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Exame de História do Direito - U. Porto

O documento é um exame final da disciplina de História do Direito da Faculdade de Direito da Universidade do Porto, com questões que abordam a época justinianeia, a influência do poder imperial na História do Direito Romano, a diversidade do Direito Peninsular e a importância da história nas reformas legislativas do casamento. Os alunos devem responder de forma fundamentada, com um limite de uma página por questão. A correção levará em conta a redação e a sistematização das respostas.
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Exame de História do Direito - U. Porto

O documento é um exame final da disciplina de História do Direito da Faculdade de Direito da Universidade do Porto, com questões que abordam a época justinianeia, a influência do poder imperial na História do Direito Romano, a diversidade do Direito Peninsular e a importância da história nas reformas legislativas do casamento. Os alunos devem responder de forma fundamentada, com um limite de uma página por questão. A correção levará em conta a redação e a sistematização das respostas.
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Faculdade de Direito da Universidade do Porto

História do Direito (1º ano) – anual

Regente: Prof. Doutor Paulo Adragão


Assistentes: Dr. Rodrigo Rocha Andrade e Dr.ª Luísa Eckenroth Moreira
8 de julho de 2020
Exame final (época de recurso)
Duração: 2h00m
Cotações: Cada resposta vale 5 valores.

Responda, de modo fundamentado, às seguintes questões, no máximo de uma página por


cada resposta:

1) Responda às seguintes questões: A época justinianeia tem ou não uma


especificidade própria? O que é que pode dar-lhe autonomia?

2) O poder imperial exerceu uma grande influência na História do Direito Romano.


Diga, justificando, quais os imperadores romanos que mais se destacaram e qual o
sentido geral da influência exercida.

3) Comente a seguinte afirmação tendo em conta a História do Direito Peninsular: “A


História do Direito Peninsular, nos seus diversos períodos, é rica em diversidade no
que diz respeito aos âmbitos de aplicação do Direito, umas vezes pessoal e outras
vezes territorial.”

4) A história do direito, enquanto ciência jurídica surpreende mudanças ou


permanências nas instituições? Deve-se atender à história a quando das reformas
legislativas do casamento?

Boa sorte!

- A redação e a sistematização serão tidas em conta na classificação final.

- Para ler no final do teste: As datas do lançamento das notas do teste e da consulta de
prova serão confirmadas por e-mail dinâmico.
Grelha de correção (REVER)

Responda, de modo fundamentado, às seguintes questões, no máximo de uma página por

cada resposta:

1) Responda às seguintes questões: A época justinianeia tem ou não uma


especificidade própria? O que é que pode dar-lhe autonomia?

No seu comentário, o estudante deveria, de forma fundamentada, responder às duas


questões:

Quanto à primeira questão (2,5 v.):

Limitada entre 530 (ano em que Justiniano encarregou Triboniano de elaborar o Digesto) e
565 (ano em que Justiniano faleceu), a época justinianeia é exclusivamente oriental e
carateriza-se pelas mesmas duas atitudes que, no Oriente, marcaram a segunda etapa da
época pós-clássica (395 – 530 d.C.): o classicismo e a helenização. Por isso, não tendo uma
verdadeira especificidade, careceria de autonomia se não fosse a circunstância de ter sido
elaborado o Corpus Iuris Civilis.

Quanto à segunda questão (2,5 v.):

A autonomia da época justinianeia deve-se à promulgação do Corpus Iuris Civilis. Este


representa o concretizar de uma velha aspiração romana: a de reunir, num só corpo e sem
misturas, um conjunto de iura (fragmentos de obras de juristas clássicos) e leges
(fragmentos de constituições imperiais).

A sua elaboração corresponde às necessidades da época: a necessidade de acabar com a


confusão que se vivia na prática judicial; a dificuldade de se apreender e de compreender
toda a produção legislativa e jurisprudencial anterior; a premência da resolução de
divergências jurisprudenciais e dúvidas que subsistiam de séculos anteriores; a vontade de,
em nome da nova consciência cristã, expurgar os vestígios do paganismo do Direito
Romano anterior.

O Corpus Iuris Civilis compreende quatro partes: as Institutiones, os Digesta, o Codex e as


Novellae.

A importância da obra justinianeia para a supervivência do Direito Romano. Foi graças ao


esforço legislativo restaurador de Justiniano que o Direito Romano pôde ser transmitido à
Idade Média e chegar até nós. Com efeito, o Corpus Iuris Civilis – enquanto assombrosa
compilação do Ius Romanum – constitui a fonte principal (embora não exclusiva, mas
imprescindível) para se conhecer o Direito Romano.
2) O poder imperial exerceu uma grande influência na História do Direito
Romano. Diga, justificando, quais os imperadores romanos que mais se
destacaram e qual o sentido geral da influência exercida.

De entre os vários Imperadores romanos merecedores de destaque, poder-se-iam


referir os seguintes (3 v.):

⎯ Augusto, a partir de 27 a. C. – a concessão de ius publice respondendi a alguns


jurisconsultos selecionados pelo princeps
⎯ Adriano, s. II d.C. – regulamentação do valor legal da jurisprudência e
codificação do Edictum Perpetuum (cristalização do ius praetorium)
⎯ Caracala – extensão da cidadania a todos os habitantes do Império (212)
⎯ Constantino – rejeição da validade do costume contra legem (319)
⎯ Diocleciano, a partir de 284 d.C. – instauração do Dominado; Imperador como
criador singular do Direito (“só o imperador será justamente reconhecido quer
como legislador quer como intérprete” – Diocleciano)
⎯ Teodósio II – Primeira compilação oficial de Direito Romano: o Codex
Theodosianus (438)
⎯ Justiniano – realização do Corpus Iuris Civilis, a partir de 530, a assombrosa
compilação de Ius Romanum

Sentido geral da influência exercida pelo poder imperial na História do direito romano (2
v.): centralização da criação normativa como consequência da paulatina concentração de
poderes na figura do Imperador. Do pluralismo de fontes do Direito ao monismo jurídico.
A constituição imperial enquanto manifestação da vontade imperial (quod principi placuit, legis
habet vigorem – Ulpiano), erigida, no final do séc. III e início do séc. IV d.C., em fonte
jurídica única.
3) Comente a seguinte afirmação tendo em conta a História do Direito
Peninsular: “A História do Direito Peninsular, nos seus diversos períodos, é
rica em diversidade no que diz respeito aos âmbitos de aplicação do Direito,
umas vezes pessoal e outras vezes territorial.”

Tópicos de correção:

Com esta questão pretende-se que o aluno consiga identificar ao longo da evolução do
Direito Peninsular, as variações que existiram no que diz respeito ao critério de aplicação
do Direito em vigor.

Seria necessária uma distinção inicial entre i) o princípio da personalidade, nos termos do qual a
cada pessoa se aplica o direito do seu povo, coexistindo no mesmo território,
ordenamentos jurídicos diversos; e ii) o princípio da territorialidade (que permite apenas a
existência de um único ordenamento jurídico, aplicável, dentro de um território delimitado)
(1 v.)

Assim (1 v. a cada momento),

1. No contexto da dominação cartaginesa (a partir do s. VI a.C), terá vigorado uma


dualidade jurídica, na medida em que coexistiam o direito cartaginês pelo qual se
regiam os conquistadores e toda a organização pública e o direito autóctone pelo
qual se continuaram a reger os povos submetidos, em tudo quanto não contrariasse
aquele.
2. Quanto ao período de dominação romana, terá vigorado inicialmente um sistema
de aplicação pessoal do Direito romano e do direito dos povos indígenas; e depois
um sistema de aplicação territorial, transformação ocorrida através de uma
romanização metódica e intensiva dos povos autóctones, através da concessão do
ius latii em 73/74 d.C.) e que se consumou com a concessão da cidadania romana a
todos os súbditos do Império Romano (212 d.C.).
3. Durante o período de dominação visigótica, terá vigorado inicialmente um sistema
de aplicação pessoal do Direito, que deu lugar a um sistema de aplicação territorial
do Direito (algo que aconteceu, o mais tardar, a partir do Código de Leovigildo,
(580).
4. Quanto aos muçulmanos, a partir de 711 d.C, terá apenas vigorado um sistema
personalista do Direito, neste caso com a especificidade de ter por critério de
aplicação não a nação/raça da pessoa, mas sim a sua religião (e sexo). Assim, o
direito muçulmano aplicava-se a toda a comunidade de crentes do mundo islâmico,
às relações mistas (entre moçárabes e muçulmanos), nas questões penais e às
mulheres cristãs forçadas a casarem-se com muçulmanos.
4) A história do direito, enquanto ciência jurídica surpreende mudanças ou
permanências nas instituições? Deve-se atender à história a quando das
reformas legislativas do casamento?

- A história do direito fornece-nos um paradigma crítico, que deve ser tido em conta,
sempre que se pretende alterar os institutos jurídicos já vigentes; deve-se deixar a história
falar: ela pode manifestar-nos, nas permanências que revela, caraterísticas da natureza da
pessoa humana: esta é a perspetiva da história do direito enquanto ciência jurídica (2,5 v).

- Quanto ao casamento, na civilização ocidental, ele foi sempre uma união homem-mulher
(heterossexualidade) e, ao mesmo tempo, uma união entre um homem e uma mulher
(monogamia). Ou seja, as relações homossexuais nunca deram lugar a uniões matrimoniais;
e o modelo matrimonial seguido só reconhecia a união entre um homem e uma mulher (2,5
v).

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