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Aula 03

O documento aborda a trajetória de Félix Guattari e conceitos fundamentais da antropologia, como etnocentrismo e relativismo cultural, além de discutir a Lei Rouanet e a Indústria Cultural. Também explora o contrato social de filósofos como Hobbes, Locke e Rousseau, e analisa os movimentos sociais contemporâneos, suas características e objetivos. Por fim, menciona a evolução dos movimentos sociais e suas diversas vertentes, incluindo o feminismo e o movimento negro.

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Silmar Oliveira
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Aula 03

O documento aborda a trajetória de Félix Guattari e conceitos fundamentais da antropologia, como etnocentrismo e relativismo cultural, além de discutir a Lei Rouanet e a Indústria Cultural. Também explora o contrato social de filósofos como Hobbes, Locke e Rousseau, e analisa os movimentos sociais contemporâneos, suas características e objetivos. Por fim, menciona a evolução dos movimentos sociais e suas diversas vertentes, incluindo o feminismo e o movimento negro.

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Félix Guattari 1930 - 1992 foi um filósofo, psicanalista e

militante revolucionário francês, famoso por suas


colaborações com o filósofo Gilles Deleuze.
• Na antropologia evolucionista a discussão é pautada sob o ponto de vista da
evolução das estruturas biológicas e fisiológicas do homem, então a antropologia
do século XIX privilegiou o Darwinismo Social.
• Onde era considerado que as sociedades indígenas e aborígenes eram
exemplares “mais primitivos”, enquanto a sociedade europeia era o apogeu do
processo evolucionário.
• Essa linha de pensamento levou o conceito de “civilização” a justificar o domínio
de outros povos.
• Ou seja, era necessária a colonização, pois levaria os povos que eram
considerados “primitivos” a um avanço científico e tecnológico, alcançando o
mesmo estágio das sociedades “civilizadas”.
• Nessa época, a Europa estabeleceu as diretrizes de uma lei universal de
desenvolvimento.
• A maneira como era visto o mundo, considerando esse conceito de civilização
como superior e ignorando as diferenças aos povos considerados inferiores, é
conhecida como etnocentrismo.
• Na visão etnocêntrica, o homem europeu se vê como um ser “civilizado” e
considera os outros povos como seres situados fora da história e da cultura.
• Relativismo cultural é um ponto de vista, muito assimilado na área da
Antropologia, que percebe diversas culturas livres de etnocentrismo.
• Ou seja, o observador imbuído dessa visão procura evitar julgar as outras
pessoas por meio de sua própria visão de mundo e de suas experiências.
• O objetivo do relativismo cultural é permitir que a investigação das ideias,
crenças e costumes de uma população possa ser feita de uma maneira
científica, mesmo no caso de elementos culturais que causem estranheza
ao pesquisador.
• Ela pressupõe, portanto, que o observador se dispa, tanto quanto possível,
dos preconceitos e condicionamentos de sua cultura.

Os muçulmanos se autoflagelam com lanças, facas, espadas e objetos pontiagudos. A chamada celebração “Ashura”
acontece em países como Afeganistão, Índia, Iraque, Líbano e Paquistão.
• A Lei Rouanet, oficialmente Lei Federal de Incentivo à Cultura, é uma lei
federal brasileira que incentiva a cultura através da renúncia fiscal de
empresas que destinam parte dos seus impostos para o fomento da
cultura. A lei foi criada em 1991 pelo então ministro da Cultura, Sérgio Paulo
Rouanet (1934-2022), e sancionada pelo presidente Fernando Collor de
Mello.

Sérgio Paulo Rouanet foi um diplomata, filósofo,


antropólogo, professor universitário, tradutor e ensaísta
brasileiro. Membro da Academia Brasileira de Letras de
1992 até a data de sua morte, Rouanet foi também
ocupante da cadeira 34 da Academia Brasileira de
Filosofia.
• O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, sancionou a Lei 14.568, de 2023, que incentiva
empresas e pessoas físicas a patrocinar projetos de música erudita, instrumental ou regional por meio da
Lei Rouanet. A norma foi publicada na edição do Diário Oficial da União desta sexta-feira (5). Fonte:
Agência Senado
Cultura de Massa
• A Cultura de Massa é o produto realizado pela Indústria Cultural.
Tem o intuito de atingir a massa social, considerando “massa” em seu
sentido de coesão e opacidade.
• Portanto, cultura de massas é o meio e o fim pelo qual se submetem
as mais variadas expressões culturais a um ideal comum e
homogêneo.
Indústria cultural
• O conceito de Indústria Cultural foi originalmente formulado na década de
1940 por dois autores alemães, Theodor Adorno (1903–1969) e Max
Horkheimer(1895–1973), que pertenciam à chamada Escola de Frankfurt.
Esses autores, no livro denominado Dialética do Esclarecimento: o
Iluminismo como mistificação das massas, de 1944, desenvolveram o
conceito de Indústria Cultural.
• Na sociedade globalizada em que vivemos, tudo se reveste de um caráter
mercadológico, no qual se omite a história social da produção dos objetos.
• Nele, afirmaram que esse conceito permitia explicar o fenômeno da
exploração comercial e a banalização da cultura.
• Por procurar um público o mais amplo possível (para que a lucratividade
aumente), a Indústria Cultural produz um tipo especifico de cultura – a
cultura de massa – que se define por ser uma cultura homogênea
transformada em mercadoria destinada ao consumo das grandes massas
(inclusive em nível global) que formam a sociedade de consumo.
• Produz-se em larga escala um único tipo de produto, homogêneo, que se
coloca acima das diversidades culturais e simplifica os conteúdos e
significados das expressões artísticas para ser consumido pelo maior
número de pessoas possível.
• A homogeneização dos produtos e gostos constitui-se no principal
mecanismo de reprodução da indústria cultural, o que faz com que ela
continue existindo independentemente das vontades individuais.
LIVROS FILMES
O castelo de Hogwarts na Disney.
• Preocupado com o que a televisão vem fazendo em termos culturais, o
cientista social italiano Giovanni Sartori (1924-2017), em seu livro Homo
videns: televisão e pós-pensamento (2001), reflete sobre esse meio de
comunicação.
• Se o que torna o ser humano diferente dos outros animais é a capacidade de
abstração, a televisão, para Sartori, “[…] inverte o progredir do sensível para
o inteligível, virando-o em um piscar de olhos […] para um retorno ao puro
ver.
• Na realidade, a televisão produz imagens e apaga os conceitos; mas desse
modo atrofia a nossa capacidade de abstração e com ela toda a nossa
capacidade de compreender”.
• Então, o Homo sapiens está sendo substituído pelo Homo videns, ou seja,
o que importa é a imagem, é o ver, e não o compreender.
• Aqui estão as estatísticas de manchetes e tendências para o 'Status
do Digital' global em janeiro de 2024:
TEMPO DIÁRIO UTILIZANDO MÍDIAS SOCIAIS

Brasil: 03:37
• Em essência, uma rápida navegação por perfis aleatórios no Facebook, por
exemplo, irá revelar de modo muito evidente aquilo que o sociólogo
estadunidense Richard Sennett (1943-) chamou de tirania da intimidade,
• ou seja, a predisposição de milhões de indivíduos em tornar público aquilo
que deveria ficar no espaço privado e doméstico da vida.

Richard Sennett (Chicago, de 1943) é


um sociólogo e historiador norte-americano, professor
da London School of Economics, do Massachusetts
Institute of Technology e da New York University.
• Os chamados "contratualistas" são os filósofos que defendiam que o
homem e o Estado fizeram uma espécie de acordo - um contrato - a
fim de garantir a sobrevivência.
• O ser humano, segundo os contratualistas, vivia no chamado Estado
Natural ou estado de natureza, onde não conhecia nenhuma
organização política.
• O contrato social é uma metáfora usada pelos filósofos
contratualistas para explicar a relação entre os seres humanos e o
Estado.
• Esta figura de linguagem foi utilizada especialmente por Thomas
Hobbes, John Locke e Jean-Jacques Rousseau.

Thomas Hobbes (1588-1679) John Locke (1632-1704) Jean-Jacques Rousseau (1712-1778)


• Primeiro filósofo moderno a articular uma teoria detalhada
do contrato social, com sua obra Leviatã, escrita em 1651, Thomas
Hobbes (1588-1679) foi um filósofo inglês do século XVII,
reconhecido como um dos fundadores da filosofia política e ciência
política modernas.
• Para Hobbes, o Estado seria uma construção humana capaz de
garantir a segurança, protegendo os indivíduos da morte violenta.
• No passado, os indivíduos se conscientizaram de que a vida
no estado de natureza é de guerra de todos contra todos.
• A saída mais racional foi a união e a transferência de
poderes a uma autoridade capaz de garantir paz e segurança
aos indivíduos.
• Hobbes afirmou que o ser humano é egoísta, pois coloca o bem do
outro em segundo plano. Desta forma, o mais forte impõe-se ao mais
fraco: “O homem é o lobo do homem”.
• Estado de natureza – homens nasciam maus, provocando a
desordem natural, um verdadeiro estado selvagem.
• Contrato social – homens abdicam de sua liberdade plena
entregando ao Estado - sem propriedade privada.
• Leviatã – Estado age como um demônio.
• Como representante do individualismo liberal, o inglês John Locke
(1632-1704) defendeu a monarquia constitucional e representativa,
que foi a forma de governo estabelecida na Inglaterra, depois da
Revolução de 1688.
• Segundo Locke, o homem vivia num estado natural onde não havia
organização política, nem social. Isso restringia sua liberdade e
impossibilitava o desenvolvimento de nenhuma ciência ou arte.
• O homem poderá influir diretamente nas decisões políticas da
sociedade civil seja através do exercício da democracia direta ou
delegando a outra pessoa seu poder de decisão. Este é o caso da
democracia representativa, na qual os cidadãos elegem seus
representantes.
• Segundo Locke o Estado de natureza os homens não
nascem nem bons e nem maus, mas com direitos
inalienáveis - Jus Naturale - Direitos Naturais.

• Direito à vida;
• Direito à liberdade;
• Direito à propriedade.

O Estado tem como fim zelar por todos esses


direitos
• Ao contrário de Hobbes e Locke, o suíço Jean-Jacques Rousseau
(1712-1778) vai defender que o homem, no seu estado natural, vivia
em harmonia e se interessava pelos demais.
• Segundo ele, o ser humano seria um "bom selvagem". Em seu estado
natural, os seres humanos viveriam em harmonia entre si e com a
natureza, como fazem os outros animais.
• Porém, à medida que o desenvolvimento da industrialização foi
ganhando espaço, o ser humano se tornou egoísta e mesquinho, sem
compaixão pelo seu semelhante.
• Portanto, o surgimento da propriedade privada gerou uma
desigualdade entre os indivíduos e, consequentemente, um
ambiente de tensão entre os possuidores os não possuidores de
terras.
• Para a resolução desse problema, firma-se o contrato social para que
o Estado possa garantir a manutenção do direito à propriedade e a
regulação de toda a sociedade.
• Assim, o Estado surge como uma ferramenta a serviço dos cidadãos
com o objetivo de seja respeitada a vontade geral e coibida a ação
por interesses particulares.
OS MOVIMENTOS SOCIAIS
• Os movimentos sociais definem-se como ações coletivas praticadas
por grupos da sociedade com a finalidade de modificar ou conservar
determinados aspectos culturais, econômicos e políticos ou mesmo
de transformar o conjunto da realidade sociopolítica.
• De maneira geral, os movimentos sociais expressam alguma
insatisfação sociopolítica ou características pontuais de sua
organização, articulando segmentos da sociedade em pautas
reivindicatórias que aspiram à realização de mudança ou de
permanência social, econômica, política e cultural, considerada
necessária e justa.
• Para que um movimento social exista, segundo Alain Touraine (1925-
2023), sociólogo francês, é preciso ter bastantes indivíduos representando
a sociedade, ter um movimento duradouro e algo onde os indivíduos
compartilhem uma relativa identidade. Então, segundo ele, os
movimentos sociais se caracterizam em três pontos fundamentais:

• – o princípio de identidade: Quem luta?


• – o princípio de oposição: Quem é o adversário?
• – o princípio de totalidade: Por que lutar?
• Essa forma de organização dos movimentos sociais consiste em
corrigir ou eliminar o que os membros do movimento consideram
injustiças sociais. Os exemplos dos movimentos sociais que se
utilizam desse tipo de luta são:
• Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST): com
influência da Liga Camponesa, a partir da década de 1970 o MST,
fundamentando-se em artigos da Constituição Federal, reivindica a
redistribuição de terras.
• Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST): seguindo a mesma
lógica jurídica do MST, o movimento urbano surge na década de 1990,
com o intuito de reivindicar o direito à moradia nos grandes centros
urbanos.
• Essa forma, que abrange os movimentos sociais, pretende corrigir ou
eliminar injustiças culturais, como a humilhação, o desrespeito e a
negação de direitos.
• Assim, esses movimentos buscam reivindicar direitos atrelados à
ordem política e cultural do agrupamento social ao qual pertencem.
Os exemplos dos movimentos sociais que se utilizam dessa forma de
luta são:
• Movimento LGBTQI+: esse movimento luta contra a homofobia e a
favor da livre expressão sexual. Além de defender o reconhecimento
na sociedade como cidadãos, com direitos respeitados.
• A Aliança Nacional LGBTI+ e a Coalizão Nacional LGBT+ por Cidadania anunciaram uma
convocação emergencial para mais de 20 movimentos sociais e entidades da sociedade civil se
juntarem em um esforço concentrado para tentar deter o projeto de lei que tramita na Câmara dos
Deputados que proíbe a realização de casamentos entre pessoas do mesmo sexo.
• Entretanto existem os movimentos sociais bivalentes, que buscam ao
mesmo tempo redistribuição e reconhecimento.
• Movimento feminista: movimento com diversos segmentos, luta pela
igualdade social, trabalhista e cultural do gênero feminino, cobrando
do Estado políticas de igualdade entre os gêneros, seja na área
trabalhista ou no âmbito da política. Além disso, dedica-se ao
combate à violência contra a mulher e defende a descriminalização
do aborto.
• Movimento negro: com o intuito de combater as ideias racistas, o
movimento negro também abrange diversos segmentos, luta por
igualdade política, social e trabalhista para os negros, além do
reconhecimento social da história da resistência negra.
• Movimento indígena: movimento que luta pelo reconhecimento dos
povos indígenas, pelo direito de preservação cultural. Grande parte
da luta indígena se dá pela demarcação das tradicionais terras
indígenas, assim como pela resistência às investidas de garimpeiros,
fazendeiros e projetos governamentais de invasão das terras e
reservas indígenas.
• A vida política não acontece apenas dentro do esquema ortodoxo dos
partidos políticos, da votação e da representação em organismos
legislativos e governamentais.
• O que geralmente ocorre é que alguns grupos percebem que esse
esquema impossibilita a concretização de seus objetivos ou ideais, ou
mesmo os bloqueia efetivamente.
• Esses “novos” movimentos sociais surgem como uma estratégia
alternativa e complementar aos movimentos de classes tradicionais e
aos partidos políticos. Porém, não existe uma única definição do que
sejam esses “novos” movimentos sociais, ainda sendo uma área
estudada pelos sociólogos da atualidade.
• Existem três linhas de análise desses novos movimentos sociais:
• Cultural-acionalista: esse movimento luta por mudanças pontuais,
fugindo do estereótipo de luta de classes, enfatizando a identidade e
a solidariedade entre as pessoas. Exemplo: Movimento Passe Livre
• Esquerda pós-moderna: esse movimento nega a herança marxista e a
vitalidade dos partidos e sindicatos. Exemplos: os movimentos
ativistas virtuais.
• Segmentos marxistas e comunistas: esse movimento incorpora as
lutas de classes e as formas de organização marxista na atualidade.
Esse movimento consiste em possibilitar apreender a essência dos
fenômenos, visando a uma práxis revolucionária. Exemplo: Ações
virtuais, como as manifestações no Chile em outubro de 2019.
• O exame das formulações sobre os “novos movimentos sociais”
permitiu-nos perceber que não existe uma única definição do que
sejam os movimentos sociais, contudo, é possível notar que nas
discussões, predominam as explicações dos novos movimentos
presentes na sociedade contemporânea que se limitam a mudanças
relacionadas às questões culturais e pontuais.

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