PROFESSORA JULIANA GAMA
LINGUAGEM
Sistema que permite as pessoas se comunicarem
usando uma sequência estruturada de sons,
gestos manuais e faciais.
Consiste em:
Símbolos que Regras para
infinita variedade
contêm combinar os
de mensagens
significados símbolos
Os psicólogos que estudam a linguagem são
chamados de psicolinguistas.
Focam seus trabalhos em três questões:
Compreensão Produção da
Aquisição da
da linguagem linguagem
linguagem
Que processos
mentais Que processos
capacitam as mentais
Como crianças
pessoas a capacitam as
desenvolvem
compreender o pessoas a
ambas as
que as outras falarem o que
habilidades?
pessoas falam. falam?
FORMAS DA COMUNICAÇÃO
A maioria dos animais se comunica de forma
reflexiva e proposital.
Comunicação reflexiva – Consiste em padrões
estereotipados que transmitem informação.
O ser humano chora espontaneamente quando sente
dor e sorri espontaneamente quando está feliz.
FORMAS DA COMUNICAÇÃO
Comunicação proposital – Tem por finalidade causar um
efeito sobre o receptor da informação; e a resposta do
receptor influencia na continuidade da comunicação.
Os cães podem arreganhar os dentes e rosnar para
atemorizar os inimigos;
As pessoas usam gestos, expressões faciais, movimentos
e sons para enviar muitas mensagens específicas.
Podemos expressar idéias diferentes, com a
mesma expressão, apenas alterando o tom de voz;
A frase “uma loucura”:
Pode ser dita entusiasticamente para expressar “Aquilo
foi incrível!”.
Pode ser dita com sarcasmo para expressar “Horrível!
Uma decepção”.
Pode ser dita com medo para expressar “Foi um caos!
Fugiu do controle”.
A LINGUAGEM
Línguas (ou idiomas) são o tipo mais sofisticado de
comunicação proposital.
Elas relacionam os símbolos com os significados e
fornecem as regras para combinar e recombinar os
símbolos.
Apenas os seres humanos utilizam idioma.
A língua possui propriedades como:
• Ordenação; • Função social
• Significado; • Criatividade.
Ordenação – compreende os princípios gerais que
organizam a linguagem.
Se você relatar ter ido na casa de sua tia escreverá:
“Hoje eu fui na casa de minha tia”, e não: “Casa tia
hoje eu minha fui”.
Os linguistas denominam esses princípios gerais de
regras de gramática.
Podemos classificar dois tipos de gramática:
1- A gramática prescritiva (normativa) – refere-se a
gramática escolar que prescreve como devemos falar e
escrever usando estilo apropriado.
Ex: evite gírias; quando fizer citações utiliza aspas; etc.
2- A gramática descritiva – refere-se ao conjunto de
regras e princípios que informa às pessoas como criar
e entender um número quase infinito de elocuções em
sua própria língua.
Não é ensinada formalmente, mas todas as pessoas
assimilam suas regras independente do dialeto que
falem.
Um experimento tentou demonstrar como adquirimos muito cedo as regras
descritivas da linguagem:
Isto é um Wug Agora tem mais de um.
Há dois deles.
Há dois ___________
Crianças entre 4 a 7 anos eram capazes de completar a sentença. Segundo os
psicolinguistas, isto é uma indicação da "pré-programação do cérebro humano"
para a aprendizagem da linguagem.
Crianças também realizam a supergeneralização, uma
utilização inadequada da gramática. Contudo, fica
evidente o pelo a uma regra de comunicação.
Quando aprendem a formar o passado com a palavra
“bebeu” podem aplicar norma para todas as outras
palavras:
Cabeu
Dizeu
Fazeu
Significado – A fala é significativa. Muitas palavras
referem-se a objetos e eventos.
A combinação de palavras transmitem significados
mais complexos;
A ordenação das palavras pode mudar o significado da
sentença;
“Gatos atacam ratos” é diferente de “Ratos atacam gatos”
Função Social – Muito do que as pessoas falam é
por razões sociais, para compartilhar informações
e ideias.
Quando conversamos seguimos regras sociais:
Esperar sua vez no diálogo;
Responder ativamente;
Adaptar a fala de acordo com o ouvinte;
Etc.
Construímos perfis do público-alvo de forma a
saber a melhor maneira de se expressar.
Usamos normas e a experiência social para
interpretar adequadamente o que o interlocutor
diz.
Em uma mesa de jantar: “Você pode me passar
o pão?”
Quer dizer:
“Me entregue a cesta de pão”
E não:
“Você é capaz de passar o pão?”
Criatividade – Apesar de armazenarem uma grande
quantidade de palavras e sentenças os seres humanos
não se limitam a reproduzir a fala.
Constantemente estamos criando novas palavras e
sentenças para nos expressarmos.
Na língua inglesa o total aproximado de um milhão de
palavras pode ser combinado para formar mais de:
[Link].000.000.000 frases
PRODUZINDO A FALA
COMO OS PENSAMENTOS
SÃO TRANSFORMADOS EM
FALA?
PRODUZINDO A FALA
James Deese (1984) - desenvolvimento de um Plano
Geral que inclui todas as idéias que desejamos
expressar.
Essa teoria é corroborada pelo fato de que quando
falamos não perdemos de vista o que dissemos e o
que pretendemos dizer.
Durante a execução do plano geral estamos
constantemente monitorando os erros e corrigindo a
fala.
COMPREENDENDO A FALA
Decifrar a fala é um processo complexo, embora
automático:
1. A fala desenvolve-se rapidamente – quando ouvimos temos
que interpretar o que está sendo dito em ritmo mais rápido
do que quando lemos.
2. A fala é repleta de erros, correções e inícios falsos – 25% do
discurso oral é incorreto ou incompleto.
3. A fala é ambígua e pouco clara – parte do processo de
ambiguidade é resultado da velocidade da fala.
• 200 palavras por minuto;
• 1.400 fonemas por minuto;
• É preciso 1/10 de segundo para lidar
entre 600 e 900 fonemas de maneira
completa;
• Sintaxe, semântica, fonologia;
ADQUIRINDO A LINGUAGEM
Por volta dos cinco anos de idade as crianças estão
utilizando a mesma linguagem que os adultos.
Antes de adquirir a linguagem os bebês atentam à fala:
Recém-nascidos viram a cabeça em resposta a vozes;
Sugam mais leite dos seios se forem recompensados
com sons de vozes ou canções;
6 semanas – “Jogos de sorrir”;
3 semanas – exercitam músculos, mandíbulas, língua
corda vocais e lábios;
Entre os 6 e 8 meses inicia a fase do balbucio. No mundo
inteiro os bebês balbuciam os mesmos sons como “m”,
“n”, ”d”, “t” ou “b”.
Gradativamente os sons do balbucio começam a se
assemelhar à linguagem daqueles que o cercam.
Surge no momento em que o bebê começa a usar a voz
para transmitir seus desejos (olham para objetos e
choram ou balbuciam).
Antes dos 16 meses, as crianças começam com um
vocabulário simples (cerca de dez palavras).
Aos 20 meses aprendem as primeiras 50 palavras, e
após esse período o vocabulário expande-se
rapidamente.
Aos 6 anos conhece cerca de 13.000 palavras; aos 8
cerca de 28.000.
Fala holofrástica – palavras isoladas podem ter
diferentes significados. Usam palavras isoladas, mas,
na mente, parecem ter ideias completas.
Ex: “papá”, pode significar “papai chegou”; “vem
aqui papai”; “onde está o papai”.
Crianças de 18 a 30 meses começam a combinar
palavras.
Linguagem telegráfica – comunicações de poucas
palavras que possuem significados legítimos.
Incluem substantivos, verbos e adjetivos na ordem
correta, mas omitem as outras formas de palavras
(preposição, prefixo, sufixo, conjunções, etc.)
Algumas finalidades:
Identificar e nomear objetos: “sopa mamãe”
Pedir para repetir: “mais suco”
Afirmar que algo não existe: “não sapato”
Expressar posse: “Casaco papai”
Expressar localização: “Blusa cadeira”
Indicar causas de uma ação: “Mamãe embora”
Indicar determinada qualidade: “Carro vermelho”
Período sensível da linguagem – período
entre 2 anos e puberdade propenso para
aquisição da linguagem.
Muito jovens (menos 2 anos) o cérebro carece de
maturidade necessária,;
Muito velhos (depois da puberdade), o cérebro já
está organizado.
TEORIAS PARA AQUISIÇÃO DA LINGUAGEM
Teoria do Dispositivo de Aquisição de Linguagem
(Chomsky) – As pessoas nascem com o equipamento
mental que possibilita descobrir regras para aglutinar
sentenças.
O conhecimento da linguagem é tão abstrato que não
poderia ser apreendido apenas da experiência
cotidiana.
As crianças seriam pequenos cientistas que testam
suas hipóteses sobre o funcionamento da linguagem.
Teoria da solução de problemas – A linguagem se
desenvolve em um contexto de necessidades (BRUNER);
Crianças querem objetos, desejam brincar. O uso da
linguagem seria uma forma de resolver esses problemas.
Fazem isso principalmente por meio da persuasão dos
adultos.
Teoria do condicionamento – a linguagem é adquirida por
processos de condicionamento clássico e operante (SKINNER).As
crianças imitam o que ouvem.
Condicionamento clássico – as crianças associam as palavras
aos objetos, eventos ou ações.
Condicionamento operante – aprendemos a fazer perguntas, a
usar gramática correta, a fazer pedidos porque: pedidos são
atendidos, perguntas são respondidas – aprendemos com as
consequências.
As pessoas ficam satisfeitas quando usamos a linguagem
adequadamente (reforço), e o oposto (punição) quando não
somos precisos.