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Procedimento Comum no Processo Civil

O documento aborda o procedimento comum no processo civil, detalhando a petição inicial, a cumulação de pedidos e o juízo de admissibilidade. Também discute a contestação, reconvenção, revelia e as fases do procedimento, além de introduzir a tutela provisória e os recursos cabíveis. O texto serve como um guia para a compreensão dos principais aspectos do processo civil brasileiro.

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Procedimento Comum no Processo Civil

O documento aborda o procedimento comum no processo civil, detalhando a petição inicial, a cumulação de pedidos e o juízo de admissibilidade. Também discute a contestação, reconvenção, revelia e as fases do procedimento, além de introduzir a tutela provisória e os recursos cabíveis. O texto serve como um guia para a compreensão dos principais aspectos do processo civil brasileiro.

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Processo Civil

Aula 01
23/03/2022

Técnica de Estudo

 7 Questões na 1ª Fase.

I. PROCEDIMENTO COMUM

Procedimento é uma sequência de atos para que o Poder


Judiciário preste a tutela jurídica (dizer o direito), podendo ser
comum ou especial. Processo de conhecimento é aquele no qual
o autor ainda não possui título executivo judicial, ou seja, o juízo
ainda não “conheceu” a situação em discussão.

O CPC diz expressamente quando cabe o procedimento


especial. Na ausência de determinação legal expressa, aplica-se o
procedimento comum, e, assim, o procedimento comum tem
aplicação residual.

1. Petição Inicial

Em razão do princípio da inércia, o Poder Judiciário precisa ser


provocado para que diga o direito, para que preste a tutela jurídica.
Assim, o processo se inicia com o protocolo e recebimento da
petição inicial, que possui requisitos intrínsecos e extrínsecos.

 Requisitos intrínsecos (Art. 319, CPC):


I) Juízo competente;
II) Qualificação das partes (Pode pedir a expedição de
ofício para tentar localizar a parte – primazia do mérito) -
QUEM;
III) Causa de pedir (Fato + Fundamentação jurídica) – POR
QUÊ;
IV) Pedido – O QUÊ;
V) Valor da causa - QUANTO;
VI) Provas (Espécies de provas – pedido genérico);
VII) Opção pela realização ou não da audiência de
conciliação ou de mediação.
 Requisitos extrínsecos (Art. 320, CPC): documentos
indispensáveis à propositura da ação.

2. Cumulação de pedidos

A cumulação de pedidos é classificada em:

 Própria (Real): formula-se 2 ou mais pedidos, com intuito de


que todos sejam julgados procedentes.
 Simples: julgamento dos pedidos ocorre de forma
independente (Ex.: obrigação de não fazer E reparação de
danos – pedidos não dependem um do outro);
 Sucessiva: julgamento do primeiro pedido depende da
procedência do primeiro (Ex.: reconhecimento de
paternidade E alimentos – 2º pedido depende da
procedência do primeiro).

 Imprópria (Aparente): formula-se 2 ou mais pedidos, com


intuito de que um deles seja julgado procedente.
 Subsidiária/Eventual*: o julgamento do 2º pedido
depende do julgamento improcedente do primeiro, logo há
uma ordem de preferência, com um pedido principal e um
pedido subsidiário (Ex.: obrigação de não fazer – principal
OU reparação de danos - subsidiário);
 Alternativa**: não há ordem de preferência entre os
pedidos (Ex.: entrega da coisa devida OU indenização pela
não entrega).

* Subsidiária/Eventual: valor da causa = valor do pedido principal.

** Alternativa: valor da causa = valor do pedido de maior valor.

Aula 02
06/04/2022
I. PROCEDIMENTO COMUM

3. Juízo de admissibilidade da petição inicial

Não sendo o juízo absolutamente incompetente (Declinar de


ofício, remetendo os autos ao juízo competente), e não sendo o
juiz parcial (impedimento/suspeição), ele poderá adotar uma de
quatro opções:

1. Regularização da petição inicial – EMENDA À INICIAL


(Prazo de 15 dias – juiz deve indicar precisamente os
erros);
2. Indeferimento da petição inicial (330, CPC) – SENTENÇA
TERMINATIVA (485, CPC);
3. Improcedência liminar do pedido (332, CPC) – SENTENÇA
DEFINITIVA (487, CPC);
4. Deferimento da petição inicial – audiência de conciliação ou
de mediação.

Obs.: improcedência liminar = dispensam instrução + pedido


contra precedentes + prescrição/decadência.

Em regra, na apelação é vedada a retratação do juiz, exceto


nas hipóteses de apelação contra sentença terminativa ou sentença
definitiva de improcedência liminar do pedido. Nesse caso, após a
interposição de apelação, o juiz pode se retratar no prazo (impróprio)
de 5 dias.

Conciliaç
ão
Autocomposiç
ão Mediação

Heterocomposi Arbitrage
ção de conciliação ou m
4. Audiência de mediação
Na conciliação, as partes não se conheciam antes do litígio,
assim o conciliador busca solucionar a disputa. Já na mediação o
mediador busca reestabelecer o diálogo entre as partes, que já se
conheciam antes do conflito. A audiência de conciliação e de
mediação é confidencial.

A audiência de conciliação ou de mediação pode ser dividida


em mais de uma sessão, desde que o intervalo entre as audiências
não ultrapasse 2 meses. Na audiência comparecem:

 Parte + advogado;
 Representante da parte + advogado;
 Somente advogado (Procuração com poderes especiais).

No procedimento comum, não haverá audiência de conciliação


ou de mediação quando:

1. Situações em que não é possível/ não se admite a


autocomposição
(Ex.: ação rescisória);
2. Ambas as partes manifestarem expressamente o
desinteresse pela mesma – audiência é cancelada. O réu
terá um prazo de até 10 dias antes da audiência para
peticionar o seu desinteresse na realização da audiência.

O não atendimento à audiência de conciliação ou de mediação


é ato atentatório à dignidade da justiça, punido com multa de até
2% sobre o valor do proveito econômico da causa. A multa é
revertida para o Estado.

A partir da data da audiência de conciliação ou de mediação,


NÃO HAVENDO ACORDO, inicia-se o prazo de 15 dias para o réu
apresentar contestação (335 até 341, CPC). Se ambas as partes
manifestarem desinteresse na realização da audiência, o prazo de
contestação se inicia na data do protocolo da petição em que
manifestou seu desinteresse.

5. Contagem de prazo
Na contagem de prazo processual só se contam dias úteis (Seg-
Sex), exclui-se o dia de início e inclui-se o dia de término. De 20/12 a
20/01, os prazos estão suspensos em função do recesso. A suspensão
paralisa a contagem do prazo processual, mas a interrupção reinicia
a contagem do prazo.

Aula 03
13/04/2022

I. PROCEDIMENTO COMUM
6. Contestação

A contestação é o instrumento pelo qual o réu pode


confrontar as alegações do autor com base em questões de mérito ou
questões preliminares. As preliminares (Art. 337, 13 incisos CPC)
são vícios processuais que o réu alega antes de adentrar o mérito.
Em regra, o juiz pode reconhecer de ofício as preliminares,
excetuando-se:

 Incompetência relativa (337, II, CPC); Requerimento


 Convenção de arbitragem (337, X, CPC) da parte (2
incisos)

Incompetência

 Absoluta: Matéria; Pessoa; Função;


 Relativa: Valor; Território.

Pelo princípio da eventualidade (Arts. 336 e 342, CPC), o réu


deve alegar na contestação toda a matéria de defesa, ainda que
eventualmente contraditória a argumentação de defesa.

Já o princípio da impugnação específica (Art. 341, CPC)


determina que que o réu deverá contestar especificamente os fatos
alegados pelo autor, o que implica que:

 Não se admite contestação por negativa geral;


 Fatos não rebatidos são incontroversos (Art. 374, CPC).

A ilegitimidade passiva (Arts. 338 e 339, CPC) gera ao réu o


dever de indicar ao autor quem é o verdadeiro réu quando souber
quem é. Diante da alegação de ilegitimidade passiva, o autor:
 Manter o réu;
 Trocar o réu (Sucessão);
 Inclusão (Litisconsórcio passivo).
7. Reconvenção
A reconvenção é o contra-ataque do réu quando houver
conexão (Mesmo pedido/causa de pedir) com a ação ou com o
fundamento de defesa. No novo CPC, a reconvenção é parte da
contestação. O valor da causa é requisito da reconvenção.
A desistência da ação, ou qualquer causa que a extinga NÃO
OBSTA O PROSSEGUIMENTO DA AÇÃO. A reconvenção pode ser
apresentada INDEPENDENTEMENTE de contestação (Art. 343, §
6º, CPC).
Pode haver ampliação subjetiva na reconvenção, ou seja, o réu
pode INCLUIR OUTRAS PARTES em litisconsórcio passivo ou ativo.
Não cabe reconvenção nos Juizados Especiais, nos quais cabe
ao réu o pedido contraposto, com base nos mesmos fatos alegados
pelo réu.

7. Revelia (344-349, CPC)


A revelia é a ausência de contestação tempestiva (situação de
fato) do réu.

Efeitos materiais Efeitos processuais


Presunção relativa de Desnecessidade de
veracidade dos fatos intimação do revel, desde
alegados pelo autor. que não tenha advogado
REVELIA
Exceções (Art. 345):
 Litisconsorte contesta;
 Direitos indisponíveis;
 Alegações
inverossímeis.

Aula 04
20/04/2022

I. PROCEDIMENTO COMUM

1. Petição Inicial;
2. Juízo de admissibilidade da inicial;

3. Contestação – 15 dias;

4. Réplica do autor (350 e 351, CPC) – 15 dias;

5. Julgamento conforme o estado do processo:

 Extinção do processo (354, CPC) com ou sem resolução do


mérito;
 Julgamento antecipado do mérito/lide (355, CPC) OU
julgamento antecipado parcial do mérito (356, CPC);
 Saneamento do processo – prova pericial – audiência de
instrução e julgamento;
6. Audiência de instrução e julgamento: 1º autor, 2º réu
 Esclarecimento do perito;
 Depoimento pessoal;
 Testemunhas (total de 10 para cada parte, total de 3 para
cada fato);
7. Razões finais:
 Orais: 20 min + 10 min (prorrogação);
 Escritas: prazo sucessivo de 15 dias (Primeiro para o
autor, depois para o réu);

8. Sentença:

 Relatório;
 Fundamentação;
 Dispositivo.

8. Fases do Procedimento comum

Postulatória – Ordinatória/Saneamento – Instrutória –


Decisória

PROVA
 Juiz pode determinar de ofício a produção de prova;
 Admite-se a prova emprestada, desde que respeitado o
contraditório;
 Princípio da comunhão/aquisição da prova: a prova,
mesmo que produzida por iniciativa de uma das partes,
pertence ao processo e pode ser utilizada por todos os
participantes da relação processual.

O ônus de prova estático (373, CPC) é de quem alega o fato.


Quanto aos fatos constitutivos do direito do autor, sobre ele recai o
ônus de prova. Ainda, o ônus de prova de fatos modificativos,
impeditivos ou extintivos do direito do autor recai sobre o réu.

Na distribuição dinâmica do ônus de prova, o juiz redistribui


o ônus de prova para a parte que tem melhores condições de
produzir a prova, feita por decisão fundamentada, desde que não
resulte em dificuldade excessiva para a outra parte.

Aula 05
02/05/2022

II. TUTELA PROVISÓRIA (Art. 294-311, CPC)

A tutela provisória é fundada na cognição sumária e pode ser


revogada ou alterada a qualquer momento, desde que por decisão
fundamentada do juiz. A tutela provisória pode ser de urgência ou de
evidência.

Tutela de urgência (DANO)

 Antecipada: satisfativa;
 Cautelar: assecuratória, preventiva, garantia;
 Antecedente: o processo não existe ainda, o autor
protocola o pedido de urgência (NÃO HÁ INICIAL);
 Incidental: incide em processo já existente OU incide em
petição inicial já finalizada (acrescenta o pedido de
urgência a uma inicial já finalizada).

O pedido principal é igual ao pedido de urgência? Se sim, a


Tutela de urgência é antecipada. Se não, a tutela de urgência é
cautelar. As tutelas de urgência são dotadas de fungibilidade.

Requisitos para concessão da tutela de urgência (Art. 300,


CPC)

Probabilidade do direito + Perigo de dano/Risco ao resultado útil da


demanda

Art. 300, § 3º, CPC: o juiz só pode conceder a tutela antecipada


quando for reversível. De acordo com a doutrina, esse requisito é
relativo.

Estabilização da tutela (Art. 304, CPC)

Se o juiz conceder a tutela antecipada (satisfativa) requerida


em caráter antecedente, e o réu não recorrer dessa decisão, a tutela
se estabiliza e o processo será extinto.
Contra a decisão que julga procedente a tutela antecipada em
caráter antecedente cabe o recurso de agravo de instrumento. Não
cabe ação rescisória. Após 2 anos da ciência da decisão que
extinguiu o processo, ocorre a estabilização soberana/qualificada da
tutela.

Cautelar antecedente (Art. 305 e ss., CPC)

I. Petição inicial de cautelar antecedente – II. Contestação (5 dias) –


III. Decisão sobre a cautelar – IV. Pedido principal – V. Contestação
– VI. Sentença

O autor tem 30 dias para efetivar a tutela cautelar


antecedente, e mais 30 dias para formular o pedido principal a
contar da efetivação/execução da tutela cautelar antecedente. Nova
cautelar somente é possível com novo fundamento.

A decisão do juiz na cautelar não influencia sua decisão no


pedido principal, salvo se ele reconhecer prescrição ou decadência.

Tutela antecipada antecedente (Art. 303, CPC)

 Não concede a tutela antecipada antecedente – 5 dias para


emendar;
 Concede a tutela antecipada antecedente – mínimo de 15
dias para aditar.

Tutela de evidência (Art. 311, CPC)

I. Abuso do direito de defesa do réu;


II. Documento comprova fatos – Direito demonstrado por
precedente vinculante - LIMINAR;
III. Documento (Contrato de depósito) – Entrega da coisa -
LIMINAR;
IV. Documento comprova fatos – réu não apresenta prova
capaz de gerar dúvida razoável.

Processo Civil II

Aula 06
27/05/2022

RECURSOS

Pronunciamentos judiciais na 1ª instância são o despacho, a


decisão interlocutória, e a sentença. O despacho meramente
impulsiona o trâmite do processo, e não possui conteúdo decisório, e,
por isso, é irrecorrível (Intima a parte para que se manifeste).

Por sua vez, a decisão interlocutória possui conteúdo decisório,


mas não encerra a relação processual (Deferimento de tutela de
urgência). Contra a decisão interlocutória cabe recurso de agravo de
instrumento (Art. 1.015, CPC) ou preliminar de
apelação/contrarrazões de apelação. Contra decisão que indeferiu
produção de prova, cabe apelação após a sentença.

Por fim, a sentença adentra no mérito e encerra a relação


processual na 1ª instância. Contra a sentença cabe recurso de
apelação. Qualquer decisão está sujeita a embargos de declaração.

Prática

1. Identificar qual é a decisão;

2. Define o recurso cabível (Sentença, Agravo de Instrumento ou


Embargos de declaração);

Obs.: no Juizado Especial Cível (Lei 9.099/95), cabe embargos de


declaração e recurso inominado.

Agravo de Instrumento (Art. 1.015, CPC)

 Decisão acerca da tutela provisória;


 Decisão acerca da redistribuição do ônus da prova;
 Decisão acerca do mérito.

TEORIA GERAL DOS RECURSOS

Juízo de admissibilidade

1) Requisitos de admissibilidade (Pressupostos recursais)

Juízo de mérito: analisar as razões recursais.

 Dar provimento;
 Negar provimento.

Requisitos de admissibilidade
1. Cabimento

A lei define qual é o recurso cabível para cada decisão, com


taxatividade e unicidade/unirecorribilidade (Art. 994, CPC). Pelo
princípio da fungibilidade, o tribunal pode conhecer um recurso
erroneamente interposto como outro recurso correto, quando houver
dúvida objetiva e não houver erro grosseiro.

2. Legitimidade recursal (996, CPC)

Pode interpor o recurso a parte vencida, o terceiro interessado


ou o Ministério Público (Parte/Custus juris).

3. Interesse recursal

A parte deve demonstrar a necessidade de recorrer e a


utilidade do recurso para a parte recorrente.

4. Regularidade formal

 Forma escrita, com a exceção dos embargos de declaração


no JEC, que podem ser orais;
 Advogado;
 Agravo de instrumento exige cópias processuais
obrigatórias;
 O relator pode intimar a parte para sanar vícios formais
(932, CPC).

5. Tempestividade (1.003, CPC)

O recurso será tempestivo quando apresentado durante o


prazo recursal (Inclusive antes do prazo). Em regra, o prazo
recursal é de 15 dias úteis contados da publicação da decisão
recorrível. Exceções:

 Embargos de Declaração – 5 dias úteis;


 Recurso Inominado (JEC) – 10 dias úteis.

Possuem prazo em dobro:

 MP;
 Fazenda Pública;
 Defensoria Pública;
 EPJ ou entidade de assistência jurídica gratuita;
 Art. 229, CPC: quando houver litisconsórcio, ativo ou
passivo, e os litisconsortes tiverem advogados diferentes,
de escritórios diferentes, eles têm prazo em dobro.

Aula 07
30/05/2022

TEORIA GERAL DOS RECURSOS

Requisitos de admissibilidade

6. Preparo

A parte recorrente deve pagar as despesas decorrentes do


recurso (1.007, CPC). A despesas do recurso comportam as custas
processuais somadas do porte de remessa e retorno (Autos físicos).

No ato de interposição do recurso, prova-se o pagamento do


preparo (custas + porte de remessa). Ausente o preparo, intima-se o
recorrente na pessoa do advogado para pagar o preparo em dobro.
Se insuficiente o preparo, intima-se o recorrente para
complementar o preparo, e se ele não complementar, ocorre a
deserção do recurso.

Obs.: no JEC, em sede de Recurso Inominado, a juntada das custas


deve ocorrer até 48 horas contadas da interposição do recurso, sob
pena de deserção (Art. 42, § 1º, Lei 9.099/90).

7. Inexistência de fato impeditivo/extintivo do direito de


recorrer

 Renúncia;
 Desistência;
 Aceitação da decisão.

Se o recurso for aprovado no juízo de admissibilidade, ele


passa do juízo a quo (recorrido) para o juízo ad quem (apreciar o
recurso).

Efeitos dos recursos

1. Efeito obstativo: impede o trânsito em julgado da causa.

2. Efeito substitutivo: a decisão recorrida será substituída pela


decisão de mérito do recurso.

3. Efeito expansivo: o recurso pode ampliar, afetando outra parte


(Litisconsorte), como também ampliar os atos judiciais atacados.
4. Efeito devolutivo: o recurso devolve a matéria para a apreciação
do tribunal. O tribunal pode decidir matérias de ordem pública
independente de provocação da parte (Efeito translativo).

5. Efeito regressivo/de retratação: nos agravos, o juízo recorrido


pode se retratar. Na apelação, o juiz pode se retratar quando a
decisão recorrida for:

 Sentença de extinção do processo sem resolução do mérito


– Terminativa (Arts. 331, 485, CPC);
 Sentença de improcedência liminar do pedido (Art. 332,
CPC).

6. Efeito suspensivo: a decisão recorrida não pode ser exigida, não


produz efeitos. O efeito suspensivo decorre da lei OU de decisão
judicial. Em regra, a apelação tem efeito suspensivo, exceto quando
se trata de:

 Tutela provisória;
 Alimentos.

Aula 08
06/06/2022

RECURSOS

EMBARGOS DE DECLARAÇÃO (Art. 1.022 a 1.026, CPC)

1) Cabimento

Qualquer decisão que se apresente com uma omissão,


obscuridade, contradição ou que contenha um erro material.
Omissão é a ausência de decisão sobre pedido formulado pelo autor
(Ex.: não decidiu honorários de sucumbência – Art. 85, §).
Obscuridade é a falta de clareza, de inteligibilidade da decisão.
Contradição é a falta de coerência e lógica da decisão. Erro material
pode ser corrigido de ofício pelo magistrado (494, CPC).

2) Tempestividade

O prazo para a oposição de embargos de declaração é de 5 dias


úteis, salvo o prazo em dobro para a Fazenda Pública, MP,
Defensoria Pública, escritório de prática jurídica e litisconsortes de
advogados diferentes de escritórios diferentes em autos físicos (229,
CPC).

3) Regularidade formal

Apresentado ao juiz que proferiu a decisão, na forma escrita


(Exceto no JEC). Nos embargos de declaração não há preparo.

4) Efeitos

Os embargos de declaração INTERROMPEM o prazo de


recurso, logo o prazo de recurso começa a correr do zero. Se a parte
recorrer e a decisão não tiver sido modificada pelos ED, não precisa
ratificar.

Pelo efeito modificativo (1.023, § 2º, CPC), o juiz intimará o


embargado apresentar, no prazo de 5 dias, contrarrazões aos
embargos, caso seu eventual acolhimento implique a modificação da
decisão embargada.

Em regra, ED não têm efeito suspensivo, salvo requerimento do


embargante.
5) Embargos de declaração protelatórios

A parte que opor embargos de declaração opostos meramente


para atrasar o andamento processual será punida com multa até 2%
do valor da causa (1.026, § 2º, CPC). Se a parte apresentar 2ºs
embargos de declaração protelatórios, a multa será majorada para
10% do valor da causa, sendo o pagamento da multa condição para
interposição de novos recursos (1.026, § 3º, CPC).

Após dois embargos de declaração protelatórios, o terceiro não


será admitido (1.026, § 4º, CPC).

AGRAVO DE INSTRUMENTO (Art. 1.015 a 1.020, CPC)

1) Cabimento

Cabe agravo de instrumento contra decisão interlocutória que


versar sobre:

 Tutela provisória;
 Mérito (Julgamento antecipado do mérito);
 Redistribuição do ônus da prova;
 Rejeita o pedido de Justiça Gratuita;
 Rejeição da alegação de convenção de arbitragem.

Segundo o STJ, cabe agravo de instrumento quando


comprovada a urgência decorrente de inutilidade da questão a ser
discutida na apelação (Ex.: Competência).
2) Tempestividade

O prazo para a oposição de agravo de instrumento é de 15 dias


úteis, salvo o prazo em dobro.

3) Regularidade formal

O agravo de instrumento é protocolado diretamente no


tribunal, obrigatoriamente com cópias do processo e
facultativamente com outras peças úteis, preparo.

Em autos físicos, o agravante deverá, em até 3 dias, juntar ao


processo cópia da petição do agravo de instrumento e do
comprovante de sua interposição sob pena de não conhecimento do
AI (1.018, CPC).

4) Efeitos

Em regra, o agravo de instrumento não tem efeito suspensivo,


mas pode o agravante requerê-lo, demonstrando situação de
urgência. Efeito de retratação (Art. 1.018, § 1º, CPC).

APELAÇÃO (Art. 1.009 ao 1.014, CPC)

1) Cabimento

Cabe a apelação contra qualquer sentença, como também


contra decisões interlocutórias não agraváveis.

2) Tempestividade

O prazo para a oposição de apelação é de 15 dias úteis, salvo o


prazo em dobro.
3) Regularidade formal

São requisitos de regularidade formal da apelação a forma


escrita, o preparo, e a interposição no 1º grau.

4) Efeitos

Efeito regressivo/retratação quando se tratar de sentença


sem resolução do mérito (Ex.: 331, CPC) OU sentença de
improcedência liminar do pedido (332, CPC).

Em regra, a apelação tem efeito suspensivo, exceto quando a


sentença versar sobre alimentos OU tutela provisória.

Aula 09
13/06/2022

RECURSOS

AGRAVO INTERNO (Art. 1.021, CPC)

1) Cabimento

Cabe o agravo interno contra a decisão monocrática/unipessoal


de integrante do Tribunal (Relator, Vice-Presidente do TJ/TRF ou
Presidente do TJ/TRF) com a finalidade de encaminhar a matéria ao
órgão colegiado.

2) Tempestividade

O prazo para a interposição de agravo interno é de 15 dias


úteis.

3) Regularidade formal
O agravo interno deve ser apresentado perante o
desembargador que proferiu a decisão monocrática recorrida, em
forma escrita. Não há preparo. Deve haver a impugnação específica
da decisão monocrática (Atacar a decisão).

4) Efeitos: Efeito de retratação (Todos os agravos permitem a


retratação).

5) Fungibilidade

I. Juiz entende que não é caso de embargos de declaração;


II. Relator recebe como agravo interno;
III. Manda aditar para haver impugnação específica da decisão;
IV. Intima a outra parte a apresentar contrarrazões;
V. Marca sessão de julgamento para apreciar o agravo
interno.

6) Agravo interno manifestamente inadmissível

Se o agravo interno for manifestamente inadmissível, ele é


julgado improcedente e o recorrente deve pagar multa de 1% até 5%
do valor da causa. Para interpor outro recurso, a parte deve fazer o
pagamento da multa.

RECURSO ESPECIAL (Art. 105, CF) E RECURSO


EXTRAORDINÁRIO (Art. 102, CF)

RECURSO RECURSO
ESPECIAL EXTRAORDINÁRIO
Cabimento Ofensa a lei federal; Ofensa à Constituição da
Uniformizar a República;
jurisprudência dos Repercussão geral
Tribunais de 2ª (Requisito de
instância (Dissídio admissibilidade):
jurisprudencial) Transcendência e
relevância social

Tempestivida 15 dias úteis


de

 Razões apresentadas no tribunal recorrido, para o


Regularidade Presidente/Vice do tribunal;
formal  Petição por escrito;
 Preparo.

Presidente/Vice-Presidente do Tribunal:
Processament  Recebe Recurso Especial Repetitivo/Recurso
o Extraordinário Repetitivo (Matéria de direito
material ou processual). Separa (Afeta) 2 ou
mais recursos e os envia ao STJ/STF, e deixa
sobrestados os demais;
 O STJ/STF pode escolher recursos diferentes dos
escolhidos pelo TJ/TRF;
 Todos os recursos ficam suspensos em todo o
território nacional

1) REsp/RExt sobrestado – petição para reconhecer


a intempestividade;
2) Caso sobrestado: distinção – petição para
prosseguimento do processo;
Contra as decisões do Presidente/Vice-Presidente
do TJ/TRF cabe agravo interno/1ª instância: agravo
de instrumento
Aula 10
19/06/2022

RECURSOS

RECURSO ESPECIAL E RECURSO EXTRAORDINÁRIO

Julgamento

1) Julgamento = Tese fixada

Aplica-se aos:

 Processos no tribunal;
 Processos na 1 ª instância.

Fixada a tese, o autor poderá desistir da ação. Não precisa da


concordância do réu.
2) REsp/RExt com tese definida

Se o REsp/RExt já tem tese definida, o recurso é inadmissível.


Da decisão de inadmissibilidade cabe agravo interno.

3) Juízo de admissibilidade:

Requisitos “normais” e requisitos “específicos”:


 Esgotamento das instâncias ordinárias;
 Não cabe reexame de provas;
 Pré-questionamento.

Se o Presidente/Vice-Presidente nega seguimento/inadmissível,


cabe agravo em Recurso Especial e agravo em Recurso
Extraordinário.

Pres./Vice-Pr. + REsp/RExt + Repercussão geral OU Repetitivo =


Agravo interno

Pres./Vice-Pr. + REsp/RExt + Inadmissível = AgREsp/AgRExt

AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL/RECURSO


EXTRAORDINÁRIO

 Prazo: 15 dias;
 Não tem preparo;
 Remessa ao STJ ou STF.

EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA (Arts. 1.043 e 1.044, CPC)

1) Cabimento

Cabe embargos de divergência quando há divergência dentro


do STJ ou STF, ou seja, quando o posicionamento de uma turma for
contrário ao de outra, no julgamento de Recurso Especial ou Recurso
Extraordinário.
2) Tempestividade

Os embargos de divergência têm prazo de 15 dias.

RECURSO ORDINÁRIO CONSTITUCIONAL (Art. 1.027 e 1.028,


CPC)

1) Cabimento

STF: Cabe recurso ordinário (constitucional) para o STF contra


decisão proferida em única instância por tribunal superior, quando
denegatória de Mandado de Segurança, Mandado de Injunção ou de
Habeas Data.

STJ: Cabe recurso ordinário para o STJ contra decisão em


única instância proferida por TJ ou TRF quando denegatória de
Mandado de Segurança. Também cabe RO contra sentença proferida
por Juiz Federal em causas envolvendo Estado estrangeiro ou
Organismo Internacional contra Município ou pessoa residente no
Brasil.

Obs.: da decisão interlocutória agravável proferida por juiz


federal cabe agravo de instrumento para o STJ.

Aula 11
20/06/2022

AÇÃO RESCISÓRIA (Art. 966 e ss., CPC)

A ação rescisória é uma ação de competência originária de


tribunal que visa rescindir a coisa julgada. Logo, seu cabimento
depende de decisão judicial transitada em julgado. São hipóteses de
cabimento da ação rescisória:

 Impedimento do juiz;
 Juízo absolutamente incompetente;
 Prova falsa;
 “Prova nova”;
 Decisão fundada em súmula/decisão em casos repetitivos
não aplicáveis ao caso (Distinção)

Tempestividade: prazo decadencial de 2 anos contados do


trânsito em julgado da última decisão do processo.

Processamento: protocolo diretamente no tribunal que por


último conheceu do caso. A petição inicial requer depósito de 5% de
valor da causa, sob pena de indeferimento.

Pedidos: rescisão do julgado e novo julgamento.

Aula 12
21/06/2022

EXECUÇÃO

Após o trânsito em julgado, o autor redige petição de


cumprimento de sentença com valor atualizado, custas e honorários
advocatícios. Após isso, o devedor poderá efetuar pagamento
voluntário no prazo de 15 dias, o que encerra a execução.

No entanto, decorrido o prazo de 15 dias sem pagamento


voluntário do devedor, recaem sobre ele algumas penalidades:

 Multa de 10%;
 Honorários advocatícios (novos).
A partir do protocolo da petição de cumprimento de sentença,
inicia-se o prazo de 15 dias para apresentação de impugnação ao
cumprimento de sentença pelo devedor, impugnação essa sobre
matéria restrita:

Na impugnação ao cumprimento de sentença, o devedor


poderá alegar:

 Nulidade ou inexistência de citação (Revelia);


 Penhora indevida;
 Pagamento;
 Excesso de execução (Indicar o valor devido +
demonstrativo de cálculos) – deve pagar o valor
incontroverso;

O STF, antes da decisão desse processo, reputou


inconstitucional a lei ou ato normativo, e, portanto, o título executivo
é inexigível e inexequível. Se o STF, depois da decisão do processo,
reputou inconstitucional a lei ou ato normativo, o título executivo é
inexigível e inexequível, cabendo ação rescisória.

Em regra, o cumprimento de sentença não tem efeito


suspensivo, exceto quando pedido pelo autor, observados os
requisitos de perigo de dano, probabilidade do direito e garantia do
juízo.

PROCESSO DE EXECUÇÃO

O processo de execução tem fundamento em título executivo


extrajudicial (Art. 784, CPC):

 Aluguel;
 Contribuição de condomínio;
 Cheque;
 Contrato assinado pelo devedor + 2 testemunhas;
 Transação entre as partes e seus advogados;
 Contrato de honorários advocatícios etc.
São passíveis de execução títulos executivos extrajudiciais
previstos em lei que versem sobre obrigação certa, líquida e exigível
(783, CPC):

 Certa (798, I, CPC): existência;


 Líquida (798, CPC): valor;
 Exigível (783, CPC): atual.

Procedimento

1. Petição Inicial (798, CPC).

2. Citação do executado para pagar, em 3 dias, a quantia devida


(Valor atualizado + Custas + Honorários).

3. Atitudes do executado:

3.1 Pagar integralmente – benefício da metade dos honorários


advocatícios (827, § 1º, CPC);
3.2 Parcelamento legal (916, CPC – não cabe no
cumprimento de sentença):
 Prazo de 15 dias;
 Reconhecer o crédito;
 Depositar no mínimo 30%;
 Restante em até 6x.
3.3 Embargos à execução (914 a 920, CPC).

Embargos à execução (Arts. 914 a 920, CC)

Os embargos à execução são uma ação autônoma (Petição


inicial), tramitando em autos próprios, com prazo de 15 dias úteis
contados da juntada do comprovante de citação (915, CPC –
Tempestividade) individual a cada devedor, sem prazo dobrado.

Nos EE, o executado poderá trazer qualquer matéria de defesa


(917, CPC), inclusive excesso de execução (Valor devido +
Demonstrativo de cálculo). Em regra, não há efeito suspensivo, mas
é possível pedi-lo com fundamento na probabilidade do direito,
perigo de dano e garantia do juízo.
Penhora

A penhora é a garantia do juízo, preferencialmente de bens


indicados pelo credor. Constatado o não pagamento da obrigação, o
credor irá indicar os bens sob os quais recairá a penhora, com ordem
de preferência:

1. Dinheiro (Art. 854, CPC – Penhora eletrônica);

 A ordem de nomeação do dinheiro não tem caráter


absoluto, logo, o credor pode indicar bens que não o
dinheiro (Súmula 417, STJ).

Bens impenhoráveis são aqueles que, em respeito ao direito


fundamental à dignidade da pessoa humana, não podem ser
penhorados em hipótese alguma (833, CPC):

 Salário, proventos, remuneração, pensão (Exceto credor de


alimentos);
 Poupança até 40 SM (Sem limite para credor de alimentos);
 Bem de família (Lei 8.009/90), inclusive de morador único
(Súm. 364, STJ) e de imóvel locado pelo morador para
sustento próprio (Súm. 486, STJ);
 Faturamento de empresa, em percentual razoável
determinado pelo juiz (866, CPC).

Aula 13
22/06/2022
INTERVENÇÃO DE TERCEIROS

Terceiro é qualquer pessoa que não seja o autor ou o réu.

Denunciação à lide (Art. 125 e ss., CPC)

A denunciação à lide pode ser efetuada tanto pelo autor, na


petição inicial, quanto pelo réu, na contestação, nas seguintes
hipóteses (Art. 125, CPC):
 Adquirente, em ação de evicção – Denuncia o alienante;
 Parte – direito de regresso (Ex.: seguradora).

Denunciada à lide, a seguradora poderá ser condenada


solidariamente com o causador do acidente a indenizar a vítima
(Súmulas 529 e 537, STJ).

Chamamento ao processo (Art. 130 e ss., CPC)

O chamamento ao processo só pode ser feito pelo réu na


contestação, cabendo nas hipóteses de:

 Fiador – chama o devedor (afiançado);


 Fiador – chama os demais fiadores;
 Devedor solidário – chama os demais devedores solidários.

Incidente de Desconsideração da Personalidade Jurídica (Arts.


133 a 137, CPC)

Há autonomia entre o patrimônio de uma pessoa jurídica e o


patrimônio dos sócios (Art. 49-A, CC). A desconsideração da
personalidade jurídica, pela Teoria Maior, adotada pelo Código Civil
(Art. 50, CC), determina que são necessários os requisitos de:

 Confusão patrimonial;
 Desvio de finalidades.

No processo civil, o IDPJ pode ocorrer a qualquer momento do


processo.

A desconsideração inversa é a desconsideração da pessoa físico


dos sócios ou administradores para avançar no patrimônio da PJ.

Os institutos da denunciação à lide e chamamento ao processo


não cabem no JEC (Art. 10, Lei 9.099/95). No entanto, cabe IDPJ no
JEC.

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