7º PERÍODO OTORRINOLARINGOLOGIA - RINITES 7º PERÍODO OTORRINOLARINGOLOGIA - RINITES
→ Anatomia Nasal
O nariz tem 2 orifícios internos (coanas) e 2 orifícios externos (narinas) e essa região se comunica com a
rinofaringe. As duas fossas nasais são separadas por uma parede (septo nasal – predominantemente
cartilaginoso na parte mais anterior e, na parte posterior, predominantemente ósseo). O nariz tem 4 paredes:
1. Soalho – constituído pelo osso palatino (no assoalho nasal é onde sai o ducto nasolacrimal)
2. Parede superior
a. Parte anterior: osso frontal
Famepe
b. Parte média: osso etmoidal
c. Parte posterior: osso esfenóide O septo nasal tem a parte anterior cartilaginosa. Posterior tem
a lâmina perpendicular do etmoide. Geralmente, os desvios de
3. Parte média – septo nasal septo são comuns entre a parte cartilaginosa e a parte óssea.
4. Parte lateral – conchas ou cornetos nasais
Na parede lateral do nariz tem as conchas, que são as
estruturas que, quando edemaciadas ou aumentadas de
volume, são as principais causadoras da obstrução nasal.
Larissa Ignachitti – 7B Larissa Ignachitti – 7B
RI
ANATOMIA NASAL Fossas nasais são separadas por um septo 2. De acordo com os endotipos
Nariz tem duas porções principais: osteocartilaginoso - predominantemente cartilaginoso • Resposta imunológica tipo 2
• nariz externo ou pirâmide nasal (narinas) na parte anterior e mais ósseo na parte posterior. • Resposta imunológica tipo 1
• nariz interno (fossas nasais ou cavidade nasal). • Neurogênica
Na porção interna, existem as coanas nasais que se Estrutura do septo nasal: parte anterior é cartilaginosa, • Disfunção epitelial
comunicam com a rinofaringe. porção mais posterior é a lâmina perpendicular do
etmoide, porção mais inferior tem o osso vômer, e no
O nariz tem quatro paredes: assoalho a parte mais anterior é o osso palatino.
-assoalho: constituído pelo palato
-parede superior: osso frontal é a porção anterior, DEFINIÇÃO DE RINITE
osso etmoidal é a porção medial, osso esfenoidal é Inflamação ou disfunção da mucosa de revestimento
a porção posterior nasal.
-parede medial (septo)
-parede lateral (conchas nasais) Caracterizada por: rinorreia anterior, rinorreia posterior
(tosse), obstrução nasal, prurido (pode ter nos olhos,
ouvidos e garganta), hiposmia/anosmia (perda de
olfato). -Resposta imunológica tipo 2: (rinite alérgica)
predomínio de eosinófilos na camada basal
Sintomas geralmente presentes por 2 ou mais dias A
ligação de IgE com mastócito
consecutivos, por mais de uma hora na maior parte
dos dias.
A
degranulação do mastócito
A
CLASSIFICAÇÃO DAS RINITES liberação de histamina, leucotrienos, marcadores
inflamatórios (IL-4, 5 e 13 principalmente)
Conchas nasais saudáveis tem cor rosa claro/ 1. Principal etiologia A
pálido, há espaço entre a concha e o septo nasal, a 2. De acordo com os endotipos IL-4 e 13 estimulam a produção de mais IgE
concha média é visível; 3. Frequência e intensidade dos sintomas
-Resposta imunológica tipo não 2:
* são causadas por infecções
1. Principal etiologia (de acordo com a causa)
* infiltração de neutrófilos na mucosa e sua
-infecciosa: é aguda, autolimitada, pode ser por
ativação para combater um corpo estranho. A
bactérias e vírus - mais comum
principal interleucina é IL-17
-alérgica: mais comum, indivíduos sensibilizados +
alérgeno
-Resposta neurogênica:
-não alérgica e não infecciosa: gestacional, do idoso,
*rinite do idoso (atrofia da mucosa)
Conchas nasais edemaciadas são as principais induzida por drogas
* rinite gustativa (comer algo quente e tem
causadoras de obstrução nasal. (A adenoide não é -mista: rinite crônica + outro agente (ex: alérgica +
coriza)
visível a olho nu). infecciosa = resfriado)
—Rinite por lesões no epitélio: AVALIAÇÃO DO PACIENTE Usados para pesquisa: diagnóstico por
* pode ocorrer mecanismo traumático que causa 1. História clínica deve-se perguntar os sintomas componentes moleculares alergênicos (Microarray),
destruição do epitélio, como cocaína, corpo apresentados e quais mais incomodam. Por ex: teste de provocação nasal
estranho; • obstrução nasal uni ou bilateral (ger. é bi)
* o epitélio vai se remodelando e, durante esse • cefaleia, otalgia Avaliação da cavidade nasal:
processo, perde a sua função normal. Atrapalha a • roncos, voz anasalada, hiposmia * endoscopia nasal (mais importante, não precisa
produção de muco, causando inflamação crônica. para fechar diagnóstico)
Questionar a frequência, fatores desencadeantes/ * rinomanometria (avaliar resposta ao tto)
3. Frequência e intensidade dos sintomas agravantes, comorbidades: sinusite, otite, outras * fluxo nasal
doenças alérgicas; * teste de olfato
* citologia:
2. HPP: questionar doenças na infância como asma, RA ativa/eosinofílica não alérgica: eosinófilos
se tinha imunidade baixa, história de atopia na família. Rinite irritativa: sem alteração significativa
(RA também pode ter associação com dermatite Rinite infecciosa bacteriana: céls inflamatórias
atópica, urticária e alergia do sistema digestivo)
Exames de imagem:
[Link] físico RX dos seios paranasais (Caldwell/FN, Waters/MN)
• olhos e nariz vermelhos (prurido ou inflamação) * não tem papel no diagnóstico de RA
• edema de pálpebras e cianose periorbitária
Intensidade moderada-severa tem maior interferência • saudação rinítica (marca nasal pela forma de coçar) • Caldwell avalia bem o seio frontal e etmoidal
na rotina do paciente • sinal de dupla prega (Dennie-Morgan) • Waters avalia bem o seio maxilar
• mucosa pálida é comum do paciente com rinite
RINITE ALÉRGICA - RA TC e RM de seios paranasais
*inflamação eosinofílica resultante de uma Obs.: rinite por infecção apresenta mucosa mais * a v a l i a ç ã o d e q u a d ro s i n fl a m at ó r i o s e
reação mediada por IgE. hiperemiada e congesta infecciosos crônicos, complicações e se desconfiar
* é a mais prevalente de tumorações ou lesões invasivas;
*TC (axial/coronal) possui maior riqueza de
* dividida em: detalhes
-sazonal: sintomas presentes em apenas
determinada época do ano e relacionadas aos PRINCIPAIS CAUSADORES
antígenos sazonais (pólens); aeroalérgenos mais comuns são ácaros e poeira,
- p e re n e : s i n t o m a s m a i s d u ra d o u ro s e raramente os antígenos alimentares estão
relacionados a antígenos perenes, como ácaros; associados à RA
4. Exames complementares
Portadores de RA persistente, mesmo quando sem Mais usados:
sintomas, apresentam um processo inflamatório * teste cutâneo de hipersensibilidade imediata (TCHI)
basal na mucosa nasal. Por isso, quando em * IgE sérica total
contato com alérgenos sensíveis, a resposta nasal * IgE específica: complementa o diagnóstico e direciona
é rápida e intensa. a prevenção para alérgenos específicos
DIAGNÓSTICO - preventivos:
• clínico • cromoglicato dissódico
• exames laboratoriais são usados para confirmar as • antileucotrienos
hipóteses diagnósticas • corticosteroide
TRATAMENTO Cromoglicato: utilização na crise não alivia sintoma,
baseia-se em três pilares: higiene ambiental, tratamento profilático
medicamentoso e imunoterapia
Antileucotrienos:
- higiene ambiental + lavagem nasal com SF 0,9% Pode ser usado tanto na prevenção quanto no
tratamento de asma e rinite. Sempre usado em
FISIOPATOLOGIA - sintomáticos: controle mais rápido dos sintomas associação com outro medicamento. Ex:
Pessoa teve contato prévio com antígeno então ela • anti-histamínico montelucaste de sódio
já tem o estímulo das interleucinas (princ IL-4 e • descongestionantes
IL-13) e produção de IgE específica para aquele • anticolinérgicos Corticosteroide:
antígeno; *sistêmicos: não são primeira escolha, e, RA grave
Anti-histamínico: pode ser usado como medicação de usar por 5 a 7 dias e não precisa de desmame, CE
Entra em contato novamente, tem como resposta: resgate. Tem ação imediata e tardia. Geralmente 1 parenteral: são proscritos no manejo da rinite. Ex:
• fase imediata: antígeno se liga ao mastócito, o comprimido por dia. prelone, predsim.
qual degranula e libera histamina, bradicinina e Clássicos de 1º geração: sedantes, 2º geração: não
leucotrienos gerando a forma mais imediata sedantes, mais seguros. *tópicos nasais: usados em rinite alérgica e não
dos sintomas; Exemplos: loratadina (sus, pode em grávida), bilastina alérgica, melhoram todos os sintomas incluindo os
• fase tardia: horas depois tem outra liberação (tomar entre refeições), ebastina (não causa sonolência). oculares. Reduzem risco de complicações, tem início
de histamina, eosinófilos, gerando a forma mais de ação um pouco demorado - 7 a 12 horas.
tardia dos sintomas; Descongestionante: causa vasoconstrição da mucosa Ex: budesonida (pode gestante), mometasona e
nasal. Orais: geralmente usados com anti-histamínico, furoato de fluticasona (crianças > 2 anos).
Hiper-reatividade do SNA: pelo mecanismo ex: pseudoefedrina, cuidado em idosos e não usar em
neurogênico tem atividade parassimpática crianças < 4 anos. - imunoterapia: única forma que pode curar a RA
dominante que pode causar vasodilatação nasal Tópicos nasais: risco de causar rinite medicamentosa e
gerando obstrução nasal. pode causar perfuração do septo nasal, ex: neosoro. Se Paciente deve ter rinite comprovadamente alérgica
usar por mais de 7 dias pode ter efeito rebote. e alérgenos identificados. Contraindicação: asma
Doenças inflamatórias crônicas, como a rinite grave, HIV, doença autoimune, grávidas e crianças >
alérgica, estão associadas a um processo dinâmico 2 anos.
chamado de remodelamento, no qual há
deposição e degradação da matriz extracelular em Anti-histamínico - outros: cirúrgico não é para RA, vai agir em outros
resposta ao trauma, provocando a reconstrução do fatores para diminuir os sintomas do paciente, como
tecido danificado ou a formação de tecido corrigir desvio de septo, diminuir cornetos.
patológico. Allegrar
Solução salina: coadjuvante, método barato e eficaz RINITE ATRÓFICA
Já as rinites bacterianas agudas, geralmente, iniciam-
se após uma rinite viral. Há supressão das funções dos
Dividida em primária, secundária e ozena:
neutrófilos, macrófagos e linfócitos, favorecendo o
crescimento de patógenos presentes na rinofaringe,
• fase primária: atrofia da mucosa (mais comum
como S. pneumoniae, H. influenzae
em paciente pós-operatório)
CLÍNICA Quando a técnica cirúrgica é inadequada, reduz
• adulto pode ter 2 a 5 episódios por ano demais a mucosa deixando a fossa nasal ampla
• criança pode ter 7 a 10 episódios por ano, sendo demais, dá-se nome de síndrome do nariz vazio
que no primeiro ano de escola pode chegar a 14
episódios • fase secundária: formação de crostas por conta
do clearance mucoso estar comprometido.
* Resfriados e gripes virais: sintomas nasossinusais com
duração máxima de 10 dias, em média 5 a 7 dias. Se • fase terciária (Ozena): quando há infecção por
passou de 10 dias tem complicação ou quadro Klebsiella e as crostas passam a ser fétidas.
RINITE INFECCIOSA alérgico associado.
*podem ser agudas ou crônicas TRATAMENTO
*em sua maioria virais Não há tratamento bem estabelecido.
TRATAMENTO
PRINCIPAIS AGENTES ETIOLÓGICOS - rinite infecciosa viral de curta duração trata com Pode-se realizar lavagem nasal com atb ou
Viral: rinovírus, coronavírus, parainfluenza, sintomáticos corticoide porém não tem boa resposta. Também há
adenovírus, enterovírus, influenza, sincicial cirurgia mas não se sabe se haverá melhora.
respiratório. Bacteriana: S. aureus, S. pneumoniae,
S. pyogenes, N. meningitidis e H. influenzae.
FISIOPATOLOGIA
Rinovírus é mais comum e tem maior chance de
evoluir para rinossinusite aguda bacteriana, pois
pode causar edema de mucosa gerando acúmulo
de secreção e tornando ali um meio de cultura para
bactérias. Além disso, é capaz de suprimir as
células de defesa.
Gripe só é causada pelo vírus influenza, sintomas
são mais intensos (febre, cefaleia, mal estar, dor no
corpo) e há maior risco de complicações como
sinusite bacteriana, otite bacteriana, pneumonia
viral e bacteriana.