Correção Feit
Correção Feit
AGRADECIMENTOS………………………………………………………………………II
RESUMO……………………………………………………………………………………III
ABSTRACT……………………………………………………………………………...….IV
INTRODUÇÃO 01
CAPÍTULO II - METODOLOGIA 12
2.4. Métodos 14
CONCLUSÃO 35
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
APÊNDICES
DEDICATÓRIA
À minha mãe, pela vida e protecção que me deu durante a formação.
I
AGRADECIMENTOS
Ao tutor, Ornelas Capaxi, MSc., pela incansável orientação e pelos subsídios prestados ao
longo da feitura do trabalho.
Ao Corpo de professores, por nos terem guiado desde o princípio até o final da formação.
Aos queridos Irmãos, José Kitumba Gabriel, Zita José Gabriel, Alfredo Bumba Gabriel,
Victória Hebo José Gabriel.
Aos amigos Martins Kissama Bandeira, António Artur Domingos, Domingos Gabriel
António, Russel Virgílio, Henriques Osvaldo Faustudo Bandeira.
Aos colegas de turma e de escola que compartilharam bons e maus momentos na sala de
aulas, sobretudo o Mateus Francisco, Luís Miguel e Isaura Miguel.
II
RESUMO
Este trabalho tem como objectivo geral «elaborar exercícios didácticos para a melhoria dos
pronomes clíticos dos alunos da 8.ª Classe do Complexo Escolar da Quibala». Quanto à
natureza, a pesquisa é aplicada; em relação à abordagem, é mista (qualitativa – quantitativa);
do ponto de vista dos procedimentos técnicos, é bibliográfica. A população foi de 133
sujeitos, dos quais 128 alunos e 5 professores. A nossa amostra foi de 50 alunos. No que
concerne aos métodos utilizados, foram os seguintes: dialéctico, comparativo e o matemático-
estatístico. No que concerne às técnicas de recolha de dados, foram as seguintes: a
observação, a entrevista e o inquérito por questionário. A entrevista foi aplicada aos dois
professores e deduziu-se que eles usam actividades que permitam ao aluno reflectir e
conhecer bem a posição dos pronomes clíticos. Desta feita, eles precisam de melhorar a
actuação no processo de ensino-aprendizagem. Tendo em conta os resultados alcançados no
inquérito por questionário, verificou-se a existência de dificuldades nos alunos da 8.ª Classe
do complexo em epígrafe, no aspecto ligado à posição dos pronomes clíticos, tais como: o
desconhecimento total da próclise, ênclise e mesóclise; não aplicação das regras aprendidas na
escola, isto é, no seio familiar; o não domínio de algumas classes gramaticais; colocar o
pronome na frase e, em seguida, justificar. Em função dos resultados encontrados,
apresentamos exercícios, para minimizar o uso incorrecto dos pronomes clíticos na frase.
Estes exercícios foram apresentados no terceiro capítulo.
III
ABSTRACT
This work has the general objective of «developing didactic exercises to improve the clitic
pronouns of students in the 8th Class of the Quibala School Complex». As for the nature, the
research is applied; in relation to the approach, it is mixed (qualitative – quantitative); from
the point of view of technical procedures, it is bibliographic. The population was 133 subjects,
of which 128 were students and 5 teachers. Our sample was 50 students and 2 teachers.
Regarding the methods used, they were the following: dialectical, comparative and statistical.
Regarding data collection techniques, they were as follows: observation, interview and
questionnaire survey. The interview was carried out with the two teachers and it was
concluded that they use activities that allow the student to reflect and understand the position
of clitic pronouns. This time, they need to improve their performance in the teaching-learning
process. Taking into account the results achieved in the questionnaire survey, it was verified
that there were difficulties in the 8th Class students of the abovementioned complex, in the
aspect linked to the position of clitic pronouns, such as: total lack of knowledge of proclisis,
enclisis and mesoclisis; non-application of the rules learned at school, that is, within the
family; not mastering some grammatical classes; put the pronoun in the sentence and then
justify. Depending on the results found, groups of exercises were presented to minimize the
incorrect use of clitic pronouns in the sentence. These exercises were used in the third chapter.
IV
INTRODUÇÃO
O nosso interesse por esse tema nasce de uma situação ocorrida em sala de aula ao longo do
estágio. Um dos alunos pediu emprestado o caderno do seu colega para poder passar uma
matéria. No caderno, encontrou a seguinte frase: direi-te. O pronome clítico estava depois da
forma verbal. Isso provocou discussão na turma. O proprietário do caderno defendia que
estava certo por colocar o pronome clítico depois do verbo; todavia, o colega discordava da
análise feita, pois, para ele, o pronome estaria no meio da forma verbal: dir-te-ei. Outros ainda
alegavam que o pronome estaria antes da forma verbal: Te direi. Essas desavenças levaram-
nos a pensar na possibilidade de existir dificuldades de colocação pronominal.
Assim, a pesquisa é orientada no sentido de dar resposta à seguinte pergunta científica: como
melhorar o uso correcto dos pronomes clíticos na frase dos alunos da 8.ª Classe do Complexo
Escolar da Quibala?
Para dar a resposta a essa pergunta, formula-se o seguinte objectivo geral: elaborar exercícios
didácticos para a melhoria dos pronomes clíticos dos alunos da 8.ª Classe do Complexo
Escolar da Quibala.
Para cumprir o objectivo geral deste trabalho, definem-se os seguintes objectivos específicos:
1
A presente monografia é muito importante, porque ajudará não só na discussão sobre a
temática, como também na reflexão sobre as posturas existentes e nas dificuldades que têm
surgido no processo de ensino-aprendizagem das mesmas, o que contribuirá
consequentemente para a implementação de novos comportamentos e acções para o
melhoramento da temática em estudo tanto a nível das escolas da circunscrição, bem como da
comunidade académica em geral. Permitirá também aos entes do ensino redireccionar as
metodologias sobre o tratamento da temática nas instituições de ensino.
No terceiro capítulo, narram-se os resultados encontrados a partir das análises e traz uma
interpretação acerca desses resultados.
Por fim, a conclusão apresenta uma síntese de tudo quanto foi abordado ao longo dos três
capítulos. Todos os livros consultados para a fundamentação do nosso trabalho encontram-se
na referência bibliográfica.
2
CAPÍTULO I: QUADRO TEÓRICO
Neste capítulo, procuramos apresentar os aspectos teóricos referentes aos pronomes, suas
funções sintacticas, recorrendo a fundamentos teóricos de autores que já abordaram o assunto.
Porém, vai merecer atencão, numa primeira fase, da apresentação de conceitos dos termos-
chave que compõem o foco do tema desta pesquisa, como já fizemos menção, dos quais se dá
sequência à fundamentação teórica, fazendo parte variedade de subtítulos que debruçam sobre
os pronomes clíticos.
Ensino-aprendizagem
Segundo Libâneo (1994): “a relação entre ensino e aprendizagem não é mecânica, não é uma
simples transmissão do professor que ensina para um aluno que aprende” (p. 90). Entendemos
que a relação deve ser recíproca, o que significa que o professor aprende com o aluno, e o
aluno aprende com o professor. Portanto, não se deve encarar a mente do aluno como uma
tábua rasa, pois, este está também apto para ensinar e aprender com o seu mestre.
Pronome
Para Moreira e Pimenta (2014): “chama-se pronome à palavra pertencente a uma classe
fechada que pode substituir um grupo nominal. Pelo facto de poder substituir, o pronome
também é conhecido por substituto” (p. 151).
A classe fechada é limitada, determinada. Os elementos desta classe são de fácil assimilação,
porque abrangem um número relativamente pequeno de palavras, cuja ocorrência se dá com
maior repetição no discurso. Em outros termos, a língua poderá receber novos verbos e novos
3
substantivos, todavia jamais receberá novos pronomes. Além de pertencer à classe fechada da
língua, os pronomes substituem os grupos nominais. Vejamos:
Matos et al. (2012) acrescentam, dizendo que: “para além de evitar a repetição, o pronome
desempenha outras funções” (p. 228).
Concordamos com este reparo, uma vez que os pronomes podem retomar um substantivo
previamente enunciado, substituindo-o na sentença – anafóricos -, no caso do pronome de
terceira pessoa ele e suas variantes, e podem sinalizar as pessoas do discurso – dêiticos -, no
caso dos pronomes de primeira e segunda pessoas eu e tu, respectivamente.
Clíticos
Conforme declara Rosa (2000), clíticos: “são palavras que conseguem substituir uma palavra
lexical – dotada de valor semântico -, um sintagma, uma oração ou sentença” (p. 69).
Raposo et al. (2013) afirmam que clítico é “um item lexical sem acento prosódico atribuído
no léxico (tal como os afixos e contrariamente às palavras), mas com uma certa liberdade
posicional (tal como as palavras, mas contrariamente aos afixos)” (p. 2231).
Os clíticos também tratados como pronomes pessoais átonos são aqueles monossílabos sem
tonicidade, identificados como monossílabos átonos. Quando um clítico se agrega a uma
palavra lexical, torna-se uma sílaba da palavra fonológica que resulta dessa junção. Quando,
por exemplo, ao infinitivo do verbo levar, agrega-se o pronome pessoal «lo», resultando em
«levá-lo», passamos a ter uma só palavra fonológica, a palavra /le'vala/.
Frase
Pestana (2013) afirma que frase: “é qualquer enunciado (curto ou longo) que estabelece
comunicação. Toda frase deve ser inteligível. Tradicionalmente, ela pode ser nominal ou
verbal” (p. 687). Na mesma direcção, Martino (2014) sustenta que: “é todo enunciado que tem
sentido completo. A frase pode ou não ter verbo” (p. 176).
4
Partilhamos os pensamentos dos dois gramáticos brasileiros, pois, quando se fala de frase, não
importa a estrutura (se tem verbo ou não), o que importa é que ela apresente sentido completo,
ou seja, estabeleça uma comunicação.
A primeira construção é uma frase verbal, uma vez que possui sentido completo. A segunda é
uma frase nominal, visto que apresenta também sentido completo, conquanto não haja verbo.
No entanto, a terceira construção não é uma frase, dado que não apresenta sentido completo,
embora seja uma oração subordinada adverbial final.
Os pronomes pessoais apresentam várias tipologias de acordo com as funções por eles
desenpenhadas, tal como de sujeito, bem como as de complementos (directo ou indirecto), de
acordo Cunha e Cintra (2014), “quanto à função, a forma dos pronomes pessoais podem ser
rectas ou oblíquas. Rectas, quando funcionam como sujeito da oração; oblíquas, quando nela
se empregam fundamentalmente como objecto (directo ou indirecto)” (p. 335).
Percebe-se assim que os pronomes rectos, eu, tu, ele (a), nós, vós, eles (as) têm a função de
sujeito na oração, ao passo que, os oblíquos, me, te, o, a, lhe, nos, vos, os, as, lhes têm a
função de complemento (directo ou indirecto).
Vale referir que além da tipologia relacionada as funções que os pronomes desempenham, há
também a classificação quanto à acentuação, distinguindo os pronomes pessoais das formas
tônicas das átonas. As formas tônicas são representados pelos pronomes oblíquos átonos
apresentados no parágrafo anterior e, as formas tônicas são mim, consigo, ti, contigo, ele/ela,
nós, convosco, vós, convosco e eles/elas (Idem, p.135).
Complemento directo
5
Quivuna (2010), na sua obra Introdução aos Estudos Linguísticos, diz que o complemento
directo “se situa depois do verbo, a sua deslocação está sujeita a regras muito apertadas e pode
ser pronominalizado pelos pronomes o, a, os, as” (p. 182). O linguista angolano traz o
seguinte exemplo:
A didáctica da pronominalização aconselha que ela deve ser empregada para fazer referência
a um termo já mencionado no texto ou na frase. Não é aconselhável ensinar como o fez o
linguista Quivuna, pois não há nenhum constituinte repetido. Desta maneira, a
contextualização poderia ser desta forma: O Pedro comprou as maçãs, e a Rosa comeu-as. O
nosso leitor já terá um conhecimento do elemento que vamos pronominalizar, uma vez que
houve repetição.
a) Substantivo:
Vou descobrir mundos, quero glória e fama!...
b) Pronome (substantivo):
Os jornais nada publicaram.
c) Numeral:
Já tenho seis lá em casa, que mal faz inteirar sete?
d) Palavra ou expressão substantivada:
Perscrutava na quietude o inútil de sua vida.
e) Oração substantivada (objetiva direta):
Não quero que fiques triste.
Essas são as distintas formas de representação do complemento directo. Salienta-se ainda que
uma das formas para identificar o complemento directo é fazer as seguintes perguntas ao
verbo: O quê? Quem? O primeiro é usado para objectos e animais; ao passo que o segundo é
utilizado para pessoas.
6
As respostas para essas perguntas levam-nos ao complemento directo. A boa
pronominalização do complemento directo evita repetições desnecessárias e torna o texto
mais atraente. A seguir, apresentam-se alguns exemplos de pronominalização do
complemento directo:
Complemento indirecto
Em Matos et al. (2012), pode ler-se que o complemento indirecto: “é o grupo preposicional
seleccionado pelo verbo, que pode ser substituído pela forma dactiva do pronome pessoal (-
me, -te, -lhe, -nos, -vos, -lhes)” (p. 228). Eles dão os seguintes exemplos:
Pensamos haver uma contradição no último exemplo, visto que o pronome clítico «te» não
desempenha a função sintáctica de complemento indirecto, mas sim de complemento directo.
O verbo convidar, neste contexto, tem o significado fazer convite; chamar. Portanto, é um
verbo transitivo directo. Diz-se convidar o Pedro, e não convidar ao Pedro.
Por outra, os autores mencionam, na sua gramática, apenas os pronomes me, te, nos, vos como
pertença do complemento indirecto. Dependendo da transitividade verbal, os pronomes
citados podem desempenhar tanto a função de complemento indirecto quanto de complemento
directo. Vejamos os seguintes exemplos:
A respeito do complemento indirecto, Nascimento e Lopes (2011) apontam que pode ser
definido como sendo “a função desempenhada pelo constituinte introduzido pela preposição
‘a’ e obrigatoriamente selecionado por um verbo transitivo directo e indireto ou simplesmente
transitivo indireto” (p. 199).
7
Embora os autores tenham dito algures da gramática que nem todos os complementos
introduzidos pela preposição «a» são indirectos, faltou mencionar alguns verbos que não
obedecem a esta regra (ir, morar, chegar, etc.) e dizer que o complemento indirecto pode ser
substituído pelo pronome pessoal lhe e lhes, o que não acontece com o complemento oblíquo.
Isso que acabamos de afirmar pode ser visto em Duarte (2000): “Os complementos
introduzidos pela preposição a que podem ser substituídos pela forma dactiva do pronome
pessoal têm a relação gramatical de objecto indirecto (ou complemento indirecto)” (p. 143).
Por isso, é recomendável que se saiba a natureza do verbo, já que existem muitos verbos que,
por si só, obrigam o uso de um complemento que não é directo nem indirecto. Estamos a
referir-nos ao complemento oblíquo, que, segundo Moreira e Pimenta (2014), “não é
substituível por um pronome pessoal na forma dativa (“lhe” / “lhes”)” (p. 212).
Nesta linha de pensamento, ênclise é a colocação do pronome pessoal átono depois do verbo.
Na ênclise, o pronome liga-se ao verbo por meio de hífen, como se viu no exemplo ilustrado
pelo linguista Quivuna. Miguel e Alves (2016, pp. 254-255) dizem que os pronomes de
complemento directo o, a, os, as tomam as formas lo, la, los, las, conforme o seguinte
esquema:
Tabela 1
Formas verbais Os pronomes Vou tomar um café.
terminados em: tomam as formas: Vou tomá-lo.
8
Tens a gramática aí?
Tem-la aí?
Adaptado de Miguel e Alves (2016, pp. 254-255)
De forma explícita, quando a forma verbal termina em z, s, r, essas consoantes são eliminadas
e os pronomes clíticos do complemento directo (o, os, a, as) passam a ser: lo, los, la, las.
Ditongo
Não fugindo muito da explanação das autoras acima, Moreira e Pimenta (2014) apontam que
ditongo: “é o encontro, no interior de uma sílaba, de uma vogal e uma semivogal (ditongo
decrescente), ou uma semivogal e uma vogal (ditongo crescente), em que a vogal constitui o
núcleo da sílaba, pronunciando-se numa emissão rápida e contínua” (p. 49).
Como podemos compreender a partir da explanação dos linguistas mencionados, existem duas
possibilidades de sequência. Se a sequência for semivogal + vogal, o som aumenta (cresce) do
menos para o mais forte. Razão pela qual se chama ditongo crescente. Todavia, se for vogal +
semivogal, aqui acontece o contrário, ou seja, o som diminui (decresce) do mais para o menos
forte. Eis o motivo de se chamar por ditongo decrescente. Porém, como estamos a referir-nos
aos verbos, o ditongo predominante é o decrescente.
Exemplo:
Retomando Quivuna (2014), “quando o verbo termina em som nasal, o pronome pessoal «o»
e suas flexões tomam a forma –no, -na, -nos, -nas, conforme o género e o número do objecto
pronominalizado: eles comem-no (s) /na (s), etc.” (p.189). Ou seja, se estiverem ligados a
verbos terminados em ditongo nasal (-am, -em, -ão, -õe...), viram -no(s), -na(s):
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Se virem o João, saúdem-no.
Pestana (2013, pp. 391-392) apresenta as construções frásicas que admitem a ênclise:
2) Pausa antes do verbo sem palavra atrativa – Se eu ganho na loteria, mudo-me hoje
mesmo.
4) Verbo no infinitivo não flexionado sem palavra atrativa – Machucar-te não era minha
intenção.
Futuro
“Condicional é usado, regularmente, para, em orações condicionadas, referir factos que não
se realizaram e cuja realização é incerta.” (idem, p. 169). Moreira e Pimenta (2014) afirmam
que: “no futuro e no condicional, o pronome, nas formas lo, la, los, las, surge no meio
(mesóclise) da forma verbal, ou seja, entre o que se designa por tema e a característica do
tempo ou modo (e os sufixos afixais indicadores do número e pessoa)” (p. 134).
Tabela 2
Futuro Condicional
Amá-lo-ei Amá-lo-ia
Amá-lo-ás Amá-lo-ias
10
Amá-lo-á Amá-lo-ia
Amá-lo-emos Amá-lo-íamos
Amá-lo-eis Amá-lo-íeis
Amá-lo-ão Amá-lo-iam
Fonte: Moreira e Pimenta (2014, p. 134).
Como podemos ver, na próclise, não se usa o hífen para separar o pronome clítico da forma
verbal.
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CAPÍTULO II: METODOLOGIA
A estrutura onde funciona o Complexo é de carácter definitivo com algumas salas anexas,
contendo um gabinete do Director, um gabinete do Subdirector Pedagógico, um gabinete
do(a) Subdirector(a) Administrativo(a), uma secretaria geral, uma sala de professores, 6 casas
de banho sendo 4 para alunos (2 masculino, 2 feminino) e 2 casas de banho para professores
(sendo, 1 professores e outra para professoras).
Orgãos de apoio:
Conselho de Direcção, Conselho Pedagógico, Coordenação de turno, Assembleia da
Escola, Comissão de Pais Encarregados de Educação.
A escola dispõem de: 10 salas de aulas de carácter definitivo e 4 salas improvisadas (chapas)
10 quadros de giz; 402 carteiras para alunos; 3 computadores de mesa; 1 projector; armários
onde são conservadas as pastas de arquivos de documentos.
Fundamentações de Silva e Menezes (2001) sustentam que: “este tipo de pesquisa gera
conhecimento para aplicação prática dirigida à solução de problemas específicos. Envolve
verdades e interesses locais” (p. 20).
No que diz respeito aos procedimentos técnicos, a nossa pesquisa é bibliográfica. A pesquisa
bibliográfica, conforme Amaral (2007) “... é uma etapa fundamental em todo trabalho
científico que influenciará todas as etapas de uma pesquisa, na medida em que der o
embasamento teórico em que se baseará o trabalho. Consistem no levantamento, selecção,
13
fichamento e arquivamento de informações relacionadas à pesquisa” (p. 1). Neste sentido,
esta pesquisa ajudou-nos a fundamentar o trabalho através de livros. Com ela, foi possível
analisar as diversas contribuições dos autores em relação ao tema em questão.
População
Marques (s.f.) alega que é o “termo que, em estatística, designa o grupo de sujeitos cujas
características se pretende estudar. Dada a enorme dificuldade em efectuar investigações
sobre a totalidade dos sujeitos da população, quando a população é muito grande, procede-se
à extracção de uma amostra representativa” (p. 114). Assim sendo, o universo do nosso
trabalho engloba todos os estudantes da 8.ª Classe das turmas A, B e C, do Complexo Escolar
da Quibala. Escolhemos como população 133 indivíduos, dos quais 128 alunos e 5
professores.
Amostra: “termo que designa um grupo de sujeitos junto dos quais se tenciona realizar a
investigação. Quando se selecciona uma amostra deve ter-se em conta o efectivo necessário e
a sua representatividade” (idem, p. 6).
Em outras palavras, fazem parte da amostra as pessoas que responderam à nossa pesquisa. Em
pesquisa quantitativa, a amostra é o grupo de indivíduos que responderam ao questionário.
Nesta vertente, refere-se aos 50 alunos. Já em pesquisa qualitativa, a amostra caracteriza-se
pelas pessoas que foram entrevistadas durante a colecta de respostas. Entrevistámos 2
professores. Assim, temos uma amostra composta por 52 indivíduos.
2.4. Métodos
Neste trabalho, utilizou-se o método dialéctico, que tem como características centrais o uso
da discussão e da argumentação. Aplicou-se para discordar das ideias de alguns gramáticos e
14
concordar com as ideias de outros gramáticos. Quando se discordou de alguns autores,
argumentou-se a razão do tal equívoco gramatical. Outrossim, quando se concordou com
outros autores, mostrou-se o motivo de tal afirmação. Na ciência, não se pode generalizar nem
simplificar uma ideia. Aragão e Neta (2017) afirmam, a este propósito, que:
Para além deste método que foi, naturalmente, o principal, usámos, de igual modo, o método
comparativo e o estatístico.
Comparativo: Este método foi bastante imprescindível, pois nos possibilitou fazer a
comparação de ideias entre autores, mostrando o ponto de divergência e de convergência que
há entre eles. Gil (2008) afirma o seguinte:
15
Prodanov e Freitas (2013), ”o papel do método estatístico é, essencialmente, possibilitar uma
descrição quantitativa da sociedade, considerada como um todo organizado” (p. 38).
Entrevista: esta técnica permitiu-nos ter uma conversa com os professores para sabermos a
forma adequada de transmitirem os conhecimentos. Tivemos de elaborar uma série de
questões a fim de esses docentes poderem respondê-las. É o que podemos ler em Haguette
(1995) ao sustentar o seguinte: é “um processo de interacção social, no qual o entrevistador
tem a finalidade de obter informações do entrevistado, através de um roteiro contendo tópicos
em torno de uma problemática central” (p. 26).
Consiste numa série ordenada de perguntas que devem ser respondidas por
escrito pelo informante. Deve ser objectivo, limitado em extensão e estar
acompanhado de instruções, a fim de esclarecer o propósito de sua aplicação,
ressaltar a importância da colaboração do informante e facilitar o
preenchimento (p. 127) .
Nesta vertente, esta técnica de recolha de informações foi muito eficaz, porque permitiu fazer
a colecta de várias opiniões dos alunos da referida escola, para se compreender as dificuldades
da posição dos pronomes clíticos na frase. As opiniões dos alunos foram medidas para ver até
que ponto eles dominam o assunto.
16
CAPÍTULO III: ANÁLISE E APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS
Neste capitulo, vamos abordar sobre os resultados obtidos na aplicação das técnicas de
recolha de dados, resultados dos dados do professor a partir de algumas questões, resultados
dos dados dos alunos por meio de respostas dadas às questões e, finalmente, apresentaremos
algumas propostas de exercícios didácticos.
No que diz respeito ao primeiro item, que narra sobre a planificação da aula, concluiu-se que
os objectivos não estavam correctamente delineados no plano de aula, isto é, não
correspondiam directamente às aptidões a serem desenvolvidas nos estudantes. A professora
tinha apenas uma gramática e o programa da referida disciplina. Nesse caso, não houve uma
relação entre objectivos-conteúdos, conteúdo-método e conteúdos-meios de ensino.
No item seguinte sobre a análise da introdução a partir dos aspectos (saudação, chamada,
controlo da tarefa do dia anterior e orientação dos objectivos da aula), tecemos o seguinte:
Em consideração à saudação aos alunos, ela foi muito expressiva e abrangente, procurando
saber a disposição deles e se estavam preparados para um novo dia de aprendizagem, o que,
na nossa percepção, é extremamente indispensável.
A chamada, em todas as observações feitas, foi de bom nível, pois que, naquela classe,
conforme ela nos explicou, é feita por número e em ordem crescente. Numa aula de dois
tempos, só a fazia no primeiro.
Em relação ao controlo da tarefa do dia anterior e à orientação dos objectivos da aula ao longo
das nossas observações, foram de um nível razoável, uma vez que ela oscilava em fazê-lo
(algumas vezes, sim; noutras, não). Ela ia directamente ao novo conteúdo do assunto a ser
tratado, sem fazer a recapitulação da matéria anterior.
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No que concerne ao desenvolvimento da aula, o professor ensinava as regras do uso correcto
dos pronomes clíticos; entretanto, no momento dos exercícios, os alunos não conseguiam
empregá-los correctamente. Eles apresentavam as seguintes dificuldades: O desconhecimento
total da próclise, ênclise e mesóclise; não aplicação das regras aprendidas na escola, isto é, no
seio familiar; o não domínio de algumas classes gramaticais; colocar o pronome na frase e,
em seguida, justificar.
Portanto, pode-se dizer que o grau de participação dos alunos, durante as aulas, foi de nível
medíocre.
Durante as aulas, não se verificou uma contextualização dos exercícios com o quotidiano dos
alunos, ou seja, a pedagoga não adaptava os exercícios ao contexto social, não dando
exemplos da aplicação da temática debatida na sala de aula, limitando-se unicamente ao
ensino da gramática, o que não permitia que cada um pudesse ter uma ideia concreta da
importância do estudo desse objecto linguístico na sua vida social.
Houve uma atenção dispersada ao longo das observações, principalmente naqueles alunos que
se sentavam no fim da sala, ou nas últimas carteiras da sala de aula. Enquanto a professora
explicava a nova matéria, alguns passavam a mexer nos telemóveis. Por conseguinte, partindo
da ideia anterior, pode-se afirmar categoricamente que a docente não teve o controlo total da
turma e que também lhe foi difícil atingir os aspectos educativos das suas aulas.
18
de nível médio, já que, na maioria das vezes, ela recorria a perguntas orais não planificadas
para avaliá-los.
No que concerne à metodologia utilizada, de uma ou de outra forma, a que mais nos veio à
tona é a semiparticipativa em detrimento da metodologia participativa, uma vez que os alunos,
raramente, participavam nas aulas.
A relação tema-conteúdo não foi bem, porque ela, nas suas planificações, apoiou-se somente
numa gramática e no programa da disciplina. Desta feita, não foi de bom nível.
Tirando os aspectos acima expostos, a única dificuldade que se observou foi o uso do manual
do aluno, pois nenhum deles se fazia acompanhar de um manual de Língua Portuguesa da sua
classe, e isso dificultava, nalgumas vezes, as aulas.
No que se refere às conclusões das aulas, as perguntas de controlo eram bem-feitas, apesar da
fraca participação dos alunos. Felizmente, a docente fez um resumo dos aspectos essenciais
em algumas aulas. Todavia, a orientação da tarefa não se verificava adequadamente. Os
exercícios foram praticamente repetitivos, não houve mudanças, nem foram observados
problemas para serem resolvidos.
No que diz respeito à atitude docente, temos que ressaltar que havia relações humanas com
os alunos.
Ela demonstrou, ao longo das observações, um fraco nível de criatividade, pois se apoiava,
essencialmente, nos exemplos fornecidos pela gramática e não relacionava a aula com alguns
aspectos do dia-a-dia.
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A criatividade da pedagoga, no meio escolar, terá uma forte implicação na aprendizagem
deles e no desenvolvimento das suas personalidades, promovendo a inovação, a originalidade
e o prazer na aprendizagem desses. Isso, perante a vida, deve ser encarada como uma questão
de talento.
Nos aspectos sentido de responsabilidade e sentido de autocrítico, não temos como retratar
de uma forma detalhada, porém notou-se uma certa responsabilidade dela ao longo das
observações feitas.
Depois de analisarmos todos os itens constantes na ficha de observações das aulas durante o
nosso processo investigativo, chegou-se a uma conclusão de que as aulas tiveram uma
classificação final de bom, isto, de acordo com o critério de avaliação que consta na grelha
de observação de aulas em anexo.
Na primeira questão, tencionámos saber o grau académico do professor. Feito isso, obtivemos
a seguinte resposta:
P2: Quanto a mim, estou há seis meses a leccionar a disciplina de Língua Portuguesa, pois
consegui entrar na função pública faz pouco tempo.
É indispensável saber o tempo que o professor lecciona na escola a qual foi realizada a
pesquisa para se ter uma noção do tempo que este docente conhece os seus alunos e mantêm
uma relação com eles, pois, muitas vezes, os alunos entram na escola inseridos num certo
nível e só saem desta quando terminam outro nível. Para concluir, quanto maior for o tempo
que o professor lecciona na escola, maior será a sua intimidade com os alunos.
A segunda pergunta referia-se às principais dificuldades que o professor nota nos alunos.
Ele respondeu da seguinte forma:
P1: As principais dificuldades constam na memorização das regras para que o pronome seja
proclítico.
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P2: As principais dificuldades que se notam nos alunos sobre a posição dos pronomes átonos
na frase são: não aplicação das regras aprendidas na escola, isto é, no seio familiar, tudo
por força maior da língua materna ser diferente do Português.
P1: Uso o método dedutivo que nos permite encontrar frases com a colocação dos pronomes
na forma proclítica, enclítica e mesoclítica.
P2: Os métodos que uso com maior frequência para abordar a posição dos pronomes átonos
na frase são estes: oral e dedutivo. Uso-os por uma simples razão: o aluno aprende ouvindo o
professor a aplicá-los, sucedido da descrição das regras e exemplos de uso concreto, ou seja,
explicam-se as regras e o aluno aprende-as dos exemplos para depois praticá-las.
P1: Sim, houve mudanças. Antes, os professores ensinavam de forma superficial, talvez
devesse ao facto de os professores não possuírem muito recurso que dispomos. Hoje, existem
seminários e muitas gramáticas, bem como muitos especialistas na área da Linguística.
P2: Sim, houve. No meu tempo, como estudante, os meios tecnológicos não estavam tão
avançados como no tempo actual. Porém, a essência do ensino não mudou.
Na quinta questão, indagámos sobre as actividades que tem realizado nas aulas.
P1: Administração de aulas formando grupos nas aulas, trabalho com textos diversificados e,
no fim da temática, orientar exercícios para serem resolvidos em casa e, depois, serem
apresentados na aula. Cada aluno acerta um determinado exercício.
P2: As actividades didácticas que se têm realizado nas aulas são estas: apresento textos de
livros e jornais com registo de língua popular e, em seguida, mostro a norma. Outrossim,
trago aparelho de som com músicas do estilo kuduro, tal qual o falar deles, dos humoristas e
dos taxistas. Depois, analisamos junto como seria na língua padrão, adequando ao contexto.
Exercícios elaborados com a colocação dos pronomes nas frases de forma errada e certa. E
pedimos para turma assinalar os que estivessem conforme a norma e justificar.
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3.3. Resultado dos dados dos alunos
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pano.
Total 50 100%
Fonte: própria.
Na segunda tabela, conforme espelham os resultados apresentados, percebemos que 12
alunos, que correspondem a 24%, responderam que alínea a. 14 alunos, que correspondem a
28%, disseram que é alínea c. 14 alunos, que correspondem igualmente a 28%, disseram que é
alínea d. Ao passo que 10 alunos, que equivalem a 20%, retorquiram que é alínea b.
Segundo Quivuna (2014), quando o verbo termina em som nasal, o pronome pessoal «o» e
suas flexões toma a forma –no, -na, -nos, -nas, conforme o género e o número do objeto
pronominalizado. Ou seja, se estiverem ligados a verbos terminados em ditongo nasal (-am, -
em, -ão, -õe...), viram -no(s), -na(s). Desta feita, a alínea correcta é «...e embrulhem-no num
pano.»
Total 50 100%
Fonte: própria.
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ditongo nasal (-am, -em, -ão, -õe...), viram -no(s), -na(s). Desta feita, a alínea correcta é «...
Põe-nos no teu quarto» .
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esses alunos memorizam apenas os conteúdos gramaticais. Contudo, 10 alunos,
correspondendo a 20%, marcaram alínea c), o que justifica que esses não assinalaram pela
intuição, mas sim tinham a certeza do tipo de posição pronominal. Conforme Quivuna (2014),
geralmente a colocação padrão do pronome pessoal átono é a que nas orações finitas ocorre
seguidamente ao verbo (quer nas formas simples quer nas compostas). Temos, assim, o
processo denominado ênclise. Assim, ênclise é a colocação do pronome pessoal átono depois
do verbo. Na ênclise, o pronome liga-se ao verbo por meio de hífen.
Exercício 1
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Tema: Pronominalização
Tempo: 45 minutos
Procedimentos:
Primeiramente, o professor faz a distribuição de uma folha com exercícios aos alunos e, em
seguida, pede-lhes que substituam os grupos nominais repetidos. Eis o exercício: Faça uma X
na coluna correspondente ao complemento (a negrito) e, a seguir, reescreva a frase,
substituindo o complemento pela forma correcta do pronome:
Exercício 2
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Público-alvo: Alunos da 8.ª Classe
Tempo: 1h
Orientador: Professor
4. Esta zona vai ter dois hotéis. Diz-se que vão construir os dois hotéis aqui.
9. Onde é que compraram estes livros? Comprámos estes livros no mercado de Cacuaco.
14. O dia da festa é hoje, Isabel. Será que convidaste a professora Luzia? Sim, convidei a
professora Luzia e vou buscar a professora Luzia.
16. Esta moça é muito bonita. Vou apresentar esta moça à minha mãe.
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18. Tu tens a esferográfica aí? Sim, tenho a esferográfica aqui.
20. Já não há espaço para pôr este título. Põe este título na primeira página do jornal.
21. Bom dia, senhor professor! Posso fazer uma pergunta ao senhor professor?
25. A quem eles estão a dar a vaga? Eles dão a vaga ao melhor candidato.
26. Por que razão o chefe deitou o documento? Eu quis tanto o documento.
Exercício 3
Tempo: 45minutos
Orientador: Professor
Procedimento: O professor orienta os alunos a fazerem uma narração sobre um conto ou uma
história que tenham vivido, lido ou ouvido de alguém e que seja em quantas linhas eles
puderem. A mesma teria que ter uma introdução, desenvolvimento e conclusão, bem como ter
também, todas as características de um texto narrativo: personagens (elementos que
participam na história e que podem ser seres reais ou imaginários / mitológicos), espaço (o
lugar onde decorreu o acontecimento e o estado das personagens), tempo (o momento ou
época em que decorreu o acontecimento), acção (a forma como decorreu o acontecimento).
De maneira a evitar-se repetição, os alunos deverão fazer a substituição dos nomes repetidos
pelos pronomes átonos correspondentes.
Produção de texto
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Exercício 4
Tema: O uso dos pronomes na linguagem formal e informal
Público-alvo: Alunos da 8.ª Classe
Tempo: 45minutos
Orientador: Professor
Exercício 5
Tema:
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Público-alvo: Alunos da 8.ª Classe
Tempo: 45minutos
Orientador: Professor
Procedimento: Antes de iniciar a aula, os alunos poderão fazer uma breve apresentação e
discussão (10minutos) sobre os resultados da actividade de casa proposta na aula anterior.
Para eles, será uma oportunidade de conhecer mais sobre os usos, para o professor, uma forma
de avaliar o conhecimento da turma até este ponto.
Encerrado o debate, o professor inicia a aula com o tema: Regras de colocação pronominal.
Essa aula deverá acontecer no laboratório de informática da escola (se houver), equipado com
projector de multimédia e com computadores. Através dos slides, os alunos conhecerão as
diferentes regras de colocação pronominal (próclise, ênclise e mesóclise).
Américo Pisca-Pisca tinha o hábito de pôr defeito em todas as coisas. O mundo para ele
estava errado e a natureza só fazia asneiras.
– Asneiras, Américo?
– Pois então?!... Aqui mesmo, neste pomar, você tem a prova disso. Ali está uma
jabuticabeira enorme sustendo frutas pequeninas, e lá adiante vejo uma colossal abóbora
presa ao caule de uma planta rasteira. Não era lógico que fosse justamente o contrário? Se
as coisas tivessem de ser reorganizadas por mim, eu trocaria as bolas, passando as
jabuticabas para a aboboreira e as abóboras para a jabuticabeira.
Não tenho razão?
Assim discorrendo, Américo provou que tudo estava errado e só ele era capaz de dispor com
inteligência o mundo.
– Mas o melhor – concluiu – é não pensar nisto e tirar uma soneca à sombra destas árvores,
não acha?
E Pisca-Pisca, pisca-piscando que não acabava mais, estirou-se de papo para cima à sombra
da jabuticabeira.
Dormiu. Dormiu e sonhou. Sonhou com o mundo novo, reformado inteirinho pelas suas
mãos. Uma beleza!
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De repente, no melhor da festa, plaf!, uma jabuticaba cai do galho e lhe acerta em cheio no
nariz.
Américo desperta de um pulo; pisca, pisca; medita sobre o caso e reconhece, afinal, que o
mundo não era tão malfeito assim. E segue para casa reflectindo:
– Que espiga!... Pois não é que se o mundo fosse arrumado por mim a primeira vítima teria
sido eu? Eu, Américo Pisca-Pisca, morto pela abóbora por mim posta no lugar da
jabuticaba? Hum! Deixemo-nos de reformas. Fique tudo como está, que está tudo muito bem.
E Pisca-Pisca continuou a piscar pela vida afora, mas já sem a cisma de corrigir a natureza.
– Pois esse Américo era bem merecedor de que a abóbora lhe esmagasse a cabeça de uma
vez – berrou Emília. – Eu, se fosse a abóbora, moía-lhe os miolos...
– Por quê?
– Porque a natureza anda precisadíssima de reforma. Tudo torto, tudo errado... Um dia eu
ainda agarro a natureza e arrumo-a certinha, deixo-a como deve ser.
Todos se admiraram daquela audácia. Emília continuou:
– Querem ver um erro absurdo da natureza? Essa coisa do tamanho... Para que tamanho?
Para que quer um elefante um corpão enorme, se podia muito bem viver e ser feliz com um
tamanhinho de pulga?
Que adianta aquele beiço enorme de Tia Nastácia? Tudo errado – e o maior dos erros é o tal
tamanho.
– E quando vai você reformar a natureza, Emília?
– Um dia. No dia em que me pilhar aqui sozinha!...
Exercício 6
Tempo: 1h
Orientador: Professor
A menina das tranças loiras olhou para ele, sorriu e estendeu a mão.
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- Combinado?
Riram os dois e continuaram a andar, pisando as flores violeta que caíam das árvores.
- Como tu!
- Sim, não mais falar da tua cor. Mas quem falou primeiro foste tu.
Ao chegarem à ponta do passeio ambos fizeram meia volta e vieram pelo mesmo caminho. A
menina tinha tranças loiras e laços vermelhos.
- Marina, lembras-te da nossa infância? – e voltou-se subitamente para ela. Olhou-a nos
olhos.
- Quando tu fazias carros com rodas de patins e me empurravas à volta do bairro? Sim,
lembro-me…
- E tu achas que está tudo como então? Como quando brincávamos à barra do lenço ou às
escondidas? Quando eu era o teu amigo Ricardo, um pretinho muito limpo e educado, no
dizer de tua mãe? Achas…
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- Ricardo!
- Que a minha presença em tua casa… no quintal da tua casa, poucas vezes dentro dela!, não
estragará os planos da tua família a respeito das tuas relações…
Estava a ser cruel. Os olhos azuis de Marina não lhe diziam nada. Mas estava a ser cruel.
Virou os olhos para o seu mundo. Do outro lado da rua asfaltada não havia passeio. Nem
árvores de flores violeta. A terra era vermelha. Piteiras. Casas de pau-a-pique à sombra de
mulembas. As ruas eram de areias sinuosas. Uma ténue nuvem de poeira que o vento
levantava cobria tudo. A casa dele ficava ao fundo. Via-se do sítio donde estava. Amarela.
Duas portas, três janelas. Um cercado de aduelas e arcos de barril.
- Bons tempos – encontrou-se a dizer. – A minha mãe era a tua lavadeira. Eu era o filho da
lavadeira. servia de palhaço à menina Nina. A menina Nina dos caracóis loiros. Não era
assim que te chamavam? – gritou ele.
Exercício 7
Tema: Dar sequências de histórias
Tempo: 1h
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Orientador: Professor
Procedimentos: A aula poderá ser iniciada explicando aos alunos que eles deverão escrever
um texto com o máximo de pronomes átonos possíveis. Feito isso, poderá ser solicitado aos
alunos que abram o navegador de Internet e acessem seus e-mails. Logo após, abram um
convite para o Google docs, enviado anteriormente pelo professor. É interessante explicar
para os alunos que, com a utilização do Google docs, todos poderão, ao mesmo tempo, ter
acesso e modificar o documento. Neste documento, haverá o início de uma história a qual eles
deverão dar sequência. Cada grupo terá um determinado tempo para escrever 1 parágrafo. Ao
final da actividade, uma leitura colectiva do texto poderá ser feita e elencado os pronomes
átonos nas frases.
CONCLUSÃO
A presente pesquisa foi orientada no sentido de dar resposta à seguinte pergunta científica:
como melhorar o uso correcto dos pronomes clíticos na frase dos alunos da 8.ª Classe do
Complexo Escolar da Quibala?
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Irregularidades como o desconhecimento total da próclise, ênclise e mesóclise; a não
aplicação das regras aprendidas na escola; o não domínio de algumas classes gramaticais e o
colocar o pronome na frase e, em seguida, justificar passaram a ser alvos da nossa
investigação.
Após fundamentar teoricamente os pronomes clíticos em Língua Portuguesa, com base nas
ideias de vários gramáticos e linguistas, aplicou-se um questionário aos alunos com o
objectivo de verificar o estado actual dos pronomes clíticos dos alunos da 8.ª Classe do
Complexo Escolar da Quibala.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Amaral, J. J. F. (2007). Como fazer uma Pesquisa Bibliográfica. Fortaleza, CE: Universidade
Federal.
Fernández, P. (1998). Facilitando Oficinas: da teoria à prática. São Paulo: Graphox Caran.
Gil, A. C. (2008). Como Elaborar Projectos de Pesquisa. 4.ª ed. São Paulo, Atlas.
Lakatos, E. M.; Marconi, M. A. (2003). Fundamentos de Metodologia Científica. 5.ª ed. São
Paulo: Atlas.
Matos, J.C. et al.(2012). Gramática Moderna da Língua Portuguesa. 2.ª ed. Lisboa: Escolar
Editora.
Miguel, M. H.; Alves, M. A. (2016). Saber +: Manual de Língua Portuguesa para o ensino
universitário. Luanda: Nzila.
Moreira, V.; Pimenta, H. (2014). Gramática de Português - 3.º Ciclo do Ensino Básico/
Ensino Secundário. Portugal: Porto editor.
Escola_________________________________________
Nome do professor____________________________
Disciplina____________________ período_____Classe_____turma____
Trimestre_____________
APÊNDICE 2
Este instrumento estava constituído por uma série de questões que visavam recolher a opinião
dos professores a respeito do tratamento da matéria sobre os pronomes clíticos e determinar as
abordagens que têm sido seguidas no tratamento da matéria sobre estes, bem como as
metodologias.
2.ª Quais são as principais dificuldades que nota nos seus alunos?
3.ª Que tipo de método usa com maior frequência para abordar a posição dos pronomes na
frase?
4.ª Houve mudanças entre o modo de ensinar a posição dos pronomes átonos no seu tempo de
estudante e, agora, enquanto professor?
5.ª Quais são as actividades que tem realizado nas suas aulas para abordar a posição dos
pronomes átonos?
Muito obrigado!
APÊNDICE 3
Com o instrumento a seguir, destinou-se a avaliar o nível de conhecimento dos alunos a
respeito da posição dos pronomes clíticos na frase.
O presente questionário visa colectar dados que servem de requisito parcial para a construção
de Monografia no grau de Licenciatura em Ciências da Educação (Ensino da Língua
Portuguesa), que busca elaborar exercícios didácticos para a melhoria dos pronomes clíticos
dos alunos da 8.ª Classe do Complexo Escolar da Quibala.
a) Vi o Gil e chamei-o.
b) Vi o Gil e chamei-lhe.
c) Vi o Gil e chamei ele.
3.ª Corrija os erros de pronominalização presentes na frase abaixo. Os livros não podem ficar
aqui. Põe-los no teu quarto.
4.ª Substitua o grupo nominal repetido por pronome pessoal. Se eu vir o menino, chamarei o
menino.
a) Chamá-lo-ei.
b) Chamarei-o.
c) Chamar-lhe-ei.
5.ª Vou dizer-lhe a verdade. Que nome se dá à posição que consiste em colocar o pronome
depois do verbo?
a) Posição proclítica.
b) Posição mesoclítica.
c) Posição enclítica.
6.ª Vou convidar os meus amigos. Indique a função sintáctica do termo sublinhado na frase!
a) Complemento indirecto
b) Complemento directo