TBL- REDES DE ATENÇÃO E REGULAÇÃO ASSISTENCIAL
As Redes de Atenção à Saúde (RAS) têm sido propostas,
internacionalmente e no Brasil, como estratégia de organização do sistema de
saúde, visando a produção de cuidados integrados e, ao mesmo tempo, uma
certa racionalização diante dos problemas gerados pela fragmentação das
ações de saúde .Historicamente, sem desconsiderar a experiência de redes em
países socialistas, é oportuna a lembrança do Relatório Dawson, de 1920, pela
proposição de organização de uma rede com hierarquia e regionalidade, com
autoridade sanitária , integração de ações preventivas e curativas e
centralidade na figura do médico geral (“general practiccioner”- GP), que serviu
de base para a formulação do National Health Service (NHS) em 1948, no
contexto do pós 2a guerra mundial e do Estado de Bem-Estar Social (welfare
state). No Brasil, na criação do SUS, o Art. 198 da Constituiçao de 1988 prevê
que “as ações e os serviços públicos de saúde integram uma rede
regionalizada e hierarquizada e constituem um único sistema”.
A noção de rede vem sendo utilizada em inúmeras políticas de saúde e
em experiências loco-regionais do SUS, adotando-se normativamente o
conceito de redes como “arranjos organizativos de ações e serviços de saúde,
de diferentes densidades tecnológicas, que integradas por meio de sistemas de
apoio técnico, logístico e de gestão, buscam garantir a integralidade do
cuidado”. Neste caso, a escala e o escopo sendo usados como critérios
inclusive para dimensionar os diferentes serviços ou pontos de atenção de uma
rede. Segundo o Decreto presidencial 7.508/11 , que regulamenta a Lei
Orgânica da Saúde (Lei 8.080/90), institucionalizando a organização das redes
e regiões de saúde (agrupamentos de municípios), deve haver, em cada
região de saúde, atenção primária, vigilância à saúde, atenção ambulatorial
especializada, atenção psico-social, atenção hospitalar e de urgência e
emergência. Por sua vez, a partir de 2011, as políticas nacionais coordenadas
pelo Ministério da Saúde (MS) passaram a adotar também o conceito de redes
temáticas como parte da estratégia de constituição das redes (focadas em
determinados problemas e campos de cuidado), como a Atenção Obstétrica e
Neonatal, a Atenção Psicossocial, as Condições Crônicas, a Atenção à Pessoa
com Deficiência, Atenção às Urgências e Emergências dentre outras. Antes
das redes temáticas. alguns municípios , políticas e autores já vinham
trabalhando também a noção de linha de cuidado, como conjunto de ações
pensadas para determinados públicos e condições/problemas, configurando
tanto diferentes ofertas (desde prevenção até assistência especializada)
quando fluxos seguros na rede, representando o caminho virtual de um
usuário para a garantia da integralidade da atenção.
Nestas definições normativas e nas formulações que as embasam, é
comum a definição de que a atenção básica (ou atenção primária) ocupa um
papel central, estratégico e de destaque nas redes. Frise-se também o desafio
presente na articulaçao entre os diferentes serviços de uma rede, para o qual
têm sido elencadas diferentes noçoes e estratégias, tais como a já conhecida
referência e contra-referência, o matriciamento com suas diferentes práticas, a
história clínica eletrônica compartilhada, dentre outros.
Redes e Regulação no Brasil
A regulação em saúde, genericamente considerada como uma
intervenção do Estado no sistema de saúde, tem destacado papel na
organização e funcionamento das redes no Brasil. Considerada um dos tipos
de regulação , a Regulação Assistencial ou do Acesso consiste na ordenação e
qualificação dos fluxos da assistência, otimizando a utilização dos recursos
assistenciais disponíveis, promovendo a transparência e a equidade do acesso
e gerando subsídios para o monitoramento e avaliação das ações e serviços de
saúde, visando à integralidade do cuidado, em tempo oportuno. Note-se que o
caráter finito ou limitado dos recursos assistenciais bem como a sua utilização
para satisfação de necessidades dos usuários influenciam a regulação do
acesso. Uma das principais estruturas da regulação do acesso (muitas vezes
configurando-se como sua principal interface visível), são as centrais de
regulação, que operam a partir do desenho da rede e, ao mesmo tempo,
buscam efetivá-lo e podem aprimorá-lo.
A Central de Urgências é responsável pela regulação inter-hospitalar e
pré-hospitalar, funcionando 24 horas com profissional médico que regula e
prioriza os chamado, devendo dispor das informações sobre as referências de
recursos especializados (grade) pactuados regionalmente e com atualização
sistemática, e pode se utilizar do recurso vaga zero em situações críticas. No
Brasil é inspirada no modelo francês. A Central de Internações(leitos) opera a
regulação dos leitos hospitalares dos estabelecimentos de saúde vinculados ao
SUS, próprios, contratados ou conveniados. Seu escopo deve abranger a
totalidade dos leitos das diferentes clínicas. Seu funcionamento pode ser
restrito ao período diurno, com a presença de médicos reguladores com a
função de qualificar e ordenar, com equidade, as solicitações de internação
eletivas e controlar a ocupação dos leitos. Nos demais períodos, a regulação
poderá ser exercida pela Central de Urgência. A Central Ambulatorial é
responsável pela regulação do acesso dos pacientes às consultas
especializadas e aos Serviços de Apoio à Diagnose e Terapia – SADT. Pode
funcionar no período diurno sem a presença de médico regulador, sendo
necessária a definição de profissional médico de referência. Os Complexos
reguladores podem compor, de acordo com a necessidade do município ou
região, com outras centrais específicas, como a central de oncologia,
hemodiálise, dentre outras. Vale lembrar que as centrais geralmente atuam a
partir de um evento ou solicitação, portanto há decisões regulatórias (formais
ou informais) que são tomadas também pelos profissionais de saúde, gerando
inclusive demandas para as centrais de regulação.
A partir da leitura do texto acima, responda às seguintes questões
assinalando a resposta mais adequada, individualmente e , em seguida,
no seu grupo (buscando consenso do grupo):
1)Sobre a história das redes de atenção à saúde:
a) A Inglaterra foi efetivamente o primeiro país do mundo a conformar redes de
atenção à saúde nos anos 20 do século passado;
b) A incorporação dos “gp” na Inglaterra como carreira de Estado foi decisiva à
estruturação do NHS;
c) O relatório Dawson foi o definidor das redes de atenção no NHS;
d) As condições que tornaram possível o Welfare State respondem em grande
parte pela conformação do NHS e sua estruturação em redes;
e) O ideário das redes de atenção não foi absorvido com facilidade nos países
periféricos;
2)Sobre o contexto das redes de atenção à saúde:
a) A redução de custos não se mostra com grande ênfase nas propostas de
redes, considerando a natureza das tecnologias de saúde e a diferença da
inflação no setor saúde quando comparada à inflação em geral;
b) Os Estados Unidos incorporaram a noção de redes no setor público, mas
tem dificuldades de pauta-la no setor privado;
c) As redes de atenção ficam num fogo cruzado entre racionalização de
recursos, universalização do acesso e atenção integral;
d) Por razoes ideológicas o sistema de saúde cubano não utiliza a organização
do sistema de saúde em redes;
e) A atenção primária à saúde (ou atenção básica), pelo alto potencial de
resolutividade (80-90% dos problemas de saúde), pode prescindir das redes de
atenção dentro de um sistema público e universal;
3)São dimensões centrais na estruturação de uma rede de atenção à saúde:
a)Território , População, Economia de Escala, Missões assistenciais diferentes;
b)Integralidade, ausência de fluxos, Densidades tecnológicas;
c) Financiamento, Autoridade Sanitária, municipalização;
d) Perfil epidemiológico, respeito às tradições locais, regionalização;
e)Co-pagamento para sustentabilidade, serviços essenciais, serviços
opcionais;
4)Sobre as linhas de cuidado e redes temáticas:
a)Têm como objetivo especializar e focalizar as redes de modo mais concreto;
b)As linhas de cuidado são o percurso que os usuários desejam seguir nas
redes de atenção;
c) As redes temáticas podem ser mais gerais que as linhas de cuidado, com
ambas podendo envolver diferentes tipos de ações e serviços de saúde;
d) As linhas de cuidado partem de um problema ou população-alvo e incluem
diferentes ofertas de cuidado necessárias para uma atenção integral, sem a
necessidade de indicadores de saúde;
e) A responsabilidade pela identificação da necessidade e pela implementação
concreta e cotidiana das linhas e cuidado e das redes temáticas é dos gestores
de saúde;
5)Sobre a regulação do acesso nas redes:
a)Constitui-se num ato médico e opera centralmente na lógica da referência e
contra-referência;
b) Tem como objetivo a burocratização do acesso de modo a racionalizar o uso
dos recursos;
c) Segue a lógica da equidade mas convive com a restrição de ofertas e
capacidade instalada;
d)As centrais e núcleos de regulação são instâncias regulatórias que
antecedem a regulação profissional;
e) Frequentemente dispensa a adoção de softwares e protocolos de
encaminhamento;
6)Sobre as centrais e núcleos de regulação no Brasil:
a)As mais desenvolvidas são as centrais de leitos;
b)O SAMU é um caso de serviço de saúde que faz regulação;
c) As centrais no Brasil são obrigadas a usar o sistema de regulação do
Ministério da Saúde (SISREG);
d) Os núcleos internos de regulação estão mais desenvolvidos na atenção
básica do que nos hospitais, de maneira geral;
e) A gestão de uma central pode ser estadual ou mesmo federal, mas nunca
apenas municipal;
Respostas individuais:
Respostas do grupo: