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Macaco-de-cheiro-de-cabeça-preta: Conheça!

O Macaqueiro KIDS é uma publicação do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, focada em educar sobre primatas, especialmente o macaco-de-cheiro-de-cabeça-preta, que é ameaçado de extinção e vive na Reserva Mamirauá. A edição inclui informações sobre várias espécies de macacos, suas características e a importância da conservação, além de jogos interativos para as crianças. A revista também homenageia o biólogo José Márcio Ayres, conhecido como 'macaqueiro', que foi fundamental na proteção do uacari-branco.
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Macaco-de-cheiro-de-cabeça-preta: Conheça!

O Macaqueiro KIDS é uma publicação do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, focada em educar sobre primatas, especialmente o macaco-de-cheiro-de-cabeça-preta, que é ameaçado de extinção e vive na Reserva Mamirauá. A edição inclui informações sobre várias espécies de macacos, suas características e a importância da conservação, além de jogos interativos para as crianças. A revista também homenageia o biólogo José Márcio Ayres, conhecido como 'macaqueiro', que foi fundamental na proteção do uacari-branco.
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O Macaqueiro

kids
Ano XVIII | Nº 80 | Mai/Ago de 2018 | Tefé (AM) | Brasil | ISSN 2317-4587

Conheça o
Jogo da : MACACO-DE-CHEIRO-
Memória A DO M
ACACO
A T U R M E I R O -D E -
DE-CABEÇA-PRETA!
D E -C H
-P R E T A
C A B E Ç A he n N as h
Il us tr
aç õe s
de St ep
Ele só é encontrado na
Reserva Mamirauá, Amazonas.
INSTITUTO DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL MAMIRAUÁ 1
EXPEDIENTE © Marcelo Ismar Santana

Nesta
EDIÇÃO
03 Editorial
09 Na palma
da mão

Reportagem 17
Siga a trilha
04 de Mamirauá 10 Especial
Os macacos

15 7 erros 18 De olho nos

06 no seu galho
Cada macaco Jogo dos macacos

16 e o jacaré 20 macacos!
Na trilha dos
08 seu macaco?
Que cor tem O macaco

EXPEDIENTE
O Macaqueiro KIDS é uma publicação do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, organização
social e unidade de pesquisa fomentada e supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e
Comunicações. Distribuição gratuita. Jornalista responsável: Eunice Venturi (SC01964-JP). Edição: Catarina Chagas,
Eunice Venturi e João Cunha. Textos: Catarina Chagas. Ilustrações com direito de uso © 2013 Stephen D. Nash /
IUCN SSC Primate Specialist Group. Usados com autorização para esta publicação pelo autor ao Instituto Mamirauá.
Projeto Gráfico: Doizum Comunicações. Tiragem: 5.000 exemplares. Contatos: Estrada do Bexiga, 2.584. Cx. Postal:
38
2 O-MACAQUEIRO
CEP: 69.553-225.
KIDS | ANO XVIIITefé
| Nº 80 (AM) / |Tel.+55
| MAI/AGO 2018 (97) 3343-9780 – ascom@[Link] – [Link].
© Marcello
Olá, amigos leitores,

Nicolato

EDITORIAL
Q uem nunca viu um macaco, seja
no zoológico ou na TV? Maca-
cos são cientificamente chamados
o que é ser um macaqueiro e
como iniciaram os primeiros tra-
balhos com primatas na Reserva
de primatas e são parentes próximos Mamirauá, mostrando também
dos seres humanos. Muitos hábitos algumas das espécies que ocor-
são parecidos com os nossos, como a rem lá. E vamos mostrar também
vida em grupos familiares, o cuidado um pouco mais sobre as pesquisas
da mãe com os filhotes e, claro, mui- realizadas com um primata muito
tas brigas! especial: o macaco-de-cheiro-de-
A maioria dos primatas gosta de -cabeça-preta, uma espécie ame-
viver nas árvores, descendo rara- açada de extinção que só pode ser
mente ao chão. A dieta deles pode encontrada na Reserva Mamirauá.
mente nos mandou aquelas ilustra-
ser bem variada, mas gostam de co- Além das informações que prepa-
ções lindas.
mer principalmente frutas, folhas, ramos com muito carinho, esta edição
insetos e até aranhas! E você sabia do Macaqueiro Kids também conta Agora que você vai virar um es-
que a floresta também precisa do com jogos superdivertidos, para testar pecialista em primatas, conte sobre
macaco? Pois é. Depois de se alimen- seu conhecimento sobre os primatas. esses animais incríveis para sua fa-
tarem, os macacos defecam e todas E você sabia que os desenhos do jogo mília e amigos. E lembre-se: os ma-
aquelas sementinhas encontradas da memória foram feitos pelo maior cacos não ficam felizes quando es-
nas fezes vão germinar e se transfor- desenhista de primatas do mundo? tão presos. Eles gostam de liberdade
mar em novas árvores. Legal, né? O nome dele é Stephen Nash, mora e precisam da floresta, assim como a
Nesta edição, você vai descobrir nos Estados Unidos, e carinhosa- floresta precisa deles!

Fernanda Pozzam Paim,


Pesquisadora e Líder do Grupo de
Pesquisa em Biologia e Conservação
de Primatas do Instituto Mamirauá

Vamos brincar?
Esta edição do Macaqueiro KIDS apresenta
também a turma do macaco-de-cheiro-de-ca-
beça-preta, para você formar pares e memo-
rizar. Ajude nosso personagem principal
a achar sua galera com o jogo da me-
mória que está no encarte desta
edição. Em cada cartão, você vai
encontrar a foto e o nome popu-
lar e científico de primatas que vi-
vem na Reserva Mamirauá, e que são
estudados pelo Instituto Mamirauá. É fácil
de jogar:

Embaralhe os cartões e vire-os para baixo;


O desafio é formar pares de cartões iguais;
Convide os amigos para brincar junto.
Divirtam-se!

INSTITUTO DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL MAMIRAUÁ 3


Os macacos de Mamirauá
CONHEÇA

No coração da Amazônia, área protegida abriga


diferentes espécies de primatas.
M acaco-prego, guariba, uacari...
Você já deve ter ouvido falar de
vários tipos de macacos. Eles são cha-
em relação ao tamanho do corpo,
se comparado ao de outros grupos
Fernanda Paim, pesquisadora do
Instituto Mamirauá e especialista no
de mamíferos. estudo de macacos.
mados pelos cientistas de primatas e Todos os continentes do planeta, Essa grande diversidade é um te-
formam um grupo de cerca de 500 es- com exceção da Antártica, apresen- souro valioso que precisa ser conser-
pécies – incluindo o ser humano. tam espécies nativas de primatas. vado. Porém, algumas atividades hu-
Os primatas podem ser muito Mas eles são mais comuns nas regi- manas ameaçam as espécies de pri-
diferentes entre si. Alguns são pe- ões tropicais e subtropicais, em es- matas que vivem na Amazônia. Entre
queninos, como os saguis, e outros pecial na América do Sul, na África e as principais, estão o desmatamento
grandões, como os gorilas. Mas eles na Ásia. O Brasil é o país com maior para agricultura extensiva e criação
também têm muitas características número de espécies de primatas já de gado, o corte seletivo de árvores
em comum, como, por exemplo, a estudadas pela ciência. “A Amazô- para uso madeireiro, a caça descon-
capacidade de subir em árvores, a nia, sozinha, abriga cerca de 60% trolada e os grandes empreendimen-
vida em família e o tamanho do cé- de todas as espécies de primatas tos como a construção de novas ro-
rebro, proporcionalmente grande da América do Sul”, conta a bióloga dovias e usinas hidrelétricas.

Um lar para o
uacari-branco
Proteger o lar dos macacos foi o principal motivo O macaco misterioso
que levou à criação da Reserva de Desenvolvimento
Como habitam áreas de difícil acesso, os ua-
Sustentável Mamirauá, em 1996. Mais especificamen-
caris-brancos raramente são avistados. Além
te, seus criadores estavam preocupados com o uacari-
disso, eles têm um visual muito curioso!
-branco (Cacajao calvus calvus), um macaco descoberto
pela ciência em 1847 mas que, depois, tomou chá-de-
Os uacaris-brancos são macacos de cauda
-sumiço. Ele passou muito tempo sem ser observado na
curta, pelo claro e face avermelhada e pelada.
natureza e chegou a ser considerado extinto.
Eles habitam o alto das árvores em flores-
tas inundadas às margens dos rios de água
barrenta que têm origem na Cordilheira dos
Andes, conhecidos como “rios de água bran-
ca”. Esses uacaris vivem em grupos de até 50
indivíduos e passam a maior parte do tempo
comendo ou viajando em busca de comida.
Alimentam-se principalmente de frutos ima-
turos de casca dura, mas também consomem
insetos, brotos e néctar.

Além dos uacaris-brancos, existem também os


uacaris-vermelhos e os uacaris-pretos. Todos
© Marcello Nicolato eles vivem no oeste da Amazônia.

4 O MACAQUEIRO KIDS | ANO XVIII | Nº 80 | MAI/AGO | 2018


Mais de 100 anos mais tarde, na senvolvimento Sustentável – a pri- obriga todas as espécies animais pre-
década de 1980, os biólogos tive- meira desse tipo criada no Brasil. Ela sentes ali a se adaptarem à vida bem
ram a boa surpresa de encontrá-lo foi classificada assim porque, além de perto da água.
novamente. E não perderam mais muitas espécies animais e vegetais,
tempo: foram logo pensando em também é lar de comunidades ribei-

Curiosidade
uma forma de proteger esse macaco rinhas, que desenvolvem suas ativi-
tão curioso e tão raro. Criaram, em dades em harmonia com a natureza,
1990, uma Estação Ecológica, loca- produzindo, principalmente, itens
lizada cerca de 600 quilômetros a para alimentação, como peixes e fari- O significado mais aceito da
oeste de Manaus, capital do estado nha de mandioca. palavra Mamirauá é “filhote de
do Amazonas, entre os municípios O lugar é famoso pelas cheias que peixe-boi”. Dentro da reserva,
de Uarini, Fonte Boa e Maraã, às alagam a reserva todos os anos, por há um lago com esse nome!
margens do rio Solimões. um período de até três meses. Nessa
Seis anos depois, a estação ecoló- época, o nível da água pode chegar
gica deu lugar a uma Reserva de De- a 12 metros acima do solo, o que

© Marcelo Ism
ar Santana

O primeiro
macaqueiro © Rafael Rabelo

© Luiz Claudio Marigo


Um personagem muito importan- Ambiente e dos Recursos Naturais Re-
te na criação da Reserva Mamirauá nováveis (Ibama). Por causa do trabalho
foi o biólogo especialista em primatas dele, o uacari-branco se tornou símbolo
José Márcio Ayres. Ele foi o grande da campanha em defesa da preservação
responsável pela redescoberta do ua- do meio ambiente na Amazônia. Márcio
cari-branco na década de 1980 e se também foi um dos principais defenso-
empenhou na criação da Estação Eco- res da ideia de que não era necessário
lógica para preservar seu hábitat. Por tirar as populações locais da floresta
trabalhar com macacos, ficou conheci- para preservar os recursos naturais. Ao
do como macaqueiro. “Muitos outros contrário, é muito melhor trabalhar em
especialistas em primatas da Amazô- conjunto com elas!
nia são hoje chamados assim em sua Ao longo da vida, o pesquisador ca-
homenagem”, revela Fernanda. Aliás, o tivou muitos cientistas, políticos e habi-
próprio nome desta revista – O Maca- tantes da Amazônia com sua paixão e
queiro – é uma homenagem carinhosa suas ideias. Ele foi diretor do Instituto
a este grande pesquisador! de Desenvolvimento Sustentável Ma-
Nascido em 1954 no Pará, Márcio mirauá, voltado à conservação da bio-
trabalhou em importantes instituições diversidade das florestas alagadas da
científicas e de conservação da natu- Amazônia e melhoria da qualidade de
reza, como o Museu Paraense Emílio vida da população amazônica, até seu
Goeldi e o Instituto Brasileiro do Meio falecimento, em 2003.

INSTITUTO DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL MAMIRAUÁ 5


cada macaco no seu galho
CONHEÇA

Conheça outras espécies de primatas que vivem na


Reserva Mamirauá
Com colaborações de Anamélia de Souza
Jesus, Fernanda Paim e Karine Lopes

Guariba-
vermelho
Guariba-vermelho (Alouatta juara)
Quem escuta o ronco poderoso dos guaribas pode não imaginar que, por trás do estrondo
e da barba grossa, se esconde um macaco tímido, que vive em pequenos grupos. O guariba-
vermelho é um dos maiores primatas das Américas, com pelagem que varia do ruivo ao
castanho escuro. Os macacos desta espécie têm o hábito de fazer cocô nos lugares mais
abertos da floresta – um comportamento que ajuda a espalhar as sementes dos frutos de que
se alimenta.

6 O MACAQUEIRO KIDS | ANO XVIII | Nº 80 | MAI/AGO | 2018


© Marcelo Ismar Santana

Macaco-aranha

Macaco-
(Ateles chamek)
Parente próximo dos guaribas, esta
espécie foi apelidada de “aranha”
por causa de suas pernas, braços
e cauda compridos. O nome tem
a ver também com sua aparência
magrela e seus movimentos ágeis
e rápidos. Assim como os guaribas,

aranha
os macacos-aranha usam a cauda
para se pendurar, balançando
de galho em galho por aí. Outra
curiosidade: para se comunicar, os
primatas desta espécie emitem uma
vocalização que parece o relincho
de um cavalo!

Macaco-prego
(Sapajus macrocephalus)
© Marcelo Ismar Santana

Amplamente distribuída por toda a Amazônia, esta espécie come frutos


e folhas, além de insetos e pequenos vertebrados. Esperto, o macaco-

Macaco-
prego já foi flagrado usando ferramentas para conseguir o que comer:
gravetos para pegar insetos, pedras para quebrar castanhas e pequenos
galhos para revirar ninhos de jacaré-açu.

prego INSTITUTO DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL MAMIRAUÁ 7


© Marcelo Ismar Santana
PARA COLORIR

Fonte: Zé, a Ariranha, com desenhos de Regine Eichhom Zimmermann.

Que cor tem seu macaco e os


outros bichos da floresta?
8 O MACAQUEIRO KIDS | ANO XVIII | Nº 80 | MAI/AGO | 2018
Na palma da mão

JOGOS
Instituto Mamirauá disponibiliza jogos gratuitos para celulares

Macacos em miniatura
Não estamos falando do sagui-pigmeu, a menor espécie de símio
no mundo, e sim dos paper toys do Instituto Mamirauá! São cinco
bonequinhos para você brincar com toda a turma. Além do
macaco-de-cheiro-da-cabeça-preta, também tem o uacari-
branco, a guariba, macaco-prego e o macaco-aranha,
uma turma animada que vive na Amazônia. Olha só como
é fácil: acesse nosso site, no endereço aí embaixo, imprima o
modelo e siga as instruções de montar.

Disponível em [Link]/paper-toy

Amigos dos macacos


Sua galera é curiosa? Come frutas ou verduras?
Responda as perguntas do nosso quiz e
descubra qual macaco seria seu parceiro
para todas as aventuras! Será o
macaco guariba, o uacari ou o
macaco-aranha? Para jogar, é só
baixar gratuitamente o aplicativo
do Instituto Mamirauá “Qual macaco
seria seu melhor amigo”.

Disponível em [Link]/primatas

INSTITUTO DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL MAMIRAUÁ 9


REPORTAGEM ESPECIAL

De galho
em galho
NA FLORESTA
DE MAMIRAUÁ
Pequenino, serelepe, muito ativo: assim é o
macaco-de-cheiro-de-cabeça-preta (Saimiri
vanzolinii), um primata que habita exclusivamente
as matas da Reserva Mamirauá!

D o alto das copas das árvores, ele se alimenta de fru-


tos como o apuí e o taperebá, além de outras varie-
dades que não são consumidas por humanos, e também
nho, muitas vezes o chão está debaixo d’água. É que, nas
florestas de várzea, chove muito e há alagamentos duran-
te vários meses por ano. E a bicharada tem que se virar
de aranhas e insetos, como gafanhotos. Ao chão, só desce pulando de galho em galho mesmo... Agora, se, por acaso,
se avistar alguma coisa muito interessante – uma fruta um acidente ocorrer e um macaco-de-cheiro-de-cabeça-
apetitosa, talvez. -preta cair na água, não há problema: a espécie pode na-
Mas, na região da Amazônia onde vive esse macaqui- dar, embora não faça isso com muita frequência.

10 O MACAQUEIRO KIDS | ANO XVIII | Nº 80 | MAI/AGO | 2018


© Marcelo Ismar Santana

INSTITUTO DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL MAMIRAUÁ 11


© João Alkmim
REPORTAGEM ESPECIAL

À direita, a pesquisadora
Fernanda Paim durante
atividade de campo

Fedido, ele?
Existem sete espécies de macaco- tipo de primatas. Mas, segundo a biólo- -preta, há outras duas espécies conheci-
-de-cheiro na Amazônia. Não se sabe ga Fernanda Paim, uma especialista no das como macacos-de-cheiro-comum.
bem o porquê desse nome, mas algu- estudo desses animais, os macacos-de- Essas duas últimas são bem parecidas,
mas pessoas acreditam que eles urinam -cheiro, apesar da fama, não são fedi- com pelo claro e cabeça em tons de cas-
na cauda e a esfregam no tronco das dos. Que injustiça! tanho ou cinza, e é bem difícil diferenci-
árvores para demarcar seu território. Na Reserva Mamirauá convivem á-las. Já Saimiri vanzolinii tem a cabeça e
Esse rastro malcheiroso, então, seria três espécies de macaco-de-cheiro: as costas bem pretas, o que torna fácil a
a razão do nome escolhido para este além do macaco-de-cheiro-de-cabeça- sua identificação na floresta.

Com a palavra, o macaco (Fonte: Henrique Caldeira Costa/ Ciência Hoje das Crianças)

Você sabia que, apesar de os macacos não falarem cerca de 20 tipos de sons com significados diferentes.
como as pessoas, eles podem se comunicar muito Alguns deles servem para avisar o grupo de que há ali-
bem? Eles fazem isso por meio de sons que chamamos mento por perto, outros, para indicar que um membro
de vocalizações. do grupo está afastado. Também há sons específicos
para brincar, brigar e atrair parceiros para reprodução,
Especialistas do Instituto Mamirauá investigaram as além de vocalizações próprias da comunicação entre
vocalizações do macaco-de-cheiro e identificaram mães e seus filhotes.

12 O MACAQUEIRO KIDS | ANO XVIII | Nº 80 | MAI/AGO | 2018


Novas informações sobre um velho conhecido
O macaco-de-cheiro-de-cabeça-pre- seu professor Paulo Vanzolini. O termo
ta foi descoberto em 1985 pelo biólogo Saimiri é uma palavra indígena que signi-
José Márcio Ayres (saiba mais sobre o fica “macaco pequeno”.
pesquisador na página 05 desta revis- Desde essa descoberta, vários anos
ta). Quer dizer, descoberto pela ciência, se passaram sem que nenhum biólogo

Vanzo,
porque as comunidades ribeirinhas que
desenvolvesse pesquisas sobre o maca-
vivem na região já conheciam este ani-
co-de-cheiro-de-cabeça-preta, até que,
mal muito tempo antes do Márcio dar
um nome científico a ele.
Mas, voltando à história: quando
em 2006, Fernanda decidiu estudá-
-lo. Ela investiga o comportamento e a o cientista sambista
passeava pela mata à procura do uaca- distribuição dessa espécie na Reserva
ri-branco, Márcio acabou encontrando Mamirauá, além de trabalhar para aju- Nascido em São Paulo no dia 24
esta outra espécie, a quem deu o nome dar na conservação destes simpáticos de abril de 1924, Paulo Emílio
de Saimiri vanzolinii, em homenagem ao primatas, ameaçados de extinção. Vanzolini foi um importante
cientista brasileiro. Ele foi pro-
fessor da Universidade de São
Paulo, onde dirigiu o Museu de
Zoologia e tornou-se um grande
estudioso dos répteis.

© Marcelo Ismar Santana


Mas nem sempre Paulo gostou
de estudar. Quando criança, não
curtia muito a escola, e, para
que fosse bem nas provas, seu
pai chegou a lhe prometer uma
bicicleta! Com esse incentivo, o
menino se dedicou aos estudos
e finalmente ganhou o prêmio.
Ele usava a bicicleta para pe-
dalar até o Instituto Butantan,
perto de sua casa, onde gostava
de observar as serpentes.
Nasceu então sua paixão pelos
répteis, tema que estudou ao
Vida de macaco longo da vida. Paulo foi res-
ponsável pela descoberta de
dezenas de espécies em todo o
Os macacos-de-cheiro-de-cabeça- meses. Depois que o filhote nasce,
Brasil, incluindo lagartos e co-
-preta passam a maior parte do tempo ele fica junto da mãe por cerca de
bras-de-duas-cabeças.
andando à procura de alimento. No dois anos, até estar pronto para se
restante do dia, eles comem, tiram locomover e buscar alimento sozi- Muitos alunos de Vanzo – apeli-
cochilos rápidos (de poucos minutos) nho. Quando isso acontece, a mãe do carinhoso que Paulo recebeu
para descansar ou fazem atividades geralmente está pronta para ter ou- dos amigos – o homenagearam
sociais – os filhotes e jovens brincam tro filhote. dando seu nome às espécies
por aí, enquanto os machos e fêmeas No período reprodutivo, que que descobriram. O Samiri van-
adultos namoram ou brigam. acontece anualmente nos meses de zolinii é uma delas!
Esta espécie vive em grupos que setembro e outubro, durante a épo- Além de fazer ciência, Paulo
podem ultrapassar 50 indivíduos, ca seca, os machos ficam gordinhos gostava muito de samba e com-
entres os quais muitos são parentes, e chamam a atenção das fêmeas pôs várias canções que estão na
como tios, primos ou irmãos. “Como para namorar. Os filhotes nascem ponta da língua do povo brasi-
em toda família grande, há muita bri- entre fevereiro e março, logo an- leiro, como “Ronda” e “Volta por
ga, mas também muita amizade”, con- tes das cheias, período de grande cima”. Ele faleceu em 2013.
ta Fernanda. abundância de alimentos no qual as
As fêmeas geram um bebê por mães precisam estar bem nutridas (Fonte: Henrique Caldeira Costa/ Ciência
vez, numa gestação que dura seis para amamentar. Hoje das Crianças)

INSTITUTO DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL MAMIRAUÁ 13


© Marcelo Ismar Santana
REPORTAGEM ESPECIAL

Ameaça que vem do clima


Felizmente, o macaco-de-cheiro- vai estar cerca de 4 graus Celsius mais Os pesquisadores do Instituto
-de-cabeça-preta, por viver em uma quente – o que é muita coisa! Essa Mamirauá torcem muito para que
área protegida, não sofre ameaças mudança no clima vai ter como con- isso não aconteça, mas querem se
como a caça ou a destruição do seu sequência, por exemplo, alterações na prevenir para o caso de precisarem
hábitat. Por outro lado, uma caracte- dinâmica das chuvas na Amazônia e dar uma ajudinha ao S. vanzolinii para
rística do nosso planeta pode colocar aumento do nível dos rios no período sobreviver em um ambiente diferen-
a espécie em risco: o clima. das cheias, o que ameaça diretamente te no futuro. Por isso, eles acompa-
Há vários anos, cientistas têm o Saimiri vanzolinii. nham atentamente as populações do
alertado a população sobre como Com alagamentos mais intensos macaquinho na floresta e já começa-
atividades humanas, como as quei- e mais frequentes, o macaco-de- ram a coletar material reprodutivo
madas, o uso de combustíveis fósseis -cheiro-de-cabeça-preta pode per- da espécie. A ideia é que, caso seja
e o desmatamento, têm causado um der seu hábitat. Precisará, então, necessário, eles possam ajudar o ma-
aquecimento do clima na Terra. Daqui se adaptar a essas novas condições caco-de-cheiro-de-cabeça-preta a se
a cerca de 100 anos, eles imaginam ecológicas, ou pode correr o risco de reproduzir em outros locais e recu-
que a temperatura média do planeta sumir para sempre... perar sua população.

14 O MACAQUEIRO KIDS | ANO XVIII | Nº 80 | MAI/AGO | 2018


1.

Encontre sete diferenças entre esses


desenhos. Em seguida, é só colorir.

INSTITUTO DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL MAMIRAUÁ 15


Jogo dos 07 erros
JOGO DOS 7 ERROS
É hora de história:
HISTÓRIA

O macaco e o jacaré*
Certo macaco vivia numa castanheira gostaria que você tivesse dito a verdade.
perto da margem do rio. Um jacaré Nesse caso, eu teria trazido o meu coração
comigo.
resolveu se meter com ele:
– Quer dizer que você deixou o seu coração
– Desce da árvore para brincar comigo!
na castanheira? – perguntou, descrente, o
jacaré.
– Eu não posso brincar com estranhos.
– Mas é claro – respondeu o macaco. – Nesta
– Mas eu quero mostrar para você uma
floresta, os macacos não correm por aí com
castanheira do outro lado do rio, que dá
os seus corações. Nós deixamos eles em
castanha muito melhores do que a sua árvore.
casa. Mas vou dizer o que podemos fazer.
– Sério mesmo? – admirou-se o macaco. – Você me leva para a castanheira que tem
Mas eu não sei nadar. frutas maduras na outra margem do rio e,
depois, voltamos à minha árvore, e eu dou o
– Não tem problema – sorriu, malicioso, meu coração.
o jacaré, que queria comer o coração do
– Nada disso – desdenhou o crocodilo. –
macaco. – Pula para as minhas costas que eu
Vamos voltar e você vai me entregar agora
lhe ajudo a atravessar o rio.
mesmo! Segura firme!

O macaco saltou para as costas do jacaré. – Se é isso que você quer...– concordou o
Quando estavam no meio do rio, de repente, macaco.
o jacaré começou a mergulhar, arrastando o
macaco às suas costas. Então o jacaré deu meia-volta e rumou para a

* Adaptação do conto popular “O macaco e o crocodilo”


castanheira do macaco.
– Socorro! Para! Eu vou me afogar – gritou
o macaco.
Assim que eles chegaram à margem, o macaco
– Segura – disse o jacaré sorrindo. – Eu vou trepou na árvore e atirou um ouriço de
afogar você, pois quero comer o seu coração castanha na cabeça do jacaré, dizendo:
de jantar, e você foi burro o suficiente para
confiar em mim. – O meu coração está aqui em cima, jacaré
burro! Se quiser comê-lo, vai ter que subir
– Ah – lamentou o macaco esperto. – Eu aqui em cima e pegar!

Moral da história:

quem se julga mais esperto que


os outros acaba se dando mal...
16 O MACAQUEIRO KIDS | ANO XVIII | Nº 80 | MAI/AGO | 2018
SIGA A TRILHA
s trilha
iga a

INSTITUTO DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL MAMIRAUÁ 17


De olho nos
macacos
NOTÍCIA

P ara pensar estratégias de proteção


ao macaco-de-cheiro-de-cabeça-
-preta, os pesquisadores do Instituto
Mamirauá realizam vários estudos so-
bre a espécie. Eles acompanham, por
exemplo, as populações de macacos,
para ver se elas se mantêm estáveis, isto
é, mais ou menos com o mesmo número
de indivíduos, ao longo dos anos. Feliz-
mente, entre 2009 e 2013, constatou-
-se que sim, o que mostra que a reserva
cumpre seu papel de proteger as espé-
cies que a habitam.
Outro aspecto investigado atual-
mente pelos cientistas é a disponibilida-
de de alimentos para o Saimiri vanzolinii
na região durante as diferentes esta-
ções do ano. Eles verificaram, por exem-
plo, que, nas épocas de cheias, o maca-
co-de-cheiro-de-cabeça-preta come mais
frutas do que insetos ou aranhas.

Mata adentro
Esses e outros estudos são feitos
literalmente dentro da floresta. Os
cientistas saem de Tefé, na sede do Ins-
tituto Mamirauá, e vão de barco até as
bases de pesquisa. De lá, seguem para
as trilhas na mata, e caminham por elas
enquanto procuram os macacos.
Nessas expedições, os pesquisado-
res carregam com eles alguns equipa-
mentos para coletar amostras de árvo-
res, como galhos, frutos e flores. Além Cliques na floresta
disso, caso seja necessário fazer exa-
mes nos animais, eles levam todo equi-
Armadilhas fotográficas são câmeras escondidas
pamento adequado. Binóculos e blocos na mata, ativadas por um sensor de movimento.
de anotação também não podem faltar! Quando um animal passa perto dela, zás! A foto é
Por fim, as armadilhas fotográficas são feita e a imagem fica guardada. Assim, os pesqui-
outras ferramentas úteis nesse traba-
lho, pois permitem fazer registros raros sadores já conseguiram vários flagras do dia a dia
dos macacos no seu hábitat natural. da macacada!

18 O MACAQUEIRO KIDS | ANO XVIII | Nº 80 | MAI/AGO | 2018


Um dia de Diário de uma primatóloga
cientista... “Uma vez, há muito tempo, num período de cheias, eu
estava numa canoa com outros pesquisadores, obser-

na floresta vando vários filhotes de macaco-de-cheiro, uns cinco


ou seis. Eles estavam brincando e suas mães, comendo.
O dia dos pesquisadores começa
Os filhotes não nos viram, estavam tranquilos fazendo
muito cedo: normalmente, eles acor- as atividades deles. Mas, de repente, uma das mães nos
dam antes das cinco da manhã. O ob- viu e deu um grito de alarme, avisando que havia perigo.
jetivo é passar a maior parte possível As outras mães foram logo buscar seus filhotes, coloca-
do tempo junto dos macacos. Por
isso, o dia só se encerra lá pelas seis ram-nos nas costas e saíram correndo. Só que aí um dos
horas da tarde, quando os saimiris filhotes não quis ir – parecia uma criança fazendo mal-
vão dormir. criação. Então, a mãe deu um beliscão nele, botou ele
Ao longo das horas de trabalho, com força nas costas e saiu correndo. Foi muito engra-
os pesquisadores percorrem trilhas e
anotam informações como a quanti- çado, parecia uma mãe brava com sua criança teimosa”.
dade de animais observados, as carac-
terísticas dos grupos e do ambiente e (Fernanda Paim)
o comportamento dos macacos.

Contratempos
Quando chove forte, é preciso
Prontos para
pesquisar!
parar os trabalhos, pois alguns equi-
pamentos não podem ser molhados
e, além disso, a água e o vento podem
fazer com que um galho caia na cabe-
ça de alguém. No dia a dia no campo,
também é preciso tomar cuidado
com cobras, abelhas e vespas – mas Boné
nada que preocupe demais os cien- protege a
tistas. “Eu me sinto muito mais segu- cabeça do sol.
ra na floresta do que na cidade”, brin-
ca Fernanda Paim.
Calças e

Surpresas da mangas
compridas
floresta protegem Capa de
contra picadas chuva para o
de mosquitos e caso de um toró
Durante as expedições, muitas outros insetos. inesperado.
vezes os pesquisadores encontram
outros animais, além daqueles que
Botas protegem os Binóculos são o
estão estudando. Na Reserva Mami-
pés da água e também instrumento principal dos
rauá, é comum ver jacarés, preguiças,
quatis, esquilos ou quatipurus, tu- de cobras ou outros primatólogos, pois ajudam
canos, araras, passarinhos, lagartos perigos que estejam a observar os animais de
e algumas cobras. “Eu já vi até uma no chão. longe – chegar muito perto
onça, e, outra vez, um gato-maracajá”, pode assustá-los.
lembra Fernanda.

INSTITUTO DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL MAMIRAUÁ 19


Na trilha dos macacos!
Caça-palavras

Depois da leitura do Macaqueiro Kids, você já deve estar craque em


reconhecer primatas! Então, procure os nomes de macacos que estão
escondidos no meio das letras do nosso caça-palavra.

A
O
D
B
N
M
C
A
A
C
E
A
B
C
T
O
L
P
A
A
F
R
L
A
L
U
T
A
A
C
Q
U
Lista de
L
Q
B
S
A
C
X
S
M
B
U
Q
F
Y
N
F
H
A
F
X
Z
M
I
M
H
Ã
R
R
O
V
J
E
palavras:
V M A C A C O D E C H E I R O U
C Y C D E C A B E Ç A P R E T A - Uacari-branco
R M O R A E S L O L U L F Q P C
Z M P Á Y D A C P T I E B A M A - Guariba-vermelho
O H Y Á A
G
I
M
R
E Z
Ã
L
A
T N
M
A
Ç
L M
E
U
B
U Ô
Q
D
J
S
R
I
- Macaco-prego
U
E
Y G O
M
S N B
K
H P A
C
 V S
Q
Z R B
- Macaco-de-cheiro-
R O M I P R P B B L R
Z E Z I L P O L Ç O Q I H Y R A
de-cabeça-preta
O
G
Q
U
Á P
R
Q
I
A P
A
U
V
T R
R
X E B
L
I
H
O N
C
- Macaco-aranha
A B E M E O
U É I T E A J U J U Ã Y S O F O - Macaco-parauacu
E A Z A D C M M X Ç P K T J I P
Q H A L Z F M V C H F L Q M S X - Zogue-zogue
A M A C A C O A R A N H A Z P S
S A G U I H Q I U Z I O S A L Z - Sagui

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