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Teste de História do Direito: Roma e Visigodos

O documento é um teste de avaliação da disciplina de História do Direito da Faculdade de Direito da Universidade do Porto, com questões sobre o dominado em Roma, a noção de lex, a distinção entre justiça comutativa e distributiva, e as principais datas do Reino Visigótico. Cada questão deve ser respondida de forma fundamentada, com um limite de uma página por resposta. A correção levará em conta a redação e sistematização, e as notas serão divulgadas por email.
Direitos autorais
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Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Teste de História do Direito: Roma e Visigodos

O documento é um teste de avaliação da disciplina de História do Direito da Faculdade de Direito da Universidade do Porto, com questões sobre o dominado em Roma, a noção de lex, a distinção entre justiça comutativa e distributiva, e as principais datas do Reino Visigótico. Cada questão deve ser respondida de forma fundamentada, com um limite de uma página por resposta. A correção levará em conta a redação e sistematização, e as notas serão divulgadas por email.
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FACULDADE DE DIREITO DA UNIVERSIDADE DO PORTO

História do Direito (1º ano)

Regente: Prof. Doutor Paulo Adragão


8 de fevereiro de 2018
1º teste de avaliação distribuída
Duração: 2h00m
Cotações:
- Cada resposta vale 5 valores.

Responda, de modo fundamentado, às seguintes questões, no máximo de uma


página por cada resposta:

1) Caraterização sumária do dominado, em Roma; faça um paralelo com


as fases correspondentes da história do direito romano.

2) Dê uma noção de lex. “A melhor solução para qualquer problema


social é uma boa lei.” Será verdade?

3) Distinga justiça comutativa e justiça distributiva. “A dívida a um


pobre é mais vinculativa do que a dívida a um rico”. Será verdade?

4) Refira as principais datas do Reino Visigótico peninsular. Quando se


acelera a fusão entre Visigodos e Hispano-Romanos?

Boa sorte!
- A redação e sistematização serão tidas em conta na classificação final.
- Para ler no final do exame: Prazo para correção dos exames: 15 dias. As
datas do lançamento das notas do exame e da consulta de prova serão
anunciadas por email dinâmico.
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GRELHA DE CORREÇÃO

Responda, de modo fundamentado, às seguintes questões, no máximo de uma


página por cada resposta:

1) Caraterização sumária do dominado, em Roma; faça um paralelo com


as fases correspondentes da história do direito romano.

Caraterização do Dominado (2,5 v.):


- Datas: a partir de 284 dC e até à queda do Império a ocidente (476) e a
oriente (1453).
- Criação de Diocleciano (284-305): nova constituição marcada pela
concentração absoluta do poder; divisão do Império em 2 partes, cada uma
governada por um Imperador diferente (pars occidentis - Roma, pars orientis
– Bizâncio); por necessidades militares e para facilitar sucessão, criação da
tetrarquia: 2 Caesares auxiliam e sucedem a 2 Augusti.
- Caraterísticas da nova organização política: O imperador é dominus et deus:
o seu poder assenta numa investidura divina (considera-se Deus - pretensão
divina é nova e abusiva, tipicamente totalitária – exige adoratio – motivo de
perseguição sistemática aos cristãos); esse poder exerce-se sobre um Estado
patrimonial; evolução do sistema de governo: o Senado converteu-se num
simples órgão municipal; das assembleias populares já não há notícias; o
funcionário substitui o magistrado; consolidação da nova constituição com
Constantino (306-337), diferente embora na atitude religiosa.

Correspondência (2,5 v.):


- Correspondem-lhe a época pós-clássica (230 dC a 530 dC) e a época
justinianeia da história do direito romano (530 dC).
- Época pós-clássica: instituições jurídicas características: confusão e
vulgarização geral, primeiro; depois, vulgarização a Ocidente e classicismo
a Oriente.
- Época justinianeia: instituições jurídicas características: também
classicismo e helenização; elaboração da maior compilação dos textos de
direito romano alguma vez realizada: o Corpus Iuris Civilis; esta época só
se verifica no Oriente.

- Nota1: No Dominado, deve falar-se de concentração do poder, e não de


centralização, que pressupõe a existência de entidades juridicamente
autónomas; o Império romano, aliás, foi sempre muito centralizado; a
concentração tem a ver com a distribuição vertical de poder (esclarecimento
posterior à 2ª edição das Lições e à lecionação do 1º semestre: não foi motivo
de desconto de cotação, na correção do teste).
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- Nota2: o Imperador considera-se Deus (absolutismo antigo, romano),


enquanto o rei se considera representante (direto) de Deus (absolutismo
moderno, posterior à afirmação cristã do dualismo).
- Nota3: A constituição do Dominado é-o em sentido material: conjunto não
escrito das diretrizes e princípios.
- Nota4: Escreve-se Corpus Iuris Civilis e não Corpus Iuris Civile ou de
outras formas… (corrigiu-se sem descontar).

2) Dê uma noção de lex. “A melhor solução para qualquer problema


social é uma boa lei.” Será verdade?

Lex em sentido amplo (2 v.): “toda a declaração solene … com valor


normativo … baseada num acordo (expresso ou tácito) entre quem a emite e
o destinatário ou destinatários (Sebastião Cruz)” … na Roma clássica, à lex
subjaz sempre um acordo.

“A melhor solução para qualquer problema social é uma boa lei” (3 v.): não
necessariamente: os Romanos fizeram poucas leis; a lei é uma intervenção
artificial na vida social que é necessariamente subsidiária do funcionamento
normal da sociedade. A eficácia das leis é limitada. Como diz até o adágio
romano, Corruptissima re publica plurimae leges (A multiplicação das leis
é ineficaz contra o aumento da corrupção) (Tácito).

Nota1: O adágio citado nas aulas (plurimae leges, pessima respublica -


quanto mais leis há, mais frágil é o poder que as dita) estava errado; isto não
afetou a correção, que teve por referência o que aí se ensinou.
Nota2: Pressupõe-se, no comentário, a resposta negativa; mas a cotação
depende da justificação apresentada.
Nota3: A maioria das pessoas não deram, completa, a noção pedida de lex;
recorda-se: é preciso memorizar, não basta compreender!
Nota4: A exposição de classificações não pedidas impediu, em muitos casos,
o desenvolvimento do comentário pedido!

3) Distinga justiça comutativa e justiça distributiva. “A dívida a um


pobre é mais vinculativa do que a dívida a um rico”. Será verdade?

Distinção (2,5 v.): Justiça comutativa: designa aquilo que se deve entre
pessoas. A relação de dívida entre pessoas surge tipicamente pelo
intercâmbio de bens. Rege-se pela igualdade aritmética entre as coisas (ex.:
compra e venda). Justiça distributiva: designa aquilo que a coletividade deve
ao indivíduo. Rege-se pela igualdade de proporção entre as coisas que se dão
às pessoas e as pessoas que as recebem.
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Questão da dívida a um rico v. dívida a um pobre (2,5 v.): questão de


justiça comutativa: não, a dívida a um pobre não é mais vinculativa do que
a dívida a um rico (depende do título – se o título for o mesmo, são
igualmente vinculativas). Ex: devolver um livro emprestado por um colega
rico ou por um colega pobre; se recursos insuficientes, rateio.

Nota1: Muitas pessoas sabem de cor a noção de justiça de Ulpianus: não se


pedia mas é uma constatação positiva!
Nota2: Questão de interpretação da frase para comentar – a expressão
“dívida a um pobre/ a um rico”, designa, na linguagem comum, uma relação
de justiça comutativa; assim se interpretou nas aulas práticas, aliás.
Nota3: Questão de leitura: onde estava escrito “dívida a um pobre/a um
rico”, várias pessoas leram “dívida de um pobre/de um rico”.

4) Refira as principais datas do Reino Visigótico peninsular. Quando se


acelera a fusão entre Visigodos e Hispano-Romanos?

Principais datas (2,5 v. Nota: a referência de datas sem a alusão aos eventos
correspondente é indecifrável.)
- 576: campanha contra os Suevos (Leovigildo): anexação completa da
Península em 585, exceto o sul;
- 622: Presença bizantina durante 70 anos: expulsão por Suintila – toda a
Península Ibérica é visigótica;
- 711: invasão muçulmana interrompe o domínio visigótico.

Fatores fundamentais de aproximação e de miscigenação (mistura) entre


Visigodos e Hispano-Romanos (2,5 v.)
*Conversão solene de Recaredo I ao catolicismo (589), perante o III Concílio
de Toledo;
*Uso do latim pelos Visigodos desde cedo;
*Derrogação da proibição (já então teórica) dos casamentos mistos (por
Leovigildo)
- Fusão generalizada das populações, miscigenação: entre os s. VI e VII
(entre o s. de 501 e o s. de 601) (esta referência global mereceu uma cotação
suplementar, sempre dentro do limite da cotação global da pergunta).

- Nota1: Matéria pouco estudada. Tendência habitual, já denunciada, para


não estudar a história do direito peninsular; este estudo é uma introdução
necessária à história do direito português: é uma ponte necessária (s. V –
XII). Isto explica a constatação de erros e anacronismos frequentes, nos
alunos que responderam, e os maus resultados relativos.
- Nota2: Também se aceita o advento da territorialidade das leis ou a
formação do Direito Romano Vulgar (2ª vulgarização), como fator de fusão
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autónomo de fusão entre Visigodos e Hispano-Romanos. A ação de Santo


Isidoro de Sevilha também pode ser considerada como um fator autónomo.
A consideração de outros fatores autónomos, diferentes dos fundamentais,
tem como limite a cotação global de 2,5 v.
- Nota3: confusão frequente: os Visigodos, inicialmente, seguiam o
arianismo, uma heresia do cristianismo que nega a divindade de Cristo;
depois, em 589, converteram-se ao catolicismo (o cristianismo ortodoxo),
seguido pelos Hispano-Romanos.

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