GESTÃO DE OPERAÇÕES II
5 MRP E ERP
Prof. Dr. Diego de Queiroz Machado
UFC
CASO INICIAL: SAP
► Pense nos principais processos necessários para
administrar uma empresa: finanças, recursos
humanos, produção, procurement, cadeia de
suprimentos e vendas, entre outros. O planejamento
de recursos empresariais, ou ERP, ajuda você a
gerenciar todos esses processos em um único sistema
integrado.
► A primeira aparição do SAP ERP aconteceu em 1972,
quando cinco ex-engenheiros da IBM na Alemanha
viram o potencial de revolucionar as operações de
negócios por meio de software. A ideia deles era
simples, mas inovadora: criar um sistema que pudesse
integrar todos os aspectos das operações de uma
empresa em um pacote de software coeso.
► Essa visão levou à criação do SAP R/2, um sistema de
software ERP baseado em mainframe que transformou
o modo como as empresas gerenciavam os dados.
2
CASO INICIAL: SAP
► À medida que a tecnologia avançava, a SAP também evoluía. Na década de 1990, o
SAP R/3 levou a tecnologia ERP para o ambiente cliente-servidor.
► Como as empresas estavam se tornando cada vez mais digitais, a SAP lançou o SAP
S/4HANA, uma suíte ERP que usava o poder da computação in-memory para fornecer
processamento mais rápido e funções analíticas em tempo real.
► Tempos depois, a SAP expandiu essa visão com o SAP S/4HANA Cloud, um sistema
Cloud ERP que oferecia os benefícios do planejamento de recursos empresariais com
boa relação custo-benefício e a escalabilidade da nuvem.
3
CASO INICIAL: SAP
► Curiosidades:
► 98% das empresas mais valiosas do mundo usam SAP.
► 78% das empresas que distribuem alimentos no mundo usam SAP.
► 82% das empresas que fazem distribuição de recursos médicos usam SAP.
► 77% de todas as transações ou receitas geradas mundialmente passam por um
sistema SAP.
► 50% das maiores empresas do Brasil utilizam SAP.
4
1 – MRP e ERP
► Planejamento de Necessidades de Materiais
(MRP - Materials Requirements Planning): um
meio para determinar o número de peças,
componentes e materiais necessários para
produzir um produto.
► O MRP fornece informações de programação
de tempo especificando quando cada um
dos materiais, peças e componentes devem
ser solicitados ou produzidos.
► A demanda dependente impulsiona o MRP.
► Planejamento de Recursos Empresariais (ERP -
Enterprise Resource Planning): um sistema que
integra programas de aplicação em
contabilidade, vendas, manufatura e outras
funções em uma empresa.
5
2 – GESTÃO DO MRP
► Tem como benefícios:
► Melhor resposta aos pedidos dos
clientes.
► Resposta mais rápida às mudanças do
mercado.
► Melhor utilização das instalações e da
mão de obra.
► Níveis de estoque reduzidos.
► Estruturado com base na Demanda Dependente de itens:
► A demanda por um item está relacionada à demanda por outro item.
► Dada uma quantidade para o item final, a demanda por todas as peças e
componentes pode ser calculada.
► Em geral, usado sempre que um cronograma pode ser estabelecido para um item.
6
2 – GESTÃO DO MRP
► O uso eficaz do MRP requer que o gerente de operações saiba o seguinte:
1. Cronograma mestre de produção (o que deve ser feito e quando);
2. Especificações ou lista de materiais (materiais e peças necessárias para fazer o
produto);
3. Disponibilidade de inventário (o que está em estoque);
4. Ordens de compra pendentes (o que está em pedido, também chamado de
recebimentos esperados);
5. Prazos de entrega (quanto tempo leva para obter vários componentes).
7
2 – GESTÃO DO MRP
► O Processo de Planejamento no MRP:
Produção Marketing Finanças
Capacidade Demanda do Fluxo de caixa
Estoques consumidor
Suprimentos Planejamento de Recursos Humanos
Compras Vendas e Operações Disponibilidade de
Fornecedores Plano Agregado mão de obras
Cronograma Mestre de
Produção
Muda o
cronograma mestre
Plano de Necessidade de produção?
Materiais
Agendamento e
execução do plano 8
2 – GESTÃO DO MRP
2.1 CRONOGRAMA MESTRE DE PRODUÇÃO (Master Production Schedule - MPS)
► O MPS especifica o que deve ser feito e quando em termos de produtos específicos
(Desagregação).
► Deve estar de acordo com o plano agregado de produção, considerando entradas de
planos financeiros, demanda do cliente, disponibilidade de mão de obra, flutuações de
estoque, desempenho do fornecedor.
► É um cronograma contínuo do que deve ser produzido, não uma previsão de demanda.
Planejamento Agregado Meses Janeiro Fevereiro
(S&OP)
Total de Produtos 1.500 1.200
Mostra a quantidade total de
produtos
Cronograma Mestre de Semanas
Produção (MPS) Produto A
Mostra as quantidades a Produto B
serem produzidas por produto
Produto C
9
2 – GESTÃO DO MRP
2.2 LISTA DE MATERIAIS (Bills of Material – BOM)
► Contém a descrição completa do produto, listando os seus materiais, peças e
componentes junto com a sequência na qual o produto é criado.
► Frequentemente chamado de árvore de estrutura do produto porque mostra como um
produto é montado.
NÍVEL 0
NÍVEL 1
NÍVEL 2
10
2 – GESTÃO DO MRP
2.2 LISTA DE MATERIAIS (Bills of Material – BOM)
► Exemplo – Produto A:
Nível Estrutura do produto A
11
2 – GESTÃO DO MRP
2.2 LISTA DE MATERIAIS (Bills of Material – BOM)
Exemplo – Produto A:
► Para um pedido de 50 unidades de A: Nível Estrutura do produto A
• B: 2xA = 2x50 = 100
• C: 3xA = 3x50 = 150
• D: 2xB + 2xF = 2x100 + 2x300 = 800
• E: 2xB + 2xC = 2x100 + 2x150 = 500
• F: 2xC = 2x150 = 300
• G: 1xF = 1x300 = 300
12
2 – GESTÃO DO MRP
2.3 REGISTROS DE INVETÁRIO PRECISOS
► Registros de inventário precisos são
absolutamente necessários para o MRP operar
corretamente (mais de 99% de precisão).
2.4 PEDIDOS DE COMPRAS PENDENTES
► Quando os pedidos de compra são executados,
os registros desses pedidos e suas datas de
entrega programadas devem estar disponíveis
para o pessoal de produção.
► As ordens de compra pendentes devem refletir
com precisão as quantidades e os recebimentos
programados.
13
2 – GESTÃO DO MRP
2.5 LEAD TIME DOS COMPONENTES
► Tempo necessário para adquirir (ou seja, comprar, produzir ou montar) um item.
► O lead time para um item fabricado consiste em tempos de movimentação, preparação
e montagem ou fabricação para cada componente. Para um item comprado, o lead
time inclui o tempo entre o reconhecimento da necessidade de um pedido e quando ele
está disponível para a produção.
14
2 – GESTÃO DO MRP
2.5 LEAD TIME DOS COMPONENTES D e E devem estar
Início da produção de D completos para iniciar
Exemplo – Produto A: a produção de B
1 semana
COMPONENTE LEAD TIME 2 semanas
para produzir
A 1 semana
B 2 semanas 1 semana
C 1 semana
E 1 semana
E 2 semanas
2 semanas 1 semana
F 3 semanas
G 2 semanas 2 semanas 1 semana
3 semanas
1 semana
Tempo em semanas 15
2 – GESTÃO DO MRP
2.6 ESTRUTURA DO MRP
Entradas Saídas
Relatório MRP por
Lista de Materiais Cronograma
período
Mestre de
Produção
Relatório MRP por
data
Lead Times
Relatório de ordem
planejada
Inventários
Conselho de
compra
Programas MRP
Relatórios de
Compras exceção
Pedido cedo, tarde
ou desnecessário
Pedido muito
pequeno ou muito
grande 16
2 – GESTÃO DO MRP
2.7 DINÂMICA E LIMITAÇÕES DO MRP
► As entradas para o MRP (o cronograma mestre, lista de
materiais, lead times, compras e inventário) mudam com
frequência. Convenientemente, um ponto forte central dos
sistemas MRP é o replanejamento oportuno e preciso.
► No entanto, muitas empresas descobrem que não querem
responder a pequenas alterações de programação ou
quantidade, mesmo que estejam cientes delas. Essas
alterações frequentes geram o que é chamado de
nervosismo do sistema e podem criar estragos nos
departamentos de compras e produção se implementadas.
► O MRP não faz um agendamento detalhado — ele planeja. O
MRP dirá que um trabalho precisa ser concluído em uma
determinada semana ou dia, mas não dirá que o Trabalho X
precisa ser executado na Máquina A às 10h30 e concluído até
às 11h30 para que o Trabalho X possa ser executado na
Máquina B. 17
3 – MRP II
► Uma vez que uma empresa tenha o MRP, os dados de materiais podem ser enriquecidos
por outros tipos de recursos. Quando o MRP é usado dessa forma é chamado de MRP II
(Planejamento de Recursos da Manufatura - Manufacturing Resource Planning).
► O MRP foca em produtos e seus componentes. No entanto, os produtos exigem muitos
recursos, como energia e dinheiro, além dos componentes tangíveis do produto.
► Além dessas entradas de recursos, subprodutos também podem ser gerados no
processo, como sucata, resíduos de embalagens, efluentes e emissões de carbono. O
MRP II fornece um veículo para isso.
► Com o MRP II, a gerência pode identificar tanto as entradas quanto as saídas, bem
como o cronograma.
18
3 – MRP II
► Exemplo de Informações no MRP II:
LEAD SEMANAS
TIME 1 2 3 4
Computador 1 100
Horas de trabalho: 0,2 cada 20
Horas de máquina: 0,2 cada 20
Emissões de GEE: 0,25g cada 25g
Sucata: 1g de fibra de vidro cada 100g
Materiais a pagar: R$0 $0
Placa de PC (1 un.) 2 100
Horas de trabalho: .15 cada 15
Horas de máquina: .1 cada 10
Emissões de GEE: 2,5g cada 250g
Sucata: 0.5g de cobre cada 50g
Materiais a pagar: matéria-prima a R$ 5 cada R$500
Processadores (5 un.) 4 500
Horas de trabalho: 0,2 cada 100
Horas de máquina: 0,2 cada 100
Emissões de GEE: 0,50g cada 250g
Sucata: 0,01g de resíduos ácidos cada 5g
Materiais a pagar: componentes a R$ 10 cada R$5.000 19
4 – MRP EM SERVIÇOS
► Alguns serviços ou itens de serviço estão diretamente ligados à demanda por outros
serviços.
► Estes podem ser tratados como serviços ou itens de demanda dependente.
► Restaurantes: ingredientes e acompanhamentos (pão, vegetais e condimentos) são
tipicamente componentes da refeição. Esses componentes dependem da demanda
por refeições.
► Hospitais: ao lidar com cirurgias que requerem equipamentos, materiais e
suprimentos conhecidos.
► Hotéis: lista de materiais e uma lista de mão de obra podem ser usadas para a
reforma de cada um de seus quartos, calculando as necessidades de materiais,
móveis e decorações.
20
4 – MRP EM SERVIÇOS
Exemplo de árvore de estrutura de produto:
Macarrão com frango e queijo
Enfeite com mistura de Macarrão com frango assado
frango, queijo azul e cebolinha e queijo
Mistura de macarrão com
queijo e frango não assado
Mistura de frango com
molho
Frango Queijo azul Macarrão Queijo de Cebolinha Base de
Molho
defumado em cozido pimenta picada macarrão com Leite
Buffalo
desfiado pedaços ralado queijo
21
4 – MRP EM SERVIÇOS
Lista de Materiais:
Especificação de produção: Macarrão com frango e queijo (1 porção)
Horas
Ingredientes Quantidade Medida Custo Unid. Custo total
trabalhadas
Macarrão (grande, cru) 100 g R$ 0,06 R$ 6,00
Queijo de pimenta (ralado) 10 g R$ 0,10 R$ 1,00
Base de Macarrão com Queijo 100 g R$ 0,06 R$ 6,00
Leite 40 ml R$ 0,04 R$ 1,60
Frango desfiado defumado 50 g R$ 0,08 R$ 4,00
Molho Buffalo 10 ml R$ 0,10 R$ 1,00
Queijo azul desintegrado 5 g R$ 0,15 R$ 0,75
Cebolinha 20 g R$ 0,01 R$ 0,20
0,2 hrs
22
5 – ERP
► O ERP (Enterprise Resource Planning – Planejamento de Recursos Empresariais) foi um
conceito proposto em relatório do Gartner Group, em 1995.
► Propunha um modelo de gestão ancorado em um sistema que integrasse todas as
atividades e níveis hierárquicos de uma organização.
23
5 – ERP
► Características:
► Sistema único integrado para toda a organização, composto por vários módulos
(compras, vendas, estoque, produção, etc.)
► Base de dados única.
► No modelo do ERP, uma informação é fornecida uma única vez, podendo sofrer
acesso por parte de qualquer nível hierárquico e subsistema autorizado.
24
5 – ERP
► Algumas das vantagens do ERP:
► Eliminar atividades manuais;
► Otimizar o fluxo da informação e a qualidade da mesma dentro da organização
(eficiência);
► Otimizar o processo de tomada de decisão;
► Eliminar a redundância de atividades;
► Reduzir os limites de tempo de resposta ao mercado;
► Incorporação de melhores práticas (codificadas no ERP) aos processos internos da
empresa;
► Reduzir o tempo dos processos gerenciais;
► Redução de estoque.
25