CONCURSO DE BOLSAS - COLÉGIO SÓLIDO 2024 1° ANO
Querido estudante,
Seja bem-vindo ao bolsão do Colégio Sólido!
Nosso objetivo hoje não é apenas que você realize a prova, mas também que aprenda com ela.
Nosso bolsão é muito mais que um meio classificatório, no decorrer da prova ao ler cada questão com atenção,
você aprenderá sobre a população Indígena, tão importante na história do Brasil e na representação cultural do
nosso país.
Existem diversas tribos indígenas no Brasil que possuem semelhanças e diferenças entre si. Vamos descobrir do
que se alimentam, onde moram, como as crianças se divertem, a educação, a saúde dos índios no Brasil, além de
outras curiosidades que estão presentes nesta prova contextualizada e preparada com muito carinho para você!
Check in realizado, vamos “viajar” para conhecer a fundo a tradição indígena. O seu assento é o 2A.
Embarque autorizado! Boa sorte!
Que a sua decolagem seja tranquila e que o pouso seja um sucesso!
Boa prova!
LÍNGUA PORTUGUESA
QUESTÕES 01 a 20
Leia o texto I para responder às questões 01 a 04.
TEXTO I
Brasil tem 1,7 milhão de indígenas e mais da metade deles vive na Amazônia Legal
A população indígena do país chegou a 1.693.535 pessoas em 2022, o que representa 0,83% do total de
habitantes. Um pouco mais da metade (51,2%) estava concentrada na Amazônia Legal. Em 2010, quando foi
realizado o Censo anterior, foram contados 896.917 indígenas no país. Isso equivale a um aumento de 88,82%
em 12 anos, período em que esse contingente quase dobrou. O crescimento do total da população nesse mesmo
período foi de 6,5%.
De acordo com a responsável pelo projeto de Povos e Comunidades Tradicionais do IBGE, Marta
Antunes, o aumento do número de indígenas no período intercensitário é explicado majoritariamente pelas
mudanças metodológicas feitas para melhorar a captação dessa população. “Só com os dados por sexo, idade e
etnia e os quesitos de mortalidade, fecundidade e migração será possível compreender melhor a dimensão
demográfica do aumento do total de pessoas indígenas entre 2010 e 2022, nos diferentes recortes. Além disso,
existe o fato de termos ampliado a pergunta ‘você se considera indígena?’, para fora das terras indígenas. Em
2010, vimos que 15,3% da população que respondeu dentro das Terras Indígenas que era indígena vieram por
esse quesito de declaração”, explica.
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No Censo Demográfico anterior, o quesito de cor ou raça foi aplicado a todas as pessoas recenseadas no
país. Quando elas eram residentes das Terras Indígenas oficialmente delimitadas e se declaravam como brancas,
pretas, pardas ou amarelas, ou seja, não respondiam que eram indígenas nesse quesito, havia a abertura da
pergunta “você se considera indígena?”. Em 2022, houve a extensão dessa pergunta de cobertura para outras
localidades indígenas, que incluem, além desses territórios oficialmente delimitados pela Funai, os agrupamentos
indígenas identificados pelo IBGE e as outras localidades indígenas, que são ocupações domiciliares dispersas
em áreas urbanas ou rurais com presença comprovada ou potencial de pessoas indígenas. No Censo 2022, cerca
de 27,6% da população indígena do país assim se declararam por meio dessa pergunta de cobertura.
Outro ponto destaque foi a cartografia participativa. “Ela nos garante uma ampla cobertura, ou seja,
sabemos melhor sobre a distribuição indígena no território nacional. Ao colaborarem com a cartografia, os povos
indígenas, em suas organizações nas cidades e na área rural, se sensibilizaram para o Censo. O Amazonas, por
exemplo, fez grandes mobilizações também na área urbana. Então quando o Censo chega para as pessoas que se
mobilizaram para fazer a base territorial, elas sabem que o objetivo é contá-las. Essa é uma mudança muito
grande”, diz.
Ela cita ainda, entre os fatores que podem explicar o crescimento da população, a metodologia de
abordagem e de coleta, em que houve maior participação dos indígenas desde o início da operação censitária e
o monitoramento da coleta, que passou a ser compartilhado com a Funai. Além disso, houve aumento no número
de Terras Indígenas, passando de 505 para 573 entre 2010 e 2022.
[...]
Disponível em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-
noticias/noticias/37565-brasil-tem-1-7-milhao-de-indigenas-e-mais-da-metade-deles-vive-na-amazonia-
legal. Acesso em: 12 de agosto de 2023.
QUESTÃO 01. É, segundo Marta Antunes, uma justificativa para o aumento da população indígena no Brasil
nos últimos anos, EXCETO:
A) melhorias nas estratégias de obtenção de dados demográficos.
B) a inclusão do povo indígena na captação de informações para as pesquisas.
C) a realização da pesquisa fora das terras indígenas registradas pela Funai.
D) a inserção da pergunta “você se considera indígena?” realizada apenas no Censo de 2022.
QUESTÃO 02. A principal função desse texto é
A) informar sobre os dados obtidos no Censo 2022 no Brasil, exclusivamente.
B) apresentar uma análise sobre o aumento populacional indígena atualmente no Brasil.
C) conscientizar sobre a importância do Censo para a população brasileira.
D) divulgar as estratégias adotadas pelo IBGE para a inclusão do povo indígena na produção das pesquisas do
Censo.
QUESTÃO 03. Na sentença “Isso equivale a um aumento de 88,82% em 12 anos, período em que esse
contingente quase dobrou.”, a palavra destacada NÃO pode ser substituída sem que haja prejuízo semântico
por:
A) fato
B) grupo
C) agrupamento
D) povo
QUESTÃO 04. Leia:
“O Amazonas, por exemplo, fez grandes mobilizações também na área urbana.”
De acordo com os conceitos de frase, oração e período, pode-se afirmar que há na sentença destacada acima
A) um período composto por duas orações.
B) uma frase nominal.
C) um período simples contendo apenas uma oração.
D) dois períodos, porém, apenas uma oração.
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Leia o texto II e responda à questão 05.
TEXTO II
Disponível em: https://cdn.brasil247.com/pb-
b247gcp/swp/jtjeq9/media/20230419170444_ef4aec8daf10f90808ecdbf10b963f85be6798a1b03537cec8b5012cbb8ffb8d.jpg. Acesso
em: 12 de agosto de 2023.
QUESTÃO 05. Sobre o texto, analise as afirmações a seguir.
I. A charge retrata unicamente a mistura das culturas indígena e não indígena com comicidade.
II. O foco principal da charge é ironizar a forma como não indígenas representam a cultura indígena.
III. Há uma crítica ao pensamento de que os indígenas – para manterem a cultura e costumes do seu povo – não
podem adquirir hábitos e costumes provenientes da globalização.
IV. Além da disputa territorial entre indígenas e não indígenas há uma imposição cultural sob o povo originário
que, mesmo depois de anos, resiste com seus hábitos inalterados.
Assinale a alternativa CORRETA.
A) Apenas a afirmação II é verdadeira.
B) Apenas as afirmações II e III são verdadeiras.
C) Apenas a afirmação I é verdadeira.
D) Apenas as afirmações II e IV são verdadeiras.
O texto III serve de suporte para as questões 06 e 07.
TEXTO III
Disponível em: https://i.pinimg.com/1200x/40/20/68/402068635c6b54b0e48c47458200bddb.jpg Acesso em 21 de agosto de 2023.
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QUESTÃO 06. A variação linguística é um fenômeno proveniente da diversificação dos sistemas de uma Língua
em relação às possibilidades de mudança de seus elementos vocabulares. Essa manifestação existe porque as
Línguas possuem a característica de serem dinâmicas.
No 1° quadrinho do texto III, a variação usada foi
A) situacional, por fazer uso da norma culta.
B) geográfica, por se tratar da forma como são chamadas as pessoas que nascem em um dado lugar, no caso,
Rio de Janeiro.
C) estilística, por ser uma gíria usada pelos garotos.
D) social, por se tratar de um grande centro urbano, onde diversas culturas se misturam.
QUESTÃO 07. Na tirinha, a forma como o texto se dispõe nos balões, demonstra um discurso
A) indireto, em todos os balões.
B) indireto livre, em todos os balões.
C) direto, em todos os balões.
D) direto no primeiro, terceiro e quarto balões e indireto no segundo e quinto.
Os textos abaixo servem de suporte para as questões 08, 09 e 10.
TEXTO IV
ISOLADOS: QUEM SÃO OS YANOMAMI QUE VIVEM SEM CONTATO EM
COMUNIDADE NO MEIO DA FLORESTA
[...]
Os Moxihatëtë thëpë vivem em uma área na região da Serra da Estrutura, na Terra Yanomami. Eles vivem
em total isolamento, sem contato com outros indígenas ou não indígenas, e sobrevivem exclusivamente do que
cultivam e caçam na floresta.
Apesar de não terem contato com os demais
Yanomami, os Moxihatëtëa são considerados um
subgrupo da mesma etnia, porque possuem o mesmo
tronco linguístico, segundo a Hutukara.
Ainda de acordo com a Associação, eles
costumavam migrar, mas a comunidade está firmada
na região da Serra da Estrutura há pelo menos 15 anos.
[...]
Por que são isolados?
Segundo Angela Kaxuyana, membro da
Coordenação das Organizações Indígenas da
Amazônia Brasileira (Coiab), os Moxihatëtë thëpë são isolados por uma escolha da própria comunidade, para
viver de acordo como "sua cultura prevê" e que "mantém esse povo vivo". Ela defende que o respeito à autonomia
de escolha desses indígenas é necessário.
"É necessário um compromisso do estado brasileiro para manter a vida dessas populações, dos povos
indígenas isolados, Yanomami e outros povos isolados em toda a Amazônia. Partir do pressuposto do respeito à
vida. A gente está falando de pessoas, a gente está falando de vidas, de autonomia de escolha do modo de vida
dessas pessoas. O isolamento que a gente fala, de uma perspectiva externa, é para manterem sua cultura,
resistência de viverem enquanto povo indígena", defende Angela.
Com o avanço do garimpo na região dos Moxihatëtë thëpë, Angela explica que é necessário um
compromisso do estado brasileiro e dos órgãos competentes para a preservação da vida dos indígenas. Não só
com a retirada dos garimpeiros, mas a proteção territorial.
[...]
Disponível em: https://g1.globo.com/rr/roraima/noticia/2021/11/04/isolados-quem-sao-os-yanomami-que-vivem-sem-contato-
em-comunidade-no-meio-da-floresta.ghtml Acesso em 14 de agosto de 2023. (Adaptada)
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TEXTO V
O ÍNDIO: MISTURA E ACULTURAÇÃO
Por Rafael Barbi Costa e Santos
[...]
Os Xakriabá habitam o norte de
Minas Gerais e suas terras estão situadas na
margem oeste do rio São Francisco, no
município de São João das Missões. São
cerca de 8 mil indígenas, divididos em mais
de trinta aldeias e diversos grupos de
parentesco. Como grande parte dos povos
indígenas em Minas Gerais, os Xakriabá
possuem um longo contato com não
índígenas – que, no seu caso, implica
articulações com a política regional, viagens
em busca de trabalho temporário e um regime
de casamento que frequentemente inclui
pessoas “de fora” dos grupos locais.
Essas relações não são algo extraordinário ao grupo. O contato com os colonizadores no século XVII
produziu conflitos e alianças que resultaram no estabelecimento do grupo em terras “doadas” pelo Mestre de
Campo Januário Cardoso. Séculos mais tarde, já reduzidos e convertidos ao catolicismo, os Xakriabá ainda
celebraram uma série de casamentos com os migrantes conhecidos localmente por “baianos”. Chamados por
seus vizinhos de caboclos, gamelas (entre outros nomes) os habitantes do Terreno dos Caboclos da Missão do
Senhor São João, nome pelo qual suas terras eram conhecidas, preferiram se referir a si mesmos como
“herdeiros” e “sucessores dos índios de São João das Missões” numa certidão da década de 1930.
[...]
SANTOS, Rafael Barbi C. In: Sobre cultura e segredo entre os Xakriabá de São João das Missões/MG, São Paulo, n. 23, p. 241-255,
2014.
QUESTÃO 08. Sobre os textos IV e V, é INCORRETO afirmar que,
A) os Moxihatëtë assim como os Xakriabá, mantém um estilo de vida recluso a fim de preservar sua cultura e
até mesmo a própria vida.
B) os Xakriabá diferentemente dos Moxihatëtë não resistiram ao contato com não indígenas e usufruem dos
benefícios advindos das alianças estabelecidas desde então.
C) os Xakriabá e os Moxihatëtë adotaram estratégias diferentes para preservar a vida do seu povo e se manterem
em suas terras.
D) os Xakriabá são intitulados pelo autor como “aculturados” devido ao grande número de casamentos com não
indígenas e a própria permissividade do grupo no que diz respeito à aceitação de interferências de culturas
externas.
Leia o trecho abaixo, extraído do texto IV e responda às questões 09 e 10.
“Ela defende que o respeito à autonomia de escolha desses indígenas é necessário.”
QUESTÃO 09. Assinale a alternativa que classifica CORRETAMENTE a oração destacada.
A) Oração Subordinada Substantiva Subjetiva.
B) Oração Subordinada Substantiva Objetiva Indireta.
C) Oração Subordinada Adjetiva Restritiva
D) Oração Subordinada Substantiva Objetiva Direta.
QUESTÃO 10. Se o trecho acima fosse transcrito para o período simples ficaria:
A) ela defende o respeito à autonomia de escolha desses indígenas é necessário.
B) ela defende a necessidade do respeito à autonomia de escolha desses indígenas.
C) ela defende o respeito à autonomia de escolha desses indígenas.
D) ela defende a necessidade de autonomia de escolha desses indígenas.
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O texto VI é suporte para as questões 11 e 12.
TEXTO VI
Disponível em: https://alc-noticias-media-bp.s3.us-west-
2.amazonaws.com/2020/09/11134723/Card-Takina2-1024x626-1.jpg. Acesso em 17 de agosto
de 2023.
QUESTÃO 11. A Coordenadoria Ecumênica de Serviço – CESE e a Agência de Cooperação Internacional
Heks/Eper lançaram um edital de ajuda humanitária emergencial de apoio a povos indígenas, comunidades
tradicionais e famílias camponesas afetadas pelos recorrentes incêndios. Assim, a Organização de Mulheres
Indígenas Takiná elaborou um projeto, para a aldeia Meruri. O projeto tem dois objetivos: por um lado, capacitar
grupos de mulheres para o aproveitamento e processamento de frutos do Cerrado, gerando renda e autonomia.
Por outro, promover a formação de brigadistas Bororo na aldeia, para ações de prevenção e combate às
queimadas mais rápidas e adequadas.
Sobre o texto é CORRETO afirmar que
A) trata-se de uma campanha cuja finalidade é mobilizar toda comunidade indígena a participar do projeto em
prol da evolução tecnológica da aldeia.
B) trata-se de uma campanha cuja finalidade é mobilizar a comunidade indígena jovem para participar do
projeto visando à preservação dos mais velhos da aldeia.
C) trata-se de uma campanha cuja finalidade é conscientizar os índios mais jovens para que continuem a lutar
pela preservação da aldeia, seja participando de projetos como o acima citado, seja mantendo a cultura do
povo Bororo.
D) trata-se de uma campanha cuja finalidade é apenas divulgar o projeto a fim de recrutar brigadistas Bororo.
QUESTÃO 12. No trecho “Por isso eles estão cada vez mais firmes nos seus ideais, na sua cultura e nos seus
propósitos para poder levar o povo para frente.”, os itens destacados são classificados, respectivamente, como
A) conjunção coordenativa conclusiva e conjunção coordenativa aditiva.
B) conjunção coordenativa explicativa e conjunção coordenativa aditiva.
C) conjunção coordenativa alternativa e conjunção coordenativa aditiva.
D) conjunção coordenativa conclusiva e conjunção coordenativa conclusiva.
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O texto VII serve de suporte para as questões 13 e 14.
TEXTO VII
Disponível em: https://64.media.tumblr.com/52e007f2028aaa09965fe6281779891f/tumblr_nldkndkVVH1u1iysqo1_540.pnj. Acesso
em: 18 de agosto de 2023.
QUESTÃO 13. Plot twist é uma mudança radical na direção esperada ou prevista do enredo de uma obra
narrativa. É uma prática muito usada para manter o interesse do público e para normalmente surpreendê-los com
uma revelação surpresa.
A tirinha de Armandinho (texto VII) apresenta um plot twist quando
A) o personagem Moacir (à esquerda) conta que sua avó respondeu que a terra não era deles (indígenas).
B) Moacir declara o pertencimento do seu povo (indígena) à terra.
C) Armandinho (à direita) faz cara de surpreso ao saber que Moacir e seu povo foram expulsos das terras onde
habitavam.
D) Moacir afirma que a terra nunca foi deles (indígenas).
QUESTÃO 14. Das alternativas abaixo, tem-se o exemplo de uma oração principal acompanhada de uma
subordinada substantiva objetiva direta iniciada por uma conjunção subordinativa integrante em:
A) “Perguntaram se a terra era nossa.”. C) “Por isso expulsaram a gente.”.
B) “Aquela terra nunca foi nossa...”. D) “Nós que somos daquela terra!”.
O texto VIII serve de suporte para as questões de 15 a 20.
TEXTO VIII
Daniel Munduruku: “Eu não sou índio, não existem índios no Brasil
– Peço licença para entrar no território de vocês. Eu venho questionar esse olhar quadrado que o ocidente
desenvolveu e que exclui olhares circulares.
Foi assim que Daniel Munduruku deu início à sua fala histórica na 63ª Feira do Livro de Porto Alegre,
trazendo a oralidade e a ancestralidade de seu povo em uma hora de conversa. Mediada pelo professor de história
José Rivair de Macedo, a palestra teve também a presença de Angélica Kaingang, liderança jovem de sua
comunidade e graduada em Serviço Social pela UFRGS. Um representante da etnia
Guarani também foi convidado, mas não conseguiu comparecer.
Ator representa o pajé Jurecê, em Terra e Paixão, na Rede Globo, é Doutor
em Educação pela USP, Pós-Doutor em Literatura pela Universidade de São Carlos
e autor de 52 livros, Daniel iniciou sua fala desconstruindo o imaginário que a
média da população brasileira tem em relação à palavra “índio” e a sua carga
simbólica.
– Quando leem minha biografia, dizem que não sou mais índio, que já sou
“civilizado”. Eu não sou índio e não existem índios no Brasil. Essa palavra não diz
o que eu sou, diz o que as pessoas acham que eu sou. Essa palavra não revela minha
identidade, revela a imagem que as pessoas têm e que muitas vezes é negativa.
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Segundo o escritor, há dois conceitos no imaginário da sociedade brasileira intrínsecos a esta palavra: o
olhar romântico, do “índio” que vive no meio do mato, e o aspecto ideológico que considera que “índios são
preguiçosos e atrasam o progresso”. Esse imaginário, fruto do pensamento ocidental e colonizador, criou um
achatamento da riqueza cultural brasileira, explicou Daniel.
– Quando a gente chama alguém de índio, não ofende só uma pessoa, ofende culturas que existem há
milhares de anos. Esse olhar linear empobrece nossa experiência de humanidade. A gente defende um sistema
de vida que tem dado certo há 3 mil anos – afirmou.
Um dos 307 povos indígenas do país, o povo Munduruku vive no Pará, Amazonas e Mato Grosso.
Segundo Daniel, há cerca de 15 mil pessoas da etnia Munduruku no Brasil.
– No dia 19 de abril, a gente comemora um equívoco, porque se esconde a diversidade de povos que
existem no Brasil. Cada povo cria seu modo de estar no mundo a partir da cultura, que é alimentada pela língua
que ele fala. E cada povo tem suas tradições, sua crença, cultura, política e economia. Nós aprendemos que só
existe a língua portuguesa por aqui né. Mas no Brasil existem 307 línguas muito antigas e diferentes entre si. E
a língua é uma leitura de mundo. Quando a gente generaliza e diz que “o índio chama casa de oca”,
imediatamente a gente está esquecendo que oca é apenas um jeito de falar. E essas línguas são tão diferentes
entre si quanto o português é diferente do chinês. Se um Kaingang fala a língua dele, eu não sei para onde vai,
porque é de um tronco linguístico diferente. Aí vocês podem entender porque o povo tupi (que é o meu caso, o
povo Munduruku é tupi) se organiza de um jeito e porque o povo Kaingang, que é do tronco Macro-Je, se
organiza de outro jeito.
O autor também criticou o uso da palavra “tribo” para se referir às aldeias e etnias, já que ela significa
apenas um pedaço de um povo. Já a palavra “índio” não tem relação alguma com o verdadeiro significado dos
povos originários do Brasil. Ao ser perguntado sobre a maneira mais adequada de tratamento, Daniel defendeu
o uso da palavra indígena, que significa “nativo”, e pediu também que sejam consideradas as etnias.
Crítico dos modelos neoliberal e neo-desenvolvimentista de governança, Daniel abordou a relação entre
os indígenas, os brancos e a natureza.
– É claro que nós [indígenas] temos muitas coisas em comum, porque nós somos parte da natureza, nós
somos a natureza. A única diferença é que a sociedade “civilizada” trouxe o esquecimento para as pessoas –
disse.
Daniel ressaltou o papel do agronegócio como uma ameaça ao meio ambiente e às comunidades
tradicionais.
– Não tem importância nenhuma se destruir a natureza, se construir hidrelétrica na Amazônia, se colocar
gado para acabar com a floresta, se derrubar tudo para o agronegócio, não tem problema, porque afinal, agro é
pop, é legal ser agro – ironizou. – O Brasil é como um adolescente que não se aceita. É preciso fazer um resgate
da nossa história e saber que somos um povo formado pelos negros, indígenas e europeus. Caso contrário, vamos
entregar nossas riquezas para fora, como estamos fazendo com nosso minério.
Segundo ele, esse amadurecimento social contribuiria não só para os povos indígenas, mas para todo o
país.
– Nós, indígenas, não temos esse conceito de propriedade privada, somos parte da natureza e não nos
colocamos acima dos outros seres vivos. Quando o indígena luta pela terra, está lutando por um conjunto de
vidas. Talvez essa mensagem de pertencimento seja a grande contribuição dos indígenas.
Representando a etnia Kaingang, Angélica deu seu depoimento enquanto Kaingang e moradora do Rio
grande do Sul.
– A gente entende que nossos territórios indígenas estão com a gente também quando estamos na cidade,
na universidade. Nossos conhecimentos ancestrais e tradicionais são tão valorosos quanto os não indígenas. Já
ouvi muitas vezes que “lugar de índio” é no mato. Mas que mato está sobrando pra nós? – questionou.
[...]
Disponível em: https://www.nonada.com.br/2017/11/daniel-munduruku-eu-nao-sou-indio-nao-existem-indios-no-brasil/ . Acesso em:
21 de agosto de 2023.
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QUESTÃO 15. A forma como um texto é estruturado, assim como os elementos que estão contidos nele são
responsáveis por sua classificação. Diante disso, pode-se afirmar que o texto VIII pertence ao gênero
A) reportagem C) biografia
B) entrevista D) autobiografia
QUESTÃO 16. As alternativas abaixo apresentam um posicionamento de Daniel Munduruku a respeito de um
dado assunto, EXCETO:
A) Daniel afirma que o povo brasileiro ainda não valoriza suas riquezas e não reconhece a sua verdadeira
identidade pautada na pluralidade dos povos indígena, negros e europeus.
B) Daniel defende que é depreciativo o termo índio, pois faz alusão a uma imagem criada pelos colonizadores
totalmente avessa ao trabalho e progresso.
C) Daniel diz que eles (indígenas) possuem uma relação respeitosa com a natureza e que a luta desse povo pela
terra é também uma luta pela própria vida.
D) Daniel declara que não gosta de ser chamado de índio e defende que hidrelétricas até podem ser construídas
na Amazônia, desde que elas não atinjam nenhuma aldeia.
QUESTÃO 17. Os diversos elementos que atuam como indicadores de argumentação em um texto são
denominamos de modalizadores discursivos. Eles são os encarregados de evidenciar o ponto de vista assumido
pelo falante e assegurar o modo como ele elabora o discurso.
Dos termos destacados abaixo, é exemplo de modalizador discursivo:
A) “Quando o indígena luta pela terra, está lutando por um conjunto de vidas.”.
B) “O autor também criticou o uso da palavra “tribo” para se referir às aldeias e etnias, já que ela significa
apenas um pedaço de um povo.”.
C) “– É claro que nós [indígenas] temos muitas coisas em comum, porque nós somos parte da natureza, nós
somos a natureza.”.
D) – A gente entende que nossos territórios indígenas estão com a gente também quando estamos na cidade, na
universidade.
QUESTÃO 18. Os mecanismos de progressão, conhecidos como articuladores textuais ou marcadores
linguísticos, são combinados entre si de modo a manter o tema do texto e garantir sua coesão e a coerência.
Exemplo de articulador textual, a palavra dêitica – elemento linguístico que não tem sentido por si só, pois a sua
função é fazer referência à situação, ao momento de enunciação ou aos interlocutores– está presente nos termos
grifados nos pares da alternativa:
A) 1. “Eu venho questionar esse olhar quadrado que o ocidente desenvolveu e que exclui olhares
circulares.”.
2. “Esse olhar linear empobrece nossa experiência de humanidade”.
B) 1. “– Peço licença para entrar no território de vocês.”.
2. “Foi assim que Daniel Munduruku deu início à sua fala histórica na 63ª Feira do Livro de Porto
Alegre, trazendo a oralidade e a ancestralidade de seu povo em uma hora de conversa.”.
C) 1. “Representando a etnia Kaingang, Angélica deu seu depoimento enquanto Kaingang e moradora do
Rio grande do Sul.”.
2. “– Nós, indígenas, não temos esse conceito de propriedade privada, somos parte da natureza e não
nos colocamos acima dos outros seres vivos.”.
D) 1. “Segundo ele, esse amadurecimento social contribuiria não só para os povos indígenas, mas para
todo o país.”.
2. “Daniel ressaltou o papel do agronegócio como uma ameaça ao meio ambiente e às comunidades
tradicionais.”.
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Considere o seguinte trecho “– O Brasil é como um adolescente que não se aceita.”, extraído do texto VIII, para
responder às questões 19 e 20.
QUESTÃO 19. O pronome oblíquo pode ocupar diferentes colocações dentro de uma oração, a depender de
alguns fatores, podendo, assim, constituir próclise, ênclise ou mesóclise. Considerando as regras para cada
posição, assinale a alternativa que julgou de maneira CORRETA o trecho destacado.
A) O pronome foi colocado antes do verbo por haver um advérbio agindo como termo atrativo.
B) Devido ao tempo verbal utilizado, o pronome deveria estar no meio do verbo, configurando mesóclise.
C) O pronome foi corretamente colocado antes do verbo, porém, também poderia estar após o verbo, sem que
haja algum prejuízo.
D) A colocação pronominal está em desacordo com a gramática, uma vez que deveria ficar, obrigatoriamente,
após o verbo.
QUESTÃO 20. Indique a alternativa que apresenta uma oração com a mesma classificação da oração destacada:
“– O Brasil é como um adolescente que não se aceita”.
A) “– Quando leem minha biografia, dizem que não sou mais índio[...].”
B) “[...] imediatamente a gente está esquecendo que oca é apenas um jeito de falar.”
C) “[...] ofende culturas que existem há milhares de anos.”.
D) “[...] porque o povo Kaingang, que é do tronco Macro-Je, se organiza de outro jeito.”.
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