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Exame de Direito Constitucional - 2019

O documento é um exame final de Direito Constitucional da Faculdade de Direito da Universidade do Porto, datado de 25 de Junho de 2019, com duração de 2h30. O exame consiste em duas partes: a primeira com quatro questões teóricas sobre o poder constituinte, o estatuto do Governo, a aplicabilidade das regras constitucionais, entre outros; e a segunda parte apresenta um caso prático relacionado a uma proposta de lei e suas implicações constitucionais. O exame exige respostas completas que demonstrem conhecimento teórico e aplicação prática do Direito Constitucional.
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O documento é um exame final de Direito Constitucional da Faculdade de Direito da Universidade do Porto, datado de 25 de Junho de 2019, com duração de 2h30. O exame consiste em duas partes: a primeira com quatro questões teóricas sobre o poder constituinte, o estatuto do Governo, a aplicabilidade das regras constitucionais, entre outros; e a segunda parte apresenta um caso prático relacionado a uma proposta de lei e suas implicações constitucionais. O exame exige respostas completas que demonstrem conhecimento teórico e aplicação prática do Direito Constitucional.
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FACULDADE DE DIREITO DA UNIVERSIDADE DO PORTO

Exame de DIREITO CONSTITUCIONAL


EXAME FINAL
Época de Recurso - 25 de Junho de 2019

Duração: 2h30 (sugestão de divisão: I – 1h, II – 1h)


N.B. Apresente respostas completas, referindo o fundamento teórico das soluções
encontradas e/ou as querelas doutrinais nos casos em que se justifique.

I. Responda APENAS a QUATRO questões (2 valores cada questão):


a) Refira-se às diversas formas de exercício do poder constituinte na história constitucional
portuguesa;
b) Compare o estatuto jurídico-constitucional do Governo na Constituição de 1933 e na
Constituição de 1976;
c) Todas as regras constitucionais têm o mesmo regime jurídico de aplicabilidade?
d) Em que circunstâncias cessa uma autorização legislativa?
e) Pode o Governo delegar as suas competências constitucionais expressas nas regiões
autónomas e nos municípios?
f) Que exceções consagra a ordem constitucional portuguesa à eficácia retroativa da
declaração de inconstitucionalidade com força obrigatória geral?
g) Existe diferença entre interpretar as disposições constitucionais e interpretar quaisquer
outras disposições jurídicas?

II. Resolva o seguinte caso prático (12 valores)


1. O grupo parlamentar do partido maioritário na Assembleia da República apresentou uma
proposta de lei X para implementar o Pacto Orçamental celebrado por Portugal no âmbito
da UE.
Essa proposta de lei, entre outras coisas:
a) Alterava a lei de enquadramento orçamental, aditando-lhe um artigo F que vincula os
Orçamentos de Estado a situações de equilíbrio ou excedente e a um limite de défice
estrutural inferior a 0,5 % do PIB;
b) Dava valor reforçado ao artigo F, estabelecendo que este apenas poderia ser alterado por
maioria de dois terços dos Deputados em efectividade de funções;
c) Autorizava o Governo a estabelecer, por Decreto-Lei, diminuições nas remunerações dos
titulares de cargos políticos dos órgãos de soberania, dos órgãos das autarquias locais e dos
órgãos das regiões autónomas.
2. A proposta de lei X, após aprovação na generalidade por 86 votos a favor, 5 abstenções e
2 votos contra, foi objecto de discussão na especialidade. Aí foi obtido o acordo com outros
grupos parlamentares, tendo a proposta sido aprovada na especialidade, por maioria de dois
terços dos Deputados presentes. A Presidente da Assembleia da República, tendo em conta
essa maioria, entendeu não ser necessária a votação final global, tendo remetido o diploma
para promulgação no dia 25 de Junho de 2019.
3. O Presidente da República decidiu vetar o diploma por o considerar inconstitucional, no
dia 3 de Julho. A Assembleia da República veio a confirmar o diploma por maioria absoluta,
dois dias depois de este lhe ter sido devolvido. Tendo recebido o decreto confirmado, no dia
9 de Julho, o Presidente da República decide enviá-lo para o Tribunal Constitucional no dia
seguinte por entender que a maioria de confirmação era insuficiente. No entanto, 5 dias
depois muda de ideias e decide promulgar o diploma, que é publicado e entra em vigor no
mês seguinte como Lei X.
4. No dia 20 de Setembro de 2019 entrou em vigor o Decreto-Lei n.º Y que reduzia as
remunerações dos titulares de órgãos políticos. Joaquim, deputado da Assembleia Legislativa
Regional da Região Autónoma da Madeira, tendo verificado que lhe tinham reduzido a
remuneração no mês seguinte, pretende solicitar ao Tribunal Constitucional que analise a
constitucionalidade do Decreto-Lei n.º Y, por falta de audição das Regiões Autónomas.
5. Veio a ser pedida a apreciação parlamentar do Decreto-Lei em Dezembro de 2019.
FACULDADE DE DIREITO DA UNIVERSIDADE DO PORTO
Exame de DIREITO CONSTITUCIONAL
EXAME FINAL
Época de Recurso - 25 de Junho de 2019

CRITÉRIOS INDICATIVOS DE CORREÇÃO

I. Responda APENAS a QUATRO questões (2 valores cada questão):


a) noção de poder constituinte; formas de manifestação do poder constituinte formal
constituições aprovadas por assembleias (1822, 1911 e 1976), outorgadas (Carta
Constitucional 1826), pactícias (1838) e aprovadas com recurso a plebiscito (1933).
b) O Governo como órgão autónomo; poderes jurídico-constitucionais; sistema de governo.
c) normas precetivas/ programáticas; normas exequíveis/não exequíveis por si mesmas;
artigo 18.º/1; exemplos.
d) Noção de lei de autorização (artigo 165.º CRP); caducidade, utilização, e distinção face à
execução parcelada; em especial, artigo 165.º n.ºs 3 a 5.
e) Competências constitucionais do Governo; artigos 110.º e 111.º, em especial 111.º/2;
112.º/5.
f) Fiscalização sucessiva abstrata e seus efeitos – artigo 282.º; distinção entre as hipóteses de
inconstitucionalidade originária (n.º 1) e superveniente (n.º 2); em especial, n.ºs 3 e 4 do artigo
282.º.
g) Interpretação constitucional; princípios e critérios de interpretação.

II. Resolva o seguinte caso prático (12 valores)

1. (4 valores)
Iniciativa legislativa parlamentar – art. 167.º
Dispositivo-travão – art. 167.º/2
Lei de enquadramento orçamental – artigos 105.º, 106.º e 164.º r);
Lei de valor reforçado – 112.º/3
Artigo 112.º 3 e 5.
Regime das autorizações legislativas governamentais (artigo 165.º, em especial os requisitos
do n.º 2). Identificação da matéria e discussão da possibilidade de enquadramento no artigo
164.º/m e no artigo 231.º/7 quanto ao estatuto dos órgãos do governo próprio das RA
(reserva de estatuto; estatuto das RA como lei de valor reforçado (226.º e 112.º; 229.º/2)
Direito à retribuição como direito fundamental; princípio do Estado de Direito e proteção
da confiança

2. (3 valores )
Procedimento legislativo parlamentar, discussões e votações, quóruns de funcionamento e
deliberação, maiorias de aprovação, qualificação dos vícios – artigos 116.º e 168.º

3. (2 valores)
Artigo 136.º/1 e 2 e regime de promulgação
Impossibilidade de recurso à fiscalização preventiva – 278.º
Referenda (140.º) e publicação (119.º)
Artigos 51.º e 53.º LTC

4. ( 2 valores)
Sistema de fiscalização jurisdicional difusa: procedimento e efeitos; suscetibilidade de queixa
a entidade com legitimidade para desencadear pedido de fiscalização abstrata sucessiva.

5. (1 valor)
Suscetibilidade de apreciação parlamentar do DL (artigo 169.º)

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