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Dialogos Sobre Inclusao e Diversidade.

O documento 'Diálogos sobre Inclusão e Diversidade' de Geny Lustosa aborda a diversidade como um fenômeno social e histórico, enfatizando a importância da inclusão na educação. Ele explora a evolução histórica do tratamento das diferenças humanas e discute marcos legais que sustentam a educação inclusiva no Brasil. A obra é uma reflexão sobre a ética pedagógica e a necessidade de reconhecer e valorizar a diversidade no ambiente escolar.

Enviado por

Leticia Felicio
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Dialogos Sobre Inclusao e Diversidade.

O documento 'Diálogos sobre Inclusão e Diversidade' de Geny Lustosa aborda a diversidade como um fenômeno social e histórico, enfatizando a importância da inclusão na educação. Ele explora a evolução histórica do tratamento das diferenças humanas e discute marcos legais que sustentam a educação inclusiva no Brasil. A obra é uma reflexão sobre a ética pedagógica e a necessidade de reconhecer e valorizar a diversidade no ambiente escolar.

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DIÁLOGOS SOBRE

INCLUSÃO E
DIVERSIDADE
Geny Lustosa
DIÁLOGOS SOBRE
INCLUSÃO E DIVERSIDADE
Geny Lustosa

Secretaria Executiva do Ensino Médio e da Educação Profissional - Sexec-EMP

1
Camilo Sobreira de Santana
Governador

Maria Izolda Cela de Arruda Coelho


Vice-Governadora

Eliana Nunes Estrela


Secretária de Educação

Márcio Pereira de Brito


Secretário Execu vo de Cooperação com os Municípios

Maria Jucineide da Costa Fernandes


Secretária Execu va do Ensino Médio e Profissional

Oderlânia Leite
Secretária Execu va de Gestão e Rede Escolar

Stella Cavalcante
Secretária Execu va de Planejamento e Gestão Interna

Nohemy Rezende Ibanez


Coordenadora da Diversidade e Inclusão Educacional

Maria Marlene Vieira Freitas


Ar culadora da Coordenadoria da Diversidade e Inclusão Educacional

Tom Jones da Silva Carneiro


Orientador da Célula de Educação em Direitos Humanos, Inclusão e Acessibilidade

Equipe de Educação Especial


Ana Cris na de Oliveira Rodrigues
Francisco de Assis Sales e Costa Júnior
Helayne Mikaele Silva Lima
Renata Priscyla Conceição Costa

2
Ficha Técnica

Comissão Organizadora
Ana Cris na de Oliveira Rodrigues
Antônia Alves dos Santos
Maria Marlene Vieira Freitas
Francisco de Assis Sales e Costa Júnior

Revisão
Nohemy Rezende Ibanez
Paulo Eugênio Rifane de Sousa

Projeto Gráfico, Capa, Diagramação e Arte-Final


Alain Rodrigues Moreira

- Imagens: Freepik, Pexels e Pixabay

Ficha catalográfica

L972d Lustosa, Francisca Geny


Diálogos sobre inclusão e diversidade / Francisca Geny Lustosa. –
Fortaleza: Seduc, 2022.

ISBN 978-65-89549-29-1 (Impresso)


ISBN 978-65-89549-26-0 (E-book)

1. Educação especial. 2. Diversidade. 3. Inclusão. 4. Educação


inclusiva. I. Lustosa, Francisca Geny. II. Título
CDD: 371.9

3
Dedicatória

Às crianças, aos jovens e aos adultos com deficiência:


por suas lutas históricas e conquistas em prol de uma
sociedade melhor, inclusiva e com justiça social.

Às professoras e aos professores que assumiram o paradigma


inclusivo como ética pedagógica e humana, reconhecendo e
valorizando a diversidade de todas/os as/os suas/seus alunas/os.

4
SUMÁRIO

1
A DIVERSIDADE SOB

2
O ENFOQUE
HISTÓRICO | 11 O RECONHECIMENTO
DA DIVERSIDADE NA
1.1 Discutindo sobre a
LEGISLAÇÃO: INCLUSÃO
diversidade: um fenômeno
social e histórico - 11 É DIREITO! | 24
2.1 Disposições normativas
1.2 Conhecendo os aspectos sobre pessoas com
históricos da diferença - 13 deficiência: a educação
como direito - Uma
ordenação cronológica | 26

3
INCLUSÃO EM 2.2 O cenário brasileiro e
EDUCAÇÃO: seus marcos legais após a
DEFESA ÉTICA E DE promulgação da
Constituição Federal de
COMPROMISSO 1988 | 29
SOCIALMENTE
REFERENCIADO | 38

4
CONCEPÇÕES SOCIAIS

5
E EDUCACIONAIS
BARREIRAS ATITUDINAIS E SOBRE AS PESSOAS
BARREIRAS DIDÁTICAS: O COM DEFICIÊNCIA | 48
QUE ISSO IMPORTA PARA
ATUAÇÃO DOCENTE
FAVORECEDORA DE
INCLUSÃO? | 57 APÊNDICE 1
5.1 Inclusão e acessibilidade: INDICADORES PARA
removendo barreiras à O PLANEJAMENTO
aprendizagem | 60 DE AULAS DE
5.2 Orientações para uma ATENDIMENTO À
atuação docente DIVERSIDADE | 91
favorecedora de inclusão | 67

APÊNDICE 2
PARA SABER MAIS... | 69
ESCALA DE
OBSERVAÇÃO DE
BIBLIOGRAFIA | 113 PRÁTICAS PEDAGÓGICAS
DE ATENDIMENTO ÀS
DIFERENÇAS NA SALA
DE AULA | 93

5
Uma forma poética de prefaciar...

Multiverso Olhar
(Letra e música de Marcelo Kaczan, poeta e professor
da Rede Estadual de Ensino de Fortaleza)

Olhe para cá
Vire-se pra Terra
Estamos precisando de coragem
Estamos precisando de você

Olho para o mar


Olho pro horizonte sem fim
É ver que o próprio tempo vai passando
Sem nem saber o dia do final

Vire-se para Terra


Pra todas as pessoas aqui
Que sonham com um mundo mais perfeito
Que vivem suas vidas pra lutar

Olho para o céu


Olho pras estrelas do céu
Entender que fazer parte do universo
É esperar que, noutro dia, tudo vai mudar

Agora não me peça não


Pra insistir sozinho.

(In. CD Da Flor, o amor. Autoria de Marcelo Karczan, 20)

10
A
A
A

1 A DIVERSIDADE SOB
O ENFOQUE HISTÓRICO

O conceito de diversidade, compreendido como


fenômeno social e histórico, contribui para uma
percepção crítica diante das mudanças sociais e
do reconhecimento dos sujeitos de direito.

Assim, retornar aos principais marcos da história


nos ajuda a compreender como foi se formando a
concepção do ser humano e a construção de
determinados valores e padrões de
comportamento que demarcam o advento de um
novo modo de sociabilidade e novas formas de
apreender e conviver com as diferenças humanas.

Dessa forma, torna-se imprescindível, no contexto


atual: a) discutir o conceito de diversidade,
buscando explicá-lo como fenômeno social e
histórico; b) situar historicamente a questão da
diferença e dos considerados padrões de
“normalidade,” como também dos critérios do seu
estabelecimento numa determinada sociedade; c)
refletir sobre as importantes mudanças da vida

11
em sociedade e as implicações dessas transformações na convivência com as
diferenças humanas.

Isso tem a ver com a professora e o professor que somos.

Esse assunto nos importa bastante como atores sociais comprometidos com a
construção de um novo mundo e de outra escola!

1.1 Discutindo sobre a diversidade: um fenômeno


social e histórico

Para abordar o tema proposto, vamos partir de algumas questões acerca dessa
temática: O que é ser diferente? Como a sociedade conviveu e convive com as
diferenças humanas? Historicamente, como foram e são tratadas/os as/os
socialmente diferentes?

Ao refletirmos sobre esses pontos, surgem alguns outros questionamentos: Quais


pressupostos podem nos guiar para pensar a historicidade das práticas sociais
destinadas aos sujeitos com deficiência? Quais as bases discursivas e as práticas
sociais que antecedem a contemporaneidade, em termos históricos? Qual a
racionalidade que sustenta as práticas e as visões em relação a esses sujeitos?

Tais questões podem nos guiar nesse debate, em uma abordagem genealógica à
luz de alguns apontamentos históricos.

Eis aqui um convite para conhecermos, ainda que brevemente, as principais


mudanças ocorridas na vida em sociedade e as implicações na convivência com as
diferenças humanas, ao longo dos tempos, situando-as historicamente.

A palavra diversidade, em uma acepção mais geral, remete à multiplicidade de


coisas e/ou diferenças físicas, sociais, culturais etc. Nas ciências humanas, o termo é
comumente empregado para se referir às diferenças entre os seres humanos.

Em uma perspectiva atual, a utilização desse termo conduz ao campo da


consolidação das lutas por cidadania e por democracia e das conquistas mais
recentes acerca da afirmação dos direitos de minorias “excluídas” ou
minimamente incluídas socialmente.

12
O debate em torno da temática da
Mito do Leito
diversidade não é algo novo, todavia, é de Procusto
oportuno situar a dimensão que assume a
utilização desse conceito quando baseamos Na mitologia grega havia um
nossa compreensão na construção histórica personagem que se chamava
do termo e na utilização política e ideológica Procusto. Esta figura mítica
morava numa floresta e tinha
adotada na sociedade contemporânea.
mandado fazer uma cama
que possuía exatamente as
Em meio à multiplicidade de sentidos que o
medidas do seu próprio corpo,
termo assume atualmente em nossa nem um milímetro a mais, nem
sociedade destacamos que a luta pelo um milímetro a menos.
respeito às diferenças humanas tem raízes
históricas. É preciso compreender, no Quando capturava uma
contexto das mudanças, o tratamento social pessoa na estrada Procusto
destinado aos considerados “diferentes”, a amarrava-a naquela cama. Se
fim de explicá-lo como fenômeno social, a pessoa fosse maior do que a
cama ele simplesmente
situando ainda, as mais recentes conquistas
cortava fora o que sobrava. Se
nesse campo.
fosse menor, ele a espichava e
esticava até ela caber naquela
1.2 Conhecendo os aspectos medida. Conta a lenda que
históricos da diferença
Procusto foi morto pelo herói
Teseu, o mesmo que depois
Como a questão da diferença e dos matou o Minotauro. Na
considerados padrões de normalidade foi definição de Brandão (2002),
tratada nos distintos períodos históricos Procusto é o que fere ou mutila
suas vítimas para alongá-las
(idade primitiva, idade antiga, idade feudal,
ou encurtá-las no intuito de
idade moderna, idade contemporânea) da
salvaguardar a medida prévia,
sociedade?
ou seja, o padrão. (BAGNO,
2000)
Trazemos, a seguir, uma narrativa do “Mito
de Procusto” para provocarmos o diálogo
sobre essa questão. Os mitos foram
explicações sobre uma dada realidade em
um determinado período da humanidade.
Vamos a ele? Vejamos o que conta essa
narrativa!

13
A lenda de Procusto nos convida a pensar o aspecto de como, ao longo da história,
nos mais diferentes momentos, se construiu, e ainda vem se construindo, a
convivência com as diferenças.

Apreender a história como uma construção social é a “chave” para a compreensão


das manifestações contemporâneas na consolidação de uma sociedade inclusiva
e sem preconceitos.

É necessário percebermos como a sociedade se manifestou em diferentes


momentos históricos no trato com as diferenças humanas, para compreendermos
a exigência atual do Paradigma da Inclusão.

Assim, no sentido de melhor apreender a forma como se foram tecendo as


relações sociais na convivência com as diferenças humanas, referenciamos os
principais marcos históricos e o tratamento que era dado aos indivíduos que não
se enquadravam nos padrões considerados normais em cada período.

Convidamos você, agora, a fazer um breve recuo no tempo, a fim de melhor


compreender essa história.

No Mundo Primitivo

Pautados em uma perspectiva socio-histórica, remontamos às


sociedades primitivas, a fim de explicitar como eram tratados, nessa
época, aqueles indivíduos que nasciam ou eram acometidos por alguma
diferença em relação aos seus semelhantes.

É importante lembrar que uma das características dos povos primitivos


era o nomadismo, sendo assim, o atendimento de suas necessidades
dependia do que a natureza lhes proporcionava como, por exemplo, a
caça e a pesca para se alimentarem e os meios para se abrigarem
(BIANCHETTI, 1995).

Desse modo, a satisfação das necessidades humanas, nessa forma de


organização social, exigia deslocamentos constantes e indivíduos fortes
para resistirem aos ditames da natureza. Nesse período, só os mais fortes
sobreviviam.

14
Na Idade Antiga

Na Idade Antiga, os gregos se dedicavam predominantemente à guerra, e,


portanto, valorizavam a estética e a perfeição do corpo, sendo ainda a beleza
e a força exemplos de objetivos a serem perseguidos (BIANCHETTI, 1995).

Em Esparta, a principal preocupação social era preparar jovens para o


combate. Assim, eram comuns atos de infanticídio para atender a
necessidade de formar um guerreiro forte, e moldar corpos perfeitos (ARIÈS,
2006). Nesse período, praticava-se uma eugenia radical, pois se, ao nascer, a
criança apresentasse qualquer deficiência, era eliminada do meio social.

Já nesse período se percebe uma compreensão social que relaciona a


deficiência f ísica com o pecado 2 . Essa compreensão reforçará,
posteriormente, uma visão preconceituosa e, por assim, dizer não científica
de sujeito e de desenvolvimento humano diferenciados.

! Para Refletir
É importante perceber que as concepções mitológicas
alimentaram por muitos séculos ideias equivocadas sobre as
diferenças humanas. Cumpre esclarecer, no entanto, que estas
expressam uma visão fantasiosa, perpetuada no meio social,
denotando uma confusão do conceito e a manifestação de ideias
cristalizadas pelo preconceito e pelo senso comum. Que mudanças
históricas contribuirão para uma mudança dessa visão?

Observação 1
Como você pode perceber, a Lenda de Procusto propicia um bom
debate sobre a convivência com as diferenças humanas.

O filme “A guerra do fogo” pode nos conduzir à reflexão de como as


mudanças de vida vão alterando as possibilidades de ser do
homem.

2. Conforme expressa Baker (1973, in. BIANCHETTI, 1995:31): [...] embora a relação da diferença física com o
pecado seja recrudescida na Idade Média, essa ideia remonta a um período anterior como revela a
mitologia grega: A Rainha Pasífae era perversa e tenebrosa e bem mereceu o castigo que recebeu ao ter
um filho com cabeça de touro. O Rei Minos sentiu-se profundamente afetado. Chamou seu filho de
Minotauro e o criou secretamente, longe da vista de todos, exceto os servidores de absoluta confiança
que cuidavam de sua pessoa [...]. Talvez se houvesse a Rainha Pasífae arrependido de sua má conduta,
pois deu ao Rei Minos duas filhas e dois filhos [...] absolutamente normais.

15
No Período Feudal

No período feudal, diferentemente da dicotomia corpo/mente praticada na


Idade Antiga, emerge a valorização da alma pautada pelo paradigma
teocêntrico - Deus como centro de tudo. Nesse momento histórico, o
indivíduo que não se enquadrasse no padrão considerado normal, à época,
tinha a vida preservada, passando, porém, a ser estigmatizado socialmente.

Assim, como uma necessidade advinda dos valores predominantes nesse


período, a sociedade passa a segregar as pessoas que nasciam com alguma
deficiência f ísica, por exemplo, uma vez que, para o moralismo
cristão/católico, a diferença era compreendida como sinônimo de pecado.

A segregação da diferença se impõe, portanto, nesse momento, quando a


crença na dicotomia corpo/alma, pautada em uma visão teológica, faz com
que a vida dos considerados diferentes seja preservada, já que o “extermínio
social”, praticado na Idade Antiga, passara a ser considerado pecado.

Como podemos depreender do exposto acima, as pessoas com alguma


diferença passam a ser isoladas do convívio social, para serem, mais tarde,
institucionalizadas.

Na Idade Moderna

Com o advento da Idade Moderna se estabelecem as condições materiais e


intelectuais que questionam os supostos privilégios predominantes na
Idade Média. É desse período que emerge a ideia de igualdade, um dos
cinco pilares do liberalismo consagrados pela Revolução Burguesa:
individualismo, liberdade, propriedade, democracia e igualdade. Nesse
contexto, as concepções da Física Mecânica, de Isaac Newton (1642-1727),
manifestam uma nova forma de compreender a realidade por meio de uma
visão mecanicista do universo e do corpo humano.

Com o avanço da ciência e as descobertas no campo da Medicina, ainda nos


séculos XV e XVI, com Paracelso (1493-1541) e Cardano (1501-1576), médicos e
alquimistas, a visão teológica da diferença vai perdendo força, e cedendo
lugar a uma interpretação organicista de mundo e de homem. Em uma

16
sociedade de mercado, na qual a máquina dita o ritmo da vida moderna,
emerge a compreensão do corpo humano como uma máquina, na qual
consequentemente se associa a ideia de que qualquer diferença seja
uma disfuncionalidade.

O que se pode identificar é que embora as práticas de segregação


consolidadas historicamente ainda representem nesse período a
expressão da exclusão, elas irão, a partir de então, despertar a atenção da
ciência para a condição dessas pessoas, que se tornam alvo dos estudos
da Medicina e, posteriormente, da Pedagogia.

Nomes como os de Esquirol (1772-1840), Pinel (1745-1826), J. E. Fodéré


(1764-1835) e Morel (1809-1837) colaboraram na história com estudos
sobre a condição das pessoas consideradas diferentes. Compactuando,
todavia, com uma visão fatalista da diferença: consideravam que pouco
se poderia fazer por esses indivíduos, perpetuando, assim, a proposta de
segregação iniciada no período medieval.

! Para Refletir
No Mundo Primitivo Para além dos avanços
Só os mais fortes sociais e científicos
sobreviviam verificados, ressaltamos
os novos desafios postos
Na Idade Antiga à vida em sociedade, a
Deficiência atribuída partir do período
ao pecado moderno, notadamente,
quando se privilegiam
No Período Feudal interesses econômicos
Isolamento e institucionalização em detrimento dos
das pessoas com deficiência valores humanos. No
to ca n te a o s d i re i to s
Na Idade Moderna individuais e ao
Perpetuação da segregação tratamento das
inaugurada no período anterior diferenças humanas é
importante notar a
Sociedade Contemporânea distância entre o que foi
Inclusão e incentivo à participação conquistado legalmente,
social de todos os indivíduos daquilo que efetivamente
se concretiza na
sociedade.

17
A Sociedade Contemporânea

O breve resgate histórico, anteriormente exposto, expressa variações na


compreensão social acerca das diferenças humanas, fazendo-nos
perceber que, ao longo da história, tudo o que não se enquadra nos
padrões estabelecidos passa a ser diferenciado socialmente.

Como assevera Tomasini (1998), “[...] à medida que determinados


indivíduos se afastam, em virtude de seus atributos, da grande maioria
dos seres com os quais são comparados, eles passam a ser considerados
como uma espécie de negação da ordem social” (p. 114).

Assim, os indivíduos que parecem divergir da normatização social


estabelecida por determinados padrões passam a ser alvos de
mecanismos de distorção das diferenças, criando uma ruptura entre
essas pessoas e a sociedade, a partir de uma visão fragmentada do ser
humano.

No contexto societário recente, o desafio da inclusão se concretiza nas


novas formas de mobilização da população, a partir da compreensão de
que a sociedade deve ser modificada para atender as necessidades de
todos os seus membros. O paradigma da inclusão representa outro
momento significativo na evolução das conquistas humanas, iniciado
com a promulgação da Declaração Universal dos Direitos Humanos
(1948).

A partir de então, verificamos a consolidação de outros instrumentos


legais, visando assegurar uma vida digna a determinados grupos sociais
(pessoas com deficiência, população LGBTQI+, negros, mulheres,
crianças, idosos, dentre outros) que sentem de forma mais agravada as
consequências das assimetrias e desigualdades sociais.

Poderíamos pensar, no entanto, que fatos como estes apenas fazem


parte de um passado recente na história, ou que tal embate pertenceria
somente à realidade de países nos quais vigoram regimes

18
antidemocráticos. Mas não! Todos os dias confirmamos que essa é uma
problemática ainda presente em nosso cotidiano.

Em pleno século XXI, verificamos a reprodução de uma sociabilidade


desigual, sexista, racista e homofóbica, que se expressa sob diferentes
formas de discriminação e preconceito. Cotidianamente nos deparamos
com situações de violência que revelam o desrespeito aos avanços
conquistados no campo dos direitos humanos.

Da mesma forma, assistimos corriqueiramente ao assassinato de muitas


mulheres, à violação dos direitos dos povos indígenas e à discriminação e
ao preconceito contra a cultura afrodescendente, entre outras
circunstâncias hodiernas de (in)sociabilidade.

O que chama a atenção é que atos como estes ocorrem com certa
frequência e, o que é pior, em grande parte dos casos seus protagonistas
são motivados por preconceitos. Situações como essas nos fazem pensar
sobre o quanto ainda temos a conquistar, e sobre as dificuldades em
lidarmos com as diferenças humanas no plano efetivo.

Partindo da problemática explicitada acima, podemos depreender que a


consolidação do respeito às diferenças humanas na sociedade atual não
se restringe apenas ao debate sobre o tema. É necessária, sobretudo, a
ação concreta dos indivíduos, traduzida em práticas cotidianas de
transformação da realidade vivenciada. Assim, os esforços envidados no
sentido de garantir uma sociedade inclusiva devem se direcionar à
eliminação dos preconceitos, discriminações, barreiras sociais e/ou
culturais, e ainda, na luta por assegurar os direitos e a acessibilidade dos
sujeitos de forma ampla.

Incentivar nos indivíduos o respeito às diferenças, na convivência com a


diversidade, requer além da abertura de espaços de diálogos, o reforço
da luta em defesa do que já foi conquistado. É preciso, portanto,
fortalecer os movimentos existentes por meio da participação e do
debate, como premissa para que possamos consolidar alternativas de

19
superação da condição de desigualdade social, miséria, intolerância,
discriminação, preconceitos de toda ordem. Urge, portanto, a
necessidade de articulação dos movimentos sociais organizados na
consolidação de uma sociedade livre e emancipada.

O desafio de construção de uma sociedade inclusiva se configura


também na atitude de reconhecer e valorizar a pluralidade de culturas
existentes em nossa sociedade e no esforço de formulação de políticas
públicas que permitam a melhoria das condições de vida individuais e
coletivas.

Como podemos verificar, a transformação dessa realidade é tarefa de


todos e todas que se empenham em partilhar condições dignas de
sobrevivência, construindo uma cultura inclusiva, consolidada na luta por
uma sociedade mais justa, democrática e plural.

Nos séculos XX e XXI, os novos arranjos sociais fazem emergir muitos


desafios para a vida em sociedade a partir do reconhecimento da
diversidade humana e da pluralidade de culturas.

Nesse contexto, vimos insurgir uma


s é ri e d e l eva n te s e m p ro l d a ! Para Refletir
eliminação de todas as barreiras
A partir do exposto,
sociais e formas de preconceito, como
percebemos que a
também no incentivo à participação compreensão sobre as
de grupos socialmente diferenças humanas diverge
discriminados. nos distintos períodos
históricos. Nesse sentido, as
ideias predominantes em
Na sociedade contemporânea, a cada percurso influenciaram
convivência com a diversidade atitudes de intolerância
h u m a n a e m e rg e co m o p a u t a fundamentadas, na maioria
das vezes, em concepções
frequente nos debates atuais e se
errôneas que perpassaram
evidencia como bandeira de luta da épocas e ainda hoje são
sociedade civil organizada em defesa perpetuadas por meio da
dos direitos das chamadas minorias manifestação de diversas
formas de preconceito e
sociais.
discriminação.

20
Que tal um pouco de Arte nessa conversa sobre
“Diferença” e “Diversidade”?

Figura 1: Todos são iguais? Figura 1: Todos são diferentes?

Fonte: Freepik.com

Agora vamos pensar sobre as figuras expostas acima:

Qual o conceito de diferença podemos dizer que se expressa na figura 1?


Qual das duas figuras melhor representa o conceito de diversidade?

UMA BELA POESIA SOBRE


ESSA TEMÁTICA!
E viva a Diversidade!!!
DIVERSIDADE

A leitura desse poema remete à temática Um é magrelo outro é gordinho


tratada ao longo dos pontos abordados um é castanho outro é ruivinho
Um é tranquilo outro é nervoso
em nossa conversa, até aqui
um é birrento outro é dengoso
estabelecida, uma vez que tematizamos
Um é ligeiro outro é mais lento
sobre as semelhanças e diferenças como um é branquelo outro é sardento
condição inerente ao humano e as um é preguiçoso outro animado
formas com as quais a sociedade lidou um é falante outro é calado
com essas singularidades. De pele clara de pele escura
um fala branda o outro dura
Tudo é humano, bem diferente
Assim, destacamos que os sujeitos
assim, assado todos são gente.
necessitam estar organizados na luta
pela inclusão social e em defesa da
garantia de uma vida digna. Essa
temática será o foco da seção 2. (Tatiana Belinky)
http://www.dihitt.com.br/barra/poema-da-diversidade

21
ATIVIDADE REFLEXIVA

Assista ao filme

(Disponível em:
https://www.youtube.com/watch?
v=v0MsOMcHFV8&t=408s) e reflita
sobre os aprendizados que você
pode tirar dele.

Esse filme pode nos conduzir à


reflexão de como as oportunidades
sociais e o papel do “outro” trazem
mudanças quanto às possibilidades
humanas.

Seguidamente, convidamos a ler o artigo elaborado pelas professoras Geny


Lustosa e Gardênia Pires (disponível em <www.proinclusão.ufc.br>) e conheça os
elementos de análise que as autoras expõem. Esperamos que gostem!

Indique esse filme aos seus colegas professores, divulgando-o em seu Facebook,
fazendo uma pequena resenha com suas impressões e aprendizagens.

Vamos divulgar o filme e o artigo junto com suas impressões e aprendizagens a


partir dele?!

22

Você também pode gostar