Plano Collor: contexto histórico
O plano Collor, oficialmente conhecido como plano Brasil novo, foi uma
série de medidas econômicas implementadas no Brasil, em março de 1990,
pelo governo do presidente Fernando Collor de Mello. Este plano foi
idealizado e executado por Fernando Collor e sua equipe econômica,
incluindo Zélia Cardoso de Mello. Esse acontecimento foi uma resposta à
grave crise econômica no Brasil.
O plano Collor, implementado em 1990 pelo presidente Fernando Collor, foi
uma tentativa de estabilizar a economia brasileira que enfrentava uma
hiperinflação crescente. O plano tinha como principal medida, o confisco de
poupança da população e a liberação do comércio exterior, além de buscar
reduzir o tamanho do estado e privatizar empresas estatais, além de
promover medidas para controlar a inflação, o que afetou a vida de todos os
cidadãos e empresas do país. As medidas foram anunciadas em um
programa de televisão nacional.
Durante os anos 1980, o Brasil enfrentou uma crescente crise econômica,
agravada por uma dívida externa significativa. Diversos planos econômicos
foram implantados antes do plano Collor, mas nenhum deles conseguiu
conter a inflação de forma eficaz.
Uma das medidas mais controversas do plano foi o bloqueio de 80% dos
saldos das contas correntes, cadernetas de poupança e outras aplicações
financeiras, esses mesmos recursos seriam liberados gradualmente ao longo
de 18 anos. O plano também determinou a substituição de cruzado novo pelo
cruzeiro como a nova moeda do Brasil, sem cortes de zeros.
O plano incluía um pacote de ajustes fiscais rigorosos, privatização e a
abertura da economia do mercado externo, com redução de tarifas de
importação e incentivo à competitividade.
O governo Collor buscou o povo do fundo monetário internacional (FMI)
para implementar suas políticas econômicas. O FMI condicionou sua ajuda a
medidas rígidas de austeridade.
Durante a elaboração do plano Collor, havia um “plano b” que previa o
congelamento de preços e salários. No entanto, essa opção foi descartada
em favor do confisco das contas bancárias. Ele também abriu caminho para
um grande processo de privatização de estatais como a Telebrás e a Vale do
Rio Doce, essas privatizações mudaram o cenário econômico brasileiro até
os dias de hoje.
O confisco das contas bancárias afetou principalmente a classe média que
tinha suas economias guardadas em bancos, muitas pessoas perderam seus
recursos de uma só vez, o que gerou um sentimento de traição e revolta
contra o governo. Apesar da implantação rápida das medidas, houve uma
resistência popular significativa desde o início do plano, movimento sociais
exigindo mudanças.
A implantação do plano resultou no aumento da pobreza e desigualdade
social, muitos brasileiros perderam seus empregos devido ao fechamento de
empresas incapazes de suportar as novas condições financeiras.
Suas consequências e impactos foram as medidas severas do plano que
levaram a uma recessão econômica, com aumento do desemprego e
falências de empresas. Inicialmente, o plano conseguiu reduzir a inflação de
forma significativa, mas a estabilidade não durou e a inflação voltou a crescer
nos meses seguintes.
O confisco da poupança gerou enorme insatisfação popular, o que
contribuiu para a crescente impopularidade do governo Collor. Em 1992,
Collor foi afastado da presidência por um processo de impeachment,
relacionado a acusações de corrupção, mas o plano Collor já havia deixado
profundos avanços na economia e na memória do país.
Esses aspectos mostram como o plano Collor teve um impacto profundo na
sociedade brasileira, e é lembrado como uma das tentativas mais dramáticas
e controversas da estabilização econômica na história do Brasil.
Fernando Collor de Mello: Quem foi Collor?
Fernando Collor de Mello foi uma figura proeminente na política brasileira,
sendo conhecido principalmente por ter sido o primeiro presidente eleito pelo
voto direto após a ditadura militar e, posteriormente, pelo seu impeachment.
Fernando Collor nasceu em 12 de Agosto de 1949, em Maceió, Alagoas,
vem de uma família influente na política. Seu pai, Arnon de Mello, foi senador
e governador de Alagoas e sua mãe, Leda Collor, pertencia a uma família de
políticos e empresários. Collor estudou em instituições renomadas, incluindo
o Lycée Janson de Sailly, em Paris, e formou-se em economia pela
universidade federal de Alagoas.
Collor começou sua carreira como prefeito de Maceió em 1979, indicado
pelo regime militar. Durante seu mandato, buscou modernizar a
administração pública local. Eleito governador de Alagoas em 1986, Collor se
destacou pelo combate ao “marajás”, funcionários públicos que recebiam
salários exorbitantes, o que lhe conferiu uma imagem de “caçador de
marajás”.
Em 1989, Collor se candidatou à presidência pelo Partido da Reconstrução
Nacional (PRN). Sua campanha marcada por forte uso da mídia, apelos
populistas e uma postura agressiva contra o adversário, Luiz Inácio Lula da
Silva, o levou a vitória com cerca de 53% de votos no segundo turno. Após
assumir a presidência em 1999, Collor implementou seu plano Collor.
Durante seu governo, buscou abrir a economia brasileira ao mercado
internacional.
Em 1992, surgiram denúncias de corrupção envolvendo Collor e seu
tesoureiro de campanha, Paulo César Farias, em 29 de dezembro de 1992,
Fernando Collor renunciou a presidência pouco antes de ser formalmente
condenado ao processo de impeachment.
Fernando Collor de Mello permanece como uma das figuras mais
complexas e polarizadas do cenário político brasileiro, simbolizando tanto as
esperanças de modernização quanto as frustrações com a corrupção e a
instabilidade econômica.