Colégio de Nossa Senhora da Bonança
Ano letivo de 2023/2024
Português 10.ºano
Luís de Camões, Rimas
Renascimento
Renovação cultural e artística.
Reinvenção das formas artísticas, com base numa
perspetiva naturalista e humanista.
Interesse pela arte e cultura da Antiguidade Clássica
Contextualização
histórico-literária
(século XVI)
Classicismo
Recuperação de figuras e temas mitológicos.
Gosto pela harmonia e simetria.
Entendimento do corpo humano como medida da arte
Influências da lírica
camoniana
Lírica tradicional Inspiração clássica
Nível temático
• Sociedade rural como universo de Nível temático
referência (ida à fonte, pastorícia) • Ideal de mulher
Ex.: “Descalça vai para a fonte” Ex.: “Leda serenidade deleitosa”
• Referência aos olhos verdes • Efeitos do amor
Ex.: “Verdes são os campos” Ex.: “Tanto de meu estado me acho
incerto”
Nível formal Nível formal
• Métrica: medida velha (redondilha) • Métrica: medida nova
• Géneros: (decassílabo)
– Vilancete • Géneros:
Ex.: “Minina dos olhos verdes” – Soneto
– Cantiga Ex.: “Leda serenidade deleitosa”
Ex.: “Verdes são os campos”
– Trovas
Ex.: “Aquela cativa”
– Esparsa
Ex.: “Os bons vi sempre passar”
Temas predominantes da lírica camoniana
A mulher é ideal de beleza, apresentada ora como símbolo de pureza, ora como símbolo do amor físico e
sensual:
• Mulher inacessível, misteriosa, quase divina, de beleza inefável, a quem o sujeito poético presta vassalagem
e adoração e que se relaciona com o amor espiritual. É o modelo de mulher, o ideal de beleza petrarquista.
Ex.: “Ondados fios d’ouro reluzente”, “Leda serenidade deleitosa”, “Um mover d’olhos, brando e
Representação
piadoso”
da amada • Mulher terrena, por quem o sujeito poético se sente atraído e fascinado. Remete para a dimensão terrena do
amor.
Ex.: “Aquela cativa”, “Minina dos olhos verdes”.
No modelo renascentista, a mulher apresenta fisicamente cabelo louro, pele branca, olhos azuis, sorriso
longínquo, gesto suave, pensar maduro, alegria saudosa.
A Natureza aparece associada à poesia amorosa como expressão de estados de alma ou por contraste entre o
estado de espírito do sujeito poético. Apresenta-se como objeto de contemplação, cenário ou pretexto para a
reflexão do eu poético. É geralmente uma paisagem diurna, natural, harmoniosa e agradável, um espaço
propício ao amor.
Representação • Cenário associado ao locus amoenus clássico (paisagem ideal, tranquila/serena e bucólica ou pastoril).
da Natureza Ex.: “A fermosura desta fresca serra”, “Alegres campos, verdes arvoredos”
• Personificação da natureza (encarada como confidente).
Ex.: “Alegres campos, verdes arvoredos”, “Verdes são os campos”
• Reflexo de um estado de alma.
Ex.: “Alegres campos, verdes arvoredos”
Na lírica camoniana, sobressai a experiência amorosa e uma diversificada reflexão sobre o amor que é fonte
de contradições, intrínsecas à natureza do próprio sentimento, e aparece sob uma dupla abordagem:
• Amor puro, espiritualizado, sereno, racionalmente intelectualizado, de influência petrarquista.
Experiência
Ex.: “Ondados fios d’ouro reluzente”
amorosa e
• Amor experienciado, vivido.
reflexão sobre o Ex.: “Aquela cativa”, “Pastora da serra”
amor • Amor conturbado, dividido entre o anseio espiritual e o desejo, e marcado pela culpa, saudade e insatisfação.
Ex.: “Alma minha gentil, que te partiste”, “Tanto de meu estado me acho incerto”, “Amor é um fogo que
arde sem se ver”
A poesia lírica de Camões constitui uma reflexão sobre a sua vida pessoal: a biografia de Camões está na sua
obra. De facto, o poeta evoca um itinerário pessoal, em que o sujeito lírico expressa a sua vivência íntima,
referindo a sua experiência infeliz do amor, a amargura do desconcerto, a revolta, a vingança, a culpa, a
Reflexão sobre a recordação do bem passado e a instabilidade
vida pessoal • Reflexão sobre a situação atual e sobre as causas que lhe deram origem (“erros”, “Fortuna”, “amor” “Tudo
passei: mas tenho tão presente/ A grande dor das cousas que passaram”).
Ex.: “O dia em que eu nasci, moura e pereça”, “Erros meus, má fortuna amor ardente”, “Eu cantei já, e
agora vou chorando”, “De que me serve fugir”, “Sôbolos rios que vão”
O poeta constata o desconcerto moral, social e existencial, que revela na desordem do mundo exterior, entre
os homens: as injustiças sociais, a virtude não recompensada, a mediocridade que tem sucesso.
• Desconcerto social:
− distribuição arbitrária dos prémios e castigos; sobreposição da cobiça e da vileza aos valores morais;
Tema do necessidade de submissão à desordem / irracionalidade da vida.
desconcerto Ex.: “Os bons vi sempre passar”, “Correm turvas as águas deste rio”, “Verdade, Amor, Razão,
Merecimento”
• no conflito interior, desconcerto individual e subjetivo: sujeição à Fortuna (Reflexão sobre a vida pessoal). O
sujeito poético como vítima, a desilusão amorosa, a ação do destino cruel, o fracasso do sonho e dos projetos,
o absurdo da morte.
Aparece associado à temática do desconcerto e à temática do destino. O poeta reflete sobre a mudança na
Natureza e a mudança no ser humano. Reversível e cíclica na primeira e irreversível no homem. A existência
humana muda, mas é imprevisível e marcada pela adversidade, com consequências negativas (pessimismo e
Tema da morte).
mudança • Oposição entre o tempo da natureza e o tempo humano.
Ex.: “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”
• Oposição entre o bem passado e o mal presente (Reflexão sobre a vida pessoal).
Ex.: “Sôbolos rios que vão”