Universidade Católica de Moçambique
Instituto de Educação à Distância
Tema do Trabalho: Direitos Sexuais e Reprodutiva,
Gravidez Indesejada no contexto Moçambicano (olhando para zonas Rurais).
Nome e Código do Estudante: Telma Cristina António Soto - 708222735
Curso: Biologia
Disciplina: HIV/SIDA
Ano de Frequência: 2º
Tete, Setembro, 2023
Classificação
Categorias Indicadores Padrões Nota Su
Pontuação
do bto
máxima
tutor tal
Índice 0.5
Aspectos Introdução 0.5
Estrutura organizacionai Discussão 0.5
s Conclusão 0.5
Bibliografia 0.5
Contextualização
(Indicação clara do 2.0
problema)
Introdução Descrição dos
1.0
objectivos
Metodologia adequada
2.0
ao objecto do trabalho
Articulação e domínio
do discurso académico
Conteúdo (expressão escrita 3.0
cuidada, coerência /
Análise e coesão textual)
discussão Revisão bibliográfica
nacional e internacional
2.0
relevante na área de
estudo
Exploração dos dados 2.5
Contributos teóricos
Conclusão 2.0
práticos
Paginação, tipo e
Aspectos tamanho de letra,
Formatação 1.0
gerais paragrafo, espaçamento
entre linhas
Referência Normas APA
Rigor e coerência das
s 6ª edição em
citações/referências 2.0
Bibliográfi citações e
bibliográficas
cas bibliografia
Conteúdo
I. Introdução............................................................................................................................ 4
1.1. Definição do problema de pesquisa ............................................................................. 5
1.2. Objectivos do Estudo ................................................................................................... 6
1.2.1. Geral ..................................................................................................................... 6
1.2.2. Específicos ............................................................................................................ 6
1.3. Justificativa .................................................................................................................. 6
1.4. Hipóteses ...................................................................................................................... 7
1.4.1. Geral ..................................................................................................................... 7
1.4.2. Especificas ............................................................................................................ 7
II. Fundamentação teórica da pesquisa ................................................................................ 8
2.1. O que são os Direitos Sexuais e Reprodutivos ................................................................ 8
2.2. Mulheres e maternidade ................................................................................................. 12
2.3. Instrumentos internacionais de protecção aos direitos sexuais e reprodutivos .............. 13
2.4. Instrumentos Moçambicanos de protecção aos direitos sexuais e reprodutivos ............ 14
2.5. Direitos sexuais e reprodutivos em Moçambique .......................................................... 15
[Link] de Género. ...................................................................................................... 15
2.7. Gravidez indesejada ....................................................................................................... 16
2.8. Formas de Violência dos direitos sexuais e reprodutivos .............................................. 17
2.9. Medidas a serem tomadas para reduzir a violência dos direitos sexuais e a gravidez
precoce. ................................................................................................................................. 17
III. Conclusão ...................................................................................................................... 18
IV. Referências Bibliográficas ............................................................................................. 19
4
I. Introdução
A problematização da formulação e implementação das acções públicas é fundamental para a
compreensão das nossas sociedades e para o exercício democrático, onde cada vez
mais, fazer política, consiste em fazer políticas públicas. Estas materializam a acção
governamental sobre um sector da sociedade, mas também são o terreno onde as
sociedades definem sua relação com o mundo e com elas mesmas, seus membros e
relações intrínsecas.
As políticas de saúde tratam historicamente a sexualidade e a reprodução através de
pressupostos heterossexuais dos campos jurídico, psicológico, da sexologia e de teorias do
parentesco. Realidade desconstruída com a problematização das categorias normativas de
género, de onde se organizam a pauta dos direitos reprodutivos e sexuais.
As organizações coletivas em prol das PVH questionam a ideia de grupo de risco atrelada à
comunidade gay e contribuem para a compreensão de que a infecção é capaz de
atingir toda a população. Nesse movimento, as pessoas diagnosticadas com HIV
passaram a assumir-se enquanto sujeitos políticos e sociais com voz e interesses
próprios, o que conduz a um processo colectivo de tornar-se sujeito visível e de
direitos (Ávila, 2003; Carrara, 2013).
O presente trabalho diz respeito ao desenvolvimento detalhado sobre o tema “Direitos Sexuais
e Reprodutiva, Gravidez Indesejada no contexto Moçambicano (olhando para zonas Rurais)”.
Para a sua materialização, recorreu-se à consulta de obras e artigos antes já publicados,
recorrendo à pesquisa bibliográfica.
O trabalho apresenta a seguinte estrutura organizativa: Introdução, Definição do problema,
objectivos, justificativa, hipóteses, Marco teórico, Conclusão e Referências Bibliográficas.
5
[Link]ção do problema de pesquisa
Os direitos sexuais e reprodutivos de crianças e adolescentes são amplamente reconhecidos,
como será visto adiante, por meio de Conferências Internacionais das quais o Brasil é
signatário. Apesar disso, a temática é complexa e contraditória. A própria noção de
infância/adolescência é uma construção social e cultural que pode variar grandemente no
tempo histórico ou entre as culturas, podendo variar também a partir de factores, como a
classe social. Os limites convencionados social e culturalmente para delimitar as fases da vida
vão incidir no momento considerado adequado para a criança receber as informações sobre
sexualidade e reprodução, bem como para a anuência ou não da prática sexual.
As questões e discussões referentes ao exercício da sexualidade e da reprodução humana
atravessaram todo o século XX com marcos internacionais importantes, entre eles, as três
Conferências Internacionais da Mulher (México, 1975, Copenhague, 1980, Nairóbi, 1985). A
Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento, no Cairo, em 1994, pautou os
direitos reprodutivos, incluindo os adolescentes e atentando no item 'e' do capítulo VII para o
fato de que, enquanto grupo, os adolescentes são particularmente vulneráveis e ignorados
pelos serviços de saúde reprodutiva.
Nas zonas rurais de Moçambique, vive-se um cenário bastante delicado, pois, os direitos
sexuais e reprodutivos têm sido gravemente violados. Põe esta e outras razões, o índice dos
casamentos prematuros ainda prevalece alto, embora alguns relatórios sobre o tema indiquem
uma redução que, está longe de ser superada.
Moçambique é dos países com mais alta taxa de mortalidade materna no mundo, revelando
desta forma as fragilidades e inequidades do sistema de saúde, assim como do Estado
moçambicano em responder as necessidades das mulheres em matéria de saúde. A taxa de 408
por 1000005 nascimentos é também um indicador da desigualdade social e injustiça social
que as mulheres sofrem. Onde o aborto inseguro contribui com 11% de mortes maternas, em
resultado das restrições legais e políticas para o acesso aos serviços de aborto seguro. Dados
do IDS, 2011 revelam ainda que somente 12% das mulheres moçambicanas tiveram as suas
necessidades satisfeitas de planeamento familiar, contrariando deste modo o progresso
alcançado em 2003 de 17%6, (Fórum da Mulher em Moçambique, 2017).
Face a estas e várias outras situações, pode-se colocar a seguinte questão: “quais são as
principais causas da violação dos direitos sexuais e reprodutivos em zonas rurais de
Moçambique?”
6
[Link] do Estudo
1.2.1. Geral
Conhecer as principais causas de violação dos direitos sexuais e reprodutivos de
Moçambique
1.2.2. Específicos
Identificar os principais direitos sexuais e reprodutivos;
Descrever as formas possíveis de violação dos direitos sexuais e reprodutivos
Propor medidas para salvaguardar direitos sexuais e reprodutivos, reduzindo a
gravidez indesejada.
[Link]
Os direitos sexuais e reprodutivos e a saúde reprodutiva são temas que começaram a ganhar
força na década de 60, período em que são promovidas internacionalmente as políticas de
planejamento familiar. Entretanto, é muito importante reconhecer que a luta pelos direitos das
mulheres já se iniciava no século 19 e na primeira metade do século 20, época em que o
movimento de mulheres já lutava pela igualdade, com ênfase nos direitos à educação e ao
voto.
Os Direitos humanos das mulheres incluem seu direito de controle e decisão,
de forma livre e responsável, sobre questões relacionadas a sexualidade,
incluindo-se a saúde sexual e reprodutiva, livre de coerção, discriminação e
violência. A igualdade entre mulheres e homens no que diz respeito à relação
sexual e reprodução, incluindo-se o respeito à integridade, requer respeito
mútuo, consentimento e divisão de responsabilidades pelos comportamentos
sexuais e suas consequências (Dias, 2004, p.45).
Os direitos reprodutivos e os direitos sexuais são inseparáveis, já que garantem o livre
exercício da sexualidade e a autonomia para as decisões das pessoas no que se refere à vida
sexual e à reprodução, bem como assumir as responsabilidades dessas decisões.
Prevalecendo a situação de violação dos direitos sexuais e reprodutivos desde os primórdios,
torna o tema ainda aberto, chamando atenção à sociedade, da necessidade de aprofundar cada
vez mais o tema, de modo a trazer soluções prevalecentes. No entanto, tratando-se de uma
tema ainda aberto e a autora fazendo parte da sociedade e vivendo de perto algumas situações
concretas, sentiu a necessidade de fazer esta pesquisa e trazer soluções que se podem juntar às
7
outras já apresentadas por outros autores em volta da matéria. É um tema que preocupa a
sociedade em geral e em particular à de Moçambique.
[Link]óteses
1.4.1. Geral
A insuficiência da informação constante, através de palestras em locais públicos, pode
contribuir para a violação dos direitos sexuais e reprodutivos, contribuindo desta
forma, para o aumento de gravidezes precoces.
1.4.2. Especificas
O desconhecimento dos direitos sexuais e reprodutivos, pode concorrer para a não
exigência dos mesmos;
Descrevendo as formas de violação dos direitos sexuais, desperta a atenção das
vítimas e assim, a consequente denúncia em caso de acontecer;
Propondo as medidas para salvaguardar os direitos sexuais e reprodutivos, pode
permitir a sua exploração e consequente redução de casos de gravidez indesejada.
8
II. Fundamentação teórica da pesquisa
A boa saúde sexual e reprodutiva é um estado de completo bem-estar social, físico e mental
em todos os aspectos relativos ao sistema reprodutivo. Isso significa que as pessoas são
capazes de ter uma vida sexual satisfatória e segura, a capacidade de se reproduzir, bem como
a liberdade para decidir quando e quantas vezes para fazê-lo.
Para manter a saúde sexual e reprodutiva, as pessoas precisam ter acesso à informação precisa
e aos métodos contraceptivos seguros, eficazes, acessíveis, aceitáveis e à sua escolha. Devem
ser informadas e capacitadas para se proteger de infecções sexualmente transmissíveis. E
quando elas decidem ter filhos, as mulheres devem ter acesso aos serviços que podem ajudá-
las a ter uma gravidez e parto seguro e um bebé saudável.
Cada indivíduo tem o direito de fazer suas próprias escolhas sobre sua saúde sexual e
reprodutiva. O UNFPA, juntamente com uma vasta gama de parceiros, trabalha para alcançar
a meta de acesso universal à saúde e direitos sexuais e reprodutivos, incluindo o planeamento
familiar.
2.1. O que são os Direitos Sexuais e Reprodutivos
Os direitos sexuais e reprodutivos estão sob o “guarda-chuva” do direito à saúde, pois são
fundamentais para o bem-estar físico, emocional, mental e social das pessoas. Direitos sexuais
e reprodutivos são direitos humanos, ou seja, direitos básicos que devem ser assegurados a
todos os seres humanos, sem distinção de situação social, raça/cor, nacionalidade, cultura,
religião, género, orientação sexual ou qualquer outro aspecto.
Historicamente, esses direitos começaram a ser discutidos a partir de políticas – geralmente
coercitivas – elaboradas pelo poder público para decidir aspectos como o número de filhos
que uma mulher/um casal poderia ter. É o caso da China que, a partir da década de 1970,
implementou uma política de controle da natalidade. A justificativa para a decisão foi uma
preocupação com a chamada “explosão demográfica” ou “explosão populacional” do país.
Fundo de População da ONU (UNFPA). Situação da População Mundial 2019 - Um Trabalho
Inacabado: a busca por direitos e escolhas para todos e todas. Disponível em:
[Link]
A partir de reivindicações ligadas principalmente aos movimentos de mulheres e de saúde
pública, o entendimento de que as escolhas referentes ao corpo e à reprodução são de cunho
pessoal ganha espaço. Assim, crescem as iniciativas voltadas para o planejamento reprodutivo
voluntário, que conferem às mulheres/aos casais a possibilidade de decidir de forma autônoma
9
e responsável, a partir de informações qualificadas, sobre a composição de suas famílias,
incluindo a escolha sobre ter ou não ter filhos, bem como a quantidade e o espaçamento entre
eles.
“Direitos sexuais, são direitos a uma vida sexual com prazer e livre de discriminação”.
Incluem o direito: − de viver a sexualidade sem medo, vergonha, culpa, falsas crenças e
outros impedimentos à livre expressão dos desejos. − de viver a sua sexualidade independente
do estado civil, idade ou condição física. − a escolher o/a parceiro/a sexual sem
discriminações; e com liberdade e autonomia para expressar sua orientação sexual se assim
desejar. − de viver a sexualidade livre de violência, discriminação e coerção; e com o respeito
pleno pela integridade corporal do/a outro/a. − praticar a sexualidade independente de
penetração. − a insistir sobre a pratica do sexo seguro para prevenir gravidez não desejada e
as doenças sexualmente transmissíveis, incluindo HIV/AIDS. − à saúde sexual, o qual exige o
acesso a todo tipo de informação, educação e a serviços confidenciais de alta qualidade sobre
sexualidade e saúde sexual.”
SOS CORPO – GÉNERO E CIDADADINA. Conversando sobre direitos sexuais e
reprodutivos. Série saúde preventiva. Disponível em:
[Link] Acesso em 23 de Setembro de 2023.
Segundo Dias (2004), ao falar de livre exercício da sexualidade, significa que as pessoas tem
que ter informações e condições de direitos para tomar decisões e assumir suas
responsabilidades, baseadas numa ética pessoal e numa ética social, que assegurem a sua
integridade e a sua saúde. Aqui está a importância de discutir as questões de género, já que em
nossa opinião, o pleno exercício dos direitos sexuais e reprodutivos só é possível se existirem
relações igualitárias entre homens e mulheres, Consequentemente, uma pessoa que consegue
tomar decisões sobre si mesma, sobre seu próprio corpo, poderá tomar também decisões
colectivas, decisões como cidadã. Entretanto, é importante reconhecer que a origem dos dois
termos: “direitos reprodutivos” e “direitos sexuais”, é diferente. A etimologia do termo
“direitos reprodutivos”, provém dos grupos de mulheres e não de um marco de referência
institucional. O conceito de direitos reprodutivos está vinculado à luta pelo aborto seguro e
legal, e pelo direito de escolha anticoncepcional.
O conceito de “direitos sexuais” é o resultado de mudanças políticas e culturais das
sociedades e tem sido formulado por duas frentes: de um lado, pelas fortes reflexões
feministas vinculando sexualidade, reprodução, desigualdades e iniqüidades entre os sexos,
10
principalmente nos movimentos dos Estados Unidos, Europa e América Latina, que levaram à
formulação do conceito de autodeterminação sexual.
A discussão dos direitos reprodutivos no âmbito dos direitos humanos significou um avanço
no sentido de que não importava o sexo/género da pessoa, sua religião, idade, raça/etnia,
grupo social de pertença e, sim, que qualquer um deve ser reconhecido como sujeito de
direitos neste campo e deveria ter asseguradas as condições para o exercício pleno destes
direitos.
No processo de consolidação do conceito de direitos reprodutivos, foram de grande relevância
as grandes conferências organizadas pela ONU, na década de 90: a Conferência Internacional
de População e Desenvolvimento, realizada no Cairo, em 1994 e a IV Conferência Mundial
Sobre a Mulher, realizada em Beijing, em 1995. Através delas, as reivindicações dos
movimentos das mulheres tiveram o alcance institucional necessário para expandir suas idéias
aos campos de intervenção na área da saúde reprodutiva.
Destaca-se, como marco principal, a conferência realizada no Cairo, por ter proposto a
superação da perspectiva de saúde reprodutiva que enfatiza o controle da natalidade, além de
ter reconhecido a sexualidade enquanto uma esfera positiva da atuação humana (Barzelatto,
1998) que inclui sexo, identidades e papéis de género, orientação sexual, erotismo, prazer,
intimidade e reprodução (WHO, 2002).
Segundo a definição adotada pela Organização Mundial de Saúde (WHO, 2002), os direitos
sexuais seguem os direitos humanos que já são reconhecidos pelas leis e documentos
internacionais consensuais. Eles incluem o direito de todas as pessoas e repudiam qualquer
forma de coerção, discriminação ou violência, devendo ser protegidos e respeitados
Pode-se afirmar, segundo Foucault, que a partir do século XVIII surge uma série de
dispositivos na tentativa de racionalizar os problemas colocados à prática governamental
pelos fenômenos próprios a uma população: saúde, higiene, natalidade etc. (FOUCAULT,
1994, p.125).
A biopolítica surge, então, como uma forma de governamentalidade, ou seja, como uma série
de técnicas e procedimentos destinados a dirigir a conduta de homens, mulheres, crianças,
almas... No entanto, como levar em conta estes fenômenos em um sistema que, ao menos em
tese, baseava-se no respeito ao sujeito de direito e à liberdade de iniciativa dos indivíduos: o
liberalismo?
11
Entram em cena aqui o que Foucault chamou de “técnicas de si”, ou seja, “procedimentos,
pressupostos ou prescritos aos indivíduos para fixar sua identidade, mantê-la ou transformá-la
em função de determinados fins, e isso graças a relações de domínio de si sobre si ou de
conhecimento de si por si” (FOUCAULT, 1994, p. 213).
Trata-se de “conhecer-se a si mesmo” ou “governar-se”, ou seja, o governo de si por si na sua
articulação com relação ao outro, como no caso da pedagogia, da prescrição dos modelos de
vida (como no campo da saúde), da orientação espiritual, e assim por diante (FOUCAULT,
1994, p. 214).
No caso dos adolescentes, pode-se acompanhar o cruzamento do bipoder/biopolítica -
controle sobre as populações adolescentes através de mecanismos prescritivos e normativos,
uma vez que os adolescentes ainda não são capazes de se governarem, e, as tecnologias de si -
inquisição do sujeito no sentido da reflexão sobre os modos de vida, de regular a sua conduta
de si, de fixar a si mesmo meios e fins (FOUCAULT, 1994, p. 215).
O discurso da saúde pública oscila entre estas duas tendências fundamentais, amparado, entre
outras áreas pela Psicologia que, em seus trabalhos, ainda mantém a concepção de fase de
transição, moratória e crise a respeito da adolescência.
Diante da invenção do sexo, ou seja, da tomada do sexo como algo que, assim como o género,
também é culturalmente construído, a conceituação do género simplesmente como algo que se
opõe ao sexo é insuficiente.
A interpretação estruturalista, embora não desconsidere a oposição entre natureza e cultura,
leva em conta a construção cultural do sexo. Ademais, compreende que os géneros feminino e
masculino não só são opostos (e complementares), mas hierarquicamente diferentes. Essa
hierarquia, que coloca o masculino como o pólo valorado, expressando relações de poder e
produzindo dominação, seria algo também inerente à estrutura de género.
A distinção entre sexo e género, segundo Butler (2003, p. 24), teria sido concebida para
questionar o destino biológico, atendendo à tese de que, ainda que o sexo possa parecer uma
certeza biológica, o género é um construto social, ou seja, “não é nem o resultado causal do
sexo, nem tampouco tão aparentemente fixo quanto o sexo”. Logo, enquanto significado
cultural assumido pelo corpo sexuado, o género não necessariamente decorre de um sexo, já
que a distinção sexo/género sugeriria uma separação total entre corpos sexuados e géneros
construídos socialmente.
12
A opressão de género, conforme Oliveira (2003, p. 350), diz respeito à opressão dos
indivíduos do sexo feminino, bem como ao questionamento dos privilégios atribuídos aos
indivíduos do sexo masculino “advindos das relações assimétricas entre os géneros e das
relações de poder delas decorrentes”.
Louro (1997, p. 21) argumenta que, ao dirigir o foco para o caráter “fundamentalmente
social”, não se pretende negar a biologia, pois o género se constitui sobre corpos sexuados.
Buscase, contudo, enfatizar a construção social e histórica produzida sobre as características
biológicas. Recoloca-se o debate no campo do social, pois é nele que se constroem e se
reproduzem as relações desiguais entre os sujeitos.
2.2. Mulheres e maternidade
Tratando-se de direitos sexuais e reprodutivos e de mulheres, e partindo-se de uma
perspectiva de género, não se poderia deixar de considerar a questão da maternidade, já que
esse processo é tido como uma das constituintes do género feminino. Enquanto processo
biológico que, até o presente momento, é exclusivo das mulheres, é representado como um
locus de domínio da natureza, o que poderia engendrar sua significação como o centro da vida
das mulheres, os sacrifícios por que elas deveriam passar em prol do exercício desse destino,
bem como denotar a idéia de aborto como uma negação de todo o exposto e,
conseqüentemente, do papel social de género atribuído às mulheres.
Em primeiro lugar, cabe traduzir aqui a ideologia segundo a qual a maternidade, com suas
alegrias e seus sacrifícios, centralizaria a vida feminina. “Em vez de instinto, não seria melhor
falar de uma fabulosa pressão social para que a mulher só possa se realizar na maternidade?”
(BADINTER, 1985, p. 355). Disso decorreriam todos os cuidados que a mulher deveria ter
durante a gestação, assim como toda a doação necessária aos filhos após o seu nascimento.
Cabe também mencionar a restrição ao domínio privado ou, o que ocorre a partir do século
XIX, como uma forma de inserção no âmbito público, por meio da compreensão de que a
maternidade não é algo circunscrito à mulher, mas de interesse estatal.
A reprodução do discurso da maternidade como característica central da vida das mulheres foi
identificada, ainda, “como a fonte de inúmeras dificuldades que as mulheres tiveram de
enfrentar para desenvolver suas várias capacidades como pessoas e ter condições de exercer
uma ampla gama de direitos humanos reconhecidos independentemente do sexo dos
indivíduos” (PEREA, 2003, p. 365). “Em vez de instinto, não seria melhor falar de uma
13
fabulosa pressão social para que a mulher só possa se realizar na maternidade?” (BADINTER,
1985, p. 355).
Apesar desse caráter central na vida das mulheres, ou justamente devido a isso, a experiência
da gestação pode ser descrita com significações diferenciadas, que compreendem os
sentimentos opostos envolvidos, resultantes também da socialização desse processo. Sobre a
experiência da gestação, com sua significação ambígua, descreve Beauvoir (1980, p. 262):
a gravidez é principalmente um drama que se desenrola na mulher
entre si e si; ela sente-o a um tempo como um enriquecimento e uma
mutilação; o feto é uma parte de seu corpo e um parasita que a
explora; ela o possui e é por ele possuída; ele resume todo o futuro e,
carregando-o, ela sente-se ampla como o mundo; mas essa própria
riqueza a aniquila: tem a impressão de não ser mais nada. Uma
existência nova vai manifestar-se e justificar sua própria existência;
disso ela se orgulha, mas sente-se também o joguete de forças
obscuras, sacudida, violentada. O que há de singular na mulher
grávida é que, no mesmo momento em que se transcende, seu corpo é
apreendido como imanente: encolhe-se em si mesmo, em suas náuseas
e seus incômodos; deixa de existir para si só e é quando se faz mais
volumoso do que nunca. [...] na futura mãe abole-se a oposição sujeito
e objeto; ela forma, com esse filho de que se acha prenhe, um casal
equívoco que a vida submerge; presa às malhas da Natureza, ela é
planta e animal [...]; [...] ela é um ser humano, consciência e liberdade,
que se tornou um instrumento passivo da vida, (1980, p. 262).
Tem-se que, para Beauvoir, a gravidez é tida como um drama, com fortes traços de
ambivalência: o feto é parte da mulher e algo estranho a ela, o ventre está entre “a vastidão do
mundo e o nada, entre o ser e o não-ser”, afirma JOAQUIM (1999, p. 187). Por isso, a
filósofa francesa teve que enfrentar a questão de como romper com a visão predominante das
mulheres como mães.
2.3. Instrumentos internacionais de protecção aos direitos sexuais e reprodutivos
Por meio da noção de direitos sexuais e reprodutivos, percebe-se que a necessidade de
proteção da saúde sexual e reprodutiva consiste numa questão de justiça social, podendo ser
tratada pela aplicação progressiva tanto dos direitos humanos previstos nas Constituições,
quanto dos tratados internacionais de direitos humanos (COOK, 2002). “Conceber os direitos
sexuais e reprodutivos como direitos humanos significa compreender o exercício da
sexualidade e da reprodução como inerentes à condição humana” (BUGLIONE, 2002, p.
140).
14
2.4. Instrumentos Moçambicanos de protecção aos direitos sexuais e reprodutivos
Ao longo de séculos, os cuidados de saúde sexual e reprodutiva foram praticados
tradicionalmente e continuam a ser prática médica curativa ocidental.
Em 1976, Moçambique adoptou a Política de Saúde baseada em cuidados de saúde primários
e o grupo “mulheres e crianças” foi definido como sendo o grupo mais vulnerável. Neste
contexto, em 1977 foi criada, dentro da Direcção Nacional de Saúde, a secção de Protecção à
Saúde Materno-Infantil (SMI) com ênfase para a atenção pré-natal, parto e pós-parto.
Em 1978 foi incluída nesta secção a componente Planeamento Familiar (PF). Em 1981 foi
iniciada a formação de enfermeiras de saúde materno-infantil (ESMI) de nível básico,
parteiras elementares e técnicos de cirurgia, que permitiram a expansão do serviço de SMI às
unidades sanitárias (US) do Serviço Nacional de Saúde (SNS).
Em 1990 o MISAU realizou a Conferência Nacional sobre a Maternidade sem Risco, que
introduziu o conceito de saúde reprodutiva, que incluiu (para além das componentes já
existentes: pré-natal, parto, pós-parto e PF) prevenção e tratamento das ITS's, infertilidade,
prevenção do aborto e tratamento das suas complicações, informação, educação e
aconselhamento e ainda diagnóstico e tratamento de cancros do sistema reprodutivo.
Após a realização da CIPD/Cairo em 1994 foram redefinidos os diferentes componentes do
programa de SR, que na prática continuava sendo SMI e PF. Nesta fase o MISAU inicia a
política de descentralização, integração e coordenação intersectorial e cria em 1995 o
Programa Nacional Integrado (PNI) de SMI/PF-PAV-SEA, que integra os Programas de
Atenção à Mulher, Criança e Adolescente.
O MISAU aumenta também a colaboração com outros Ministérios (Educação e Cultura,
Plano, Juventude, Mulher e Acção Social, Justiça); com o Instituto de Comunicação Social e
com ONGs (AMODEFA, MULEIDE, AMOSAPU e outras). O funcionamento do PNI desde
1996 permitiu um maior apoio às actividades de Saúde Reprodutiva, estando ainda em curso o
processo de transição dos programas verticais para o PNI. Em 1997 realizou-se o IDS, e em
1998 foram realizados a avaliação das necessidades em Maternidade Segura e um estudo de
90 casos de morte materna intra-hospitalar, que permitiram a revisão e reformulação das
estratégias da SR.
Em 2001 realizou-se a Reunião Nacional de Advocacia para a Redução da Mortalidade
Materna e Perinatal (RMMP), que aprovou o Plano Operacional para a RMMP.
15
2.5. Direitos sexuais e reprodutivos em Moçambique
Os direitos sexuais e reprodutivos estão consagrados na Constituição da República e outra
legislação do nosso país e incluem os seguintes aspectos:
Todos os cidadãos têm direito à assistência médica e sanitária e o dever de promover e
defender a saúde pública (Artigo 89 da Constituição);
Todos os cidadãos têm direito à igualdade de acesso à assistência médica através do Serviço
Nacional de Saúde, nos termos do artigo 116 da Constituição da República;
Todos os cidadãos são iguais perante a lei, gozam dos mesmos direitos e estão sujeitos aos
mesmos deveres, independentemente da cor, raça, sexo, origem étnica, lugar de nascimento,
religião, grau de instrução, posição social, estado civil dos pais, profissão ou opção política
(artigo 35 da Constituição da República);
[Link] de Género.
O Homem e a Mulher são iguais perante a lei em todos os domínios da vida política,
económica, social e cultural, nos termos do artigo 36 da Constituição da República;
A maternidade é dignificada e protegida nos termos da Constituição e demais legislação
ordinária em vigor no Ordenamento Jurídico Moçambicano (artigo 120 da Constituição da
República);
A Lei do Trabalho e o Estatuto Geral dos Funcionários do Estado, garante a protecção da
mulher trabalhadora nas situações de gravidez e de amamentação, nos termos do previsto na
Lei nº 8/98 de 20 de Julho (Artigos 74 e 75) da Lei do Trabalho; e do Decreto nº 14/87 de 20
de Maio que aprova o Estatuto Geral dos Funcionários do Estado;
A lei garante a gratuitidade dos cuidados médicos durante a gravidez, parto, transferência e
internamento (artigo 5, Lei nº 4/87 de 19 de Janeiro e Lei nº 2/77 de 19 de Janeiro - Lei da
socialização da medicina). A lei também garante a gratuitidade dos cuidados preventivos, que
inclui o planeamento familiar e atenção à criança até aos 5 anos;
Resolução nº 4/95 de 11 de Julho que aprova a política do Governo, com forte enfoque para a
Saúde da Mulher e da Criança; Política da população, aprovada pela resolução nº 5/99 de 13
de Abril, que estipula como objectivo prioritário contribuir para o aumento da esperança de
vida ao nascer dos Moçambicanos, adoptando como estratégia a redução da mortalidade
materna e infantil;
16
A Resolução nº 4/96 de 20 de Março do Conselho de Ministros aprovou a Política Nacional
da Juventude, que reconhece o direito dos jovens à informação, educação e acesso aos
serviços integrados de Saúde Sexual e Reprodutiva. Os direitos sexuais e reprodutivos estão
também consagrados em várias convenções que Moçambique subscreveu, entre elas a
CIPD/Cairo que os definiu da seguinte forma:
O direito de adolescentes, homens e mulheres de serem informados e de terem acesso a
métodos eficientes, seguros, aceitáveis e financeiramente compatíveis de planeamento
familiar, assim como a outros métodos de regulação da fecundidade à sua escolha e que não
contrariem a lei, bem como o direito de acesso a serviços adequados de saúde que propiciem
às mulheres condições de gestação e parto seguros, proporcionando aos casais uma melhor
probabilidade de ter um filho sadio. Em relação ao aborto: A lei do aborto actualmente em
vigor penaliza a mulher e o profissional que realiza o aborto [Código penal art.358 de 1886]
com 2 a 8 anos de prisão, (MISAU, 2011).
2.7. Gravidez indesejada
Segundo o Diploma Ministerial 60/2917, de 20 de Setembro, a Gravidez Indesejada: é uma
gravidez não desejada quer pela mulher ou pela rapariga ou pode ser fruto de violência sexual,
etc.
Em Moçambique, a gravidez indesejada é mais frequente nas adolescentes, e quase 17% das
adolescentes entre os 15-19 anos tiveram já um filho. Isso devido a não respeito dos valores
pela sociedade tradicional, particularmente nas áreas urbanas. As adolescentes adoptam a
cultura ocidental incluindo a prática de relações sexuais livres, apesar dos serviços de
planeamento familiar e preservativos serem maioritariamente oferecidos gratuitamente. Por
outro lado, a educação sexual nas escolas é ainda pobre ou não existe e visto que a
sexualidade é um tabu, os pais não a discutem com os seus filhos adolescentes (MISAU,
2012).
Em Moçambique a gravidez precoce continua a afectar muitas meninas. A gravidez precoce é
a consequência mais comum dos casamentos prematuros. Em Moçambique, quase metade
(46%) das mulheres adolescentes tiveram uma criança nascida-viva ou estiveram grávidas
pela primeira vez (MISAU, 2015). 14% engravidaram antes dos 15 anos o que confirma um
início da actividade sexual muito precoce. Há diversas implicações da gravidez precoce para a
saúde da rapariga e do bebé. As taxas de mortalidade neonatal, infantil e antes dos 5 anos são
mais altas quando as raparigas têm filhos antes de 20 anos. Há também o risco de desnutrição
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e baixo peso do bebé, que são significativamente mais elevados quando a mãe tenha menos de
19 anos ao ter o parto, principalmente nas zonas rurais.
De acordo com o MISAU, a problemática de gravidezes precoces surge como o resultado da
falta ou deficiente informação sobre a matéria, que se agrava cada vez mais em zonas rurais,
por acreditarem mais na educação tradicional (ritos de iniciação).
2.8. Formas de Violência dos direitos sexuais e reprodutivos
São formas de violência sexual e reprodutivos os seguintes: assédio sexual, o atentado ao
pudor ou violação, o tráfico de pessoas, o abuso infantil ou a mutilação genital feminina, não
deixar a parceira decidir sobre a gravidez, parto e decidir se e quando ter filhos.
2.9. Medidas a serem tomadas para reduzir a violência dos direitos sexuais e a gravidez
precoce.
Uma das medidas recomendadas pelo Ministério da Saúde é a difusão constante através de
palestras, as possíveis formas de violência dos direitos sexuais e reprodutivos e os próprios
direitos.
A promoção do empoderamento económico, social e político de mulheres e meninas. Isso
inclui o apoio a programas de capacitação económica e meios de subsistência, protecção
social e redes de segurança que apoiam mulheres e meninas e acesso à educação segura e
equitativa para meninos e meninas.
Apoiar e expandir políticas, programas e estratégias que promovam a igualdade de género nas
normas, atitudes e comportamentos sociais e que abordem as causas profundas da violência.
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III. Conclusão
Falar de direitos sexuais e do enfrentamento à violência sexual não é meramente o tema de
uma mesa, dentro de um colóquio. Dentro da nossa organização social, das maneiras como
aprendemos a existir e a nos relacionarmos, vamos quotidianamente problematizar género e
sexualidade como diversidade que nos constitui. Deste modo, a aposta em um trabalho diz
respeito a um modo de funcionamento tal qual uma caixa de ferramentas. É preciso que
funcione, e não para si mesma.
Que os encontros funcionem como máquinas de guerra, e que as publicações, produtos deste
colóquio, funcionem como instrumentos de combate. Para continuarmos acreditando na
potência da colectivização e na invenção de outras práticas que engendrem e potencializem
novas subjectividades, fazendo emergir discursos e práticas diversos, mais potentes no sentido
de desafiar e colocar em análise as violências contemporâneas.
Com o presente trabalho, foi possível entender que enquanto prevalecerem situações de
abusos de poder como a base de todo o tipo de violência, a sociedade viverá dentro deste mal
e continuará associada aos níveis de pobreza. A violação dos direitos sexuais e reprodutivos,
está directamente proporcionada ao surgimento de uma gravidez indesejada e por vezes em
menores de idade, interrompendo na progressão dos estudos, contribuindo desta forma para o
elevado índice de pobreza das vítimas.
A fraca informação sobre a saúde sexual que chega nas zonas rurais pode ser ultrapassada
com o envolvimento da comunidade nesta matéria, para que entre eles possa haver uma boa
comunicação e até abertura para certas curiosidades ligadas a vida sexual.
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IV. Referências Bibliográficas
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Janeiro: Nova Fronteira.
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