ciência da
autora na necessidade de regularizar o pagamento de sua quota
parte do plano de saúde". Assim, para prevalecer as alegações da
Agravante, no sentido de que o plano de saúde era integralmente
pago pela empresa e que não recebeu qualquer aviso sobre a
inadimplência, seria necessário o revolvimento de fatos e provas,
o que é vedado nessa esfera recursal. Ademais, embora a
jurisprudência pacífica desta Corte (Súmula 440/TST) oriente-se
no sentido de que deve ser assegurada a manutenção do plano
de saúde durante o afastamento médico, no caso, o Tribunal
Regional concluiu que "o descumprimento ocorreu por parte da
autora que deixou de cumprir com a obrigação de pagamento da
sua cota parte, não cabendo atribuir à empresa a obrigação de
suportar integralmente os custos deste benefício ao qual a
empregada aderiu de forma voluntária". Nesse contexto, tendo o
plano de saúde sido cessado em razão do inadimplemento pela
Reclamante de sua quota-parte e não em razão de ato do
empregador, inaplicável a Súmula 440/TST. Nesse contexto, não
afastados os fundamentos da decisão agravada, nenhum reparo
merece a decisão. Ademais, constatado o caráter manifestamente
inadmissível do agravo, impõe-se a aplicação da multa prevista no
artigo 1.021, §4º, do CPC/2015, no percentual de 1% sobre o
valor dado à causa (R$44.000,00), o que perfaz o montante de R$
440,00, a ser revertido em favor da Agravada, devidamente
atualizado, nos termos do referido dispositivo de lei. Agravo não
provido, com aplicação de multa.

Sendo assim, pugna pela improcedência do pedido.

c) DO ADICIONAL DE PERICULOSIDADE

O reclamante nunca executou qualquer trabalho de vigilância


patrimonial. Suas atividades sempre foram de vigia e porteiro, não tendo
qualquer responsabilidade quanto ao patrimônio da empresa. Insta destacar,
que Antônio nunca portou arma de fogo em suas atividades.

Sendo assim, não há que se falar no adicional de periculosidade previsto


no artigo 193, inciso II e § 1º da CLT, uma vez que o reclamante jamais
exerceu atividade de segurança pessoal ou patrimonial.

Ainda no que se refere o pedido do autor, nossa jurisprudência possui


julgados específicos com relação a função de vigia, senão vejamos:

RECURSO DE REVISTA INTERPOSTO PELO RÉU. LEI Nº


13.467/2017. ADICIONAL DE PERICULOSIDADE. VIGIA.
ATIVIDADE NÃO ENQUADRADA NO ARTIGO 193, II, DA CLT.
ADICIONAL INDEVIDO. JURISPRUDÊNCIA PACIFICADA NO
ÂMBITO DESTA CORTE SUPERIOR. PRECEDENTES.
TRANSCENDÊNCIA POLÍTICA CONSTATADA. A jurisprudência
pacificada no âmbito desta Corte Superior é no sentido de não ser
devido o adicional de periculosidade previsto no artigo 193, II, da
CLT ao empregado que exerça a função de vigia, na medida em
que tal função não se equipara à função de vigilante, regida pela
Lei nº 7.102/1983, nem se amolda ao conceito de segurança
patrimonial constante do Anexo 3 da NR 16 do MTE.
Precedentes. Decisão regional que merece reforma. Recurso de
revista conhecido e provido.

Ante o exposto, deve também ser julgado improcedente mais este


pedido do reclamante.

d) DOS HONORÁRIOS SUCUMBENCIAIS

O autor requer a condenação da reclamada no pagamento de honorários


advocatícios e de sucumbência, porém, ante a improcedência dos pedidos
pleiteados, fica afastada tal possibilidade.

Além do mais, importante ressaltar que, o art. 791-A da CLT, é objeto de


Ação Direta de Inconstitucionalidade junto ao Supremo Tribunal Federal (ADI
nº 5.766), razão pela qual não deve ser aplicado ao caso sob discussão.

Por fim, caso seja do entendimento de Vossa Excelência a aplicação do


artigo 791-A da CLT, requer a reclamada a condenação do reclamante em
honorários advocatícios e sucumbenciais sobre o valor total dos pedidos
improcedentes.

III – DOS PEDIDOS

Diante do exposto, que tão bem demostra a fragilidade da tese


apresentada na peça exordial, requer a juntada da presente Contestação,
devendo a presente reclamação trabalhista ser julgada TOTALMENTE
IMPROCEDENTE. Uma vez desprovidos de embasamento fático e jurídico
para obtenção da tutela jurisdicional, deve também o reclamante arcar com as
consequências legais de sua aventura jurídica, motivo pelo qual requer a
reclamada, a condenação do reclamante no pagamento de custas processuais,
honorários advocatícios e sucumbenciais, no montante a ser deliberado por
Vossa Excelência.

Protesta provar o alegado através de todos os meios de prova em direito


admitidos, em especial pela prova documental, testemunhal e pericial além da
juntada de novos documentos e demais meios que se fizerem necessários
(Súmula 74 TST).

Nestes termos,

Pede e espera deferimento.

Uberlândia - MG, 19 de outubro de 2021.

Nome do Advogado
OAB/SP nº XX.XXXX
Assinado Digitalmente

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