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História e Funcionamento dos Raios X

O documento aborda a história, natureza e propriedades dos raios X, destacando a descoberta por Wilhelm Conrad Röntgen em 1895 e os avanços na radiologia. Ele descreve a produção de raios X, os componentes dos aparelhos de radiodiagnóstico e a importância do uso seguro dessa tecnologia na odontologia. Além disso, enfatiza a necessidade de conhecimento sobre radioproteção e normas para profissionais da área.

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História e Funcionamento dos Raios X

O documento aborda a história, natureza e propriedades dos raios X, destacando a descoberta por Wilhelm Conrad Röntgen em 1895 e os avanços na radiologia. Ele descreve a produção de raios X, os componentes dos aparelhos de radiodiagnóstico e a importância do uso seguro dessa tecnologia na odontologia. Além disso, enfatiza a necessidade de conhecimento sobre radioproteção e normas para profissionais da área.

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Histórico, natureza

e propriedades
dos raios X
Elen Mariane Dal Bosco Klein

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

> Relatar o descobrimento dos raios X.


> Descrever a constituição e o funcionamento dos aparelhos de raios X.
> Explicar as principais propriedades dos raios X.

Introdução
A história da radiologia teve início em 1895, quando, a partir de um conjunto
simples de componentes agrupados a fios, o físico alemão Wilhelm Conrad Rön-
tgen descobriu acidentalmente os raios X. Desde então, houve muitos avanços
em relação aos aparelhos, ao controle de emissão da radiação, à proteção do
profissional e do paciente e à agilidade na formulação das imagens. Entretanto,
pesquisas apontam que muitos dentistas desconhecem as normas de radiologia e
as especificações técnicas do aparelho do próprio ambulatório (TOSONI; CAMPOS;
SILVA, 2003; SANNOMIYA et al., 2004; SILVA; FREITAS, 2005; CASTRO et al., 2013).
Para além dos conhecimentos sobre radioproteção e radiodiagnóstico, também
é indispensável aos profissionais compreender os fundamentos dos raios X, bem
como as especificidades dos aparelhos. Todos os profissionais habilitados para
a prática da odontologia devem estar adequadamente esclarecidos sobre o uso
da radiação ionizante e sobre suas normas nacionais e internacionais específicas
(SILVEIRA; MONTEIRO; BRITO, 2005). Afinal, o uso dos raios X só é justificado se
14 Histórico, natureza e propriedades dos raios X

o seu benefício para o paciente for maior do que o prejuízo que a exposição a
esses raios pode causar.
Neste capítulo, você vai conhecer como os raios X foram descobertos, os
profissionais que contribuíram para a disseminação de seu uso pelo mundo e
quais foram os avanços que ocorreram na prática da radiologia visando tanto
à segurança de pacientes e profissionais quanto à qualidade dos exames. Você
também poderá entender como é produzida a imagem radiográfica, identificar
os componentes dos aparelhos de radiodiagnóstico e compreender como estes
funcionam, com destaque para os de uso odontológico.

Breve história e descrição dos raios X


No ano de 1895, já no fim de sua jornada de trabalho, o físico alemão Wilhelm
Conrad Röntgen (1845–1923) realizava experimentos com raios catódicos,
observando a condução de eletricidade por um tubo de Crookes. Essa am-
pola contém duas placas ligadas em corrente elétrica, um cátodo (polo –) e
um ânodo (polo +), e dentro dela se produz vácuo. Foi então que, devido à
baixa luz que iluminava o laboratório, seu auxiliar pôde observar uma tela
de cianeto de bário emitindo luminosidade fluorescente. Röntgen colocou a
mão sobre a tela e pôde observar a imagem de seus próprios ossos proje-
tada na tela. Como não conhecia a natureza exata da sua descoberta, ele a
denominou “raio X”, ou seja, um raio desconhecido (FREITAS; ROSA; SOUZA,
2019; MARCHIORI; SANTOS, 2015).
Então, o físico pediu à esposa, Anna Bertha Röntgen, que colocasse sua mão
em um chassi com um filme fotográfico e incidiu sobre esta o tubo de raios X
experimental durante 15 minutos. Após revelarem o filme, eles observaram
além dos tecidos moles da mão de Anna: eles produziram uma imagem de
seus ossos, a primeira radiografia do mundo (Figura 1) (MARCHIORI; SANTOS,
2015; POPE; OTT, 2012; NG; DANCE, 2014).
Histórico, natureza e propriedades dos raios X 15

Figura 1. Primeira radiografia do mundo.


Fonte: Carvalho (2006, p. 212).

Disseminou-se rapidamente a notícia do achado, que foi anunciado pelos


jornalistas como a descoberta do século. Os raios X começaram a ser usados
na medicina apenas três meses após seu anúncio, mas foram necessários mais
dois anos para que o primeiro aparelho de raios X chegasse ao Brasil. Devido
às limitações da época, esse aparelho era ligado a um gerador de energia
elétrica a gasolina, e os exames duravam de 30 a 45 minutos, em média.
Aliás, a exposição excessiva à radiação causou a morte, em 1928, do médico
precursor da radiologia no nosso país (CARVALHO, 2006; FELISBERTO, 2014).
Como os tubos de Crookes eram raros, caros e, portanto, de difícil aquisição,
os estudos em animais sobre os efeitos produzidos pela radiação eram quase
inexistentes. Tais efeitos, porém, já eram observados pouco tempo após a
descoberta dos raios X, tendo sido relatados vários casos de amputações e
necroses. Hoje é sabido que as moléculas modificadas pela radiação podem
sofrer desajustes nas funções de codificação, leitura e execução das mensagens
do nosso corpo. Assim, considerando-se a inegável importância dessa tecnologia
para a medicina, tiveram início os estudos na radioproteção, com a investigação
da produção dos raios X e da sua interação com o organismo vivo, de modo a se
criar um conjunto de medidas de proteção (FELISBERTO, 2014; SALGUEIRO, 1995).
16 Histórico, natureza e propriedades dos raios X

Produção dos raios X


Tudo que ocupa espaço é definido como matéria, sendo o átomo sua menor
parte. O átomo, por sua vez, é formado pelo núcleo e pela eletrosfera. Suas
partículas fundamentais próton (carga +) e nêutron (sem carga) estão no
núcleo, e o elétron (carga –) transita na eletrosfera (Figura 2) (BRANT; HELMS,
2015; POPE; OTT, 2012).

Próton
Nêutron
Elétron

Figura 2. Representação do modelo de átomo idealizado por Bohr.


Fonte: Adaptada de Vector FX/Shutterstock.com.

Os raios X podem ser produzidos quando os elétrons são arremessados em


direção a um metal. Lembrando o dispositivo criado por Röntgen, a ampola
radiográfica (Figura 3) é um dispositivo de vidro temperado evacuado, sendo
composta por dois eletrodos onde circula eletricidade. Os elétrons saem de
um cátodo e chocam-se com um ânodo, produzindo dois tipos de radiação: a
radiação característica e a radiação de freamento. Apesar de serem geradas
de forma simultânea, vamos discorrer sobre elas separadamente (BRANT;
HELMS, 2015; POPE; OTT, 2012).
Histórico, natureza e propriedades dos raios X 17

Feixe de elétrons
Cátodo Ânodo

Raios X

Figura 3. Ampola de raios X e seus componentes.


Fonte: Adaptada de Varvara Nekrasova/Shutterstock.com.

Basicamente, a radiação de freamento, ou bremsstrahlung, é gerada


quando os elétrons incidem sobre o ânodo e são desacelerados. A diminuição
da velocidade ou perda de energia causada pelo desvio na trajetória resulta
nos fótons de raios X, que são ondas eletromagnéticas de alta frequência e
grande poder de penetração. Essa radiação é mais abundante e tem mais
aplicabilidade nas áreas médicas e odontológicas (BRANT; HELMS, 2015; POPE;
OTT, 2012).
Já a radiação característica acontece quando um elétron recebe energia
e transita de uma camada do elétron para outra. Se um elétron interage com
outro de uma camada mais interna da eletrosfera, este é ejetado da sua
camada, deixando-a vazia — a denominada “vacância”. Para que o átomo
se mantenha estável, um elétron de uma camada mais externa preenche a
lacuna. O movimento do salto entre camadas (chamado “salto quântico”)
libera excesso de energia recebida em forma de fóton de energia, ou radiação
eletromagnética quantizada (BRANT; HELMS, 2015; POPE; OTT, 2012).
Os raios X são uma radiação ionizante, ou seja, são capazes de movimentar
os elétrons entre as camadas e tornar o átomo instável. Para que haja aumento
de energia nos elétrons, aumenta-se a tensão entre o cátodo e o ânodo. No
aumento da corrente elétrica no cátodo, cresce o fluxo dos elétrons. Propor-
cionalmente, serão produzidos raios X com mais energia, mais penetrantes
e mais intensos. Sendo assim, quanto maior for a energia, maior será o po-
der de penetração da matéria. Em resumo, raios X são fótons originados na
eletrosfera do átomo, assim como os raios gama. Os dois podem atravessar
o corpo humano com facilidade, sendo necessário que uma proteção seja
utilizada para barrar o excesso de radiação, como chumbo, concreto, ferro e
aço (SALGUEIRO, 1995; HENRIKSEN, 2009; BRANT; HELMS, 2015).
18 Histórico, natureza e propriedades dos raios X

De início, as ampolas utilizadas foram programadas para produzir o


máximo de interação entre a energia elétrica e a matéria, no intuito
de originar raios X mais eficientes. A elaboração dessa radiação foi estudada, e,
perante seus efeitos nocivos, a quantidade de fótons liberados foi investigada
para se obterem resultados que não oferecessem muitos danos colaterais. A
partir desse momento, uma barreira metálica foi instalada entre os elétrons e
os eletrodos (SILVA; FREITAS, 2005; SILVEIRA; MONTEIRO; BRITO, 2005; SANNOMIYA
et al., 2004).

Como você pôde compreender nesta seção, a produção de raios X é uma


atividade sujeita a radiação ionizante, e, por esse motivo, há risco de dano
biológico. Portanto, é fundamental ter precaução durante o uso da técnica e
observar as normas de biossegurança.

Aparelhos de raios X
Em radiodiagnóstico, os equipamentos apresentam estruturas semelhantes,
com os mesmos componentes básicos e acessórios padrão, diferenciando-se
apenas de acordo com a especificidade. Eles podem ser classificados como
fixos, móveis ou portáteis. O primeiro é o mais utilizado, e, por esse motivo,
será a partir dele que vamos respaldar os quadros apresentados a seguir.
Esses aparelhos são usados com o objetivo de se obter uma imagem relativa
ao interior de um organismo. Para o exame radiológico, é necessária uma
fonte de radiação que produza um registro da interação entre os raios X e o
objeto irradiado (FREITAS; ROSA; SOUZA, 2019).
Veja no Quadro 1 os componentes básicos de um aparelho radiográfico,
com base na Resolução RDC nº 330, de 30 de dezembro de 2019.
Histórico, natureza e propriedades dos raios X 19

Quadro 1. Componentes básicos de um aparelho de radiodiagnóstico

Componente Função

Cabeçote Abrigar a ampola de raios X

Estativa Fixar o cabeçote e direcioná-lo


conforme a finalidade do exame

Gerador de alta tensão Fornecer energia para alimentar o


aparelho

Chassi radiográfico Carregar o filme radiográfico e


protegê-lo da incidência de luz

Mesa de exames (Bucky) Posicionar o paciente

Colimador, grades antidifusoras e Limitar o campo de radiação


filtros

Painel de comando Selecionar o parâmetro e disparar a


radiação

Fonte: Adaptado de Fenyo-Pereira (2015) e Freitas, Rosa e Souza (2019).

Na Portaria SVS/MS nº 453, de 1 de junho de 1998, havia uma espe-


cificação sobre a instalação de aparelhos de raios X:
Nenhuma instalação pode ser construída, modificada, operada ou desativada,
nenhum equipamento de radiodiagnóstico pode ser vendido, operado, transferido
de local, modificado e nenhuma prática com raios X diagnósticos pode ser executada
sem que estejam de acordo com os requisitos estabelecidos (BRASIL, 1998, p. 8).

Mais tarde, essa Portaria foi modificada pela Resolução RDC nº 330/2019.

A penetração e a quantidade dos raios X podem ser alteradas de três


formas, além da interposição de um metal (NG; DANCE, 2014; FELISBERTO, 2014):

„ alterando-se a diferença de potencial, por meio da quilovoltagem (kV),


pois elétrons mais acelerados, com kV mais alto, produzem mais raios X;
„ alterando-se a miliamperagem (mA), para que haja mais elétrons pas-
sando do cátodo para o ânodo por segundo;
„ alterando-se o tempo de exposição, isto é, a medida de tempo em que
a ampola permanece energizada.
20 Histórico, natureza e propriedades dos raios X

Uso dos raios X na odontologia


Apenas duas semanas depois do anúncio da descoberta dos raios X por
Röntgen, o dentista alemão Friedrich Otto Walkhoff testou-os na odontologia,
obtendo, após 25 minutos de exposição, a imagem de molares (Figura 4). Nos
Estados Unidos, Edmund Kells se tornou o primeiro clínico com uma máquina
de raios X em seu próprio consultório. Por não ter conhecimento das proteções
necessárias, ele teve de ir amputando os dedos de sua mão esquerda até
perdê-la por completo. No Brasil, o primeiro uso dos raios X nessa especia-
lidade data de 1897, dois anos depois de sua descoberta, quando José Carlos
Ferreira Pires iniciou os estudos de radiologia odontológica na Faculdade de
Odontologia da Universidade de São Paulo (FENYO-PEREIRA, 2015; FREITAS;
ROSA; SOUZA, 2019; FELISBERTO, 2014; CARVALHO, 2006).

Figura 4. Primeira radiografia odontológica do mundo.


Fonte: Forrai (2007, p. 208).
Histórico, natureza e propriedades dos raios X 21

Foi uma grande contribuição para a odontologia dispor de uma tecnologia


que permitiu aos profissionais acessar informações para além das obtidas
por meio do exame clínico e da história relatada pelo paciente. Como as
estruturas dos dentes, a maxila e a mandíbula são compostas em sua maio-
ria por tecidos duros, o aparelho de radiologia odontológica possibilita a
realização de diagnósticos diferenciais cada vez mais precisos, aumentando a
probabilidade de execução de um tratamento correto, duradouro e resolutivo,
além de permitir o acompanhamento da evolução dos casos e o registro de
tratamentos realizados ou não, também para fins jurídicos (FENYO-PEREIRA,
2015; FREITAS; ROSA; SOUZA, 2019).
Para finalidades odontológicas, as radiografias podem ser intra ou extra-
bucais. Um aparelho de radiodiagnóstico odontológico intraoral (Figura 5a)
pode ser instalado dentro do consultório, contanto que respeite a distância
mínima de 2 m entre o cabeçote e a cadeira do paciente. Já para a realização
de exames extraorais (Figura 5b), como a panorâmica, o equipamento deve
ser instalado em sala específica e atendendo à mesma legislação dos equi-
pamentos de uso médico (FENYO-PEREIRA, 2015; FREITAS; ROSA; SOUZA, 2019;
BRASIL, 2019).

A B

Figura 5. Aparelho de uso odontológico (a) intrabucal e (b) extrabucal.


Fonte: Cottonbro/Pexels.com.
22 Histórico, natureza e propriedades dos raios X

O Quadro 2 apresenta os componentes básicos do aparelho de raios X


odontológico, que em pouco diferem dos componentes básicos dos aparelhos
radiográficos. A mesa de exames utilizada para posicionar o paciente pode
ser a própria cadeira odontológica.

Quadro 2. Componentes básicos de um aparelho de radiodiagnóstico odon-


tológico intraoral

Componente Função

Cabeçote Abrigar a ampola de raios X

Braço articular Fixar o cabeçote e direcioná-lo


conforme a finalidade do exame

Gerador de alta tensão Fornecer energia para alimentar o


aparelho

Colimador Limitar o campo de radiação

Painel de comando Selecionar o parâmetro e disparar a


radiação

Fonte: Adaptado de Fenyo-Pereira (2015) e Freitas, Rosa e Souza (2019).

O aparelho radiográfico de uso odontológico geralmente é acoplado à


parede, ou composto por uma coluna móvel. Isso facilita a locomoção do
equipamento ao redor da face do paciente, em que são realizadas tomadas
das hemiarcadas superior e inferior, direita e esquerda. A mesa de exames,
ou Bucky, é substituída pela cadeira odontológica, sendo possível acoplar
a tecnologia digital a um aparelho comum. Estão disponíveis no mercado
diversas marcas, com custo-benefício geralmente muito positivo.

De acordo com a Resolução RDC nº 330/2019 (BRASIL, 2019):


„ é necessário medir a temperatura do líquido de revelação antes
do processamento do exame;
„ não se devem realizar inspeções visuais durante o processamento manual;
„ o tempo de revelação deve ser feito conforme uma tabela com base na tem-
peratura, afixada em local visível ao operador.

O Quadro 3 apresenta os acessórios necessários para que se consiga emitir


o exame em um consultório.
Histórico, natureza e propriedades dos raios X 23

Quadro 3. Componentes acessórios de um aparelho de radiodiagnóstico


odontológico intra ou extraoral

Componente Descrição

Filme radiográfico Pode ser periapical adulto ou infantil,


oclusal ou panorâmico.

Caixa reveladora, ou câmara escura Abriga as soluções e o processamento


da radiografia, devendo ser
confeccionada com material opaco.

Vestimenta plumbífera Trata-se de um colete de chumbo com


protetor de tireoide.

Posicionador É um dispositivo de alinhamento


entre o cabeçote, o filme e o
elemento dental.

Fonte: Adaptado de Fenyo-Pereira (2015) e Freitas, Rosa e Souza (2019).

Exceto o posicionador, que pode ser substituído pela técnica da bissetriz,


todos os itens acessórios são indispensáveis para o uso do equipamento.
Eles também têm custo acessível, compatível com o equipamento, e devem
ser substituídos quando houver danos ou gastos devido ao tempo de uso,
não existindo legislação específica para a sua manutenção. Os agentes da
vigilância sanitária costumam incluí-los em suas vistorias, atestando sua
condição de uso.

Além do equipamento de proteção individual usual do cirurgião-


-dentista, quando houver a instalação de um equipamento de radio-
diagnóstico intraoral no consultório, o profissional poderá utilizar o dosímetro
individual, colocado sobre o avental, para estimar a dose efetiva que ele está
recebendo. A obrigatoriedade do uso varia conforme a autoridade sanitária
local (BRASIL, 2019).

Para solicitar o exame adequado para cada caso, o profissional precisa


conhecer a gama de equipamentos disponíveis e as técnicas descritas nas
clínicas radiológicas. O desconhecimento das características do equipamento
pode acarretar aumento desnecessário da exposição à radiação, diagnósticos
incorretos e custos adicionais — que podem ser atribuídos à repetição do
exame.
24 Histórico, natureza e propriedades dos raios X

Propriedades dos raios X


Um dos pilares da física das radiações é o estudo da natureza destas. A
transmissão de energia através do tempo e da matéria pode ser feita por
radiações corpusculares ou eletromagnéticas. Os raios X se encaixam no
segundo grupo, juntamente com a luz visível, as ondas de rádio, as micro-
-ondas e o radar, por exemplo. Todos têm propriedades em comum, como
viajar na velocidade da luz, além de ser invisíveis e inodoros. Após descobrir
os raios X, Röntgen estudou as suas propriedades por três dias, formulando
conceitos que permanecem válidos até hoje (MARCHIORI; SANTOS, 2015; POPE;
OTT, 2012; NG; DANCE, 2014).
Comumente encontramos descritas 12 propriedades dos raios X. A se-
guir vamos discorrer sobre cada uma delas, com base em Pope e Ott (2012),
Fenyo-Pereira (2015), Freitas, Rosa e Souza (2019), Marchiori e Santos (2015),
e Ng e Dance (2014).

1. São altamente penetrantes, invisíveis: os raios X têm alta energia,


alta frequência e curto comprimento de onda, o que os torna capazes
de formar imagens. Essa propriedade também está relacionada com
a proteção radiológica, uma vez que a penetrabilidade nos indica a
necessidade de instalação de barreiras, de modo a impedir que os raios
X cheguem ainda com alta energia a áreas não desejadas.
2. Não são afetados por campos elétricos ou magnéticos: os raios X são
considerados eletricamente neutros, sem carga, sem massa.
3. São produzidos com ampla variedade de energia e comprimento de
onda: por exemplo, quando produzimos raios X utilizando 100 kV, temos
como resultado uma ampla faixa, teoricamente de 0 até 100 quiloele-
trovolts (keV) de energia referentes aos raios X produzidos.
4. Liberam pequenas quantidades de calor quando passam pela matéria:
a interação dos elétrons com o meio causa uma excitação, que, por sua
vez, produz uma energia — a radiação infravermelha, o calor.
5. Propagam-se em linha reta: esse é um aspecto importante para a
proteção radiológica. Os raios X não fazem curvas, mas sua trajetória
pode ser alterada e sofrer reflexão quando em contato com certos
materiais.
6. Propagam-se na velocidade da luz (no vácuo): embora a velocidade
dos raios X diminua um pouco frente à resistência do ar, ela ainda
fica muito próxima da velocidade da luz no vácuo (300.000 km/s). Essa
propriedade nos ajuda a entender a razão de, por exemplo, logo após
Histórico, natureza e propriedades dos raios X 25

o disparo, não precisarmos esperar para entrar na sala de exame. Isso


se deve ao fato de que o processo de emissão da radiação ocorre em
fração de segundos.
7. Podem ionizar a matéria: os raios X são capazes de arrancar elétrons
do átomo, produzindo um par de íons, o que torna o átomo positivo.
8. Causam fluorescência em alguns materiais: essa propriedade de emis-
são de luz é a responsável por sensibilizar a película radiográfica,
permitindo a formação da imagem.
9. Não podem ser focalizados por lentes: essa propriedade nos faz
questionar por que a luz visível pode ser focalizada, ao passo que
os raios X, não, mesmo se tratando, em ambos os casos, de energias
eletromagnéticas. Isso se deve ao fato de que os raios X são muito
mais energizados que a luz visível, além de terem um comprimento
de onda muito menor.
10. São capazes de sensibilizar filmes: é justamente porque os raios X ori-
ginam fluorescência e afetam o filme radiográfico que podemos visua-
lizar, por exemplo, os tecidos duros em uma radiografia convencional.
11. Produzem mudanças químicas na matéria biológica: diferentes tipos
de radiação interagem de maneiras diferentes com a matéria, devido
a características já citadas anteriormente, como o tipo de radiação, a
energia e o poder de absorção. A grande energia, a alta penetrabilidade
e a radiação ionizante fazem com que os raios X tenham o poder de
modificar células, alterando a mitose ou produzindo quebras cromos-
sômicas, por exemplo. É por esse motivo que a exposição contínua a
esses raios, sem o uso dos equipamentos de proteção, provoca lesões
comuns em pele ou, até mesmo, aumenta o risco de neoplasias.
12. Produzem radiação secundária e espalhada: os fótons produzidos na
formação dos raios X são essenciais para a formação da radiografia.
No entanto, também são produzidos fótons espalhados, que em nada
contribuem para o processo. O conhecimento dessa propriedade fo-
menta investigações que buscam evitar a degradação da imagem.

Algumas propriedades dos raios X são mais bem explicadas pela


teoria ondulatória, e outras, pela teoria quântica. A depender de
como são estudados, os raios X se parecem com partículas ou com ondas (BRANT;
HELMS, 2015; NG; DANCE, 2014).
26 Histórico, natureza e propriedades dos raios X

Neste capítulo, você conheceu a história dos raios X, suas características,


os componentes que formam os aparelhos de radiodiagnóstico, sua aplicação
na odontologia e, por fim, pôde compreender suas propriedades e a relação
destas com o radiodiagnóstico. Esses são conhecimentos fundamentais para
estudos mais aprofundados sobre os efeitos biológicos dos raios X e para a
aplicação de técnicas radiográficas, de modo a minimizar erros e aumentar
a capacidade de interpretação das imagens. Para além disso, com esses
aprendizados você poderá entender os novos métodos de exames radiológicos
e de formação de imagem.

Referências
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Clínico-Científica, v. 4, n. 1, p. 43-48, jan./abr. 2005.
TOSONI, G. M.; CAMPOS, D. M.; SILVA, M. R. Frequência de cirurgiões-dentistas que
realizam exame radiográfico intrabucal e avaliação das condições para a qualidade
do exame. Revista de Odontologia da UNESP, v. 32, n. 1, p. 25-29, 2003.

Leituras recomendadas
LANGAND, O. E.; LANGLIS, R. P. Princípios do diagnóstico por imagem em odontologia.
São Paulo: Santos, 2002.
WHITE, S. C.; PAROAT, M. Radiologia oral: fundamentos e interpretação. 5. ed. Rio de
Janeiro: Elsevier, 2007.

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