Macaco-de-cheiro-de-cabeça-preta: Conheça!
Macaco-de-cheiro-de-cabeça-preta: Conheça!
kids
Ano XVIII | Nº 80 | Mai/Ago de 2018 | Tefé (AM) | Brasil | ISSN 2317-4587
Conheça o
Jogo da : MACACO-DE-CHEIRO-
Memória A DO M
ACACO
A T U R M E I R O -D E -
DE-CABEÇA-PRETA!
D E -C H
-P R E T A
C A B E Ç A he n N as h
Il us tr
aç õe s
de St ep
Ele só é encontrado na
Reserva Mamirauá, Amazonas.
INSTITUTO DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL MAMIRAUÁ 1
EXPEDIENTE © Marcelo Ismar Santana
Nesta
EDIÇÃO
03 Editorial
09 Na palma
da mão
Reportagem 17
Siga a trilha
04 de Mamirauá 10 Especial
Os macacos
06 no seu galho
Cada macaco Jogo dos macacos
16 e o jacaré 20 macacos!
Na trilha dos
08 seu macaco?
Que cor tem O macaco
EXPEDIENTE
O Macaqueiro KIDS é uma publicação do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, organização
social e unidade de pesquisa fomentada e supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e
Comunicações. Distribuição gratuita. Jornalista responsável: Eunice Venturi (SC01964-JP). Edição: Catarina Chagas,
Eunice Venturi e João Cunha. Textos: Catarina Chagas. Ilustrações com direito de uso © 2013 Stephen D. Nash /
IUCN SSC Primate Specialist Group. Usados com autorização para esta publicação pelo autor ao Instituto Mamirauá.
Projeto Gráfico: Doizum Comunicações. Tiragem: 5.000 exemplares. Contatos: Estrada do Bexiga, 2.584. Cx. Postal:
38
2 O-MACAQUEIRO
CEP: 69.553-225.
KIDS | ANO XVIIITefé
| Nº 80 (AM) / |Tel.+55
| MAI/AGO 2018 (97) 3343-9780 – ascom@[Link] – [Link].
© Marcello
Olá, amigos leitores,
Nicolato
EDITORIAL
Q uem nunca viu um macaco, seja
no zoológico ou na TV? Maca-
cos são cientificamente chamados
o que é ser um macaqueiro e
como iniciaram os primeiros tra-
balhos com primatas na Reserva
de primatas e são parentes próximos Mamirauá, mostrando também
dos seres humanos. Muitos hábitos algumas das espécies que ocor-
são parecidos com os nossos, como a rem lá. E vamos mostrar também
vida em grupos familiares, o cuidado um pouco mais sobre as pesquisas
da mãe com os filhotes e, claro, mui- realizadas com um primata muito
tas brigas! especial: o macaco-de-cheiro-de-
A maioria dos primatas gosta de -cabeça-preta, uma espécie ame-
viver nas árvores, descendo rara- açada de extinção que só pode ser
mente ao chão. A dieta deles pode encontrada na Reserva Mamirauá.
mente nos mandou aquelas ilustra-
ser bem variada, mas gostam de co- Além das informações que prepa-
ções lindas.
mer principalmente frutas, folhas, ramos com muito carinho, esta edição
insetos e até aranhas! E você sabia do Macaqueiro Kids também conta Agora que você vai virar um es-
que a floresta também precisa do com jogos superdivertidos, para testar pecialista em primatas, conte sobre
macaco? Pois é. Depois de se alimen- seu conhecimento sobre os primatas. esses animais incríveis para sua fa-
tarem, os macacos defecam e todas E você sabia que os desenhos do jogo mília e amigos. E lembre-se: os ma-
aquelas sementinhas encontradas da memória foram feitos pelo maior cacos não ficam felizes quando es-
nas fezes vão germinar e se transfor- desenhista de primatas do mundo? tão presos. Eles gostam de liberdade
mar em novas árvores. Legal, né? O nome dele é Stephen Nash, mora e precisam da floresta, assim como a
Nesta edição, você vai descobrir nos Estados Unidos, e carinhosa- floresta precisa deles!
Vamos brincar?
Esta edição do Macaqueiro KIDS apresenta
também a turma do macaco-de-cheiro-de-ca-
beça-preta, para você formar pares e memo-
rizar. Ajude nosso personagem principal
a achar sua galera com o jogo da me-
mória que está no encarte desta
edição. Em cada cartão, você vai
encontrar a foto e o nome popu-
lar e científico de primatas que vi-
vem na Reserva Mamirauá, e que são
estudados pelo Instituto Mamirauá. É fácil
de jogar:
Um lar para o
uacari-branco
Proteger o lar dos macacos foi o principal motivo O macaco misterioso
que levou à criação da Reserva de Desenvolvimento
Como habitam áreas de difícil acesso, os ua-
Sustentável Mamirauá, em 1996. Mais especificamen-
caris-brancos raramente são avistados. Além
te, seus criadores estavam preocupados com o uacari-
disso, eles têm um visual muito curioso!
-branco (Cacajao calvus calvus), um macaco descoberto
pela ciência em 1847 mas que, depois, tomou chá-de-
Os uacaris-brancos são macacos de cauda
-sumiço. Ele passou muito tempo sem ser observado na
curta, pelo claro e face avermelhada e pelada.
natureza e chegou a ser considerado extinto.
Eles habitam o alto das árvores em flores-
tas inundadas às margens dos rios de água
barrenta que têm origem na Cordilheira dos
Andes, conhecidos como “rios de água bran-
ca”. Esses uacaris vivem em grupos de até 50
indivíduos e passam a maior parte do tempo
comendo ou viajando em busca de comida.
Alimentam-se principalmente de frutos ima-
turos de casca dura, mas também consomem
insetos, brotos e néctar.
Curiosidade
uma forma de proteger esse macaco rinhas, que desenvolvem suas ativi-
tão curioso e tão raro. Criaram, em dades em harmonia com a natureza,
1990, uma Estação Ecológica, loca- produzindo, principalmente, itens
lizada cerca de 600 quilômetros a para alimentação, como peixes e fari- O significado mais aceito da
oeste de Manaus, capital do estado nha de mandioca. palavra Mamirauá é “filhote de
do Amazonas, entre os municípios O lugar é famoso pelas cheias que peixe-boi”. Dentro da reserva,
de Uarini, Fonte Boa e Maraã, às alagam a reserva todos os anos, por há um lago com esse nome!
margens do rio Solimões. um período de até três meses. Nessa
Seis anos depois, a estação ecoló- época, o nível da água pode chegar
gica deu lugar a uma Reserva de De- a 12 metros acima do solo, o que
© Marcelo Ism
ar Santana
O primeiro
macaqueiro © Rafael Rabelo
Guariba-
vermelho
Guariba-vermelho (Alouatta juara)
Quem escuta o ronco poderoso dos guaribas pode não imaginar que, por trás do estrondo
e da barba grossa, se esconde um macaco tímido, que vive em pequenos grupos. O guariba-
vermelho é um dos maiores primatas das Américas, com pelagem que varia do ruivo ao
castanho escuro. Os macacos desta espécie têm o hábito de fazer cocô nos lugares mais
abertos da floresta – um comportamento que ajuda a espalhar as sementes dos frutos de que
se alimenta.
Macaco-aranha
Macaco-
(Ateles chamek)
Parente próximo dos guaribas, esta
espécie foi apelidada de “aranha”
por causa de suas pernas, braços
e cauda compridos. O nome tem
a ver também com sua aparência
magrela e seus movimentos ágeis
e rápidos. Assim como os guaribas,
aranha
os macacos-aranha usam a cauda
para se pendurar, balançando
de galho em galho por aí. Outra
curiosidade: para se comunicar, os
primatas desta espécie emitem uma
vocalização que parece o relincho
de um cavalo!
Macaco-prego
(Sapajus macrocephalus)
© Marcelo Ismar Santana
Macaco-
prego já foi flagrado usando ferramentas para conseguir o que comer:
gravetos para pegar insetos, pedras para quebrar castanhas e pequenos
galhos para revirar ninhos de jacaré-açu.
JOGOS
Instituto Mamirauá disponibiliza jogos gratuitos para celulares
Macacos em miniatura
Não estamos falando do sagui-pigmeu, a menor espécie de símio
no mundo, e sim dos paper toys do Instituto Mamirauá! São cinco
bonequinhos para você brincar com toda a turma. Além do
macaco-de-cheiro-da-cabeça-preta, também tem o uacari-
branco, a guariba, macaco-prego e o macaco-aranha,
uma turma animada que vive na Amazônia. Olha só como
é fácil: acesse nosso site, no endereço aí embaixo, imprima o
modelo e siga as instruções de montar.
Disponível em [Link]/paper-toy
Disponível em [Link]/primatas
De galho
em galho
NA FLORESTA
DE MAMIRAUÁ
Pequenino, serelepe, muito ativo: assim é o
macaco-de-cheiro-de-cabeça-preta (Saimiri
vanzolinii), um primata que habita exclusivamente
as matas da Reserva Mamirauá!
À direita, a pesquisadora
Fernanda Paim durante
atividade de campo
Fedido, ele?
Existem sete espécies de macaco- tipo de primatas. Mas, segundo a biólo- -preta, há outras duas espécies conheci-
-de-cheiro na Amazônia. Não se sabe ga Fernanda Paim, uma especialista no das como macacos-de-cheiro-comum.
bem o porquê desse nome, mas algu- estudo desses animais, os macacos-de- Essas duas últimas são bem parecidas,
mas pessoas acreditam que eles urinam -cheiro, apesar da fama, não são fedi- com pelo claro e cabeça em tons de cas-
na cauda e a esfregam no tronco das dos. Que injustiça! tanho ou cinza, e é bem difícil diferenci-
árvores para demarcar seu território. Na Reserva Mamirauá convivem á-las. Já Saimiri vanzolinii tem a cabeça e
Esse rastro malcheiroso, então, seria três espécies de macaco-de-cheiro: as costas bem pretas, o que torna fácil a
a razão do nome escolhido para este além do macaco-de-cheiro-de-cabeça- sua identificação na floresta.
Com a palavra, o macaco (Fonte: Henrique Caldeira Costa/ Ciência Hoje das Crianças)
Você sabia que, apesar de os macacos não falarem cerca de 20 tipos de sons com significados diferentes.
como as pessoas, eles podem se comunicar muito Alguns deles servem para avisar o grupo de que há ali-
bem? Eles fazem isso por meio de sons que chamamos mento por perto, outros, para indicar que um membro
de vocalizações. do grupo está afastado. Também há sons específicos
para brincar, brigar e atrair parceiros para reprodução,
Especialistas do Instituto Mamirauá investigaram as além de vocalizações próprias da comunicação entre
vocalizações do macaco-de-cheiro e identificaram mães e seus filhotes.
Vanzo,
porque as comunidades ribeirinhas que
desenvolvesse pesquisas sobre o maca-
vivem na região já conheciam este ani-
co-de-cheiro-de-cabeça-preta, até que,
mal muito tempo antes do Márcio dar
um nome científico a ele.
Mas, voltando à história: quando
em 2006, Fernanda decidiu estudá-
-lo. Ela investiga o comportamento e a o cientista sambista
passeava pela mata à procura do uaca- distribuição dessa espécie na Reserva
ri-branco, Márcio acabou encontrando Mamirauá, além de trabalhar para aju- Nascido em São Paulo no dia 24
esta outra espécie, a quem deu o nome dar na conservação destes simpáticos de abril de 1924, Paulo Emílio
de Saimiri vanzolinii, em homenagem ao primatas, ameaçados de extinção. Vanzolini foi um importante
cientista brasileiro. Ele foi pro-
fessor da Universidade de São
Paulo, onde dirigiu o Museu de
Zoologia e tornou-se um grande
estudioso dos répteis.
O macaco e o jacaré*
Certo macaco vivia numa castanheira gostaria que você tivesse dito a verdade.
perto da margem do rio. Um jacaré Nesse caso, eu teria trazido o meu coração
comigo.
resolveu se meter com ele:
– Quer dizer que você deixou o seu coração
– Desce da árvore para brincar comigo!
na castanheira? – perguntou, descrente, o
jacaré.
– Eu não posso brincar com estranhos.
– Mas é claro – respondeu o macaco. – Nesta
– Mas eu quero mostrar para você uma
floresta, os macacos não correm por aí com
castanheira do outro lado do rio, que dá
os seus corações. Nós deixamos eles em
castanha muito melhores do que a sua árvore.
casa. Mas vou dizer o que podemos fazer.
– Sério mesmo? – admirou-se o macaco. – Você me leva para a castanheira que tem
Mas eu não sei nadar. frutas maduras na outra margem do rio e,
depois, voltamos à minha árvore, e eu dou o
– Não tem problema – sorriu, malicioso, meu coração.
o jacaré, que queria comer o coração do
– Nada disso – desdenhou o crocodilo. –
macaco. – Pula para as minhas costas que eu
Vamos voltar e você vai me entregar agora
lhe ajudo a atravessar o rio.
mesmo! Segura firme!
O macaco saltou para as costas do jacaré. – Se é isso que você quer...– concordou o
Quando estavam no meio do rio, de repente, macaco.
o jacaré começou a mergulhar, arrastando o
macaco às suas costas. Então o jacaré deu meia-volta e rumou para a
Moral da história:
Mata adentro
Esses e outros estudos são feitos
literalmente dentro da floresta. Os
cientistas saem de Tefé, na sede do Ins-
tituto Mamirauá, e vão de barco até as
bases de pesquisa. De lá, seguem para
as trilhas na mata, e caminham por elas
enquanto procuram os macacos.
Nessas expedições, os pesquisado-
res carregam com eles alguns equipa-
mentos para coletar amostras de árvo-
res, como galhos, frutos e flores. Além Cliques na floresta
disso, caso seja necessário fazer exa-
mes nos animais, eles levam todo equi-
Armadilhas fotográficas são câmeras escondidas
pamento adequado. Binóculos e blocos na mata, ativadas por um sensor de movimento.
de anotação também não podem faltar! Quando um animal passa perto dela, zás! A foto é
Por fim, as armadilhas fotográficas são feita e a imagem fica guardada. Assim, os pesqui-
outras ferramentas úteis nesse traba-
lho, pois permitem fazer registros raros sadores já conseguiram vários flagras do dia a dia
dos macacos no seu hábitat natural. da macacada!
Contratempos
Quando chove forte, é preciso
Prontos para
pesquisar!
parar os trabalhos, pois alguns equi-
pamentos não podem ser molhados
e, além disso, a água e o vento podem
fazer com que um galho caia na cabe-
ça de alguém. No dia a dia no campo,
também é preciso tomar cuidado
com cobras, abelhas e vespas – mas Boné
nada que preocupe demais os cien- protege a
tistas. “Eu me sinto muito mais segu- cabeça do sol.
ra na floresta do que na cidade”, brin-
ca Fernanda Paim.
Calças e
Surpresas da mangas
compridas
floresta protegem Capa de
contra picadas chuva para o
de mosquitos e caso de um toró
Durante as expedições, muitas outros insetos. inesperado.
vezes os pesquisadores encontram
outros animais, além daqueles que
Botas protegem os Binóculos são o
estão estudando. Na Reserva Mami-
pés da água e também instrumento principal dos
rauá, é comum ver jacarés, preguiças,
quatis, esquilos ou quatipurus, tu- de cobras ou outros primatólogos, pois ajudam
canos, araras, passarinhos, lagartos perigos que estejam a observar os animais de
e algumas cobras. “Eu já vi até uma no chão. longe – chegar muito perto
onça, e, outra vez, um gato-maracajá”, pode assustá-los.
lembra Fernanda.
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A M A C A C O A R A N H A Z P S
S A G U I H Q I U Z I O S A L Z - Sagui