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Concurso de Bolsas Colégio Sólido 2024

O concurso de bolsas do Colégio Sólido visa não apenas a avaliação dos alunos, mas também o aprendizado sobre a cultura indígena brasileira. O documento inclui questões sobre textos que discutem a formação histórica e cultural dos povos indígenas, além da diversidade linguística no Brasil. A prova é apresentada de forma contextualizada, incentivando a reflexão sobre a importância da preservação das línguas e tradições indígenas.
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Tópicos abordados

  • identidade indígena,
  • educação e cultura indígena,
  • tradições indígenas,
  • colonialismo,
  • diversidade cultural,
  • direitos humanos,
  • história e cultura,
  • direitos civis,
  • cultura indígena contemporânea,
  • censo demográfico
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Concurso de Bolsas Colégio Sólido 2024

O concurso de bolsas do Colégio Sólido visa não apenas a avaliação dos alunos, mas também o aprendizado sobre a cultura indígena brasileira. O documento inclui questões sobre textos que discutem a formação histórica e cultural dos povos indígenas, além da diversidade linguística no Brasil. A prova é apresentada de forma contextualizada, incentivando a reflexão sobre a importância da preservação das línguas e tradições indígenas.
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CONCURSO DE BOLSAS - COLÉGIO SÓLIDO 2024 3° ANO

Querido estudante,
Seja bem-vindo ao bolsão do Colégio Sólido!
Nosso objetivo hoje não é apenas que você realize a prova, mas também que aprenda com ela.
Nosso bolsão é muito mais que um meio classificatório, no decorrer da prova ao ler cada questão com atenção,
você aprenderá sobre a população Indígena, tão importante na história do Brasil e na representação cultural do
nosso país.
Existem diversas tribos indígenas no Brasil que possuem semelhanças e diferenças entre si. Vamos descobrir do
que se alimentam, onde moram, como as crianças se divertem, a educação, a saúde dos índios no Brasil, além de
outras curiosidades que estão presentes nesta prova contextualizada e preparada com muito carinho para você!
Check in realizado, vamos “viajar” para conhecer a fundo a tradição indígena. O seu assento é o 2A.
Embarque autorizado! Boa sorte!
Que a sua decolagem seja tranquila e que o pouso seja um sucesso!
Boa prova!

LÍNGUA PORTUGUESA
QUESTÕES 01 a 20

Leia o texto a seguir para responder às questões de 01 a 05.

TEXTO I
A ilha Brasil
Darcy Ribeiro
A costa atlântica, ao longo dos milênios, foi percorrida e ocupada por inumeráveis povos indígenas.
Disputando os melhores nichos ecológicos, eles se alojavam, desalojavam e realojavam, incessantemente. Nos
últimos séculos, porém, índios de fala tupi, bons guerreiros, se instalaram, dominadores, na imensidade da área,
tanto à beira-mar, ao longo de toda a costa atlântica e pelo Amazonas acima, como subindo pelos rios principais,
como o Paraguai, o Guaporé, o Tapajós, até suas nascentes.”
Configuram-se, desse modo, a ilha Brasil, de que falava o velho Jaime Cortesão (1958),
prefigurando, no chão da América do Sul, o que viria a ser nosso país. Não era, obviamente, uma nação, porque
eles não se sabiam tantos nem tão dominadores. Eram, tão só, uma miríade de povos tribais, falando línguas do
mesmo tronco, dialetos de uma mesma língua, cada um dos quais, ao crescer, se bipartia, fazendo dois povos
que começavam a se diferenciar e logo se desconheciam e se hostilizavam.
Se a história, acaso, desse a esses povos Tupi uns séculos mais de liberdade e autonomia, é possível
que alguns deles se sobrepusessem aos outros, criando chefaturas sobre territórios cada vez mais amplos e
forçando os povos que neles viviam a servi-los, os uniformizando culturalmente e desencadeando, assim, um
processo oposto ao de expansão por diferenciação.
Nada disso sucedeu. O que aconteceu, e mudou total e radicalmente seu destino, foi a introdução
no seu mundo de um protagonista novo, o europeu. Embora minúsculo, o grupelho recém-chegado de além-mar
era superagressivo e capaz de atuar destrutivamente de múltiplas formas. Principalmente como uma infecção
mortal sobre a população preexistente, debilitando-a até a morte.
Esse conflito se dá em todos os níveis, predominantemente no biótico, como uma guerra
bacteriológica travada pelas pestes que o branco trazia no corpo e eram mortais para as populações indenes. No
ecológico, pela disputa de território, de suas matas e riquezas para outros usos. No econômico e social, pela
escravização do índio, pela mercantilização das relações de produção, que articulou os novos mundos ao velho
mundo europeu como provedores de gêneros exóticos, cativos e ouros.
No plano étnico-cultural, essa transfiguração se dá pela gestação de uma etnia nova que foi
unificando, na língua e nos costumes, os índios desengajados de seu viver gentílico, os negros trazidos de África,
e os europeus aqui querenciados. Era o brasileiro que surgia, construído com os tijolos dessas matrizes à medida
que elas iam sendo desfeitas.
Darcy Ribeiro. O povo brasileiro: a formação e o sentido do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

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CONCURSO DE BOLSAS - COLÉGIO SÓLIDO 2024 3° ANO

QUESTÃO 01. Figuras de linguagem são formas de expressão que destoam da linguagem comum ou denotativa.
Elas dão ao texto um significado que vai além do sentido literal, portanto permitem uma plurissignificação do
enunciado. Acerca da passagem textual a seguir, assinale a alternativa CORRETA.
“Esse conflito se dá em todos os níveis, predominantemente no biótico, como uma guerra bacteriológica travada
pelas pestes que o branco trazia no corpo e eram mortais para as populações indenes. No ecológico, pela disputa
de território, de suas matas e riquezas para outros usos. No econômico e social, pela escravização do índio,
pela mercantilização das relações de produção...”
A) No fragmento “Esse conflito se dá em todos os níveis, predominantemente no biótico”, há uma Metáfora
devido a relação de igualdade entre os elementos citados.
B) Em “No ecológico, pela disputa de território...” há uma metáfora devido à comparação estabelecida entre os
vocábulos ecológico e território.
C) Em “No ecológico, pela disputa de território, de suas matas e riquezas para outros usos. No econômico e
social...” há a figura de linguagem denominada Zeugma, pois houve a omissão de vocábulos mencionados
anteriormente no contexto.
D) Em “No econômico e social, pela escravização do índio” há a figura de linguagem denominada Hipérbole,
marcada predominantemente pelo exagero na linguagem.

QUESTÃO 02. Sobre os elementos que compõem o texto acima, é CORRETO afirmar que:
A) trata-se de um texto em prosa, que apresenta em seu enredo informações sobre a formação, cultura e
colonização dos povos indígenas.
B) trata-se de um texto escrito em verso e com uma linguagem conotativa, pois há a recorrência de figuras de
linguagem como em: “Era o brasileiro que surgia, construído com os tijolos dessas matrizes...”.
C) retrata a variedade linguística regional em sua construção, uma vez que aborda sobre a cultura dos povos
indígenas e esses representam um dialeto importante da língua portuguesa.
D) possui a linguagem denotativa como predominante em todo o texto, uma vez que tem como único objetivo
a informação imparcial acerca da colonização dos povos indígenas.

QUESTÃO 03.
“Nada disso sucedeu. O que aconteceu, e mudou total e radicalmente seu destino, foi a introdução
no seu mundo de um protagonista novo, o europeu. Embora minúsculo, o grupelho recém-chegado de além-mar
era superagressivo e capaz de atuar destrutivamente de múltiplas formas. Principalmente como uma infecção
mortal sobre a população preexistente, debilitando-a até a morte.”
A partir da leitura do fragmento anterior, assinale a alternativa INCORRETA.
A) Em “Nada disso sucedeu”, há uma anáfora, mecanismo linguístico de referenciação, que retoma as
informações descritas no parágrafo anterior.
B) Em “...foi a introdução no seu mundo de um protagonista novo, o europeu.”, há uma catáfora, mecanismo
linguístico que referencia um elemento que será apresentado posteriormente.
C) “Em “O que aconteceu, e mudou total e radicalmente seu destino...”, o pronome demonstrativo destacado
refere-se ao europeu.
D) Em “Principalmente como uma infecção mortal sobre a população preexistente...” o termo destacado no
trecho refere-se aos índios, que já habitavam o território brasileiro antes da chegada do europeu.

QUESTÃO 04. “Nos últimos séculos, porém, índios de fala tupi, bons guerreiros, se instalaram, dominadores,
na imensidade da área, tanto à beira-mar, ao longo de toda a costa atlântica e pelo Amazonas acima, como
subindo pelos rios principais, como o Paraguai, o Guaporé, o Tapajós, até suas nascentes.”
A respeito dos elementos gramaticais desse período, assinale a alternativa CORRETA.
A) O pronome oblíquo “se”, segundo a norma culta, está mais bem colocado nesta posição proclítica.
B) O acento grave indicativo de crase em “à beira-mar” é facultativo, por se tratar de uma locução adverbial
feminina.
C) Os termos separados por vírgula “Nos últimos séculos”, “bons guerreiros” e “ao longo de toda a costa
atlântica e pelo Amazonas acima” exercem a função sintática de adjuntos adverbiais.
D) O termo “dominadores” exerce a função sintática de predicativo do sujeito, por se tratar de uma característica
transitória referente a “índios de fala tupi”.

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CONCURSO DE BOLSAS - COLÉGIO SÓLIDO 2024 3° ANO

QUESTÃO 05. A respeito das estruturas linguísticas e gramaticais do segundo parágrafo do TEXTO I, assinale
a alternativa INCORRETA.
A) O termo destacado em “o que viria a ser nosso país” exerce a mesma função morfológica e sintática que o
termo destacado em “que começavam a se diferenciar e logo se desconheciam e se hostilizavam”.
B) Em “Configuram-se, desse modo, a ilha Brasil, de que falava o velho Jaime Cortesão” a oração destacada
é subordinada substantiva e exerce a função sintática de complemento nominal.
C) Em “dois povos que começavam a se diferenciar e logo se desconheciam e se hostilizavam” há dois
pronomes oblíquos indicando reciprocidade.
D) O vocábulo “miríade” no trecho “uma miríade de povos tribais” é um substantivo feminino e, neste contexto,
poderia ser substituído, sem prejuízo semântico e sintático por “infinidade”.

Leia o texto II e III para responder às questões de 06 a 08

Texto II

Um Brasil de 154 línguas


Livro “Línguas indígenas: tradição, universais e diversidade” apresenta as quase duas centenas de idiomas
falados no Brasil por tribos indígenas
Por Caio Santana

Índios da etnia waiapi – Foto: Heitor Reali/Iphan/[Link]


.
Apesar de ser praticamente homogêneo em todo o território nacional, apenas com distinções de
sotaques e regionalismos dependendo do local onde é falado, o português praticado no Brasil não é a única língua
do País. Além do português oficial, há mais de uma centena de línguas faladas em nosso território. São as línguas
indígenas, que correm sérios riscos de desaparecer nos próximos 100 anos, caso siga-se uma tendência:
diminuição do número de falantes e as crianças que abandonam o aprendizado nas comunidades.
Esses riscos não se restringem apenas ao seu desaparecimento. Por serem línguas ágrafas, ou seja,
de tradição apenas oral, e não escrita, quando essas línguas morrem também se vai toda uma tradição histórica
secular contada oralmente, de geração a geração, de clã para clã. Estima-se que, antes da chegada dos portugueses
no Brasil, havia entre 600 e 1.000 línguas sendo faladas pelos nativos indígenas. Hoje, existem um total de 154
línguas indígenas faladas no Brasil. O livro Línguas indígenas: tradição, universais e diversidade”, de Luciana
Storto, professora do Departamento de Linguística da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas
(FFLCH) da USP, traz um apanhado dessas línguas, bem como o aprofundamento linguístico das principais
famílias identificadas e agrupadas. O livro tem duas premissas imediatas: informar os resultados de pesquisas
recentes sobre línguas brasileiras ao leitor leigo, chamando sua atenção, assim como estimular o surgimento de
novos estudiosos e ativistas das línguas indígenas.
Essas 154 línguas são agrupadas em famílias. Algumas delas podem ser formadas por subfamílias,
pequenas ou grandes. Como exemplo de famílias linguísticas grandes temos a tupi, macro-jê, aruak, karib e pano.
Já as de famílias pequenas são as yanomami, naduhup e nambikwara. Um fato interessante é que a subfamília
tupi-guarani, apesar de grande, não é considerada uma família. Ela possui 40 línguas ou dialetos identificados
no Brasil e nos países adjacentes, oriundos da língua-mãe proto-tupi-guarani.
A obra possui ao todo seis capítulos que percorrem desde uma contextualização histórica até as
línguas nativas do Brasil atualmente, passando pela sua diversidade cultural e linguística, além da gramática.
Tudo muito bem detalhado e didático.
Disponível em: [Link] Acesso: 18 ago.2023

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CONCURSO DE BOLSAS - COLÉGIO SÓLIDO 2024 3° ANO

Texto III

Disponível em: [Link]

QUESTÃO 06. Em relação ao texto II, assinale a alternativa correta quanto à função social do gênero resenha
A) divulgar a obra “Línguas indígenas: tradição, universais e diversidade”, de Luciana Storto.
B) denunciar a desvalorização das línguas indígenas no contexto social contemporâneo.
C) abordar a importância da obra e expor o posicionamento do autor sobre determinado livro.
D) informar ao leitor sobre a quantidade de línguas indígenas existentes no contexto atual.

QUESTÃO 07. A partir da leitura dos textos II e III, assinale a alternativa INCORRETA.
A) Tanto o texto II quanto o texto III abordam a possibilidade do apagamento histórico da cultura indígena por
meio do desaparecimento da língua.
B) O texto II é puramente informativo, uma vez que se trata de uma reportagem imparcial sobre a presença das
línguas indígenas na sociedade contemporânea.
C) O texto II revela o possível desaparecimento da cultura indígena ao afirmar que atualmente são faladas 270
línguas no país de 1.300 que existiam na época da colonização.
D) No quarto parágrafo do TEXTO II, há características do gênero textual resenha, uma vez que fica evidente
a recomendação da obra pelo autor do texto.

QUESTÃO 08. A reportagem é um gênero textual que consiste em expor, opinar ou interpretar fatos de maneira
detalhada. Por ser um texto jornalístico, ela deve apresentar linguagem clara e objetiva; uso da norma-padrão; e
prevalência da informação na composição dos textos. Em relação ao texto II, assinale a alternativa em que há
marcas evidentes de argumentação.
A) “Além do português oficial, há mais de uma centena de línguas faladas em nosso território...”
B) “Por serem línguas ágrafas, ou seja, de tradição apenas oral, e não escrita, quando essas línguas morrem
também se vai toda uma tradição histórica secular...”
C) “Um fato interessante é que a subfamília tupi-guarani, apesar de grande, não é considerada uma família”.
D) “...que percorrem desde uma contextualização histórica até as línguas nativas do Brasil atualmente,
passando pela sua diversidade cultural e linguística, além da gramática. Tudo muito bem detalhado e
didático”.

Para Cegalla, “Complemento nominal é o termo complementar reclamado pela significação transitiva,
incompleta, de certos substantivos, adjetivos e advérbios”. Cegalla (2010, p. 354).

QUESTÃO 09. Assim sendo, marque a alternativa em que o termo destacado – retirado do TEXTO II - exerça,
no contexto, a função sintática de complemento nominal.
A) “Estima-se que, antes da chegada dos portugueses no Brasil ...” (2º§)
B) “...apenas com distinções de sotaques”. (1º§)
C) “...informar os resultados de pesquisas recentes sobre línguas brasileiras ao leitor leigo ...” (2º§)
D) “... as línguas nativas do Brasil atualmente, ...” (4º§)

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CONCURSO DE BOLSAS - COLÉGIO SÓLIDO 2024 3° ANO

Leia os textos a seguir para responder às questões de 10 a 16.

TEXTO IV
Literatura indígena brasileira: cultura e resistência
"Dizer que o que escrevemos é “apenas” literatura brasileira, é dividir com todos aqueles que
escreveram, escrevem e escreverão coisas medíocres a respeito de nossa gente, um status que não foi construído
por eles. Nossa literatura é indígena para que não se venha repetir que “somos os índios que deram certo”".
(MUNDURUKU, 2011).
A figura do “índio” é bem popular na literatura brasileira. Nos movimentos políticos e culturais ao
longo da história, como o nacionalismo-indianismo no século XIX, a idealização do “bom selvagem” nos
personagens de Iracema, Ubirajara e Peri, foi essencial para a construção da identidade nacional de uma nação
recém-independente, baseada na romantização do processo de colonização e miscigenação.
Já na geração modernista, um século depois, “Macunaíma, o herói sem caráter”, que descendia de
negros e indígenas, veio despido das idealizações dos clássicos, sugerindo uma identidade nacional mais próxima
da cultura popular desses povos discriminados.
Independente dos objetivos que essas moções artísticas visavam, é convergente entre elas ter no
indígena e nas suas tradições o ponto de partida da nossa história, nossa origem. Entretanto, é curioso o fato do
indígena ser sempre um sujeito tratado em terceira pessoa, sob a ótica do não-indígena, e constantemente, visto
num movimento de “olhar para trás”, como uma manifestação no passado. Mas, e os indígenas hoje? O que eles
têm para falar sobre si mesmos, em anos de silenciamento?
De acordo com o último Censo do IBGE, vivem atualmente no Brasil cerca de 896.917 pessoas
autodeclaradas indígenas, de 305 etnias. Línguas indígenas no território brasileiro são pelo menos 274. A maioria
desses povos tem a oralidade como principal meio de compartilhamento de saberes.
O contato invasivo com não indígenas e o processo de assimilação de cultural promoveu ao longo
do tempo, o apagamento de língua nativas, memórias, costumes e ritos que constituem a ancestralidade desses
povos, inibindo principalmente, a autoidentificação (e autoaceitação) do sujeito indígena.
Entretanto, graças a luta secular pelo reconhecimento civil, político e cultural desses povos, houve
avanços importantes como a inclusão dos direitos dos povos indígenas na Constituição de 1988 como direito
originário, “Isto é, anteriores à criação do próprio Estado brasileiro” (OS DIREITOS... [201?]), além de garantir
o direito à diferença multicultural e étnica desses povos, sendo dever da União garantir a esses povos o acesso a
direitos básicos como saúde, segurança, educação e moradia, respeitando os aspectos multiculturais de sua
existência.
Fonte: [Link]

TEXTO V

Erro de português
Quando o português chegou
Debaixo duma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português
Fonte:ANDRADE, Oswald. Obras Completas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1971. p.177.

QUESTÃO 10. A partir da análise do fragmento “é curioso o fato de o indígena ser sempre um sujeito tratado
em terceira pessoa, sob a ótica do não indígena, e constantemente, visto num movimento de “olhar para trás”,
como uma manifestação no passado”, é CORRETO afirmar:
A) a literatura escrita por não índios é parcial por não retratar a realidade indígena.
B) a literatura brasileira sempre rejeitou retratar a figura indígena e sua cultura tradicional.
C) os autores brasileiros citavam apenas figuras indígenas de destaque na sociedade.
D) a figuração do indígena na literatura brasileira pauta apenas em seus hábitos primitivos.

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CONCURSO DE BOLSAS - COLÉGIO SÓLIDO 2024 3° ANO

Releia o trecho a seguir para resolver a questão 11

“O contato invasivo com não indígenas e o processo de assimilação cultural promoveu ao longo do tempo, o
apagamento de línguas nativas, memórias, costumes e ritos que constituem a ancestralidade desses povos,
inibindo principalmente, a autoidentificação (e autoaceitação) do sujeito indígena”.

QUESTÃO 11. A partir da leitura do trecho acima e do poema “Erro de português”, é possível inferir que:
A) o trecho atribui a destruição da cultura indígena à falta de identificação dos povos remanescentes, enquanto
o poema enaltece o contato com o português.
B) o constante apagamento da memória indígena reflete o impacto da cultura estrangeira e os desafios de
manutenção dos traços de ancestralidade indígena.
C) ambos entendem o aculturamento indígena como resultado direto do contato entre índios primitivos e
contemporâneos.
D) o trecho destaca a depreciação da cultura indígena retomando a reflexão do poema de Oswald de Andrade.

Leia o texto a seguir para responder à questão 12


“A tentativa de implantação da cultura europeia em extenso território, dotado de condições naturais, se não
adversas, largamente estranhas à sua tradição milenar, é, nas origens da sociedade brasileira, o fato dominante
e mais rico em consequências. Trazendo de países distantes nossas formas de convívio, nossas instituições,
nossas ideias, e insistindo em manter tudo isso em ambiente muitas vezes desfavorável e hostil, somos ainda
hoje uns desterrados em nossa terra”.
(HOLANDA, S. B. Raízes do Brasil. 26ª ed. São Paulo: Companhia das Letras. p. 31 – adaptado).

QUESTÃO 12. Quando o autor do texto acima diz “somos ainda hoje uns desterrados em nossa terra”, dá a
entender que:
A) o choque da implantação da cultura europeia dificulta até a atualidade a pluralidade cultural no Brasil.
B) a implantação da cultura europeia destruiu as terras brasileiras.
C) a tradição milenar da cultura indígena foi totalmente substituída pela cultura europeia.
D) a tradição cultural europeia ampliou a implantação da cultura primitiva.

INSTRUÇÃO: As questões de 13 a 16 dizem respeito aos elementos linguísticos e gramaticais empregados no


TEXTO IV.

QUESTÃO 13. Marque a alternativa INCORRETA.


A) No 2º§, a palavra “como” é um conectivo introdutório de uma exemplificação.
B) Na frase “A maioria desses povos tem a oralidade como principal meio de...”, o verbo destacado se encontra
na 3ª p. singular (sem acento) para concordar com o núcleo do sujeito “maioria”. Além dessa concordância,
ele poderia apresentar-se, segundo a norma culta, também no plural (com acento circunflexo), concordando
com o complemento do núcleo “desses povos”.
C) Os termos destacados em “veio despido das idealizações dos clássicos” (3º§) classificam-se,
respectivamente, como predicativo do sujeito e adjunto adnominal.
D) No 4º§, o elemento coesivo “Entretanto” é concessivo.

QUESTÃO 14. A respeito dos elementos coesivos empregados no TEXTO IV, marque a alternativa
INCORRETA.
A) No 1º§, a expressão “status” é anafórica e faz alusão à ideia anterior referente à mediocridade de quem diz
que “o que se escreve no Brasil é ‘apenas’ literatura brasileira”.
B) O elemento “Já” que introduz o 3º§ visa orientar o leitor para uma mudança temporal a respeito do que vinha
sendo dito.
C) O 5º§ é encabeçado por um conectivo que introduz a ideia de conformidade.
D) A conjunção “entretanto” empregada no 4º e no último parágrafo estabelece, no contexto em que se insere,
diferentes relações sintático-semânticas.

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CONCURSO DE BOLSAS - COLÉGIO SÓLIDO 2024 3° ANO

INSTRUÇÃO: Analise as estruturas linguísticas e gramaticais empregadas no trecho abaixo, retirado do


TEXTO IV, depois marque a alternativa INCORRETA.

"Dizer que o que escrevemos é “apenas” literatura brasileira, é dividir com todos aqueles que escreveram,
escrevem e escreverão coisas medíocres a respeito de nossa gente, um status que não foi construído por eles.
Nossa literatura é indígena para que não se venha repetir que “somos os índios que deram
certo”".(MUNDURUKU, 2011).

QUESTÃO 15.
A) A palavra “que” destacada em “Dizer que o que escrevemos...” classifica-se como conjunção integrante e,
nesse contexto, introduz uma oração subordinada substantiva objetiva direta.
B) A oração “que escrevemos” é adjetiva restritiva.
C) No trecho “Nossa literatura é indígena para que não se venha repetir que ‘somos os índios que deram
certo’”, o elemento coesivo em destaque introduz ideia de causa.
D) As formas verbais “escreveram, escrevem e escreverão” estão dispostas em uma progressão temporal,
demostrando ações pretéritas, presentes e futuras.

QUESTÃO 16. Quanto ao acento grave indicativo de crase utilizado no TEXTO IV, todas as alternativas estão
corretas, EXCETO:
A) A ausência do acento grave em “a respeito de” na frase “... é dividir com todos aqueles que escreveram,
escrevem e escreverão coisas medíocres a respeito de nossa gente” (1º§) é facultativa por se tratar de uma
locução prepositiva.
B) Na frase “Entretanto, graças a luta secular pelo reconhecimento civil, político e cultural desses povos...”
(último parágrafo), a ausência do acento grave, no “a” destacado, constitui-se uma inadequação gramatical,
na medida em que o vocábulo “graças” rege a preposição “a” e a palavra feminina “luta” apresenta o artigo
“a”.
C) Nas frases “... além de garantir o direito à diferença multicultural e étnica desses povos...” e “Isto é,
anteriores à criação do próprio Estado brasileiro” (último parágrafo), a presença do acento grave se
justifica pela mesma razão.
D) Em “... sendo dever da União garantir a esses povos o acesso a direitos básicos como saúde, segurança,
educação e moradia, respeitando os aspectos multiculturais de sua existência.” A ausência do acento grave
se justifica por outras razões, entre as quais, por se tratar de palavras masculinas.

TEXTO VI para a questão 17.

Armandinho:Ç[Link]

QUESTÃO 17. Em se tratando dos povos originários, a memória tem um papel fundamental para a constituição
da identidade, pois a transmissão oral dessas narrativas possibilitou que muitos dos costumes, hábitos e
ideologias se conservassem por milênios. Paralelamente à memória coletiva dos povos originários, há quase 500
anos, desde que o colonizador aqui aportou seu discurso, foi se construindo outra memória: aquela que continha
seus valores, suas crenças, seus mitos e suas práticas. Partindo desse pressuposto, assinale a alternativa que
explica a fala de Armandinho.
A) As informações acerca do descobrimento falam apenas dos povos colonizadores.
B) O descobrimento do Brasil tem como registro oficial a fala do colonizador, desconsiderando a memória
indígena.
C) Os povos indígenas não participaram dessa fase histórica.
D) Os valores indígenas foram totalmente perdidos na memória.

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CONCURSO DE BOLSAS - COLÉGIO SÓLIDO 2024 3° ANO

Leia a tirinha (TEXTO VII) e responda à questão 18.

QUESTÃO 18. O último quadrinho da tirinha acima, a palavra “Progresso” leva-nos a inferir que:
A) representa uma ironia ao demonstrar a conexão do indígena com a natureza e sua percepção da destruição.
B) destaca o passadismo do indígena por não entender as engrenagens do progresso.
C) aponta a falta de compreensão do significado da palavra progresso.
D) revela a discordância entre os indígenas das ações que levam ao progresso.

TEXTO VIII para as questões 19 e 20.

Censo do IBGE: Brasil tem 1,7 milhão de indígenas


Número de indígenas foi 89% maior que o observado no Censo de 2010. No entanto, houve
mudança no mapeamento e na metodologia da pesquisa, que permitiu identificar mais pessoas. Novos dados
foram divulgados nesta segunda-feira (7) pelo IBGE.
Por Clara Velasco, Gabriel Croquer e Marina Pinhoni, g1 07/08/2023 10h00

Mulheres e crianças yanomami em Surucucu, na Terra Indígena Yanomami, que concentra a maior população
indígena do país. — Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O Brasil tem 1,7 milhão de pessoas indígenas, o que representa 0,83% da população total do país.
É o que mostram novos dados do Censo Demográfico 2022 divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE).
Os povos indígenas passaram a ser mapeados pelo IBGE em 1991, com base na autodeclaração no
quesito “cor ou raça”. No entanto, a partir do Censo de 2022, o instituto ampliou a metodologia, contando com
a participação das próprias lideranças das comunidades no processo de coleta de dados e passando a considerar
outras localidades indígenas além das terras oficialmente delimitadas. Em 2022, o número de indígenas

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CONCURSO DE BOLSAS - COLÉGIO SÓLIDO 2024 3° ANO

contabilizados foi de 1.693.535 pessoas (0,83% da população total). Já em 2010, o IBGE contou 896.917
indígenas, ou 0,47% do total de residentes do país.
Em termos absolutos, a variação representa um aumento de 89% entre os Censos -- mas esta
comparação deve ser vista com ressalvas, já que, como explicado acima, o Censo de 2022 ampliou a sua
metodologia para alcançar mais indígenas no país.

Veja os principais destaques do Censo de 2022 sobre o assunto:

O Brasil tem 1,7 milhão de pessoas que se identificam como indígenas. Isso corresponde a 0,8% da
população total do país.
O Norte concentra 45% dos indígenas brasileiros, com grande destaque para o estado do Amazonas
– que, sozinho, tem 490,9 mil indígenas, ou 29% do total.
O Nordeste vem em seguida, com 31% dos indígenas do país. O destaque da região é a Bahia, o
segundo estado com mais indígenas do país – quase 230 mil.
Mesmo com essa concentração, há indígenas em todas as regiões e em todos os estados brasileiros.
Das 5.570 cidades do país, 4.832 têm moradores indígenas (86,8%). A maioria da população indígena (63%)
vive fora das 573 terras oficialmente demarcadas pela Funai.
Foram contadas 867.919 pessoas indígenas nos municípios da Amazônia Legal, o que representa
51,25% do total da população indígena residente no Brasil. A Amazônia Legal é formada por Amazonas, Acre,
Rondônia, Roraima, Pará, Maranhão, Amapá, Tocantins e Mato Grosso.
A Terra Indígena Yanomami (AM/RR) tem o maior número de pessoas indígenas (27.152). O
segundo maior número está na Terra Indígena Raposa Serra do Sol (RR), com 26.176 habitantes indígenas,
seguida pela Terra Indígena Évare I (AM), com 20.177.

QUESTÃO 19. Essa notícia, publicada em um jornal digital de grande circulação, apresenta resultados de um
censo demográfico realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Nessa situação
específica de comunicação, a função referencial da linguagem predomina, porque o autor do texto prioriza:
A) os elementos estéticos na construção do texto.
B) as suas opiniões, baseadas em fatos e dados estatísticos.
C) os aspectos precisos fundamentados por pesquisa e dados estatísticos.
D) os elementos de persuasão do leitor, alicerçados por estatísticas.

QUESTÃO 20. Quanto à palavra “se” empregada na frase “O Brasil tem 1,7 milhão de pessoas que se
identificam como indígenas”, marque a alternativa CORRETA.
A) É pronome reflexivo do verbo “identificar” e transmite a ideia de “identificam a si próprias”.
B) Classifica-se como índice de indeterminação do sujeito, uma vez que o verbo “identificar” - ao qual a palavra
“se” está ligada - é intransitivo e o sujeito dele, indeterminado.
C) É uma palavra denotativa de realce cuja retirada da frase não acarretará prejuízo sintático tampouco
semântico.
D) É pronome apassivador do verbo transitivo direto “identificar” e possui o valor de “são identificadas”.

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