NASA nos dias de hoje:
NASA em 2023: “Um olhar para o futuro”
O administrador, Bill Nelson, no último dia do ano, declarou que, em 2022 fizeram história. Em 2023,
estão a preparar-se para o futuro com o intuito de explorar os segredos do universo, trabalhando e
pesquisando ao benefício da humanidade. Anunciou ainda que, nunca pararão de explorar o
desconhecido no ar e no espaço, não vão parar de inovar em favor da humanidade, e vão sempre
encorajar o mundo através das descobertas.
“2022 será reconhecido como um dos melhores anos cumpridos em toda a história da NASA.” - Bill
Nelson.
•Emissões climáticas vista pelos novos satélites da NASA serão a chave para descobrir como o planeta
está a mudar;
•Desenvolvimentos aeronáuticos revolucionários e progressistas, como por exemplo a aeronave
supersónica X-59, e aeronave experimental, X-57, gerada apenas por eletricidade, sem qualquer
recurso a combustíveis;
•Seleção e renovação dos primeiros astronautas a ir à Lua, nos últimos 50 anos. A NASA tem como
intuito retornar ao satélite natural da Terra, com a equipa Artemis, onde irá incluir o envio da primeira
mulher e do próximo homem a caminhar na superfície lunar em 2024.
Lançamento do Centro de Informações da Terra, este programa entregará dados críticos diretamente
nas mãos dos profissionais de maneira que eles possam usar imediatamente. O centro fornecerá uma
visão completa da Terra para visualizar o nosso planeta em mudança – desde das temperaturas nas
cidades, ao aumento do nível do mar, às emissões de gases de efeito estufa, à produtividade agrícola,
entre outros.
NASA fará progresso com novos serviços de veículos de terreno lunar. À medida que os astronautas
exploram a região do Polo Sul da Lua durante as missões Artemis, estes poderão ir mais longe e conduzir
mais ciência do que nunca, graças a um novo Veículo de Terreno Lunar (LTV).
O que incentivou o desenvolvimento do projeto: Os Estados Unidos encontravam-se entre a
Guerra Fria, uma disputa geopolítica com a União Soviética, no final da década de 1950 e no início da de
1960. Os soviéticos lançaram a 4 de outubro de 1957 o Sputnik 1, o primeiro satélite artificial da história.
Isto causou diversas adversidades, pois demonstrou que a União Soviética era capaz de lançar armas
nucleares a distâncias intercontinentais, ao mesmo tempo que desafiava a reivindicação de
superioridade militar, econômica e tecnológica dos Estados Unidos. Isto precipitou a Crise do Sputnik e
iniciou a Corrida Espacial. O presidente norte-americano Dwight D. Eisenhower respondeu a 1958 com o
intuito de criar a NASA. John F. Kennedy, o sucessor de Eisenhower, acreditava que era do interesse
nacional dos Estados Unidos ser superior a outras nações. Dessa forma era intolerável que a União
Soviética fosse mais avançada no campo da exploração espacial. Deste modo, determinou que os
Estados Unidos deveriam competir, procurando um desafio que maximizasse as chances de vitória. Já
que os soviéticos possuíam foguetes auxiliares superiores, Kennedy queria um desafio em que os dois
países começariam em pé de igualdade. Era necessário algo espetacular, mesmo que não pudesse ser
justificado do ponto de vista militar, econômico ou científico. Contudo, ele escolheu o seguinte projeto:
pousar o Homem na Lua. Assim, o interesse de colocar um humano na Lua recebeu o nome de
Programa Apollo.
Objetivos do projeto: O programa Apollo tem como principais propósitos estabelecer a tecnologia
para promover e assegurar os interesses do mundo no espaço sideral. Tem como intenção obter de igual
modo, destaque e relevo no espaço para os Estados Unidos, fazer desenvolver um programa
prestigiado, relevante e digno acerca da exploração científica do satélite natural da Terra, a Lua. Por fim,
pretende também fazer progredir e expandir as capacidades e conhecimentos do Homem para trabalhar
no ambiente espacial e lunar, ou seja, o projeto Apollo tem como principal finalidade alargar e distender
a noção, o fundamento e a compreensão humana acerca do mundo astral.
Apollo 1: A Apollo 1, inicialmente designada como AS-204, foi a primeira missão tripulada do
Programa Apollo, onde baseava-se em lançar o primeiro módulo de comando Apollo, através do foguete
Saturno IB.
No entanto, a 27 de janeiro de 1967, os astronautas Gus Grissom, Ed White e Roger Chaffee, morreram
num teste de lançamento no solo num incêndio dentro da cabine de comando. A causa do incêndio foi
atribuída a uma falha na eletricidade. Onde, o fogo espalhou-se rapidamente devido aos materiais
inflamáveis, e à alta pressão da atmosfera na cabine de oxigênio puro. Infelizmente, não conseguiram
sair do módulo de comando, visto que não era possível abrir a porta por haver uma enorme diferença
de pressão entre o lado de dentro e o lado de fora, ou seja, a tentativa dos astronautas abrirem a porta
era inútil e em vão. Quando, finalmente, a equipa que trabalhava fora da aeronave conseguiu abrir o
módulo de comando os três astronautas já se encontravam mortos, ainda que a roupa espacial os tenha
protegido das chamas, a inalação excessiva de fumo foi fatal.
Esta tragédia foi um grande golpe para a NASA, e as investigações subsequentes levaram a grandes
mudanças no design do módulo lunar, como por exemplo a porta do porão foi melhorada para ser
facilmente aberta em caso de emergência, os materiais inflamáveis foram removidos e a atmosfera de
oxigênio puro foi substituída por uma mistura de oxigénio e nitrogénio. Para além disso, como resultado
do acidente, toda a programação do projeto Apollo foi atrasada durante quase dois anos (21 meses).
Durante esse período, os engenheiros da NASA modificaram completamente a cabine, tudo para um
bom sucesso e funcionamento do projeto Apollo e da corrida dos Estados Unidos contra a União
Soviética (URSS).
Os fatos espaciais dos três heróis exibidos no museu U.S. Space & Rocket Center. Acima
encontra-se, o icônico discurso de Grissom:
“Se morrermos, queremos que as pessoas aceitem. Estamos envolvidos num projeto
perigoso e esperamos que, se algo acontecer connosco, isso não atrase o programa. A
conquista do espaço vale o risco de vida”.
Apollo 2 e Apollo 3: A Apollo 4 ocorreu apenas nove meses após a tragédia da Apollo 1. Depois dos
astronautas Gus Grissom, Ed White e Roger Chaffee perderem a vida durante um teste de pré-voo
originalmente conhecido como a missão Apollo-Saturn 204 (AS-204), o Administrador Associado da
NASA para o Voo Espacial Tripulado, Dr. George E. Mueller, anunciou que a missão seria conhecida
como Apollo 1, e que o primeiro lançamento do Saturno V, programado para novembro de 1967, seria
conhecida como Apollo 4. O eventual lançamento do AS-204 ficou conhecido como a missão Apollo 5, e
nenhuma missão ou voo foi designado Apollo 2 e 3.
Apollo 4: A 9 de novembro de 1967, a missão Apollo 4 descolou, marcando o primeiro voo do veículo
de lançamento Saturno V. O voo não tripulado atingiu uma altitude de 11.234 milhas. A missão testou o
veículo de lançamento Apollo Saturn V, bem como o Módulo de Comando e Serviço CM 017. Durante o
teste, a nave fez duas órbitas, foi colocada numa trajetória que imitava a aproximação que uma
espaçonave Apollo faria ao retornar na Lua e, em seguida, foi recuperada no Oceano Pacífico. A Apollo 4
durou cerca de 8 horas e meia, reentrando na atmosfera a 1.2 milhas por hora. O voo qualificou o
escudo térmico para o voo lunar e demonstrou o design bem-sucedido do Saturno V, o maior foguete do
mundo.
Apollo 5: Lançada no quarto veículo de lançamento Saturno IB, a missão Apollo 5 descolou a 22 de
janeiro de 1968, do Cabo Canaveral, na Flórida. Semelhante à Apollo 4 e 6, a Apollo 5 foi um voo não
tripulado com o objetivo de testar a principal tecnologia do Programa Apollo. O principal objetivo da
missão Apollo 5 era testar os sistemas de propulsão de subida e descida do módulo lunar Apollo na
órbita da Terra.
Apollo 6: A missão Apollo 6, que ocorreu a 4 de abril de 1968, foi o último voo não tripulado da
Apollo. O sucesso da missão permitiu que a próxima missão Apollo, a Apollo 7, fosse lançada com uma
tripulação. O Módulo de Comando Apollo 6 foi lançado do Centro Espacial Kennedy e recuperado no
Oceano Pacífico 10 horas depois. A missão foi o segundo voo de teste para o foguete Saturno V. Uma
versão de teste de engenharia do módulo lunar, LTA-2R, estava a bordo para fornecer informações
sobre as características do lançamento sem ter que usar um módulo lunar real. A própria sonda Apollo 6
teve um bom desempenho na missão, apesar dos problemas com o primeiro, segundo e terceiro
estágios do Saturno V. Os problemas foram resolvidos após o voo e a próxima missão a usar o Saturno V,
a missão Apollo 8, seria lançada com uma tripulação.
Apollo 7: A Apollo 7 foi um voo espacial americano e a primeira missão tripulada do Programa Apollo.
O voo estabeleceu a volta de humanos ao espaço pelo programa NASA depois do incêndio da Apollo 1, a
1967. A tripulação era formada por Walter Schirra, Donn Eisele e Walter Cunningham, os três tinham
sido inicialmente designados para a segunda missão do programa e depois tornaram-se como reservas
da Apollo 1. Os três astronautas passaram por vários meses de treino e também por longos períodos de
avaliação e verificação da construção do Módulo de Comando com o objetivo de impedir um acidente
semelhante ao primeiro desastre do programa Apollo.
Schirra, Eisele e Cunningham foram lançados ao espaço a 11 de outubro de 1968 pelo foguete Saturno
IB, onde a missão ao todo demorou cerca de onze dias. Os três realizaram vários testes no Módulo de
Comando e também efetuaram a primeira transmissão televisiva de uma nave espacial norte americana
na história. Para além disso, houve uma grande tensão e conflito entre os astronautas e o controle da
missão em terra, no entanto a missão foi um sucesso e ela amerissou em segurança no oceano Atlântico
a 22 de outubro. Porém, nenhum dos tripulantes retornou ao espaço de novo, devido ás divergências e
desacordos.
Objetivos da missão: Os principais intuitos da missão eram demonstrar que o Módulo de Comando
era habitável e confiável no decorrer do tempo necessário para uma missão lunar, mostrar também que
o motor do Sistema de Propulsão de Serviço e os sistemas de orientação do Módulo de Comando
poderiam realizar um encontro em órbita e realizar uma descolagem e aterragem precisas. Além disso,
existiam também objetivos científicos, incluindo a avaliação dos sistemas de comunicação e a precisão
dos sistemas de bordo.
Saturno IB: O foguete da Apollo 7 foi o Saturno IB, em vez de usar o muito maior e mais poderoso
Saturno V, devido ao facto da missão ser em órbita terrestre baixa e sem um Módulo Lunar. O Saturno
IB da Apollo 7 foi o SA-205, o quinto do seu modelo a ir ao espaço e o primeiro a carregar astronautas.
Ele diferenciava-se dos seus predecessores, uma vez que possuía fiações de propelentes mais fortes e
um acendedor aprimorado de faíscas dos motores Rocketdyne J-2, com o objetivo de impedir um
desligamento prematuro como tinha acontecido na Apollo 6.
O Saturno IB era um foguete de dois estágios, com o segundo estágio S-IVB sendo semelhante ao
terceiro estágio do Saturno V, o foguete que iria ser usado nas próximas missões Apollo. Assim, a Apollo
7 foi a última missão do Programa Apollo a ser lançada por um Saturno IB.
Base de lançamento: A Apollo 7 foi a única missão tripulada do Programa Apollo a ser lançada do
Complexo 34 da Estação da Força Aérea de Cabo Kennedy. Todas as outras missões espaciais tripuladas
norte-americanas posteriores foram lançadas do Complexo 39, no Centro Espacial Kennedy. O Complexo
34 foi declarado redundante em 1969 e tornou-se inativo, fazendo da Apollo 7 a última missão espacial
tripulada lançada da Estação da Força Aérea no século XX.
Resultados obtidos: A missão cumpriu todos os seus objetivos de verificar a aptidão do Módulo de
Comando, o que permitiu que o voo da Apollo 8 para a Lua ocorresse apenas dois meses depois. O
jornalista John McQuiston escreveu no The New York Times, em 1987 que o sucesso da Apollo 7 renovou
a confiança do programa espacial da NASA, isto é, a Apollo 7 foi um grande passo para o objetivo final
da alunissagem tripulada antes do fim da década.
Apollo 8: Apollo 8 foi o voo espacial tripulado responsável pela primeira órbita ao redor da Lua. Esta
foi a segunda missão tripulada do Programa Apollo e a primeira na história da humanidade a deixar a
órbita terrestre e retornar. A Apollo 8 foi lançada a 21 de dezembro de 1968 e foi o primeiro voo
tripulado do foguete Saturno V. Os astronautas Frank Borman, Jim Lovell e William Anders tornaram-se
os primeiros humanos a testemunhar e fotografar um Nascer da Terra e escapar da gravidade de um
corpo espacial.
A Apollo 8 demorou quase três dias para alcançar a Lua. A tripulação orbitou o satélite dez vezes no
decorrer de vinte horas, durante o processo foi ainda realizada uma transmissão televisiva na véspera
de Natal, onde os três astronautas leram os primeiros dez versos do Gênesis, esta transmissão na época
foi assistida por milhares de pessoas ao redor do mundo. A astronave retornou para a Terra e amerissou
no Oceano Pacífico a 27 de dezembro.
A missão bem-sucedida da Apollo 8 pavimentou o caminho para a Apollo 11 cumprir o objetivo nacional
estabelecido em 1961 pelo presidente John F. Kennedy de alunissar na Lua antes do fim da década.
Borman, Lovell e Anders foram nomeados como as Pessoas do Ano pela revista Time logo depois do seu
retorno
Saturno V: O foguete Saturno V usado pela Apollo 8 foi designado como o AS-503: o “terceiro”
modelo do Saturno V para ser usado no programa Apollo–Saturno. A sua construção começou em
dezembro de 1967 no Edifício de Montagem de Veículos no Centro Espacial Kennedy, inicialmente
achando-se que seria usado num teste orbital não tripulado que carregava um simulador de massa do
Módulo de Comando e Serviço. Para além disso, a Apollo 6 tinha sofrido vários problemas durante o seu
teste de voo em abril, incluindo o efeito de combustão espontânea (efeito pogo) no seu primeiro
estágio, também ocorreram falhas em dois motores do segundo estágio e um terceiro estágio que não
ligou em órbita. Os administradores da NASA, sem garantias de que esses problemas tinham sido
corrigidos, não poderiam justificar o risco de uma missão tripulada, até que mais testes não tripulados
provassem que o Saturno V estava pronto. Após vários testes, e concertos pelas equipas do Centro de
Voo Espacial Marshall, os administradores da NASA deram a sua aprovação para a utilização do Saturno
V AS-503, na Apollo 8, assim que ficaram convencidos de que todos os problemas do foguete teriam
sido resolvidos.
O sucesso da Apollo 8: A Apollo 8 ocorreu no final de 1968, um ano marcado por agitações ao redor
do mundo, como assassinatos políticos, revoltas nas ruas da Europa e dos Estados Unidos. Porém, a
revista Time ainda assim escolheu os astronautas da Apollo 8 como os Homens do Ano, reconhecendo-
os como as pessoas que mais influenciaram os eventos de 1968, foram eles os primeiros humanos a
deixar a influência gravitacional da Terra e orbitar outro corpo celestial. Os três sobreviveram a uma
missão que eles mesmos consideravam que tinha uma chance de apenas 50% de ser bem-sucedida. O
efeito da Apollo 8 nos Estados Unidos foi resumido por um telegrama que Borman recebeu de um
estranho após a missão, que afirmava simplesmente "Obrigado, Apollo 8. Vocês salvaram 1968".
Nascer da Terra: Ainda podemos afirmar que, um dos aspetos mais famosos do voo foi a fotografia
“Nascer da Terra”, tirada enquanto a nave orbitava a Lua. Foi a primeira vez que o ser humano tirou
uma fotografia desse tipo de forma manual, em vez de ser por meio de uma sonda. A fotografia ainda
recebeu o crédito e a fama como uma das inspirações para a criação do Dia da Terra em 1970, a foto
ainda foi selecionada em 2003 pela revista Life como a primeira da sua lista das 100 Fotografias que
Mudaram o Mundo. Durante anos houve uma certa disputa sobre quem realmente havia tirado a
fotografia, Anders ou Borman, no entanto a questão foi resolvida em 1987 pelo historiador Andrew
Chaikin, que analisou as gravações a bordo da Apollo 8 e determinou que foi realmente Anders quem
tirou a foto, deste modo Borman reconheceu a verdade no ano seguinte.
Apollo 9: Apollo 9, foi o voo espacial tripulado responsável pela primeira operação do módulo de
comando e serviço em conjunto com o módulo lunar do Programa Apollo, em preparação para primeira
alunissagem tripulada. Os principais objetivos da missão eram qualificar o módulo lunar para operações
orbitais e mostrar que ele e o módulo de comando e serviço poderiam se separar, voar separados,
encontrarem-se e juntarem-se novamente, algo que necessitariam de realizar nas próximas missões.
Os astronautas foram lançados para o espaço a 3 de março de 1969 por um foguete Saturno V. Os três
permaneceram no espaço por dez dias a bordo do módulo de comando chamado Gumdrop e do módulo
lunar, Spider. Estes, ainda testaram vários procedimentos e sistemas, incluindo funcionamento dos
motores, sistemas de suporte de vida, sistemas de navegação e manobras de acoplagem.
O Spider foi recuperado do estágio S-IVB logo depois do lançamento, quando o Gumdrop realizou a
primeira manobra de transposição, acoplamento e extração do Programa Apollo. As duas naves também
se separaram e reencontraram-se pela segunda vez. Desta forma, a Apollo 9 realizou um teste completo
da missão de pouso lunar na órbita da Terra. O astronauta, Schweickart também testou o fato espacial
lunar e a mochila fora da nave espacial. Contudo, a Apollo 9 terminou a 13 de março e amerissou no
Oceano Atlântico, foi considerada um sucesso e estabeleceu a base para a Apollo 10.
Fato espacial: A mochila da Unidade de Mobilidade Extraveicular voou pela primeira vez na Apollo 9
e foi usada por Schweickart durante a sua caminhada espacial. Esta incluía o Sistema Portátil de Suporte
de Vida, que proporcionava oxigênio para o astronauta e água para o Vestuário de Refrigeração Líquida,
que ajudava a impedir o superaquecimento durante a atividade extraveicular. Também estava presente
o Sistema de Expulsão de Oxigênio, que poderia proporcionar oxigênio por aproximadamente uma hora
caso o Sistema Portátil falhasse. Uma versão mais avançada e aprimorada da Unidade de Mobilidade foi
utilizada na alunissagem da Apollo 11.
Treino e resultados: O principal objetivo da Apollo 9 era qualificar o Módulo Lunar para voos
tripulados na Lua, demonstrando, entre outras coisas, que poderia realizar as manobras necessárias
para alunissagem, incluindo acoplamento com o Módulo de Comando e Serviço. Os historiadores Colin
Burgess e Francis French consideraram que a tripulação da Apollo 9 estava entre as mais bem treinadas
do Programa Apollo, pois estavam a trabalhar juntos desde janeiro de 1966, inicialmente como reservas
da Apollo 1, e depois sempre designados com a missão de fazer o primeiro voo do Módulo Lunar. O
diretor de voo Gene Kranz afirmou que os três astronautas eram os mais bem preparados para sua
missão, destacando Scott como um Piloto do Módulo de Comando extremamente experiente.
A Apollo 9, como foi a primeira missão a usar os dois módulos e o Saturno V, permitiu que a equipe de
preparação de lançamento do Centro Espacial John F. Kennedy tivesse sua primeira oportunidade de
simular o lançamento de uma missão lunar completa.
Apollo 10: A missão Apollo 10, que descolou a 18 de maio de 1969, foi uma encenação completa da
missão Apollo 11 sem realmente pousar na Lua. A descolagem marcou o quarto lançamento tripulado
da Apollo no curto espaço de sete meses. Deste modo, a Apollo 10 foi a segunda missão a orbitar a Lua
e a primeira a viajar para a Lua com toda a configuração da nave espacial Apollo. Os astronautas Thomas
Stafford e Eugene Cernan desceram dentro do módulo lunar a menos de 15 quilômetros do comando da
superfície lunar, alcançando a maior aproximação da Lua até que a Apollo 11 pousou dois meses depois.
Foram feitas 19 transmissões de televisão em cores, com o total de 5 horas e 52 minutos, de qualidade
notável onde proporcionaram ao público mundial a melhor exposição até ao momento das atividades
espaciais e vistas espetaculares da Terra e da Lua.
Apesar de ter uma menor importância histórica quando comparada às missões seguintes, a Apollo 10 foi
uma missão fundamental para o Programa, pois deu segurança aos astronautas, cientistas, técnicos e
aos diretores da NASA sobre o equipamento desenvolvido e utilizado, permitindo uma maior
tranquilidade quanto ao sucesso do objetivo final, a exploração da Lua.
O “lixo” que foi abandonado na Lua: As várias missões Apollo deixaram na Lua 181.5
toneladas de lixo (há quem os considere como sendo vestígios arqueológicos). Só Neil Armstrong e Buzz
Aldrin, os primeiros homens a explorarem a superfície da Lua, deixaram por lá 106 objetos. A explicação
não tem a ver com falta de cuidado ambientalista, visto que quanto mais pesados fossem os objetos
terrestres deixados para trás, mais rochas e amostras de solo lunar as missões Apollo podiam trazer de
volta. Além disso, parte do lixo é composta de seis módulos lunares e era impossível trazê-los de volta à
Terra. Para além disso, na descolagem da superfície lunar, a parte inferior do módulo era deixada para
trás, no solo; durante a órbita lunar, no retorno à Terra, a cabine do módulo lunar era abandonada,
posteriormente vindo a cair na superfície lunar.
Para casa, trouxeram 380kg de amostras lunares (pedras e poeira). Por lá ficaram mais de 90 sacos de
urina e fezes, embalagens de refeições vazias e até 12 pares de botas, calçados por cada um dos 12
homens que visitaram a Lua. Até objetos pessoais, como duas bolas de golfe, levadas pelo astronauta
Alan Shepard, na missão Apollo 14, e uma fotografia da sua família, levada por Eugene Cernan, na
missão Apollo 17, permanecem no solo lunar. Os jipes lunares conduzidos na Lua pelas tripulações da
Apollo 15, 16 e 17 ficaram por lá, mas certamente não estarão em condições de voltar a ser conduzidos.
The Blue Marble ou o Berlinde Azul: O Berlinde Azul é uma famosa fotografia da Terra,
tirada a 7 de dezembro de 1972 pela tripulação da missão Apollo 17, a uma distância de
aproximadamente 45 mil km da Terra, a caminho da Lua. É uma das imagens fotográficas existentes
mais bem amplamente distribuídas do planeta. O lançamento da Apollo 17 no final da tarde, no último
mês do ano, resultou numa trajetória da qual a nave espacial foi capaz de sobrevoar a África durante a
luz do dia. A missão, que ocorreu durante o verão do Hemisfério Sul, permitiu que a Antártida estivesse
também iluminada. A fotografia foi feita aproximadamente cinco horas após o lançamento da nave
espacial. A Apollo 17, foi a última missão lunar tripulada, em que, nenhum ser humano desde então
esteve a uma distância capaz de tirar uma fotografia de "corpo-inteiro" da Terra tal como o The Blue
Marble. Para além disso, este retrato foi a primeira imagem nítida do “rosto” iluminado da Terra. Assim,
publicada no auge do ativismo ambiental durante os anos 70, a fotografia foi vista por muitos como um
exemplo da fragilidade da Terra, vulnerável e isolada no espaço. O arquivista da NASA, Mike Gentry,
supõe ainda que esta seja a imagem mais observada na história da humanidade.
Perspetivas acerca ao programa Apollo: Existem diferentes pontos de vista de acordo à
realização do Programa Apollo. É de esperar que as opiniões acerca deste projeto sejam positivas, visto
que foi uma das principais chaves para abrir as próximas portas do futuro. Aqueles pequenos passos na
Lua, trouxeram gigantescos benefícios para a humanidade. Tal como, o sistema GPS que hoje utilizamos
quotidianamente foi desenvolvido para encontrar os astronautas no Oceano Pacífico. Materiais e
vestuário à prova de fogo e ferramentas sem fios beneficiaram um desenvolvimento extraordinário
graças ao programa Apollo. Termómetros a infravermelhos e sistemas de diálise portáteis contribuem
hoje para o nosso bem-estar, graças aos sistemas de apoio desenvolvidos para os astronautas. Apesar
de na altura se ter julgado que se seguiria o natural estabelecimento de uma base na Lua e uma ida a
Marte se concretizaria até ao final do século, a verdade é que 50 anos depois não temos nenhum
lançador como o Saturno V, capaz de transportar três astronautas até à superfície da Lua e trazê-los de
volta à Terra. Foram apenas construídos 11 Saturnos V tendo sido utilizados na totalidade com sucesso.
Opiniões a favor
O ministro da Ciência de Espanha, o astronauta Pedro Duque, também apontou outro simples motivo
para explorar o espaço: inspirar as novas gerações. "Que todas as crianças sintam que poderão
participar em algo enorme", afirmou.
O próprio Neil Armstrong expressou numa entrevista coletiva em 1969: "Acredito que iremos à Lua
porque é da natureza humana enfrentar os desafios. Está dentro da nossa alma. Somos obrigados a
fazer estas coisas como o salmão nada contra a corrente".
“Entretanto, durante as últimas décadas, a humanidade desperdiçou muito mais dinheiro do que o
Programa Apollo em guerras inúteis, a salvar bancos ou a reparar os estragos do desregulamento do
setor financeiro. Se nos quisermos lançar a Marte e prosseguirmos o caminho da exploração espacial
que nos colocará uma série de desafios ao nosso engenho, criatividade e capacidade de nos
organizarmos, teremos que fazer escolhas muito claras sobre atividades potencialmente nocivas como
as guerras ou o capitalismo financeiro selvagem. Ou continuamos a desperdiçar as nossas energias
nestas atividades ou escolhemos alargar os nossos horizontes científicos, tecnológicos, culturais e
sociais.” - Rui Curado Silva, investigador em Física.
Opiniões contra: No entanto, por mais que as descobertas feitas pelo o Programa Apollo tenham
fornecido grandes benefícios, regalias e privilégios para a Humanidade, existem cidadãos que não
concordaram a cem porcento com o desenvolvimento deste projeto.
A 21 de julho de 1969, o presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon, felicitou os dois homens que
acabavam de pisar a Lua pela primeira vez. - “Olá, Neil e Buzz, estou a falar com vocês pelo telefone da
Casa Branca. E esta deve ser, sem dúvida, a chamada telefônica mais histórica que já foi feita. Não posso
expressar o quanto estamos orgulhosos do que vocês fizeram. Para todos os norte-americanos, este
deve ser o dia de maior orgulho de nossas vidas”, disse Nixon. No entanto, não era verdade. Um dia
antes do lançamento da missão Apollo 11, meio milhar de ativistas da chamada Campanha dos Pobres
foram até os portões do Centro Espacial Kennedy, em Cabo Canaveral, para protestar contra a brutal
desigualdade nos EUA. À frente estava o reverendo Ralph Abernathy, que presidia da Conferência de
Líderes Cristãos do Sul.
Frases citadas pelo ativista Abernathy contra o desenvolvimento do P.Apollo
“Um dia para alimentar um astronauta, nós poderíamos alimentar uma criança esfomeada por 8
dólares.”
“O dinheiro do Programa Apollo, deveria ser usado para alimentar os famintos, vestir os nus, cuidar dos
doentes e abrigar aqueles que não têm abrigo.”
Uma parte da humanidade não queria ir à Lua. Nos EUA, em plena Guerra do Vietnã, 40% da população
apoiava um corte no orçamento da NASA nos anos imediatamente anteriores ao lançamento da Apollo
11.