UNIVERSIDADE FEDERAL DO OESTE DO PARÁ
INSTITUTO DE CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO
CURSO DE LICENCIATURA EM HISTÓRIA
EDUCAÇÃO ETNORRACIAL
Douglas Pinheiro Carreira
Erick Sakaguchi de Sousa
Luandria da Silva Pimentel
Larissa Victoria Sousa da Silva
Sakiry Anori Natariani Waiapi
Stephany Oliveira dos Santos
Professor(a) (Dr): Luana Sullivan Barragão Guedes
SANTARÉM/PA
TEXTO I
O Dossiê do Carimbó, produzido pelo IPHAN em 2014 sob a coordenação de Edgar
Monteiro Chagas Junior, apresenta um estudo aprofundado sobre essa importante
manifestação cultural paraense. O documento analisa suas origens, influências,
características musicais, dança, instrumentos e a importância do carimbó como
patrimônio imaterial brasileiro.
1. Origens do Carimbó
O carimbó surgiu no Pará e tem suas raízes no século XVII, sendo resultado da fusão
de influências indígenas, africanas e europeias.
• Indígenas: A dança em roda, o uso de instrumentos como maracas e a presença
de elementos da fauna e flora nas letras das músicas.
• Africana: A base rítmica sincopada, o uso intenso da percussão, o batuque e a
estrutura antifonal das canções (chamado e resposta).
• Europeia: A influência portuguesa se manifesta nos padrões melódicos e na
dança em pares ou individualmente.
O nome “carimbó” vem do tupi, combinando curi (madeira) e mbó (oco), referindo-se
ao tambor principal da manifestação. Apesar disso, sua sonoridade e estilo musical
são fortemente marcados por elementos africanos.
2. Ligação com a África
A influência africana no carimbó é evidente na percussão intensa, no ritmo acelerado
e na estrutura musical. Características como a polirritmia, a improvisação na dança e
as letras cíclicas remetem às tradições musicais afro-brasileiras. O batuque, comum
em manifestações africanas no Brasil, foi essencial para o desenvolvimento do
carimbó.
O carimbó também compartilha semelhanças com outras manifestações
afrobrasileiras, como o samba e o lundu, tanto na estrutura rítmica quanto na dança.
3. A Música e a Dança do Carimbó
O carimbó é uma expressão que combina música, dança e poesia. Suas letras
costumam abordar o cotidiano, a natureza amazônica, o trabalho dos pescadores e
agricultores, além de temas sociais e políticos.
Características da dança
• A dança do carimbó é marcada por passos curtos e rápidos, sem contato físico
entre os dançarinos.
• Homens e mulheres dançam em pares, seguindo o ritmo dos tambores. •
Algumas danças específicas representam animais da região, como a dança do Peru
do Atalaia, da Onça e do Jacuraru.
Trajes tradicionais
• As mulheres usam saias rodadas e blusas rendadas, podendo ser coloridas ou
lisas.
• Os homens usam camisas estampadas e calças, sendo que, em algumas
localidades, o uso de paletó e gravata é obrigatório.
4. Instrumentos Musicais
O carimbó se caracteriza por uma sonoridade vibrante e percussiva. Os principais
instrumentos são:
• Curimbó (ou carimbó) – Tambor feito de tronco oco coberto com couro de
animal, que dá nome à manifestação.
• Maracas – Instrumento de percussão feito de cabaça e sementes.
• Milheiro – Lata de zinco preenchida com milho ou esferas para produzir som.
• Banjo artesanal – Feito com materiais como pandeiros, fundos de panela e
nylon.
• Instrumentos de sopro – Flauta, clarinete ou saxofone.
• Outros instrumentos incluem reco-reco, triângulo e tambor-onça
(semelhante à cuíca).
5. O Carimbó como Patrimônio Cultural
• Em 2005, começaram as mobilizações para o reconhecimento do carimbó
como patrimônio cultural do Brasil.
• Em 2008, grupos culturais formalizaram o pedido de registro junto ao IPHAN.
• Em 2014, o carimbó foi oficialmente reconhecido como Patrimônio
Cultural Imaterial do Brasil.
O reconhecimento fortaleceu a preservação da tradição, incentivando festivais,
oficinas e novas produções musicais. Hoje, o carimbó é símbolo da identidade
paraense e um dos maiores representantes da cultura popular brasileira.
Conclusão
O carimbó é uma manifestação cultural rica, que une música, dança, tradição e
identidade. Suas origens refletem a diversidade do Brasil, e sua evolução demonstra
a força das culturas populares na construção do patrimônio imaterial do país.
Texto II
O Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) No bater da palma, o “Lundu” se torna
“Dança” investiga a importância do Lundu Marajoara na formação de professores de
dança e suas contribuições para a cultura do município de Soure e da Amazônia. A
pesquisa se baseia no conceito de “memória cultural” e no “corpo-arquivo”, analisando
a dança como um elemento de identidade e preservação cultural.
A pesquisa está organizada em três capítulos:
1. A construção dos laços de amizade que me levaram à dança
O autor narra suas vivências em Soure, destacando a cultura local e sua trajetória até
o envolvimento com a dança. A cidade de Soure, situada no arquipélago do Marajó,
possui uma cultura rica e diversa, marcada pela influência indígena e africana. O autor
descreve sua inserção no ambiente escolar e sua primeira experiência com a dança,
inicialmente na quadrilha junina e, posteriormente, no Grupo de Tradições Marajoaras
Cruzeirinho (GTM).
2. A chegada ao Cruzeirinho e o encontro com o Lundu Marajoara
Neste capítulo, o autor apresenta o Grupo de Tradições Marajoaras Cruzeirinho, criado
em 1987, que tem papel fundamental na preservação da cultura local por meio da
dança. O Lundu Marajoara, originado do Lundu africano, sofreu transformações ao
longo do tempo, incorporando elementos da vida dos vaqueiros marajoaras. A dança,
praticada por diversos grupos folclóricos de Soure, é um símbolo de resistência
cultural. O autor detalha a estrutura da dança, o figurino e os instrumentos musicais
utilizados, como o curimbó, a flauta e o cavaquinho.
3. A vivência e a prática na dança do Lundu Marajoara e suas
contribuições para a minha formação como professor de dança
O autor relata sua experiência de aprendizado dentro do grupo, enfatizando as
dificuldades iniciais e sua superação. O contato com a Licenciatura em Dança ampliou
sua compreensão sobre o ensino da dança e seu papel como educador. O ensino do
Lundu Marajoara nas escolas é apontado como uma estratégia essencial para a
preservação da cultura local, garantindo que as novas gerações reconheçam e
valorizem essa manifestação cultural.
Considerações finais
O trabalho reafirma a importância do Lundu Marajoara como patrimônio cultural e sua
relevância para a identidade de Soure e do Marajó. A pesquisa destaca o valor da
dança como expressão da memória coletiva e defende sua inclusão no ensino formal
para garantir sua continuidade.
TEXTO III
A dissertação Amazônia Afro-Indígena: A Cultura do Carimbó e o Ensino de História
em Marabá-PA, de Mariti Sousa Mota, enfatiza a influência africana na formação do
carimbó, destacando-o como uma expressão cultural afro-indígena que resiste e se
reinventa ao longo do tempo. O estudo busca demonstrar como essa manifestação
pode ser incorporada ao ensino de História para promover uma educação mais
conectada com as identidades locais e com a valorização da cultura afro-brasileira.
A pesquisa parte do reconhecimento de que o carimbó é fruto de intensas trocas
culturais entre povos indígenas da Amazônia e africanos escravizados que chegaram
ao Pará. Essa fusão se manifesta tanto nos ritmos e instrumentos musicais – como os
tambores de tronco oco, similares aos atabaques africanos –, quanto nas danças e
nas letras das músicas, que expressam narrativas sobre trabalho, religiosidade e
resistência.
A autora analisa como o carimbó reflete a presença africana na região, especialmente
através da musicalidade, da oralidade e dos temas abordados em suas composições.
Elementos das religiões de matriz africana, como referências a orixás e entidades
espirituais, estão presentes em canções como Batuque Amazônico, que faz
homenagem a Oxum. Além disso, a presença de ritmos sincopados e do “chamado e
resposta” nas músicas evidencia conexões com tradições musicais africanas.
A dissertação também contextualiza a trajetória de marginalização do carimbó, que foi
criminalizado no século XX e associado a práticas consideradas “inferiores” pelas
elites coloniais e republicanas. Esse processo reflete um padrão de discriminação
contra as culturas afro-brasileiras, que historicamente foram reprimidas e
desvalorizadas pelo Estado. No entanto, a resistência das comunidades que
mantiveram essa tradição levou ao reconhecimento do carimbó como Patrimônio
Cultural Imaterial Brasileiro pelo IPHAN em 2014, um marco importante para a
valorização da identidade afro-amazônica.
A pesquisa se materializa na criação de um Manual Didático do Professor, que propõe
o uso do carimbó no ensino de História para os anos finais do Ensino Fundamental. O
manual sugere quatro eixos temáticos, sendo dois deles diretamente relacionados à
presença africana:
1. Povos em Diáspora – Explora como a cultura africana chegou ao Pará e
influenciou o carimbó, abordando a escravidão, os quilombos e as migrações
forçadas.
2. Educação para as Relações Étnico-Raciais – Discute a valorização da
cultura afro-brasileira, os desafios da resistência cultural e o combate ao racismo.
A autora também analisa o contexto escolar da Escola Municipal de Ensino
Fundamental Salomé Carvalho, em Marabá, demonstrando como a história
afroamazônica pode ser trabalhada em sala de aula de forma mais significativa. Ao
destacar o carimbó como um elemento central da identidade local, o estudo propõe
que a educação contribua para o reconhecimento e a valorização das contribuições
africanas na formação da sociedade amazônica.
Em suma, a dissertação reforça que o carimbó é um elo vivo entre a África e a
Amazônia, sendo uma manifestação de memória, resistência e ancestralidade. O
trabalho argumenta que, ao incorporar essa tradição ao ensino de História, é possível
construir um aprendizado mais inclusivo, que valorize as heranças africanas e
indígenas na formação da identidade brasileira.
Resumo da Exposição: A Dança e a Cultura Afro-Indígena no Carimbó e no
Lundu
Introdução
A exposição será conduzida pelos próprios alunos, que, além de organizar o evento,
também farão apresentações sobre o conteúdo estudado, explorando a história, a
cultura e os aspectos musicais do Carimbó e do Lundu.
Estrutura e Elementos Visuais
• Quadro Grande: Exposição de uma imagem de dançarinas representando tanto
o Lundu quanto o Carimbó, destacando a vestimenta, a postura e os
movimentos característicos de cada dança.
• Decoração: Mesas decoradas com tecidos vibrantes e estampados, remetendo
às cores das saias das dançarinas, além de arranjos florais para trazer um
toque de alegria e conexão com a natureza amazônica.
• Iluminação Suave: Criar um ambiente acolhedor e envolvente.
Trilha Sonora
• Caixa de Som: Música ambiente suave de Carimbó, trazendo ritmo e
autenticidade ao espaço, sem interferir na comunicação entre os visitantes.
Atividade Interativa: Aula de Dança
• Professora Especializada: Uma profissional ensinará passos básicos do
Carimbó, permitindo ao público vivenciar a dança.
• Roupas para Dança: Disponibilização de saias rodadas para quem quiser
participar ativamente.
Material Educativo
• Demonstração de Instrumentos: Se possível, expor tambores, maracas e outros
instrumentos usados no Carimbó, explicando seu significado.
Lembrancinha: Marcadores de Página com QR Code
• QR Code direcionando para uma playlist com músicas tradicionais de ambos
os ritmos.
• Distribuição: Entregar aos visitantes ao final da exposição para que levem
consigo uma conexão duradoura com a cultura apresentada.