FACULDADE DE ARQUITETURA E URBANISMO
- É POSSÍVEL ALCANÇAR O CHAMADO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
COM DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E SOCIAL ATRAVÉS DO CONCEITO DE
ECONOMIA VERDE -
ESTUDOS AMBIENTAIS – 3º período – 2020.3
Professor Orientador: Sérgio Melo da Silva
Alunas: Isadora Ferreira (201933047); Paola Barrizi (201933051)
É POSSÍVEL ALCANÇAR O CHAMADO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
COM DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E SOCIAL ATRAVÉS DO CONCEITO DE
ECONOMIA VERDE
Juiz de Fora - MG, 11 de novembro de 2020
RESUMO
As análises feitas no texto a seguir têm como base as aulas e leituras propostas na disciplina de
Estudos Ambientais para Arquitetura e Urbanismo, e procuram demonstrar os conhecimentos
obtidos na mesma. Embora muito se discuta sobre a preservação ambiental, e, o mais importante,
seu impacto na vida humana humana, com o avanço acelerado do desenvolvimento, as noções de
sustentabilidade permanecem nebulosas, e diante disso, responderemos ao questionamento “É
possível alcançar o chamado desenvolvimento sustentável com desenvolvimento econômico e
social através do conceito da chamada Economia Verde?”.
Palavras-chave: Economia verde; Sustentabilidade; Desenvolvimento econômico.
1.INTRODUÇÃO
Ao longo das últimas décadas, mais precisamente no período denominado pelos historiadores
como modernidade, o mundo passava por transformações incisivas, seja no campo social,
econômico e político. A era moderna traz a constante busca pelo progresso e o desenvolvimento,
até então ilimitado.
O foco maior de todo o desenvolvimento seria a junção do homem e da máquina e as
consequentes transformações nos modos de produção. A tecnologia, nas fases iniciais do
desenvolvimento, era usada para que o homem pudesse exercer o seu poder sobre a natureza e
controlar situações que até então eram um problema.
Nos últimos 50 anos, com o aumento de pesquisas e estudos relacionados à mudanças climáticas
e os recursos naturais, surgiu no homem a preocupação de que, ao exercer seu domínio sobre a
natureza, essa lhe traria consequências por vezes irreparáveis a longo prazo. A visão
individualista do homem moderno sofre a ruptura de um novo pensamento, preocupado com as
gerações futuras. Surgem assim, diversas soluções para sanar a problemática, visando o
desenvolvimento porém mantendo o respeito ao meio ambiente e seus recursos. Dentre elas, a
Economia Verde, foco deste estudo.
2. DESENVOLVIMENTO
2.1 O QUE É ECONOMIA VERDE
No ano de 2008 o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) lançou a
Iniciativa Economia Verde. Sua finalidade era levantar dados sobre riscos e custos, tanto sociais
quanto econômicos, dos padrões utilizados para o uso dos recursos naturais e apresentar uma
transição gradual para práticas mais sustentáveis.
O objetivo da Economia Verde caminha para além de reduzir a escassez ecológica e os riscos
ambientais, é preocupada também com a promoção de empregos e a redução da desigualdade
social. Essas mudanças ocorreriam por meio de um processo de estratégias de investimentos
monetários, reformas políticas e mudanças regulamentares, uma vez que se entende que áreas
sociais, econômicas e políticas não trabalham separadamente.
2.2 BENEFÍCIOS E DESAFIOS DA IMPLANTAÇÃO DA ECONOMIA VERDE
A economia verde, em teoria, tem o papel de promover a melhoria do bem-estar humano e da
igualdade, e, simultaneamente, a redução significativa dos riscos ambientais. Para tanto, ela
estabelece três objetivos principais, são eles: redução da emissão de carbono, eficiência no uso
de recursos naturais e ser socialmente inclusiva. Para alcançar esses objetivos, sugere que seria
necessário uma série de políticas públicas direcionadas, principalmente, para evitar a
concentração de riquezas e promover uma distribuição de renda.
Existem três desafios intrínsecos à Economia Verde, o primeiro seria o curto período de tempo
em que deve ocorrer, devido à pressão sobre os ecossistemas. Em função disso e das limitações
dos mecanismos de mercado, os governos teriam que assumir um papel de significativa
importância na produção e difusão ecológica, o que constitui o segundo grande desafio. Por fim,
haveria a necessidade de cooperação internacional, uma vez que os principais problemas
ambientais são globais.
Além disso, este novo modelo de desenvolvimento global necessita de uma certa equidade entre
os países mais ricos e os países em desenvolvimento, onde os primeiros devem preservar os
níveis de bem-estar atingidos nas suas sociedades e os países emergentes, por sua vez, devem
acelerar a acumulação de recursos para erradicar a pobreza e oferecer a seus cidadãos bem-estar.
Ademais, segundo Mariano Laplane, para o bom funcionamento da Economia Verde, seria
necessário a noção de responsabilidade coletiva na concorrência entre países, empresas, grupos
sociais e indivíduos, para que todos atinjam níveis aceitáveis de bem-estar e para que a vida social seja
compatível com a sustentabilidade.
Para fortalecer o sistema multilateral, destaca-se a inovação tecnológica e de gestão para o
desenvolvimento sustentável. Para isso, é necessário uma espécie de consenso global para
geração e disseminação de conhecimento, modelos de gestão e tecnologias, inclusive sociais.
Esse movimento para o desenvolvimento sustentável tem o poder de aproximar países
desenvolvidos e em desenvolvimento, pois a inovação poderá responder tanto às necessidades
crescentes dos países em desenvolvimento quanto às necessidades de modificação dos padrões
insustentáveis de produção e consumo dominantes nos países desenvolvidos.
2.3 APLICAÇÃO NO BRASIL
Para países emergentes como o Brasil, encontra-se novos desafios, como a exportação de
tecnologia; problemas na infraestrutura, principalmente no setor de transportes; a qualidade de
vida da população; deficiências em educação e capacitação profissional; entre outros.
No Brasil, dada sua extensão e diversidade, a transição para sistemas sociotécnicos sustentáveis
assume especial relevância em três dimensões, dadas por Mariano Laplane, são elas: mudança de
clima, segurança alimentar e serviços ecossistêmicos.
A mudança de clima relaciona-se com seus aspectos de adaptação, com ênfase na questão
energética e nas fontes renováveis. Na segunda, a segurança alimentar e nutricional atuaria com
questões de acesso à água e sustentabilidade na agricultura pecuarista. Por fim, os serviços
ecossistêmicos e recursos da biodiversidade, como a produção de fármacos para
a saúde, por meio da conservação e do uso sustentável da diversidade biológica e o acesso aos
benefícios da biodiversidade culminaria numa maior inclusão social.
O conhecimento da natureza e o domínio da tecnologia são fatores importantes para aproveitar,
sem desperdício, os recursos naturais e para solucionar problemas sociais do país, reduzindo
desigualdades. Assim, a utilização da economia verde poderia promover a geração de empregos,
a inovação tecnológica, a ciência, a inclusão social e a conservação dos recursos naturais.
3. CONCLUSÃO
Como conclusão do texto, é possível destacar que a possibilidade de um desenvolvimento com
base tanto na geração de bem estar social quanto no desenvolvimento econômico-lucrativo
levando em conta questões ambientais por meio da Economia Verde é de certa maneira utópico e
acaba priorizando veladamente questões econômicas.
Além disso, é importante ressaltar que o processo de transição é divergente quando se leva em
conta o país de análise. Entre países desenvolvidos e países emergentes, existe um grande abismo
a ser trabalhado, de forma que faz-se necessário a cooperação em uma unidade global. Os riscos
para países emergentes nesse processo de transição seria a dependência tecnológica dos países
desenvolvidos, fator que aumentaria ainda mais a divergência entre eles.
Dessa forma, é possível concluir que a Economia Verde é uma reinvenção do capitalismo para
atender uma demanda de sustentabilidade, conseguindo garantir consumidores a partir de um
nome e uma teoria sustentáveis, porém, que continua visando o lucro e a exploração dos
recursos.
4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
GALVÃO, Antonio Carlos Filgueira (superv.). Economia Verde para o Desenvolvimento
Sustentável. Brasília: CGEE, 2012
GRAMKOW, Camila L.(coord.); PRADO, Paulo Gustavo (coord.). Economia Verde:
Oportunidades e desafios. 8. ed. Belo Horizonte: Conservação Internacional, 2011.