EXERCÍCIO AVALIATIVO DE CÁLCULO III – ENGENHARIA ELÉTRICA NOTA
Prof.: Márcio Ricaldoni – 22/05/2019
MODELAGEM COM EDO DE 2ª ORDEM – CIRCUITOS RLC
CIRCUITO EM SÉRIE RLC
Considere o circuito em série de malha simples contendo um indutor, um resistor e um
capacitor. A corrente no circuito depois que a chave é fechada é denotada por 𝑖(𝑡); a carga
em um capacitor no instante 𝑡 é denotada por 𝑞(𝑡). As letras L, C e R são conhecidas como
indutância, capacitância e resistência, respectivamente, e em geral são constantes. De
acordo com a segunda lei de Kirchhoff, a tensão aplicada 𝐸(𝑡) em uma malha fechada
deve ser igual à soma das quedas de tensão na malha.
A corrente 𝑖(𝑡) está relacionada com a carga 𝑞(𝑡) no capacitor por 𝑖 = 𝑑𝑞/𝑑𝑡. Adicionando
as três quedas de tensão ao longo da malha considerada e equacionando-se a soma das
tensões, obtém-se a equação diferencial
𝑑2 𝑞 𝑑𝑞 1
𝐿 2 +𝑅 + 𝑞 = 𝐸(𝑡).
𝑑𝑡 𝑑𝑡 𝐶
Se 𝐸(𝑡) = 0, as vibrações elétricas do circuito são consideradas livres. Como a equação
1
auxiliar desta EDO é 𝐿𝑚2 + 𝑅𝑚 + = 0, haverá três formas de solução com 𝑅 ≠ 0,
𝐶
2
dependendo do valor do discriminante 𝑅 − 4𝐿/𝐶. Dizemos que o circuito é
2 4𝐿
superamortecido, se 𝑅 − 𝐶
> 0;
4𝐿
criticamente amortecido, se 𝑅2 − 𝐶
= 0;
4𝐿
e subamortecido, se 𝑅2 − 𝐶
< 0.
Em cada um desses casos, a solução geral contém o fator 𝑒−𝑅𝑡/2𝐿 e, portanto, 𝑞(𝑡) → 0
quando 𝑡 → ∞. No caso subamortecido, se 𝑞(0) = 𝑞0 , a carga sobre o capacitor oscilará à
medida que decair; em outras palavras, o capacitor é carregado e descarregado quando
𝑡 → ∞. Quando 𝐸(𝑡) = 0 e 𝑅 = 0, dizemos que o circuito é não amortecido e as vibrações
elétricas não tendem a zero quando 𝑡 cresce sem limitação; a resposta do circuito é
harmônica simples.
Exemplo 1: Circuito em série subamortecido
Encontre a carga 𝑞(𝑡) sobre o capacitor em um circuito em série RLC quando L = 0,25 h,
R = 10 Ω, C = 0,001 f, 𝐸(𝑡) = 0, 𝑞(0) = 𝑞0 C e 𝑖(0) = 0.
Solução
1 ′′
𝑞 + 10𝑞′ + 1000𝑞 = 0 ⇒ 𝑞 ′′ + 40𝑞′ + 4000𝑞 = 0
4
Resolvendo esta equação homogênea, verificamos que o circuito é subamortecido e
𝑞(𝑡) = 𝑒−20𝑡 (𝑐1 cos 60𝑡 + 𝑐2 sen 60𝑡)
1
Aplicando as condições iniciais, obtemos 𝑐1 = 𝑞0 e 𝑐2 = 3 𝑞0 . Assim
1
𝑞(𝑡) = 𝑞0 𝑒−20𝑡 (cos 60𝑡 + sen 60𝑡).
3
Quando há uma tensão impressa 𝐸(𝑡) no circuito, as vibrações elétricas são chamadas de
forçadas. No caso em que R ≠ 0, a função complementar 𝑞𝑐 (𝑡) de
𝑑2 𝑞 𝑑𝑞 1
𝐿 2 +𝑅 + 𝑞 = 𝐸(𝑡)
𝑑𝑡 𝑑𝑡 𝐶
é chamada de solução transiente. Se 𝐸(𝑡) for periódica ou constante, então a solução
particular 𝑞𝑝 (𝑡) será uma solução estacionária.
Forma alternativa de x(t)
Quando 𝑐1 ≠ 0 e 𝑐2 ≠ 0, a amplitude real 𝐴 da vibração livre não é óbvia com base no
exame da solução 𝑥(𝑡). Assim, em geral é conveniente converter uma solução da forma
𝑥(𝑡) = 𝑐1 cos 𝜔𝑡 + 𝑐2 sen 𝜔𝑡 na forma mais simples
𝑥(𝑡) = 𝐴 sen(𝜔𝑡 + ∅),
𝑐
onde 𝐴 = √𝑐12 + 𝑐22 e ∅ é o ângulo de fase definido por 𝑡𝑔∅ = 𝑐1 .
2
Exemplo 2: Portanto podemos reescrever a solução do exemplo anterior como
𝑞0 √10 −20𝑡
𝑞(𝑡) = 𝑒 sen(60𝑡 + 1,25).
3
Exemplo 3: Corrente estacionária
Determine a solução estacionária 𝑞𝑝 (𝑡) e a corrente estacionária em um circuito em série
RLC quando a tensão impressa for 𝐸(𝑡) = 𝐸0 sen 𝛾𝑡.
Solução
A solução estacionária 𝑞𝑝 (𝑡) é uma solução particular da equação diferencial
𝑑2 𝑞 𝑑𝑞 1
𝐿 2 +𝑅 + 𝑞 = 𝐸0 sen 𝛾𝑡.
𝑑𝑡 𝑑𝑡 𝐶
Usando o método dos coeficientes indeterminados, temos que encontrar uma solução
particular da forma 𝑞𝑝 (𝑡) = 𝐴 sen 𝛾𝑡 + 𝐵 cos 𝛾𝑡. Substituindo essa expressão na equação
diferencial, simplificando e igualando os coeficientes, obtemos
1
𝐸0 (𝐿𝛾 − ) 𝐸0 𝑅
𝐶𝛾
𝐴= , 𝐵= .
2𝐿 1 2𝐿 1
−𝛾 (𝐿2 𝛾 2 − 𝐶 + 2 2 + 𝑅 2 ) −𝛾 (𝐿2 𝛾 2 − 𝐶 + 2 2 + 𝑅 2 )
𝐶 𝛾 𝐶 𝛾
É conveniente expressar 𝐴 e 𝐵 de forma mais simples, então faremos
1 2𝐿 1
𝑋 = 𝐿𝛾 − ⇒ 𝑋 2 = 𝐿2 𝛾 2 − + 2 2;
𝐶𝛾 𝐶 𝐶 𝛾
2𝐿 1
𝑍 = √𝑋 2 + 𝑅 2 ⇒ 𝑍 2 = 𝐿2 𝛾 2 − + 2 2 + 𝑅2.
𝐶 𝐶 𝛾
Portanto, temos
𝐸0 𝑋 𝐸0 𝑅
𝑞𝑝 (𝑡) = − sen 𝛾𝑡 − cos 𝛾𝑡.
𝛾𝑍 2 𝛾𝑍 2
A carga estacionária é então dada por
𝐸0 𝑅 𝑋
𝑖𝑝 (𝑡) = ( sen 𝛾𝑡 − cos 𝛾𝑡).
𝑍 𝑍 𝑍
As quantidades 𝑋 e 𝑍 são chamadas, respectivamente, de reatância e impedância do
circuito. A reatância e a impedância são medidas em ohms.
EXERCÍCIOS
1) Ache a carga no capacitor em um circuito em série RLC em t = 0,01 s quando L =
0,05 h, R = 2 Ω, C = 0,01 f, E(t) = 0 V, q 0 = 5 C e i(0) = 0 A. Determine a primeira
vez em que a carga sobre o capacitor é igual a zero.
2) Determine a carga no capacitor em um circuito em série RLC quando L = 1/4 h, R
= 20 Ω, C = 1/300 f, E(t) = 0 V, q(0) = 4 C e i(0) = 0 A. A carga sobre o capacitor é
igual a zero em algum momento?
3) Ache a carga no capacitor e a corrente no circuito em série RLC dado. Ache a carga
máxima no capacitor.
a) L = 5/3 h, R = 10 Ω, C = 1/30 f, E(t) = 300 V, q(0) = 0 C, i(0) = 0 A.
b) L = 1 h, R = 100 Ω, C = 0,0004 f, E(t) = 30 V, q(0) = 0 C, i(0) = 2 A.
4) Encontre a carga estacionária e a corrente estacionária em um circuito em série
RLC quando L= 1 h, R = 2 Ω, C = 0,25 f e E(t) = 50cos t V.
5) Mostre que a amplitude da corrente estacionária no circuito em série RLC do
exemplo 3 é dada por 𝐸0 /𝑍, onde 𝑍 é a impedância do circuito.
6) Use o problema 5 para mostrar que a corrente estacionária em um circuito em série
RLC, onde L = 0,5 h, R = 20 Ω, C = 0,001 f e 𝐸(𝑡) = 100 sen 60𝑡 V, é dada por
𝑖𝑝 (𝑡) = 4,16𝑠𝑒𝑛(60𝑡 − 0,588).
7) Determine a carga no capacitor em um circuito em série RLC, supondo L = 0,5 h, R
= 10 Ω, C = 0,01 f, E(t) = 150 V, q(0) = 1 C e i(t) = 0 A. Qual é a carga no capacitor
após um longo período?
8) Mostre que, se L, R, C e E0 forem constantes, a amplitude da corrente estacionária
no exemplo 3 será máxima quando 𝛾 = 1/√𝐿𝐶. Qual será a amplitude máxima?
9) Mostre que, se L, R, E0 e 𝛾 forem constantes, a amplitude da corrente estacionária
no exemplo 3 será máxima quando a capacitância for C = 1/L 𝛾2.
10) Qual é a carga no capacitor e a corrente em um circuito LC quando 𝐸(𝑡) = 𝐸0 cos 𝛾𝑡
V, q(0) = q0 C e i(0) = i0 A.