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Universidade Eduardo Mondlane Faculdade de Direito: Licenciatura em Direito Ciência Política e Direito Constitucional II

O documento analisa o Poder Constituinte e a formação da Constituição de Moçambique de 1975, destacando a relação entre o poder constituinte e a ruptura com o regime colonial. A Frelimo, como força política, exerceu tanto o poder constituinte material quanto o formal, resultando na elaboração da nova constituição que refletia a vontade do povo moçambicano. A conclusão enfatiza que o poder constituinte é soberano e reconstitui a ordem política, marcando o início da história constitucional moderna em Moçambique.

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Universidade Eduardo Mondlane Faculdade de Direito: Licenciatura em Direito Ciência Política e Direito Constitucional II

O documento analisa o Poder Constituinte e a formação da Constituição de Moçambique de 1975, destacando a relação entre o poder constituinte e a ruptura com o regime colonial. A Frelimo, como força política, exerceu tanto o poder constituinte material quanto o formal, resultando na elaboração da nova constituição que refletia a vontade do povo moçambicano. A conclusão enfatiza que o poder constituinte é soberano e reconstitui a ordem política, marcando o início da história constitucional moderna em Moçambique.

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UNIVERSIDADE EDUARDO MONDLANE

Faculdade de Direito
Licenciatura em Direito
Ciência Política e Direito Constitucional II

Grupo 8

Tema: O Poder Constituinte e a formação da Constituição de Moçambique de 1975

Docentes:

 Mestre João Guenha


 Mestre Paulo Ribeiro
 Dra Ana Sambo

Discentes:

CHELENGO, Cândida E. Custódio

FIGIA, Victória Salvador

MAZUZE, Alzira Raimundo

GUIBUNDA, Alex Jacinto

SITOE, Lucílio Américo (Chefe do grupo)

ZANDAMELA, Hélder Nemésio Simão

ZENGUEZA, Noriana Isabel Lourenço

TESOURA, António

Maputo, Setembro de 2014


Sumário
I Introdução .................................................................................................................... 3
1.1 Objectivos ........................................................................................................................... 3
1.2 Metodologia ........................................................................................................................ 3
II Definição de Conceitos ............................................................................................... 4
2.1 Constituição em sentido material ........................................................................................ 4
2.2 Legislador constituinte material .......................................................................................... 4
2.3 Constituição em sentido formal........................................................................................... 4
2.4 Constituição em sentido instrumental ................................................................................. 4
2.6 Conceito de poder constituinte ............................................................................................ 4
2.7 Poder constituinte derivado ................................................................................................. 5
2.8 O poder Constituinte Material ............................................................................................. 5
2.9 Poder Constituinte Formal .................................................................................................. 5
III Análise Factual .......................................................................................................... 5
3.1 Formação da Constituição ................................................................................................... 5
3.2 O que aconteceu no nosso país, no início do nosso constitucionalismo? ............................ 6
IV Conclusão ................................................................................................................... 8
V Bibliografia .................................................................................................................. 9
I Introdução

O presente trabalho foi elaborado no âmbito do preenchimento de uma parte dos


requisitos avaliativos da disciplina de Ciência Política e Direito Constitucional II,
ministrada na Faculdade de Direito da Universidade Eduardo Mondlane.

O tema que nos propomos a analisar neste trabalho é O Poder Constituinte e a formação
da Constituição de Moçambique de 1975. Assim, a nossa análise focar-se-á, em
primeiro lugar, na definição dos conceitos afins ao tema em questão, nomeadamente:
constituição em sentido material, constituição em sentido formal, constituição em
sentido instrumental, poder constituinte material e poder constituinte formal, bem como
na relação existente entre o poder constituinte e a formação da Constituição de
Moçambique de 1975.

1.1 Objectivos
 Relacionar o poder constituinte e o processo de formação da Constituição de
Moçambique de 1975.
 Identificar os marcos históricos relevantes no processo da formação da
Constituição de Moçambique de 1975.

1.2 Metodologia
Para a realização do presente trabalho, recorreu-se à pesquisa bibliográfica em que se
cruzaram as perspectivas dos autores consultados, de forma a obter uma ideia coesa e
sintéctica do tema em análise.
II Definição de Conceitos

2.1 Constituição em sentido material

A constituição em sentido material é o estatuto do Estado; é o conteúdo, objecto sobre o


qual se debruçam os direitos e liberdades fundamentais. Pressupõe o estuto político
jurídico do Estado, a articulação entre os órgãos, a forma do Estado, a organização
administrativa e os princípios fundamentais do Estado.

2.2 Legislador constituinte material

Força política que assume o poder de emanar as normas jurídico-constitucionais de


orientação política, económica, social e cultural, definindo, desta forma, as grandes
opções a serem observadas pelo povo e pelo Estado, a médio e longo prazo, pois as
normas constitucionais dispõem-se para o futuro.

2.3 Constituição em sentido formal


Pressupõe que na ordem jurídica, as normas constitucionais possuem uma força jurídica
superior às demais normas e só assim é que as normas constitucionais em sentido
material adquirem força jurídica para se imporem às demais normas do ordenamento. A
constituição formal é escrita; é positivada.

2.4 Constituição em sentido instrumental


Trata-se do instrumento através do qual o legislador constituinte revela a norma
jurídico-constitucional. É o texto escrito e aprovado pelo legislador constituinte. Em
Moçambique, o texto original da Constituição da República aprovado pelo legislador
constituinte é revelado pelo Boletim da República, que é o jornal oficial do governo.

2.6 Conceito de poder constituinte


O Poder constituinte é a capacidade de gerar uma nova Constituição material e formal,
sendo que, tem como objectivo criar auto-regulação da sua vida em sociedade; é um
poder soberano e originário, emerge quando circunstâncias históricas assim o
determinam, pois permanece latente, de modo que, que aparece para gerar uma
Constituição e podendo revelar-se e manifestar-se a qualquer momento para alterar a
ordem constitucional estabelecida. É um poder criador, que não se vincula a
constituição que cria, sendo que através da constituição, ele cria outros poderes que se
vinculam à constituição1.

1
CANOTILHO, Gomes (2003) Direito Constitucional e Teoria da Constituição, 7a Edição, Livraria, Coimbra, pag-
63
2.7 Poder constituinte derivado
Refere-se à capacidade de modificar, alterar a Constituição ou adaptá-la a novas
realidades mas não pode extinguí-la, esse poder está vinculado à Constituição, que cria
sendo que é a própria constituição que estabelece as regras do seu exercício. A
constituição moçambicana tem cláusulas petreas, que são intangíveis, sendo que para
serem alteradas é preciso, que o titular do Poder Constituinte Originário (povo),
intervenha através de um referendo, nestes casos é o povo que está alterar um princípio,
um valor uma ideia de direito2.

2.8 O poder Constituinte Material


Resulta de um conjunto de ideias, princípios, ou seja, a ideia de direito, que deverá
pecidir numa ordem jurídica; regulando a vida dos cidadã[Link] da materialização
dos princípios traçados pelo Poder Constituinte Formal.

2.9 Poder Constituinte Formal


Resulta da de normas escritas, que obedecem um procedimento solene desde a sua
elaboração, aprovação, sendo que, refere-se as normas plasmadas no texto do
Ordenamento Jurídico, esse poder também vai concretizar o Poder Constituinte
Material3.

O poder constituinte material precede o poder constituinte formal. Precede-o


logicamente porque a ideia de Direito precede regra de Direito, (...) em segundo lugar, o
poder constituinte material envolve o poder constituinte formal, porque este é, por seu
turno, não menos um poder criador de conteúdo valorável a essa luz. Não somente o
poder constituinte formal complementa e especifica a ideia de Direito como é,
sobretudo, através dele que se declara e firma a legitimidade em que agora assenta a
ordem constitucional.4

III Análise Factual

3.1 Formação da Constituição


“O factor determinante da abertura de cada era constitucional é, não aprovação de
uma constituição formal (ou redacção de uma constituição instrumental), mas o corte
ou contraposição frente à situação ou ao regime até então vigente, em nome de uma

2
GOUVEIA, Jorge Bacelar (2005) Manual de Direito Constitucional, vol II, Almendina, Coimbra, pag-47
3
BASTOS, Loureio (2005) Ciência Política, pag-22
4
MIRANDA, Jorge (2007) Manual de Direito Constitucional 6aed; Lisboa Tomo II
nova ideia de direito ou de um novo princípio de legitimidade, seja por meio de
revolução, seja por outro meio.“5

No caso de Moçambique, tratou-se de um corte frente ao regime colonial que estava


vigente até 1974 antes da assinatura dos Acordos de Lusaka.

“A entidade determinante do conteúdo fundamental de uma constituição é a entidade –


força política ou social, movimento militar ou popular, monarca, outro órgão ou grupo,
que assim vai inflectir a ordem pré-exixtente e assumir a inerente responsabilidade
histórica.”6

Essa entidade é Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), movimento militar


fundado em 1962.

“Tal entidade, ora pode convocar ou estabelecer uma assembleia, um colégio, outro
órgão com vista à elaboração da constituição formal, ora, porventura, ser ela logo a
decretá-la”7 A Constituição de Moçambique de 1975 foi elaborada e aprovada pelo
Comité Central da Frelimo.

3.2 O que aconteceu no nosso país, no início do nosso constitucionalismo?

O Poder Constituinte Material era exercido pela frelimo que determinou os valores
fundamenttais, que deveriam precedir a nova Ordem Constitucional; constitui o
resultado de um processo que foi sendo exercido durante muito tempo, que começou
com a ruptura, essa ruptura começou com a formação da Frelimo. Sendo que, é aí onde
há uma manifestação clara de descordância, de modo que, essa Frelimo surge a partir da
fusão de UDENAMU, MANU, UNAMO, respectivamente8.

A Frelimo intitulando-se como uma organização política, aprovou um programa de luta


armada contra o colonialismo português e projectou o estabelecimento de um novo
Estado, estabelecimento de um Regime Democrárico, baseado na igualdade de todos,
institui um governo do povo para o povo, estes princípios instituídos para o novo Estado
começaram com a ruptura com a ordem constitucional vigente. Entretanto aparece uma
nova realidade, que obriga a Frelimo a recorrer a esses princípios para regular as zonas
libertadas. Assim sendo, as próprias pessoas das zonas libertadas, começaram a exercer
o poder, estas zonas estavam organizadas em nação, província, distrito, localidade,
5
Idem, pag 96
6
Idem,pag 96
7
Idem, pag 97
8
GUENHA, João André Ubisse (2008) História da Evolução Constitucional Moçambicana, Instituto de Apoio à
Governação e Desenvolvimento, pag 12-17
circulos, é aí onde começa a constituição material, pois já estavam qualificados os
princípios do novo Estado. A Frelimo valendo-se do Poder Constituinte Material
exerceu o Poder Constituinte Formal, aprovando a primeira Constituição da República
Popular de Moçambique9.

Com a proclamação da independência, foi reconhecido e atribuído ao povo o poder de


soberania e a constituição de 1975 surge com o objectivo de expressar a vontade do
povo moçambicano como sinónimo de ruptura deste com o domínio colonial e as
estruturas de opressão. A primeira constituição de 1975 adoptou o regime político de
democracia popular baseado no modelo socialista (artigos 1, 4/5), consagrou o sistema
de partido único e princípio da unidade do poder. Este princípio traduzia-se na
supremacia formal da Assembleia Popular face aos demais órgãos do Estado. Porém, a
prática institucional conduziu a consentração do poder na figura do presidente da
república, do poder legislativo e do poder executivo. O poder judicial aparecia como o
uníco que gozava de autonomia e independência, visto que o exercício da
correspondente função era reservado aos tribunais consedendo-se o estatuto de
independência aos juízes tal como evidenciam os artigos 62 e 68 da Constituição de
1975.

9
JOÃO, André Ubisse Guenha (2008) História da Evolução Constitucional Moçambicana Instituto de
Apoio à Governação e Desenvolvimento, pag 12-17
IV Conclusão
Face aos aspectos desenvolvidos ao longo do trabalho, importa, desde já, apresentar as
seguintes conclusões:

O poder constituinte antes de ser constituinte é desconstituinte porque é dirigido contra


um “status quo” até então vigente – o regime de opressão colonial e tudo o que a ele
estiver subjacente.

Desta feita, este poder é visto como reconstituinte, na medida em que cria e projecta a
instauração de uma nova ordem política plasmada numa constituição, o que se verificou
com a entrada em vigor, precedida pela elaboração e aprovação da Constiruição de
Moçambique de 1975, pelo Comité Central da Frelimo.

A moderna história constitucional em Moçambique nasceu a 25 de Junho de 1975 com


a independência face a Portugal. De acordo com o preâmbulo da Constituição da
República de Moçambique de 1975, a luta de libertação nacional, respondendo aos
anseios seculares do nosso povo, aglutinou todas as camadas patrióticas da sociedade
moçabicana no mesmo ideal de liberdade, unidade, justiça e progresso, cujo escopo era
libertar a terra e o Homem.

Por último, realça-se que o poder constituinte originário é soberano, pois a plena
liberdade da nação para criar uma constituição não está sujeita a formas, limites ou
condições pré-existentes.
V Bibliografia
BASTOS, Loureio (2005) Ciência Política – Guia de Estudo, Maputo,
Universidade EduardoMondlane
CANOTILHO, Gomes (2003) Direito Constitucional e Teoria da Constituição,
7a Edição, Livraria, Coimbra pag- 63
GUENHA, João André Ubisse (2008) História da Evolução Constitucional
Moçambicana, Instituto de Apoio à Governação e Desenvolvimento, pag 12-17
GOUVEIA, Jorge Bacelar (2005) Manual de Direito Constitucional, vol II,
Almendina, Coimbra, , pag-47
MIRANDA, Jorge (2007) Manual de Direito Constitucional 6aed; Coimbra,
Almedina Tomo II

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