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Exame de Direito Constitucional 2016

O documento é um exame de Direito Constitucional da Faculdade de Direito da Universidade do Porto, datado de 11 de julho de 2016, que apresenta questões teóricas e práticas sobre a Constituição, incluindo a rigidez constitucional, a contribuição de Kelsen, o sistema de governo português e a análise de propostas legislativas. As questões abordam a relação entre o estado de sítio e a ordem pública, a inconstitucionalidade de normas e os procedimentos legislativos. O exame requer respostas completas que demonstrem conhecimento teórico e prático sobre os temas constitucionais.
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Exame de Direito Constitucional 2016

O documento é um exame de Direito Constitucional da Faculdade de Direito da Universidade do Porto, datado de 11 de julho de 2016, que apresenta questões teóricas e práticas sobre a Constituição, incluindo a rigidez constitucional, a contribuição de Kelsen, o sistema de governo português e a análise de propostas legislativas. As questões abordam a relação entre o estado de sítio e a ordem pública, a inconstitucionalidade de normas e os procedimentos legislativos. O exame requer respostas completas que demonstrem conhecimento teórico e prático sobre os temas constitucionais.
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FACULDADE DE DIREITO DA UNIVERSIDADE DO PORTO

Exame de DIREITO CONSTITUCIONAL I e II


Época de Recurso - 11 de Julho de 2016
Duração: 2h45
N.B. Apresente respostas completas, referindo o fundamento teórico das soluções encontradas
e/ou as querelas doutrinais nos casos em que se justifique.
I. RESPONDA ÀS SEGUINTES QUESTÕES (2 valores cada)
1. Comente a seguinte afirmação: “A rigidez da Constituição pode estar relacionada com a forma de
Estado”.
2. Refira o contributo de Kelsen para as acepções positivistas de Constituição, distinguindo-a de outras
teorias explicativas do fenómeno constituinte.
3. Exponha os traços fundamentais do sistema de Governo português desde a entrada em vigor da
Constituição de 1976. Considere a dimensão normativa e fáctico-política.
4. Distinga os princípios da hierarquia formal no subsistema legislativo português.
5.No âmbito das funções do Estado, refira-se à acepção de norma jurídica na jurisprudência constitucional
portuguesa.

II. ANALISE A SEGUINTE HIPÓTESE PRÁTICA (10 VALORES)


1.Em 2 de março de 2010, o Governo aprovou em Conselho de Ministros uma proposta de Lei com o
seguinte teor:
Artigo 1.º – O estado de sítio pode ser declarado pelo Governo em qualquer caso de perturbação da
ordem pública.
Artigo 2.º – Durante a vigência do estado de sítio, os arguidos por crimes praticados contra a ordem
pública são necessariamente sujeitos a prisão preventiva, que se manterá até que a respectiva inocência
seja provada
2.Em maio de 2012, a proposta foi aprovada na generalidade em plenário, na especialidade em comissão,
tendo recebido, na votação final global, 110 votos a favor, 100 contra e 20 abstenções. O diploma foi
enviado para promulgação e recebido a 1 de junho de 2012. A 5 de junho, o Presidente da República
requereu a fiscalização preventiva, por entender que o diploma violava a Lei n.º 44/86 (Regime do estado
de sítio e do estado de emergência).
3. Em 4 de julho de 2012, o Tribunal Constitucional veio a pronunciar-se pela inconstitucionalidade do
decreto, procedendo à respectiva devolução à Assembleia da República.
4. Por seu turno, a Assembleia da República deliberou confirmar o diploma, por 120 votos a favor, 10
contra e 100 abstenções, razão pela qual o Presidente da República o promulgou.
5. Detido preventivamente ao abrigo da nova lei, Carlos pretende interpor recurso perante o Tribunal
Constitucional, com o fundamento de que a norma que lhe foi aplicada (o artigo 2.º) já foi anteriormente
julgada inconstitucional pelo Tribunal Constitucional.
FACULDADE DE DIREITO DA UNIVERSIDADE DO PORTO
Exame de DIREITO CONSTITUCIONAL II
Época de Recurso - 11 de Julho de 2016
Duração: 2h45

I.ANALISE A SEGUINTE HIPÓTESE PRÁTICA (10 VALORES)


1.Em 2 de março de 2010, o Governo aprovou em Conselho de Ministros uma proposta de Lei com o
seguinte teor:
Artigo 1.º – O estado de sítio pode ser declarado pelo Governo em qualquer caso de perturbação da
ordem pública.
Artigo 2.º – Durante a vigência do estado de sítio, os arguidos por crimes praticados contra a ordem
pública são necessariamente sujeitos a prisão preventiva, que se manterá até que a respectiva inocência
seja provada
2.Em maio de 2012, a proposta foi aprovada na generalidade em plenário, na especialidade em comissão,
tendo recebido, na votação final global, 110 votos a favor, 100 contra e 20 abstenções. O diploma foi
enviado para promulgação e recebido a 1 de junho de 2012. A 5 de junho, o Presidente da República
requereu a fiscalização preventiva, por entender que o diploma violava a Lei n.º 44/86 (Regime do estado
de sítio e do estado de emergência).
3. Em 4 de julho de 2012, o Tribunal Constitucional veio a pronunciar-se pela inconstitucionalidade do
decreto, procedendo à respectiva devolução à Assembleia da República.
4. Por seu turno, a Assembleia da República deliberou confirmar o diploma, por 120 votos a favor, 10
contra e 100 abstenções, razão pela qual o Presidente da República o promulgou.
5. Detido preventivamente ao abrigo da nova lei, Carlos pretende interpor recurso perante o Tribunal
Constitucional, com o fundamento de que a norma que lhe foi aplicada (o artigo 2.º) já foi anteriormente
julgada inconstitucional pelo Tribunal Constitucional.

II. ANALISE A SEGUINTE HIPÓTESE PRÁTICA (5 VALORES)


1.Em 3 de março de 2015, um único deputado do partido “x” apresentou uma proposta de lei à
Assembleia da República com o objectivo de criar uma nova prestação social para jovens em situação de
extrema pobreza. (1,25 valores)
2.Apreciado na generalidade, o projecto foi aprovado com o voto favorável de 70 deputados, o voto
contra de 50 e a abstenção dos restantes. Posteriormente, a comissão competente apreciou o projeto de lei
e introduziu uma alteração, aprovada por unanimidade, determinando-se que a prestação social em causa
entraria em vigor logo no início do ano lectivo seguinte (2015/2016). (1,25 valores)
3.O projeto foi, finalmente, aprovado em votação final global, com o voto favorável de 85 deputados, o
voto contra de 50 e a abstenção dos restantes. O decreto foi então enviado ao Presidente da República,
que o vetou politicamente 30 dias depois, por entender que não existiam disponibilidades financeiras para
ser assegurado tal encargo. Face a tal veto, a Assembleia da República confirmou o decreto através do
voto favorável de 105 deputados, o voto contra de 50 e a abstenção dos restantes. O Presidente sentiu-se
obrigado a promulgar o diploma e determinou a sua publicação imediata, sem mais formalidades. (2,5
valores)

III. ANALISE A SEGUINTE HIPÓTESE PRÁTICA (5 VALORES)


1. Em 28 de abril de 2015, mediante proposta de Lei apresentada pela Assembleia legislativa
Regional da Madeira, a Assembleia da República aprovou por 110 votos a favor, 55 votos contra e
abstenções dos restantes deputados, uma lei orgânica que integrava as seguintes duas normas:
“Artigo 1.º - O financiamento das regiões autónomas assenta nos impostos e nas taxas cobrados na
respectiva região.(...)
Artigo 47.º - O registo de navios da Madeira integra todos os navios cujo registo aí seja solicitado,
independentemente da área de navegação ”.
Posteriormente o Governo, por Decreto-Lei, decidiu alterar o artigo 47.º, estipulando que o respectivo
regime também se aplica à Região Autónoma dos Açores. (2,5 valores)
2. Quinze dias depois, o Presidente da República, tendo recebido o respectivo decreto para
promulgação, solicitou ao Tribunal Constitucional a fiscalização da norma em causa, por entender que um
Decreto-Lei não poderia alterar uma Lei Orgânica ainda que nada tivesse mencionado no requerimento. O
Tribunal Constitucional respondeu trinta dias depois, pronunciando-se pela não inconstitucionalidade da
norma em causa. (2,5 valores)
FACULDADE DE DIREITO DA UNIVERSIDADE DO PORTO
Exame de DIREITO CONSTITUCIONAL I e II
Época de Recurso - 11 de Julho de 2016

Duração: 2h45
I. (10 valores; 2 valores cada)
1. Conceito de forma de Estado, formas de Estado federal, distinção entre formas de Estado simples e
composto; distinção entre constituições rígidas e flexíveis, formas institucionalizadas de participação dos
Estados federados, o exemplo da constituição dos EUA
2. As teorias explicativas da Constituição; o positivismo em contraponto com outros fundamentos (v.g.
sociológico ou jusnaturalista, identificação dos autores)
3. Sistema de governo semipresidencial e os vários critérios propostos para a sua densificação, evolução
76/82; a coabitação como determinante para a perspectiva da ciência política
4.Principio da tipicidade e da paridade: concretização e explanação; o artigo 112º CRP
5. A distinção dos actos do Estado correspondentes a cada função, lei formal e lei material; a posição
formalista do TC quanto ao objecto de controlo
II. (10 valores: 2 valores cada)
1.Iniciativa legislativa genérica do Governo; matéria de reserva de lei orgânica (artigo 164.º, alínea e);
Artigo 1.º: declaração do estado de sítio como expressão da separação e interdependência de poderes na
CRP: exemplo de poder (duplamente) condicionado do Presidente da República; violação grosseira dos
artigos 19.º, n.º 2, e 134.º, alínea d), e do princípio da proporcionalidade (nas suas várias dimensões);
inconstitucionalidades materiais particularmente graves; Artigo 2.º: inconstitucionalidade material, por
violação da garantia da presunção de inocência (artigo 32.º, n.º 6) e da regra do carácter excecional da
prisão preventiva (artigo 28.º, n.º 2); eventual usurpação da função jurisdicional (artigo 202.º, n.º 2) pela
função legislativa, com o correspondente desvalor da inexistência;
2.Vicissitudes da iniciativa (artigo 167.º, n.os 4 a 6); violação da regra do artigo 168.º, n.º 4, quanto à
votação na especialidade; inconstitucionalidade formal; Violação da regra do artigo 168.º, n.º 5, quanto à
votação final; inconstitucionalidade formal; Tratando-se de lei orgânica, alargamento da iniciativa às
entidades referidas no artigo 278.º, n.º 4, ainda que não tenha sido prejudicada no caso;
3. A fiscalização preventiva está cingida ao controlo da constitucionalidade (artigo 278.º, n.º 1), pelo que
o pedido teria de ser corrigido; Pronúncia fora do prazo (278.º, n.º 8); irrelevância ou ineficácia da
decisão posterior; Ofensa ao artigo 279.º, n.º 1, na medida em que é o Presidente da República que deve
vetar e devolver o decreto à Assembleia da República; inconstitucionalidade formal;
4. Não tendo sido atingida a maioria prevista no artigo 279.º, n.º 2, o Presidente da República está
impedido de promulgar; inconstitucionalidade formal geradora de inexistência jurídica;
5. Carlos não pode recorrer directamente ao Tribunal Constitucional; Todavia, no âmbito
do processo crime, pode suscitar a questão da constitucionalidade; Recurso obrigatório para o MP?;
efeitos das decisões em cada processo
(...).
FACULDADE DE DIREITO DA UNIVERSIDADE DO PORTO
Exame de DIREITO CONSTITUCIONAL II
Época de Recurso - 11 de Julho de 2016
Critérios indicativos de correcção

I (10 valores:2 valores cada)


1.Iniciativa legislativa genérica do Governo; matéria de reserva de lei orgânica (artigo 164.º, alínea e);
Artigo 1.º: declaração do estado de sítio como expressão da separação e interdependência de poderes na
CRP: exemplo de poder (duplamente) condicionado do Presidente da República; violação grosseira dos
artigos 19.º, n.º 2, e 134.º, alínea d), e do princípio da proporcionalidade (nas suas várias dimensões);
inconstitucionalidades materiais particularmente graves; Artigo 2.º: inconstitucionalidade material, por
violação da garantia da presunção de inocência (artigo 32.º, n.º 6) e da regra do carácter excecional da
prisão preventiva (artigo 28.º, n.º 2); eventual usurpação da função jurisdicional (artigo 202.º, n.º 2) pela
função legislativa, com o correspondente desvalor da inexistência;
2.Vicissitudes da iniciativa (artigo 167.º, n.os4 a 6); violação da regra do artigo 168.º, n.º 4, quanto à
votação na especialidade; inconstitucionalidade formal; Violação da regra do artigo 168.º, n.º 5, quanto à
votação final; inconstitucionalidade formal; Tratando-se de lei orgânica, alargamento da iniciativa às
entidades referidas no artigo 278.º, n.º 4, ainda que não tenha sido prejudicada no caso;
3. A fiscalização preventiva está cingida ao controlo da constitucionalidade (artigo 278.º, n.º 1), pelo que
o pedido teria de ser corrigido; Pronúncia fora do prazo (278.º, n.º 8); irrelevância ou ineficácia da
decisão posterior; Ofensa ao artigo 279.º, n.º 1, na medida em que é o Presidente da República que deve
vetar e devolver o decreto à Assembleia da República; inconstitucionalidade formal;
4. Não tendo sido atingida a maioria prevista no artigo 279.º, n.º 2, o Presidente da República está
impedido de promulgar; inconstitucionalidade formal geradora de inexistência jurídica;
5. Carlos não pode recorrer directamente ao Tribunal Constitucional; Todavia, no âmbito
do processo crime, pode suscitar a questão da constitucionalidade; Recurso obrigatório para o MP?;
efeitos das decisões em cada processo
(...).

II. (5 valores)
1. (1,25 valores) identificação da matéria, regime material de direitos, segurança social e protecção
da juventude
2. (1,25 valores) vicissitudes de iniciativa, dispositivo travão
3. (2,5 valores) análise da actuação do PR quanto ao veto político e da susceptibilidade de
confirmação pela AR, actuação do PR pós confirmação

III. ( 5 valores)
1.(2,5 valores) identificação da matéria, âmbito regional da legislação
2.(2,5 valores) vicissitudes de iniciativa, actuação do PR e do TC, princípios de processo constitucional

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