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Rute

O livro de Rute, parte dos '5 Rolos Festivos' da Bíblia Judáica, narra a história de Rute, uma moabita que se apega a sua sogra Noemi após a morte de seus maridos e se torna esposa de Boaz, um parente de Noemi. O texto aborda temas de fidelidade, bondade e a aceitação de estrangeiros, desafiando normas sociais da época e enfatizando a ascendência de Rute na linhagem de Davi. O livro também reflete uma crítica à xenofobia e à rigidez das leis religiosas, propondo uma nova compreensão da misericórdia divina.

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Vasni Mateus
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Rute

O livro de Rute, parte dos '5 Rolos Festivos' da Bíblia Judáica, narra a história de Rute, uma moabita que se apega a sua sogra Noemi após a morte de seus maridos e se torna esposa de Boaz, um parente de Noemi. O texto aborda temas de fidelidade, bondade e a aceitação de estrangeiros, desafiando normas sociais da época e enfatizando a ascendência de Rute na linhagem de Davi. O livro também reflete uma crítica à xenofobia e à rigidez das leis religiosas, propondo uma nova compreensão da misericórdia divina.

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RUTE

1. INTRODUÇÃO
• Rute, Cântico dos Cânticos, Eclesiástes,
Lamentações e Ester, na Bíblia Judáica,
compõem os “5 Rolos Festivos” (Megilloth);
• Cada um desses livros estava associado a
uma festa judáica:
- Rute: Pentecostes;
- Ester: Festa de Purim;
- Eclesiástes: Festa dos Tabernáculos;
- Cantares: Páscoa;
- Lamentações: memórias da destruição do
Templo (586 a.C)
RUTE

2. ENREDO
• Num cenário que reflete o período dos Juizes
(Rute 1:1) Elimeleque emigra juntamente com
sua esposa Noemi e seus dois filhos, de Belém
para Moabe;
• Após a morte de Elimeleque, ambos os filhos
casam-se com duas mulheres moabitas, Orfa e
Rute.
• Acontece que também os dois filhos de
Elimeleque morrem sem deixar descendentes,
o que coloca as mulheres Noemi, Orfa e Rute
em situação bastante constrangedora;
• Além disso, com a morte dos filhos, o nome e
a memória de Elimeleque fica sem
preservação em Israel.
• Noemi pede que suas noras voltem para a
casa dos pais e para os "seus deuses”,
enquanto que ela voltará para Judá.
• Diferente de Orfa, Rute mantém sua decisão
de apegar-se a Noemi e a seu Deus-Javé.
• Ao voltarem para Belém, as duas mulheres,
em situação social difícil, fazem uso dos
benefícios que a Lei dá aos pobres (Conf. Lv.
19:9-12 – as sobras da respigadura).
• No campo, Rute conhece Boaz, um parente
próximo de Elimeleque.
• Estimulada por Noemi, Rute apela para que
Boaz cumpra o papel de resgatador tal qual
expresso na lei do levirato.
• Descobre-se que há um outro parente mais
próximo, o qual, ao receber o apelo de Boaz,
abre mão de sua responsabilidade;
• Boaz assume publicamente o papel do
"Go’el" (Redentor, Resgatador), recebendo
Rute como esposa;
• Eles têm um filho, o qual será considerado
filho de Elimeleque e Noemi.
• Segundo a lista genealógica do final do livro,
esse filho é Obede, o qual tornar-se-á pai de
Jessé, sendo este último, pai de Davi.
RUTE
3. CONTEXTO (SITZ IN LEBEN –
SITUAÇÃO NA VIDA)
• Com muita probabilidade, o livro de Rute
(juntamente com o livro de Jonas) representa
ataques indiretos a xenofobia dos judeus;
• É um apelo ao passado; o mesmo passado
que atesta Abraão como proveniente de Ur dos
Caldeus;
• o passado que, nos lábios de Judá, elogia a
nora cananéia Tamar como "mais
justa que eu", dando origem a tribo mais
importante de Israel a partir da mistura de
sangue.
• Agora, esse mesmo passado, ligado às
tradições do Rei Davi, vai explicá-lo a partir da
ascendência moabita de Rute (contrariando Dt.
23:2-7).
• Fato relevante no livro de Rute é uma
discreta, porém incisiva negação da crença
antiga na relação entre um deus e uma
determinada área geográfica.
• O que temos em II Rs. 5:17 (Naamã levando
terra “santa” para sacrificar ao Deus de Eliseu
na terra pagã da Síria) é contraposto em Rute
1:8,9,15;
• ao despedir suas noras para que voltem aos
seus lares e aos seus deuses, em Moabe,
Noemi ora pedindo que Javé use de
misericórdia, dando-lhes felicidade no "lar de
outro marido" (1:9) fora das fronteiras de Israel.
RUTE

4. FINALIDADE DO LIVRO
• Tratar do tema "finalidade" requer,
primeiramente, a datação das narrativas de Rute.
• Se for considerado o fato que a narrativa
desconhece Dt. 23:3, então o livro deveria ser
colocado numa época da monarquia anterior ao
Deuteronômio.
• Mas, se o autor conhece a proibição aos
moabitas de pertencerem comunidade de Javé,
então ele a despreza e escreve dando uma nova
maneira de compreender os pagãos, tal qual
Jonas, colocando-os sob a misericórdia divina.
• Essa visão “rebelde” é reforçada ainda pelo
valor diminuto dado ao cumprimento estrito da
lei do levirato, conf. 4:3-8 (Comparar com Onã,
em Gn. 38:6-10) ou então a uma espécie de
concessão nesta lei, conf. 3:12.
• Em qualquer situação, o livro de Rute está
muito mais interessado no Rei Davi (4:13-22),
mostrando que nas veias do grande rei corre
sangue pagão.
• Não é apenas o sangue de um estrangeiro
qualquer, mas o sangue de uma moabita.
• Dt.23:7 vê-se que até os edomitas e egípcios
teriam uma melhor aceitação a partir da
terceira geração, mas os amonitas e os
moabitas deveriam ser odiados por conta do
legado idólatra combatido no livro de Juízes,
assimilado por Israel, cujas práticas e formas
chegavam mesmo até o sacrifício de crianças
(Nm. 21:29 e 25:1; 1 Rs. 11:7).
• Essa “Teologia Rebelde” aparece justamente
numa época em que o ensino tradicional pós-
exílico orienta para o divórcio entre israelitas e
mulheres estrangeiras, no rigor do
sacerdotalismo, conforme Esdras 10 e
Neemias 13:1-3.
• O livro de Rute contém ainda ensinamentos
diversos e preciosos, exaltando a fidelidade
doméstica (vista na atitude de Rute para com
Noemi);
• Exalta-se também a bondade para com os
pobres e marginalizados (Lv.19:9-10 - Boaz
supera e vai além do que a Lei ordenava, conf.
2:9b, 14-16).
• Além disso, o cortejo respeitoso e romântico
apresentado entre Boaz e Rute é um modelo
tratado como uma quebra do paradigma do
casamento através do dote, no Antigo
Testamento.
RUTE

5. ESBOÇO
I. História preliminar e situação da família de
Elimeleque (1:1-7a)
1.1 – Diálogo entre Noemi e Rute – decisão de
Rute (1:7b - 19a).
1.2 - Viagem de Noemi e Rute para Belém
(1:19b-22).

II. Primeiro encontro entre Rute e Boaz no


campo durante a respigadura (2:1-17)
2.1 - O plano de Noemi (2:18 a 3:5).
III. Segundo encontro entre Rute e Boaz à
noite na eira (3:6-15).
3.1 - O relatório de Rute a Noemi (3:16-18).

IV. Negociação junto ao portão da cidade - a


renúncia do resgatador (4:1-12)
4.1 - Casamento de Boaz e Rute e nascimento
do filho (4:13-17).

V. Apêndice secundário - lista genealógica até


Davi (4:18-22).

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