0% acharam este documento útil (0 voto)
34 visualizações2 páginas

A Influência dos Sonhos na Arte e Cultos

O narrador se encontra com um artista que expressa seus pesadelos em sua arte, revelando a influência de sonhos estranhos e um culto secreto. A busca do narrador por informações sobre o culto de Cthulhu o leva a investigar a morte de seu tio, levantando suspeitas de que sua morte não foi natural. O narrador se depara com uma antiga edição de jornal que reacende seu interesse nas investigações sobre o culto.

Enviado por

nemanoeldasilva
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato TXT, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
34 visualizações2 páginas

A Influência dos Sonhos na Arte e Cultos

O narrador se encontra com um artista que expressa seus pesadelos em sua arte, revelando a influência de sonhos estranhos e um culto secreto. A busca do narrador por informações sobre o culto de Cthulhu o leva a investigar a morte de seu tio, levantando suspeitas de que sua morte não foi natural. O narrador se depara com uma antiga edição de jornal que reacende seu interesse nas investigações sobre o culto.

Enviado por

nemanoeldasilva
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato TXT, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

decadentista, pois conseguiu cristalizar

em barro, e irá um dia espelhar em mármore, aqueles


pesadelos que Arthur Machen evoca em prosa e Clark
Ashton Smith torna visível em verso e pinturas.
Soturno, frágil e de um aspecto um tanto descui-
dado, ele virou-se languidamente à minha batida e me
perguntou o que eu queria sem se levantar. Quando eu
disse quem era, ele mostrou algum interesse, pois meu
tio havia instigado a sua curiosidade ao investigar seus
sonhos estranhos, mas nunca havia explicado a razão
de seu estudo. Eu não aumentei o seu conhecimento
nesse assunto, mas busquei com certa sutileza extrair
dele o que sabia. Em pouco tempo, convenci-me de
sua absoluta sinceridade, pois ele falava dos sonhos de
uma maneira que ninguém poderia errar. Os sonhos
e seus resíduos subconscientes influenciaram sua arte
profundamente, e ele me mostrou uma estátua mórbi-
da cujos contornos quase me fizeram estremecer com
a potência de sua sugestão sombria. Ele não conseguia
se lembrar de ter visto o original daquela coisa exceto
pelo baixo-relevo de seus sonhos, mas os contornos se
formaram insensivelmente sob suas mãos. Sem dúvi-
da, era a forma gigante de que falou incoerentemente
em seu delírio. Ficou claro que ele não sabia nada do
culto secreto, salvo aquilo que o incansável catecismo
do meu tio deixara escapar, e novamente eu me esfor-
cei para pensar em uma forma como ele poderia ter
recebido aquelas impressões pavorosas.
Ele falava de seus sonhos de uma forma estranha-
mente poética, me fazendo ver com terrível vivacidade
a cidade ciclópica úmida de pedras verdes escorregadias
– cuja geometria, ele estranhamente disse, estava toda
errada – e ouvir com temerosa expectativa o incessante,
e quase mental chamado subterrâneo: “Cthulhu fhtagn”,
“Cthulhu fhtagn”. Essas palavras formaram parte da-
quele medonho ritual que falava da vigília em sonho
do falecido Cthulhu em sua cripta de pedra em R’lyeh,
e eu me senti profundamente comovido apesar de mi-
nhas crenças racionais. Eu estava convencido de que
Wilcox ouvira falar do culto de maneira casual e logo
se esquecera em meio à grande quantidade de leituras
e fantasias igualmente estranhas. Posteriormente, em
virtude de sua impressionabilidade, aquela memória
latente encontrou expressão subconsciente nos sonhos,
no baixo-relevo e na terrível estátua que eu agora obser-
vava, de forma que a sua impostura sobre meu tio tinha
sido muito inocente. O jovem era de um tipo levemente
afetado e rude ao mesmo tempo, o que eu nunca po-
deria gostar, mas estava disposto o bastante agora para
admitir a sua genialidade, assim como também a sua
honestidade. Saí dali amigavelmente, e desejei a ele todo
o sucesso que seu talento promete.
A questão do culto continuava a me fascinar, e, às
vezes, eu tinha visões da fama pessoal pelas pesquisas
sobre sua origem e conexões. Visitei Nova Orleans,
falei com Legrasse e outros participantes daquela
antiga batida de policial, vi a imagem assustadora e
até questionei alguns dos prisioneiros mestiços que
ainda estavam vivos. Infelizmente, o velho Castro fa-
leceu há alguns anos. O que eu ouvia agora de forma
tão vivida em primeira-mão, embora fosse nada mais
do que uma confirmação detalhada do que meu tio
tinha escrito, me animou mais uma vez, pois me pa-
recia que estava no rastro de uma religião muito real,
muito secreta e muito antiga cuja descoberta faria de
mim um renomado antropologista. Minha atitude era
ainda de absoluto materialismo, como eu desejava que
tivesse assim permanecido, e desconsiderei com quase
inexplicável perversidade a coincidência entre as ano-
tações dos sonhos e os estranhos recortes colecionados
pelo Professor Angell.
Uma coisa de que eu comecei a suspeitar, e que
agora temo saber, é que a morte de meu tio esteve
longe de ser natural. Ele caiu em uma ladeira estrei-
ta que levava a um antigo cais repleto de mestiços
estrangeiros, após um empurrão de um marinheiro
negro. Eu não esqueci o sangue mestiço e das ativi-
dades marítimas dos membros do culto em Luisiana,
e não ficaria surpreso em descobrir métodos secretos
e rituais e crenças. É verdade que Legrasse e seus
homens foram deixados em paz, mas, na Noruega,
um marinheiro que viu certas coisas está morto. Será
que as investigações mais aprofundadas de meu tio
depois de encontrar os dados do escultor teriam
chegado a ouvidos mais sinistros? Eu acredito que
o Professor Angell morreu porque sabia demais, ou
porque viria a descobrir mais informações. Se minha
sina será a mesma, ainda não se sabe, mas eu também
tenho muito mais conhecimento agora.
A Loucura Vinda Do Mar Se o céu algum dia desejar me conceder uma ben-
ção, será a de apagar por completo os resultados de um
mero acaso que fixou o meu olho em certo pedaço de
papel na prateleira. Não era nada com que iria natural-
mente me deparar no curso de minha rotina, pois era
apenas uma velha edição de um jornal Australiano, o
Sydney Bulletin, de 18 de abril de 1925. Ele tinha pas-
sado despercebido até para a empresa que na época de
sua publicação coletava avidamente o material para a
pesquisa do meu tio.
Eu já tinha cessado minhas investigações sobre o que
o Professor Angell chamou de “Culto a Cthulhu” e estava
visitando um amigo erudito em Paterson, Nova Jersey,
o curador de um museu local e um mineralogista

Você também pode gostar