Os contos de Quelle
Terras originais
Em um passado distante, nas montanhas do sul de Quelle, um dragão vermelho
poderoso adormeceu. Seu sono foi tão profundo que as chamas que arderam em seu
coração aqueceram as rochas ao redor, trazendo vida para dentro delas. O bater de suas
asas, mesmo em sono, moveu os ventos da mudança no topo do pico de pedra.
Assim nasceu a Primeira Rocha, Beginfel, um lugar sagrado onde a força do
dragão criou um ecossistema único. As plantas e animais que habitaram aquele local
foram tocados pela essência do dragão, tornando-se resistentes e fortes.
No centro da região, os gigantes se estabeleceram em uma gigantesca cratera cheia
de pedras. Eles construíram uma sociedade próspera, que com o passar dos séculos, se
tornou uma cidade florescente. No entanto, o destino da cidade foi marcado por ciclos de
ascensão e queda. Ela foi destruída e reconstruída várias vezes, até que finalmente se
tornou Pervy, a cidade eterna.
A lenda do dragão e dos gigantes se cruzou quando o dragão vermelho decidiu
bater suas asas sobre a terra dos gigantes. O encontro foi catastrófico, e um conflito de
proporções épicas eclodiu. A destruição se estendeu por léguas, criando um caminho de
ruínas que se tornou conhecido como Augag, o Primeiro Rastro.
Augag se tornou um lugar de reverência, onde os guerreiros e aventureiros
buscavam inspiração e força. A lenda do dragão e dos gigantes foi passada de geração em
geração, inspirando histórias e canções que ecoaram por toda Quelle.
E assim, o mundo de Quelle continuou a se desdobrar, fonte de inspirações para
histórias magníficas. O dragão vermelho, Beginfel, Pervy e Augag se tornaram símbolos
de uma era de mitos e lendas, onde a aventuras foram forjadas.
O lago de Anfang
Era uma vez, em uma cidade antiga antes de Pervy, capital de Quelle, um homem
rico e influente chamado Eryndor. Ele era um magnata que apoiava financeiramente os
estudos de magia e os druidas que exploravam aquelas terras. Eryndor era casado com
uma mulher linda e gentil, Lirien, e seu maior sonho era ter um filho.
Depois de anos de tentativas, Lirien finalmente engravidou. Eryndor abandonou
seus negócios e se dedicou à paternidade, vivendo um período de felicidade intensa. No
entanto, o dia do nascimento trouxe tragédia. As dores do parto foram fortes demais, e
Lirien e sua filha não resistiram.
Eryndor ficou devastado, mergulhando em uma profunda depressão. Anos se
passaram, e ele parecia ter perdido toda a razão de viver. Foi então que um druida amigo
lhe presenteou com um livro antigo, contendo o conhecimento sobre um ritual poderoso
que convocaria um gênio elemental da água.
O ritual prometia conceder um desejo, e Eryndor não hesitou. Ele se dedicou por
anos ao estudo e preparação, determinado a trazer sua família de volta. No maior corpo
de água das terras de Quelle, ele realizou o ato místico.
O poder do ritual ressoou por todo o lago, e sua força pareceu alcançar além de
Quelle, até o plano elemental da água. No entanto, após o ritual, nada parecia ter mudado.
Eryndor desapareceu, e sua família não foi revivida.
Mas as águas do lago mudaram. Uma conexão poderosa com o plano elemental das
águas foi estabelecida, e criaturas elementais começaram a se manifestar naquele lugar. O
lago passou a ser chamado de Anfang.
Dizem que o corpo de Eryndor foi engolido pelas águas místicas, e sua alma ainda
se deprime nas profundezas de Anfang, buscando sua família perdida. Alguns afirmam
ouvir sussurros tristes nas águas, enquanto outros sentem uma presença melancólica
pairando sobre o lago.
Anfang se tornou um lugar de mistério e reverência, onde os druidas e magos
buscam entender o poder do ritual e a conexão com o plano elemental. Eryndor, o homem
que perdeu tudo, tornou-se uma lenda, um símbolo da dor e da busca eterna por amor e
redenção.
Elyria a Árvore Primordial
Na antiga era dos grandes arcanos e druidismos, a ordem dos conjuradores da
natureza se uniu para proteger as terras de Quelle e a Natureza contra o terrível Klauth, o
Incinerador, um gigantesco dragão vermelho com poder destrutivo sem precedentes.
Para garantir sua segurança e continuar suas pesquisas, os druidas decidiram criar
um santuário místico, um templo para o druidismo em Quelle. Esse local sagrado seria
um refúgio contra as ameaças que rodeavam o equilíbrio natural.
Com um ritual druídico poderoso e uma quantidade massiva de energia natural, os
druides convocaram a Árvore Primordial. Essa árvore colossal, conhecida como Elyria,
emergiu da terra, emanando e canalizando a magia da natureza.
A Árvore Primordial foi o berço de revolucionárias pesquisas que transformaram a
magia e o druidismo. Os druidas que lá trabalhavam descobriram novas formas de
canalizar a energia natural.
A Árvore Primordial se tornou um símbolo da resistência e do conhecimento
druídico, um guardião silencioso contra as ameaças que rondavam Quelle. Quando
Klauth, o Incinerador, ameaçou a estabilidade da natureza, os druidas se reuniram sob a
sombra de Elyria, prontos para defender seu lar e a harmonia da natureza.
Com a sabedoria e o poder da Árvore Primordial, os druidas encontraram forças
para resistir à destruição causada por Klauth. Embora o dragão tenha trazido devastação e
caos, Elyria protegeu os druidas de uma aniquilação total, permitindo-lhes preservar seu
conhecimento e esperança para um futuro melhor. A Árvore Primordial permaneceu
vigilante, um refúgio de resistência contra a escuridão que ameaçava Quelle.
O massacre do Colecionador de vidas
Em Quelle, sob o céu estrelado, a cidade de Tolletak vibrava com a festa do nobre
Lord Arin. Música, vinho e risadas enchiam o salão de baile. Mas, nas sombras, um
convidado inesperado chegava. O Colecionador de Vidas, um mercenário de renome
sombrio, recebeu um contrato misterioso. Sua missão: eliminar os membros da Guilda
dos Protetores, uma organização que defendia os inocentes. Eles estavam presentes na
festa, celebrando uma vitória recente.
Com passos silenciosos, o Colecionador se aproximou. Seu olhar gelado varreu o
salão, localizando os alvos. A Guilda, liderada pelo jovem paladino Eryndor Thorne,
reunia-se ao redor de uma mesa de cartas. Sem aviso, o Colecionador atacou. Sua espada
negra cortou o ar, derrubando um candelabro. O salão caiu em silêncio. Eryndor, rápido,
sacou sua espada de luz. O combate explodiu. Espadas chocavam-se, armaduras retiniam
e gritos ecoavam. O Colecionador dançava entre os adversários, sua espada negra abrindo
caminho. Eryndor, com coragem, enfrentou-o. Seu golpe de luz atingiu o Colecionador,
mas ele não vacilou. Com um sorriso sinistro, o Colecionador desferiu um golpe mortal.
Eryndor caiu, sua armadura quebrada. A Guilda foi aniquilada. O salão estava em
chamas, e o cheiro de sangue e fumaça enchia o ar.
Lord Arin, aterrorizado, ofereceu uma recompensa para capturar o Colecionador.
Mas ele já havia desaparecido, deixando apenas um símbolo: uma pequena moeda de
prata com uma caveira. O povo de Tolletak sussurrava sobre o massacre. Alguns
disseram que o Colecionador era um demônio encarnado. Outros, que era um paladino
caído. Muitos acreditaram que era apenas um mito. No entanto, todos concordavam:
quando o Colecionador de Vidas chega, a morte o segue. E ninguém pode pará-lo.