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Síndromes Depressivas

As síndromes depressivas impactam significativamente a saúde física e mental, aumentando o risco de suicídio em até 20 vezes. Os sintomas incluem humor triste, desânimo, alterações psicomotoras e ideativas, além de aspectos neurobiológicos e psicóticos. A distinção entre luto intenso e depressão é crucial, pois a depressão é um estado persistente que abrange mais do que a experiência de perda.

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Síndromes Depressivas

As síndromes depressivas impactam significativamente a saúde física e mental, aumentando o risco de suicídio em até 20 vezes. Os sintomas incluem humor triste, desânimo, alterações psicomotoras e ideativas, além de aspectos neurobiológicos e psicóticos. A distinção entre luto intenso e depressão é crucial, pois a depressão é um estado persistente que abrange mais do que a experiência de perda.

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Síndromes depressivas

A depressão causa considerável impacto na saúde física e mental e na qualidade de vida


das pessoas acometidas;

Ter a doença aumenta em 20 vezes o risco de suicídio

Do ponto de vista psicopatológico, as síndromes depressivas têm como elementos mais


salientes o humor triste e, na esfera volitiva, o desânimo, mais ou menos marcantes.

Também podem estar presentes, em formas graves de depressão, sintomas psicóticos


(delírios e/ou alucinações), marcante alteração psicomotora (geralmente lentificação ou
estupor), assim como fenômenos biológicos (neuronais ou neuroendócrinos) associados.

Sintomas das síndromes depressivas nas diferentes esferas psicopatológicas

SINTOMAS AFETIVOS E DE HUMOR

Tristeza, sentimento de melancolia, na maior parte do dia, todos ou quase todos os dias
Choro fácil e/ou frequente Apatia (indiferença afetiva; “tanto faz como tanto fez.”), na
maior parte do dia, todos ou quase todos os dias Sentimento de falta de sentimento (“É
terrível: não consigo sentir mais nada!”) Sentimento de tédio, de aborrecimento crônico
Irritabilidade aumentada (a ruídos, pessoas, vozes, etc.), na maior parte do dia, todos ou
quase todos os dias São frequentes também: Angústia Ansiedade Desespero
Desesperança

ALTERAÇÕES DA VOLIÇÃO E DA PSICOMOTRICIDADE

Desânimo, diminuição da vontade (hipobulia; “não tenho pique para mais nada”)
Anedonia (incapacidade de sentir prazer em várias esferas da vida, como alimentação,
sexo, amizades) Tendência a permanecer quieto na cama, por todo o dia (com o quarto
escuro, recusando visitas) Aumento na latência entre as perguntas e as respostas
Lentificação psicomotora (pode progredir até o estupor/catatonia) Estupor/catatonia
Diminuição da fala, fala em tom baixo, lenta, e aumento da latência entre perguntas e
respostas Mutismo (negativismo verbal completo) Negativismo (recusa à alimentação, à
interação pessoal, etc.)

ALTERAÇÕES IDEATIVAS

Ideação negativa, pessimismo em relação a tudo Ideias de arrependimento e de culpa


Ruminações com mágoas atuais e antigas Visão de mundo marcada pelo tédio (“A vida
é vazia, sem sentido; nada vale a pena”) Realismo depressivo: inferências sobre a vida
mais realistas e pessimistas em relação a pessoas sem depressão, sendo que estas
tenderiam a apresentar um viés positivo de avaliação da realidade Ideias de morte,
desejo de desaparecer, dormir para sempre Ideação, planos ou atos suicidas

ALTERAÇÕES DA ESFERA INSTINTIVA E NEUROVEGETATIVA

Fadiga, cansaço fácil e constante (sente o corpo pesado) Insônia ou hipersonia


Diminuição ou aumento do apetite Constipação, palidez, pele fria com diminuição do
turgor Diminuição da libido (do desejo sexual) Diminuição da resposta sexual
(disfunção erétil, orgasmo retardado ou anorgasmia)

ALTERAÇÕES DA AUTOVALORAÇÃO

Autoestima diminuída Sentimento de insuficiência, de incapacidade Sentimento de


vergonha Autodepreciação

ALTERAÇÕES COGNITIVAS

Déficit de atenção e concentração Déficit secundário de memória Dificuldade de tomar


decisões Pseudodemência depressiva

PERDAS E DEPRESSÃO

SINTOMAS PSICÓTICOS

Ideias delirantes de conteúdo negativo: Delírio de ruína ou miséria Delírio de culpa


Delírio hipocondríaco e/ou de negação de órgãos e partes do corpo Delírio de
inexistência (de si e/ou do mundo) Alucinações, geralmente auditivas, com conteúdos
depressivos Ilusões auditivas ou visuais Ideação paranoide e outros sintomas psicóticos
humorincongruentes (delírio de perseguição, quando presente, pode revelar que, de
algum modo, a pessoa “mereceria” ser perseguida e punida)

ALGUNS ASPECTOS NEUROBIOLÓGICOS DA DEPRESSÃO

Alterações funcionais do cérebro Alterações em circuitos pré-frontal-límbicos,


modulados por serotonina, e circuitos striatum-frontais, modulados por dopamina
Aumento de atividade em sistemas neurais de base para o processamento de emoções
(amígdala e córtex pré-frontal) e redução em sistemas neurais de apoio à regulação de
emoções (córtex pré-frontal dorsolateral)

PERDAS E DEPRESSÃO

As síndromes e as reações depressivas surgem com muita frequência após perdas


significativas: de pessoa muito querida, emprego, moradia, status socioeconômico ou
algo puramente simbólico.

Certamente fatores biológicos, genéticos e neuroquímicos têm importante peso nos


diversos quadros dessa doença. Do ponto de vista psicológico, as síndromes depressivas
têm uma relação fundamental com as experiências de perda

Apesar de muitas vezes ser desencadeada por perdas, a depressão não é o mesmo que o
sentimento normal do luto, mesmo que marcante. Entretanto, a distinção entre luto
normal, mas intenso, e depressão nem sempre é fácil.

Diferenças entre luto intenso e depressão

LUTO INTENSO
Tristeza muito relacionada à experiência da perda, que tende a diminuir com o passar
das semanas e meses

DEPRESSÃO

Humor deprimido constante que abrange mais que as perdas; humor que não melhora
com o passar do tempo (duração variável, mas a média dos episódios fica em torno de
quatro meses).

LUTO INTENSO

Tristeza ocorre “em ondas” (“dores do luto”), associada a lembranças da pessoa perdida.

DEPRESSÃO

Tristeza e desânimo oscilam menos ao longo dos dias (com exceção da depressão
atípica).

LUTO INTENSO

Tristeza e angústia mais centradas em pensamentos relacionados à pessoa perdida.

DEPRESSÃO

Ruminações autocríticas e pessimistas abrangentes, não apenas relacionadas a uma


perda.

LUTO INTENSO

Pensamento típico “Por que não disse à pessoa que perdi o quanto a amava, por que não
convivi mais com ela?”

DEPRESSÃO

Pensamento típico “Nada na vida vale a pena, eu não sirvo para nada, sou um peso para
as pessoas.”

LUTO INTENSO

“Gostaria de morrer para me juntar à pessoa perdida, para revê-la.”

DEPRESSÃO

“Quero morrer para não sofrer mais”, ou “quero morrer pois não mereço mais viver, não
darei mais trabalho a meus familiares”

SUBTIPOS DE SÍNDROMES E TRANSTORNOS DEPRESSIVOS

Episódio de depressão e transtorno depressivo maior recorrente (CID-11 e DSM-5)


Transtorno depressivo persistente e transtorno distímico (CID-11 e DSM-5) Depressão
atípica (DSM-5) Depressão tipo melancólica ou endógena (CID-11 e DSM-5)
Depressão psicótica (CID-11 e DSM-5) Estupor depressivo ou depressão catatônica
(DSM-5) Depressão ansiosa ou com sintomas ansiosos proeminentes (CID-11 e DSM5)
e transtorno misto de depressão e ansiedade (CID-11) Depressão unipolar ou depressão
bipolar Depressão como transtorno disfórico pré-menstrual (CID-11 e DSM-5)
Depressão mista (DSM-5) Depressão secundária ou transtorno depressivo devido a
condição médica (incluindo aqui o transtorno depressivo induzido por substância ou
medicamento)

Episódio de depressão e transtorno depressivo maior recorrente

No episódio depressivo, evidentes sintomas depressivos (humor deprimido, anedonia,


fatigabilidade, diminuição da concentração e da autoestima, ideias de culpa e de
inutilidade, distúrbios do sono e do apetite) devem estar presentes por pelo menos duas
semanas e não mais que dois anos de forma ininterrupta. Os episódios na comunidade
podem ser curtos ou longos. Cerca de 15 a 26% das pessoas com depressão maior
apresentam um curso crônico de depressão, com duração de mais de dois anos

CRITÉRIOS PARA O DIAGNÓSTICO

Para depressão maior, pelo menos 5 critérios por pelo menos duas semanas: Sintoma
obrigatório: humor deprimido ou perda de interesse ou prazer na maior parte do dia,
quase todos os dias, e mais, pelo menos, 4 dos seguintes sintomas: Desânimo, acentuada
perda do interesse ou prazer (anedonia) Redução ou aumento do apetite (redução ou
ganho de peso de 5% em 1 mês) Sono: insônia ou hipersonia Fadiga, perda de energia
Sentimentos de inutilidade e/ou culpa, pessimismo Baixa autoestima Concentração
prejudicada, dificuldades para pensar Pensamentos recorrentes de morte ou suicídio
Retardo/agitação psicomotora

SUBTIPOS DE TRANSTORNOS DEPRESSIVOS (TD)

Transtorno depressivo maior, episódio único Transtorno depressivo maior, recorrente (>
1 episódio) Transtorno depressivo persistente e distimia: humor cronicamente
deprimido por pelo menos dois anos

Gravidade: TD leve, moderado ou grave

Transtorno depressivo persistente e transtorno distímico

Um grupo de pacientes desenvolve a forma crônica de depressão, muito duradoura (pelo


menos dois anos ininterruptos), que pode ser de intensidade leve (distimia) ou de
moderada a grave. Ela começa geralmente na adolescência ou no início da vida adulta e
persiste por vários anos. Os sintomas depressivos mais importantes são, em primeiro
lugar, o humor deprimido, triste, na maior parte do dia, na maioria dos dias. Além disso,
o paciente deve ter pelo menos dois dos seguintes sintomas: diminuição da autoestima,
fatigabilidade aumentada ou falta de energia, insônia ou hipersonia, apetite diminuído
ou aumentado, dificuldade em tomar decisões ou em se concentrar e sentimentos de
desesperança. Também são comuns na distimia o mau humor crônico e a irritabilidade.
Em adultos, os sintomas devem estar presentes de forma ininterrupta por, pelo menos,
dois anos e, em crianças e adolescentes, por pelo menos um ano (nesse grupo, o humor
básico pode ser a irritabilidade em vez do humor triste).

Depressão atípica ou depressão com características atípicas

pode ocorrer em episódios depressivos de intensidade leve a grave, em transtorno


unipolar ou bipolar. Além de reatividade do humor aumentada (melhora rapidamente
com eventos positivos e piora rapidamente com eventos negativos), o indivíduo deve
apresentar dois ou mais dos seguintes sintomas: ganho de peso ou aumento do apetite
(principalmente para doces); aumento do sono (hipersonia, geralmente mais do que 10
horas por dia ou 2 horas a mais que quando não deprimido); sensação de corpo, braços
ou pernas muito pesados (paralisia “de chumbo”); a pessoa se sente, de modo geral,
“pesada”, com uma sobrecarga sobre os ombros; sensibilidade exacerbada a rejeição
interpessoal

Depressão tipo melancólica ou endógena

predominam os sintomas classicamente endógenos. Nesse caso, a pessoa deve


apresentar: 1) perda de prazer ou incapacidade de sentir prazer (anedonia) em todas ou
quase todas as atividades ou 2) falta de reatividade a estímulos em geral prazerosos.
Além de um desses dois sintomas, deve apresentar pelo menos três dos seguintes
sintomas: humor depressivo característico com prostração profunda, desespero,
hiporreatividade geral; lentificação psicomotora, demora em responder às perguntas
(aumento da latência entre perguntas e respostas) ou agitação psicomotora; ideias ou
sentimentos de culpa excessivos e/ou inadequados; perda do apetite e/ou de peso
corporal; depressão pior pela manhã, que pode melhorar um pouco ao longo do dia

também se pode constatar a chamada tristeza vital, que é uma tristeza diferente, um
peso, uma agonia “sentida no corpo”

Pode ser observado também um padrão de sono característico em que o indivíduo tende
a apresentar a chamada insônia terminal (acorda de madrugada, às 3h ou 4h, e não
consegue mais dormir)

Depressão psicótica ou depressão com sintomas psicóticos

depressão muito grave, na qual ocorrem, associados aos sintomas depressivos, um ou


mais sintomas psicóticos, como delírio e/ou alucinação. Nesse caso, os mais frequentes
são sintomas como delírio de ruína ou culpa, delírio hipocondríaco ou de negação de
órgãos ou alucinações com conteúdos depressivos, com vozes que dizem “você não
presta”, “você vai morrer na miséria” ou “seus filhos vão passar fome”. As alucinações
também podem ter o conteúdo de “punição merecida” (“vou morrer, vou sofrer, pois
mereço isso”). Se os sintomas psicóticos são de conteúdo negativo, depressivo,
classificamse como sintomas psicóticos humor-congruentes (de culpa, doença, morte,
negação de órgãos, punição merecida, entre outros). Caso contrário, são denominados
sintomas psicóticos humor-incongruentes (delírio de perseguição, de inserção de
pensamentos, autorreferente, entre outros).

Estupor depressivo ou depressão com catatonia


estado depressivo muito grave, no qual o paciente permanece dias na cama ou sentado,
em estado de catalepsia (imóvel; em geral rígido), com negativismo que se exprime pela
ausência de respostas às solicitações ambientais, geralmente em estado de mutismo (não
fala com as pessoas, apesar de estar consciente e não ter afasia), recusando alimentação,
às vezes urinando no leito. O indivíduo pode, nesse estado, desidratar e vir a falecer por
complicações clínicas (pneumonia, insuficiência pré-renal, desequilíbrios
hidreletrolíticos, sepse, entre outras).

Depressão ansiosa ou agitada ou com sintomas ansiosos proeminentes (CID-11 e DSM-


5) e transtorno misto de depressão e ansiedade

forma de depressão, geralmente moderada ou grave, com marcante componente de


ansiedade, tensão e inquietação psicomotora, chamada depressão ansiosa ou depressão
agitada. O paciente se queixa de angústia ou ansiedade acentuada associada aos
sintomas depressivos; sente-se nervoso, tenso, não para quieto; apresenta-se insone;
irritado; anda de um lado para outro, desesperado. Pode ter, ainda, dificuldade para se
concentrar devido a muitas preocupações; tem medo de que algo horrível possa ou irá
acontecer. Também pode ter o sentimento de perda do controle de si mesmo. Na
depressão ansiosa, há risco ainda maior de suicídio. A depressão ansiosa grave é, muitas
vezes, difícil de diferenciar de um episódio misto do transtorno bipolar

Depressão unipolar ou depressão bipolar

Características da depressão unipolar e da depressão bipolar

CRITÉRIOS PARA O DIAGNÓSTICO DEPRESSÃO UNIPOLAR

Idade de início Mais velha

Duração da fase Mais longa

Características de personalidade Mais problemas de personalidade, sobretudo mais


neuroticismo, mais controle dos impulsos e mais introversão

História familiar de mania Menos frequente

Resposta profilática a antidepressivos Boa

Duração do sono Mais curta

Ansiedade, queixas somáticas, perda de apetite, insônia inicial Mais frequente

Labilidade do humor, irritabilidade, insônia terminal Menos frequente

Episódio pós-parto, aspectos psicóticos, uso de drogas Menos frequente

Retardo, lentificação psicomotora Menos frequente

Agitação psicomotora Mais frequente


DEPRESSÃO BIPOLAR

Idade de início Mais jovem

Duração da fase Mais curta

Características de personalidade Menos problemas de personalidade, pior controle dos


impulsos, mais temperamento hipertímico e busca de estímulos

História familiar de mania Mais frequente

Resposta profilática a antidepressivos Ruim

Duração do sono Mais longa

Ansiedade, queixas somáticas, perda de apetite, insônia inicial Menos frequente

Labilidade do humor, irritabilidade, insônia terminal Mais frequente

Episódio pós-parto, aspectos psicóticos, uso de drogas Mais frequente

Retardo, lentificação psicomotora Mais frequente

Agitação psicomotora Menos frequente

Depressão como transtorno disfórico pré-menstrual

Trata-se de forma grave de depressão relacionada à síndrome pré-menstrual que se


caracteriza por ocorrer na semana final antes da menstruação, na maioria dos ciclos
menstruais. Está presente pelo menos um dos seguintes sintomas intensos de humor:
tristeza marcante, nervosismo/ansiedade acentuada, sentimentos de estar “no limite para
explodir”, oscilações do humor ao longo do dia ou labilidade afetiva, irritabilidade ou
raiva acentuada. Também devem estar presentes outros sintomas, na maioria dos ciclos
menstruais, que, quando somados aos anteriores, irão resultar em pelo menos cinco
sintomas. São eles: interesse diminuído, dificuldade de concentração, falta de energia ou
fadiga fácil, alteração do apetite, hipersonia ou insônia, “sentir-se sobrecarregada” ou
“fora do controle”, sintomas físicos como inchaço e aumento da sensibilidade nas
mamas, dor articular ou muscular e “sensação de inchaço” no corpo.

Depressão mista ou depressão com características mistas

síndrome depressiva ocorrer ao mesmo tempo que uma síndrome maníaca, como que
encavaladas uma com a outra, Nesse caso, durante a maioria dos dias da depressão,
ocorrem também sintomas maníacos (devem ocorrer pelo menos três deles), como
humor elevado ou expansivo, grandiosidade e autoestima elevada, inflada; o paciente se
apresenta loquaz, falando muito e com pressão para falar; há aceleração do pensamento
até fuga de ideias, aumento da energia no trabalho ou na vida sexual ou envolvimento
em atividades excitantes, mas perigosas. Pode haver também redução da necessidade de
sono.
Depressão secundária ou orgânica (transtorno depressivo devido a outra condição
médica ou induzido por substância ou medicamento

as síndromes depressivas causadas ou fortemente associadas a uma doença física, a um


quadro clínico primariamente somático, seja ele localizado no cérebro (p. ex., doença de
Parkinson, doença de Huntington, acidente vascular cerebral [AVC], trauma ou tumor
cerebral), seja ele sistêmico, isto é, em outra parte do organismo, mas com
consequências para todos os órgãos, inclusive o cérebro. Condições somáticas
sistêmicas, como doenças endocrinológicas do tipo hipo ou hipertireoidismo, hipo ou
hiperparatireoidismo, síndrome de Cushing, carências vitamínicas, como déficit de
vitamina B12 (e, possivelmente, de vitamina D), doenças autoimunes, como lúpus
eritematoso sistêmico, sepse e câncer, com significativa frequência, produzem quadro
depressivo que faz parte da própria condição somática patológica

No caso dos AVCs, ocorre depressão após o episódio agudo, e, de modo geral, AVCs
no hemisfério esquerdo e mais próximos do polo frontal tendem a desencadear mais
frequentemente depressões secundárias

Pode ocorrer também o transtorno depressivo induzido por substância ou medicamento.


Nesse caso, há um quadro depressivo intimamente associado durante ou logo após a
intoxicação por substâncias ou fármacos. Drogas associadas à depressão são, por
exemplo, álcool, cocaína, maconha, inalantes, opioides ou medicamentos como
hipnóticos e ansiolíticos, anti-hipertensivos e corticosteroides.

Depressão como fator de risco para doenças físicas

A depressão pode ser fator de risco para várias doenças e condições físicas. Assim, por
exemplo, o transtorno se associa a maior risco de obesidade, doenças coronarianas,
AVC e diabetes.

Depressão em crianças, adolescentes e idosos

A depressão também é frequente e potencialmente grave na infância e na adolescência,


em geral mais observada em meninas do que em meninos. Nessa fase da vida, é comum
que os quadros depressivos ocorram associados a comportamentos disruptivos
(irritabilidade, oposição aos adultos, agressividade, transgressões) e dificuldades
escolares (falta às aulas, impacto no rendimento escolar). Tais comportamentos ocorrem
sobretudo se a criança ou adolescente tiver baixo quociente de inteligência (QI) e viver
em ambiente adverso, com graves conflitos e hostilidade por parte dos pais ou
cuidadores. Nas crianças e adolescentes com depressão, há, frequentemente, piora do
rendimento escolar.

Idosos frequentemente apresentam depressão. Os sintomas mais comuns são, além da


tristeza (ou dificuldade em sentir-se alegre), sentimentos de solidão, choro, pouco
apetite, descuido consigo mesmo, falta de esperança, não aproveitar a vida, sentir que
tudo é um grande esforço e dificuldades cognitivas. A depressão em idosos se associa a
risco maior de quedas, incapacidades físicas e mortalidade.

Depressão e personalidade
De modo geral, pessoas que apresentam episódios depressivos moderados ou graves
tendem a apresentar o perfil de personalidade, com base no Big-Five, aumentado para
neuroticismo (instabilidade emocional, tensão, tendência à ansiedade, preocupação e
autopiedade) e diminuído para extroversão (propensão à atividade, assertividade,
energia, entusiasmo, busca dos outros, socialização)

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