0% acharam este documento útil (0 voto)
11 visualizações5 páginas

Inquérito Policial 9º Semestre Prática

O Inquérito Policial (IP) é um procedimento administrativo investigatório conduzido pela autoridade policial para apurar infrações penais, identificar fontes de prova e coletar elementos de informação, sem a imposição direta de sanções. O IP possui características como sigilo, discricionariedade e prazos específicos para conclusão, variando conforme a situação do indiciado. O arquivamento do IP é uma decisão judicial que deve ser solicitada pelo Ministério Público e não pode ser feito de ofício pelo juiz.
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
11 visualizações5 páginas

Inquérito Policial 9º Semestre Prática

O Inquérito Policial (IP) é um procedimento administrativo investigatório conduzido pela autoridade policial para apurar infrações penais, identificar fontes de prova e coletar elementos de informação, sem a imposição direta de sanções. O IP possui características como sigilo, discricionariedade e prazos específicos para conclusão, variando conforme a situação do indiciado. O arquivamento do IP é uma decisão judicial que deve ser solicitada pelo Ministério Público e não pode ser feito de ofício pelo juiz.
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

INQUÉRITO POLICIAL

1.Conceito de IP:

Procedimento ADMINISTRATIVO INQUISITÓRIO e PREPARATÓRIO, presidido pela autoridade


policial, com o objetivo de identificar fontes de prova e colher elementos de informação para
apuração da infração penal (MATERIALIDADE) e de sua AUTORIA, a fim de fornecer elementos
de informação para que o titular da ação penal possa ingressar em juízo (justa causa).

O IP não é um processo, mas sim um procedimento, pois, ao contrário do processo, não


resulta, pelo menos diretamente, a imposição de uma sanção

Inquisitoriedade traz a ideia de que não é obrigatória a observância do contraditório e nem da


ampla defesa. A Lei 12.245/2016 alterou o Estatuto da OAB, prevendo que o advogado terá o
direito de assistir ao seu cliente durante as investigações.

Sempre que o CPP fizer referência à autoridade policial tratar-se-á do delegado de polícia, nos
termos do art. 2º da Lei 12.830/13.

Art. 2o As funções de polícia judiciária e a apuração de


infrações penais exercidas pelo delegado de polícia são de
natureza jurídica, essenciais e exclusivas de Estado.

§ 1o Ao delegado de polícia, na qualidade de autoridade


policial, cabe a condução da investigação criminal por meio de
inquérito policial ou outro procedimento previsto em lei, que
tem como objetivo a apuração das circunstâncias, da
materialidade e da autoria das infrações penais

o objetivo final do IP, consagrando a justa causa, nos termos do art. 395, III do CPP. Por justa
causa entende-se o mínimo de elementos que possam determinar a autoria e a materialidade,
com a finalidade de que o processo seja iniciado.

Art. 395. A denúncia ou queixa será rejeitada quando:

III - faltar justa causa para o exercício da ação penal

Eventuais ilegalidades ocorridas no inquérito não contaminam o processo penal subsequente,


salvo em se tratando de prova ilícita. Por exemplo, uma prisão em flagrante que não é
comunicada ao juiz, enseja o relaxamento, tendo em vista que se trata de ilegalidade.
Contudo, não irá contaminar o processo penal.

2. Finalidade do IP:

O IP possui duas finalidades, quais sejam:

- IDENTIFICAR FONTES DE PROVAS

Como visto acima, fontes de prova são todas as pessoas ou coisas que podem ministrar algum
conhecimento sobre o fato delituoso. Ocorre antes do processo, quando integram o processo
passam a ser meios de prova.

- COLHER ELEMENTOS DE INFORMAÇÃO


Como visto acima, elementos de informação não se confundem com provas. O próprio CPP,
em seu art. 155, faz a distinção. Vejamos:

Art. 155. O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da


prova produzida em contraditório judicial, não podendo
fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos
informativos colhidos na investigação, ressalvadas as provas
cautelares, não repetíveis e antecipadas.

O IP possui como uma das características mais básicas a discricionariedade. Assim, não há uma
lógica de procedimento, o delegado pode requisitar perícias, documentos, de acordo com sua
conveniência, respeitando a cláusula de reserva de jurisdição.

3. Características:

Escrito

CPP Art. 9º Todas as peças do inquérito policial serão, num só processado, REDUZIDAS A
ESCRITO ou datilografadas e, neste caso, rubricadas pela autoridade.

Dispensável

A justa causa pode ser ministrada por um IP. Contudo, o IP não é o único procedimento
investigatório, por isso pode ser dispensado, nos termos dos arts. 27 e 39 do CPP.

Art. 27. Qualquer pessoa do povo poderá provocar a iniciativa do Ministério Público, nos casos
em que caiba a ação pública, fornecendo-lhe, por escrito, informações sobre o fato e a autoria
e indicando o tempo, o lugar e os elementos de convicção.

Sigiloso

Em regra, os procedimentos investigatórios devem tramitar de maneira sigilosa, a fim de


assegurar a eficácia da investigação. Veja o disposto no art. 20 do CPP

# Quem tem acesso ao IP, apesar do sigilo? Juiz, MP e o advogado.

OBS: o advogado tem acesso a TUDO? Entendimento dos tribunais: o advogado tem acesso às
informações já documentados no procedimento investigatório, mas não em relação às
diligências em andamento (escuta telefônica, por exemplo, perderia o valor). Nesse sentido, o
art. 7º, § 11 do EOAB.

Mesmo antes da Lei 13.245/2016, para que o advogado tenha acesso ao inquérito não é
necessária a procuração, salvo os casos sujeitos a segredo de justiça (crimes sexuais).

Inquisitorial

Discricionário
Significa liberdade de atuação dentro dos limites traçados pela lei. O próprio CPP, em seus arts.
6º (rol exemplificativo) e 7º, elenca uma série de diligências feitas pelo delegado, mas não há
uma ordem certa. Será feito de acordo com o caso concreto.

Indisponível

O delegado possui certa discricionariedade para instauração ou não do IP. Contudo, uma vez
instaurado não pode ser arquivado por delegado, somente o juiz pode arquivar, por pedido do
MP.

Temporário

PRESO → 10 DIAS para a conclusão, não pode ser prorrogado.

SOLTO → 30 DIAS, pode ser sucessivamente prorrogado por 30 dias.

Art. 10. O inquérito deverá terminar no prazo de 10 dias, se o


indiciado tiver sido preso em flagrante, ou estiver preso
preventivamente, contado o prazo, nesta hipótese, a partir do
dia em que se executar a ordem de prisão, ou no prazo de 30
dias, quando estiver solto, mediante fiança ou sem ela.

4. Formas de instauração do IP:

- AP Privada: requerimento vítima

- APP Condicionada: representação da vítima ou requisição do Min. Da Justiça

- APP Incondicionada: requerimento, requisição, de ofício (portaria), APF, notitia


criminis

* notitia criminis inqualificada (denuncia anônima); incomunicabilidade do preso.

5. Identificação criminal

A identificação criminal é gênero que possui, na verdade, três procedimentos: a identificação


fotográfica, a identificação datiloscópica (colheita de impressões digitais) e identificação do
perfil genético

Depois da CF/88 – com a introdução do art. 5º, LVIII, o que antes era a regra, tornou-se a
exceção. Para que se faça essa identificação, ela deverá estar prevista em lei.

A Lei n. 12.654/2012 prevê a criação de banco de dados de perfis genéticos com o material
coletado dos investigados e condenados. Qual é a finalidade dessa coleta e da formação desse
banco de dados? Existem inúmeros crimes que cuja execução deixa materiais genéticos como
vestígios. Ex1: o sêmen do autor no caso de um estupro;
6. Indiciamento

É atribuir a alguém a PROVÁVEL autoria e participação em determinada infração penal. O


indiciamento possui efeitos:

a) Endoprocessuais: base para o oferecimento da denúncia.

b) Extraprocessuais: traz o estigma social, sobretudo pela publicidade do ato dado pela mídia.

É um ato exclusivo da fase investigatória. Assim, iniciada a fase processual não mais é possível
realizar o indiciamento. Durante a fase investigatória, o indiciamento pode ser feito desde a
lavratura do APF, até o relatório final do delegado de polícia.

Ademais deve constar no indiciamento elementos informativos quanto:

1) Prova da materialidade;

2) Indícios da autoria (indícios aqui com o significado de prova de menor valor persuasivo – o
delegado não precisa ter certeza e sim indícios, prova menos robusta, probabilidade de que a
pessoa seja autora do delito)

Ato privativo da autoridade policial (art. 2º, §6º da Lei 12.830/2013). Não pode o juiz ou MP
requisitar o indiciamento de determinado suspeito ao delegado de polícia.

Desindiciamento: Em tese, pode ser feito pelo próprio delegado de polícia, ao concluir que
cometeu um equívoco, bem como pode ser feito pelo Poder Judiciário, nos casos em que, por
exemplo, o indiciamento foi feito no curso do processo, foi feito sem os pressupostos.

7. Conclusão do IP: prazo, relatório, destinatário, providências pelo juízo competente

PRESO: 10 dias – Este prazo de 10 dias não pode ser prorrogado e caso haja um excesso
abusivo, a prisão deve ser relaxada, sem prejuízo da continuidade do processo.

SOLTO: 30 dias (pode ser prorrogado? Sim, é o que mais acontece na prática)

- Justiça Federal Réu PRESO 15 dias, réu SOLTO 30 dias. Cabe prorrogação (+15 ou 30).

- Lei dos Crimes Contra a Economia Popular. Lei nº 1521/51 CS – PROCESSO PENAL I 2019.1 97
De acordo com a lei, o prazo é de 10 dias, tanto faz se está SOLTO OU PRESO.

- Lei de drogas (11.343/06) O art. 51 da 11.343/06 estabelece que IP deverá ser concluído no
prazo de 30 dias se o indiciado estiver PRESO e de 90 dias se SOLTO. Os prazos podem ser
DUPLICADOS, mediante determinação judicial, ouvido o MP, por pedido justificado da
autoridade policial.

- Justiça Militar Inquérito Policial Militar: de acordo com o DL 1.002/69, o IPM deverá ser
concluído no prazo de 20 dias se o investigado estiver PRESO, e 40 dias se estiver SOLTO, este
último é prorrogável por mais 20.

RELATÓRIO DA AUTORIDADE POLICIAL É uma peça essencialmente descritiva. Quais diligências


realizadas, o que a testemunha disse, entre outros questionamentos são respondidos. NÃO é
necessário juízo de valor. O juízo de valor deve ser feito pelo titular da ação penal. A única
valoração permitida ao delegado é quanto à autoria e materialidade do delito (não lhe é
facultado examinar aspectos relativos à ilicitude da conduta ou culpabilidade do investigado).
Exceção: Em qual hipótese o delegado é obrigado a fazer um juízo de valor? No caso do art. 52,
I da lei de drogas, explicar as razões que levaram a classificação do delito, quantidade e
indícios que classifique como usuário ou como traficante.

O relatório é uma peça indispensável? Não é uma peça obrigatória para o oferecimento de
denúncia.

De acordo com o CPP, os autos serão remetidos ao juízo competente.

PROVIDÊNCIAS A SEREM ADOTADAS PELO JUÍZO COMPETENTE a) Se o crime for de ação penal
pública, os autos são remetidos ao MP (vista ao MP). b) Se o crime é de ação penal privada, os
autos ficam em cartório aguardando a iniciativa da vítima.

8. Vistas ao MP

A depender do caso concreto o MP terá as seguintes possibilidades: a) Oferecer denúncia


contra a pessoa suspeita de ter cometido o crime, caso entenda que já há indícios suficientes
de autoria e prova da materialidade; b) Requerer ao juiz que devolva os autos ao Delegado de
Polícia para que sejam realizadas novas diligências investigatórias, se entender que ainda não
há elementos informativos suficientes; c) Requerer ao juiz o arquivamento do inquérito
policial, caso conclua que não há crime ou que não existem “provas” suficientes, mesmo já
tendo sido feitas todas as diligências investigatórias possíveis; d) Requerer ao juiz que decline a
competência ou que suscite conflito de competência, caso avalie que o atual juízo não é
competente para apurar o delito investigado.

9. Arquivamento do IP

o arquivamento do inquérito policial é uma DECISÃO JUDICIAL e só pode se dar pelo juiz
mediante pedido do MP. Não é um mero despacho, uma vez que a depender da
fundamentação do arquivamento irá gerar coisa julgada formal e material.

Não pode o juiz ordenar o arquivamento do IP “ex officio”, nem mesmo nos casos de foro por
prerrogativa de função. Se o fizer, enseja-se ao MP o ingresso de pedido de Correição Parcial.

10. Controle externo da atividade policial pelo MP

11. Rotina policial

12. Operações, casos práticos

13. Prisão em flagrante e audiência de custódia

Você também pode gostar