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O documento aborda as transformações artísticas e culturais do Renascimento na Europa, destacando a transição do teocentrismo para o antropocentrismo. Artistas como Leonardo da Vinci e Michelangelo revolucionaram a pintura, escultura e arquitetura, enfatizando a beleza e proporções humanas. O período também viu inovações na música, dança e teatro, refletindo uma busca por expressões mais complexas e emocionais.

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Art Fam04

O documento aborda as transformações artísticas e culturais do Renascimento na Europa, destacando a transição do teocentrismo para o antropocentrismo. Artistas como Leonardo da Vinci e Michelangelo revolucionaram a pintura, escultura e arquitetura, enfatizando a beleza e proporções humanas. O período também viu inovações na música, dança e teatro, refletindo uma busca por expressões mais complexas e emocionais.

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PERSPECTIVA
CAPÍTULO

O HOMEM SOB NOVA


Figura 1. O Homem vitruviano é um desenho de Leonardo da Vinci, datado, aproximadamente, de 1490. É considerado
um símbolo do Renascimento devido à redescoberta das proporções matemáticas do corpo humano.

A arte europeia sofreu grandes transformações no final do século XIV, reflexo de uma profunda mudança de paradigmas
que atingiram o continente na época. Deixando de lado uma visão teocentrista do mundo, as produções artísticas, científicas
e filosóficas passaram a se nortear por ideias antropocentristas que propiciaram profundas investigações e reformulações
em todos os campos do pensamento.

No século XV, a Igreja também se viu obrigada a rever sua postura, principalmente devido à evasão de fiéis que
aderiram a movimentos de contestação deflagrados pela Reforma Protestante, encabeçada por Martinho Lutero.
Assim, a partir do Concílio de Trento (1545-1563), iniciou-se um movimento de Contrarreforma que atingiu a produção
artística, trazendo outras mudanças e transformações conceituais e formais.

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1. A sociedade renascentista
O século XV foi um marco de grandes mudanças na Europa, que refletiram em toda a cultura ocidental. Após o longo
período da Idade Média teocentrista, em que Deus era considerado o fundamento de toda a ordem no mundo, o homem
assumiu uma posição de centralidade, e o antropocentrismo passou a nortear a produção intelectual, artística e científica.

Essa grande mudança gerou novos comportamentos, de modo que, nas ciências e nas artes, o homem passou a
problematizar o mundo e a se lançar a investigações, além de ser representado como exemplo de vigor e potência. Durante
esse período, vários estudos e tratados sobre as proporções do corpo humano foram feitos. Leonardo da Vinci (1452-1519),
em seu famoso desenho Homem vitruviano (Figura 1), buscou estabelecer medidas a partir de cálculos de proporção
baseados no número fi (1,618). O título de seu desenho alude aos estudos de proporção desenvolvidos por Marcos Vitrúvio
Polião, arquiteto romano do século 1 a.C.

A ideia de beleza relacionada à proporção remonta à Grécia Antiga, a partir do século XI a. C., quando se estabeleceu
que são belos os elementos da natureza ou os de fabricação humana que guardam harmonia e equilíbrio na proporção entre
as partes. Durante esse período, foram realizadas grandes descobertas matemáticas, estabelecidas as leis da perspectiva
e feitos profundos estudos sobre Anatomia, Botânica e Física.

Os horizontes europeus foram ampliados pelas grandes navegações. Nesse contexto, houve também uma grande
transformação no papel do artista, que deixou de ser visto como artesão e passou a ser considerado um mestre dotado
de autonomia criativa e interpretativa. As cidades se tornaram rivais na contratação desses mestres, que, com suas
obras arquitetônicas, pinturas e esculturas, as embelezavam. Buscando perpetuar o próprio nome, a honra e o prestígio,
dirigentes de cortes italianas erigiam monumentos e edifícios, encomendavam túmulos esplêndidos e doavam afrescos
e pinturas para as igrejas.

Durante o Renascimento, prevaleceu o Humanismo, ou seja, a valorização do ser humano e da natureza como ideias
predominantes num período em que a religiosidade e o conceito do divino ainda permaneciam. A partir daí os artistas
buscaram, por meio do rigor científico, a racionalidade e a experimentação.

O período em que tudo isso aconteceu – fim do século XIV ao fim século XVII – ficou conhecido como Renascimento e
marcou toda a Europa. No contexto artístico do Renascimento, a Itália destacou-se com grandes nomes, como Leonardo da
Vinci, Michelangelo Buonarotti, Rafael Sanzio e Tiziano.

1.1. Artes plásticas


Ao longo do Renascimento, as artes plásticas foram largamente estudadas por grandes mestres e discípulos. Das artes
plásticas desse período, vamos estudar a pintura, a arquitetura e a escultura.

1.1.1. Pintura

A formação dos artistas ocorria quando eles, ainda muito jovens, eram iniciados como aprendizes nas oficinas de
artistas renomados. Assim ocorreu, por exemplo, com Leonardo da Vinci, que iniciou seu aprendizado no ateliê de Andrea
del Verrocchio (1435-1488), um grande mestre da época, que também trabalhava como ourives. É possível afirmar que
da Vinci representa de maneira bastante evidente o espírito renascentista: sujeito múltiplo, atuava como pintor, escultor,
engenheiro, arquiteto, músico, inventor e pesquisador. Deixou cadernos com meticulosas anotações de suas pesquisas
sobre anatomia humana, animal e vegetal, além de estudos de óptica e projetos de toda ordem. Poucas de suas obras, no
entanto, chegaram até nós. Uma das mais conhecidas é A última ceia (1495-1498), afresco pintado na parede do refeitório
do mosteiro de Santa Maria delle Grazie, em Milão.

Coleção EM – Livro de Arte


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O HOMEM SOB NOVA PERSPECTIVA
Figura 2. Leonardo da Vinci. A última ceia.

Na cena ambientada em um espaço pintado em


perspectiva frontal, da Vinci escolheu representar o
momento em que Jesus revela que será traído por um
dos apóstolos presentes. O ponto central, para onde
convergem todas as linhas do ambiente, encontra-se
na cabeça de Cristo. Os gestos e expressões faciais dos
apóstolos evidenciam a reação de cada um.
Outra de suas obras famosas é a Mona Lisa (produzida
aproximadamente entre os anos 1503 e 1506), que se
tornaria, posteriormente, a obra de arte mais reproduzida
e interpretada por outros artistas. Comumente identificada
como o retrato de uma mulher com sorriso enigmático,
a importância dessa obra encontra-se, principalmente,
nos estudos desenvolvidos pelo artista, que trouxeram
importantes inovações, contribuindo definitivamente para Figura 3. Leonardo da Vinci. Mona Lisa. Ao lado, a mesma
a pintura ocidental, como as técnicas do chiaroscuro e obra com a indicação da estrutura de triângulo.

do sfumato, a composição piramidal e o olhar da retratada voltado para


o observador – uma ruptura de padrões da época, quando a mulher era
representada normalmente com olhos baixos e cabeça inclinada.
Michelangelo Buonarotti, começou sua carreira como aprendiz na
oficina de Domenico Ghirlandaio (1449-1494). Era prática comum na
época um jovem se iniciar como aprendiz numa oficina sob orientação
de um mestre conceituado. Após anos de treinamento, aqueles que
mais se destacavam passavam a poder trabalhar por conta própria e a
Michelangelo / Domínio Público

aceitar encomendas tanto do clero como da nobreza. Apesar de ter se


dedicado mais à escultura, Michelangelo realizou importante trabalho
de pintura ao decorar o teto da Capela Sistina, no Vaticano, com cenas
do Antigo Testamento, e a parede do altar com cenas do juízo final,
obras de grande envergadura e beleza que causaram grande impacto
no meio artístico da época pelo vigor na representação das figuras e das
cenas, com o uso de escorços e abordagem ousada.
Figura 4. Michelangelo. O juízo final.
Capela Sistina, Vaticano.
Chiaroscuro: do italiano, “claro-escuro”, efeito de luz
e sombra em desenhos e pinturas para imprimir contraste.
Sfumato: do italiano sfumare, “evaporar como fumaça”,
efeito de sombreamento gradiente e suave em desenhos
e pinturas para imprimir volume.

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Istockphoto
Figura 5. Catedral de Santa Maria del Fiore, em Florença, Itália.

1.1.2. Arquitetura
A Catedral de Santa Maria del Fiore, em Florença, foi uma das maiores realizações arquitetônicas do Renascimento.
Ao conceber um projeto, um arquiteto renascentista tinha em mente, primordialmente, a noção de beleza baseada nas
proporções, na imponência da obra e na vastidão interior. Assim foi projetada a cúpula dessa igreja por Filippo Brunelleschi
(1377-1446).

Outro imponente exemplo da arquitetura renascentista é a Basílica de São Pedro, no Vaticano. Em 1506, o Papa Júlio II
decidiu erguer uma basílica sobre onde, segundo a tradição, estaria localizado o túmulo de São Pedro. Para tanto escolheu o
arquiteto Donato Bramante (1444-1514), cujo projeto foi tão grandioso quanto dispendioso. Sua realização absorveu tanto
dinheiro que a Igreja e o Papa, na ânsia de angariar fundos, passaram a vender indulgências em troca de contribuições.
Essa ação acabaria por precipitar a crise que levou Martinho Lutero a protestar em público, o que daria origem à Reforma
Protestante. O projeto de Bramante, por fim, foi abandonado. A basílica, porém, manteve as dimensões gigantescas
previstas no projeto original.
© [Link] / adisa

Figura 6. Basílica de São Pedro, no Vaticano.

Coleção EM – Livro de Arte


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1.1.3. Escultura

O HOMEM SOB NOVA PERSPECTIVA


Ao contrário de Leonardo da Vinci, que
considerava a pintura a mais nobre das artes,
Michelangelo Buonarotti (1475-1564) dedicou-se
primordialmente à escultura, atividade que
considerava similar à criação divina. Realizou
também trabalhos como arquiteto. No que diz
respeito às esculturas, é interessante notar a
diferença entre a abordagem de Michelangelo e de
Verrocchio ao retratar o herói bíblico Davi. Embora
haja semelhança na pose das duas esculturas, vê-
se no Davi de bronze de Verrocchio um adolescente

Jörg Bittner Unna / Creative Commons


Rufus46 / Creative Commons
com semblante calmo, vestindo uma túnica
trabalhada com detalhes de ourivesaria, numa
pose altiva de quem acaba de cumprir seu feito
heroico. Já Michelangelo esculpe seu colossal Davi
de mármore como um jovem autoconfiante que
conta com sua própria capacidade para enfrentar os
desafios que a vida lhe reserva. O corpo nu e bem Figura 7. Verrocchio. Figura 8. Michelangelo.
feito, cujas pose e proporção evocam a imagem de 1473 / 1475. Davi. 1501 / 1504. Davi.
Bronze, 1,25 m. Mármore, 5,17 m.
um deus grego, sugere a ideia de força e virilidade.

Escorço: efeito de perspectiva em que os objetos vistos de


frente ou a distância são apresentados menores que em seu
tamanho natural.

1.2. Música
O período renascentista viu acontecer transformações na música, quando, pouco a pouco, as vozes passaram a
compartilhar espaço com instrumentos, dando origem a uma música com traço instrumental marcante, que muitas vezes
era acompanhada pela dança. Até o começo do século XVI, os instrumentos eram usados apenas para acompanhar as
vozes, porém, durante esse período, os compositores passaram a cada vez mais ter interesse em escrever músicas apenas
instrumentais. Aumenta, então, a importância da autoria das músicas bem como o número de composições com temas
mundanos. As primeiras músicas instrumentais foram compostas para o alaúde e teclados, como o órgão e o cravo.

Figura 9. Hieronymus Francken II. Parábola das virgens sábias e tolas. c. 1616.

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Outra inovação musical foi o uso do contraponto, que é a técnica em que duas ou mais vozes com características
diversas cantam com o mesmo contorno melódico. Obras polifônicas eram executadas, geralmente, por quatro vozes,
tanto nas músicas de caráter religioso quanto nas obras profanas. Foi a partir do Renascimento que se passou a buscar
a expressão de emoções nas composições e o puro prazer na audição musical. Com o aumento da complexidade das
músicas, passou a ser exigência boa qualificação do profissional e, consequentemente, uma remuneração mais generosa.

Alguns dos importantes compositores renascentistas são William Byrd (1542-1623), Josquin des Prez (1440-1521),
Giovanni Pierluigi da Palestrina (1525-1594), Claudio Monteverdi (1567-1643) e Giovanni Gabrieli (1555–1612), sendo este
o compositor de algumas impressionantes peças para vários coros, em que um cantava respondendo ao outro.

TÁ NA MÍDIA
Música
Com base em partituras da época e com o uso de instrumentos similares aos que os
músicos usavam, podemos saber como eram as músicas renascentistas. No QR Code ao
lado, você encontrará canções tocadas no alaúde que foram compostas no século XVI
e gravadas por músicos de hoje. É como uma viagem no tempo! Vamos ouvi-las?

1.3. Dança
Durante o Renascimento, a dança ganha
nova atenção, passando a ser organizada
para grupos específicos. Inicialmente as
danças populares eram executadas dentro
de castelos e palácios em opulentos bailes,
sendo entendida como uma atividade lúdica
e improvisada. No entanto, algumas delas
passaram a ser dançadas aos pares e,
com o tempo, foram desenvolvidos
evoluções e passos, indispensáveis para
os cortesãos, por causa da posição social.
O balé, ou balleto, como se dizia na época,
passou a designar um repertório reunido de
ritmos e passos.

Com o tempo, as danças cortesãs, ou de


salão, executadas pela aristocracia, foram
ganhando erudição e se distanciando das
danças populares, de caráter folclórico. Figura 10. Pieter Bruegel, o velho. A dança dos camponeses. 1563 / 1569.
Os participantes, além dos passos, Óleo sobre painel, 164 x 114 cm. Museu da Arte, Viena, Áustria.
precisavam ter conhecimento da métrica. Nessa época, verdadeiros tratados de dança foram escritos, estabelecendo regras
e designando passos. A partir de então, a dança começa a se configurar de maneira sistemática para apresentações.

1.4. Teatro
Assim como as demais manifestações artísticas, o teatro também passou a se profissionalizar no período renascentista,
abandonando a temática quase exclusivamente religiosa da Idade Média e tornando-se mais popular. Foi nesse período que
surgiram as primeiras companhias teatrais, bem como a elaboração de figurinos e cenários para as apresentações. A causa
desses avanços foram o crescimento das cidades e a ampliação do público. Os autores desse período buscavam inspiração
nas obras clássicas greco-romanas.
Durante os séculos XVI e XVII, desenvolveu-se na Itália a commedia dell’arte, uma forma de teatro popular executada
até hoje. Nesse tipo de exibição, os personagens se apresentam com figurinos alegres e carnavalescos. Alguns deles
são tipos fixos, com características próprias – máscaras, figurinos, trejeitos, expressões corporais e personalidade –,
que representavam tipos sociais da época. A criação dos espetáculos era coletiva, e as apresentações eram marcadas
por situações cômicas e improvisações.

Coleção EM – Livro de Arte


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Colombina Pagliaccio Pantalone Arlecchino Brighella Dottore

O HOMEM SOB NOVA PERSPECTIVA


Figura 11. Alguns personagens da commedia dell´arte, em ilustrações de Maurice Sand.

Na Inglaterra, durante o reinado da rainha Elizabeth I (1558-1603), filha de Henrique VIII, houve uma importante
produção teatral que marcou o teatro ocidental, ficando esse período conhecido como elisabetano. Os temas eram inspirados
na mitologia ou na literatura, misturando o cômico e o sério e variando entre o uso dos versos e da prosa.

Como as mulheres eram proibidas de participar, as personagens femininas eram representadas por homens,
que imitavam os trejeitos e as vozes das mulheres e usavam trajes femininos. Havia grande preconceito contra atores,
que eram vistos como desocupados e ociosos, por isso, para
protegê-los da perseguição da polícia, membros das classes
sociais mais favorecidas contratavam alguns deles como seus
criados e até lhes emprestavam uniformes da criadagem.

Considerado um dos maiores dramaturgos de todos os


tempos, William Shakespeare destacou-se nesse período.
Escreveu cerca de 38 peças, cujos textos são representados
até hoje devido à atualidade de seus temas, ganhando,
periodicamente, novas montagens teatrais e versões para o
cinema e a televisão. Ambição, traição, corrupção, conflito entre
o bem e o mal, amor e ódio, ordem e desordem, vingança, esses
eram alguns dos temas recorrentes nas apresentações feitas no
Globe, em Londres, teatro com o qual o autor esteve associado.
Figura 12. David Scott. Rainha Elizabeth assistindo à
Um incêndio destruiu o prédio em 1613. Posteriormente ele foi peça As alegres comadres de Windzor, no Teatro Globe.
reconstruído no mesmo local e, em 1642, fechado. Em 1997, 1840. A pintura do século XIX mostra como seriam as
o teatro foi reerguido em local próximo onde ficava o original. apresentações em Londres no tempo de Shakespeare.

TÁ NA MÍDIA
Site
No dia 23 de abril de 2016, a morte de William Shakespeare completou 400 anos e foi
lembrada com encenações de suas peças e eventos festivos na cidade de Londres, onde ele se
tornou famoso, e em Stratford-upon-Avon, cidade em que nasceu, foi criado e morreu, aos 52 anos.
Na reportagem ao lado, você verá um pouco da vida de Shakespeare, os lugares que ele frequentava
e como essas duas cidades honram a memória do dramaturgo mais famoso da história.

1.5. O Renascimento em Portugal


Apesar de ter surgido na Idade Média, os autos, como gênero teatral, atingiram seu apogeu durante o século XVI, sendo
o português Gil Vicente (1465-1536) seu maior expoente. Em O auto da barca do inferno, escrito em cerca de 1517, o autor
apresenta o tema do juízo final católico de forma satírica. O cenário é uma espécie de porto onde estão duas barcas que levarão
as almas dos mortos para o inferno ou para o paraíso. Uma barca é comandada pelo diabo e a outra por um anjo. À medida que
as almas chegam, elas vão sendo direcionadas para uma ou outra barca de acordo com seu comportamento em vida.

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Gil Vicente criou também peças cômicas denominadas farsas. Essas peças eram compostas de um só ato, com poucos
personagens e enredos extraídos do cotidiano. A Farsa de Inês Pereira, a Farsa do velho da horta e Quem tem farelos?,
todas compostas no início do século XVI destacam-se nesse gênero. A obra de Gil Vicente caracteriza-se por personagens
que fazem parte das classes sociais da época, mas que não se destacam como indivíduos, sendo geralmente identificadas
pelas profissões que exercem. Suas obras são marcadas por forte crítica social.

A renovação de uma obra


Ariano Suassuna (1927-2014) foi um dos fundadores do Movimento Armorial, cuja
proposta era a de se criar uma arte erudita partindo de elementos da cultura popular
do Nordeste. Sua peça teatral O auto da Compadecida, escrita em 1957, baseou-se
em contos populares da região e sua estrutura alude à antiga tradição medieval e
renascentista, como a das obras de Gil Vicente e de outros autores ibéricos, bem

Beto Oliveira / Folhapress


como à literatura de cordel, em que as mesmas histórias são contadas repetidas
vezes. A graça reside na habilidade do contador, e não na história em si, que já é
conhecida por todos. A peça acontece em um único ato, e o palco é utilizado como
se fosse um picadeiro de circo. O dramaturgo Ariano Suassuna.

Em 2000, o diretor de cinema Guel Arraes dirigiu o filme homônimo adaptado da peça e emprestou à narrativa outros elementos adequados
à linguagem do cinema. Conhecedor das histórias da tradição popular, Ariano Suassuna incorporou, em sua peça, elementos das histórias
que leu e ouviu, além de elementos da sua vivência cultural; da mesma forma, o diretor Guel Arraes emprestou suas próprias vivências
e leituras à adaptação da obra para a linguagem cinematográfica. Nota-se, portanto, como é dinâmica a experiência do expectador, que,
a partir de seu contato com a obra, pode convertê-la numa outra.
Divulgação

Os atores Fernanda Montenegro e Maurício Gonçalves em O auto da Compadecida.

É assim que a obra se renova: não só pela possibilidade de alimentar um ciclo criativo, mas também pela multiplicidade de experiências
que cada novo observador empresta a ela, a cada vez que a aprecia. Diante de uma obra de arte, os sentidos que podem ser adquiridos
e os sentimentos que podem ser provocados são inesgotáveis. Cada vez é como se fosse a primeira, pois surge um novo sentido,
um novo sentimento.

Coleção EM – Livro de Arte


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2. A arte barroca

O HOMEM SOB NOVA PERSPECTIVA


É chamada de arte barroca aquela que surgiu no período da Contrarreforma, em reação à Reforma Protestante,
movimento cuja figura seminal foi Martinho Lutero (1483-1546). A Reforma contestou a doutrina da Igreja Católica e parte
dos seus dogmas, o que deu origem à divisão do cristianismo. O enaltecimento da adoração às imagens, rejeitadas pelos
reformistas, buscava propagar a fé católica e sensibilizar as massas. Tendo surgido na Itália entre os séculos XVI e XVII,
expandiu-se por toda a Europa e pelas colônias portuguesas e espanholas na América.

Inicialmente, o termo “barroco” era uma denominação pejorativa que passou a ser usada em meados do século XVII
para se referir ao que é grotesco, de mal gosto, quase absurdo. Foi usado em alusão às obras desse período por elas
apresentarem uma tendência ao dramático, à assimetria e à extravagância, em contraposição ao ideal clássico de harmonia,
equilíbrio e simetria. Na pintura, na arquitetura e na escultura, recursos dramáticos, como contrastes, linhas retorcidas
e equilíbrio composicional complexo, são usados de forma a potencializar a dramaticidade. Tal apelo intenta comover,
persuadir e atrair o público para as mensagens de fé a serem propagadas.

Embora tenha surgido na Itália, arte barroca se dissemina assumindo características próprias de cada local onde se
desenvolve, sempre desapegada do belo, do ideal e pautada numa outra forma de ver o mundo. Embora em cada lugar
o barroco guarde características próprias, o historiador Heinrich Wölfflin aponta para alguns traços que distinguem as
obras, entre eles o de que é possível apontar a percepção de unidade na diversidade ao invés de prevalecer a unidade
de cada parte. Por outro lado, a prevalência das manchas, massas e cores para representar os objetos e o uso de
composições diagonais são algumas características comuns.

2.1. Pintura
Na pintura A vocação de São Mateus, de Caravaggio (1571-1610), estão presentes várias das características do Barroco,
como contrastes acentuados entre claro e escuro, intensificação do sentimento com dramatização e valorização da emoção,
assimetria e dinamismo, com uso de diagonais na composição das imagens. Tudo isso contrapõe o perfeito equilíbrio
e domínio da razão no Renascimento. O uso dos efeitos de luz e sombra imprimem ilusão de volume e contribuem
para a criação de impacto dramático nas composições.
A técnica do chiaroscuro foi facilitada pela criação e
popularização da tinta a óleo, que tornava mais fácil
fazer misturas e criar passagens tonais mais delicadas.

Nessa técnica, os artistas aplicavam uma base


escura sobre a qual iam sobrepondo os tons mais claros.
Diego Velásquez (1599-1660) e Francisco Zurbarán
(1598-1664), na Espanha, e Rembrandt (1606-1669),
na Holanda, são exemplos de artistas que fizeram uso
intenso do chiaroscuro, o que os auxiliava a imprimir
grande carga de dramaticidade às pinturas.

Outro efeito de grande dramaticidade era a técnica


trompe l’oeil, que significa, em francês, “enganar o
olho”. Essa técnica era utilizada em pinturas feitas nos
tetos das igrejas. Era conhecida desde a Antiguidade,
mas, somente com a criação dos efeitos ilusórios de
perspectiva durante o Renascimento, permitiu aos
artistas criar janelas imaginárias, vistas arquitetônicas
e visões de portas abertas para os céus que pareciam
verdadeiras para o observador. O afresco do teto da
Igreja de Santo Inácio, em Roma, feita por Andrea
Pozzo (1642-1709), chamada A glorificação de Santo
Inácio, explora bastante essa técnica. Atualmente,
grafiteiros, como o estadunidense Eric Grohe (1944-),
Figura 13. Caravaggio. A Vocação de São Mateus. 1559 / 1600.
usam o mesmo recurso para criar imagens pelos muros Óleo sobre tela, 340 x 322 cm. Igreja São Luís dos Franceses, Roma.
e edifícios das cidades.

Bernoulli Sistema de Ensino


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Bruce McAdam / Creative Commons
Figura 14. Andrea Pozzo. Detalhe de A glorificação de Santo Inácio. 1694. Igreja de Santo Inácio, Roma.

2.2. Arquitetura
Considera-se o marco inicial da arquitetura barroca a primeira igreja da Companhia de Jesus, da ordem dos jesuítas,
a Igreja de Jesus, inaugurada em Roma em 1580. Os arquitetos responsáveis foram Giacomo Barozzi da Vignola
(1507-1573) e Giacomo della Porta (1541-1604).

A teatralidade barroca se manifesta na arquitetura por meio da imponência das edificações, do uso de elementos
contorcidos e de espirais, bem como de efeitos cenográficos como as janelas falsas, usadas nas fachadas para compor,
e os trompe l’oeil.

Por volta 1600, o papado desejava tornar Roma a cidade mais bela do mundo cristão e, por isso, patrocinava largamente
a produção artística e arquitetônica da época. Coube ao arquiteto e escultor Gian Lorenzo Bernini (1598-1680) a elaboração
de parte da decoração da Basílica de São Pedro. É de sua autoria o tabernáculo do altar papal com colunas retorcidas
(Figura 16) – também denominadas salomônicas –, esculturas de anjos e o símbolo da vitória do catolicismo no mundo:
uma cruz sobre um globo dourado.

Alvesgaspar / Creative Commons


Alvesgaspar / Creative Commons

© [Link] / IR_Stone

Figura 17. Gian Lorenzo Bernini.


Figura 15. Nave e altar Figura 16. Altar papal da O êxtase de Santa Tereza.
principal na Igreja de Basílica de São Pedro, no 1647-1652. Santa Maria della
Jesus, em Roma. Vaticano. Vittoria, Roma.

Coleção EM – Livro de Arte


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Sua obra-prima é a escultura O êxtase de Santa Teresa (Figura 17). Santa Teresa D’Ávila (1515-1582) havia sido
canonizada em 1622 e era de grande devoção popular. A religiosa havia narrado em seu livro uma experiência de profundo

O HOMEM SOB NOVA PERSPECTIVA


êxtase de amor celestial quando um anjo a atravessara com uma flecha dourada. Bernini representou essa passagem com
formas esvoaçantes em um conjunto escultural que denota leveza, apesar de ter sido esculpido em mármore.

2.3. Música
Na música, o Barroco corresponde ao período compreendido ente 1600 e 1750, ano da morte de Johann Sebastian Bach.
Assim como nas artes visuais, em que os artistas se valiam do contraste para imprimir dramaticidade, na música
buscava-se provocar as emoções contrapondo acordes dissonantes a sons tranquilos. Também é possível fazer uma aproximação
da música barroca com a arquitetura. Se a arquitetura barroca era repleta de curvas e ornamentações exuberantes,
a música apresentava melodias cheias de adornos e arabescos vocais. Vários instrumentos foram aperfeiçoados a fim de
atender às novas demandas musicais, marcadamente o órgão e o cravo. Nesse período, foi criado o violino, que tem sua
origem em instrumentos de corda do Oriente. Surgiu também o solista, que se tornou conhecido como virtuose.

Durante esse período, cantores meninos eram castrados (por isso eram denominados i castrati, “os castrados”,
em italiano) antes de chegar à puberdade para preservar a voz de contralto ou soprano. Essa prática seria abandonada
apenas no século XVIII, quando passou a ser permitida a participação das mulheres na cena operística.

Nos teatros, peças dramáticas eram apresentadas com acompanhamento musical, dando origem, assim, à ópera.
Inicialmente as apresentações operísticas diferiam bastante das atuais. Era comum os cantores conversarem entre
si, quando não cantavam. Havia garçons servindo bebidas, e o comportamento da plateia era ruidoso, não apenas
conversando, mas também jogando cartas ou comendo. O silêncio era respeitado apenas durante a apresentação
das árias, composições feitas para os solistas. Às vezes, ocorriam duelos entre os defensores de um ou outro cantor.
Pouco a pouco, obras profanas passaram a predominar em relação às religiosas, e foram organizadas as orquestras
e grupos de câmara.

Grupo de câmara: grupo composto por um número menor


de músicos e instrumentos do que os de uma orquestra.

TÁ NA MÍDIA
Canto

O italiano Alessandro Moreschi (1858-1922), conhecido como o “Anjo de Roma” em seu


tempo, é considerado por muitos o último castrati. Quando criança, precisou se submeter
a uma cirurgia para a retirada dos testículos por causa de uma hérnia inguinal. Ainda jovem,
iniciou seus estudos e, no fim do século XIX e início do XX, tornou-se um dos cantores mais
prestigiados na Itália. Com a condenação e fim da prática que mutilou muitos meninos,
os castrati perderam prestígio e Moreschi caiu em esquecimento. A gravação disponível ao lado foi
feita entre os anos de 1902 e 1904, sendo um dos poucos registros do cantor, o único castrati gravado
em áudio.

Música

Johann Sebastian Bach (1685-1750), músico e compositor alemão, é considerado


o grande gênio da música barroca. Ele enriqueceu estilos alemães já consagrados por meio
de sua habilidade em diferentes técnicas, além da adaptação da ritmos, formas e texturas
advindos da Itália e da França. Suas composições são essencialmente de cunho religioso
e sua notoriedade em vida deu-se mais como organista que como compositor. Algumas de suas
obras mais conhecidas são os Concertos de Brandemburgo e O cravo bem-temperado. Ouça, no site
ao lado, uma apresentação da Orquestra Barroca de Friburgo, na Alemanha, tocando o concerto de
Brandemburgo n. 3.

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COTIDIANO
Arte e propaganda política
Quer fossem os faraós no Egito, os imperadores romanos, ou a Igreja Católica,
ao longo da história as forças dominantes se valeram do poder persuasivo da arte
para a propagação de ideias ou para reforçar o seu poder.

O século XX testemunhou uma grande transformação na arte que quebrou


inúmeros paradigmas que vigoravam até então. Um marco importante foi
a Revolução Russa, em 1917, quando artistas abstracionistas aderiram à revolução
comunista de Lenin. Naquela época, a arte abstrata era considerada uma ousadia,
e o novo regime adotou essa linguagem como uma espécie de identidade visual
daquele movimento político. A ideia de que a arte de vanguarda estaria aliada a um
pensamento político de esquerda foi uma associação que vigorou e foi incentivada
por um algum tempo.

Isso também ocorreu durante a Guerra Fria, com o Expressionismo Abstrato


estadunidense, quando os Estados Unidos passaram a financiar os artistas

Willem de Kooning
participantes desse movimento, que nasceu em Nova Iorque, após a Segunda
Guerra, como forma de divulgar a liberdade de expressão e a individualidade,
valores que entendiam ser opostos ao comunismo. Willen de Kooning foi um desses
artistas. Naturalmente, os artistas não criaram suas obras especificamente para Willem de Kooning. Mulher com
esse fim, porém, usufruíram e se beneficiaram de seu financiamento. bicicleta. 1952.

PARA REFLETIR
O poder da imagem
As obras e manifestações artísticas podem ser usadas como forma de persuasão e como instrumentos de propagação
de ideologias políticas. As imagens têm forte poder persuasivo, e, em nossa sociedade vivemos cercados por imagens que
frequentemente substituem o uso de textos escritos. Além disso, técnicas como o trompe l’oeil são usadas desde a Antiguidade
visando enganar nossos olhos e criar a ilusão de realidade.

O cérebro humano é facilmente enganado por efeitos de óptica que criam


imagens dúbias, gerando múltiplos significados, como o exemplo da imagem ao
lado em que dependendo da forma como é observada pode parecer se tratar
do rosto do último sultão do Império Otomano, Abdul Hamid II, ou de suas
esposas deitadas. Atualmente sofisticados programas de computador criam
novas realidades enganosas com a manipulação das imagens, e ainda existem
as imagens holográficas e a realidade virtual.

A informação e o conhecimento são ferramentas fundamentais para que


o indivíduo possa ler qualquer imagem e saber interpretá-la, compreendendo os
sentidos subjacentes nela contidos sem, no entanto, se deixar manipular.

Durante a Segunda Guerra, a propaganda nazista se valeu desse poder de


persuasão das imagens para propagar seus valores e seduzir a população a
aderir a suas ideias. Assim fizeram também para destruir a imagem dos judeus,
exibindo filmes de forma a fazer com que passassem a ser vistos como um mal
social.
Istockphoto

No site ao lado você tem acesso a um desses


materiais de manipulação usados pelo Terceiro
Reich. Trata-se de uma cena do filme O eterno judeu,
Arte de Chris Price.
lançado em 1940 pelos nazistas.

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EXERCÍCIOS

O HOMEM SOB NOVA PERSPECTIVA


EXERCÍCIOS DE APRENDIZAGEM A) reafirmam sua liberdade criativa nos muros
e paredes das cidades.
01. Explique como a arte greco-romana serviu de B) traduzem em imagens os conceitos da arte
referencial para a elaboração da arte renascentista. moderna e urbana através dos tempos.
C) manipulam a realidade com o objetivo de
02. Cite três técnicas de pintura surgidas nos períodos debochar de quem contempla as imagens.
do Renascimento e do Barroco e explique como elas
D) criam imagens instigantes que convidam
ajudavam na composição das obras.
à reflexão acerca do que é a realidade.
03. A arte barroca é uma arte de persuasão. Justifique E) repetem, com diferentes ferramentas,
essa afirmativa. as imagens criadas por outros artistas.

04. Descreva como a Igreja influenciou a produção 03. (UNEB-BA) Leia atentamente os relatos a seguir:
artística durante o Barroco.
“O pintor que trabalha rotineira e apressadamente,
05. Compare a arte renascentista e a arte barroca. sem compreender as coisas, é como o espelho que
absorve tudo o que encontra diante de si, sem tomar
conhecimento.”

EXERCÍCIOS PROPOSTOS “Experiência, mãe de toda a certeza.”


“Só o pintor universal tem valor.”
01. As grandes mudanças ocorridas na Europa entre São trechos de Leonardo da Vinci, personagem
o final da Idade Média e o início da Idade Moderna destacada do Renascimento. Neles, o autor exalta
configuraram o Renascimento, período que determinou compreensão, experiência, universalismo, valores que
uma nova perspectiva do homem em relação ao marcaram o:
mundo e a si mesmo. Nesse contexto, os artistas A) Teocentrismo, como princípio básico do
A) passam a ser valorizados como cientistas pensamento moderno.
e pesquisadores, criando obras voltadas para B) Epicurismo, em alusão aos princípios dominantes
o teocentrismo promovido pela Igreja. na Idade Média.
B) começam a valorizar a razão, sobrepondo-a C) Humanismo, como postura ideológica que
à emoção e buscando referências nas produções configurou a transição para a Idade Moderna.
artísticas greco-romanas. D) Confucionismo, por sua marcada oposição ao
C) libertam-se, por meio do antropocentrismo, conjunto dos conhecimentos orientais.
de normas rígidas que até então tolhiam E) Escolasticismo, dado que admitia a fé como
a liberdade artística e interpretativa. única fonte de conhecimento.
D) criam obras em conformidade com as leis da
frontalidade, seguindo padrões pré-estabelecidos 04. (PUC Rio) À EXCEÇÃO DE UMA, as alternativas
pelos dogmas da Igreja Católica. abaixo apresentam de modo correto características
E) ganham da Igreja, pela Contrarreforma, maior do Renascimento. Assinale-a.
liberdade criativa, permitindo uma expansão A) O retorno aos valores do mundo clássico, na
interpretativa dos temas. literatura, nas artes, nas ciências e na filosofia.
B) A valorização da experimentação como um dos
02. Observe a imagem. caminhos para a investigação dos fenômenos da
natureza.
C) A possibilidade de uma estreita relação entre os
diferentes campos do conhecimento.
D) O fato de ter ocorrido com exclusividade nas
cidades italianas.
E) O uso da linguagem matemática e da
John Pugh / Barcroft Media / Getty Images

experimentação nos estudos dos fenômenos


da natureza.

05. (UEL-PR) Leia o texto, analise as figuras e responda


à questão.
A produção artística chega a nós, hoje, dos mais
variados modos, e sua divulgação sofre interferências da
mídia, instituições, governos. [...] a tecnologia existente
Mural feito em 3D pelo artista Eric Grohe. hoje fez com que obras de arte se reproduzissem
fantasticamente. Mona Lisa, por exemplo, existe apenas
Ao criar imagens ilusórias, como a obra de Eric Grohe, no museu do Louvre, em Paris, mas hoje vemos “Mona
os grafiteiros Lisas” espalhadas aos milhares, aos milhões pelo mundo.

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Quem já não a viu estampada em camisetas, cinzeiros, Considerado um marco na trajetória do Grupo
chaveiros e até fazendo propaganda de jeans em Galpão e um dos espetáculos mais significativos do
revistas? Quantas releituras, citações, apropriações já teatro brasileiro na década de 1990, Romeu e Julieta
não foram feitas dessa obra? somou 303 apresentações, em 13 anos de existência.

Além das duas temporadas no Shakespeare’s


Globe Theatre, na Inglaterra, em 2000 e 2012,
o espetáculo viajou por todo o Brasil e por vários países
da América Latina e da Europa e nos Estados Unidos.

Disponível em: <[Link]


Acesso em: 29 set. 2016.

A transposição da peça de Shakespeare para a cultura


brasileira se deu porque

A) o texto original apresenta alguns elementos


incompreensíveis às outras cultuas mundiais.
B) a temática do texto é pouco usual, e os
significados perderam-se através dos tempos.
C) a obra trata de temas universais, e releituras de
seu trabalho propõem novas interpretações.
D) a apresentação de inovações do texto no Globe
Theatre revigorou o teatro brasileiro.
E) o Sertão mineiro como tema demanda cenário
Barcroft Media / Getty Images

e linguagem típicos de Guimarães Rosa.

07. (UEM-PR) Sobre as artes plásticas do Barroco


da Europa Ocidental, assinale a(s) alternativa(s)
CORRETA(S).
01. A arquitetura religiosa desse período (século XVII)
MARTINS; PICOSQUE; GUERRA. Didática do ensino de arte:
a língua do mundo: poetizar, fruir e conhecer arte.
apresenta uma maior especulação formal e plástica.
São Paulo: FTD, 1998. p. 76-78. 02. A escultura barroca, ao contrário da pintura e da
arquitetura, era formalmente austera e equilibrada.
Considere as afirmativas a seguir:
04. A pintura barroca apresentava uma rica especulação
I. A apropriação e a citação de obras de arte, ou de
plástica, mas, a despeito desse fato, não foram
parte delas, tanto na propaganda como na arte,
produzidos muitos exemplares.
cumprem a mesma função.
08. A fachada oriental do Louvre, obra maior do arqui-
II. A reprodução da obra de arte, de certa forma,
teto Bernini, é um bom exemplo da arquitetura
democratiza-a e a torna acessível à grande maioria
barroca da França, que era mais austera que a
da população.
praticada na Itália.
III. O processo de releitura pressupõe ir além da repro-
dução, pois significa reinterpretar e, por isso, criar 16. Uma das criações mais notáveis dos pintores
novos significados. barrocos foi o uso ousado da técnica denominada
claro-escuro.
IV. O aspecto quase sagrado que somente a obra original
possui se perde à medida que esta é reproduzida em Soma ( )
grande escala.
Assinale a alternativa CORRETA. 08. Uma vez que as artes apresentam grande diversidade
A) Somente as afirmativas I e III são corretas. durante o período de vigência do Barroco, seus
traços comuns têm de ser investigados de par com
B) Somente as afirmativas I e IV são corretas.
as tendências intelectuais e culturais da época. Entre
C) Somente as afirmativas II e IV são corretas.
as que influenciaram as artes de modo especialmente
D) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
significativo, destacam-se a consolidação das
E) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.
monarquias absolutas na Europa, a ampliação dos
horizontes intelectuais decorrente das novas descobertas
06. Ao atualizar o sentido da maior história de amor da
da ciência e a Contrarreforma. É impossível, por exemplo,
humanidade, Gabriel Villela e o Galpão transpõem
pensar a pujança arquitetônica de palácios como o de
a tragédia de dois jovens apaixonados para
Versalhes, na França, dissociada da necessidade do
o contexto da cultura popular brasileira, evocada
por elementos presentes no cenário, nos adereços, poder real de afirmar e exibir sua monumentalidade.
na música e na figura do narrador, que rege toda Do mesmo modo, a partir de formulações como
a peça com uma linguagem inspirada em Guimarães a de Copérnico, que tirava a Terra do centro do
Rosa e no Sertão mineiro. universo, os pilares da fé religiosa são ameaçados.

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Em boa medida, deriva daí a tensão entre divino e
SEÇÃO ENEM

O HOMEM SOB NOVA PERSPECTIVA


profano, Deus e homem, terra e céu presente em
grande parte das manifestações artísticas consideradas
01. (Enem)
barrocas. Por fim, a Contrarreforma é um vetor
importante para o processo porque fez da arte um Acompanhando a intenção da burguesia renascentista
meio de propaganda do ideal católico, então ameaçado de ampliar seu domínio sobre a natureza e sobre o espaço
pela Reforma Protestante. E, para falar diretamente ao geográfico, através da pesquisa científica e da invenção
observador, para converter o infiel, era preciso apelar tecnológica, os cientistas também iriam se atirar nessa
aventura, tentando conquistar a forma, o movimento,
aos sentidos e enfatizar os meios expressivos.
o espaço, a luz, a cor e mesmo a expressão e o sentimento.
ENCICLOPÉDIA Itáu Cultural. Disponível em: <[Link]
SEVCENKO, N. O Renascimento. Campinas: Unicamp, 1984.
[Link]/>. Acesso em: 09 nov. 2016. [Fragmento]
O texto apresenta um espírito de época que afetou
O Barroco representou um ponto de virada na
também a produção artística, marcada pela constante
historiografia da arte ocidental. Com base no texto
relação entre:
sobre esse movimento, infere-se que as
A) fé e misticismo.
A) construções arquitetônicas pomposas surgem
para afirmar o poder das monarquias. B) ciência e arte.

B) descobertas da ciência, na época, somente C) cultura e comércio.


ocorreram por causa do dualismo barroco. D) política e economia.
C) ideias propagadas pelo Barroco surgiram E) astronomia e religião.
independentemente da Reforma Protestante.
D) obras barrocas foram o ultimato do Cristianismo
02. (Enem)
às ideias profanas de Martinho Lutero. [...] Depois de longas investigações, convenci-me
E) estratégias de sedução das obras barrocas por fim de que o Sol é uma estrela fixa rodeada de
serviam aos ideais de estados absolutistas. planetas que giram em volta dela e de que ela é o
centro e a chama. Que, além dos planetas principais,
há outros de segunda ordem que circulam primeiro
09. (UFES) O Barroco exprimiu o espírito da Contrarreforma
como satélites em redor dos planetas principais e com
na Itália, tornando-se, em seguida, um estilo
estes em redor do Sol. [...] Não duvido de que os
internacional, tendo-se propagado, inclusive, nos
matemáticos sejam da minha opinião, se quiserem
países protestantes. As características que traduzem
dar-se ao trabalho de tomar conhecimento, não
o espírito da arte barroca são:
superficialmente, mas duma maneira aprofundada,
A) formas arredondadas, curvas e volutas, corpos das demonstrações que darei nesta obra. Se alguns
maciços, movimento, emoção e êxtase. homens ligeiros e ignorantes quiserem cometer contra
B) equilíbrio, calma e repouso, predominância das mim o abuso de invocar alguns passos da Escritura
linhas horizontais e verticais (cruz) sobre as (sagrada), a que torçam o sentido, desprezarei os
curvas e diagonais. seus ataques: as verdades matemáticas não devem
ser julgadas senão por matemáticos.
C) leveza, estabilidade das linhas e formas fechadas
(tectônicas), cores suaves e luminosas. COPÉRNICO, N. De Revolutionibus orbium caelestium.

D) contornos definidos, ações congeladas, fantasia, Aqueles que se entregam à prática sem ciência
graciosidade e leveza das linhas e massas. são como o navegador que embarca em um navio
E) formas arredondadas, contornos definidos sem leme nem bússola. Sempre a prática deve
e iluminação difusa. fundamentar-se em boa teoria. Antes de fazer de
um caso uma regra geral, experimente-o duas ou
10. (UFPR) Sobre o Barroco, pode-se afirmar que três vezes e verifique se as experiências produzem
os mesmos efeitos. Nenhuma investigação humana
A) foi uma forma de manifestação artística
pode se considerar verdadeira ciência se não passa
inspirada nos conceitos pagãos de Idade Média
por demonstrações matemáticas.
e a Antiguidade.
B) fez uso da grandeza excessiva, do extravagante, VINCI, Leonardo da. Carnets.

do artificial, para expressar as concepções de O aspecto a ser ressaltado em ambos os textos para
mundo moderno. exemplificar o racionalismo moderno é
C) surgiu nos países anglo-saxões, no final do A) a fé como guia das descobertas.
século XVII, e se espalhou por toda a Europa no
B) o senso crítico para se chegar a Deus.
século XVIII.
C) a limitação da ciência pelos princípios bíblicos.
D) impôs uma nítida diferenciação entre as
formas artísticas, como a pintura, a escultura e D) a importância da experiência e da observação.
a arquitetura. E) o princípio da autoridade e da tradição.

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