Direito do Trabalho II
Empregador
1) Conceitos: no âmbito da relação subordinado, é a pessoa que remunera e dirige a
prestação de serviços do empregado, bem como assume a obrigação de pagar salários
ao trabalhador. Além disso, surgem outras obrigações acessórias relacionadas ao bem
estar do empregado, como concessão de férias anuais, pagamento de 13º, depósito do
fgts e etc. A definição da clt, art. 2º: "Considera-se empregador a empresa, individual
ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e
dirige a prestação pessoal de serviços". O legislador para proteger o empregado
hipossuficiente, personifica a empresa, que a partir daí assume um dos polos da
relação empregatícia por meio da figura do empregador, de modo que nenhuma
alteração na estrutura jurídica ou mudança de titularidade do seu detentor afeta o
contrato de trabalho (art. 10 e 448 da CLT)
- Poder de direção: organização (o empregado aceita a determinação pelo empregado do
modo de prestação de trabalho); controle (o empregado aceita a fiscalização de seu
trabalho) e disciplinar (o empregador possui a prerrogativa de aplicar sanções em seus
empregados). Os limites do poder de direção podem ser externo (lei, moral, normas
coletivas, sentenças) e internos (contrato de trabalho, regulamento de empresa). O
empregado possui direito de resistência e pode insurgir contra certas determinações do
empregador
- empregador por equiparação: art. 2º, §1º: equipara-se a empregador para efeitos da
relação de emprego, profissionais liberais, instituições de beneficência, associações
recreativas e outras instituições sem fins lucrativos que admitem seus trabalhadores como
empregados.
2) Características: a primeira delas é o intuito do lucro (o empregador assume os riscos
inerentes ao negócio respectivo), apesar de existirem figuras desprovidas desse traço
(entidades filantrópicas quando equiparadas às empresas); detentor do poder diretivo do qual
derivam os poderes de comando, organização, fiscalização e disciplina; outras características
são a despersonalização/impessoalidade, que possibilita a alteração subjetiva no polo
empresarial sem que importe extinção contratual; alteridade, que confere a ele os riscos do
empreendimento e o suporte destes.
3) empresa, estabelecimento e responsabilidade: por intermédio da empresa, o empresário
exerce uma atividade econômica organizada e com a intenção de alcançar o seu escopo
principal, que é a obtenção do lucro. Na empresa se reúnem todos os esforços para a
produção e circulação de bens e serviços. O estabelecimento é representado por uma unidade
produtiva e autônoma da empresa.
- empresa x estabelecimento: empresa é a atividade em si e estabelecimento é a unidade onde
se desenvolve essa atividade. O art. 74 §2º da clt exige que se mantenha controle manual,
mecânico ou eletrônico da jornada de trabalho dos empregados dos estabelecimentos e não
da empresa, com mais de 10 empregados. Entretanto, perde-se o direito às férias o
empregado que deixar de trabalhar por mais de 30d em decorrência de paralisação parcial ou
total de serviços da empresa e não do estabelecimento (art. 133, III, clt)
- Responsabilidade do sócio: o processo trabalhista adotou a teoria extensiva, em que, caso a
empresa não tenha condições e patrimônios para pagar direitos trabalhistas, admite-se a
desconsideração da personalidade jurídica devido à insuficiência patrimonial e ser
considerada um empecilho ao ressarcimento de prejuízos. A retirada, exclusão ou morte do
sócio não o exime ou a seus herdeiros por suas obrigações sociais
4) empresa pública e sociedade de economia mista: o Estado pode exercer atividade
econômica por intermédio de empresas públicas ou sociedades de economia mista, entidades
que pertencem à adm pública indireta, o art. 173 da CF permite a exploração. O estatuto da
empresa seguido será o regime jurídico próprio das empresas privadas. O empregado dessas
entidades não adquire estabilidade própria dos empregados públicos da administração
pública, autárquica e funcional, permitindo a exclusão de seus contratos por direito
potestativo do empregador, desde que seja motivada a despedida.
5) Grupo econômico: determinados agrupamentos empresariais recebem tratamento legal,
sob o ponto de vista do direito do trabalho. Quando uma empresa pertence a um grupo, que é
comandado por outra empresa, tem-se a responsabilidade solidária pelo cumprimento de
obrigações trabalhistas entre todas as que associaram com o objetivo comum, segundo art. 2º,
§2º da clt
- conceito de grupo econômico: edilton meireles classifica como um conjunto de empresas no
qual uma das integrantes pode exercer controle sobre as demais. A associação empresarial
pode assumir diversas formas jurídicas, mas sempre que houver gestão única de todas elas, há
um grupo empresarial e solidariedade. Alguns outros efeitos são: se um empregado presta
serviço para duas ou mais empresas de mesmo grupo dentro de uma única jornada, não se fala
de duplicidade de contrato de trabalho, salvo se for clausula expressa pelas partes; qualquer
retribuição pecuniária que não seja indenizatória, paga por empresas de mesmo grupo, deve
integrar a remuneração do trabalhador se forem resultantes de serviço efetivado no horário e
local de trabalho . isso deve-se a teoria do empregador único, confirmada por sumula 129 do
tst, o empregado possui como empregador todos os integrantes do grupo e não somente a
empresa específica para quem presta serviço direto. A solidariedade é apenas decorrida de lei
ou contrato, sendo que a solidariedade passiva sobre verbas trabalhistas é prevista na clt, o
que não ocorre com a obrigação de prestar serviços
- o grupo de empresas por coordenação (horizontalizado) também procede à responsabilidade
solidária
5) Sucessao de empregadores: as questões sobre esse tema estão previstas pelos arts. 10 e
448 da CLT, que basicamente dizem que qualquer alteração na estrutura jurídica da empresa
não afeta os direitos adquiridos por seus empregados, bem como seus contratos. É o que se
fala sobre a despersonalização do empregador, ou seja, a empresa responde por possíveis
inadimplementos e não a pf ou pj que detém seu controle. Para que haja sucessão são
necessários a concorrência de três requisitos: mudança na estrutura jurídica ou na
propriedade da empresa, continuidade da empresa sucessora no mesmo ramo e manutenção
dos contratos de trabalho da empresa sucedida pela empresa sucessora.
- Responsabilidade do sucedido: se há transferência total de titularidade, a responsabilidade é
do empregador sucessor. Em caso de sucessão parcial, haverá responsabilidade entre sucessor
e sucedida (se for sucessão em virtude de serviço público o tst diz que a responsabilidade
depende do tempo de rescisão do contrato de trabalho)
- empregador rural: o conceito te empregador rural é previsto no art. 3º da clt, que prevê
como critério a exploração da atividade agroeconômica independente se é realizada no
perímetro urbano ou rural
horário noturno e adicional: considera-se horário noturno para o trabalhador rural o exercido
entre 21h e 5h na atividade agrícola e entre 20h e 04h o da atividade pecuária. O adicional
noturno é de 25% sobre a hora diurna e não deve ser lebada em consideração a hora ficta
noturna reduzida para o cômputo de jornada. O intervalo intrajornada deve ser estabelecido
de acordo com os costumes locais
Terceirização
a) conceitos: procedimento de empresa que transfere a outrem a execução de uma parcela de
sua atividade permanente ou esporádica, dentro ou além dos limites do seu estabelecimento,
com a intenção de melhorar a sua competitividade, produtividade e capacidade lucrativa. A
jurisprudência que antes não se preocupava a intervir nesse tipo de construção laboral, hoje
reconhece que a empresa tomadora dos serviços é responsabilizada pelas obrigações
trabalhistas contraída pela empresa prestadora. Isso ocorre pela despersonificação do
empregador (significa que a empresa prestadora meio que passa a fazer parte da empresa
tomadora, já que essa não possui patrimônio a não ser a própria mao de obra de seus
empregadores); responsabilidade indireta; proteção legal e jurisprudencial
- a súmula numero 331 foi a que permitiu a terceirização não so em serviços de vigilância e
casos de trabalho temporário, mas expandiu também para serviços de limpeza e conservação,
bem como atividades ligadas À atividade-meio da empresa tomadora, ainda não formando
vínculos empregatícios de qualquer maneira. Hoje em dia qualquer atividade, inclusive fim,
pode ser permitida.
b) Terceirização ilícita: é a que está relacionada com a atividade-fim da empresa e forma-se o
vínculo empregatício diretamente com a empresa tomadora de serviços, com responsabilidade
direta; quando a terceirização é lícita, ou seja, seguindo a súmula 331, significa que a
responsabilidade da empresa prestadora de serviços pelo adimplemento da obrigações
trabalhistas é subsidiaria; se há tomadoras sucessivas, a responsabilidade de cada uma
corresponde ao período de labor; se há tomadores simultâneos não existe responsabilidade
nenhuma destas pela falta de vínculo direto a um determinado destinatário da atividade
laboral. Os requisitos são ausência de pessoalidade de subordinação e capacidade econômica
da empresa prestadora de serviços.
- Súmula 331, TST: IV - O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do
empregador, implica a responsabilidade subsidiária do tomador dos serviços quanto àquelas
obrigações, desde que haja participado da relação processual e conste também do título
executivo judicial. V - Os entes integrantes da Administração Pública direta e indireta
respondem subsidiariamente, nas mesmas condições do item IV, caso evidenciada a sua
conduta culposa no cumprimento das obrigações da Lei n.o 8.666, de 21.06.1993,
especialmente na fiscalização do cumprimento das obrigações contratuais e legais da
prestadora de serviço como empregadora. A aludida responsabilidade não decorre de mero
inadimplemento das obrigações trabalhistas assumidas pela empresa regularmente
contratada. VI. A responsabilidade subsidiária do tomador de serviços abrange todas as verbas
decorrentes da condenação referentes ao período da prestação laboral.
- a reforma trabalhista mudou a questão da atividade fim como preceito de terceirização ilícita
e hoje se aceita e considera. É obrigação da tomadora procurar saber da idoneidade e da
capacidade trabalhista da prestadora, sob risco de estabelecer vínculo empregatício