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Elementos da Sociedade Suméria

O documento analisa a sociedade suméria, abordando sua origem, cultura, religião, arte e evolução política. Os sumérios, que se estabeleceram na Mesopotâmia por volta de 4.000 a.C., desenvolveram a escrita cuneiforme e um complexo panteão de deuses, refletindo uma sociedade interligada entre religião e governo. A história da Suméria é dividida em três períodos principais, destacando a ascensão de Sargão I e a formação de um império unificado que não extinguiu, mas aprimorou as estruturas sumérias.

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Elementos da Sociedade Suméria

O documento analisa a sociedade suméria, abordando sua origem, cultura, religião, arte e evolução política. Os sumérios, que se estabeleceram na Mesopotâmia por volta de 4.000 a.C., desenvolveram a escrita cuneiforme e um complexo panteão de deuses, refletindo uma sociedade interligada entre religião e governo. A história da Suméria é dividida em três períodos principais, destacando a ascensão de Sargão I e a formação de um império unificado que não extinguiu, mas aprimorou as estruturas sumérias.

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Aula do dia 31/03/2020 (2ª parte)


1º Período de História – Tarde – Unidade Coração Eucarístico
Disciplina: Antigüidade Oriental

Caros alunos, boa tarde.


Na aula de hoje iremos analisar os elementos fundamentais da sociedade Suméria.

SUMÉRIA

 Existe divergência quanto à data de chegada dos sumérios, povo de origem


caucasiana, à região sul da Mesopotâmia. Sabe-se que por volta de 4.000 ªC. eles
já estavam estabelecidos ali.
 Mas a população da Suméria civilizada resultou da fusão de várias raças, talvez
incluindo os primitivos habitantes da região, e reunido na sua cultura elementos
estrangeiros e locais.
 Não muito diferentes dos seus vizinhos, os primeiros sumérios viviam em aldeias
e possuíam alguns importantes centros de culto, de ocupação prolongada e
contínua.
 Na sua origem, estes centros de culto foram lugares de devoção e de peregrinação,
sem numerosas populações residentes. No entanto, mais tarde as cidades se
cristalizaram à sua volta e isto ajuda a explicar a relação próxima entre religião e
governo que sempre existiu na antiga Mesopotâmia.
OBS.: A evolução da Suméria primitiva apresenta a seguinte cronologia de eventos
importantes:

 5.000 a.C. – Entra em uso a língua suméria.


 4.000 a.C. – Começa o povoamento do local da futura Babilônia.
 3.500 a.C. – A língua suméria aparece na forma escrita.
 2.800 a.C. – A mais antiga dinastia suméria.
 2.334-2.279 a.C. – Reinado de Sargão I e dinastia acadiana.
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 2.150 a.C. – Os gútios e os amoritas derrubam a dinastia acadiana.


 2.000 a.C. – O poder acadiano é restaurado como Terceira Dinastia de Ur.
 1.800-1.600 a.C. – Ascendência babilônica sobre a Suméria.

A escrita
 A civilização suméria durou aproximadamente de 3.500 a 2.000 a.C.
 Em data bem remota produziu pequenas figuras a partir de sinetes cilíndricos, que
eram rolados na argila, e a partir deles os sumérios desenvolveram figuras
simplificadas (pictogramas) feitas sobre tabuletas de argila com uma vareta de
junco, um grande passo em direção à verdadeira escrita.
 Este processo evoluiu para um estilo chamado “cuneiforme”, que usava sinais e
grupos de sinais para representar sons e sílabas.
 Desdobramentos do aparecimento da escrita cuneiforme: 1º) melhoria nas
comunicações; 2º) maior eficiência na exploração dos recursos naturais (ficaram
mais fáceis as complexas operações de irrigar as terras, fazer as colheitas e
armazená-las); 3º) fortalecimento imenso do governo e dos seus vínculos com as
castas sacerdotais que a princípio monopolizavam a instrução; 4º) registro do
passado; 5º) desenvolvimento da literatura.
OBS.:A mais antiga história do mundo é o épico Gilgamesh, um conto escrito pouco
depois de 2.000 ªC.. Gilgamesh foi uma pessoa real, que governou a cidade de Uruk,
e também se tornou o primeiro herói individual da literatura mundial. É dele o
primeiro nome a figurar no livro. Para o leitor moderno, a parte mais surpreendente
deste épico inclui o advento de uma grande inundação que destruiu a humanidade,
exceto uma família privilegiada que sobreviveu construindo uma arca, e dela surgiu
uma nova raça que povoaria o mundo depois de passada a inundação.

As inundações eram o desastre típico da Baixa Mesopotâmia, e através da construção


de canais e diques, os sumérios fizeram “a terra emergir da água”. Assim, podemos
ver no conto de Gilgamesh o relato sumério da criação do mundo: o Gênesis. Mais
tarde, na Bíblia, também a terra emerge das águas pela vontade de Deus. Deste modo,
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devemos algo da nossa herança intelectual a uma reconstituição mítica feita pelos
sumérios da sua própria Pré-História, quando as terras férteis foram criadas a partir
dos pântanos do Delta da Mesopotâmia.

 As idéias sumérias foram amplamente difundidas no Oriente Próximo, muito


tempo depois do foco da História ter se deslocado da Mesopotâmia. A língua
suméria sobreviveu durante séculos nos templos e nas escolas de escribas.

A religião suméria
 As tradições literárias e lingüísticas incorporam idéias e imagens que impõem,
permitem e limitam diferentes maneiras de se ver o mundo, e é provável que as
mais importantes idéias mantidas vivas pela língua suméria fossem religiosas.
 Por volta de 2.250 a.C. surgiu um panteão de deuses, mais ou menos
personificando os elementos e as forças da natureza. Originalmente as cidades
tinham os seus próprios deuses, que formavam uma vaga hierarquia, refletindo e
moldando visões sobre a sociedade humana.
 A cada deus era atribuída uma atividade ou função específica: havia um deus do
ar, outro das águas, outro do arado e uma deusa do amor e da procriação, etc.
 No topo da hierarquia divina havia uma trindade de grandes deuses masculinos:
o Pai dos deuses, um “Senhor do Ar” sem o qual nada podia ser feito; um deus
da sabedoria; e também um deus das águas doces, que literalmente significavam
a vida para a Suméria.
 Isto revela uma visão do sobrenatural muito mais complexa e elaborada do que
qualquer outra em data tão remota.
 Com o passar do tempo, sugestivamente, os templos se tornaram maiores e mais luxuosos (em
parte por causa da tradição de se construir novos templos em colinas, englobando os anteriores).
Ali eram oferecidos sacrifícios para garantir boas colheitas.
 Nenhuma outra antiga sociedade daquela época atribuiu à religião um lugar tão
proeminente, nem desviou tantos recursos coletivos para mante-la.
 A Baixa Mesopotâmia, nos tempos antigos, deve ter sido uma paisagem monótona
e plana de várzeas, pântanos e água. Não havia montanhas para os deuses
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habitarem na Terra com os homens. Deste modo, os deuses deviam “viver” em


lugares elevados que dominavam as planícies.
 Os templos eram construídos com tijolos e em zigurates (antigo templo babilônio
em forma de torre piramidal, com plataformas recuadas e sucessivas, degraus
externos e santuário no topo, que lembram levemente a posterior Torre de Babel,
da Bíblia).
 Não admira que os sumérios se vissem como um povo criado para servir, para
trabalhar para os deuses.
 A adoração dessas divindades representava uma tentativas de controlar o meio
ambiente, resistir aos repentinos desastres das inundação e tempestades de areia,
assegurar a continuidade do ciclo das estações através da repetição do grande
festival da primavera, quando o drama da Criação era de novo representado.
Depois disto, a existência do mundo estava garantida por mais um ano.
 Mais tarde os homens começaram a querer que a religião os ajudasse a lidar com o
inevitável horror da morte.
 Os sumérios e os herdeiros das suas idéias religiosas parecem ter visto o mundo
após a morte como um lugar melancólico e triste; nisto reside a raiz da noção
posterior do Sheol, ou inferno.
OBS.: Um rei e uma rainha sumérios da metade do terceiro milênio foram acompanhados até os
seus túmulos por serviçais, que foram então sepultados com eles (talvez depois de tomarem alguma
droga). Era provável que se pensasse que os mortos iam para algum outro lugar, onde uma grande
comitiva e uma imponente coleção de jóias poderiam ajudar.
 Quanto aos aspectos políticos da religião suméria, toda a Terra pertencia
basicamente aos deuses; o rei, provavelmente um sacerdote-rei e ao mesmo
tempo que um chefe guerreiro, era o representante desses deuses.
 Havia uma classe sacerdotal, cultivadora de algumas habilidades e
conhecimentos especiais, responsáveis pelo primeiro sistema organizado de
educação, com base na memorização e na cópia.
 Também neste aspecto os sumérios deram origem a uma tradição: a dos videntes,
adivinhos e sábios do Oriente.
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Arte, estrutura social e vida cotidiana


 A arte suméria representava diferentes aspectos da vida cotidiana, retratando
através da escultura e da pintura os seres humanos, as batalhas e o mundo
animal.
 As pessoas freqüentemente são representadas vestindo uma espécie de saia de lã
ou de pele, da qual as mulheres às vezes jogavam uma dobra por cima de um dos
ombros.
 Os homens, em geral, mas nem sempre, aparecem totalmente barbeados. Os
soldados usavam o mesmo traje, mas carregavam armas e às vezes usavam um
chapéu pontiagudo de couro.
 luxo parece ter consistido no lazer e em bens, especialmente nas jóias. Sua
finalidade muitas vezes parece ser indicação de status, se for assim, é outro sinal
da crescente complexidade social.
 O regime patriarcal dominava, e chefe da família se casava de acordo com um
contrato firmado com a família da noiva e exercia seu poder sobre os demais
membros da família, os agregados e escravos.
 Contudo, as mulheres sumérias eram menos tiranizadas do que em muitas outras
sociedades posteriores do Oriente Próximo. As narrativas sumérias sobre os
deuses sugerem uma sociedade muito consciente do poder da sexualidade
feminina e os sumérios foram o primeiro povo a escrever a respeito da paixão.
 A lei (cuja influência pode ser registrada bem depois de 2.000 a.C.) proporcionava
importantes direitos às mulheres mesmo de tempos pós-sumérios.
OBS.: A mulher não era um mero bem; até a escrava, mãe de filhos de um homem livre, tinha
direitos. As mulheres, assim como os homens, podiam requerer a separação e esperar igualdade
de tratamento depois do divórcio. Embora o adultério da esposa fosse punível com a morte,
enquanto que o do marido não, esta diferença pode ser compreendida à luz da preocupação com a
herança e com a propriedade.
 Só muito mais tarde a lei na Mesopotâmia começou a enfatizar a importância da
virgindade e a impor o uso do véu para as mulheres respeitáveis. Eram sinais de
um endurecimento para com as mulheres, atribuindo-lhes um papel mais restrito.
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 Ao se aproximar o fim da sua história como civilização independente, os sumérios


haviam aprendido a viver em grandes comunidades. Diz-se que numa única
cidade havia trinta e seis mil habitantes, o que resultou em grandes demandas
quanto à capacidade de construção, em especial por conta das estruturas dos
grandes monumentos.
 Na falta de pedra, os habitantes do sul da Mesopotâmia no início construíam com
uma argamassa de junco e barro, depois com tijolos de barro secados ao sol.
Perto do fim do período sumério, a tecnologia dos tijolos estava suficientemente
avançada para que eles construíssem grandes prédios com colunas e terraços; o
maior de todos, o Zigurate de Ur, possuía um pavimento superior de pouco mais
de trinta metros de altura e uma base de sessenta por quarenta e cinco metros.
 A mais antiga roda de oleiro que sobreviveu (encontrada em Ur) demonstra outro
passo tecnológico: a primeira utilização conhecida do movimento de rotação, em
que se apoiou a produção de cerâmica em grande escala e a transformou num
ofício masculino, ao contrário da cerâmica primitiva, que era um ofício feminino.
 Já por volta de 3000 a.C., a roda era aplicada aos transportes.
 Outra invenção dos sumérios foi o vidro, e também, desde o início do terceiro
milênio antes de Cristo, artesãos especializados fundiam bronze.
 A partir daí levanta-se outra questão: de onde vinha a maréria-prima? Não há
metal algum no Sul da Mesopotâmia. Mesmo no Período Neolítico, a região deve
ter importado sílex e obsidiana para implementos agrícolas.
 Evidentemente existia uma ampla rede de contatos externos, tanto com os povos
do Golfo Pérsico quanto com os do Levante (nome usado para designar os países
do Mediterrâneo oriental) e Síria.
 É certo que, por volta de 2.000 ªC., a Mesopotâmia obtinha mercadorias , embora
possivelmente de forma indireta, do Vale do Indo.
 Junto com alguns fragmentos de documentação, isto sugere um sistema de
comércio inter-regional emergente que acabou criando padrões de
interdependência econômica.
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 A base da economia e da sociedade sumérias permanecia na agricultura para


provisão local.
 Cevada, trigo, painço e gergelim eram plantados em quantidade; a primeira pode
ter sido a principal lavoura, e sem dúvida explica a freqüente evidência da
presença de um tipo de cerveja na antiga Mesopotâmia.
 Resta lembrar que estas habilidades e tecnologias se acumularam lentamente ao
longo dos quinze séculos da história da Suméria.

Evolução política
 Pode-se distinguir três grandes fases na história da Suméria:
1ª) Período Arcaico (3.360 a 2.400 ªC.);

2ª) Período Acadiano (2400 e 2350 ªC.);

3ª) Período “Neo-sumério” (2.350 a 2.000 ªC.).

Período Arcaico:

 Foi marcado pelas várias guerras travadas entre Cidades-Estado, suas


ascensões e declínios, cuja comprovação é a existência de cidades fortificadas e a
aplicação da roda à tecnologia militar em toscas quadrigas.
 Por volta da metade desta fase, as dinastias locais começam a se estabelecer com
algum sucesso.
 Originariamente a sociedade suméria parece ter tido alguma base representativa
e até mesmo democrática, mas o seu crescimento fez com que os reis se
distinguissem dos primitivos governantes-sacerdotes.
 Estes reis provavelmente surgiram como “senhores de guerra”, apontados pelas
cidades para comandar as suas forças e que se apegavam ao poder quando
passava a situação de emergência que os convocara. Deles se originaram as
dinastias que lutavam entre si.
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Período Acadiano:

 Teve início quando Sargão I, rei de uma cidade situada no Alto Eufrates chamada
Acádia, conquistou as cidades sumérias entre 2.400 e 2.350 a.C. e inaugurou a
supremacia acadiana.
 Ele foi o primeiro de uma longa linhagem de construtores de impérios e alega-se
que mandou tropas a terras tão distantes quanto o Egito e a Etiópia.
OBS.: Existe uma cabeça em bronze que representa Sargão I, sendo uma das
primeiras representações reais.

 O reinado de Sargão I não se baseou na relativa superioridade de uma Cidade-


Estado sobre as outras, estabelecendo um império unificado, integrando tais
cidades num todo.
OBS.: O Império Acadiano não representou o fim da Suméria, mas um
aperfeiçoamento de suas estruturas internas.

 Com Sargão I surgiu um verdadeiro Estado, com autoridades leigas e


sacerdotais completamente separadas. Nas cidades sumérias apareceram
palácios ao lado dos templos; a autoridade dos deuses também apoiava os
ocupantes dos palácios.
 A especialização e profissionalismo das tropas resultaram provavelmente da
maior complexidade e custo das armas. A infantaria disciplinada, que se
deslocava em formação, com escudos unidos e lanças niveladas, aparece em
monumentos de Ur.
OBS.: Constava que Sargão I possuía 5.400 soldados aquartelados no seu palácio. Sem dúvida, o
resultado das conquistas fornecia os recursos para manter esta tropa.
 O poder estatal se originou dos desafios e das necessidades especiais da
Mesopotâmia, definindo como dever do governante organizar grandes obras de
irrigação, controlar as enchentes, reunir mão-de-obra para fazer tudo isto e ainda
conseguir arregimentar soldados.

Período “Neo-sumério”:
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 Por volta de 2.350 a.C. povos da montanha chamados de gútios puseram fim à
hegemonia acadiana, dando início à última fase da história da Suméria.
 Durante mais ou menos duzentos anos, até 2.000 a.C., o controle passou
novamente aos sumérios nativos, cujo centro era Ur. O primeiro rei da Terceira
Dinastia de Ur a exercer esta ascendência intitulou-se Rei da Suméria e da Acádia.
 A arte suméria desça fase mostrou uma nova tendência de exaltar o poder do
príncipe: os governantes procuravam incorporar a sua própria magnitude em
zigurates maiores e mais luxuosos.
 Os domínios dos últimos reis vitoriosos de Ur se estendiam desde Susa, nas
fronteiras de uma terra chamada Elam, no Baixo Tigre, até Biblos, na costa do
Líbano.
OBS.: Ao término dessa fase observa-se o ocaso da civilização suméria, porém, ela
não desapareceu completamente, mas a sua individualidade se perdeu na História
geral da Mesopotâmia e do Oriente Próximo.

 Havia muitos inimigos nas fronteiras da Suméria. Por volta de 2.000 a.C. os
elamitas atacaram a Suméria e Ur caiu sob seu domínio. Mas isso ocorreu após
uma hostilidade intermitente de quase mil anos, resultado da luta para controlar
as rotas que dão acesso às terras altas do Irã e aos minérios de que a
Mesopotâmia necessitava.
 Ao longo de aproximadamente 1.500 anos a Suméria construiu o arcabouço da
civilização Mesopotâmica, legando aos seus sucessores sua escrita, literatura,
mitologia, construções monumentais, idéias de justiça e legalidade, e as raízes
de uma grande tradição religiosa, visto que, tais fundamentos já estavam
amplamente enraizados e difundidos em toda aquela região.
Abraço do prof. tio Aly.

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