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Autobiografia: Leitura e Produção Textual

O documento apresenta uma sequência didática para o ensino de autobiografia no Ensino Médio, focando na leitura e produção de textos. As atividades visam engajar os alunos na reflexão sobre suas histórias de vida e no desenvolvimento de habilidades de escrita e oralidade, promovendo a socialização e análise crítica. A proposta também inclui a exploração de contextos sociais e culturais, incentivando a produção autoral e a valorização da diversidade linguística.

Enviado por

MICHELE ZANELLA
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Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Autobiografia: Leitura e Produção Textual

O documento apresenta uma sequência didática para o ensino de autobiografia no Ensino Médio, focando na leitura e produção de textos. As atividades visam engajar os alunos na reflexão sobre suas histórias de vida e no desenvolvimento de habilidades de escrita e oralidade, promovendo a socialização e análise crítica. A proposta também inclui a exploração de contextos sociais e culturais, incentivando a produção autoral e a valorização da diversidade linguística.

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LP

EM.12.LP.16.1.55.P-3221

Sequência Didática do Professor


Campo da vida pessoal
Leitura e
Produção de Textos

Ensino Médio Autobiografia

Habilidades para socializar obras da própria autoria (poemas,


FOCO contos e suas variedades, roteiros e microrroteiros,
videominutos, playlists comentadas de música etc.)
• (EM13LP01) Relacionar o texto, tanto na produ- e/ou interpretar obras de outros, inserindo-se nas
ção como na leitura/escuta, com suas condi- diferentes práticas culturais de seu tempo.
ções de produção e seu contexto sócio-histórico
• (EM13LP02) Estabelecer relações entre as partes
de circulação (leitor/audiência previstos, objeti-
do texto, tanto na produção como na leitura/escuta,
vos, pontos de vista e perspectivas, papel social
considerando a construção composicional e o estilo
do autor, época, gênero do discurso etc.), de
do gênero, usando/reconhecendo adequadamente
forma a ampliar as possibilidades de construção
elementos e recursos coesivos diversos que con-
de sentidos e de análise crítica e produzir textos
tribuam para a coerência, a continuidade do texto
adequados a diferentes situações
e sua progressão temática, e organizando informa-
• (EM13LP54) Criar obras autorais, em diferentes ções, tendo em vista as condições de produção e as
gêneros e mídias – mediante seleção e apro- relações lógico-discursivas envolvidas (causa/efeito
priação de recursos textuais e expressivos do ou consequência; tese/argumentos; problema/solu-
repertório artístico –, e/ou produções derivadas ção; definição/exemplos etc.).
(paródias, estilizações, fanfics, fanclipes etc.),
• (EM13LP10) Analisar o fenômeno da variação
como forma de dialogar crítica e/ou subjetiva-
linguística, em seus diferentes níveis (variações fo-
mente com o texto literário
nético-fonológica, lexical, sintática, semântica e esti-
lístico-pragmática) e em suas diferentes dimensões
Habilidades (regional, histórica, social, situacional, ocupacional,
RELACIONADAS etária etc.), de forma a ampliar a compreensão
sobre a natureza viva e dinâmica da língua e sobre o
• (EM13LP47) Participar de eventos (saraus, compe- fenômeno da constituição de variedades linguísticas
tições orais, audições, mostras, festivais, feiras cultu- de prestígio e estigmatizadas, e a fundamentar o
rais e literárias, rodas e clubes de leitura, cooperativas respeito às variedades linguísticas e o combate a
culturais, jograis, repentes, slams etc.), inclusive preconceitos linguísticos.
LP Leitura e
Campo da vida pessoal | Autobiografia
Produção de Textos

Ensino Médio

Orientação ao
PROFESSOR

Ponto de
PARTIDA A atividade visa apresentar o gênero
a ser trabalhado, a partir de uma
mobilização e um diagnóstico dos
conhecimentos prévios dos alunos
(de mundo, de gênero e de língua), a
Quem sabe diz respeito da autobiografia. Em primeiro
Certamente você sabe o que é uma autobiografia, não é? Dê lugar, sugerimos que seja feita uma
exemplos de autobiografias conhecidas, que você já leu ou discussão coletiva, usando modelos
das quais já ouviu falar. Comente com os colegas o que você já sabe sobre como a “chuva de ideias”, de modo a
esse gênero textual. engajar a turma no tema.
Em segundo, eles devem registrar
suas ideias em um quadro que aborda
os aspectos contextuais, composicio-
Agora, para ajudar a lembrar das características desse gênero, responda nais e linguísticos referentes ao gê-
às questões do quadro a seguir, de acordo com suas hipóteses: nero, antecipando, assim, elementos
de base para desenvolver a habilidade
foco EM13LP54, a partir das demais
atividades. Ao longo do trabalho, mas
Autobiografia sobretudo na sistematização da SD,
é importante que os alunos voltem
ao quadro, a fim de rever, refutar,
Quem é o autor desse gênero? Pretérito perfeito confirmar ou aprimorar as hipóteses
iniciais, confrontando-as com os
conhecimentos construídos.
Qual é seu público leitor? Pretérito mais-que-perfeito
É importante lembrar que, por
enquanto, as respostas ao quadro
servem como diagnóstico dos conhe-
Que histórias são relatadas?
cimentos dos alunos. Portanto, não
caberá uma “correção” das respostas
Qual é a finalidade desse texto? nesse momento, mas uma discus-
são e retomada coletiva conforme a
realização das demais atividades, de
Em que suporte ele é publicado? modo que os alunos vão revisando,
eles mesmos, suas hipóteses iniciais.

Como esse gênero é construí-


do/escrito?

Sequência Didática | Língua Portuguesa | Leitura e Produção de Textos | Autobiografia 3


Atividade 1

Como você contaria a história da sua vida? Por qual episódio começaria? Que tal você começar a produzir sua
autobiografia? Vamos conversar coletivamente sobre algumas questões:

Quem sabe diz


Quem é você? Como foi sua infância? Quando e onde você
nasceu? Quando deu seus primeiros passos? Como foi seu
primeiro dia de aula na escola? Qual sua melhor lembrança? Qual foi sua
primeira decepção? E a maior alegria?

Primeiro, vocês vão se dividir em grupos e contar uns aos outros suas histórias de vida. Em seguida, cada grupo
vai escolher a melhor história para ser compartilhada oralmente com a turma.
Para ajudar, orientem-se pelo roteiro a seguir:

O que contar?

Quem é você no mundo, de onde vem e alguma história marcante da sua vida. Pode ser algo
engraçado ou comovente, algum episódio especial, lembranças da infância, momentos de alegria,
dificuldade, superação etc.

Como contar?

• Comece apresentando seu nome, idade, data e local de nascimento;


• Fale em 1ª pessoa, ou seja, você mesmo vai contar sua história;
• Mantenha-se dentro do mesmo tema, desenvolvendo-o;
• Se quiser, traga um objeto ou uma foto relacionada a sua história, para mostrar à turma;
• Utilize verbos e expressões no passado (pretérito);
• Conte sua história em no máximo 5 minutos;
• Fale com clareza, ritmo e entonação de voz adequada, para todos ouvirem bem.

4
Orientação ao
PROFESSOR
Atividade 1

No contexto do Ensino Médio, a autobiografia se articula de maneira privilegiada com o campo da vida pessoal, conforme a BNCC, na
medida em que esse gênero permite ao jovem estudante desenvolver práticas de linguagem que ampliem os conhecimentos sobre si
(sua história de vida, seu contexto social, seus projetos de vida), apresentando-se ao mundo de forma protagonista.

O campo da vida pessoal pretende funcionar como espaço de articulações e sínteses das aprendizagens de
outros campos postas a serviço dos projetos de vida dos estudantes. As práticas de linguagem privilegiadas nesse
campo relacionam-se com a ampliação do saber sobre si, tendo em vista as condições que cercam a vida contem-
porânea e as condições juvenis no Brasil e no mundo. Está em questão também possibilitar vivências significativas
de práticas colaborativas em situações de interação presenciais ou em ambientes digitais, inclusive por meio da
articulação com outras áreas e campos, e com os projetos e escolhas pessoais dos jovens. Nessas vivências, os
estudantes podem aprender procedimentos de levantamento, tratamento e divulgação de dados e informações, e
a usar esses dados em produções diversas e na proposição de ações e projetos de natureza variada, exercendo
protagonismo de forma contextualizada.

BRASIL. Ministério da Educação. Base nacional comum curricular. Brasília: MEC/SEB, 2018.
Disponível em: www.iqe.org.br/surl/?af02b1. Acesso em: 09 jun. 2020. p. 502.

Nesse sentido, a proposta visa não só engajar os alunos para o tema da SD, mas também antecipar, pela oralidade, o trabalho com
habilidades importantes para compreender o gênero autobiografia, na escrita. Durante a atividade, é preciso mediar o trabalho dos
grupos, permitindo que todos contem e escutem as histórias uns dos outros; após a escolha da autobiografia oral a ser apresentada,
oriente-os sobre o tema relatado e os modos de dizer mais adequados ao gênero e à situação discursiva (oralidade).
Para a apresentação, pode-se pedir aos demais participantes de cada grupo que realizem outras funções (controlar o tempo da fala do colega
que apresenta, registrar a apresentação em vídeo para compartilhar depois etc.). O importante aqui é todos se sentirem à vontade para
desenvolver um trecho de sua autobiografia oral (mesmo que não seja o texto escolhido para a apresentação), mobilizando conhecimentos e
hipóteses que serão trabalhados ao longo da SD. Por isso, é preciso orientá-los durante o roteiro com o foco no tema e gênero propostos, isto
é, relatar sua história de vida (um trecho, episódio marcante), usando a 1ª pessoa no pretérito, que vai compor, mais adiante, a autobiografia
escrita dos alunos.
Os outros aspectos da produção (coerência, coesão, concordância, entonação, ritmo, pausas) podem ficar para outro momento, quer no
final desta SD, quer em outros momentos dedicados à produção de autobiografias ou relatos. Assim, são trabalhados elementos variados
das habilidades EM13LP54 e EM13LP47.
Outra sugestão para mobilizar os conhecimentos prévios dos alunos antes da produção inicial é você apresentar vídeos de relatos
pessoais no YouTube, de canais que os jovens conheçam, atentando para os aspectos inerentes ao gênero autobiografia (contexto de
produção, composição e estilo).

Sequência Didática | Língua Portuguesa | Leitura e Produção de Textos | Autobiografia 5


Atividade 2

Quem sabe diz

Você já ouviu falar no Museu da Pessoa? Que tipo de acervo cultural um museu com esse nome deve
possuir? Levante hipóteses.

Vamos conferir como o próprio museu se apresenta, acessando seu site:

O que é o museu da pessoa? Museu da Pessoa, c2020.


Página inicial. Disponível em: https://museudapessoa.org/
Acesso em 09 jun. 2020.

Vamos assistir a um dos vídeos que faz parte do acervo do museu.

MUSEU DA PESSOA. Luan Luando: Luta Popular -


JovenSonhadores. s.d. (2min24s). Disponível em:
www.iqe.org.br/surl/?85d061. Acesso em: 12 jun. 2020.

O texto que vamos ler a seguir é um relato autobiográfico de Luan Luando, escrito a partir de seu depoimento completo,
publicado em maio de 2016, no site do Museu da Pessoa.
Texto 1

UMA LUTA COM PALAVRAS

Meus pais eram puro amor assim né? Minha mãe era afrodescendente, baiana, arretada que só, veio traba-
lhar de doméstica como todo migrante nordestino. O meu pai era daqui de São Paulo, do interior, descendente
indígena também, trabalhava de alfaiate. E naquela época, as famílias viviam todo mundo meio junto, aí quando
minha mãe engravidou, uma amiga dela, que tava sempre lá, inventou um monte de história pra eu me chamar
Luana, fiquei sendo Luan, e nasci no Taboão da Serra. Se hoje eu sou poeta é por causa deles, que eles eram
muito lúdicos. A minha mãe contava muitas lendas, contos, causos do nordeste. Eu adormecia ouvindo história.

6
O meu pai jura de pé junto que viu o Lobisomem. Era um dia que ele estava voltando de uma festa, e ele viu um
bicho levantar com a forma humana, diz que viu mesmo. Eles viam magia na vida. Meu pai sempre me falava:
Luan se não for fazer algo com amor, não faça. Faça tudo com amor.
Eu nasci em 1988, e na época não tinha televisão em casa, a gente era muito mais feliz. Eu brincava em rua
de terra de bolinha de gude, bola, de pipa. No futuro, o meu livro foi inspirado nas próprias pipas, mas aí é outra
história. O meu primeiro enquadro foi brincando de polícia e ladrão. Que a gente era caprichoso na época, monta-
va umas arminhas que pareciam de verdade, e a polícia passou, achou que era confronto, e enquadrou, a sorte é
que a gente não morreu.
De doença era difícil morrer, que não tinha doença. Os mais velhos iam sempre no quintal e ficavam falando:
ó aquilo é guaco é bom pra isso. Mastruz com leite é bom para aquilo. Falavam os nomes das plantas. A periferia
traz essa oralidade né? O nosso feijão vinha todo do quintal, e quando tinha algum problema ia se tratar com o
benzedeiro. Mas eu tive que ir pro médico quando fui atropelado em cima de um cavalo por um ônibus. Um dia
me tiraram da maca quando eu tava dormindo, acordei bravo, aí falaram “calma, é que chegou um cara baleado,
tá pior que você”. Eu demorei 2 meses pra entrar em uma sala, fiquei no corredor do hospital, pra você ver como
era a saúde do estado.
Mas eu sinto que eu fui privilegiado, pois fui a última geração a crescer de forma saudável e em contato com
a terra, eu vi a periferia nascer. Eu lembro o dia que o asfalto chegou, a gente já estava com os carrinhos de
rolimã, que a gente mesmo montava com material reciclado, que pensávamos que era Fórmula 1. E lá no Jardim
São Judas era um morro, 3 quilômetros de descida, a gente não corria, a gente voava.
Eu também fui da última geração que teve paralisia infantil, aí fiquei com o lado direito meio inabilitado. Mas
eu não escolhi ser deficiente, escolhi ser eficiente. Nunca fizeram menos de mim, pois eu não fiz menos de mim.
A minha mão esquerda age pelas duas mãos. Eu amarro cadarço com uma mão só, ainda falta muita coisa,
muito olhar pro deficiente, parece que é o estado que tem deficiência visual, só que eu me viro né?
O meu primeiro trabalho foi aos 9 anos de idade vendendo esterco, tudo pra vizinhança mesmo. Eu entrei na
escola, gostava de aprender. Teve um caso que eu invadi a biblioteca jogando todos os livros no chão, porque
não queriam deixar que as pessoas lessem os livros.
Aliás, eu amo ler, sou grato ao teatro até hoje por causa disso. Eu comecei a ler por causa do teatro. Era uma
vez que eu estava indo jogar bola no parque Pinheiros, eu ia do São Judas a pé até o parque, aí vi um curso de
teatro na frente, o teatro me ajudou muito a me soltar. Mas o teatro é uma das únicas artes que dialoga pouco
com a periferia. Por que tem o grupo de rap na Vila Fundão e não tem teatro? Agora estamos desmistificando
isso com o teatro popular.
O teatro me levou também ao Doutores da Alegria. Foi um curso que a gente fez lá na quebrada mesmo, era
formação da melhor qualidade, com professores que tinham estudado na França. Um dia na aula de filosofia,
entrou um menino correndo e 20 caras querendo pegar ele, o professor ficou em choque, e a gente falou “é isso,
você tá dando aula na quebrada, mano”. E o palhaço foi muito importante para mim, pois o palhaço faz você des-
cobrir quem você é, e brincar com isso. Nem todo mundo aguentou se conhecer, começou uma turma de 19 e
acabou só 4 o curso. Mas a gente fez um circuito passando por muitas escolas em várias periferias, foi demais!
Mas voltando lá pra trás, nessa época do teatro, eu também comecei a ler, o primeiro livro que eu li foi “Os Mise-
ráveis” do Victor Hugo aos 13 anos. E um professor falou para mim: poxa você podia ir pro Sarau do Binho. Eu fui e
lá tinha o Binho, né? O Binho pra mim é poeta. Poeta não é quem escreve poesia, é quem vive num sentido poético,
ele estava sempre inventando coisas pra mudar a própria vida e levava a gente junto. A gente fez o Donde miras?
Que foram 4 caminhadas poéticas pelo Brasil, pagava as pessoas pra lerem, distribuía livros em bicicleta, na biciclo-
teca, várias coisas pela poesia. Pois diferente do ator, o poeta não se esconde num papel, o poeta é aquilo.
Mas antes do Sarau do Binho eu já tinha ido em um Sarau que a gente fazia com pedreiros, domésticas,
pessoas comuns. Foi através de um movimento, o Luta Popular. O Hip Hop pegou em mim cedo também, porque
no Brasil tem muito racismo, aqui é um estado genocida, lá atrás, a gente não tinha dinheiro nem pra comprar
um chinelo, hoje tá melhor, mas seguimos e nessa ditadura feita pela cor, onde o próprio preto paga a bala que o
estado mata ele.

Sequência Didática | Língua Portuguesa | Leitura e Produção de Textos | Autobiografia 7


E a gente criou o sarau A Voz do Povo, que é um movimento de luta disfarçado de sarau. Então a gente che-
gava na comunidade fazendo poesia e ajudava na luta também, por isso é um sarau itinerante, mas acontece em
um bar, o bar do Mutil.
Acho que herdei esse espírito brigão da minha mãe. No sarau a gente lutava, e fomos ajudando em várias lu-
tas também junto com a Helena, o Fernão, a Dani, um monte de gente. A gente levava o que o movimento social
estava precisando, tava precisando de roupa, levava. Precisava de comida, levava. Nisso ajudamos o Movimento
Sem Teto, a favela do Moinho, impedimos um batalhão de entrar lá! Colocamos um sofá e falamos: aqui vocês
não entram. Fui pra resistência contra as UPPS no Rio de Janeiro, tava em Pinheirinho também. Nessas lutas
populares recentes, eu estava em todas, todas mesmo. Estive até com os Guarani Kaiowa no Mato Grosso.
Acho só que falta nesses movimentos é uma ponte com a espiritualidade. O segredo é ouvir o coração. O
meu coração diz pra ficar mais na arte. Ajudei a lutar pra formar o edital Proac Saraus, pois eles não dão as
coisas pra gente como parece. A gente tem que ir e lutar. Agora queremos a Lei de Fomento às Periferias, pois
não tenho que ficar batalhando pra trabalhar. 95% das coisas que fazemos é sem a ajuda do estado, merecemos
reconhecimento, eu quero dignidade.

LUANDO, Luan. Uma luta com palavras. Museu da Pessoa, s.d. Disponível em:
http://www.museudapessoa.net/pt/destaque/uma-luta-com-palavras.
Acesso em: 16 jun. 2020.

Quem sabe diz

Então, o que você achou do relato autobiográfico de Luan? O que mais chamou sua
atenção? Você se identificou com alguma das histórias que ele contou? Qual e por quê?
Em primeiro lugar, vamos compreender o texto lido, respondendo oral e coletivamente
às questões que o professor vai fazer. Se quiser, faça marcações no próprio texto ou
anote suas ideias no caderno para discutir com a turma.

Orientação ao
PROFESSOR

Atividade 2

O propósito da atividade é realizar com a turma a leitura de um relato autobiográfico, a fim de servir como referência/modelo no mo-
mento da produção, trabalhando aspectos da habilidade EM13LP01 e antecipando elementos da habilidade EM13LP54.
Porém, antes da leitura, sugerimos que seja explorado o contexto de produção do texto: autoria, público-alvo, finalidade e, sobre-
tudo, o suporte – o site do Museu da Pessoa. Conhecer e entender o suporte em que o texto foi publicado ajudará os alunos a
antecipar e ampliar conhecimentos a respeito do gênero textual autobiografia, além de incentivá-los a exercer o protagonismo na
produção e publicação de suas autobiografias, que poderão ser enviadas ao próprio site do museu.
Na homepage do site, aba “Museu da Pessoa”, há um breve texto de apresentação do museu, contextualizando sua história,
acervo e objetivos. É possível abrir esse texto no computador, projetar em uma tela (ou pedir para os alunos abrirem no celular)

8
Orientação ao
PROFESSOR

e ler coletivamente, chamando a atenção para trechos que se relacionem tanto à missão do museu como aos aspectos do gênero.
Eis uma sugestão de trechos a serem destacados para a discussão com a turma:

O Museu da Pessoa é um museu virtual e colaborativo. Está aberto a toda e qualquer pessoa que queira registrar e compartilhar
sua história de vida. Nosso acervo reúne quase vinte mil delas, sem contar as fotografias, documentos e vídeos. Conheça e partici-
pe. O Museu da Pessoa é seu também.
Se cada pessoa compreender que todo ser humano importa e que a história de vida de cada um é tão relevante a ponto de ser
patrimônio de um museu, teremos uma sociedade conectada por experiências de vida, sentimentos e emoções em contraposição
às diversas formas de intolerância.
Esta é a crença do Museu da Pessoa. Não por outra razão, elegeu como missão valorizar cada pessoa ao tornar sua história de vida
patrimônio da humanidade. Para tanto, trabalha ativamente para ser reconhecido como um museu da humanidade, que combate a
intolerância ao conectar pessoas por meio de suas experiências e sentimentos.
O grande valor do Museu da Pessoa é a escuta, pois vem da escuta a possibilidade de transformação de cada um. O Museu da
Pessoa valoriza, também, a inovação, o empreendedorismo, a colaboração e a democratização da memória.

O que é o museu da pessoa? Museu da Pessoa, c2020. Página inicial. Disponível em:
https://museudapessoa.org/ . Acesso em 09 jun. 2020. (Com cortes)

Em seguida, selecionamos um dos relatos autobiográficos presentes no acervo do museu, para encaminhar um processo de leitura
coletiva e compartilhada. É importante lembrar que escolhemos iniciar a SD com um relato autobiográfico, por ser curto e possuir
uma unidade de sentido em si (com começo, meio e fim), o que facilita o entendimento dos alunos. No entanto, a continuidade do
trabalho com o gênero autobiografia, texto mais longo, dividido em capítulos, também se faz necessária.
Após a leitura, é importante que sejam feitas perguntas que façam os alunos retomarem trechos do texto, garantindo sua com-
preensão global. Eis, a seguir, uma sugestão que pode e deve ser complementada, conforme as necessidades e potencialidades de
sua turma.
1. Com qual história o autor inicia seu texto autobiográfico?
2. Alguma história que ele conta no vídeo se repete no texto escrito? Qual?
3. Existe uma ordem cronológica no texto? Justifique.
4. Onde e quando nasceu Luan? Qual é a origem da sua família?
5. A partir do que Luan diz sobre si, quem é ele no mundo? Como ele é? O que faz?
6. O autor cita casos ou faz referências à cultura popular? Em quais passagens?
7. Como é possível saber que é o Luan quem conta sua própria história?
8. O autor relata fatos marcantes de sua vida. Cite dois exemplos.
9. Quais períodos de sua vida são relatados? Em que tempo se passam as ações? Dê exemplos.
10. Que lugares fizeram parte da trajetória de vida do autor?
11. Ele menciona pessoas ou grupos importantes para sua formação?
12. O primeiro livro que Luan leu foi “Os miseráveis”, de Victor Hugo, aos 13 anos. O que você sabe sobre esse livro? Que relação ele
pode ter com a realidade de vida do próprio Luan?
13. Ao longo do texto, o autor faz descrições ou dá explicações para situar melhor o leitor. Cite um exemplo.
14. O autor expressa opiniões sobre temas políticos e sociais. Cite dois exemplos.
15. Ele menciona algum feito ou realização? Como termina seu relato autobiográfico?

Sequência Didática | Língua Portuguesa | Leitura e Produção de Textos | Autobiografia 9


Orientação ao Atividade 3
PROFESSOR

Agora, você vai, individualmente, ler o texto mais uma vez. Em seguida, junte-
Atividade 3 -se em dupla com um colega e respondam por escrito a algumas questões:
1. Localize no texto alguns elementos característicos da autobiografia, regis-
Se na atividade anterior o foco foi trando no quadro a seguir:
trabalhar o contexto de produção do
texto e a compreensão global dos
alunos, aqui a proposta é que eles Informações sobre a vida
releiam o relato autobiográfico, a fim do autor (nome, idade,
de desenvolver mais a fundo a cons- nascimento, cidade onde
mora, profissão)
trução composicional e os aspectos
linguísticos do gênero por meio das
questões a serem registradas por Acontecimentos marcan-
escrito. Além disso, são trabalhados tes da vida
aspectos ligados à coesão textual e
à variação linguística presentes no
texto lido. Dessa forma, desenvol- Lugares mencionados
vemos as habilidades EM13LP01,
EM13LP02, EM13LP10.
Pessoas e grupos citados

Uso da 1ª pessoa (prono-


mes e verbos)

Marcadores temporais do
relato

2. No relato autobiográfico, predominam, normalmente, formas verbais no pretérito. Identifique exemplos dos tempos
verbais a seguir, explicando sua finalidade.

Tempo verbal Trecho Finalidade/sentido

a. Pretérito perfeito Pretérito perfeito

b. Pretérito imperfeito Pretérito imperfeito

c. Pretérito mais-que- Pretérito mais-que-perfeito

-perfeito

3. Diferente do restante do texto, no último parágrafo predominam verbos no tempo presente. Releia o último parágrafo e
explique por que isso ocorre?

10
!
Você já
SABE Conectivos ou elementos coesivos são recursos linguísticos que, como o próprio nome diz, servem para conec-
tar, articular os termos de uma frase, as orações de um período, as ideias entre os parágrafos, tornando o texto
mais harmônico, coeso. Esses recursos podem ser preposições, conjunções, advérbios, pronomes e locuções,
usados com a função de retomar algo que já foi dito ou dar sequência às ideias.

4. Volte ao texto e identifique alguns desses conectivos utilizados pelo autor, analisando-os conforme os exemplos:

Função
Conectivo (trecho) Sentido
Retomar Dar sequência

a. Se hoje eu sou poeta é por Os pronomes “deles” e “eles” substi-


causa deles, que eles eram X tuem/retomam “Meus pais” no início
muito lúdicos. do 1º parágrafo.

b. ...quando tinha algum A conjunção “Mas” relaciona a oração


problema ia se tratar com anterior, introduzindo uma ideia con-
o benzedeiro. Mas eu tive X X trária. Por isso, retoma e dá sequência
que ir pro médico quando fui ao texto.
atropelado...

c.

d.

e.

f.

5. Ao longo de seu relato, o autor reproduz o discurso de outras pessoas. Que recursos linguísticos são usados para
marcar essas falas? Justifique com trechos do texto.

Sequência Didática | Língua Portuguesa | Leitura e Produção de Textos | Autobiografia 11


6. O texto lido apresenta marcas da oralidade, da linguagem popular e do contexto social no qual o autor está inserido.
Atribua a cada trecho do texto o registro de variação da língua correspondente. Justifique suas escolhas destacando
termos do trecho.

Variação geográfica, sociológica, técnica, afetiva; marcas da


oralidade; expressão popular.

Trechos Variação

Minha mãe era afrodescendente, baiana, arre-


tada que só, veio trabalhar de doméstica como
todo migrante nordestino.

[...] aí quando minha mãe engravidou, uma


amiga dela, que tava sempre lá, inventou um
monte de história pra eu me chamar Luana [...]

Eu brincava em rua de terra de bolinha de


gude, bola, de pipa. [...] na época, montava
umas arminhas que pareciam de verdade [...]
Acho que herdei esse espírito brigão da minha
mãe.

O meu primeiro enquadro foi brincando de po-


lícia e ladrão. [...] a polícia passou, achou que
era confronto, e enquadrou

[...] e a gente falou “é isso, você tá dando aula


na quebrada, mano”.

Eu adormecia ouvindo história. O meu pai jura


de pé junto que viu o Lobisomem.

12
7. O texto que você leu foi produzido em uma situação comunicativa relativamente informal. Para adequá-lo a uma situa-
ção mais formal, de acordo com a norma-padrão, transforme os termos em destaque em cada trecho a seguir:

Informal Norma-padrão

No futuro, o meu livro foi inspirado nas


próprias pipas [...]

De doença era difícil morrer, que não


tinha doença.

[...] entrou um menino correndo e 20


caras querendo pegar ele [...]

[...] começou uma turma de 19 e acabou


só 4 o curso.

Um dia me tiraram da maca quando eu


tava dormindo [...]

Teve um caso que eu invadi a biblioteca

[...] nessa ditadura feita pela cor, onde o


próprio preto paga a bala que o estado
mata ele.

Orientação ao
PROFESSOR

Sugerimos que o trabalho nesta atividade seja feito em dupla para diferenciar a estratégia em relação à anterior, dando a
oportunidade aos alunos de, além de compartilharem suas hipóteses de forma produtiva, reler o texto e analisá-lo em maior
detalhe. A seguir, eis as respostas esperadas:
1.

Informações sobre a vida Luan, de Taboão da Serra, nascido em 1988, poeta/escritor.


do autor (nome, idade, nas-
cimento, cidade onde mora,
profissão)

Acontecimentos marcantes brincava na rua quando criança, levou um “enquadro” da polícia,


da vida lembrava do dia em que o asfalto chegou, foi atropelado por um ôni-
bus, sofreu paralisia infantil, invadiu a biblioteca da escola, impediu
um batalhão da polícia de entrar em uma favela, ajudou a formar o
edital Proac Saraus etc.

Sequência Didática | Língua Portuguesa | Leitura e Produção de Textos | Autobiografia 13


Orientação ao
PROFESSOR

Lugares mencionados Taboão da Serra, interior de SP, a periferia, “médico” [hospital], parque
Pinheiros, [bairro] São Judas, Vila do Fundão, bar do Mutil, favela do
Moinho, UPPs no Rio de Janeiro, [ocupação] Pinheirinho, Mato Grosso.

Pessoas e grupos citados Mãe (migrante nordestina), pai (descendente de indígena do interior de
SP), Sarau do Binho, sarau A Voz do Povo, Movimento Sem Teto, Douto-
res da Alegria, Helena, Fernão, Dani, Luta Popular.

Uso da 1ª pessoa (prono- Eu adormecia ouvindo história.


mes e verbos) Eu brincava em rua de terra...
O meu primeiro trabalho foi ...
...impedimos um batalhão de entrar
A gente tem que ir e lutar.

Marcadores temporais do naquela época; em 1988; na época não tinha televisão; No futuro; quan-
relato do fui atropelado; Um dia; o dia que o asfalto chegou; antes; aos 9 anos
de idade; Era uma vez que; voltando lá pra trás; nessa época do teatro;
aos 13 anos; lá trás; Agora.

2.

Tempo verbal Trecho Finalidade/sentido

a. Pretérito perfeito Um dia na aula de filosofia, Indica uma ação ocorrida e concluída em
entrou um menino correndo... determinado momento no passado.

b. Pretérito imper- ...a gente era muito mais feliz. Indica uma ação ocorrida no passado,
feito Eu brincava em rua de terra de mas sem conclusão determinada, ex-
bolinha de gude... pressando ideia de continuidade, hábito.

c. Pretérito mais- Mas antes do Sarau do Binho Indica uma ação que aconteceu anterior-
-que-perfeito eu já tinha ido em um Sa- mente a uma outra ação também no pas-
rau que a gente fazia com sado, podendo situar um acontecimento
pedreiros... de forma incerta. Vale lembrar aos alunos
que esse é o único exemplo de pretérito
mais-que-perfeito no texto e está em sua
forma composta.

3. Isso ocorre porque o texto, mesmo que de forma implícita, respeita uma ordem cronológica, partindo do nascimento do autor (a
gravidez da mãe, a origem de seu nome) no 1º parágrafo até o momento presente, no último parágrafo, o que explica o predomí-
nio dos verbos no tempo presente.
4. Durante a leitura do quadro Você já sabe, provoque os alunos a darem exemplos dos conectivos dos quais se lembram ou
apontarem os que já tiverem reconhecido no texto, explorando oralmente o sentido de cada elemento citado. Isso deve ajudá-los
antes da resolução da questão por escrito. Além dos exemplos citados, várias são as respostas possíveis, como:

14
Orientação ao
PROFESSOR

Função

Conectivo (trecho) Sentido


Retomar Dar
sequência

...porque no Brasil tem muito ra- O advérbio substitui “Brasil” dito ante-
X
cismo, aqui é um estado genocida riormente.

...aí quando minha mãe engravidou... Ambos os advérbios expressam a


ideia de “nesse ou naquele momento”.
X
Então a gente chegava na comu- Vale lembrar que “aí” é uma marca da
nidade fazendo poesia... oralidade.

Aliás, eu amo ler, sou grato ao O advérbio “Aliás” acrescenta uma


teatro até hoje por causa disso. ideia, dando sequência ao texto; já
X X
a contração “disso” (prep. de + pron.
isso) retoma o amor pela leitura.

Nunca fizeram menos de mim, A conjunção “pois” relaciona as duas


pois eu não fiz menos de mim. orações dando a ideia de conclusão.
X X
Por isso, retoma e dá sequência ao
mesmo tempo.

5. O autor reproduz o discurso de outras pessoas, usando dois pontos, aspas e o verbo de elocução/dizer. Exemplos: a gente falou
“é isso, você tá dando aula na quebrada, mano”; E um professor falou para mim: poxa você podia ir pro Sarau do Binho.; Colocamos
um sofá e falamos: aqui vocês não entram.
6.

Trechos Variação

Minha mãe era afrodescendente, baiana, arretada que só, veio trabalhar
Variação regional
de doméstica como todo migrante nordestino.

[...] aí quando minha mãe engravidou, uma amiga dela, que tava sempre
Marcas da oralidade
lá, inventou um monte de história pra eu me chamar Luana [...]

Eu brincava em rua de terra de bolinha de gude, bola, de pipa. [...] na


época, montava umas arminhas que pareciam de verdade [...] Acho que Variação afetiva
herdei esse espírito brigão da minha mãe.

O meu primeiro enquadro foi brincando de polícia e ladrão. [...] a polícia


Variação sociológica e técnica
passou, achou que era confronto, e enquadrou

[...] e a gente falou “é isso, você tá dando aula na quebrada, mano”. Variação sociológica e marca da
oralidade

Eu adormecia ouvindo história. O meu pai jura de pé junto que viu o Lobisomem. Expressão popular

Sequência Didática | Língua Portuguesa | Leitura e Produção de Textos | Autobiografia 15


Orientação ao
PROFESSOR

7. Durante a realização desta questão é importante problematizar com os alunos que, embora nossa sociedade prestigie mais a
norma-padrão, ambos os registros têm seu valor e servem a propósitos distintos. Sendo assim, a transformação é proposta para
que os alunos entendam a norma-padrão não como mais correta ou melhor do que as outras, e sim mais adequada a determina-
da situação comunicativa, neste caso, uma situação formal de linguagem.

Norma-padrão/Situação formal

No futuro, o meu livro seria inspirado nas próprias pipas [...]

De doença era difícil morrer, pois/porque não tinha doença.

[...] entrou um menino correndo e 20 caras querendo pegá-lo[...]

[...] começou uma turma de 19, e só 4 acabaram o curso.

Um dia me tiraram da maca quando eu estava dormindo / dormia [...]

Houve um caso em que/quando eu invadi a biblioteca

[...] nessa ditadura feita pela cor, em que/na qual o próprio preto paga a bala com que/a qual o
estado o mata.

Atividade 4

A partir de agora, vamos ler dois textos, uma biografia e outra autobiografia, sobre duas personalidades, uma do con-
texto musical brasileiro e outra do mundo político norte-americano.
Primeiro, vamos assistir a dois vídeos sobre essas pessoas:
Vídeo 1

AMARANTOS, Gaby. Xirley. 10 fev. 2020. (3min38s). Disponível


em: https://www.youtube.com/watch?v=gOsl0x3dwQE
Acesso em: 12 jun. 2020.

16
Orientação ao
Quem sabe diz PROFESSOR

Vocês conhecem a cantora do videoclipe? O que sabem sobre sua vida


e carreira? Atividade 4
O que acharam do vídeo? Ficaram com vontade de conhecer outras
músicas da cantora? Comentem. Após analisarmos detalhada-
mente um relato autobiográfico,
o propósito desta atividade é, ao
mesmo tempo, proporcionar um
Vídeo 2 momento de descontração produ-
tiva na SD, por meio da exibição
de dois vídeos que antecipam o
tema dos dois próximos textos a
serem lidos (uma biografia e uma
autobiografia), auxiliando na dis-
cussão em grupo, na mobilização
de conhecimentos prévios e no
engajamento dos alunos.
A escolha do vídeo 1 se deve ao
fato de a narrativa e a persona-
gem do clipe dialogarem com a
história da carreira da própria
NETFLIX BRASIL. Minha História | Trailer oficial| Netflix. Gaby Amarantos, segundo seus
4mar. 2020. (2min). Disponível em:
https://www.youtube.com/watch?v=pXs40bc40fc biógrafos. É possível, ainda,
Acesso em: 12 jun. 2020. chamar a atenção dos alunos para
os vários símbolos importantes da
cultura paraense, referências ao
tecnobrega e à produção cultu-
Quem sabe diz
ral nas periferias, a temática da
ascensão social, temas presentes
Vocês conhecem a personalidade do vídeo? O que sabem sobre sua
na biografia da artista. Sobre esse
vida e carreira?
clipe, Hermano Vianna, analisa:
O que acharam do trailer? Ficaram com vontade de assistir ao docu-
mentário? Comentem.

“Xirley” é um dos melhores clipes


de todos os tempos. Fiquei até
? nostálgico do tempo em que os
clipes tinham realmente impor-
Você tância. Há clima de superpro-
SABIA? De acordo com o dicionário Houaiss, o termo biografia vem dução, direção de arte criativa,
etimologicamente do grego bios (vida) + graph (escrita), muitos atores e figurantes. E
ou seja, trata-se literalmente da escrita da vida de alguém. parte de uma excelente ideia: a
Sendo um: repetição de um mesmo plano
5 LIT gênero literário cujo objeto é o relato da aventura biográ- sequência, que retrata a as-
fica de uma pessoa ou de uma personagem censão de uma estrela pop da
periferia (ou será a ascensão da
A principal diferença entre a biografia e a autobiografia é que, na primeira,
tal Classe C? ou sonho psico-
a história é contada em 3ª pessoa; enquanto, na segunda, é o próprio
délico de Mangabeira Unger?),
indivíduo que escreve sobre sua trajetória, assumindo a 1ª pessoa do
driblando a mídia tradicional.
discurso (em grego, o prefixo autós. De volta ao grego, o prefixo autós
A cada repetição, a cantora
significa “por si mesmo”, portanto na autobiografia conhecemos a vida
torna-se mais rica, e todo cenário
e obra de uma personalidade segundo ela própria, acompanhando seu
evolui: parte das barraquinhas de
ponto de vista.
Grande Dicionário Houaiss, Portal Uol. Disponível em: https://
houaiss.uol.com.br/pub/apps/www/v5-4/html/index.php#23.
Acesso em: 11 jun. 2020. (Adaptado).

Sequência Didática | Língua Portuguesa | Leitura e Produção de Textos | Autobiografia 17


Orientação ao Atividade 5
PROFESSOR
A partir da leitura do quadro Você sabia?, vamos analisar e comparar os dois
textos a seguir:
CDs piratas e chega aos discos
Texto 2
de platina. Mesmo a imagem de
Nossa Senhora de Nazaré, que
protege o estúdio de gravação,
ganha adereços cada vez mais GABY AMARANTOS
feéricos.
O clipe termina com uma Cantora brasileira
advertência, como aquela do
FBI que acompanha produtos
audiovisuais legítimos: “pira-
taria é pecado”. Bom arremate
para uma música despudorada
(composição de Zé Cafofinho,
diretamente do bioma pós-man-
gue pernambucano) que tem
refrão-ameaça para qualquer
Beyoncé: “eu vou samplear, eu
vou te roubar”. O melhor: o clipe
está publicado sob uma licença
Creative Commons que permite
obras derivadas. Isso significa:
pode samplear, não é crime, não
é pecado. Está tudo legalizado.
Que apareçam muitas Xirleys,
Brasil e mundo afora.
Gaby Amarantos (1978) é o nome artístico de Gabriela Amaral dos
Santos, cantora brasileira, que se destacou com os hits musicais “Hoje
VIANNA, Hermano. GabyProtasioFela. Jornal eu tô Solteira”, “Xirley” e “Ex-Mai Love”, essa última, fez parte da trilha
O Globo. 14 out. 2011. Disponível em: http:// sonora da novela “Cheia de Charme”, exibida em 2012. Nasceu em
hermanovianna.wordpress.com/2011/10/22/
gaby-protasio-fela/. Acesso em: 18 jun. 2020. Belém, no Pará, no dia 1 de agosto de 1978.

Além disso, propomos um momento


Início da carreira
de retomada e síntese parcial dos
conhecimentos construídos até o Criada no bairro de Jurunas, na periferia de Belém, foi nas missas
momento, discutindo as diferenças de domingo, ainda garota, que descobriu que sabia cantar. Iniciou sua
linguísticas e enunciativas entre os carreira aos 15 anos no coral de igreja. Influenciou-se por músicos
gêneros biografia e autobiografia. diversos, como Clara Nunes, Billie Holliday e Reginaldo Rossi.
Dessa forma, trabalham-se aspec-
Em 2002, formou a banda Tecno Show e praticamente adotou o
tos da habilidade EM13LP01.
“tecnobrega”, ritmo surgido na cena musical paraense nos anos 2000
que consiste no encontro da música brega com a música eletrônica,
Atividade 5 sobretudo a fusão de ritmos locais como o carimbó, o siriá e o sam-
ba tocado com baquetas, com os sintetizadores e a guitarra, que é a
A atividade dá sequência ao traba- leitura paraense do rock pesado.
lho com o gênero, por meio da com-
paração entre biografia e autobio-
grafia, desenvolvendo aspectos, em Sucesso e ascensão
leitura, das habilidades EM13LP01 e
EM13LP54. Em 2003, fez sucesso com as músicas “Gemendo” e “Não Vou te Dei-
xar”. Em 2004, a banda lançou o segundo álbum, o “Reacendendo a Cha-

18
Orientação ao
ma”. O DVD ao vivo lançado em 2005 vendeu mais de 100 mil cópias. PROFESSOR
Em 2009, resolveu seguir a carreira solo. Em 2010, lançou o hit “Hoje
eu Tô Solteira”, uma versão da música Single Ladies de Beyoncé, que a Achamos importante escolher para
tornou conhecida nacionalmente, sendo chamada de “Beyoncé do Pará”. leitura textos sobre duas mulheres
negras, fortes e influentes em suas
Em 2012, Gaby Amarantos lançou seu primeiro álbum solo, “Tre- áreas de atuação; uma brasileira
me”. Ela descreve o disco como uma amostra da variedade de sons e outra norte-americana. Isso é
produzidos em Belém: “Tem tecnobrega, carimbó, reggaeton e até um importante pois permite, para além
calipso psicodélico”. O segundo sucesso, “Xirley”, alcançou mais de das questões textuais, trabalhar
um milhão de acessos no YouTube. com os alunos temas de relevância
social, como a representatividade
racial, o empoderamento feminino, a
Reconhecimento aceitação do próprio corpo.
No caso de Gaby Amarantos, mulher
Com seu figurino extravagante, com sapatos altíssimos, roupas negra da região Norte do país, ela é re-
coloridas, maquiagem e acessórios exagerados, a artista chamava conhecida por ser uma figura pública
atenção em suas apresentações. Além da abertura da novela “Cheia e influente que defende esses e outros
de Charme” e do CD, Gaby foi tema de um documentário francês e de temas na mídia, sobretudo no progra-
uma reportagem da rede de TV britânica BBC. Fez ainda colaborações ma Saia Justa, do canal a cabo GNT.
com o grupo Pato Fu e com veteranos como Inezita Barroso, expoente Você pode ampliar essa discussão,
do sertanejo de raiz. a partir de alguns vídeos no site do
programa e no YouTube. Considere os
Gaby Amarantos foi indicada a diversos prêmios da música, o
links e vídeos a seguir, caso os julgue
Grammy Latino, o MTV Vídeo Music Brasil, quando venceu as catego-
pertinentes à discussão e adequados
rias de “Artista Feminina” e “Artista do Ano”, em 2012, entre outros. Em à realidade da sua turma:
2013, apresentou- se no Festival de Cinema de Cannes, na França.

GLOBO. Saia justa, Canal GNT.


FRAZÃO, Dilva. Gaby Amarantos. Ebiografia, c2020. Disponível em:
Disponível em: www.iqe.org.br/surl/?cdf6b4 https://gnt.globo.com/programas/saia-justa/
Acesso em: 12 jun. 2020. (Adaptado) Acesso em: 18 jun. 2020.

Texto 3

MARÇO DE 2017

Quando eu era criança, tinha CANAL GNT. Aceitação do corpo |


aspirações simples. Queria um Tema da Semana | Saia Justa. 2018.
(2min53). Disponível em:
cachorro. Queria uma casa com www.iqe.org.br/surl/?1fe2fe
escada — dois andares para uma Acesso em: 18 jun. 2020.

família. Por algum motivo, queria


uma perua de quatro portas em
vez do Buick de duas portas que CANAL GNT. Gaby Amarantos fala
era a menina dos olhos do meu sobre a trajetória dos negros no
Brasil | Tema da Semana | Saia
pai. Eu falava para as pessoas Justa. 2018. (4min39). Disponível
que, quando crescesse, seria em: www.iqe.org.br/surl/?96b155
Acesso em: 18 jun. 2020.
pediatra. Por quê? Porque adorava
crianças pequenas e logo aprendi
que a resposta era agradável aos Com relação aos textos apresen-
ouvidos dos adultos. Ah, vai ser tados, faz-se necessário, como
sabemos, elaborar um processo

Sequência Didática | Língua Portuguesa | Leitura e Produção de Textos | Autobiografia 19


Orientação ao
PROFESSOR
médica! Boa escolha! Na época, eu usava maria-chiquinha e vivia mandan-
do no meu irmão mais velho, e não importava o que acontecesse, sempre
de leitura para cada um, de modo tirava 10 na escola. Era ambiciosa, embora não soubesse muito bem
a garantir a compreensão global qual era minha meta. Hoje em dia penso que essa é uma das perguntas
pelos alunos e, no caso do texto 3, mais inúteis que um adulto pode fazer a uma criança — O que você quer
aproveitar para ampliar seus conhe- ser quando crescer? Como se crescer fosse algo finito. Como se a certa
cimentos a respeito dos elementos altura você se tornasse algo e ponto-final.
contextuais, composicionais e
linguísticos do gênero autobiografia, Até agora, fui advogada. Fui vice-presidente de um hospital e diretora
a partir de outro modelo do gênero de uma ONG que ajuda jovens a construírem uma carreira significativa.
em estudo. Fui estudante negra da classe trabalhadora em uma faculdade de elite de
maioria branca. Fui a única mulher, a única afro-americana, em todos os
Para o processo de leitura dos
textos, é possível preparar questões tipos de ambientes. Fui a noiva, a mãe estressada de uma recém-nascida,
para os alunos responderem oral- a filha consternada pelo luto. E até pouco tempo atrás, fui a primeira-da-
mente, conforme as necessidades ma dos Estados Unidos da América — emprego que não é oficialmente
e potencialidades da sua turma. Eis um emprego, mas que ainda assim me deu uma plataforma que eu
algumas sugestões: jamais imaginaria. Ele me desafiou e me deu uma lição de humildade, me
estimulou e me retraiu, às vezes tudo ao mesmo tempo. Só agora estou
começando a processar o que aconteceu nesses últimos anos — do
Texto 2 instante, em 2006, em que meu marido começou a falar em concorrer à
Quem é o autor do texto e com presidência até a manhã fria de inverno quando entrei em uma limusine
qual finalidade ele foi escrito? com Melania Trump, para acompanhá-la à posse do marido. Foi uma
jornada e tanto.
Quais informações pessoais traz
o texto sobre a biografada? Quando se é a primeira-dama, você enxerga os Estados Unidos em
Quais são os principais feitos de seus extremos. Fui a festas beneficentes em casas que mais pareciam
sua vida e carreira? museus de arte, casas em que as pessoas têm banheiras feitas de
pedras preciosas. Visitei famílias que perderam tudo no furacão Katrina e
O texto está organizado em sub-
choravam de gratidão só por terem uma geladeira e um fogão funcionan-
títulos? Com qual finalidade?
do. Conheci pessoas fúteis e hipócritas, mas também outras — professo-
Em que tempo estão as ações do
res, esposas de militares e tantas mais — cujas almas me surpreenderam
texto? Há uma ordem cronológi-
pela imensidão e pela força. E conheci crianças — muitas, no mundo
ca? Justifique.
inteiro — que me fizeram rir e me encheram de esperança e, felizmente,
Por fim, que relações você vê conseguiam esquecer meu título depois que começávamos a remexer a
entre as informações do texto e
terra de um jardim.
as cenas do videoclipe de Gaby
Amarantos?
OBAMA, Michelle. Minha história. Objetiva: São Paulo, 2018.

Texto 3
Quem sabe diz
Quem é o autor do texto e com qual finalidade ele foi escrito?
Quais informações pessoais traz o texto sobre a biografada? Quais são as diferenças mais
Quais são os principais feitos de sua vida e carreira? marcantes que você observou
nos textos 2 e 3? Como am-
O texto está organizado cronologicamente? Justifique. bos os textos são organiza-
Em que tempo estão as ações do texto? Há uma ordem cronológica? Justifique. dos? De que forma cada texto
A autora expressa sua opinião sobre os acontecimentos e situações? Dê um relata a história de cada uma
exemplo. das personalidades?

Por fim, que relações você enxerga entre o texto e o trailer do documentário sobre
Michelle Obama?

20
Atividade 6

1. Agora, você e um colega vão retomar os textos 2 e 3, classificá-los em biografia ou autobiografia, justificando com
trechos dos textos.

Biografia Autobiografia Justificativa

Texto 2
“Gaby Amarantos”

Texto 3
“Minha história”

Vocês vão continuar a analisar mais a fundo como a autobiografia é construída.


2. Que informações sobre si a autora nos relata no texto? O que é possível saber sobre sua história de vida?

3. Ela destaca acontecimentos marcantes em sua trajetória? Exemplifique.

4. Quais lugares são mencionados? Por quais locais a autora passou?

5. Que pessoas ou grupos fizeram parte da vida da autora? Destaque exemplos.

6. Identifique, no texto 3, alguns elementos característicos da autobiografia:

Uso da 1ª pessoa (prono-


mes e verbos)

Marcadores temporais

Conectivos para retomar ou


sequenciar as ideias

Formas verbais no pretérito


(perfeito e imperfeito)

Sequência Didática | Língua Portuguesa | Leitura e Produção de Textos | Autobiografia 21


7. Os textos 1 e 3 são ambos autobiografias. Qual é a diferença deles em relação ao registro de linguagem utilizado? O
que explica essa diferença? Justifique com trechos dos textos.

Fora da Estante
O gênero autobiografia costuma ser apreciado por leitores que desejam conhecer uma pouco mais
sobre a vida e a carreira de personalidades importantes e influentes, sejam artistas, políticos, cientis-
tas, escritores, figuras da história do Brasil e do mundo cuja trajetória é inspiradora. A seguir, separamos uma pequena
lista de outras autobiografias conhecidas e apreciadas pelo público-leitor brasileiro nos últimos anos. Que tal você
conferir e ler alguma delas?
O diário de Anne Frank (Record), de Anne Frank
Na minha pele (Companhia das Letras), de Lázaro Ramos
Rita Lee - Uma Autobiografia (Globo Livros), de Rita Lee
Persépolis (Companhia das Letras), de Marjane Satrapi
Diário de Bitita (SESI-SP), de Carolina Maria de Jesus
Eu sei por que o pássaro canta na gaiola (Astral Cultural), Maria Angelou
Fernanda Montenegro: prólogo, ato e epílogo (Companhia das Letras), de Fernanda Montenegro
Minha vida de menina (Record), de Helena Morley
Infância (Record), de Graciliano Ramos

MEIRELES, Maurício. Livros de memórias e biografias autorizadas disparam em vendas.


Folha de S. Paulo, 13 jan. 2018. Disponível em: www.iqe.org.br/surl/?317c21
Acesso em: 13 jun. 2020. (Adaptado)

Quem sabe diz

Então, você já leu ou ouviu falar em uma dessas autobiografias? Ficou interessado em algum título? Por quê?
Se fosse escolher um para ler, qual seria? Que tal você se reunir com seus amigos e criarem, juntos, um clube
de leitura sobre autobiografias? Cada um pode escolher uma obra para ler e apresentar aos demais ou todos
selecionam uma única obra para ler e discutir em uma roda de leitura.

Orientação ao
PROFESSOR

Atividade 6

O objetivo da atividade é propor aos alunos uma análise comparativa dos dois textos lidos na atividade anterior, reconhecendo a
principal diferença entre os gêneros biografia e autobiografia (como sabemos, o ponto de vista de quem relata a história, usando a 1ª
ou a 3ª pessoa do discurso). Em seguida, prosseguimos com o estudo mais detalhado dos aspectos composicionais e linguísticos da
autobiografia, texto foco nesta SD. Assim, são trabalhados aspectos das seguintes habilidades: EM13LP01, EM13LP02, EM13LP10.

22
Orientação ao
PROFESSOR
1.

Biografia Autobiografia Justificativa

Texto 2 X Em 2012, Gaby Amarantos lançou seu


“Gaby Amarantos” primeiro álbum solo, “Treme”. Ela des-
creve o disco como uma amostra da va-
riedade de sons produzidos em Belém.

Texto 3 X Título: “Minha história”. “Quando eu era


“Minha história” criança, tinha aspirações simples.

Até agora, fui advogada. Fui vice-presi-


dente de um hospital...”

Durante a socialização das respostas, retome trechos dos textos, chamando a atenção dos alunos para o fato de que o texto 2 não
foi escrito por Gaby Amarantos, mas por uma outra pessoa (Dilva Frazão); além disso, todos os pronomes e verbos estão na 3ª
pessoa do discurso, dando um tom de neutralidade/impessoalidade ao texto. Já o texto 3 deixa claro se tratar de uma autobiografia
desde o título na capa “Minha história”, além de prevalecer no corpo do texto a 1ª pessoa, pois Michelle Obama é ao mesmo tempo
tema e autora do texto, relatando sua própria história de vida.
As questões de 2 a 6 podem variar de acordo com o olhar de cada aluno, mas é importante que sejam aproximadas às seguintes
respostas:
2. Lendo o texto, é possível saber que a autora se chama Michelle Obama e foi a primeira-dama dos Estados Unidos após o ano de
2006. Quando criança, queria ser pediatra, sempre tirava 10 na escola e era ambiciosa. Adulta, ela se tornou advogada, vice-presi-
dente de um hospital e diretora de um ONG. Negra e de classe trabalhadora, estudou em uma faculdade de elite de maioria branca.
3. No segundo parágrafo, quando menciona o fato de ter sido primeira-dama dos Estados Unidos, ela destaca: “ . Ele me desafiou e
me deu uma lição de humildade, me estimulou e me retraiu, às vezes tudo ao mesmo tempo.” E no último, quando cita ter conhe-
cido crianças do mundo todo que a fizeram sorrir e a encheram de esperança.
4. Faculdade de elite de maioria branca, todos os tipos de ambientes, Estados Unidos, casas que mais pareciam museus de arte,
um jardim.
5. Seu pai, os adultos, seu irmão mais velho, seu marido [Barack Obama], Melania Trump e o marido [Donald Trump], famílias que
perderam tudo no furacão Katrina, pessoas fúteis e hipócritas, outras pessoas — professores, esposas de militares.
6

Uso da 1ª pessoa (prono- [...] eu usava maria-chiquinha e vivia mandando no meu irmão
mes e verbos) mais velho
Fui a única mulher, a única afro-americana, em todos os tipos de
ambientes [...]

Marcadores temporais Março de 2017, Quando eu era criança, Na época


Hoje em dia, Até agora, E até pouco tempo atrás, Só agora, nes-
ses últimos anos, do instante, em 2006,
até a manhã fria de inverno quando entrei em uma limusine, no
furacão Katrina.

Conectivos para retomar Por algum motivo, essa, Ele, acompanhá-la, seus, mas também,
ou sequenciar as ideias cujas.

Sequência Didática | Língua Portuguesa | Leitura e Produção de Textos | Autobiografia 23


Orientação ao
PROFESSOR

Formas verbais no pretéri- Quando eu era criança, tinha aspirações simples [...]
to (perfeito e imperfeito) Eu falava para as pessoas que, quando crescesse, seria pediatra[...]
Era ambiciosa, embora não soubesse muito bem qual era minha
meta.
Ele me desafiou e me deu uma lição de humildade, me estimulou
e me retraiu[...]
E conheci crianças — muitas, no mundo inteiro — que me fizeram
rir e me encheram de esperança [...]

7. A diferença é que o texto 1 representa um registro informal de linguagem, pois se trata de um depoimento originalmente falado
que depois foi transcrito, possuindo marcas da oralidade e do contexto social do autor. Já o texto 3 emprega um registro de lin-
guagem formal, de acordo com a norma-padrão, pois foi produzido apenas na modalidade escrita, para ser publicado em livro.
Exemplos:

Texto 1 Linguagem informal/marcas de aí quando minha mãe engravidou,


oralidade uma amiga dela, que tava sempre lá,
inventou um monte de história pra eu
me chamar Luana [...]

Texto 2 Linguagem formal/ norma-padrão Quando eu era criança, tinha aspira-


ções simples. [...]
Era ambiciosa, embora não soubes-
se muito bem qual era minha meta.

Ao final da atividade, apresentamos o quadro Fora da estante, de modo a ampliar o repertório de leitura de autobiografias junto aos
alunos, dando-lhes a oportunidade de conhecerem outras obras importantes no contexto literário nacional e internacional.
Tendo em vista que os gêneros biografia e autobiografia, conforme a BNCC, circulam tanto no campo da vida pessoal, jornalístico-
-midiático e artístico-literário, a proposta de criar um clube ou roda de leitura, ou mesmo uma feira literária, sobre autobiografias
visa, igualmente, envolver aspectos da habilidade EM13LP47 e contemplar o que preconiza a Base:

DE OLHO NA BNCC
No CAMPO ARTÍSTICO-LITERÁRIO No campo artístico-literário, buscam-se a ampliação do contato e a análise mais fundamen-
tada de manifestações culturais e artísticas em geral. Está em jogo a continuidade da formação do leitor literário e do desenvol-
vimento da fruição. A análise contextualizada de produções artísticas e dos textos literários, com destaque para os clássicos,
intensifica-se no Ensino Médio. Gêneros e formas diversas de produções vinculadas à apreciação de obras artísticas e produ-
ções culturais (resenhas, vlogs e podcasts literários, culturais etc.) ou a formas de apropriação do texto literário, de produções
cinematográficas e teatrais e de outras manifestações artísticas (remidiações, paródias, estilizações, videominutos, fanfics etc.)
continuam a ser considerados associados a habilidades técnicas e estéticas mais refinadas.
BNCC, 2018, p. 502-503

24
Atividade 7 Produção de texto Orientação ao
PROFESSOR
Que tal você continuar contanto sua história de vida? Agora, cada um vai
retomar seu relato oral, feito na Atividade 1, e produzir o início de sua autobio- Atividade 7
grafia (prólogo). Você pode utilizar o texto 3 (autobiografia de Michelle Obama)
como inspiração.
O objetivo da atividade é sugerir
A atividade vai ser parecida com a história que vocês contaram no início, po- uma continuidade à produção inicial
rém, em vez de ser oral, a produção deverá ser escrita e ter de 1 a 2 páginas. oral, realizada no Ponto de Partida,
para que os alunos tenham a opor-
Para ajudar no planejamento da sua autobiografia, siga as seguintes
tunidade de empregar, na produção
orientações:
de texto, as habilidades desen-
volvidas na leitura, lembrando de
garantir as etapas de planejamento/
O que contar? rascunho, escrita, revisão, reescrita
e publicação do texto.
Informações pessoais, lugares e pessoas importantes, momentos Esse trabalho pode e deve ser
marcantes da sua vida etc. ampliado, inclusive em outras SDs
cujo foco seja o eixo da produção
textual, pois a escrita literária de
Como contar? gênero como a autobiografia, além
de permitir ao estudante do Ensino
• Escreva na 1ª pessoa do discurso; Médio saber mais sobre si e apre-
sentar-se de forma protagonista ao
• Utilize formas verbais no pretérito e marcadores temporais;
mundo, se articula aos interesses
• Organize as ideias do texto empregando conectivos; culturais do jovem, de acordo com a
• Mantenha-se dentro do tema, desenvolvendo-o; própria BNCC:

• Se quiser, acrescente uma foto sua ao texto.

DE OLHO NA BNCC
A escrita literária, por sua vez, ainda
Escreva a primeira versão do texto em uma folha de rascunho. Em seguida, que não seja o foco central do compo-
faça uma revisão, a fim de verificar se seu texto contemplou as características nente de Língua Portuguesa, também
próprias do gênero autobiografia e corrigir os problemas que encontrar. Por fim, se mostra rica em possibilidades
redija a versão final do texto, para ser publicada no mural ou site da escola, em expressivas. Já exercitada no Ensino
suas redes sociais, no jornal de sua cidade ou mesmo enviá-la para fazer parte Fundamental, pode ser ampliada e
do acervo do Museu da Pessoa. aprofundada no Ensino Médio, aprovei-
tando o interesse de muitos jovens por
Outra ideia para compartilhar as autobiografias produzidas é a turma prepa-
manifestações esteticamente organiza-
rar um festival literário, para que os próprios autores leiam suas autobiografias
das comuns às culturas juvenis.
aos demais colegas, de modo que todos se conheçam melhor, dividindo suas
BNCC, 2018, p. 502-503
experiências de vida.

Com a atividade, esperamos de-


senvolver aspectos das seguintes
Sistematizando habilidades EM13LP01, EM13LP47
APRENDIZAGENS e EM13LP54.

Ao longo de seus estudos nesta sequência didática sobre a autobiografia, você


leu e compreendeu diferentes textos, analisando-os detalhadamente, estudou as
características do gênero (seu contexto, sua construção e sua linguagem).
Além disso, você teve a oportunidade de começar a escrever sua autobiografia,
apresentando-se ao mundo ao contar a sua história de vida.

Sequência Didática | Língua Portuguesa | Leitura e Produção de Textos | Autobiografia 25


Quem sabe diz

O que você achou de estudar o gênero autobiografia? De qual aspecto desse gênero você mais gostou? Quais
foram suas maiores dificuldades? O que você precisa continuar estudando? Em poucas palavras, diga, segundo
seus estudos, o que é uma autobiografia.

Em seguida, vamos conferir junto com toda a turma uma síntese do que estudamos:

Quem é o autor desse Qualquer pessoa que queira contar sua própria história de vida. Em geral,
gênero? encontramos autobiografia de personalidades cuja vida ou obra despertam
interesse para a sociedade (artistas, políticos, cientistas etc.)

Qual é seu público leitor? Leitores interessados em autobiografias; fãs, admiradores e estudiosos do auto-
biografado; jornalistas, historiadores, alunos, professores, público em geral etc.

Que histórias são relatadas? Momentos marcantes da história de vida do autor: nascimento, local de origem,
infância, família, formação, carreira, episódios decisivos etc.

Qual é a finalidade desse Relatar acontecimentos vividos, registrando-os no tempo, a fim de contar a
texto? história de sua própria vida.

Em que suporte ele é A maioria das autobiografias são publicadas em livros ou ebooks.
publicado?

Como esse gênero é cons- • Apresentação da pessoa, nome, data e local de nascimento, acontecimentos
truído/escrito? marcantes da vida, descrições, sequência cronológica dos fatos;

• Predomínio de formas verbais no pretérito perfeito e imperfeito do indicativo;


ou do presente do indicativo (presente histórico);

• Uso de memórias pessoais, documentos, fotografias, gravuras, cartas, relatos


de outras pessoas, trechos de diários, vídeos (se o suporte for a web) etc.

Quem sabe diz

Como serão os próximos capítulos de sua autobiografia?! Como você gostaria de ser lembrado pelas gerações
futuras? Continue escrevendo os próximos capítulos de sua história de vida! Vai ser uma jornada e tanto!

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