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Revisão Enem

O documento apresenta uma série de questões sobre poemas e textos literários, explorando temas como antítese, gêneros literários, e características do Modernismo. As perguntas abordam a análise de poemas de diferentes autores, comparações entre textos e a identificação de elementos literários. O conteúdo é voltado para o ensino e avaliação de literatura, especialmente em contextos como o ENEM.
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Revisão Enem

O documento apresenta uma série de questões sobre poemas e textos literários, explorando temas como antítese, gêneros literários, e características do Modernismo. As perguntas abordam a análise de poemas de diferentes autores, comparações entre textos e a identificação de elementos literários. O conteúdo é voltado para o ensino e avaliação de literatura, especialmente em contextos como o ENEM.
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Leia o texto abaixo para responder à questão 1.

Amor é fogo que arde sem se ver;


é ferida que dói e não se sente;
é um contentamento descontente;
é dor que desatina sem doer;
É um não querer mais que bem querer;
é solitário andar por entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;


é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor


nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Luís de Camões

1.O poema tem, como característica, a figura de linguagem denominada antítese, relação de
oposição de palavras ou idéias. Assinale a opção em que essa oposição se faz claramente
presente.
(A) “Amor é fogo que arde sem se ver.”
(B) “É um contentamento descontente.”
(C) “É servir a quem se vence, o vencedor.”
(D) “Mas como causar pode seu favor.”
(E) “Se tão contrário a si é o mesmo Amor?”

2. O poema pode ser considerado como um texto:


(A) argumentativo.
(B) narrativo.
(C) épico.
(D) de propaganda.
(E) teatral.

3. (ENEM)

Cena
O canivete voou
E o negro comprado na cadeia
Estatelou de costas
E bateu coa cabeça na pedra

(OSWALD DE ANDRADE, O. Pau-brasil. São Paulo: Globo, 2001)

O Modernismo representou uma ruptura com os padrões formais e temáticos até então
vigentes na literatura brasileira. Seguindo esses aspectos, o que caracteriza o poema
Cenacomo modernista é o(a)

a. construção linguística por meio de neologismo.


b. estabelecimento de um campo semântico inusitado.
c. configuração de um sentimentalismo conciso e irônico.
d. subversão de lugares-comuns tradicionais.
e. uso da técnica de montagem de imagens justapostas.

4. (ENEM 2009)

Ouvir estrelas

“Ora, (direis) ouvir estrelas! Certo

perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,

que, para ouvi-las, muita vez desperto

e abro as janelas, pálido de espanto…

E conversamos toda noite, enquanto

a Via-Láctea, como um pálio aberto,

cintila. E, ao vir o Sol, saudoso e em pranto,

inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: “Tresloucado amigo!

Que conversas com elas?” Que sentido

tem o que dizem, quando estão contigo?”

E eu vos direi: “Amai para entendê-las!

Pois só quem ama pode ter ouvido

Capaz de ouvir e de entender estrelas”.

(BILAC, Olavo. Ouvir estrelas. In: Tarde, 1919)

Ouvir estrelas

Ora, direis, ouvir estrelas! Vejo

que estás beirando a maluquice extrema.

No entanto o certo é que não perco o ensejo

De ouvi-las nos programas de cinema.

Não perco fita; e dir-vos-ei sem pejo


que mais eu gozo se escabroso é o tema.

Uma boca de estrela dando beijo

é, meu amigo, assunto p’ra um poema.

Direis agora: Mas, enfim, meu caro,

As estrelas que dizem? Que sentido

têm suas frases de sabor tão raro?

Amigo, aprende inglês para entendê-las,

Pois só sabendo inglês se tem ouvido

Capaz de ouvir e de entender estrelas.

(TIGRE, Bastos. Ouvir estrelas. In: Becker, I. Humor e humorismo: Antologia. São Paulo:
Brasiliense, 1961)

A partir da comparação entre os poemas, verifica-se que

a) no texto de Bilac, a construção do eixo temático se deu em linguagem denotativa, enquanto


no de Tigre, em linguagem conotativa.

b) no texto de Bilac, as estrelas são inacessíveis, distantes, e no texto de Tigre, são próximas,
acessíveis aos que as ouvem e as entendem.

c) no texto de Tigre, a linguagem é mais formal, mais trabalhada, como se observa no uso de
estruturas como “dir-vos-ei sem pejo” e “entendê-las”.

d) no texto de Tigre, percebe-se o uso da linguagem metalinguística no trecho “Uma boca de


estrela dando beijo/é, meu amigo, assunto p’ra um poema.”

e) no texto de Tigre, a visão romântica apresentada para alcançar as estrelas é enfatizada na


última estrofe de seu poema com a recomendação de compreensão de outras línguas.

5. (ENEM-2009) –

Texto 1

No meio do caminho

No meio do caminho tinha


uma pedra

Tinha uma pedra no meio

do caminho

Tinha uma pedra

No meio do caminho tinha

uma pedra

[…]

(ANDRADE, C. D. Antologia poética. Rio de Janeiro/ São Paulo: Record, 2000. (fragmento).

Texto 2

A comparação entre os recursos expressivos que constituem os dois textos revela que:

a) o texto 1 perde suas características de gênero poético ao ser vulgarizado por histórias em
quadrinho.

b) o texto 2 pertence ao gênero literário, porque as escolhas linguísticas o tornam uma réplica
do texto 1.
c) a escolha do tema, desenvolvido por frases semelhantes, caracteriza-os como pertencentes
ao mesmo gênero.

d) os textos são de gêneros diferentes porque, apesar da intertextualidade, foram elaborados


com finalidades distintas.

e) as linguagens que constroem significados nos dois textos permitem classificá-los como
pertencentes ao mesmo gênero.

6. O gênero narrativo, na maioria das vezes, é expresso pela:

a) Poesia.

b) Show.

c) Jornal.

d) Romance.

e) Ode.

7. O soneto é uma das formas mais tradicionais e, na maioria das vezes, tem conteúdo:

a) lírico.

b) cronístico.

c) épico.

d) dramático.

e) satírico.

8. Assinale a afirmativa correta:

a) Aristóteles afirma que os textos épicos apresentam uma narrativa e sempre terão um
narrador-personagem.

b) A tragédia é um gênero literário.

c) O gênero lírico é um texto de caráter emocional, porém, as emoções expressas nesse


gênero não representam a

subjetividade do autor; é apenas ficção.

d) O gênero dramático apresenta esta estrutura: apresentação e desfecho.

e) Os elementos essenciais de uma narrativa são: narrador, enredo, personagens, tempo e


espaço.
9. . (ENEM - Adaptada)

Isto Dizem que finjo ou minto


Tudo que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.

Tudo o que sonho ou passo


O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.

Por isso escrevo em meio


Do que não está ao pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é.

Sentir?
Sinta quem lê!

(PESSOA, F. Poemas escolhidos. São Paulo: Globo, 1997.)

Fernando Pessoa é um dos poetas mais extraordinários do século XX. Sua obsessão pelo
fazer poético não encontrou limites. Pessoa viveu mais no plano criativo do que no plano
concreto, e criar foi a grande finalidade de sua vida. Poeta da “Geração Orfeu”, assumiu uma
atitude irreverente. Com base no texto e na temática do poema Isto, conclui-se que o autor:

a) Revela seu conflito emotivo em relação ao processo de escritura do texto.


b) Considera fundamental para a poesia a influência dos fatos sociais.
c) Associa o modo de composição do poema ao estado de alma do poeta.
d) Apresenta a concepção de que a voz do poeta é a expressão pura dos sentimentos.
e) Separa os sentimentos do poeta da voz que fala no texto, ou seja, do eu lírico.

10. (ENEM)

Texto I

Chão de esmeralda

Me sinto pisando
Um chão de esmeraldas
Quando levo meu coração
À Mangueira
Sob uma chuva de rosas
Meu sangue jorra das veias
E tinge um tapete Pra ela sambar
É a realeza dos bambas
Que quer se mostrar
Soberba, garbosa
Minha escola é um catavento a girar
É verde, é rosa
Oh, abre alas pra Mangueira passar

(BUARQUE, C.; CARVALHO, H. B. Chico Buarque de. Mangueira. Marola Edições Musicais
Ltda. BMG. 1997. Disponível em: www.chicobuarque.com.br. Acesso em: 30 abr. 2010.)
Texto II
Quando a escola de samba entra na Marquês de Sapucaí, a plateia delira, o coração dos
componentes bate mais forte e o que vale é a emoção. Mas, para que esse verdadeiro
espetáculo entre em cena, por trás da cortina de fumaça dos fogos de artifício, existe um
verdadeiro batalhão de alegria: são costureiras, aderecistas, diretores de ala e de harmonia,
pesquisador de enredo e uma infinidade de profissionais que garantem que tudo esteja perfeito
na hora do desfile. (AMORIM, M.; MACEDO, G. O espetáculo dos bastidores. Revista de
Carnaval 2010: Mangueira. Rio de Janeiro: Estação Primeira de Mangueira, 2010.)

Ambos os textos exaltam o brilho, a beleza, a tradição e o compromisso dos dirigentes e de


todos os componentes com a escola de samba Estação Primeira de Mangueira. Uma das
diferenças que se estabelece entre os textos é que :
a) O artigo jornalístico cumpre a função de transmitir emoções e sensações, mais do que a
letra de música.
b) A letra de música privilegia a função social de comunicar a seu público a crítica em relação
ao samba e aos sambistas.
c) A linguagem poética, no Texto I, valoriza imagens metafóricas e a própria escola, enquanto a
linguagem, no Texto II, cumpre a função de informar e envolver o leitor.
d) Ao associar esmeraldas e rosas às cores da escola, o Texto I acende a rivalidade entre
escolas de samba, enquanto o Texto II é neutro.
e) O Texto I sugere a riqueza material da Mangueira, enquanto o Texto II destaca o trabalho na
escola de samba.

11. (ENEM)

Gênero dramático é aquele em que o artista usa como intermediária entre si e o público a
representação. A palavra vem do grego drao (fazer) e quer dizer ação. A peça teatral é, pois,
uma composição literária destinada à apresentação por atores em um palco, atuando e
dialogando entre si. O texto dramático é complementado pela atuação dos atores no
espetáculo teatral e possui uma estrutura específica, caracterizada: 1) pela presença de
personagens que devem estar ligados com lógica uns aos outros e à ação; 2) pela ação
dramática (trama, enredo), que é o conjunto de atos dramáticos, maneiras de ser e de agir das
personagens encadeadas à unidade do efeito e segundo uma ordem composta de exposição,
conflito, complicação, clímax e desfecho; 3) pela situação ou ambiente, que é o conjunto de
circunstâncias físicas, sociais, espirituais em que se situa a ação; 4) pelo tema, ou seja, a ideia
que o autor (dramaturgo) deseja expor, ou sua interpretação real por meio da representação.
COUTINHO, A. Notas de teoria literária. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1973.
(Adaptado.) Considerando o texto e analisando os elementos que constituem um espetáculo
teatral, conclui-se que:

Considerando o texto e analisando os elementos que constituem um espetáculo teatral,


conclui-se que:
a) A criação do espetáculo teatral apresenta-se como um fenômeno de ordem individual, pois
não é possível sua concepção de forma coletiva.
b) O cenário onde se desenrola a ação cênica é concebido e construído pelo cenógrafo de
modo autônomo e independente do tema da peça e do trabalho interpretativo dos atores.
c) O texto cênico pode originar-se dos mais variados gêneros textuais, como contos, lendas,
romances, poesias, crônicas, notícias, imagens e fragmentos textuais, entre outros.
d) O corpo do ator na cena tem pouca importância na comunicação teatral, visto que o mais
importante é a expressão verbal, base da comunicação cênica em toda a trajetória do teatro
até os dias atuais.
e) A iluminação e o som de um espetáculo cênico independem do processo de
produção/recepção do espetáculo teatral, já que se trata de linguagens artísticas diferentes,
agregadas posteriormente à cena teatral.

12.(ENEM-2009)

A partida
1 Acordei pela madrugada. A princípio com tranquilidade, e logo com obstinação, quis
novamente dormir. Inútil, o sono esgotara-se. Com precaução,
4 acendi um fósforo: passava das três. Restava-me, portanto, menos de duas horas, pois o
trem chegaria às cinco. Veio-me então o desejo de não passar mais
7 nem uma hora naquela casa. Partir, sem dizer nada, deixar quanto antes minhas cadeias de
disciplina e de amor.
10 Com receio de fazer barulho, dirigi-me à cozinha, lavei o rosto, os dentes, penteei-me e,
voltando ao meu quarto, vesti-me. Calcei os sapatos,
13 sentei-me um instante à beira da cama. Minha avó continuava dormindo. Deveria fugir ou
falar com ela? Ora, algumas palavras... Que me custava acordá-la,
16 dizer-lhe adeus?

LINS, O. A partida. Melhores contos. Seleção e prefácio de Sandra Nitrini. São Paulo: Global,
2003.

No texto, o personagem narrador, na iminência da partida, descreve a sua hesitação em


separar-se da avó. Esse sentimento contraditório fica claramente expresso no
trecho:

a. “A princípio com tranquilidade, e logo com obstinação, quis novamente dormir” (ℓ.
1-3).
b. “Restava-me, portanto, menos de duas horas, pois o trem chegaria às cinco” (ℓ. 4-
6).
c. Calcei os sapatos, sentei-me um instante à beira da cama” (ℓ. 12-13).
d. “Partir, sem dizer nada, deixar quanto antes minhas cadeias de disciplina e amor”
(ℓ. 7-9).
e. “Deveria fugir ou falar com ela? Ora, algumas palavras...” (ℓ. 14-15).

13. TEXTO I
Andaram na praia, quando saímos, oito ou dez deles; e daí a pouco começaram a vir mais. E
parece-me que viriam, este dia, à praia, quatrocentos ou quatrocentos e cinquenta. Alguns
deles traziam arcos e flechas, que todos trocaram por carapuças ou por qualquer coisa que
lhes davam. […] Andavam todos tão bem-dispostos, tão bem feitos e galantes com suas
tinturas que muito agradavam.

CASTRO, S. A carta de Pero Vaz de Caminha. Porto Alegre: L&PM, 1996 (fragmento).
Pertencentes ao patrimônio cultural brasileiro, a carta de Pero Vaz de Caminha e a obra de
Portinari retratam a chegada dos portugueses ao Brasil. Da leitura dos textos, constata-se que
1. a carta de Pero Vaz de Caminha representa uma das primeiras manifestações artísticas dos
portugueses em terras brasileiras e preocupa-se apenas com a estética literária.

2. a tela de Portinari retrata indígenas nus com corpos pintados, cuja grande significação é a afirmação
da arte acadêmica brasileira e a contestação de uma linguagem moderna.

3. a carta, como testemunho histórico-político, mostra o olhar do colonizador sobre a gente da terra, e a
pintura destaca, em primeiro plano, a inquietação dos nativos.

4. as duas produções, embora usem linguagens diferentes — verbal e não verbal —, cumprem a
mesma função social e artística.

5. a pintura e a carta de Caminha são manifestações de grupos étnicos diferentes, produzidas em um


mesmo momento histórico, retratando a colonização.

14. (Enem 2013)


De ponta a ponta, é tudo praia-palma, muito chã e muito formosa. Pelo sertão nos pareceu,
vista do mar, muito grande, porque, a estender olhos, não podíamos ver senão terra com
arvoredos, que nos parecia muito longa. Nela, até agora, não pudemos saber que haja ouro,
nem prata, nem coisa alguma de metal ou ferro; nem lho vimos. Porém a terra em si é de muito
bons ares [...]. Porém o melhor fruto que dela se pode tirar me parece que será salvar esta
gente.

Carta de Pero Vaz de Caminha. In: MARQUES, A.; BERUTTI, F.; FARIA, R. História moderna
através de textos. São Paulo: Contexto, 2001.

A carta de Pero Vaz de Caminha permite entender o projeto colonizador para a nova terra.
Nesse trecho, o relato enfatiza o seguinte objetivo:
a. Valorizar a catequese a ser realizada sobre os povos nativos
b. Descrever a cultura local para enaltecer a prosperidade portuguesa.
c. Transmitir o conhecimento dos indígenas sobre o potencial econômico existente.
d. Realçar a pobreza dos habitantes nativos para demarcar a superioridade europeia.
e. Criticar o modo de vida dos povos autóctones para evidenciar a ausência de trabalho.

15. ( ENEM-2006)

ERRO DE PORTUGÛES

(Quando o português chegou

Debaixo de uma bruta chuva

Vestiu o índio

Que pena!

Fosse uma manhã de Sol

O índio tinha despido

O português.

Oswald de Andrade. Poesias reunidas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978.

O primitivismo observável no poema acima, de Oswald de Andrade, caracteriza de forma


marcante

A) o regionalismo do Nordeste.

B) o concretismo paulista.

C) a poesia Pau-Brasil.

D) o simbolismo pré-modernista.

E) o tropicalismo baiano.
16. (ENEM) Cárcere das almas

“Ah! Toda a alma num cárcere anda presa,

Soluçando nas trevas, entre as grades

Do calabouço olhando imensidades,

Mares, estrelas, tardes, natureza.

Tudo se veste de uma igual grandeza

Quando a alma entre grilhões as liberdades

Sonha e, sonhando, as imortalidades

Rasga no etéreo o Espaço da Pureza.

Ó almas presas, mudas e fechadas

Nas prisões colossais e abandonadas,

Da Dor no calabouço, atroz, funéreo!

Nesses silêncios solitários, graves,

que chaveiro do Céu possui as chaves

para abrir-vos as portas do Mistério?!”

(CRUZ E SOUSA, J. Poesia completa. Florianópolis: Fundação Catarinense de Cultura / Fundação Banco do

Brasil, 1993. )

Os elementos formais e temáticos relacionados ao contexto cultural do Simbolismo encontrados no poema

Cárcere das almas, de Cruz e Sousa, são:

a) a opção pela abordagem, em linguagem simples e direta, de temas filosóficos.

b) a prevalência do lirismo amoroso e intimista em relação à temática nacionalista.

c) o refinamento estético da forma poética e o tratamento metafísico de temas universais.


d) a evidente preocupação do eu lírico com a realidade social expressa em imagens poéticas inovadoras.

e) a liberdade formal da estrutura poética que dispensa a rima e a métrica tradicionais em favor de temas do

cotidiano.

17.(ENEM-2014)

Sermão da Sexagésima

Nunca na Igreja de Deus houve tantas pregações, nem tantos pregadores como hoje. Pois se
tanto se semeia a palavra de Deus, como é tão pouco o fruto? Não há um homem que em um
sermão entre em si e se resolva, não há um moço que se arrependa, não há um velho que se
desengane. Que é isto? Assim como Deus não é hoje menos onipotente, assim a sua palavra
não é hoje menos poderosa do que dantes era. Pois se a palavra de Deus é tão poderosa; se a
palavra de Deus tem hoje tantos pregadores, por que não vemos hoje nenhum fruto da palavra
de Deus? Esta, tão grande e tão importante dúvida, será a matéria do sermão. Quero começar
pregando-me a mim. A mim será, e também a vós; a mim, para aprender a pregar; a vós, que
aprendais a ouvir.
VIEIRA, A. Sermões Escolhidos, v. 2. São Paulo: Edameris, 1965

No Sermão da sexagésima, padre Antônio Vieira questiona a eficácia das pregações. Para
tanto, apresenta como estratégia discursiva sucessivas interrogações, as quais têm por
objetivo principal

a. provocar a necessidade e o interesse dos fiéis sobre o conteúdo que será abordado no
sermão.
b. conduzir o interlocutor à sua própria reflexão sobre os temas abordados nas
pregações.
c. apresentar questionamentos para os quais a Igreja não possui respostas.
d. inserir argumentos à tese defendida pelo pregador sobre a eficácia das pregações.
e. questionar a importância das pregações feitas pela Igreja durante os sermões.

18.(ENEM-2014)

Quando Deus redimiu da tirania


Da mão do Faraó endurecido
O Povo Hebreu amado, e esclarecido,
Páscoa ficou da redenção o dia.

Páscoa de flores, dia de alegria


Àquele Povo foi tão afligido
O dia, em que por Deus foi redimido;
Ergo sois vós, Senhor, Deus da Bahia.

Pois mandado pela alta Majestade


Nos remiu de tão triste cativeiro,
Nos livrou de tão vil calamidade.

Quem pode ser senão um verdadeiro


Deus, que veio estirpar desta cidade
O Faraó do povo brasileiro.
DAMASCENO, D.(Org.). Melhores poemas: Gregório de Matos. São Paulo: Globo, 2006.

Com uma elaboração de linguagem e uma visão de mundo que apresentam princípios
barrocos, o soneto de Gregório de Matos apresenta temática expressa por

a. visão cética sobre as relações sociais.


b. preocupação com a identidade brasileira.
c. crítica velada à forma de governo vigente.
d. reflexão sobre os dogmas do cristianismo.
e. questionamento das práticas pagãs na Bahia.

19. Sermão da Sexagésima

Nunca na Igreja de Deus houve tantas pregações, nem tantos pregadores como hoje. Pois se
tanto se semeia a palavra de Deus, como é tão pouco o fruto? Não há um homem que em um
sermão entre em si e se resolva, não há um moço que se arrependa, não há um velho que se
desengane. Que é isto? Assim como Deus não é hoje menos onipotente, assim a sua palavra
não é hoje menos poderosa do que dantes era. Pois se a palavra de Deus é tão poderosa; se a
palavra de Deus tem hoje tantos pregadores, por que não vemos hoje nenhum fruto da palavra
de Deus? Esta, tão grande e tão importante dúvida, será a matéria do sermão. Quero começar
pregando-me a mim. A mim será, e também a vós; a mim, para aprender a pregar; a vós, que
aprendais a ouvir.
VIEIRA, A. Sermões Escolhidos, v. 2. São Paulo: Edameris, 1965

No Sermão da sexagésima, padre Antônio Vieira questiona a eficácia das pregações. Para
tanto, apresenta como estratégia discursiva sucessivas interrogações, as quais têm por
objetivo principal

a) provocar a necessidade e o interesse dos fiéis sobre o conteúdo que será abordado no
sermão.
b)conduzir o interlocutor à sua própria reflexão sobre os temas abordados nas pregações.
c) apresentar questionamentos para os quais a Igreja não possui respostas.
d) inserir argumentos à tese defendida pelo pregador sobre a eficácia das pregações.
e) questionar a importância das pregações feitas pela Igreja durante os sermões.

20. Quantos há que os telhados têm vidrosos


E deixam de atirar sua pedrada,
De sua mesma telha receiosos.
Adeus, praia, adeus, ribeira,
De regatões tabaquista,
Que vende gato por lebre
Querendo enganar a vista.
Nenhum modo de desculpa
Tendes, que valer-vos possa:
Que se o cão entra na igreja,
É porque acha aberta a porta.
GUERRA, G. M. In: LIMA, R. T. Abecê de folclore. São Paulo: Martins Fontes, 2003
(fragmento).

Ao organizar as informações, no processo de construção do texto, o autor estabelece sua


intenção comunicativa. Nesse poema, Gregório de Matos explora os ditados populares com o
objetivo de

a) enumerar atitudes.
b) descrever costumes.
c) demonstrar sabedoria.
d) recomendar precaução.
e) criticar comportamentos.

21.( ENEM-2017) Chamou-me o bragantino e levou-me pelos corredores e pátios até ao


hospício propriamente. Aí é que percebi que ficava e onde, na seção, na de indigentes, aquela
em que a imagem do que a Desgraça pode sobre a vida dos homens é mais formidável. O
mobiliário, o vestuário das camas, as camas, tudo é de uma pobreza sem par. Sem fazer
monopólio, os loucos são da proveniência mais diversa, originando-se em geral das camadas
mais pobres da nossa gente pobre. São de imigrantes italianos, portugueses e outros mais
exóticos, são os negros roceiros, que teimam em dormir pelos desvãos das janelas sobre uma
esteira esmolambada e uma manta sórdida; são copeiros, cocheiros, moços de cavalariça,
trabalhadores braçais. No meio disto, muitos com educação, mas que a falta de recursos e
proteção atira naquela geena social.
BARRETO, L. Diário do hospício e O cemitério dos vivos. São Paulo: Cosac& Naify, 2010.

No relato de sua experiência no sanatório onde foi interno, Lima Barreto expõe uma realidade
social e humana marcada pela exclusão. Em seu testemunho, essa reclusão demarca uma

a) medida necessária de intervenção terapêutica.


b) forma de punição indireta aos hábitos desregrados.
c) compensação para as desgraças dos indivíduos.
d) oportunidade de ressocialização em um novo ambiente.
e) conveniência da invisibilidade a grupos vulneráveis e periféricos.

22. (ENEM 2015)

Casa dos Contos

& em cada conto te cont

o & em cada enquanto me enca

nto & em cada arco te a

barco & em cada porta m

e perco & em cada lanço t

e alcanço & em cada escad

a me escapo & em cada pe

dra te prendo & em cada g

rade me escravo & em ca

da sótão te sonho & em cada

esconso me affonso & em

cada claúdio te canto & e

m cada fosso me enforco &

(ÁVILA, A. Discurso da difamação do poeta. São Paulo: Summus, 1978)


O contexto histórico e literário do período barroco- árcade fundamenta o poemaCasa dos Contos,
de 1975. A restauração de elementos daquele contexto por uma poética contemporânea revela
que:

a) a disposição visual do poema reflete sua dimensão plástica, que prevalece sobre a
observação da realidade social.

b) a reflexão do eu lírico privilegia a memória e resgata, em fragmentos, fatos e personalidades


da Inconfidência Mineira.

c) a palavra “esconso” (escondido) demonstra o desencanto do poeta com a utopia e sua


opção por uma linguagem erudita.

d) o eu lírico pretende revitalizar os contrastes barrocos, gerando uma continuidade de


procedimentos estéticos e literários.

e) o eu lírico recria, em seu momento histórico, numa linguagem de ruptura, o ambiente de


opressão vivido pelos inconfidentes.

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