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Avaliação do Exame Mental em Psiquiatria

O documento fornece diretrizes para a avaliação do exame mental em psiquiatria, detalhando aspectos como aparência, consciência, orientação, memória, inteligência, sensopercepção, pensamento, linguagem, afeto, humor, psicomotricidade, vontade, pragmatismo e consciência da doença atual. Exemplos de sumários psicopatológicos ilustram como registrar observações clínicas de forma concisa e informativa. A avaliação deve considerar tanto a função psíquica do paciente quanto a interação com o entrevistador.
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Avaliação do Exame Mental em Psiquiatria

O documento fornece diretrizes para a avaliação do exame mental em psiquiatria, detalhando aspectos como aparência, consciência, orientação, memória, inteligência, sensopercepção, pensamento, linguagem, afeto, humor, psicomotricidade, vontade, pragmatismo e consciência da doença atual. Exemplos de sumários psicopatológicos ilustram como registrar observações clínicas de forma concisa e informativa. A avaliação deve considerar tanto a função psíquica do paciente quanto a interação com o entrevistador.
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PSIQUIATRIA

EXAME MENTAL

O QUE AVALIAR EM CADA FUNÇÃO PSÍQUICA


E
COMO REFERENCIAR NA SÚMULA

EXEMPLO DE SÚMULA PSICOPATOLÓGICA

EXEMPLO 1:

Lúcido. Vestido adequadamente e com boas condições de higiene pessoal.


Orientado auto e alopsiquicamente. Cooperativo. Normovigil. Hipertenaz.
Memórias retrógrada e anterógrada prejudicadas. Inteligência mantida.
Sensopercepção alterada com alucinação auditivo-verbal. Pensamento sem
alteração de forma, porém apresentando alteração de curso (fuga de idéias e
descarrilamento) por ocasião da agudização do quadro e alteração de conteúdo
(ideias delirantes de perseguição, grandeza e onipotência). Linguagem
apresentando alguns neologismos. Consciência do eu alterada na fase aguda do
quadro. Nexos afetivos mantidos. Hipertimia. Psicomotricidade alterada,
apresentando tiques. Hiperbúlico. Pragmatismo parcialmente comprometido. Com
consciência da doença atual”.

EXEMPLO 2:

• ASPECTO GERAL:
Higienizada, com roupas sóbrias e discretas, sem adornos ou maquiagem.
Cabelos soltos.

• NÍVEL DE CONSCIÊNCIA:
Alerta.

• ATITUDE:
Tímida.

• ORIENTAÇÃO:
Orientado auto e alopsiquicamente.

• ATENÇÃO:
Normotenaz e normovigil.

• MEMÓRIA:
Não avaliada formalmente. Memórias remota, recente e imediata
aparentemente preservadas.
• AFETO:
Normomodulado, com congruência ideoafetiva.

• PENSAMENTO:
Sem alterações no curso ou forma, coerente e lógico.

• JUÍZO DE REALIDADE:
Preservado.

• SENSOPERCEPÇÃO:
Sem sinais indiretos de vivência alucinatória.

• INTELIGÊNCIA:
Não avaliada formalmente. Aparentemente compatível com escolaridade.

• LINGUAGEM:
Aumento do gap pergunta-resposta, com velocidade normal e tom baixo.

• PSICOMOTRICIDADE:
Poucas gesticulações, quieta.

• INSIGHT:
Preservado.

FUNÇÕES PSÍQUICAS – COMO AVALIAR

APRESENTAÇÃO DO PACIENTE

• Refere-se à impressão geral que o paciente causa no entrevistador.


Compreende:

A. Aparência:

o tipo constitucional, condições de higiene pessoal, adequação do


vestuário, cuidados pessoais.

o Ex: “Paciente é alto, atlético e apresenta-se para a entrevista em boas


condições de higiene pessoal, com vestes adequadas, porém
sempre com a camisa bem aberta...”.

B. Atividade psicomotora e comportamento:

o mímica – atitudes e movimentos expressivos da fisionomia (triste,


alegre, ansioso, temeroso, desconfiado, esquivo, dramático,
medroso etc.);
o gesticulação (ausência ou exagero);

o motilidade – toda a capacidade motora (inquieto, imóvel,


incapacidade de manter-se em um determinado local);

o deambulação – modo de caminhar (tenso, elástico, largado,


amaneirado, encurvado, etc.).

o Ex: “Sua mímica é ansiosa, torce as mãos ao falar, levando-as à boca


para roer as unhas...” ou “Seu gestual é discreto...”.

C. Atitude para com o entrevistador:

o cooperativo, submisso, arrogante, desconfiado, apático, superior,


irritado, indiferente, hostil, bem-humorado, etc.

o Ex: “Mostra-se cooperativo, mas irrita-se ao falar de sua


medicação...”.

D. Atividade verbal:

o normalmente responsivo às deixas do entrevistador, não-


espontâneo (tipo pergunta e resposta), fala muito, exaltado ou pouco
e taciturno.

o Ex: “É normalmente responsivo às deixas do entrevistador, mas


torna-se hostil quando algo é anotado em sua ficha...”.

CONSCIÊNCIA

• Não se trata de consciência como capacidade de ajuizar valores


morais, mas, sim, num sentido amplo, uma referência a toda atividade
psíquica, ou seja, é a capacidade do indivíduo de dar conta do que está
ocorrendo dentro e fora de si mesmo

Os estados de rebaixamento da consciência podem ser

• Obnubilação;
• Torpor;
• Sopor;
• Coma;

ORIENTAÇÃO

A orientação pode ser inferida da avaliação do estado de consciência e


encontra-se intimamente ligada às noções de tempo e de espaço.

Em geral, o primeiro sentido de orientação que se perde é o do tempo, depois


o do espaço, que envolve deslocamento e localização e, num estado mais grave,
a desorientação do próprio eu (identidade e corpo).

A orientação divide-se em:

a. Autopsíquica: paciente reconhece dados de identificação pessoal e sabe


quem é;

b. Alopsíquica: paciente reconhece os dados fora do eu; no ambiente:

ATENÇÃO

Investiga-se assim:

• atenção normal: ou euprossexia; normovigilância;


• Hipervigilância: ocorre num exagero, na facilidade com que a atenção é
atraída pelos acontecimentos externos;

• Hipovigilância: é um enfraquecimento significativo da atenção, onde é


difícil obter a atenção do paciente;

• Hipertenacidade: a atenção se adere em demasia a algum estímulo ou


tópico; concentração num estímulo;

• Hipotenacidade: a atenção se afasta com demasiada rapidez do estímulo


ou tópico.

o Ex: “Concentra-se intensamente no entrevistador e no que lhe é dito,


abstendo-se completamente do que se passa à sua volta...”.

MEMÓRIA

• A função mnésica pode ser avaliada pela rapidez, precisão e cronologia das
informações que o próprio paciente dá, assim como a observação da
capacidade de fixação.

• O exame da memória passada (retrógrada) faz-se com perguntas sobre o


passado do paciente, data de acontecimentos importantes. Contradições
nas informações podem indicar dificuldades.

• Com relação à memória recente (anterógrada), podem ser feitas


perguntas rápidas e objetivas, como “O que você fez hoje?” ou dizer um
número de 4 ou 5 algarismos ou uma série de objetos e pedir para que o
paciente repita após alguns minutos, se houver necessidade.

Para o exame da memória de retenção pode-se pedir ao paciente que repita


algarismos na ordem direta e depois inversa.

INTELIGÊNCIA

• O que se faz nessa avaliação da inteligência não é o que chamamos “uma


avaliação fina”, realizada por meio de testes. É mais para se constatar se o
paciente está dentro do chamado padrão de normalidade. Interessa a
autonomia que o paciente tenha, a sua capacidade laborativa.

• Quando houver suspeita de déficit ou perda intelectiva, as informações


podem ser obtidas pedindo-se lhe que explique um trabalho que realize,
alguma situação do tipo: “Se tiver que lavar uma escada, começará por
onde?”, que defina algumas palavras (umas mais concretas, como “igreja”,
outras mais abstratas, como “esperança”), que estabeleça algumas
semelhanças, como, por exemplo, “o que é mais pesado, um quilo de
algodão ou de chumbo?”.

• Avaliar:
o Raciocínio lógico;
o Capacidade de fazer contas;
o Dificuldades em estudar;
o Capacidade de abstração;
o Capacidade de generalização;
o Juízo crítico.

SENSOPERCEPÇÃO

• Ilusão: distorção da realidade. Motivada por um estímulo externo, havendo


uma questão emocional envolvida;

• Alucinação: alterações dos órgãos do sentido, não há estímulos externos,


é um fenômeno introjetado. Podendo ser, auditivas, táteis, sinestésicas,
gustativas, olfativas e visuais (mais raras);

• Despersonalização: alteração na percepção de si próprio, manifestada


por sentimentos de estranheza ou irrealidade;
• Desrealização: alteração na percepção do meio ambiente.

PENSAMENTO

• Avalia-se

A. Curso: Trata-se da velocidade com que o pensamento é expresso e pode ir do


acelerado ao retardado, passando por variações.

o Fuga de idéias: paciente muda de assunto a todo instante, sem concluí-


los ou dar continuidade, numa aceleração patológica do fluxo do
pensamento; é a forma extrema do taquipsiquismo (comum na mania).

o Interceptação ou bloqueio há uma interrupção brusca do que vinha


falando e o paciente pode retomar o assunto como se não o tivesse
interrompido (comum na esquizofrenia).

o Prolixidade: é um discurso detalhista, cheio de rodeios e repetições,


com uma certa circunstancialidade; há introdução de temas e
comentários não-pertinentes ao que se está falando.
· Descarrilamento: há uma mudança súbita do que se está falando.
· Perseveração: há uma repetição dos mesmos conteúdos de
pensamento (comum nas demências).

B. Forma: Pode-se dizer que a forma é a maneira como o conteúdo do pensamento


é expresso. O pensamento abriga um encadeamento coerente de idéias ligadas
a uma carga afetiva, que é transmitida pela comunicação. Há um caráter
conceitual quanto à forma do pensamento;

É importante lembrar que a velocidade do pensamento (curso) pode ser normal,


porém a forma pode estar alterada por conter idéias frouxas com o fluxo
quebrado.

Ex: “Paciente apresenta um discurso com curso regular, porém não mantém
uma coerência entre as idéias, que se apresentam frouxas e desconexas”.

c. Conteúdo: As perturbações no conteúdo do pensamento estão associadas a


determinadas alterações, como as obsessões, hipocondrias, fobias e
especialmente os delírios.
Para se classificar uma ideia de delirante tem-se que levar em conta alguns
aspectos:
o A incorrigibilidade (não há como modificar a idéia delirante por meio de
correções)

o A ininfluenciabilidade (a vivência é muito intensa no sujeito, chegando


a ser mais fácil o delirante influenciar a pessoa dita normal).

o A incompreensibilidade (não pode ser explicada logicamente).

o O delírio é uma convicção íntima e inamovível, contra a qual não há


argumento.

Os delírios podem ser primários (núcleo da patologia) ou secundários


(são consequentes a uma situação social, a uma manifestação afetiva
ou a uma disfunção cerebral).

Obs.:

o Delirium: rebaixamento da consciência (delirium tremens; delirium febril);


o Delírio: alteração do pensamento (alteração do juízo);

LINGUAGEM

Avalia-se:

• Disartrias
(má articulação de palavras)

• Afasias
(perturbações por danos cerebrais que implicam na dificuldade ou
incapacidade de compreender e utilizar os símbolos verbais);

• Verbigeração
(repetição incessante de palavras ou frases),

• Parafasia
(emprego inapropriado de palavras com sentidos parecidos);
• Neologismo
(criação de palavras novas),
• Jargonofasia
(“salada de palavras”);

• Mussitação
(voz murmurada em tom baixo);

• Logorreia
(fluxo incessante e incoercível de palavras);

• para-respostas
(responde a uma indagação com algo que não tem nada a ver com o que foi
perguntado), etc.

CONSCIÊNCIA DO EU

• Este item refere-se ao fato de o indivíduo ter a consciência dos próprios atos
psíquicos, a percepção do seu eu, como o sujeito apreende a sua
personalidade.

As características formais do eu são:

• Consciência da unidade do Eu: eu sou uno no momento;

• Consciência da atividade do Eu: consciência da própria ação;

• Consciência da identidade do Eu no tempo: sempre sou o mesmo ao longo


do tempo;
• Consciência de oposição entre o Eu e o mundo: consciência do eu em
oposição ao exterior e aos outros.

AFETO

O afeto só estará primariamente alterado na esquizofrenia. Quando normal é


chamado de sintônico (congruente). As alterações do afeto são:

• Distanciamento: Faz interações quando quer/movidas por interesse


próprio. Não empatiza. Afeto menos comprometido do que nas outras
alterações;

• Incongruência: afeto não congruente com o discurso;

• Indiferença: Paciente com interação mínima, sem interesse para


estabelecer relações. Monossilábico;
• Embotamento: comprometimento máximo do afeto. O paciente não faz
mais nenhuma relação com o ambiente;

HUMOR

Os tipos de humor dividem-se em:

• Normotímico: normal;

• Hipertímico: exaltado;

• Hipotímico: baixa de humor;

• Distímico: quebra súbita da tonalidade do humor durante a entrevista;

PSICOMOTRICIDADE

Neste ponto, o paciente é avaliado conforme seu padrão de comportamento


corpóreo. São alterações da psicomotricidade:

• Hipocinesia
• Hipercinesia
• Frangofilia
• Tiques
• Estereotipias
• Maneirismos.

VONTADE

• Está relacionada aos atos voluntários. É uma disposição (energia) interior


que tem por princípio alcançar um objetivo consciente e determinado.

• O indivíduo pode se apresentar

o Com vontade normal (normobúlico)

o Ter a vontade rebaixada (hipobúlico)

o Uma exaltação patológica (hiperbúlico)


o Pode responder a solicitações repetidas e exageradas (obediência
automática);
o Pode concordar com tudo o que é dito, mesmo que sejam juízos
contraditórios (sugestionabilidade patológica);

o Realizar atos contra a sua vontade (compulsão);

o Duvidar exageradamente do que quer (dúvida patológica);

o Opor-se de forma passiva ou ativa, às solicitações (negativismo) etc.

PRAGMATISMO

• Aqui, analisa-se se o paciente exerce atividades práticas como comer,


cuidar de sua aparência, dormir, ter autopreservação, trabalhar, conseguir
realizar o que se propõe e adequar-se à vida.

o Ex: “Exerce suas tarefas diárias e consegue realizar aquilo a que se


propõe...”.

CONSCIÊNCIA DA DOENÇA ATUAL (INSIGHT)

• Verifica-se o grau de consciência e compreensão que o paciente tem de


estar enfermo, assim como a sua percepção de que precisa ou não de um
tratamento.

• Observa-se que considerações os pacientes fazem a respeito do seu próprio


estado; se há perda do juízo ou um embotamento.

• Diz-se do insight: Ausente, Presente, parcialmente presente.

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