Poligamia
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Esta página cita fontes, mas que não cobrem todo o conteúdo. Ajude a inserir referências (Encontre
fontes: ABW • CAPES • Google (notícias • livros • acadêmico)). (Outubro de 2012)
Poligamia humana legalizada em legislação;
Poligamia não regulada: nem reconhecida, nem criminalizada;
Poligamia humana criminalizada em legislação;
Outros: 1Índia, Filipinas, Singapura, Malasia e Sri Lanka: legal só para Muçulmanos.
2Eritrea: Só os muçulmanos podem legalmente contrair casamentos poligâmicos em certos países e
regiões sob a lei da xaria que o permita.
3República da Maurícia: uniões polígamas não são legalmente reconhecidas. Os homens muçulmanos
podem "se casar" com quatro mulheres, que, no entanto, não gozam do estatuto legal de esposas..
Poligamia é a união reprodutiva entre três ou mais indivíduos de uma espécie. Na maioria dos países do
mundo ocidental, a poligamia é um crime onde uma pessoa no casamento civil está casada com mais de
uma pessoa ao mesmo tempo, sem antes ter passado pelo divórcio. Exemplo: quando um homem tem
duas esposas em papel e não se divorciou de uma delas para poder se casar legalmente com a outra e
acaba mantendo um casamento com as duas mulheres ao mesmo tempo.
No reino animal, a poligamia se refere à relação onde os animais mantém mais de um vínculo sexual no
período de reprodução. Nos humanos, a poligamia é o casamento ou a união conjugal entre três ou mais
pessoas. Os casos mais típicos são a poliginia, em que um homem é casado com duas ou mais mulheres,
e a poliandria, em que uma mulher vive casada com dois ou mais homens. Mas também existem casos
de poliginandria, em que dois ou mais homens se unem a duas ou mais mulheres. Não deve confundir-se
com o amantismo, que é também comum nas sociedades humanas, mas em que o laço com um parceiro
sexual para além do casamento não é, nem aceite pela lei, nem na maior parte das vezes, de
conhecimento público.[1]
Em 2009, a poligamia era legal ou considerada aceitável por grande parte da população em 32 países, 25
deles em África e 7 na Ásia.[2] A prática cultural da poligamia ao redor do mundo é menos comum que a
prática da monogamia.[3] Em culturas que praticam a poligamia, sua prevalência entre a população está
frequentemente ligada à classe e ao status socioeconômico.[4]
De um ponto de vista legal, em muitos países, embora o casamento seja legalmente monogâmico (uma
pessoa só pode ter um cônjuge e a bigamia é ilegal), o adultério não é ilegal, levando a uma situação de
poligamia de fato permitida, embora sem reconhecimento de "cônjuges" não oficiais.
História
Na África, nas Américas e no Sudeste Asiático na Era Pré-moderna, cerca de 1600 a.C. a 600 a.C.; Tanto a
monogamia quanto a poligamia ocorriam. A poligamia ocorria mesmo em áreas onde a monogamia era
prevalente. A riqueza desempenhava um papel fundamental no desenvolvimento da vida familiar
durante esses tempos. Riqueza significava que os homens mais poderosos tinham uma esposa principal
e várias esposas secundárias, o que era conhecido como poliginia de recursos. Os governantes locais das
aldeias geralmente tinham a maioria das esposas como sinal de poder e status. Os conquistadores das
aldeias frequentemente se casariam com as filhas dos ex-líderes como símbolo da conquista. A prática da
poliginia de recursos continuou com a disseminação e expansão do islamismo na África e no Sudeste
Asiático. As crianças nascidas nessas famílias foram consideradas livres. As crianças nascidas de
concubinas livres ou escravas eram livres, mas tinham menor status do que aquelas nascidos das
esposas. Os arranjamentos variaram entre as áreas. Na África, cada esposa geralmente tinha sua própria
casa, bem como propriedade e animais. A ideia de que toda propriedade era de propriedade do marido
originou-se no Antigo Oriente Próximo e não foi reconhecida na África. Em muitas outras partes do
mundo, as esposas viviam juntas em reclusão, sob uma casa. Um harém (também conhecido como uma
área proibida) era uma parte especial da casa para as esposas.[5]
Laura Betzig argumenta que, "nas seis grandes civilizações altamente estratificadas, as camadas menos
favorecidas eram geralmente monogâmicas, não obstante as elites praticavam a poliginia de fato. Estes
estados incluíam: a Mesopotâmia, o Antigo Egito, o Império Asteca, o Império Inca, a Índia Antiga e a
China Antiga."[6]
A questão sempre esteve também no centro do debate religioso. O Velho Testamento fala de um
personagem como Jacó, que teve duas mulheres, duas servas e doze filhos (vários deles com as servas).
Essa prole viria a dar origem às doze tribos de Israel. No Judaísmo, a poliginia foi proibida pelos rabinos,
não por Deus. O rabino Gershom ben Judah recebeu o crédito da proibição da poligamia, que ocorreu
somente no século XI d.C. Já os cristãos, reduziram o número de famílias onde ocorria a poliginia
gradativamente após as intervenções dos romanos na Igreja Católica, já que esses, diferentemente dos
antigos hebreus, possuíam hábitos monogâmicos.
No Islão, por outro lado, ela tem sido praticada desde os tempos pré islâmicos (o próprio profeta Maomé
teve 9 ou 11 casamentos simultâneos[7][8][9]).[carece de fontes] mas as mulheres muçulmanas não
podem se casar mais de uma vez em qualquer situação. Segundo os crentes, a razão para não permitir
que as mulheres muçulmanas tenham mais do que um marido é que o Islã tornou o homem o chefe da
família, e isso iria contra o conceito de família que o Islã quer promover.[carece de fontes] O Alcorão
sugere a poligamia como uma alternativa ao homem para que tenha muitos matrimônios. indicando que
este deve tomar duas, três ou quatro esposas, porém se não for capaz de lidar justamente com elas,
deve se restringir a apenas uma esposa.[10] Hoje, continua a ser adotado em alguns países muçulmanos
e em processo de adoção em outros, o costume é regulamentado pelo Alcorão que tolera a poligamia e
permite um máximo de 4 esposas.[11]
Entre os hindus, o Rig Veda menciona que durante a civilização védica da Índia Antiga, um homem
poderia ter mais de uma esposa.[12] A prática é atestada em épicos como Ramayana e Mahabharata. Os
Dharmashastras permitem que um homem se case com mulheres de castas inferiores desde que a
primeira esposa seja de casta igual a sua. Apesar de sua existência, era mais comumente praticado por
homens de castas mais altas e com status mais elevado. As pessoas comuns só tiveram permissão para
um segundo casamento se a primeira esposa não pudesse ter um filho.[13]
Na Índia o número de esposas está ligado ao sistema de castas: um Brâmane (clero hindu) poderia ter
quatro esposas na ordem direta das (quatro) castas; Um Xátria (nobreza), três; Um Vaixá (comerciantes),
duas; Um Sudra (servos), uma só.[14] Em 1955 o Parlamento indiano, como parte de políticas de
combate a discriminação com base na casta, tornou a poligamia ilegal para todos na Índia, exceto para os
muçulmanos. Antes de 1955, a poligamia era permitida para os hindus. A Constituição Indiana rejeita a
discriminação com base na casta, em consonância com os princípios democráticos e seculares que
fundaram a nação. As leis de casamento na Índia dependem da religião das partes em questão.
Já na China Antiga, os imperadores poderiam e muitas vezes tinham centenas de milhares de
concubinas. Funcionários ricos e comerciantes da elite também tinham concubinas além das esposas
legais. A poligamia foi de fato amplamente praticada na República da China de 1911 a 1949, antes que o
Kuomintang fosse derrotado na Guerra Civil e forçado a recuar para Taiwan. No entanto, a revolução
comunista na China mudou essas ideias, já que os revolucionários comunistas na China consideravam a
monogamia como meio de dar às mulheres e aos homens direitos iguais em casamento. O governo
comunista recém formado estabeleceu a monogamia como a única forma jurídica de casamento.[15]
Causas
A poligamia faz parte da cultura de várias sociedades humanas, mas tem geralmente causas econômicas.
[carece de fontes] Como consequência das guerras, em que muitos povos estiveram envolvidos e em
que participavam principalmente os homens, muitas mulheres (e seus filhos) ficavam viúvas (e órfãos) e
uma forma de prestar assistência a essas pessoas sem meios de subsistência, era o casamento. Outras
causas incluem o êxodo rural, em que muitos homens trocam o campo pela cidade, ou migram para
outros países, em busca de emprego, deixando um "excesso" de mulheres nas aldeias.[1]
Por região
África
A poligamia é uma prática frequente na África e no Médio Oriente, uma vez que a segunda religião no
continente africano mais praticada é a muçulmana, sendo esta religião forte propagadora da prática,
devido o livro sagrado dessa fé, o Alcorão, prever que um homem pode possuir até quatro mulheres,[16]
contando que ele consiga dar atenção e boas condições a cada uma delas. Nesse sentido, a religião
entende ser melhor a sinceridade com as parceiras do que a mentira na relação. Embora a poliginia seja
mais comum, a poliandria também existe. Estas práticas não estão associadas ao patriarcado ou à
sociedade matriarcal, ainda existentes em África, mas às condições de vida na zona rural e
principalmente a cultura muçulmana lá existente, embora possam verificar-se casos isolados na zona
urbana.[1] Em 2013, a antiga oposição líbia aboliu a obrigatoriedade da monogamia, argumentando que
a lei de Muammar al-Gaddafi violava a xaria.[17]
Ásia
Na República da Chechênia, a poligamia foi tornada uma forma legal de casamento. Por outro lado, no
norte da Índia e no Uzbequistão, foram registados casos de poliandria, que também poderiam ser
consideradas uniões múltiplas entre membros de duas famílias.[1]
Brasil
No Brasil a poligamia é considerada crime pelo Código Penal Brasileiro,com pena máxima de 3 anos (para
quem compartilha o cônjuge) a 6 anos (para quem tem vários cônjuges)[18] e o casamento poligâmico
não é válido para o nosso Direito de Família, sendo esta escritura nula, nos termos do artigo 166, por
motivo evidentemente ilícito (contra o direito) e por fraudar norma imperativa que proíbe uniões
formais ou informais poligâmicas.[19]
Em recentes casos o judiciário brasileiro reconheceu a união estável de mais de duas pessoas, embora a
bigamia seja proibida por lei.[20]
No território onde hoje chamam de Brasil, existem povos em que não é incomum a prática da poligamia.
No modelo de poliginia (um homem com duas ou mais mulheres), é conhecido que ocorre atualmente
entre os povos indígenas Xavante, Nambikuára e Tenetehára.[21] Também já foi comum entre os antigos
Tupinambás.[21] Já entre os Xókleng, os modelos de poliandria (uma mulher com dois ou mais homens)
ou de poliginandria (duas ou mais mulheres com dois ou mais homens) são comuns. [21]
Ver também
Poliamor
Amor Livre
Adultério
Sologamia
Não-monogamia
Relacionamento aberto
Casamento Aberto
Situação legal da poligamia no mundo (Wikipédia em inglês)
Monogamia
Poliginia
Poliandria
Poliginandria
Bigamia
Hipergamia
Exogamia
Referências
"Poligamia não deve constituir preocupação social em Angola", Semanário Angolense, Ango Notícias
Departamento de Assuntos Económicos e Sociais (2011). World Marriage Patterns (PDF). [S.l.]: Nações
Unidas. p. 4
Low, B. (1988). «Measures of polygyny in humans». Curr Anthropol. 29: 189–194. doi:10.1086/203627
Golomski, Casey (6 de janeiro de 2016). Wiley Blackwell Encyclopedia of Gender and Sexuality Studies.
[S.l.: s.n.] – via ResearchGate
Wiesner-Hanks, Merry E. Gender in History: Global Perspectives. 2nd ed., Wiley-Blackwell, 2011. (Page
34)
Betzig, Laura (1993). «Sex, succession, and stratification in the first six civilizations: How powerful men
reproduced, passed power on to their sons, and used power to defend their wealth, women, and
children». In: Lee, Ellis. Social Stratification and socioeconomic inequality Vol. 1. Westport CT: Praeger.
pp. 37–74
«Sahih al-Bukhari Book 5 Hadith 268». [Link]. Consultado em 9 de Janeiro de 2018
Delcambre, Anne-Marie (Maio de 2002). «Mahomet et les femmes» (PDF). Clio Voyages Culturels
al -Tabari, Muḥammad ibn Jarīr (1990). The History of Al-Tabari - [Link] -The Last Years of the Prophet
(trad, em lingua inglesa). Albany: The State University of New York Press. pp. 126/141
Alcorão, Sura IV: As Mulheres, 3 [em linha]
Sobre o casamento Islâmico O instituto do casamento no ordenamento jurídico português e nos países
islâmicos - pág. 15 a 20. Miguel Pimenta de Almeida. Visitado em 13 de agosto de 2015.''
Vedic Index of Names and Subjects, Volume 1; Volume 5. [S.l.: s.n.] p. 478
«The Illustrated Encyclopedia of Hinduism: N–Z». p. 514
«XXIV.». [Link]
Cheng, C. (1991). A speculative analysis of socio-economic influences on the fertility transition in China.
Asia-Pacific Population Journal, 6, 3-24.
«Onde ainda se pratica poligamia no mundo? | Mundo Estranho». Mundo Estranho. 7 de junho de 2010
Women face setbacks in new Libya
«Poligamia dá cadeia? | Superinteressante». Superinteressante. 31 de agosto de 2006
«Sobre poligamia e escritura pública, doutrina que afaga é a mesma que apedreja». Consultor Jurídico
«Primeiro a ter união estável com 2 mulheres no Rio fala sobre a relação». Rio de Janeiro. 5 de abril de
2016
MELLATI. «Amor e Casamento» (PDF)
Ligações externas
Procure por poligamia no Wikcionário, o dicionário livre.
«The Four Major Periods of Mormon Polygamy». , essay by Todd M. Compton, hosted by Signature
Books
Polygamy in Africa
History of Polygamy in Judaism
LIFE With Polygamists, 1944- slideshow by LIFE (revista)
Liberal Feminism and the Ethics of Polygamy, by Simon May, Department of Philosophy, Virginia Tech,
Blacksburg, Virginia, US
Poligamia é a união reprodutiva entre três ou mais indivíduos de uma espécie. Na maioria dos países do
mundo ocidental, a poligamia é um crime onde uma pessoa no casamento civil está casada com mais de
uma pessoa ao mesmo tempo, sem antes ter passado pelo divórcio. Exemplo: quando um homem tem
duas esposas em papel e não se divorciou de uma delas para poder se casar legalmente com a outra e
acaba mantendo um casamento com as duas mulheres ao mesmo tempo.
No reino animal, a poligamia se refere à relação onde os animais mantém mais de um vínculo sexual no
período de reprodução. Nos humanos, a poligamia é o casamento ou a união conjugal entre três ou mais
pessoas. Os casos mais típicos são a poliginia, em que um homem é casado com duas ou mais mulheres,
e a poliandria, em que uma mulher vive casada com dois ou mais homens. Mas também existem casos
de poliginandria, em que dois ou mais homens se unem a duas ou mais mulheres. Não deve confundir-se
com o amantismo, que é também comum nas sociedades humanas, mas em que o laço com um parceiro
sexual para além do casamento não é, nem aceite pela lei, nem na maior parte das vezes, de
conhecimento público.[1]
Em 2009, a poligamia era legal ou considerada aceitável por grande parte da população em 32 países, 25
deles em África e 7 na Ásia.[2] A prática cultural da poligamia ao redor do mundo é menos comum que a
prática da monogamia.[3] Em culturas que praticam a poligamia, sua prevalência entre a população está
frequentemente ligada à classe e ao status socioeconômico.[4]
De um ponto de vista legal, em muitos países, embora o casamento seja legalmente monogâmico (uma
pessoa só pode ter um cônjuge e a bigamia é ilegal), o adultério não é ilegal, levando a uma situação de
poligamia de fato permitida, embora sem reconhecimento de "cônjuges" não oficiais.
História
Na África, nas Américas e no Sudeste Asiático na Era Pré-moderna, cerca de 1600 a.C. a 600 a.C.; Tanto a
monogamia quanto a poligamia ocorriam. A poligamia ocorria mesmo em áreas onde a monogamia era
prevalente. A riqueza desempenhava um papel fundamental no desenvolvimento da vida familiar
durante esses tempos. Riqueza significava que os homens mais poderosos tinham uma esposa principal
e várias esposas secundárias, o que era conhecido como poliginia de recursos. Os governantes locais das
aldeias geralmente tinham a maioria das esposas como sinal de poder e status. Os conquistadores das
aldeias frequentemente se casariam com as filhas dos ex-líderes como símbolo da conquista. A prática da
poliginia de recursos continuou com a disseminação e expansão do islamismo na África e no Sudeste
Asiático. As crianças nascidas nessas famílias foram consideradas livres. As crianças nascidas de
concubinas livres ou escravas eram livres, mas tinham menor status do que aquelas nascidos das
esposas. Os arranjamentos variaram entre as áreas. Na África, cada esposa geralmente tinha sua própria
casa, bem como propriedade e animais. A ideia de que toda propriedade era de propriedade do marido
originou-se no Antigo Oriente Próximo e não foi reconhecida na África. Em muitas outras partes do
mundo, as esposas viviam juntas em reclusão, sob uma casa. Um harém (também conhecido como uma
área proibida) era uma parte especial da casa para as esposas.[5]
Laura Betzig argumenta que, "nas seis grandes civilizações altamente estratificadas, as camadas menos
favorecidas eram geralmente monogâmicas, não obstante as elites praticavam a poliginia de fato. Estes
estados incluíam: a Mesopotâmia, o Antigo Egito, o Império Asteca, o Império Inca, a Índia Antiga e a
China Antiga."[6]
A questão sempre esteve também no centro do debate religioso. O Velho Testamento fala de um
personagem como Jacó, que teve duas mulheres, duas servas e doze filhos (vários deles com as servas).
Essa prole viria a dar origem às doze tribos de Israel. No Judaísmo, a poliginia foi proibida pelos rabinos,
não por Deus. O rabino Gershom ben Judah recebeu o crédito da proibição da poligamia, que ocorreu
somente no século XI d.C. Já os cristãos, reduziram o número de famílias onde ocorria a poliginia
gradativamente após as intervenções dos romanos na Igreja Católica, já que esses, diferentemente dos
antigos hebreus, possuíam hábitos monogâmicos.
No Islão, por outro lado, ela tem sido praticada desde os tempos pré islâmicos (o próprio profeta Maomé
teve 9 ou 11 casamentos simultâneos[7][8][9]).[carece de fontes] mas as mulheres muçulmanas não
podem se casar mais de uma vez em qualquer situação. Segundo os crentes, a razão para não permitir
que as mulheres muçulmanas tenham mais do que um marido é que o Islã tornou o homem o chefe da
família, e isso iria contra o conceito de família que o Islã quer promover.[carece de fontes] O Alcorão
sugere a poligamia como uma alternativa ao homem para que tenha muitos matrimônios. indicando que
este deve tomar duas, três ou quatro esposas, porém se não for capaz de lidar justamente com elas,
deve se restringir a apenas uma esposa.[10] Hoje, continua a ser adotado em alguns países muçulmanos
e em processo de adoção em outros, o costume é regulamentado pelo Alcorão que tolera a poligamia e
permite um máximo de 4 esposas.[11]
Entre os hindus, o Rig Veda menciona que durante a civilização védica da Índia Antiga, um homem
poderia ter mais de uma esposa.[12] A prática é atestada em épicos como Ramayana e Mahabharata. Os
Dharmashastras permitem que um homem se case com mulheres de castas inferiores desde que a
primeira esposa seja de casta igual a sua. Apesar de sua existência, era mais comumente praticado por
homens de castas mais altas e com status mais elevado. As pessoas comuns só tiveram permissão para
um segundo casamento se a primeira esposa não pudesse ter um filho.[13]
Na Índia o número de esposas está ligado ao sistema de castas: um Brâmane (clero hindu) poderia ter
quatro esposas na ordem direta das (quatro) castas; Um Xátria (nobreza), três; Um Vaixá (comerciantes),
duas; Um Sudra (servos), uma só.[14] Em 1955 o Parlamento indiano, como parte de políticas de
combate a discriminação com base na casta, tornou a poligamia ilegal para todos na Índia, exceto para os
muçulmanos. Antes de 1955, a poligamia era permitida para os hindus. A Constituição Indiana rejeita a
discriminação com base na casta, em consonância com os princípios democráticos e seculares que
fundaram a nação. As leis de casamento na Índia dependem da religião das partes em questão.
Já na China Antiga, os imperadores poderiam e muitas vezes tinham centenas de milhares de
concubinas. Funcionários ricos e comerciantes da elite também tinham concubinas além das esposas
legais. A poligamia foi de fato amplamente praticada na República da China de 1911 a 1949, antes que o
Kuomintang fosse derrotado na Guerra Civil e forçado a recuar para Taiwan. No entanto, a revolução
comunista na China mudou essas ideias, já que os revolucionários comunistas na China consideravam a
monogamia como meio de dar às mulheres e aos homens direitos iguais em casamento. O governo
comunista recém formado estabeleceu a monogamia como a única forma jurídica de casamento.[15]
Causas
A poligamia faz parte da cultura de várias sociedades humanas, mas tem geralmente causas econômicas.
[carece de fontes] Como consequência das guerras, em que muitos povos estiveram envolvidos e em
que participavam principalmente os homens, muitas mulheres (e seus filhos) ficavam viúvas (e órfãos) e
uma forma de prestar assistência a essas pessoas sem meios de subsistência, era o casamento. Outras
causas incluem o êxodo rural, em que muitos homens trocam o campo pela cidade, ou migram para
outros países, em busca de emprego, deixando um "excesso" de mulheres nas aldeias.[1]
Por região
África
A poligamia é uma prática frequente na África e no Médio Oriente, uma vez que a segunda religião no
continente africano mais praticada é a muçulmana, sendo esta religião forte propagadora da prática,
devido o livro sagrado dessa fé, o Alcorão, prever que um homem pode possuir até quatro mulheres,[16]
contando que ele consiga dar atenção e boas condições a cada uma delas. Nesse sentido, a religião
entende ser melhor a sinceridade com as parceiras do que a mentira na relação. Embora a poliginia seja
mais comum, a poliandria também existe. Estas práticas não estão associadas ao patriarcado ou à
sociedade matriarcal, ainda existentes em África, mas às condições de vida na zona rural e
principalmente a cultura muçulmana lá existente, embora possam verificar-se casos isolados na zona
urbana.[1] Em 2013, a antiga oposição líbia aboliu a obrigatoriedade da monogamia, argumentando que
a lei de Muammar al-Gaddafi violava a xaria.[17]
Ásia
Na República da Chechênia, a poligamia foi tornada uma forma legal de casamento. Por outro lado, no
norte da Índia e no Uzbequistão, foram registados casos de poliandria, que também poderiam ser
consideradas uniões múltiplas entre membros de duas famílias.[1]
Brasil
No Brasil a poligamia é considerada crime pelo Código Penal Brasileiro,com pena máxima de 3 anos (para
quem compartilha o cônjuge) a 6 anos (para quem tem vários cônjuges)[18] e o casamento poligâmico
não é válido para o nosso Direito de Família, sendo esta escritura nula, nos termos do artigo 166, por
motivo evidentemente ilícito (contra o direito) e por fraudar norma imperativa que proíbe uniões
formais ou informais poligâmicas.[19]
Em recentes casos o judiciário brasileiro reconheceu a união estável de mais de duas pessoas, embora a
bigamia seja proibida por lei.[20]
No território onde hoje chamam de Brasil, existem povos em que não é incomum a prática da poligamia.
No modelo de poliginia (um homem com duas ou mais mulheres), é conhecido que ocorre atualmente
entre os povos indígenas Xavante, Nambikuára e Tenetehára.[21] Também já foi comum entre os antigos
Tupinambás.[21] Já entre os Xókleng, os modelos de poliandria (uma mulher com dois ou mais homens)
ou de poliginandria (duas ou mais mulheres com dois ou mais homens) são comuns. [21]
Ver também
Poliamor
Amor Livre
Adultério
Sologamia
Não-monogamia
Relacionamento aberto
Casamento Aberto
Situação legal da poligamia no mundo (Wikipédia em inglês)
Monogamia
Poliginia
Poliandria
Poliginandria
Bigamia
Hipergamia
Exogamia
Referências
"Poligamia não deve constituir preocupação social em Angola", Semanário Angolense, Ango Notícias
Departamento de Assuntos Económicos e Sociais (2011). World Marriage Patterns (PDF). [S.l.]: Nações
Unidas. p. 4
Low, B. (1988). «Measures of polygyny in humans». Curr Anthropol. 29: 189–194. doi:10.1086/203627
Golomski, Casey (6 de janeiro de 2016). Wiley Blackwell Encyclopedia of Gender and Sexuality Studies.
[S.l.: s.n.] – via ResearchGate
Wiesner-Hanks, Merry E. Gender in History: Global Perspectives. 2nd ed., Wiley-Blackwell, 2011. (Page
34)
Betzig, Laura (1993). «Sex, succession, and stratification in the first six civilizations: How powerful men
reproduced, passed power on to their sons, and used power to defend their wealth, women, and
children». In: Lee, Ellis. Social Stratification and socioeconomic inequality Vol. 1. Westport CT: Praeger.
pp. 37–74
«Sahih al-Bukhari Book 5 Hadith 268». [Link]. Consultado em 9 de Janeiro de 2018
Delcambre, Anne-Marie (Maio de 2002). «Mahomet et les femmes» (PDF). Clio Voyages Culturels
al -Tabari, Muḥammad ibn Jarīr (1990). The History of Al-Tabari - [Link] -The Last Years of the Prophet
(trad, em lingua inglesa). Albany: The State University of New York Press. pp. 126/141
Alcorão, Sura IV: As Mulheres, 3 [em linha]
Sobre o casamento Islâmico O instituto do casamento no ordenamento jurídico português e nos países
islâmicos - pág. 15 a 20. Miguel Pimenta de Almeida. Visitado em 13 de agosto de 2015.''
Vedic Index of Names and Subjects, Volume 1; Volume 5. [S.l.: s.n.] p. 478
«The Illustrated Encyclopedia of Hinduism: N–Z». p. 514
«XXIV.». [Link]
Cheng, C. (1991). A speculative analysis of socio-economic influences on the fertility transition in China.
Asia-Pacific Population Journal, 6, 3-24.
«Onde ainda se pratica poligamia no mundo? | Mundo Estranho». Mundo Estranho. 7 de junho de 2010
Women face setbacks in new Libya
«Poligamia dá cadeia? | Superinteressante». Superinteressante. 31 de agosto de 2006
«Sobre poligamia e escritura pública, doutrina que afaga é a mesma que apedreja». Consultor Jurídico
«Primeiro a ter união estável com 2 mulheres no Rio fala sobre a relação». Rio de Janeiro. 5 de abril de
2016
MELLATI. «Amor e Casamento» (PDF)
Ligações externas
Procure por poligamia no Wikcionário, o dicionário livre.
«The Four Major Periods of Mormon Polygamy». , essay by Todd M. Compton, hosted by Signature
Books
Polygamy in Africa
History of Polygamy in Judaism
LIFE With Polygamists, 1944- slideshow by LIFE (revista)
Liberal Feminism and the Ethics of Polygamy, by Simon May, Department of Philosophy, Virginia Tech,
Blacksburg, Virginia, US
Há muito que procuramos pesquisar a respeito do casamento africano, angolano em particular,
queríamos perceber três aspectos sobre o casamento na concepção africana (angolana): (i) o casamento
endogâmico, (ii) o casamento exogâmico e (iii) a poligamia.
Infelizmente, pelo facto de, segundo os estudos europeus, durante muito tempo as nossas línguas
angolanas serem ágrafas, inferimos que muitos saberes angolanos se perderam com os ventos e sopros
da vida, embora haja resquícios de mais-velhos que preservaram estes saberes graças ao njango, às
mulembeiras, etc.
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Sobre o tema em discussão, primeiro, gostávamos de deixar claro que as palavras têm poder nas suas
próprias línguas, isto é, o impacto semântico da unidade lexical “poligamia” nas línguas europeias já
espelha pitada de negatividade, por isso, para os europeus, falar de poligamia pode ser referente à
imoralidade.
Como não encontramos uma palavra para a substituir, trouxemos a palavra poligamia para expressar
mais de um casamento realizado na conservatória, igreja ou mesmo na família (alembamento).
O motivo que nos leva a trazer o tema poligamia versus imoralidade sexual é a forma como hoje se
encara a poligamia, isto é, fundamentada como um ente originário e identitário do homem africano
(angolano).
Compreende-se que o jovem que tem duas ou mais namoradas, o casado que tem também uma amante
ou duas, o senhor que vive com duas mulheres cujos pais desconhecem o facto, o jovem que não tem
esposa, mas tem sempre mulheres com as quais se envolve, enfim, são práticas da poligamia de matriz
africana ou angolana.
Como acima dissemos, sempre procuramos estudar sobre a poligamia na concepção africana (angolana),
visto que a nossa idade cronológica não nos permite, senão, à recorrência a mwadikimi (mais-velhos) e,
para o caso concreto, à obra de Armindo Jaime Gomes (Ovimbundu pré-colonial: contribuição ao estudo
sobre os planálticos de Angola), para poder responder ao problema que nos propomos pesquisar.
Os actos acima mencionados não são actos que vislumbram a poligamia na concepção angolana.
O homem angolano (antigo), que preservava a cultura africana ou angolana, era um homem cheio de
moralidade, por isso, os sobas já procuravam resolver esses males que afectavam a comunidade.
A concepção da poligamia angolana esteve enraizada, como apresenta Gomes (2016: 258- 262), no
seguinte: “a bigamia e a poligamia são factos indiscutíveis e conhecidos em língua umbundu como uvala,
quando um homem realiza […] vários matrimónios assumindo-se como esposo”.
Quando se adicionam mulheres em casamento, o acto passa a designar-se de oluvale, do verbo okuvala
(escolher), okuvala ukamba (escolher alguém por amizade) ou okuvaleka (adicionar).
É oluvale a instituição sociocultural planáltica em que um dado homem, na perspectiva de Altuna (cfr.
1993: 341), procura prestigiar-se contraindo vários matrimónios legítimos, em que todas as esposas
gozam dos mesmos direitos e conquistam uma posição social, enquanto mães casadas, que com elas o
homem, marido-pai consolida a sua posição social e a comunidade admite, aceita e respeita as partes
envolvidas desde que tal não invada a moral comunitária”.
Ou seja, na poligamia angolana as famílias são envolvidas, o homem deve ter condições (bens), as
mulheres gozam dos mesmos direitos, a comunidade admite, aceita e respeita, a proposta da segunda
mulher é aprovada pela primeira mulher, a primeira mulher ajuda a preparar o alembamento para a
segunda mulher, etc.
A poligamia, à luz da concepção angolana, é muito importante, porque visa prevenir o homem no que à
imoralidade diz respeito, como disse um mwadikimi: “não deve ter mulheres fora do matrimónio, para
não participar no concubinato, no adultério ou na prostituição, para não ser parte integrante do conflito
que deve gerir”; evita a presença de mães solteiras; combate à prostituição ou práticas similares.
Figuras como bastardo, enteado, madrasta, padrasto, meio-irmão evitavam-se através de casamentos
monogâmicos tutelados e casamentos colectivos autorizados.
Portanto, todo casamento fora da aprovação da mulher, sem anuência das famílias, o envolvimento
sexual sem autorização das famílias, sem alembamentos, e todo acto semelhante é imoralidade, não é
poligamia de matriz africana ou angolana.