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Lei Penal no Tempo e Espaço: Princípios e Regras

O documento aborda a aplicação da lei penal no tempo, destacando que a lei não retroage, exceto para beneficiar o réu. Também discute a territorialidade e extraterritorialidade da lei penal, além da eficácia de sentenças estrangeiras no Brasil. Questões práticas e exemplos são apresentados para ilustrar os princípios legais discutidos.

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Lei Penal no Tempo e Espaço: Princípios e Regras

O documento aborda a aplicação da lei penal no tempo, destacando que a lei não retroage, exceto para beneficiar o réu. Também discute a territorialidade e extraterritorialidade da lei penal, além da eficácia de sentenças estrangeiras no Brasil. Questões práticas e exemplos são apresentados para ilustrar os princípios legais discutidos.

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[Link].

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TEMA
LEI PENAL NO TEMPO

Princípio geral - “tempus regit actum”: A lei aplica-se ao fato praticado durante a sua vigência.

Regra: A lei penal não retroage.

Constituição Federal
Art. 5º (...)
XL: A lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu.

Exceção: extratividade da lei penal benéfica.

Conflitos na lei penal no tempo

1. Nova lei incriminadora:

Surge uma nova lei criando uma infração penal.

Consequência:
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2. Nova lei penal mais grave

Consequência:
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3. Nova lei penal mais benéfica:

Consequência:
___________________________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________________________

Lembre-se: A lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu (art. 5º, XL, CF).

4. Abolitio criminis

Código Penal
Art. 2º. Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar crime, cessando em virtude dela
a execução e os efeitos penais da sentença condenatória.
Parágrafo único: A lei posterior, que de qualquer modo favorecer o agente, aplica-se aos fatos anteriores, ainda
que decididos por sentença transitada em julgado.

Questão: Vender bebida alcóolica para criança era considerada contravenção penal (art. 63, inciso I, LCP). Com o
advento da Lei 13.106/2015, tal conduta passou a ser considerada crime previsto no art. 243 do ECA. Nesse caso,
houve “abolitio criminis”?

[Link] 2
Questão: Suponha que a polícia conseguiu desvendar um sequestro, no qual a vítima permaneceu em poder dos
criminosos durante três meses. Os criminosos foram presos e estão sendo processados. No curso do sequestro
surgiu lei penal mais grave, ampliando a sua pena. Pergunta-se: Os sequestradores serão alcançados pela lei
penal nova e mais grave?

Súmula 711, STF - A lei penal mais grave aplica-se ao crime continuado ou ao crime permanente, se a sua vigên-
cia é anterior à cessação da continuidade ou da permanência.
 Crime continuado:
 Crime permanente:

Questão: É possível a combinação de leis penais (lex tertia) em benefício do réu?

Súmula 501, STJ


“É cabível a aplicação retroativa da Lei n. 11.343/2006, desde que o resultado da incidência das suas disposições,
na íntegra, seja mais favorável ao réu do que o advindo da aplicação da Lei n. 6.368/1976, sendo vedada a
combinação de leis”.

Questão: Quem aplica a lei penal mais benéfica?

 1ª instância:
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___________________________________________________________________________________________
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 Grau de recurso ou competência originária no Tribunal:


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 Condenação transitou em julgado:


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___________________________________________________________________________________________
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Súmula 611, STF


Transitada em julgado a sentença condenatória, compete ao juízo das execuções a aplicação de lei mais benigna.

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TEMA
LEI EXCEPCIONAL E TEMPORÁRIA

 Lei excepcional:
Criada para vigorar apenas durante alguns períodos anormais.

 Lei temporária:
Criada para durar um período fixo de tempo.

Lei 12.663/2012
Art. 36. Os tipos penais previstos neste Capítulo terão vigência até o dia 31 de dezembro de 2014.

Lei 13.285/16
Art. 23. Os tipos penais previstos neste Capítulo terão vigência até o dia 31 de dezembro de 2016.

Características

1. São autorrevogáveis:
Não precisam aguardar a revogação por outra lei.

2. São ultrativas:
Aplicam-se aos fatos praticados durante a sua vigência mesmo após revogadas, ainda que sejam prejudiciais ao
réu.

Código Penal
Art. 3º. A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circuns-
tâncias que a determinaram aplica-se ao fato praticado durante a sua vigência.

TEMA
TEMPO DO CRIME E LUGAR DO CRIME
(ARTS. 4º E 6º)

 Teoria da atividade:
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 Teoria do resultado:
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 Teoria mista ou da ubiquidade:


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Questão: Em que momento se considera praticado um crime? Qual a teoria adotada?

Importância prática:
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Código Penal
Art. 4º. Considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão, ainda que outro seja o momento do
resultado.

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Questão: Qual o lugar de um crime?

Código Penal
Art. 6º - Considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu a ação ou omissão no todo ou em parte, bem
como onde se produziu ou deveria produzir-se o resultado.
Teoria adotada:

TEMA
LEI PENAL NO ESPAÇO

 Territorialidade: é a regra (art. 5º, caput)


 Extraterritorialidade: é exceção (art. 7º)
 Intraterritorialidade: é exceção (art. 5º)

Territorialidade

Código Penal
Art. 5º - Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de convenções, tratados e regras de direito internacional, ao
crime cometido no território nacional.

Critério adotado:
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___________________________________________________________________________________________
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Conceito de território

1) Território físico ou propriamente dito (espaço geográfico)


2) Território jurídico ou por extensão

1) Território físico ou propriamente dito (espaço geográfico)


a)
b)
c)

[Link] 5
2) Território jurídico ou por extensão:
a) embarcação ou aeronave públicas:
b) embarcação ou aeronave privadas:

Código Penal
Art. 5º (...)
§ 1º - Para os efeitos penais, consideram-se como extensão do território nacional as embarcações e aeronaves
brasileiras, de natureza pública ou a serviço do governo brasileiro onde quer que se encontrem, bem como as
aeronaves e as embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, que se achem, respectivamente,
no espaço aéreo correspondente ou em alto-mar.

Atenção! Embaixada é extensão do território que representa?

TEMA
EXTRATERRITORIALIDADE DA LEI PENAL

Hipóteses de extraterritorialidade
 Incondicionada (art. 7º, inc. I):
 Condicionada (art. 7º, inc. II):
 Hipercondicionada (art. 7º, § 3º):

Extraterritorialidade incondicionada
Art. 7º - Ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos no estrangeiro:
I - os crimes:
a) contra a vida ou a liberdade do Presidente da República.
b) contra o patrimônio ou a fé pública da União, do Distrito Federal, de Estado, de Território, de Município, de
empresa pública, sociedade de economia mista, autarquia ou fundação instituída pelo Poder Público.
Ex.

c) contra a administração pública, por quem está a seu serviço


d) de genocídio, quando o agente for brasileiro ou domiciliado no Brasil;

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Questão: O sujeito que, na França, praticou um atentado contra a vida do Presidente da República Federativa do
Brasil, poderá ser julgado e eventualmente condenado em nosso país se foi absolvido no estrangeiro? E se foi
condenado na França?

Código Penal
Art. 7º (...)
§ 1º. Nos casos do inc. I o agente é punido segundo a lei brasileira, ainda que absolvido ou condenado no
estrangeiro.

Questão: Como se conta o prazo prescricional se o agente está cumprindo pena no estrangeiro?

Código Penal
Art. 116 - Antes de passar em julgado a sentença final, a prescrição não corre:
(...)
II - enquanto o agente cumpre pena no estrangeiro.

Questão: A pena cumprida no estrangeiro traz reflexos para o processo que tramitará no Brasil?

Código Penal
Art. 8º - A pena cumprida no estrangeiro atenua a pena imposta no Brasil pelo mesmo crime, quando diversas,
ou nela é computada, quando idênticas.

Atenção: É possível que ocorra a hipótese de ser o agente processado, julgado e condenado tanto pela lei brasi-
leira como pela estrangeira, pois o princípio do “ne bis in idem” não é absoluto.
Conclusão:

Questão: Existe alguma hipótese de extraterritorialidade incondicionada prevista fora do CP?

Lei 9.455/97
Art. 2º. O disposto nesta Lei aplica-se ainda quando o crime não tenha sido cometido em território nacional,
sendo a vítima brasileira ou encontrando-se o agente em local sob jurisdição brasileira.

Extraterritorialidade condicionada
Art. 7º. Ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos no estrangeiro:
(...)
inc. II – os crimes:
a) que por tratado ou convenção o Brasil se obrigou a reprimir.
b) praticado por brasileiro
c) praticados em aeronaves ou embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, quando em
território estrangeiro e aí não sejam julgados.

Código Penal
Art. 7º (...)
§ 2º - Nos casos do inciso II, a aplicação da lei brasileira depende do concurso das seguintes condições:
a) entrar o agente no território nacional;
b) ser o fato punível também no país em que foi praticado;
c) estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a lei brasileira autoriza a extradição;
d) não ter sido o agente absolvido no estrangeiro ou não ter aí cumprido a pena
e) não ter sido o agente perdoado no estrangeiro ou, por outro motivo, não estar extinta a punibilidade, segun-
do a lei mais favorável.

Extraterritorialidade hipercondicionada
Art. 7º (...)
§ 3º. A lei brasileira aplica-se também ao crime cometido por estrangeiro contra brasileiro fora do Brasil, se,
reunidas as condições previstas no parágrafo anterior:
a) não foi pedida ou foi negada a extradição;
b) houve requisição do Ministro da Justiça.

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Intraterritorialidade

Conceito: A lei penal estrangeira entra no território brasileiro para alcançar fatos praticados aqui, nos limites do
nosso território nacional.

Código Penal
Art. 5º - Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de convenções, tratados e regras de direito internacional, ao
crime cometido no território nacional.

Atenção! No entanto, o Estado acreditante pode renunciar à imunidade dos seus agentes diplomáticos. Nesse
caso, ficará o diplomata sujeito à lei do país em que ocorreu o crime (fundamento – art. 32 da Convenção de Vie-
na).

Em resumo:
 Em regra, praticado o crime no território brasileiro ele sofre as consequências da lei brasileira:
 Em casos raros, a lei brasileira alcança fatos delituosos praticados no estrangeiro:
 E em hipóteses ainda mais raras, o Brasil vai deixar de aplicar a lei a crimes ocorridos em seu território, permi-
tindo a entrada da lei estrangeira:

TEMA
EFICÁCIA DA SENTENÇA ESTRANGEIRA

Regra: a sentença PENAL estrangeira não precisa ser homologada no Brasil para produzir efeitos.

Exceções:
1) Para produzir efeitos civis
2) Para aplicar medida de segurança

Código Penal
Art. 9º - A sentença estrangeira, quando a aplicação da lei brasileira produz na espécie as mesmas conse-
quências, pode ser homologada no Brasil para:
I - obrigar o condenado à reparação do dano, a restituições e a outros efeitos civis;
II - sujeitá-lo a medida de segurança
Parágrafo único - A homologação depende:
a) para os efeitos previstos no inciso I, de pedido da parte interessada;
b) para os outros efeitos, da existência de tratado de extradição com o país de cuja autoridade judiciária ema-
nou a sentença, ou, na falta de tratado, de requisição do Ministro da Justiça.

Questão: Quem homologa essa sentença estrangeira?

Compete ao STJ a homologação de sentença estrangeira (art. 105, inciso I, “i”, CF).

Detalhe!

Súmula 420, STF


Não se homologa sentença proferida no estrangeiro sem prova do trânsito em julgado.

Questão: A sentença estrangeira condenatória pode gerar reincidência?

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