UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DA AMAZÔNIA
DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO NA AMAZÔNIA
DOCENTE LUIZ MELO
CAMPUS CAPANEMA
ANTONIO INÁCIO SOUZA CORREA NETO
CLEISLA SILVA DE LIMA
CULTURA UM CONCEITO ANTROPOLÓGICO
CAPANEMA – PA
2024
RESUMO
O planeta terra nunca esteve tão habitado como nos tempos atuais, a humanidade
(população) atingindo a casa dos bilhões de habitantes, com expectativas de aumento da
população atual. Com o aumento da população o homem passou habitar em todo o planeta terra,
se espalhando pelos continentes, formando grandes grupos sociais (sociedade). Essas
sociedades começaram a se diferenciar no fator geográfico, porém, não foi só sua posição no
globo terrestre que diferiu, mas, também sua “cultura”, seus comportamentos, para a explicação
dessa diferenciação surgiram vários pensamentos, sendo alguns voltados para o “determinismo
biológico” e “determinismo geográfico”. O determinismo biológico segui um princípio onde os
comportamentos são definidos pelo fator genético, ou seja, todo ser após o nascimento já está
predestinado a seguir os seus padrões que sua genética proporciona. Tem um grande perigo
nessa tese, pois cria graus superioridade e inferioridade entre os diferentes grupos. Assim um
determinado grupo pode ser mais inteligente que outro pela sua genética e outro inferior.
Ignorando que simplesmente os grupos apresentam diferentes culturas. Para compreender
melhor Roque, é importante ter esse pensamento que os grupos apresentam diferentes culturas.
Se todos os grupos seguem uma única cultura determinada pelo fator biológico voltamos para
o pensamento de superioridade de cultura, pois um determinado grupo pode apresentar
qualidades superiores a outros grupos, mas, na verdade cada grupo apresenta suas qualidades
baseado na sua cultura e não baseado em fator genético, esses grupos tiveram diferentes
aprendizados o que chamamos de endoculturação. Segundo Roque (1986), “O determinismo
geográfico considera que as diferenças do ambiente físico condicionam a diversidade cultural”,
assim como o fator biológico, o geográfico pode ser correlacionado por graus de superioridade
e inferioridade, por simplesmente está localizado em diferentes locais. Privilegiando, grupos
que estão localizados em alguns territórios como o Europeu como “superior” ou apresenta
vantagens. Assim o pensamento geográfico está muito associado as condições do ambiente,
agindo sobre os grupos, ignorando o fator “cultural”. Roque (1986), desmenti esses
pensamentos em seu livro “Cultura um conceito antropológico”, o autor mostra que em alguns
grupos tarefas que seriam condicionadas a homens, são atribuídas as mulheres como o
transporte de água no Xingu. Roque, ainda mostra que existem grupos em memos locais, porém
com comportamentos diferentes, o exemplo dos esquimós e lapões. Segundo Roque (1986),
“As diferenças existentes entre os homens, portanto, não podem ser explicadas em termos das
limitações que lhes são impostas pelo seu aparato biológico ou pelo seu meio ambiente [...]”.
Essa determinação por fatores “biológicos ou geográficos” segui um pensamento muito
limitante, ignorando os eventos históricos que podem ter ocasionado as diferenças culturas e o
próprio conhecimento de cada grupo pela sua “própria cultura”.
Para Roque (1986), a cultura possibilitou com que o homem rompa barreiras
(limitações).
Alguns pensadores como Edward Tylor (1832-1917), apresentaram uma visão de
uniformidade da cultura, o grande problema desse pensamento consiste em que ele ignora o
relativismo cultural, a diversidade cultural e a subjetividade de cada grupo social.
A nossa herança cultural, desenvolvida através de inúmeras gerações, sempre nos
condicionou a reagir depreciativamente em relação ao comportamento daqueles que agem fora
dos padrões aceitos pela maioria da comunidade. Por isto, discriminamos o comportamento
desviante.
O modo de ver o mundo, as apreciações de ordem moral e valorativa, os diferentes
comportamentos sociais e mesmo as posturas corporais são assim produtos de uma herança
cultural, ou seja, o resultado da operação de uma determinada cultura.
Podemos entender o fato de que indivíduos de culturas diferentes podem ser facilmente
identificados por uma série de características, tais como o modo de agir, vestir, caminhar, comer,
sem mencionar a evidência das diferenças linguísticas, o fato de mais imediata observação
empírica.
O fato de que o homem vê o mundo através de sua cultura tem como consequência a
propensão em considerar o seu modo de vida como o mais correto e o mais natural. Tal
tendência, denominada etnocentrismo, é responsável em seus casos extremos pela ocorrência
de numerosos conflitos sociais.
O etnocentrismo, de fato, é um fenômeno universal. É comum a crença de que a própria
sociedade é o centro da humanidade, ou mesmo a sua única expressão. As autodenominações
de diferentes grupos refletem este ponto de vista.
O ponto fundamental de referência não é a humanidade, mas o grupo. Daí a reação, ou
pelo menos a estranheza, em relação aos estrangeiros. A chegada de um estranho em
determinadas comunidades podem ser consideradas como a quebra da ordem social ou sobre
natural.
O costume de discriminar os que são diferentes, porque pertencem a outro grupo, pode
ser encontrado mesmo dentro de uma sociedade.
Um exemplo são as agressões verbais, e até físicas, praticadas contra os estranhos que
se arriscam em determinados bairros periféricos de nossas grandes cidades.
A cultura também é capaz de provocar curas de doenças, reais ou imaginárias. Estas
curas ocorrem quando existe a fé do doente na eficácia do remédio ou no poder dos agentes
culturais.
A participação do indivíduo em sua cultura é sempre limitada; nenhuma pessoa é capaz
de participar de todos os elementos de sua cultura. Este fato é tão verdadeiro nas sociedades
complexas com um alto grau de especialização, quanto nas simples, onde a especialização
refere-se apenas às determinadas pelas diferenças de sexo e de idade.
Nenhum sistema de socialização é idealmente perfeito, em nenhuma sociedade são
todos os indivíduos igualmente bem socializados, e ninguém é perfeitamente socializado. Um
indivíduo não pode ser igualmente familiarizado com todos os aspectos de sua sociedade.
Embora nenhum indivíduo, conheça totalmente o seu sistema cultural, é necessário ter
um conhecimento mínimo para operar dentro do mesmo. Além disto, este conhecimento
mínimo deve ser partilha por todos os componentes da sociedade de forma a permitir a
convivência deles.
Todo sistema cultural tem a sua própria lógica e não passa de um ato primário de
etnocentrismo tentar transferir a lógica de um sistema para outro. Infelizmente, a tendência mais
comum é de considerar lógico apenas o próprio sistema e atribuir aos de mais um alto grau de
irracionalismo.
O homem sempre buscou explicações para fatos tão cruciais como a vida e a morte.
Estas tentativas de explicar o início e o fim da vida humana foram sem dúvida responsáveis
pelo aparecimento dos diversos sistemas filosóficos.
As explicações encontradas pelos membros das diversas sociedades humanas, portanto,
são lógicas e encontram a sua coerência dentro do próprio sistema.
Que todas as sociedades humanas dispõem de um sistema de classificação para o mundo
natural parece não haver mais dúvida, mas é importante reafirmar que esses sistemas divergem
entre si porque a natureza não tem meios de determinar ao homem um só tipo. Entender a lógica
de um sistema cultural depende da compreensão das categorias constituídas pelo mesmo.
Podemos afirmar que existem dois tipos de mudança cultural: uma que é interna,
resultante da dinâmica do próprio sistema cultural, e uma segunda que é o resultado do contato
de um sistema cultural com um outro.
Cada sistema cultural está sempre em mudança. Entender esta dinâmica é importante
para atenuar o choque entre as gerações e evitar comportamentos preconceituosos. Da mesma
forma que é fundamental para a humanidade a compreensão das diferenças entre povos de
culturas diferentes, é necessário saber entender as diferenças que ocorrem dentro do mesmo
sistema. Este é o único procedimento que prepara o homem para enfrentar serenamente este
constante e admirável mundo novo do porvir.