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O estudo analisa as políticas públicas de proteção infantil na educação escolar, focando na violência sexual contra crianças e adolescentes e destacando o papel do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A pesquisa, realizada na Secretaria de Educação de Imperatriz-MA, revelou que ações como palestras e capacitações têm sido implementadas para informar alunos e famílias sobre o tema. Os resultados indicam a importância de uma abordagem integrada e contínua para enfrentar a violência sexual no ambiente escolar.

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O estudo analisa as políticas públicas de proteção infantil na educação escolar, focando na violência sexual contra crianças e adolescentes e destacando o papel do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A pesquisa, realizada na Secretaria de Educação de Imperatriz-MA, revelou que ações como palestras e capacitações têm sido implementadas para informar alunos e famílias sobre o tema. Os resultados indicam a importância de uma abordagem integrada e contínua para enfrentar a violência sexual no ambiente escolar.

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POLÍTICAS PÚBLICAS DE PROTEÇÃO INFANTIL NA EDUCAÇÃO ESCOLAR

Matheus Alencar de Sousa1


Rosa de Fátima Tavares Souza 2

RESUMO

O estudo buscou explicar a violência sexual contra crianças e adolescentes trazendo


índices e estatísticas, e percorreu no âmbito legislativo a fim de expor as leis e
órgãos competentes e sua função ao combate dessa violência, tendo dado destaque
ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O objetivo do estudo foi analisar as
políticas públicas de proteção infantil na educação escolar a partir de uma análise
documental na Secretaria de Educação do município de Imperatriz-MA. O trabalho
de pesquisa foi baseado em um método de investigação com abordagem qualitativa
apresentando pesquisa bibliográfica e documental, sendo encontrados autores na
literatura em produções científicas de livros, artigos e dissertações e dados recentes
sobre as políticas públicas adotadas pelas escolas de Imperatriz-MA em se tratando
de violência sexual contra crianças e adolescentes. Os resultados apontaram que o
município de Imperatriz através da Secretaria de Educação, planeja com frequência
ações para trazer esclarecimentos aos alunos sobre a violência sexual, adotando
projetos como palestras, capacitações de professores, participação do conselho
tutelar e Poder Judiciário, o que tem trazido mais informações aos alunos, gestores
e família.

Palavras-chave: Políticas Públicas. Proteção Infantil. Educação Escolar.

ABSTRACT

The study sought to explain sexual violence against children and adolescents by
providing indices and statistics, and went through the legislative sphere in order to
expose the laws and competent bodies and their role in combating this violence, with
emphasis on the Statute of the Child and Adolescent (ECA). The aim of the study
was to analyze public policies on child protection in school education based on a
1
Acadêmico do 10° Período do curso de Direito da Faculdade de Educação Santa Terezinha - FEST
– E-mail: m.allencar77@[Link]
2
Advogada. Orientadora e Docente do curso de Direito da Faculdade de Educação Santa Terezinha –
FEST. E-mail: rosatavaress@[Link]

2
documentary analysis of the Department of Education of the municipality of
Imperatriz-MA. The research was based on an investigation method with a
qualitative approach, featuring bibliographical and documentary research. Authors
were found in the literature in scientific productions of books, articles and
dissertations, as well as recent data on the public policies adopted by schools in
Imperatriz-MA when it comes to sexual violence against children and adolescents.
The results showed that the municipality of Imperatriz, through the Department of
Education, frequently plans actions to clarify sexual violence to students, adopting
projects such as lectures, teacher training, the participation of the Guardianship
Council and the Judiciary, which has brought more information to students,
managers and families.

Keywords: Public policies. Child Protection. School Education.

1 INTRODUÇÃO

Enfrentar a violência sexual contra crianças e adolescentes tem sido um


grande desafio para a sociedade brasileira, e nessa seara, a escola é vista como
espaço privilegiado para o cumprimento de tal tarefa. A violência sexual contra
crianças e adolescentes compreende diversas modalidades, tais como prostituição,
tráfico para fins sexuais (interno e externo), abuso sexual, pornografia infantil etc.
consolidando mais um avanço na legislação brasileira relativo aos direitos da
criança e do adolescente, foi aprovado o Estatuto da Criança e do Adolescente
(ECA), Lei nº 8.069/90. Adotou-se a doutrina de proteção integral como marco
regulador para garantia dos direitos, colocando-os na condição de sujeitos de
direitos e com prioridade absoluta no que concerne à formulação e usufruto das
políticas públicas voltadas a educação.
Portanto, o objetivo do estudo foi analisar as políticas públicas de proteção
infantil na educação escolar a partir de uma análise documental na Secretaria de
Educação do município de Imperatriz-MA. Como objetivos específicos: Identificar a
normativa de proteção da criança e do adolescente no Brasil, caracterizar as
políticas públicas de proteção à criança e ao adolescente contra a violência sexual
no âmbito escolar e elencar as principais ações e projetos, através de uma análise
documental da Secretaria de Educação do município no âmbito escolar.
O trabalho de pesquisa foi baseado em um método de investigação com
abordagem qualitativa apresentando pesquisa bibliográfica e documental, sendo
encontrados autores na literatura em produções científicas de livros, artigos e
dissertações e dados recentes sobre as políticas públicas adotadas pelas escolas de
Imperatriz-MA em se tratando de violência sexual contra crianças e adolescentes

2 NORMATIVA DE PROTEÇÃO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE NO BRASIL

A partir de 1986, diversos grupos organizados da sociedade civil começaram


a se mobilizar para influenciar a Assembleia Nacional Constituinte na adoção de
políticas públicas destinadas à criança e ao adolescente e na luta pela mudança do
sistema, considerado retrógrado e ineficaz. Construíram dois grupos de trabalho
com o objetivo de influenciar o processo de elaboração da nova Constituição
(GADOTTI, 2019).
O primeiro deles foi denominado “Comissão Criança e Constituinte” e o
segundo “Fórum Nacional de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente”.
Neles, participou o Movimento Nacional dos Meninos e Meninas de Rua, a (CNBB)
Confederação Nacional dos Bispos do Brasil, a Associação de Fabricantes de
Brinquedos, entre outros importantes segmentos sociais. Cada grupo apresentou
uma proposta à Assembleia Constituinte, que foi fundida gerando os artigos 227 e
228 da atual Constituição Federal Brasileira:

Art. 227 – É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança


e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à
alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à
dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária,
além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação,
exploração, violência, crueldade e opressão.
Art. 228. - São penalmente inimputáveis os menores de dezoito anos,
sujeitos às normas da legislação especial.

Percebe-se que houve uma grande descentralização das políticas de


proteção à criança e ao adolescente e, inclusive a supressão do termo que tratava o
menor em situação irregular, considerando-se, a criança e ao adolescente, como
pessoas em formação. A partir da regulamentação desses artigos constitucionais, a
doutrina que surge é a de “proteção integral” preconizada pela Organização das
Nações Unidas (ONU), através da Convenção Internacional dos Direitos da Criança
e do Adolescente. De acordo com essa visão, todas as crianças e os adolescentes
devem ser protegidos de forma especial pela família, pela sociedade e pelo Estado,
para que tenham os seus direitos garantidos.
O Estatuto da Criança e do Adolescente, aprovado em 13 de julho de 1990,
teve o papel fundamental de regulamentar a previsão constitucional, instituindo o
Sistema de Garantia de Direitos (SGD) às crianças e aos adolescentes brasileiros,
composto pelas políticas de atendimento, proteção e de justiça (CUSTÓDIO, 2009).
Este ramo jurídico apresenta um viés baseado na centralidade e na
integralidade da criança e do adolescente, a qual se verifica não apenas por
incorporar os substratos da proteção integral, mas também por se voltar para a
garantia dos direitos fundamentais de crianças e de adolescentes pelas três esferas
públicas: executivo, legislativo e judiciário (SOUZA; SERAFIM, 2019).
No art. 1º, o Estatuto expressa a adoção da teoria da proteção integral: “esta
Lei dispõe sobre a proteção integral à criança e ao adolescente” (BRASIL, 1990).
Em seguida, define os critérios legais para a definição entre criança e adolescente.
Conforme o artigo 2º, caput, considera-se criança, para os efeitos desta Lei, a
pessoa até doze anos de idade incompletos, e adolescente aquela entre doze e
dezoito anos de idade.
Ainda nas preliminares, observa-se o direito da criança e do adolescente
perante um sistema de direitos fundamentais, conforme se encontra preconizado no
art. 3º, parágrafo único, do referido documento legal (BRASIL, 1990):

Art. 3° A criança e ao adolescente gozam de todos os direitos fundamentais


inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata
esta Lei, assegurando-se lhes, por lei ou por outros meios, todas as
oportunidades e facilidades, a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico,
mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade
(BRASIL, 1990, p. 72).

No art. 4º, parágrafo único, são apresentadas as formas da prioridade


absoluta, que incluem: primazia de receber proteção e socorro em quaisquer
circunstâncias; precedência de atendimento nos serviços públicos ou de relevância
pública; preferência na formulação e execução das políticas sociais públicas; e
destinação privilegiada de recursos públicos nas áreas relacionadas com a proteção
à infância e à juventude (BRASIL, 1990).
O art. 5º dispõe sobre a proteção especial (BRASIL, 1990), veja-se:

Art. 5° Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de


negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão,
punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus
direitos fundamentais (BRASIL, 1990, p. 82).
Nesse sentido, o ECA, no caput do art. 13, dispõe que em casos que haja
suspeita ou confirmação de maus-tratos deve-se obrigatoriamente ser “comunicados
ao Conselho Tutelar da respectiva localidade, sem prejuízo de outras providencias”.
Assim, em cumprimento ao que se encontra disposto no art. 13 do ECA, os
Conselhos Tutelares, são órgãos que visam à proteção e à defesa dos direitos das
crianças e dos adolescentes, preconizando ainda no art. 132, que em todo o
município brasileiro deverá haver, pelo menos, um conselho Tutelar (ABREU, 2015).
Conforme Brito (2018) a concepção político-social implícita no ECA é a de ser
um instrumento de desenvolvimento social voltado para o conjunto da população
infanto-juvenil (criança e adolescente), garantindo-lhes proteção especial. A visão
que explicita é a de que eles são sujeitos de direitos e pessoas em desenvolvimento.
Institui os denominados mecanismos de participação da sociedade civil no processo
de proteção aos direitos, como os Conselhos de Direitos (órgãos paritários que
envolvem a sociedade civil e o Estado) nas três instâncias da Administração Pública.
Cria nos municípios os Conselhos Tutelares, formados por membros eleitos pela
sociedade local, encarregados de zelar pelos direitos das crianças e dos
adolescentes previstos na legislação.

3 POLÍTICAS PÚBLICAS DE PROTEÇÃO A CRIANÇA E AO ADOLESCENTE


CONTRA A VIOLÊNCIA SEXUAL NO ÂMBITO ESCOLAR

Compreende-se que as redes de proteção integral são articuladas às normas, ações


e instituições que se prestam a assegurar o cumprimento e a exigibilidade dos
direitos instituídos e permitem a responsabilização tanto judicial, administrativa como
social das famílias, do poder público ou da própria sociedade pela não observância a
esses direitos ou pela sua violação; estão no âmbito da defesa dos direitos humanos
e assim congregam o Judiciário, o Ministério Público, as Secretarias de Justiça, os
Conselhos Tutelares e os Órgãos de Defesa da Cidadania.
Dessen (2007) relata sobre a escola no contexto do desenvolvimento humano
segundo as autoras, é também na escola depois do contexto familiar o segundo
meio social que a criança e adolescente é inserido na sociedade, é um espaço de
socialização, aprendizagem e conhecimentos. Esse espaço permite o estudante
desenvolver suas habilidades como trocas de afetos, desenvolver amizades,
formação de vínculos afetivos, é nela que as crianças e adolescentes passam sua
metade de tempo.
A instituição escola segundo Lirio, afirma que:

A escola é uma instituição presente em todos os municípios desse país,


nos lugares de fácil ou de difícil acesso. Ela atende indistintamente a toda
a diversidade cultural e a todos os grupos sociais presentes no território
nacional - à população urbana, do campo, os quilombolas, os indígenas,
os ribeirinhos, entre outros (LOPES, 2021, p. 34).

Nessa perspectiva, é de fundamental importância pensar em possíveis ações


e estratégias a ser desenvolvidas e executadas de prevenção ao enfrentamento à
violência sexual contra crianças e adolescentes usuárias deste Sistema de Garantia
de Direitos de Criança e Adolescentes (SGDCA), no eixo da promoção (JESUS,
2016).
Para tanto, considera-se, que aja adoção de medidas que garantam um olhar
de cuidado de proteção à criança e ao adolescente em desenvolvimento por de
projetos de prevenção ao enfrentamento de forma educativa e como meio de
orientação sobre a temática da violência sexual contra criança e adolescente, pode
ser de grande relevância ao serem desenvolvidos no âmbito escolar, porém com
abrangência de promoção em espaços formativos com toda comunidade escolar,
incluindo os pais e responsáveis (CUSTÓDIO, 2009).
Nesse espaço, os profissionais de educação, juntos com a equipe
multidisciplinar podem pensar em proposta preventiva e educativa ao enfrentamento
a violência sexual contra crianças e adolescentes, devido ser um espaço de trocas e
aprendizagem, onde esse público passa uma parte do tempo; sendo possíveis
assim, descobertas de violações de direitos.
A lei nº 13.935/2019 retrata no seu Art. 1º que “as redes públicas de educação
básica contarão com serviços de psicologia e de serviço social para atender às
necessidades e prioridades definidas pelas políticas de educação, por meio de
equipes multiprofissionais” essa é uma realidade que precisa ser implementada na
educação em muitas escolas públicas brasileira (BRASIL, 2013).
Trabalhar no sentido de educar para a cidadania requer uma ação persistente
e de investimento nos espaços de participação coletiva. Por conta de tantos
prejuízos que as diversas formas de violência causam ao desenvolvimento de
crianças e adolescentes, dentro e fora da escola, torna-se necessária a promoção
de capacitação profissional de docentes, supervisores, gestores e demais
funcionários da educação para lidar com essa problemática.
Percebe-se também a importância do “Projeto Escola que Protege” faz parte
da rede de proteção de crianças e adolescentes instituídos pelos Conselhos
Tutelares dos municípios brasileiros. Essa intervenção visa, uma maior aproximação
entre o poder público, criança/adolescente, escola e familiares, com o propósito de
desenvolver ações em sala de aula que tragam a temática da violência sexual.
Nesse contexto, compreende-se que não são ações pontuais e isoladas realizadas
pela escola que irão dar conta da complexidade exigida ao enfrentamento da
violência sexual contra crianças e adolescentes (DIAS, 2021).
Qualquer ação realizada na escola deve levar em conta um contexto mais
amplo, onde haja uma busca perseverante de um alto nível de organização,
coordenação e interação entre as diferentes instituições que trabalham com esse
fenômeno ocorrendo assim a busca por um trabalho em rede. A rede de proteção
como Faleiros (1999) diz, é uma forma de fazer com competência.
É uma articulação de atores em prol de uma questão ao mesmo tempo
política, social, profundamente complexa e processualmente dialética. Trabalhar em
rede é muito mais difícil do que empreender a mudança de comportamento. Não se
podem delegar todas as responsabilidades à educação, mas sem dúvida, o valor
das suas contribuições tais como: cuidar, ouvir, observar e dar atenção às palavras
escritas, desenhos e ou às verbalizações para conhecer e entender as realidades
dos alunos são atitudes que fazem toda a diferença no que se refere às evidências
de que uma criança ou um adolescente sofre violência sexual (GONÇALVES, 2018).
Considera-se que não basta reconhecer, constatar ou identificar, é preciso
agir. Azevedo (2007) expõe três compromissos básicos de um profissional. Primeiro
é preciso acreditar na palavra da criança ou do adolescente; segundo é preciso
proteger a vida da criança ou do adolescente; e terceiro, é preciso ter compromisso
com a criança e com o adolescente.

3 RESULTADOS E DISCUSSÕES
A presente pesquisa foi realizada junto a Secretaria Municipal de Educação
(SEMED) na cidade de Imperatriz-MA, para análise das políticas públicas adotadas
nas escolas municipais em se tratando de educação sobre a violência sexual contra
crianças e adolescentes.
Destaque-se ainda que segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE) censo de 2023 o total de alunos matriculados é de 33.090 em
atividade curriculares e complementares, a saber: no ensino fundamental e médio,
recreação/lazer/brinquedoteca, matemática, e letramento, e que participam de
projeto Mais Educação, que conforme o documento Passo a Passo,

Esse Programa nasce com a premissa da construção de uma ação


intersetorial envolvendo as políticas públicas educacionais e sociais,
objetivando, desse modo, contribuir para a diminuição das desigualdades
educacionais e para a valorização da diversidade cultural brasileira.
(BRASIL, 2023d, p. 4).

Entre os parâmetros para participação no projeto, a Secretaria Municipal de


Educação (SEMED) entre outros órgãos educacionais, leva em consideração o
número e nível de vulnerabilidade social e baixo Índice de Desenvolvimento Escolar
no Brasil (IDEB) por parte das escolas. Em relação ao IDEB das escolas municipais
do município em estudo, nota-se o quadro a seguir:

Quadro 01: Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) das escolas de


Imperatriz-MA.
1º ano ao 9º IDEB OBSERVADO
Ensino 2019 2020 2021 2022 2023
fundamental 7,2 9,8 11,3 11,9 12, 1
METAS PROJETADAS
2019 2020 2021 2022 2023 2024 2025 2026 20127
6,1 8,6 9,3 10,9 11, 3 12,4 13,5 14,9 15,2
1º ano ao 3º IDEB OBSERVADO

Ensino médio 2019 2020 2021 2022 2023


7,1 9,2 10,3 11,6 12,7
METAS PROJETADAS
2019 2020 2021 2022 2023 2024 2025 2026 20127
7,4 9,3 11,1 12,7 13,3 13,9 14,5 14,9 15,01
Fonte: Adaptado de SEDUC (2023).

Em comparação ao IDEB do Município, apresentados nas escolas


observamos que as instituições apresentam indicadores semelhantes no que diz
respeito ao cumprimento da meta correspondente há 1º/9º ano do ensino
fundamental, e o não cumprimento da meta correspondente há 1º/3º ano do ensino
médio. Ressalta-se que o público alvo das escolas, em sua maioria, constitui-se de
filhos de trabalhadores e profissionais que atuam na informalidade, sendo que parte
destes residem na zona urbana e em regiões periféricas.
Destaca-se (SEDUC/IMP, 2023) que as escolas atuam no sentido de pautar
sua ação educativa adotando as seguintes diretrizes: Ética: seriedade e
compromisso na ação educativa; Igualdade: não fazendo distinção de raça, cor,
religião e posição social; Inovação: Aproximando sempre que possível as atividades
escolares da realidade; Respeito: Procurando sempre fazer com que a dignidade e o
respeito sejam cumpridos; Participação: Integrando a comunidade escolar em toda
atividade proposta pela escola; Transparência: planejamento participativo
As diretrizes apresentadas representam os eixos que regem a prática
educativa da escola, e para isso sua materialização é pautada nas ações com os
temas a seguir: Valores para viver e conviver; Compromisso de todos; Meio
Ambiente: cuidar é a melhor forma de preservar; Sexualidade (trabalhando nas
formas, nas aulas e individualmente); Formação com educadores; Reconciliação
através do perdão (Este trabalho é realizado com a direção escolar nos momentos
oportunos); Sala de vídeo: portas abertas para informações necessárias. Tem como
objetivo transformar os horários vagos em momentos ricos de informações e
reflexões;
Em comparação ao município de Imperatriz outras ações são observadas em
escolas municipais da cidade de São José dos Campos-SP, dentre eles estão, o
Projeto primavera: Educação, Saúde e lazer; Alimentação saudável; Gentileza gera
gentileza; Projeto literário baseado nos anos 1960, 1970, 1980 e 1990 com
pretensão de culminar no mês de dezembro. Pretende-se trabalhar a
interdisciplinaridade envolvendo as três áreas: humanas, línguas e exatas
(SANTOS, 2019).
Quanto ao tema da sexualidade, pode ser observada a existência de 03 (três)
estratégias de atuação: Nas formas, nas aulas e individualmente. As formas
constituem-se em momentos cívicos que reúnem a comunidade escolar para cantar
o hino nacional, entre outras ações patrióticas. Na oportunidade, em caso de
necessidade, são abordados temas pertinentes
A SEDUD/IMP estabelece diretrizes voltadas para os diversos setores do
poder público e sociedade civil com o objetivo de desenvolver ações articuladas em
rede, sendo que a escola tem papel estratégico nessa seara. As diretrizes são
estruturadas a partir dos seguintes eixos: Prevenção; Defesa e responsabilização;
Comunicação e mobilização; Participação e protagonismo; e estudos e pesquisas.
Entre as principais ações voltadas para escola no eixo Prevenção, temos (Brasil,
2013c),
O projeto Escola que protege, criado em 2004, surge como estratégia de
formação continuada voltada para os profissionais da educação básica, tendo em
vista sua atuação na rede de proteção da criança e do adolescente e no
enfrentamento à violação dos seus direitos o que é abordado no Estatuto da Criança
e Adolescente e Implantado pela secretaria de Educação de Imperatriz, conforme é
abordado no quadro 02

Quadro 02 – Diretrizes para os diversos saberes


Diretrizes
autodefesa é um instrumento importante de prevenção;
Sexualidade Os direitos sexuais devem ser ensinados a crianças e
adolescentes para que seu desenvolvimento seja
saudável e integral;
Debate o debate sobre o atendimento psicossocial dos
autores de violência é fundamental para quebra do
ciclo de reprodução da violência
Fonte: MEC (2014).
O Guia Escolar contendo essas informações consta no documento 002/2004
da SEDU/CIMP que busca orientar de forma didático-pedagógica acerca do
enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes, tornando mais
acessíveis informações sobre esse tema para subsidiar as ações preventivas no
âmbito escolar. Assim, seu conteúdo é estruturado a partir das seguintes linhas de
ações educativas citadas no quadro acima.
O foco das ações de enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e
adolescentes se concentram no período correspondente às campanhas, coordenada
pelo Centro de Referência Especializado em Assistência Social – CREAS em
parceria com a SEDUC/IMP, tendo ainda indicação de abordagem do tema
Sexualidade de forma transversal e como conteúdo da disciplina de ciências,
biologia e sociologia.
O aspecto mobilização social pode ser observada a partir da expressiva
participação na campanha anual na cidade de Imperatriz-MA. Sabe-se que as
campanhas possuem o seu papel no processo de articulação dos setores sociais, e
nesse caso, foi constatado que as escolas da rede municipal estão inseridas neste
momento de mobilização. Nota-se o quadro 3 a seguir,

Quadro 03 – planejamento das ações


Escolas Ações Tema Organização Público
alvo
Escola Municipal Palestra; Dia Nacional Escolas; Estudantes
Afonso Pena; Campanha; de SEMED/IMP; do ensino
EM DE 1 grau Passeata; enfrentament CRAS; fundamental
Princesa IzabeL Gincana; o a Violência Conselho e médio do
Escola Municipal Minicurso; Sexual Contra Tutelar; município
Tocantins; Oficinas. Crianças e PM; de
Em de ens. Adolescentes Promotoria; Imperatriz-
fundamental Ipiranga; - 18 de maio MA.
Em Dom Joao VI;
Em Giovanni Zanni;
Em Hebe Cortez;
Em Juscelino
Kubitschek
EM Nsª Srª de
Nazare;
Em Paulo Freire;
Em Pedro Abreu
Em Pres. Costa e
SIlva.

Fonte: SEDUC/IMP. (2023)

Como observado na tabela acima, doze escolas da sede do município


informaram sobre sua participação na campanha, o que demonstra certo poder de
articulação de escolas e setores sociais nesse período. Tem-se aqui um passo dado,
porém a articulação entre organismos com diferentes funções, poderes e recursos
pode ser uma tarefa de alta complexidade. A construção das redes exige, portanto,
muita habilidade, flexibilidade e persistência.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A construção de uma pesquisa acadêmica no âmbito da Violência Sexual


Contra Crianças e Adolescentes constituiu-se como uma experiência desafiadora.
Desafio este que nos revela que a existência deste tipo de violação de direitos
demonstra que a sociedade e o poder público brasileiros não têm sido eficientes no
cumprimento do seu compromisso para com a proteção deste público.
O Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes
representa uma segunda oportunidade que a sociedade e o poder público recebem
para a efetivação do seu papel na proteção destes sujeitos em desenvolvimento.
Temos consciência que, uma vez violentados em seus direitos, o processo de
resgate de sua cidadania se tornar ainda mais complexo.
O ponto de partida e de chegada deste trabalho é a realidade em que se
configura o enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes no
contexto da escola básica. Vale destacar, novamente, sua importância na luta pela
garantia e preservação de direitos, tendo em vista o seu papel de formadora para o
desenvolvimento pleno e exercício da cidadania.
Os resultados apontaram que o município de Imperatriz através da Secretaria
de Educação, planeja com frequência ações para trazer esclarecimentos aos alunos
sobre a violência sexual, adotando projetos como palestras, capacitações de
professores, participação do conselho tutelar e Poder Judiciário, o que tem trazido
mais informações aos alunos, gestores e família.

REFERÊNCIAS

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[Link] Acesso em: 18
setembro de 2023.
BRASIL. Ministério da Educação. Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais da
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infância, 2015. Disponível em: [Link]
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DESSEN, Auxiliadora. A família e a escola como contexto de desenvolvimento
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Construindo uma história: tecnologia social de enfrentamento à violência sexual
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