DIAGNÓSTICO I
1. Introdução
Endodontia: Estudo da polpa dentária, sistema de canais radiculares e tecidos
periapicais.
Objetivo: Manter o dente na cavidade bucal e a saúde dos tecidos periapicais.
2. Processo de Diagnóstico
Definição: Etapa clínica que busca informações sobre sinais e sintomas.
Importância: Um diagnóstico correto é essencial para um plano de tratamento de
sucesso.
Componentes do diagnóstico:
o Anamnese (subjetivo)
o Exame clínico (objetivo)
o Exames complementares
3. Anamnese
Objetivo: Identificar sintomas a partir do relato do paciente.
Elementos da anamnese:
o Queixa principal
o História da doença atual
o História médica pregressa
3.1 Caracterização da Dor
Tipo de dor:
o Sede: Localizada ou difusa/irradiada.
o Aparecimento: Provocada ou espontânea.
o Duração: Longa ou curta.
o Frequência: Intermitente ou contínua.
o Intensidade: Leve, moderada ou severa.
Mudanças de intensidade da dor:
o Ao mudar de posição (ex.: deitar).
o Em resposta a temperatura (frio/quente).
4. Exame Físico
Objetivo: Identificar sinais clínicos.
Recursos semiotécnicos:
o Inspeção geral
o Inspeção bucal
o Palpação apical
o Percussão
o Mobilidade dentária
o Sondagem periodontal
4.1 Inspeção Geral
Observar gestos e expressão facial.
Identificar edema, tumefação, alterações na textura e cor da pele.
4.2 Inspeção Bucal
Avaliar coloração, textura e consistência.
Alterações na coloração do dente:
o Cor rosa: Reabsorção interna.
o Escurecido: Necrose pulpar.
o Cor amarelada: Calcificação pulpar.
Identificar cáries, restaurações fraturadas, fístulas e fraturas.
4.3 Palpação
Palpar a região apical dos dentes, evitando começar pelo dente suspeito.
Identificar edemas: extensão, consistência e textura.
4.4 Percussão
Avaliar inflamação periapical.
Tipologias:
o Percussão vertical (alterações endodônticas).
o Percussão horizontal (alterações periodontais).
4.5 Mobilidade Dentária
Diferenciar mobilidade fisiológica e patológica.
Causas da mobilidade patológica: perda de inserção óssea, sobrecarga dentária,
trauma, processo inflamatório.
4.6 Sondagem Periodontal
Identificar a presença de bolsas periodontais (> 3mm) para diagnóstico de lesões
endoperiodontais.
5. Exames Complementares
Importância: Complementam o diagnóstico e são essenciais para o tratamento
endodôntico.
5.1 Radiografia
Periapical: Primeira escolha; observa fraturas, espaço do ligamento periodontal, cáries
e lesões periapicais.
Oclusal: Menos utilizada; observa extensão da lesão.
Panorâmica: Contribui com alguns achados, mas não é a primeira escolha.
Tomografia Computadorizada: Imagem tridimensional; investiga canais radiculares e
variações anatômicas.
5.2 Testes de Sensibilidade Pulpar
Avaliam a resposta dolorosa e a vitalidade da polpa dentária.
Tipos de testes:
o Testes térmicos (frio e calor).
o Teste de anestesia.
o Teste da cavidade.
o Teste pulpar elétrico.
o Teste de transiluminação.
6. Testes de Sensibilidade Pulpar
6.1 Testes Térmicos
Frio: Teste mais preciso. Respostas:
o Dente hígido: Dor cessa rapidamente.
o Polpa afetada: Dor persiste após remoção do estímulo.
o Necrose pulpar: Sem resposta aos estímulos.
Calor: Utilizado para investigar necrose pulpar.
6.2 Teste da Cavidade
Último teste para confirmar a ausência de vitalidade (necrose pulpar).
6.3 Teste de Anestesia
Anestesiar o dente suspeito; a dor cessa confirmando o diagnóstico.
6.4 Teste Pulpar Elétrico
Estimula fibras sensoriais com corrente elétrica.
6.5 Transiluminação
Diagnostica trincas ou cáries interproximais através da translucidez.
7. Aspectos Clínicos Relevantes
7.1 Dentes com Polpa Viva
Responde aos estímulos; dor permanece apenas por alguns segundos.
Presença de desconforto ao frio.
7.2 Dentes Despolpados
Dor constante e espontânea.
Desconforto ao mastigar e ao toque.