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FRELIMO e a Luta pela Independência em Moçambique

O documento aborda a emergência de organizações políticas nacionalistas em Moçambique, destacando a fundação da FRELIMO e a luta armada pela independência. O texto analisa as raízes do nacionalismo moçambicano, a reação de Portugal à descolonização e os objetivos da FRELIMO, enfatizando a luta contra a opressão colonial. Conclui-se que a luta armada foi uma resposta necessária à discriminação e à falta de direitos civis dos moçambicanos sob o regime colonial.

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FRELIMO e a Luta pela Independência em Moçambique

O documento aborda a emergência de organizações políticas nacionalistas em Moçambique, destacando a fundação da FRELIMO e a luta armada pela independência. O texto analisa as raízes do nacionalismo moçambicano, a reação de Portugal à descolonização e os objetivos da FRELIMO, enfatizando a luta contra a opressão colonial. Conclui-se que a luta armada foi uma resposta necessária à discriminação e à falta de direitos civis dos moçambicanos sob o regime colonial.

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UNIVERSIDADE EDUARDO MONDLANE

FACULDADE DE DIREITO
1º Ano/ Laboral

Grupo 06

CIENCIA POLITICA E DIREITO CONSTITUCIONAL II

Tema: Emergência de organizações politicas nacionalistas: fundação da Frente de


Libertação de Moçambique (FRELIMO) e a Luta Armada de Libertação Nacional

Discentes: Docentes: Dr. João Guenha

Dr. Paulo Ribeiro

Dra. Ana Sambo

ASSANE; Vicente

MARAPUSSE; Lurdes

SACATAR; António

SAMBO; Alfredo

SAÚTE; Adriana

ZANDAMELA; Latifa (chefe)

Maputo,08 de Setembro de 2014

0
Índice
1.Introdução.................................................................................................................................................2
2. Emergência dos movimentos nacionalistas em Moçambique..................................................................2
2.1 Reacção de Portugal perante os apelos à descolonização...................................................................3
3.Surgimento de organizações politicas independentistas............................................................................4
2.3Objectivos da FRELIMO:...................................................................................................................5
4. Luta Armada............................................................................................................................................5
5. Conclusão................................................................................................................................................7
6. Bibliografia..............................................................................................................................................7
7. Relatório..................................................................................................................................................8

1
1.Introdução
O presente trabalho faz uma abordagem politica, histórica e jurídica em torno da emergência
das organizações nacionalistas em moçambique, da fundação da FRELIMO e da Luta
armada. Para efeito é necessário esclarecer donde surge o nacionalismo moçambicano, e a
responder diria que este factor provem da experiencia e das elocuções dos povos no que
concerne a sua pertença a certa terra pátria, sem apartar o próprio nacionalismo europeu. E estas
alicerçadas no desejo de aquisição de direitos e liberdades conjugadas com a necessidade de
autodeterminação para prossecução dos seus intentos. Nesta lógica tais comunidades se vão
insurgir perante o poder politico colonial que detém somente legitimidade legal, o que não basta,
pois é sabido que apesar de coactivo, o poder ilegítimo não perdura, tanto foi que em 1964 o
poder originário se levantou e derrubou a legalidade do regime colonial.

Temos como objectivos: Examinar a posição de Portugal face ao movimento internacional


contrario ao colonialismo. Explicar o fenomeno do nacionalismo organizado em Moçambique e
o processo de libertação no quadro jurídico e politico;

Quanto ao método: Para efeituação dos estudos dos factos políticos supracitados recorrer-se-á
ao método de observação fazendo uma descrição procurando obter conclusões de interesse
científico, acompanhado do método histórico que nos vai permitir comparar fases diferentes do
processo nacionalista.

2. Emergência dos movimentos nacionalistas em Moçambique

O nacionalismo moçambicano é definido como a tomada de consciência por parte de indivíduos


ou grupo destes no que concerne a sua pertença a uma nação ou de um desejo de desenvolver a
forca, liberdade ou a prosperidade da nação, onde o objecto e de atingir autodeterminação e
independência dessa terra pátria.

Em Moçambique os movimentos nacionalistas encontram as suas raízes na década de 50 do


séc.xx, mas a necessidade de organizar politicamente o sentimento de resistência à situação
colonial começou a produzir os seus efeitos em 1960, em especial junto das comunidades
moçambicanas emigradas nos territórios vizinhos pois, estas vivenciaram o fenómeno do
nacionalismo.1A aquisição dessa consciência nacionalista teve como ponto de partida diversos

2
factores político como as contradições internas no sistema colonial, uma vez que os princípios
coloniais inculcados pela educação e pela prática administrativa aos moçambicanos se tornaram
fatais para o próprio colonialismo. Lendo textos de revindicação de igualdade de direitos dos
irmãos Albasine, Estácio Dias e Rui de Noronha com os seus poemas em língua chope nos quais
abordava a inexistência de direitos fundamentais em favor dos negros ex: direito de livre
circulação, a questão dos impostos. Já na ordem externa considera-se:

 O abalo da 2ªGuerra Mundial: as políticas anticoloniais assumidas pelas duas


superpotências (EUA e URSS) apoiando as forcas de resistência ao colonialismo;
 As decisões da ONU (“Resolução 1514” de 1960) que apelava a concessão as
independências aos países e povos coloniais e um rápido fim do colonialismo em todas as
suas formas;
 Os exemplos nacionalistas da Asia e em alguns países africanos; a participação de alguns
moçambicanos na guerra supracitada, o que despertou a atenção para luta pelas suas
independências;
 A conferência de Bandung na Indonésia (1955) dos países recém-libertos da Asia.

2.1 Reacção de Portugal perante os apelos à descolonização


Diferentemente das colónias britânicas e francesas, as colónias portuguesas em África, como é o
caso de Moçambique, não foram contempladas por uma descolonização pacifica. Por causa das
pressões da comunidade internacional para descolonização, Portugal declarou Moçambique
como sua província ultramarina2 e que por isso não haveria espaço para descolonização, essa foi
a estratégia para perpetuar em Moçambique o regime colonial. Porem sabido é que o poder
politico só é poder politico quando assente na legitimidade e a matriz por que se rege essa
legitimidade não é somente a lei, mas também nos pressupostos em que se assentou a escolha
dos governantes assim como no modo de exercício desse poder. Deu-se ai a fase de pre-
insurreição.

Aniceto Afonso e Daniel Martelo, A guerra de Libertação em Moçambique


2
Decreto-lei 39666 de 20 de Maio de 1954, o qual foi revogado em 1961 pelo decreto-lei 43893 de 06 de
Decreto-lei 39666 de 20 de Maio de 1954, o qual foi revogado em 1961 pelo decreto-lei 43893 de 06 de Setembro
de 1962

3
Chama-se revolta, rebelião, insurreição ou pronunciamento à manifestação das forças armadas,
apoiadas ou não noutras forcas sociais, contra o governo constituído, a fim de lhe imporem certa
orientação ou mudarem os governantes3. Tal revolta dimana da ilegitimidade do governo
colonial perante os “moçambicanos”, isto porque os dirigentes eram nomeados pela máquina da
metrópole pelo que o individuo agora moçambicano, na altura era discriminado negativamente
em todas as áreas sociais, sem direitos civis nem políticos 4, dotado de deveres e obrigações,
tratado apenas como um objecto por meio de trabalhos forçados. Ai o poder politico era exercido
pela violência, o interesse era diferente do dos governados.

3.Surgimento de organizações politicas independentistas


Devido a opressão e subjugo colonial alguns moçambicanos por toda a parte do pais formaram
grupos isolados com o mesmo fito politico: “acabar com o colonialismo”. Surge então em
Outubro de 1960 em Harare a União Democrática de Moçambique (UDENAMO), UNAMI
criado no malawi, o MANU, fundado entre os migrantes macondes no Quénia e na Tanzânia.
Estas organizações eram regionais e as suas actuações eram isoladas por isso ineficazes. Destes
movimentos somente Manu tentou actuar em regiões específicas de Moçambique e foi uma
multidão de apoiantes seus que se reuniu para apresentar uma petição referente a melhoria das
condições de vida ao administrador local em Mueda em junho de 1960. Ao que foram
respondidos com o massacre de Mueda.

3.1 Emergência de organizações nacionalistas e fundação da FRELIMO- Frente de


Libertação de Moçambique

Visto o fracasso das investidas isoladas, Eduardo Mondlane resolveu contactar os representantes
desses movimentos e a 02 de Junho de 1962 foi celebrado em Gana um acordo entre esses três
movimentos que questionavam o poder colonial e no mesmo mês constituiu-se a FRELIMO em
Tanzânia. Nesse mesmo ano em Setembro, Mondlane organiza o I congresso da FRELIMO com
o fito de consolidar o movimento unificado e preparar a luta armada, onde se coloca a Unidade
Nacional, como sendo o princípio básico da estratégia e da política desta frente na sua luta ante o
colonialismo5. Mas as rivalidades étnicas e a luta pelo poder seriam, desde então, uma constante.

3
Marcelo Caetano, Manual de Ciência Politica e Direito Constitucional
4
Estatuto indígena, artigo 23 o qual consagra a isenção de Direitos políticos aos indígenas
5
Materializado no artigo 5º da Constituição de 1975

4
Contudo, a liderança de Eduardo Mondlane e a vida da FRELIMO não foram tranquilas nos anos
de 1962 e 1963. A primeira direção da Frente, saída do acto da fundação, acabou por se
desmembrar em maio de 1963. Estes acontecimentos marcariam a organização, na qual sempre
permaneceu uma fractura entre os quadros directivos, a maioria proveniente do Sul do território e
a grande massa dos combatentes recrutados nas populações do Norte (o que poe em causa a
“unidade nacional”).
Um Estatuto elaborado no Congresso em causa, referia a “formação de um governo democrático,
em que a soberania da nação fosse fundada na vontade popular, no respeito pela Declaração
Universal dos Direitos do Homem e na liquidação da educação e cultura colonialista e
imperialista”. Entende-se daqui que o espírito democrático da FRELIMO, vem de longa data
antes da independência nacional.

2.3 Objectivos da FRELIMO:


Liquidação total, em Moçambique da dominação colonial portuguesa e de todos os vestígios do
colonialismo e do imperialismo, art.º 4 da Constituição de 1975 Construção de uma "sociedade
nova"³ livre da exploração do homem pelo homem , disposto no art.º.2 Constituição de 1975. E
ainda a Conquista da independência imediata e completa de Moçambique, aliada a defesa e
reivindicação de todos os moçambicanos explorados e oprimidos pelo regime colonial português
impondo a derrota ao regime colonial-fascista.

4. Luta Armada

De certo o povo moçambicano sabia que iniciado o confronto teria vários desafios, mas a falta de
liberdade, justiça, a opressão, a escravatura impulsionou a luta para libertar o seu território e
gozo de todos os direitos, assim como a consolidação da unidade nacional.

A FRELIMO teve várias dificuldades, no que respeita aos fins de um Estado, pois não possuía
uma forte segurança em algumas localidades do país, como sabemos a segurança é um elemento
essencial para um poder político, assim como para com o inimigo que o dominava e escravizava,
a injustiça, as dificuldades diplomáticas para os preparativos. Porem a FRELIMO durante o
inicio da guerra mostrou a solidariedade perante o perigo imediato face ao inimigo, de igual
modo mostrou resultados concretos do seu trabalho e uma justificação pratica da sua politica

5
legitimando-se sobre o colonizador, manifestando os seus direitos bem com a vontade de ser
independente e a possibilidade de eficazmente impor aos outros o respeito.

O sucesso dos primeiros ataques na província de Cabo Delgado, mais tarde às províncias do
Niassa, Zambézia e Tete que forçou os portugueses a dispersar os soldados e impedindo-os de
realizar um contra-ataque eficaz, abriu caminho para intensificar o recrutamento e aperfeiçoar a
organização da FRELIMO, esta organização que veio a ajudar cada vez mais no seu poder
politico, o que levou a "Assembleias Nacional de Lisboa a aprovar uma lei que baixava o limite
de idade de inscrição no Exercito para 18anos e aumentou o período de serviço militar (...)6

O aspecto politico ajudou muito a FRELIMO, porque a FRELIMO deu maior importância a luta,
o que é essencialmente politico, isto é, tinha objectivos claros e desenhados, onde a preocupação
era apenas lutar pelos seus direitos, como também possuíam um alto conhecimento do terreno, da
população que bem conhece e lhes apoia, ao contrario de Portugal que usava muito mais o
aspecto militar que é apenas parcial. Percebe-se que o Exército nacionalista era representativo de
grande parte das "populações” (…)7

6
Eduardo Mondlane, lutar por Mocambique,p153.
7
Iben, p161

6
5. Conclusão

Finda a pesquisa concluímos que o final do período colonial foi antecedido pela criação dos
movimentos nacionalistas em Moçambique (Udenamo, Manu e Unami) e que estes passaram a
revestir da legitimidade por parte do povo, visto que tinham os mesmos anseios, história politica
e social e fôco que era o de libertar a terra e os Homens, adversamente à Portugal que propalou a
dominação colonial, alicerçada na opressão do povo subjugado por meio de trabalhos forçados,
deploráveis condições de vida e atropelo aos direitos e liberdades fundamentais. Pelo que se
pautou depois de fracassos nas negociações pacificas, pela concessão da independência e
autodeterminação do povo moçambicano, por uma insurreição contra o sistema colonial levada
a cabo pela aquisição da consciência nacionalista e pelo significado do sentimento patriótico
elucidado pela experiencia dos negros participantes da II GM…Insurreição pois o individuo
agora moçambicano, na altura era discriminado negativamente em todas as áreas sociais, sem
direitos civis nem políticos, dotado de deveres e obrigações, tratado apenas como um objecto por
meio de trabalhos forcados. Essa manifestação se materializou com a luta armada desencadeada
pela FRELIMO que tinha e tem na unidade nacional um desafio capital.

6. Bibliografia

AFONSO, Aniceto e MARTELO, David, Guerra de Libertação de Moçambique

7
MARTELO, David, 1974- Cessar Fogo em África, Publicações Europa-América, 2001
MIRANDA, Jorge, Manual de Direito Constitucional, Tomo IV, 4ª ed., Coimbra Editora,
Coimbra, 1998.

MONDLANE, Eduardo Chivambo, Lutar Por Moçambique, Centro de Estudos Africanos,


Maputo, 1995.

SERRA, Carlos, História de Moçambique, 2 vol., Livraria Universitária, Universidade Eduardo


Mondlane, Maputo, 2000 e 1999.
Legislação
Acto colonial de 1933

Constituição da Republica Portuguesa de 1933

Constituição da Republica Popular de Moçambique de 1975

DECRETO 39666

Resolução 1514 da ONU, descolonizacao dos povos

8
7. Relatório
Finda a pesquisa, temos a tarefa de apresentar um relatório ilustrando a forma como a mesma se
desenrolou, apontando os métodos e procedimentos usados e ainda uma espécie de cronograma
das actividades. Depois de sugerido o tema pelos docentes da cadeira de Ciência política e
Direito Constitucional II, foi feita uma apreciação superficial do mesmo por cada um dos
integrantes do grupo. Foi adoptado o mesmo método de trabalho usado no 1ºsemestre. Uma
semana após a entrega dos temas o grupo se reuniu para levantar as propostas de divisão de
tarefas. Foi feita uma leitura superficial do tema por cada elemento do grupo para uma posterior
divisão de tarefas, e o resultado disso foi:

A Latifa dignou-se por pesquisar sobre a formação da consciência nacionalista e emergência das
organizações políticas independentistas e nacionalistas e fez o relatório;

A Adriana, a Lurdes e o António pautaram por pesquisar em torno da fundação da FRELIMO


bem como os seus objectivos;

O Vicente e o Alfredo fizeram uma abordagem no que concerne a luta armada.

Os métodos usados foram os de observação, método histórico, e analítico, nisso a colecta de


dados foi executada de forma individual, mas tendo-se no seu todo se recorrido à bibliotecas
físicas assim como virtuais. Tentou-se sem sucesso, recorrer a entrevistas, pelo que os prováveis
entrevistados mostravam indisponibilidade. A escolha das obras a consultar teve o seu apoio no
plano bibliográfico disponibilizado pelos docentes, e outras fontes.

A segunda fase, foi enraizada pela prossecução do tratamento dos dados recolhidos,
seleccionando-se os considerados pelo grupo pertinentes.

Na terceira etapa foi feita a agregação e compilação da informação e subsequentemente


averiguações para que todos os elementos do grupo pudessem exprimir as suas contribuições,
objecções e aceitações. Dado esse espaço, por cada dos integrantes foi dado um parecer
diferente, então em consenso grupal foram acauteladas todas as preocupações. De seguida foi
feita a entrega digital do trabalho chefe de turma. Porém, infelizmente alguns colegas nossos
não se fizerem presentes nas discussões do grupo nem deram os seus contributos.

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