C E N A E X T R A
Tradução
Agatha Machado
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Summer
Aiden:
Que horas você pousa?
Summer:
Tarde. Mas não se preocupa, vou pegar um táxi.
Aiden:
Manda os detalhes do voo.
Reviro os olhos, mas mando o número do voo mesmo assim.
Aiden jamais deixaria um estranho me buscar, mesmo que mal
conseguisse andar depois de uma partida.
O movimento do aeroporto de Viena entra em segundo
plano quando ouço alguém anunciando meu voo de conexão
nos alto-falantes. O Campeonato Mundial de Patinação Artís-
tica que aconteceu em Praga foi um sucesso para a equipe do
Canadá e, apesar de eu ser apenas uma estagiária de psicologia
do esporte, sei que isso é o que sempre quis fazer.
Isso e dormir por mais de quatro horas, talvez.
Uma exaustão intensa me domina, e durmo o voo intei-
ro. Horas mais tarde, desembarco no Aeroporto Internacional
Pearson de Toronto e encontro um céu completamente escuro e
uma camada de neve cobrindo o chão. Só em Toronto é possível
ver neve no fim de março. Através do branco opaco, avisto um
carro esportivo vermelho-brilhante estacionado a minha frente.
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Aiden comprou esse carro no aniversário de 23 anos dele,
graças ao incentivo nada producente de Kian, que se arrependeu
da mesma compra em apenas um ano. O carro não era nada
prático, com apenas duas portas e sendo mais barulhento do que
qualquer coisa em que eu já tivesse andado. No Dia de Ação de
Graças, meu pai deu uma olhada no carro na entrada da gara-
gem e, em vez de desaprová-lo, como esperei que fizesse, ele e
Aiden saíram para dar uma volta e só retornaram horas depois.
Quando Aiden se aproxima balançando a cabeça, as ondas
de seu cabelo castanho e comprido demais balançando ao vento,
a barba por fazer e a curva perfeita de seu sorriso me dizem que
estou em casa.
— Só você pra ficar tão bonita depois de um voo de nove
horas.
A mão de Aiden desliza pela minha cintura e ele me bei-
ja. De um jeito rápido e carinhoso, mas de alguma forma com
intensidade o suficiente para tocar as partes do meu coração
que pertencem a ele. Meu corpo inteiro vibra de prazer e uma
sensação de finalmente ecoa em mim.
Olho para o carro esportivo de Aiden novamente.
— Só você pra vir naquilo sabendo que estou com duas malas.
Ele ri.
— Estava com saudades.
Aiden me puxa até o carro e, de alguma maneira, guarda mi-
nhas malas no espaço apertado.
— Sua casa? — pergunto quando entramos na autoestrada.
Algo brilha no olhar de Aiden antes de ele assentir, e segui-
mos para o apartamento no centro da cidade. Fica bem perto da
água, e é em um andar tão alto que passo a maioria das minhas
tardes perto da lareira, admirando a vista da cidade. Ele já pe-
diu várias vezes que eu me mudasse para lá, mas nunca achei
que valesse a pena, já que eu estava viajando muito a trabalho
e minha casa fica mais perto do aeroporto. Mas agora que o
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Mundial terminou, não há mais motivo para morarmos em lu-
gares diferentes.
Quando chegamos no conforto do apartamento dele, me jogo
no sofá e Aiden desaparece na cozinha, bem na hora em que meu
celular toca. Atendo a chamada em grupo no FaceTime e ouço
as novidades que perdi por causa do sinal péssimo no hotel.
Pelo menos Dylan foi ao Mundial, então não fiquei com
tanta saudade de casa, até porque jantamos juntos quase todas
as noites.
Aiden reaparece com um prato de macarrão. Uma das coi-
sas que ele consegue cozinhar sem ficar com um gosto horrível.
Às vezes acho que ele dá um pulo na casa do Eli para pegar um
pouco do que quer que ele tenha feito para o jantar. A conversa
dos nossos amigos no FaceTime vai desaparecendo ao fundo
quando ele me oferece a primeira garfada. Meu suspiro de gra-
tidão abre um sorriso em seu rosto, e ele imediatamente desliga
a chamada e joga meu celular de lado.
Terminamos o jantar, uma tarefa que se provou mais difícil
do que imaginei, porque Aiden interrompeu cada garfada com
um beijo. Eu não reclamei, porque passar semanas longe um do
outro era uma coisa que não fazíamos desde o meu mestrado.
Também não reclamei quando ele me levou para o banho e me
mostrou exatamente o quanto sentiu minha falta.
Agora, com o calor da água e os lábios de Aiden ainda es-
quentando minha pele, ele me deita em sua cama.
— Aquilo é um espelho? — Meu olhar se fixa no meu re-
flexo, me encarando de volta do teto acima da cama.
Meus batimentos aceleram ao ver os músculos definidos
das costas de Aiden, eu deitada bem embaixo dele.
— Eu sei que você gosta de assistir — sussurra ele, em
um tom rouco que faz minhas bochechas corarem. Não demora
muito para eu compensá-lo, repetidas vezes, pela nova adição
a seu quarto.
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Aiden
As últimas três semanas pareceram uma eternidade. Mesmo
enquanto observo Summer dormir tranquilamente em meus
braços, sinto um aperto no peito que não aliviou desde aquela
primeira noite sem ela.
Quando deslizo meu polegar pela pele macia de sua boche-
cha, Summer se mexe, as mãos explorando o espaço ao redor.
Há um breve momento de decepção quando ela toca o colchão
frio, mas ao abrir os olhos e me ver, solta um suspiro pesado de
alívio e se aconchega contra meu peito.
— Achei que eu ainda estivesse no hotel — murmura.
— Não. Eu finalmente tenho você pra mim.
— Eu nunca deixei de ser sua — diz ela, enquanto sua mão
boba puxa o elástico da minha cueca boxer.
Seguro o punho de Summer e a puxo para cima de mim.
— Eu pensei em você todos os dias, todos os minutos. Não
acho que consigo ficar longe de você de novo.
Suavemente, ela passa a mão pelo meu maxilar.
— Eu também não. Gosto de saber que posso acordar ao
seu lado de manhã.
Levo uma das mãos à nuca de Summer e a puxo para um
beijo. Virando-a na cama, encontro cada parte da pele dela com
meus lábios, memorizando a sensação de tê-la sob mim.
— Casa comigo — murmuro contra seus lábios.
— Uhummm — responde Summer, completamente perdida
no meu toque.
A resposta fácil me diz que ela não me ouviu. Me afasto
para chamar a atenção dela.
— Summer. Casa comigo hoje.
Ela congela, e então pisca uma vez, duas vezes, de novo.
— Eu ainda tô em outro fuso. Preciso que você repita o que
acabou de dizer.
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— Vamos ao cartório oficializar as coisas. — Seguro o rosto
dela. — Eu quero que você seja minha esposa. Quero você na
minha cama toda noite. Quero você.
Ela engole em seco.
— Eu poderia só me mudar pra cá.
— Isso é um não?
— Quê? Não… Quer dizer, sim. — Ela expira. — Eu quero
me casar com você. É óbvio que quero. Mas minha mãe quer
um casamento indiano tradicional, seus avós precisariam vir e
Amara vai ficar chateada se não for minha dama de honra.
— Liga pra ela. Eu pago o voo. Ela e Eli podem ser nossas
testemunhas no cartório. Sua mãe ainda vai ter o grande casa-
mento que ela sonhou pra gente, com todos os nossos amigos e
nossa família presentes, mas eu quero fazer isso agora.
Tenho certeza de que, quando o resto do pessoal descobrir,
vou ter que pagar a passagem deles também, mas eu não me im-
porto, contanto que finalmente possa chamar Summer de minha
esposa na próxima vez em que acordarmos juntos.
Os olhos castanhos dela se enchem de água.
— Você tá falando sério?
Eu a puxo da cama, fazendo com que fique de pé no meio
do quarto enquanto vou até o closet e volto com uma caixinha de
veludo.
— Minha vó me deu o anel da minha mãe. Eu o ajustei pra
você e até pedi a bênção dos seus pais. Eu ia fazer o pedido com
flores, velas e tudo mais que você pudesse querer. E ainda quero
fazer isso, mas, nesse momento, não tem nada que eu queira
mais do que ser seu marido e que você seja minha esposa.
Ela solta uma risada trêmula, piscando para afastar as lágrimas.
— Você é maluco.
Eu me apoio em um joelho. Estou de cueca e Summer está
usando uma camisola de seda cor-de-rosa, nós dois no meio do
meu quarto, com o som da chuva batendo na janela.
— Summer Preston, quer se casar comigo? Hoje?
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— Sim. É claro que sim!
Ela solta um gritinho quando deslizo o anel em seu dedo,
antes de pegá-la nos braços. E, simples assim, o aperto no meu
peito se desfaz enquanto sinto as batidas do coração dela contra
o meu.
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