Psicologia Jurídica
Introduções e anotações
O que é?
• O que é psicologia Jurídica?
• Qual seu objeto de estudo?
• Área de atuação, campo de
pesquisa e intervenção, área de
conhecimento…
O que é Psicologia Jurídica?
• Psicologia Forense
• Psicologia Judiciária
• Psicologia Jurídica
• Psicologia e Lei
• Relações entre psicologia e Direito
• Psicologia em interface com a justiça
História da Psicologia Jurídica
• A Psicologia jurídica não se caracterize como uma nova
possibilidade de trabalho para os psicólogos. No contexto
internacional, foram as demandas provenientes do Poder
Judiciário que ajudaram a Psicologia a se firmar como
ciência. No final do século XIX, as solicitações para que se
realizassem pesquisas que indicassem parâmetros para
aferir a fidedignidade, ou não, dos testemunhos prestados
na Justiça foram, para alguns, responsáveis pelo surgimento
dos chamados laboratórios de Psicologia experimental,
onde se desenvolveram estudos sobre memória, sensação
e percepção, dentre outros temas pertinentes ao estudo do
testemunho, como explica Brito (1993).
• A visão positivista de ciência que vigorava na
época incluía os experimentos realizados em
laboratórios bem como o uso de métodos que
se supunha semelhantes aos empregados
pelas chamadas ciências da natureza.
História da Psicologia Jurídica
• A regulamentação do exercício profissional da
Psicologia no Brasil ocorreu em 1962.
• Nesse mesmo rumo sobre o que era considerado
científico, seguia a Psicologia jurídica. Mira y
López, em sua conhecida obra denominada
Manual de Psicologia Jurídica, já advertia, ao
abordar no início do livro o “estado atual da
Psicologia como ciência”, que a Psicologia “é uma
ciência que, pelo menos, oferece as mesmas
garantias de seriedade e eficiência que as
restantes disciplinas biológicas”.
• O livro de Mira y López possui uma relação
muito próxima com o Direito penal, o que
inspirou um dos pioneiros da área no nosso
país - Eliezer Schneider (1916-1998).
Advogado por formação, Schneider não
chegou a exercer a profissão, todavia, seus
estudos sobre o Direito – especialmente o
Direito penal – despertaram seu interesse pela
Psicologia.
• “A personalidade do criminoso, o papel da punição, a
influência do sistema penal na recuperação, ou não,
da delinquência, esses são os temas de seu interesse.
Não a formalidade da lei, mas seus efeitos na
constituição do indivíduo (1999b, p.332)”
• Inserção acadêmica: em 1986, a UERJ inaugura a
primeira turma de especialização em Psicologia
Jurídica no Brasil, vinculada ao Instituto de Psicologia
que desde 1971 se desvinculou do Instituto de
Biologia. Referência no campo até os dias de hoje.
Apontamentos sobre as práticas
iniciais
• No Brasil, os primeiros trabalhos realizados por
psicólogos junto ao Judiciário seguiram o
caminho anteriormente trilhado pelos médicos
na elaboração de perícias. Com diagnósticos no
campo da psicopatologia, cabia ao profissional
fornecer um parecer técnico-científico visando a
fundamentar as decisões dos magistrados. Nesse
sentido, esses psicólogos não eram servidores do
Judiciário, mas profissionais indicados como
peritos pelos magistrados, visando à realização
de diagnósticos psicológicos.
Em 1985 tem-se notícia da criação do cargo de
psicólogo junto ao Poder Judiciário do Estado de São
Paulo . O Conselho Superior de Magistratura,
regulamentou a atuação dos psicólogos do Tribunal
de Justiça, disciplinando as funções nas Varas de
Menores e nas Varas de Família. Minas Gerais em
1992 e Rio de Janeiro somente em 1998 (Antes disso,
porém, diversos psicólogos já atuavam no Judiciário
carioca, existindo, inclusive, os chamados Setores de
Psicologia, principalmente nas Varas da Infância e da
Juventude).
• O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)
faz com que o cargo cresça cada vez mais no
judiciário.
• A discussão sobre a criação de vagas não
ocupa muito tempo e logo, pelos anos 90,
passasse a discutir a atuação profissional, que
não deveria ser reduzida à realização de
perícias.
Apontamentos sobre as práticas
iniciais
• Progressão ou regressão de regime e avaliação de
periculosidade já eram atividades questionadas na
época e permanecem em debate atualmente.
• Em relação ao Direito de família, inicialmente, as
atividades dos psicólogos dividiam-se entre as
demandas para atuação como perito ou como
assistente técnico, sem vínculo empregatício com o
Poder Judiciário.
• A atuação dos psicólogos brasileiros na área da
Psicologia Jurídica teve início antes mesmo do
reconhecimento da profissão, na década de sessenta.
• Em alguns casos, os serviços especializados nesta
área foram desenvolvidos por profissionais
estrangeiros ou por aqueles que tiveram sua
habilitação em cursos de pós-graduação. A inserção
desses profissionais nas instituições jurídicas iniciou
lentamente e, muitas das vezes de modo informal.,
mediante estagiários ou serviços voluntários.
• A área que ocorre as primeiras incursões,
seguindo as características da própria história
da Psicologia Jurídica, foi aquela relacionada
com às questões criminais, voltadas ao estudo
do perfil criminoso ou de crianças e
adolescentes envolvidos em atos infracionais.
• O foco inicial do trabalho do psicólogo foi a
compreensão da conduta humana quanto às
motivações e possibilidades de reincidência
no crime. O uso de técnicas de mensuração
(auge de 1960/70) não tinha tanto o o
objetivo de analisar funções mentais
especificas para avaliar o testemunho
(primórdios da Psicologia Jurídica Europeia),
mas antes, trazer luz à dinâmica da produção
do ato criminal.
• Quando a profissão de psicólogo é
regulamentada pelo decreto 53.464 (1964), as
atividades de perícia e emissão de laudos
foram legitimadas ao serem legalmente
previstas como práticas profissionais a ela
associadas.
• Em 2002 foi publicada a ultima atualização das atividades
profissionais, discriminando, entre outras, as atividades do
Psicólogo Jurídico.
• Introdução
• Atua no âmbito da Justiça, nas instituições governamentais e
não-governamentais, colaborando no planejamento e
execução de políticas de cidadania, direitos humanos e
prevenção da violência. Para tanto, sua atuação é centrada na
orientação do dado psicológico repassado não só para os
juristas como também aos sujeitos que carecem de tal
intervenção. Contribui para a formulação, revisões e
interpretação das leis.
Detalhamento das Atribuições
• 1- Assessora na formulação, revisão e
execução de leis.
• 2- Colabora na formulação e implantação das
políticas de cidadania e direitos humanos.
• 3- Realiza pesquisa visando a construção e
ampliação do conhecimento psicológico
aplicado ao campo do Direito.
• 4- Avalia as condições intelectuais e emocionais de
crianças adolescentes e adultos em conexão
processos jurídicos, seja por deficiência mental e
insanidade, testamentos contestados, aceitação em
lares adotivos, posse e guarda de crianças ou
determinação da responsabilidade legal por atos
criminosos.
• 5- Atua como perito judicial nas varas cíveis,
criminais, justiça do trabalho, da família, da criança e
do adolescente, elaborando laudos, pareceres e
perícias a serem anexados aos processos.
• 6- Elabora petições que serão juntadas ao processo,
sempre que solicitar alguma providência, ou haja
necessidade de comunicar-se com o juiz, durante a
execução da perícia.
• 7- Eventualmente participa de audiência para
esclarecer aspectos técnicos em Psicologia que
possam necessitar de maiores informações a leigos
ou leitores do trabalho pericial psicológico(juízes,
curadores e advogados).
• 8- Elabora laudos, relatórios e pareceres, colaborando não só
com a ordem jurídica como com o indivíduo envolvido com a
Justiça, através da avaliação das personalidade destes e
fornecendo subsídios ao processo judicial quando solicitado
por uma autoridade competente, podendo utilizar-se de
consulta aos processos e coletar dados considerar necessários
a elaboração do estudo psicológico.
• 9- Realiza atendimento psicológico através de trabalho
acessível e comprometido com a busca de decisões próprias
na organização familiar dos que recorrem a Varas de Família
para a resolução de questões.
• 10- Realiza atendimento a crianças envolvidas
em situações que chegam às Instituições de
Direito, visando a preservação de sua saúde
mental, bem como presta atendimento e
orientação a detentos e seus familiares.
• 11- Participa da elaboração e execução de
programas sócio educativos destinados a
criança de rua, abandonadas ou infratoras.
• 12- Orienta a administração e os colegiados
do sistema penitenciário, sob o ponto de vista
psicológico, quanto as tarefas educativas e
profissionais que os internos possam exercer
nos estabelecimentos penais.
• 13- Assessora autoridades judiciais no
encaminhamento à terapias psicológicas,
quando necessário.
• 14- Participa da elaboração e do processo de
Execução Penal e assessorar a administração
dos estabelecimentos penais quanto a
formulação da política penal e no treinamento
de pessoal para aplicá-la.
• 15- Atua em pesquisas e programas de
prevenção à violência e desenvolve estudos e
pesquisas sobre a pesquisa criminal,
construindo ou adaptando instrumentos de
investigação psicológica.
O contexto da Psicologia jurídica
nacional
• O CFP vem usando a designação psicologia na
interface com a Justiça, a partir do entendimento
de que essa expressão incluiria não só os
profissionais lotados nos tribunais mas também os
que executam trabalhos que são encaminhados
ao sistema de Justiça, ou seja, psicólogos que não
possuem vínculo empregatício com o Poder
Judiciário.
• Em meio aos processos em que constam as designações para atuação do
profissional, ou de membro da equipe de Psicologia, aparecem expressões e
termos por vezes distantes da bagagem teórica , fato que requer, portanto, amplo
questionamento a respeito do que lhes cabe realizar. Nessa teia de vocábulos e
argumentações próprias de outra área de conhecimento, cabe ao psicólogo
delimitar, discernir qual a temática que lhe diz respeito, evitando apropriar-se da
demanda que lhe chega a partir de nomenclaturas diversas. Entende-se que o
profissional não deve se ater à tipificação legal do caso, mas procurar identificar,
no âmbito dos estudos empreendidos pelas ciências humanas, com quais temas
pode contribuir. As inúmeras possibilidades que levam o profissional a encaminhar
os resultados de seus trabalhos ao sistema de Justiça apontam, inicialmente, a
importância de o psicólogo ter clareza do papel que está desempenhando em cada
contexto. Seria o de assistente técnico de uma das partes do processo? Um perito
designado pelo juízo? Psicólogo de equipe interdisciplinar de alguma instituição?
Seria o de terapeuta daquele paciente?
O contexto da Psicologia jurídica
nacional
• É a partir do claro entendimento da incumbência que lhe cabe que o psicólogo poderá ter
ciência dos limites e dos propósitos de sua atuação, transmitindo também tais informações a
seu cliente.
• Avaliação e Investigação são assim coisas distintas: Equiparar o termo avaliação psicológica ao
ato de investigar pode conduzir ao uso de procedimentos que parecem se afastar do domínio
das técnicas psicológicas, aproximando o trabalho que se produz na área da Justiça ao de uma
investigação de outra natureza, com instrumentos que seriam alheios à Psicologia. Dessa
maneira, comportamentos como suspeitar de quem se está atendendo, verificar se o que está
sendo dito seria verídico ou não e desenvolver uma postura investigativa soam como tarefas
apropriadas a outras categorias profissionais que não a dos psicólogos. Na Resolução n°
007/2003, se encontra as definições de que:
• o processo de avaliação psicológica deve considerar que os objetos desse procedimento (as
questões de ordem psicológica) têm determinações históricas, sociais, econômicas e políticas,
sendo as mesmas elementos constitutivos no processo de subjetivação
• E OS PSICÓLOGOS
• devem se basear exclusivamente nos instrumentais técnicos (entrevistas, testes, observações,
dinâmicas de grupo, escuta, intervenções verbais) que se configuram como métodos e técnicas
psicológicas para a coleta de dados, estudos e interpretações de informações a respeito da
pessoa ou grupo atendidos (...)
O contexto da Psicologia jurídica
nacional
• As conclusões do trabalho expostas nos documentos escritos, devem estar
baseadas em referencial técnico e teórico apropriado à Psicologia, o que afasta os
psicólogos que atuam na interface com a Justiça da incumbência de redigir
sentenças ou de indicar medidas judiciais.
• Com o crescimento das demandas e campos de atuação, bem como das
representações junto às comissões de ética dos Conselhos Regionais de Psicologia
contra os psicólogos que executam trabalhos direcionados ao Sistema de Justiça, O
CFP se viu preocupado com o rumo dos trabalhos e propôs algumas
regulamentações.
• Produção de resoluções normativas específicas dessa atuação:
1. Resolução 007/2003 – Dispõe sobre o Manual de Documentos Escritos e Produzidos
por psicólogos
2. Resolução 008/2010 – Dispõe sobre a atuação do psicólogo como perito e
assistente técnico no Poder Judiciário
3. Resolução 009/2010 – Dispõe sobre a atuação do psicólogo no sistema prisional
(VEDANDO A REALIZAÇÃO DO EXAME CRIMINOLÓGICO).
4. Resolução 010/2010 – Dispõe sobre a escuta psicológica de crianças e adolescentes
em situação de violência
O contexto da Psicologia jurídica
nacional
• Novas questões, com denominações até então desconhecidas, são
encaminhadas ao Poder Judiciário e, portanto, aos psicólogos, sob
justificativas de proteção de direitos e de segurança. Abandono
afetivo, assédio moral, bullying, burnout, são exemplos de temas
que têm gerado pesquisas, interrogações e debates, pois requerem
constantes indagações além de um olhar crítico para os
desdobramentos de possíveis intervenções.
• Percebe-se, ainda, o clamor popular por políticas penais mais
severas, além da busca de penalizações para maior número de
situações e de comportamentos.
• Arantes (2004) chamou de “mal estar” entre os psicólogos essa
indagação sobre as possibilidades de relação entre a Psicologia e o
Direito, que divide a categoria acerca dos melhores caminhos para
essas práticas. E de “um novo mal estar” (2008), quando percebe a
crescente interferência do Poder Judiciário nessa prática.
Determinado técnicas e procedimentos. (Depoimento sem dano)
Algumas áreas possíveis
• Psicologia Jurídica e o Direito de Família: separação, disputa de guarda, regulamentação de visitas,
destituição do pátrio poder. Neste setor, o psicólogo atua, designado pelo juiz, como perito oficial.
Entretanto, pode surgir a figura do assistente técnico, psicólogo perito contratado por uma das
partes, cuja principal função é acompanhar o trabalho do perito oficial.
• •Psicologia Jurídica e Direito Cívil: casos de interdição, indenizações, entre outras ocorrências
cíveis.
• •Psicologia Jurídica do Trabalho: acidentes de trabalho, indenizações.
• Psicologia Jurídica e o Direito Penal (fase processual): exames de corpo de delito, de insanidade
mental, entre outros procedimentos.
• •Psicologia Judicial ou do Testemunho, Jurado: é o estudo dos testemunhos nos processos
criminais, de acidentes ou acontecimentos cotidianos.
• •Psicologia Penitenciária (fase de execução): execução das penas restritivas de liberdade e
restritivas de direito.
• •Psicologia Policial e das Forças Armadas: o psicólogo jurídico atua na seleção e formação geral ou
específica de pessoal das polícias civil, militar e do exército.
• Vitimologia: busca-se a atenção à vítima. Existem no Brasil programas de atendimentos a vítimas
de violência doméstica. Busca-se o estudo, a intervenção no processo de vitimização, a criação de
medidas preventivas e a “atenção integral centrada nos âmbitos psico-socio-jurídicos”(Colegio de
Psicólogos de España, 1998, p. 117).
• •Mediação: trata-se de uma forma inovadora de fazer justiça. As partes são as responsáveis pela
solução do conflito com ajuda de um terceiro imparcial que atuará como mediador. A mediação
pode ser utilizada tanto no âmbito Cível como no Criminal.
Alguns cuidados...
• Juizes Ocultos?
• Código de Ética Profissional
• Controle Social
• Exclusões ou Segregações
• JUDICIALIZAÇÃO DOS CONFLITOS
Como exercer práticas coerentes com o código
de ética profissional?
“uma intervenção sobre a própria demanda”
Referência:
• BRITO, LEILA MARIA TORRACA DE. Anotações
Sobre a Psicologia Jurídica – Revista
Psicologia: Ciência e Profissão, 2012, 32 (num.
Esp.), 194-205