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20 Funções Da Linguagem

O documento aborda as funções da linguagem, destacando a diferença entre língua e fala, bem como a importância da comunicação e interação entre interlocutores. Também discute as variedades linguísticas, o processo de comunicação e os conceitos de denotação e conotação, explicando como as palavras podem ter significados diferentes dependendo do contexto. Além disso, apresenta níveis e modalidades da língua, enfatizando a variação na expressão oral e escrita.

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20 Funções Da Linguagem

O documento aborda as funções da linguagem, destacando a diferença entre língua e fala, bem como a importância da comunicação e interação entre interlocutores. Também discute as variedades linguísticas, o processo de comunicação e os conceitos de denotação e conotação, explicando como as palavras podem ter significados diferentes dependendo do contexto. Além disso, apresenta níveis e modalidades da língua, enfatizando a variação na expressão oral e escrita.

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FUNÇÕES DA LINGUAGEM

Funções da Linguagem

1. LÍNGUA E FALA

A) LINGUAGEM, COMUNICAÇÃO E INTERAÇÃO

Quando duas pessoas se comunicam e interagem entre si, dizemos que eles assumem papeis de in-
terlocutores no ato comunicativo.

Interlocutores são as pessoas que participam do processo de interação humana.

Para se comunicar e interagir, as pessoas fazem uso da linguagem.

Linguagem é o processo de interação comunicativa que se constitui pela construção.

A fala, os gestos, o desenho, a pintura, a música, a dança, o código morse, o código de trânsito, o có-
digo dos surdos, o código telegráfico, tudo isso é linguagem.

Linguagem verbal é aquela cuja unidade é a palavra; já as linguagens não verbais têm unidade
diferentes da palavra, como o gesto, a imagem, a nota musical, etc. Existem também as lingua-
gens mistas, que combinam unidades próprias de diferentes linguagens.

Que tipo de linguagem veicula com maior rapidez uma informação? Por quê?

1.1 O Código

Código é um conjunto de sinais convencionados socialmente para a transmissão de mensa-


gens

Língua é um tipo de código formado por palavras e leis combinatórias por meio do qual as
pessoas de uma comunidade se comunicam e interagem entre si.

2. VARIEDADES LINGUISTICAS

1.2 As Variedades Linguísticas

Cada um de nós começa a aprender sua língua em casa, em contato com a família, imitando o que
ouve e apropriando-se, aos poucos, do vocabulário e das leis combinatórias da língua. Nós vamos,
também, treinando nosso aparelho fonador ( a língua, os lábios, os dentes, os maxilares, as cordas
vocais) para produzir sons que se transformam em palavras, em frase e em textos inteiros.

Em contato com outras pessoas, na rua, na escola, no trabalho, observamos que nem todos falam
como nós. Há pessoas que falam de modo diferente por serem de outras cidades ou regiões do país,
ou por terem idade diferente da nossa, ou por fazerem parte de outro grupo ou classe social. Essas
diferenças no uso da língua constituem as variedades Linguísticas.

Variedades Linguísticas são variações que uma língua apresenta, de acordo com as condições
sociais, culturais, regionais e históricas em que é utilizada.

TEXTO E DISCURSO

Um texto é uma mensagem oral ou escrita. pelo menos é neste sentidop que tomaremos aqui o
termo.

Quanto a discurso – termo tomado em mais de um sentido por professores e pesquisadores – signi-
fica aqui processo de produção e de interpretação do texto. Um estudo da linguagem sensível ao dis-

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curso, neste sentido do termo, é aquele que não se limita ao texto em si, levando em conta as cir-
cunstâncias em que ele é produzido e interpretado, a saber, a cultura em que ele se insere, o perfil do
emissor e do receptor, o momento histórico, o tipo de texto ( literário, didático, científico, burocrático,
jurídico etc.), o canal utilizado ( televisão, rádio, jornal, telefone, faz, e-mail, a pura e simples conversa
tête-a tête etc.)

3. O PROCESSO DE COMUNICAÇÃO

A) ESTUDO INSTRUMENTAL E PRÁTICO DA LINGUA PORTUGUESA

3.1 EXPRESSÃO ORAL E ESCRITA

A língua, representada por sons, palavras, frases, textos, é um material de comunicação, dependente
de vários fatores, para, em conjunto com eles, produzir significados e estabelecer relações humanas.
Portanto, não se isola como única a produzir entendimentos entre pessoas. Depende principalmente
de situações (contexto) e de intenções para significar mais completamente. Um gato nem sempre é
um felino; às vezes, uma pessoa bonita, o namorado de alguém; às vezes, pode se dirigir a alguém
quando furta alguma coisa; em outras, pode designar uma ligação elétrica clandestina.

3.2 NÍVEIS E MODALIDADES DA LÍNGUA

É por depender de situações e de intenções, principalmente, que a língua apresenta variações, den-
tro de suas modalidades básicas, a oral e a escrita. Como se sabe, essas duas modalidades apresen-
tam entre si diferentes níveis, desde o vulgar, passando pelo descontraído, pelo formal, em ambas as
modalidades, até o considerado mais nobre, o literário, na escrita.

Kury (1972) apresenta um quadro das variações socioculturais com as duas modalidades de língua,
oral e escrita, cada qual com quatro diferentes níveis e registros:

• Modalidade falada – vulgar, coloquial corrente, coloquial culto e ultraformal

• Modalidade escrita – vulgar, descontraído, formal e literário.

Modalidade Falada

Vulgar – próprio dos falantes sem instrução, analfabetos e semi-analfabetos, bem como dos elemen-
tos marginais da sociedade, e usado igualmente pelos que os imitam. É neste registro que se mes-
clam mais habitualmente os modismos grupais – e também os termos chulos, grosseiros, de calão.
As normas e padrão de correção geralmente aceitos pela comunidade são totalmente ignorados.

Coloquial corrente (descontraído) – é registro da linguagem familiar, corrente, usada pela maioria
dos membros de uma comunidade linguística, nas situações informais, na maior parte das situações
da vida social. É uma linguagem despreocupada, espontânea, nada ou pouco fiscalizada quanto à
correção – em suma, a linguagem de todas as horas.

Coloquial culto – “da linguagem cuidada, tensa, fiscalizada quanto à correção, seguindo os padrões
gramaticais geralmente aceitos. É uma ‘lingua de paletó e gravata’, empregada pelas pessoas educa-
das, em circunstâncias algo formais, como por exemplo uma sala de aulas, uma reunião profissional,
uma palestra dirigida ao público em geral, uma conversa não descontraída entre pessoas de instru-
ção. Devidamente utilizada, a língua culta não foge à naturalidade, o que não acontece no registro
seguinte.”

Ultraformal – “em que, pelo fato de se imitar servilmente a língua literária conservadora, a fala tem
certo sabor antiquado, e soa como artificial, rebuscada. Há preocupação extrema com a correção gra-
matical, o usuário parece trajar sempre casaca ou fraque... ( dos modelos mais quadrados...). È a lin-
guagem de conferências e discursos empolgados cerimoniosos e empolgados, de certas reuniões

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acadêmicas, excessivamente formais, e dos puristas em geral – um tanto fora da realidade, em


suma.”

A) MODALIDADE ESCRITA

Vulgar – “de pessoas sem instrução, apenas alfabetizadas, obrigadas em certas circunstâncias a es-
crever, a expressão vem carregada de formas pertencentes ao registro vulgar da modalidade oral,
consideradas como desvios da norma vigente para a língua escrita. Situam-se neste nível, por exem-
plo, um recado ou bilhete apressado, o orçamento de um serviço doméstico, cartazes, avisos improvi-
sados, tabuletas, pedido, solicitações etc., e mesmo os escritos daqueles que, em certas seções da
imprensa, intencionalmente imitam o linguajar das classes baixas”.

Descontraído – “de que o melhor exemplo é a correspondência íntima, mesmo entre pessoas de ins-
trução. Sofre duas influências antagônicas: a da língua coloquial corrente [portanto oral] e a língua
escrita formal (nível seguinte), do que resulta o seu caráter misto, um tanto híbrido, de um lado, termo
e expressões familiares, inclusive de gíria, com o desrespeito, muitas vezes voluntário, de certas nor-
mas de gramática, de outro, pelo próprio lastro cultural de quem escreve, surgem termos e constru-
ções eruditos, determinados pelo próprio assunto versado. É a crônica, muitas vezes, excelente
exemplo da utilização deste registro”

Formal – “em que, sem intuito específico, é visível a preocupação de se seguir a norma gramatical.
Neste registro se redigem (ou pelo menos deveriam redigir-se) as leis e outros atos oficiais, livros di-
dáticos e científicos, ensaios, etc. É nesta variante da língua escrita que o aluno deve ser progressi-
vamente levado a expandir-se – dura tarefa para o professor de Português, dificultada cada vez mais,
hoje em dia, pelo relaxamento crescente da boa expressão escrita, graças, em grande parte, à inva-
são progressiva e avassaladora dos meios não verbais (televisão, cartazes de propaganda, quadri-
nhos etc.).”

Literário – “o nível mais alto da língua escrita, de finalidade estética, buscando cingir-se às normas
vigentes (mal formuladas ainda, no seu todo), e que se diversifica atualmente em duas grandes cor-
rentes:

a) a corrente conservadora, tradicionalista (...) que à sensibilidade da maioria dos brasileiros soa
bem antiquada e artificial;

b) a corrente renovadora, que procura aproximar a língua literária da oralidade expressiva e in-
corpora termos e sobretudo construções de há muito vigorantes nessa, e que a corrente con-
servadora evita ciosamente. Vão-se utilizando cada vez mais os torneios expressivos da lín-
gua viva, que assim vai contribuindo para renovar permanentemente a língua escrita, inje-
tando-lhe nova seiva.

Nesta corrente há uma ramificação que podemos chamar revolucionária, de caráter experimental, es-
teticamente das mais válidas, sem a menor dúvida, mas que, pelo fato de fugir deliberadamente da
norma em vigor, não pode indicar-se para modelo. Mário de Andrade e Guimarães Rosa pós-Saga-
rana podem exemplificar esta variante”

Bibliografia Básica:

GARCIA, Othon. Comunicação em Prosa Moderna. 17ª ed. Rio de janeiro: Fundação Getúlio Var-
gas, 1996.

Machado, Leo Bárbara. A Conversação. Rio de janeiro: UFRJ, caderno de pós-graduação em Lin-
guística do Texto., 2000.

4. DENOTAÇÃO E CONOTAÇÃO

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Estes dois conceitos são muito fáceis de entender se lembrarmos que duas partes distintas, mas in-
terdependentes, constituem o signo linguístico: o significante ou plano da expressão - uma parte per-
ceptível, constituída de sons - e o significado ou plano do conteúdo - a parte inteligível, o conceito.
Por isto, numa palavra que ouvimos, percebemos um conjunto de sons ( o significante), que nos faz
lembrar de um conceito (o significado).

A denotação é justamente o resultado da união existente entre o significante e o significado, ou entre


o plano da expressão e o plano do conteúdo. A conotação resulta do acréscimo de outros significados
paralelos ao significado de base da palavra, isto é, um outro plano de conteúdo pode ser combinado
ao plano da expressão. Este outro plano de conteúdo reveste-se de impressões, valores afetivos e
sociais, negativos ou positivos, reações psíquicas que um signo evoca.

Portanto, o sentido conotativo difere de uma cultura para outra, de uma classe social para outra, de
uma época a outra. Por exemplo, as palavras senhora, esposa, mulher denotam praticamente a
mesma coisa, mas têm conteúdos conotativos diversos, principalmente se pensarmos no prestígio
que cada uma delas evoca.

Desta maneira, podemos dizer que os sentidos das palavras compreendem duas ordens: referencial
ou denotativa e afetiva ou conotativa.

A palavra tem valor referencial ou denotativo quando é tomada no seu sentido usual ou literal, isto
é, naquele que lhe atribuem os dicionários; seu sentido é objetivo, explícito, constante. Ela designa ou
denota determinado objeto, referindo-se à realidade palpável.

Além do sentido referencial, literal, cada palavra remete a inúmeros outros sentidos, virtuais, conota-
tivos, que são apenas sugeridos, evocando outras idéias associadas, de ordem abstrata, subjetiva.

O quadro abaixo sintetiza as diferenças fundamentais entre denotação e conotação:

a) Exemplos de conotação e denotação (textos 1 e 2)

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Nas receitas abaixo, as palavras têm, na primeira, um sentido objetivo, explícito, constante; foram
usadas denotativamente. Na segunda, apresentam múltiplos sentidos, foram usadas conotativa-
mente. Observa-se que os verbos que ocorrem tanto em uma quanto em outra dissolver, cortar, jun-
tar, servir, retirar, reservar - são aqueles que costumam ocorrer nas receitas; entretanto, o que faz a
diferença são as palavras com as quais os verbos combinam, combinações esperadas no texto 1,
combinações inusitadas no texto 2.

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b) Exemplo de texto denotativo (texto 3)

Os textos informativos (científicos e jornalísticos), por serem, em geral, objetivos, prendem-se ao


sentido denotativo das palavras. Vejamos o texto abaixo, em que a linguagem está estruturada em
expressões comuns, com um sentido único.

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FUNÇÕES DA LINGUAGEM

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Texto 3 - texto técnico-científico

c) Exemplo de texto conotativo (texto 4)

Além dos poetas, os humoristas e os publicitários fazem um amplo uso das palavras no seu sen-
tido conotativo, o que contribui para que os anúncios despertem a atenção dos prováveis consumi-
dores e para que o dito humorístico atinja o seu objetivo de fazer rir, às vezes até com uma certa
dose de ironia.

Por exemplo, na propaganda de um ‘shopping’, foi usada a seguinte frase:

Texto 4 - propaganda

O anúncio tem aí um duplo sentido, pois transmite duas informações:

1. o Rio Design Center ganhou uma nova loja - PAVIMENTO SUPERIOR -onde estão à venda
pisos especiais;

2. nesta loja é possível encontrar o material para piso, importado da Holanda, que se chama
Marmoleum.

Na frase que fecha o anúncio, desfaz-se a ambiguidade: "Venha até a (ao invés de o) Pavimento Su-
perior e confira esta e outras novidades de revestimentos para pisos". Mas a frase de abertura faz
pensar em outros sentidos: o centro comercial ganhou um novo andar, um novo pavimento, ou ga-
nhou um revestimento novo em todo o seu piso, em todo o seu chão.

d) Exemplo de conotação

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FUNÇÕES DA LINGUAGEM

Os provérbios ou ditos populares são também um outro exemplo de exploração da linguagem no


seu uso conotativo. Assim, "Quem está na chuva é para se molhar" equivale a "/Quando alguém
opta por uma determinada experiência, deve assumir todas as regras e consequências decorrentes
dessa experiência". Do mesmo modo, "Casa de ferreiro, espeto de pau" significa O que a pessoa
faz fora de casa, para os outros, não faz em casa, para si mesma.

A respeito de conotação, Othon M. Garcia (1973) observa: "Conotação implica, portanto, em relação
à coisa designada, um estado de espírito, uma opinião, um juízo, um sentimento, que variam con-
forme a experiência, o temperamento, a sensibilidade, a cultura e os hábitos do falante ou ouvinte, do
autor ou leitor. Conotação é, assim, uma espécie de emanação semântica, possível graças à facul-
dade que nos permite relacionar coisas análogas ou semelhadas. Esse é, em essência, o traço carac-
terístico do processo metafórico, pois metaforização é conotação".

A Oralidade Na Gramática Do Ensino

Preti ( 1994, p.62) confirma:

Os meios de comunicação de massa tentam, hoje, uma aproximação entre a língua falada e a escrita,
e, por isso, a imprensa, o radio, a tevê e o cinema servem-se, quase sempre, de uma norma comum,
intermediária, que satisfaz ao receptor, aproximando-se de sua linguagem falada e que, por outro
lado, não choca as tradições escritas, com obediência à ortografia oficial, etc.

Nessa medida, tornam-se necessários o conhecimento e o domínio do papel dos elementos da comu-
nicação no processo das relações sociolinguísticas, bem com as funções da linguagem.

Tomemos as palavras de Jakobson (1970, p.123), sobre o processo e seus elementos da comunica-
ção:

O REMETENTE envia uma MENSAGEM ao DESTINATÁRIO. Para ser eficaz, a mensagem requer
um CONTEXTO (...), apreensível pelo destinatário, e que seja verbal ou suscetível de verbalização;
um CÓDIGO total ou parcialmente comum ao remetente e o destinatário (ou, em outras palavras, ao
codificador e ao decodificador da mensagem); e finalmente, um CONTACTO, um canal físico e uma
conexão psicológica entre o remetente e o destinatário, que os capacite a ambos a entrarem e per-
manecerem em comunicação.

Remetente e destinatários são também chamados de emissor e receptor, respectivamente.

Esses fatores da comunicação soam em geral assim representados:

Esses fatores da comunicação determinam as seguintes funções da linguagem:

• emotiva – mensagem centrada no remetente

“Eu canto porque o instante existe e a minha vida está completa. Não sou alegre nem sou triste: sou
poeta” (Cecília Meireles)

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FUNÇÕES DA LINGUAGEM

• conativa – também chamada de função apelativa. Orienta-se para o destinatário. Di-


ferentemente da emotiva, que muitas vezes manifesta-se pela interjeição, a conativa,
como diz Jakobson (1970, p.126), “encontra sua expressão mais pura no vocativo e
no imperativo”

Chegue bem em Visconde de Mauá.

• Fática – utilizada para testar o contato, para “prolongar ou interromper a comunica-


ção, para verificar se o canal funciona (“alô, está me ouvindo?), para atrair a atenção
do interlocutor ou confirmar sua atenção continuada.” (Jakobson, 1970, p.126)

“entende?”

“Não é?”

“...tipo assim...”

“você ta prestando atenção no que tou falando?

• Referencial – o mesmo que função denotativa. Orienta-se para o objeto, para o refe-
rente.

“ O Rio de Janeiro é uma grande cidade, mas apresenta sérios problemas sociais.”

“ Chove no Nordeste”

• Poética – o mesmo que função conotativa. Orienta-se para a mensagem. “É o enfo-


que da mensagem por ela própria” (Jakobson, 1970: 128). Valem para esta função os
mesmos princípios do registro literário, desenvolvido na unidade anterior.

“ Chove no meu coração”.

• Metalinguística – orienta-se para o código. Fala da própria linguagem. Nessa me-


dida, todo esta apostila, assim como todo curso, utiliza-se da metalinguagem.

Considerando-se a estreita relação dos elementos da comunicação com as funções da lin-


guagem, eis o esquema destas:

Pelo que se visualiza nas duas representações, mais o fato de que os ingredientes da comunicação
são determinantes das funções da linguagem, juntamos os dois gráficos.

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FUNÇÕES DA LINGUAGEM

É notória a influência da linguagem oral sobre a escrita. O uso repetido e crescente de certas formas
e construções acabam por atingir a norma e provocar certas mudanças. Mas, na maioria dos casos,
resiste-se a certas tendências, no sentido de preservar o estatuto da escrita que, pelo tempo de que
dispõem leitor e escritor e pela possibilidade de uma visão mais crítica sobre o texto, permite a obser-
vação dos fatores de escolha no sentido da correção, da clareza, da estética e da comunicação da
mensagem. A prática de uma gramática conversacional deve desenvolver-se em questões que res-
pondam à pergunta feita no início desta unidade:

Quais as interferências da oralidade que criam dificuldades no uso da língua escrita ou que podem
gerar novas tomadas de posição da gramática tradicional, quer modificando-se para a aceitação pela
força do uso, quer reforçando-se no sentido de sustentar as normas existentes?

Sendo assim, do ponto de vista prático, que aponte na direção do ensino do uso da língua, a gramá-
tica conversacional vai implicar os elementos de organização da língua, na fronteira entre a fala e a
escrita, ou de todos os elementos da fala aceitos na escrita, ou toda sinalização da fala marcada na
escrita. Neste caso, apresentamos a seguir alguns dos mecanismos da gramática conversacional.

a) a seleção e a adequação vocabulares, que muitas vezes sofrem consequências dessa


aproximação oral/escrita. São casos, por exemplo, de substantivos e verbos, principalmente,
de sentido genérico, utilizados com diferentes acepções e aceitos na fala e que passam para
a escrita. Por exemplo, a palavra coisa e seu verbo coisar; o pronome você, em vez de nós,
a gente, a gente, a pessoa, alguém, o indivíduo; certos conectivos, sobretudo que; os verbos
ter nos sentidos de carregar, sofrer de, hospedar, gozar etc.; pôr por vestir, depositar, arru-
mar, publicar etc; fazer em vez de construir, criar, escrever, arrumar, completar et.; dar em
lugar de cobrir, encontrar, bater, publicar, oferecer.;

b) a pontuação, enquanto representante da fala na escrita;

c) a concordância, em certas dificuldades na escrita por influência da fala, neste caso, por
exemplo, do verbo com o sujeito posposto e de toda silepse;

d) a regência, no chamado pronome relativo universal ( a moça que eu falei ontem) e em ou-
tros pronomes precedidos ou não da preposição; em verbos como usufruir, desfrutar, sonhar,
concordar, discordar, assistir etc.; em casos de regência nominal em que a norma pede pre-
posição e o oral recusa, por exemplo: tenho a impressão que, tenho dúvida que;

e) a colocação, em que predomina a tendência à próclise por influência da fala brasileira;

f) a repetição, sobretudo de palavras, um dos traços mais marcantes da fala;

g) os pronomes, no uso dos pessoais retos pelos oblíquos e vice-versa: entre você e eu; pra
mim fazer;

h) a ortografia, em certas confusões como e e i e vice-versa, por exemplo:

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FUNÇÕES DA LINGUAGEM

empecilho, impecilho;

impedimento, empedimento;

tábua, taboa;

mágoa, mágua;

i) a morfologia na combinação agramatical de sufixo e base em certas derivadas:

sutil, sutilidade em vez de sutileza;

cândido, candidura em vez de candura;

gozar, gozadeira em vez de gozação ou gozo;

agudo, agudez/agudidez em vez de agudeza;

j) a translineação, na separação das sílabas de certas palavras:

tran-sa-tlân-ti-co e não trans-a-tlân-ti-co;

bi-sa-vô e não bis-a-vô;

su-pe-re-le-gan-te e não su-per-e-le-gan-te;

in-te-res-ta-du-al e não in-ter-es-ta-du-al.

Eis um panorama de possibilidades de se trabalhar a gramática de ensino relacionada à fala, o que


significa basear-se no uso. Essa é uma das formas de ensino gramatical, que pode ser completada
com o auxílio do texto, não só a partir dele, como também para ele.

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