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CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMA
CBSP
COOPERATIVA DOS PROFISSIONAIS DO PODER MARÍTIMO
INTRODUÇÃO
Ao longo dos tempos, foram inúmeros os acidentes marítimos que provocaram a
perda de vidas humanas, mas o que mais chamou a atenção e contribuiu para que se
iniciassem discussões a respeito da segurança no mar foi o naufrágio do TITANIC.
Logo após este trágico acidente, em que mais de mil
pessoas perderam a vida pela insuficiência de botes salva-
vidas e pelo despreparo da tripulação, treze países se
reuniram em Londres em 1913, para discutir e definir as
primeiras regras sobre a Salvaguarda da Vida Humana no
Mar. Esta Conferência não chegou a entrar em vigor porque
em 1914 eclodiu a Primeira Guerra Mundial, que se estendeu até 1918. Paradoxalmente,
esta mesma guerra veio a contribuir no desenvolvimento de alguns equipamentos de
sobrevivência no mar.
Em 1929, também em Londres, 37 países se reuniram para tratar do mesmo tema,
sendo que, as conclusões desta Convenção somente foram homologadas em 1933. Com
o incremento da utilização do óleo combustível para propulsão de navios, um número
exagerado de tragédias envolvendo incêndios passou a chamar a atenção para a
necessidade do Controle de Avarias e do Combate a Incêndio a bordo dos navios, mas a
Segunda Guerra Mundial impediu o avanço das negociações neste sentido.
A 3ª Convenção foi realizada em 1948, revisando a de 1929 e incorporando os
últimos conhecimentos e experiências sobre sobrevivência no mar, obtidos durante a
Segunda Guerra Mundial.
Na 4a Convenção, a de 1959, foi criada a IMCO (Inter-Governamental Maritime
Consultative Organization), uma agência da ONU (Organização das Nações Unidas), com
a incumbência de convocar uma Convenção de âmbito mundial, que se realizou em 1960.
Esta Convenção passou a ser conhecida pela sigla inglesa SOLAS 1960 (Safety Of Life
At Sea), que em português significa Salvaguarda da Vida Humana no Mar.
Em 1978 foi aprovada a alteração do nome IMCO para IMO
(International Maritime Organization), que vigora até hoje.
Reconhecendo ser necessária uma conferência específica para as
plataformas móveis de perfuração, a IMO convocou em 1979 a
Assembléia que aprovou o código Mobile Offshore Drilling Unit Code
(conhecido como MODU 79). Este código é o que vigora até hoje para
as plataformas com batimento de quilha até 1991. Observando que desde a edição do
MODU 79 vinham ocorrendo diversos acidentes trágicos em plataformas móveis e
considerando o avanço tecnológico disponível, a IMO o modificou substancialmente em
1989, sendo aprovado o MODU 89, que vigora até hoje para as plataformas com
batimento de quilha após 1991.
Com o propósito de estabelecer os treinamentos necessários ao pessoal “Não
Aquaviário”, a Organização Marítima Internacional (IMO) aprovou, no ano de 1999, a
Resolução nº A.891, que recomenda a adoção de treinamentos para todo o pessoal
das Unidades Móveis Marítimas (aí incluídas as unidades de prospecção, extração,
produção e/ou armazenagem de petróleo e gás).
De modo a atender a esta Resolução da IMO, a Autoridade Marítima Brasileira,
representada pela Diretoria de Portos e Costas (DPC), criou o “Curso Básico de
Segurança de Plataforma (CBSP)”, cujos módulos são:
- Segurança Pessoal e Responsabilidade Social (SPR/P);
- Primeiros Socorros Elementar (PSE/P);
- Prevenção e Combate a Incêndio (PCI/P); e
- Técnicas de Sobrevivência Pessoal e Procedimentos de Emergência (TSP/P).
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SUMÁRIO PÁGINA
INTRODUÇÃO 2
SEGURANÇA PESSOAL E RESPONSABILIDADE SOCIAL 7
1 - RESPONSABILIDADE SOCIAL E RELAÇÕES HUMANAS A BORDO 8
1.1 – Comunicação Humana 8
1.2 – Barreiras na Comunicação 8
1.3 – O ambiente Offshore 10
1.4 – Trabalho em Grupo e Liderança 11
1.4.1 – Liderança no âmbito de uma Equipe de Trabalho 11
1.4.2 – Condições para o sucesso de um Trabalho em Equipe 12
1.4.3 – Dicas para o Trabalho em Equipe 12
1.5 – Convívio a Bordo 13
1.6 – Prevenção de Drogas e Álcool a bordo 14
1.7 – Responsabilidades Sociais e Trabalhistas 14
2 - SEGURANÇA NO TRABALHO A BORDO 15
2.1 – Introdução 15
2.2 – Legislação de Segurança e Saúde no Trabalho 15
2.2.1 – Histórico 15
2.2.2 – Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho (NR) 15
2.2.3 – Norma Regulamentadora 30 (NR-30) 16
2.3 – Acidente de Trabalho e Prevenção de Acidente 17
2.3.1 – Acidente de Trabalho 17
2.3.2 – Prevenção de Acidente 19
2.4 – Equipamentos de Proteção Individual - EPI 22
2.5 – Entrada em Espaços Confinados 23
2.6 – Gás Sulfídrico (H2S) 24
3 - PREVENÇÃO DA POLUIÇÃO E FISCALIZAÇÃO 25
3.1 – Efeitos da Poluição no Meio Ambientes Marinho 25
3.2 – Principais Fontes Poluidoras 26
3.3 – Legislação referente à Prevenção da Poluição Marítima 28
3.4 – Águas Jurisdicionais Brasileiras - AJB 29
3.5 – Autoridade Marítima Brasileira 29
3.6 – Fiscalização 31
3.7 – Ilegalidades 31
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PRIMEIROS SOCORROS ELEMENTAR 33
1.0 - ESTRUTURA E FUNÇÕES DO CORPO HUMANO 34
1.1 - Sistema Esquelético 34
1.2 - Sistema Muscular 35
1.3 - Sistema Cardiovascular 36
1.4 - Sistema Respiratório 37
1.5 - Sistema Digestivo 38
1.6 - Sistema Urinário 39
1.7 - Sistema Nervoso 40
1.8 - Sistema Tegumentar (pele) 42
2.0 - PRIMEIROS SOCORROS BÁSICOS 42
2.1 - Avaliação do Cenário 42
2.2 - Avaliação Primária da Vítima 44
2.3 - Avaliação Secundária da Vítima 44
2.4 - Intervenções Críticas e Decisão de Transporte 45
3.0 - SITUAÇÕES DE EMERGÊNCIA 46
3.1 - Parada Cardíaca e Parada Cardio-Respiratória PCR) 46
3.2 - Hemorragias 50
3.3 - Estado de Choque 53
3.4 - Asfixia 53
3.5 - Queimaduras 54
3.6 - Choque Elétrico 56
3.7 - Traumatismos Músculo-Esquelético 56
4.0 - IMOBILIZAÇÕES 59
5.0 - TRANSPORTE DE FERIDOS 60
6.0 - REGRAS BÁSICAS PARA SITUAÇÕES DE EMERGÊNCIA 64
6.1 - Comportamento 64
6.2 - Proteção 64
6.3 - Identificação do número de vítimas 64
6.4 - Pedido de apoio 65
6.5 - Meios disponíveis de assistência médica 65
7.0 - HIGIENE E SAÚDE PESSOAL 66
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TÉCNICAS DE SOBREVIVÊNCIA PESSOAL E PROCEDIMENTOS DE EMERGÊNCIA 68
1 - PLATAFORMAS 69
1.1 - Arranjo geral 69
1.2 - Estrutura funcional e hierárquica 69
1.3 - Operações combinadas 70
1.4 - Estabilidade e estanqueidade 71
1.5 - Familiarização inicial a bordo 72
1.6 - Identificação e controle do pessoal 73
1.7 - Pontos de reunião 73
1.8 - Pontos de abandono 73
1.9 - Embarque e desembarque em helicópteros 74
2 - EMERGÊNCIA EM PLATAFORMA 75
2.1 - Tipos de emergência 75
2.2 - Coordenação da emergência 75
2.3 - Instruções no caso de emergência 76
2.4 - Sinais de alarme 77
2.5 - Símbolos 77
2.6 - Rotas de fuga 78
2.7 - Treinamento 78
3 - EQUIPAMENTOS DE SALVATAGEM 79
3.1 - Classificação dos equipamentos 79
3.2 - Marcações nos equipamentos 79
3.3 - Isenção 79
3.4 - Coletes salva-vidas 79
3.5 - Bóias salva-vidas 81
3.6 - Embarcações de sobrevivência 83
3.7 - Bote de resgate 91
3.8 - Roupas para proteção térmica 91
3.9 - Equipamentos de localização e comunicação 92
4 - SOBREVIVÊNCIA NO MAR 94
4.1 - Natação de sobrevivência 94
4.2 - Fatores climáticos que afetam a sobrevivência 96
4.3 - Rações 98
4.4 - Tubarões 101
5 - RESGATE 101
5.1 - Homem ao mar 103
5
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PREVENÇÃO E COMBATE A INCÊNDIO 104
1 - NATUREZA DO FOGO
105
2 - O INCÊNDIO
111
3 - AGENTES EXTINTORES 119
4 - EXTINTORES DE INCÊNDIO 124
4.1 - Generalidades 124
4.2 - Extintores a água 124
4.3 - Extintores a espuma 125
4.4 - Extintores a dióxido de carbono (CO2) 126
4.5 - Extintores de pó químico 128
5 - EQUIPAMENTOS QUE EMPREGAM ÁGUA 129
5.1 - Generalidades 129
5.2 - Bombas e redes de incêndio 129
5.3 - Tomadas de incêndio 129
5.4 - Válvulas 130
5.5 - Mangueiras de incêndio e acessórios 130
5.6 - Esguicho 132
5.7 - Canhão de água 133
6 - SISTEMAS FIXOS DE COMBATE A INCÊNDIO 134
6.1 - Sistema fixo de espuma 134
6.2 - Rede sprinkler 134
6.3 - Sistema fixo de CO2 134
6.4 - Sistema fixo de FM 200 135
7 - MÁSCARAS CONTRA GASES TÓXICOS 135
7.1 - Máscaras com tambor-gerador de oxigênio 135
7.2 - Equipamentos de respiração autônomos (ERA) 136
7.3 - Equipamentos para escape de emergência 136
8 - SISTEMAS DE DETECÇÃO E ALARME DE INCÊNDIO 136
8.1 - Detectores de fumaça 137
8.2 - Detectores de chama 137
8.3 - Detectores de calor 137
9 - ORGANIZAÇÃO DE COMBATE A INCÊNDIO 138
9.1 - Tabela Mestra 138
9.2 - Ações dos membros da Brigada 139
9.3 - Ações do GEPLAT 139
9.4 - Plano de Segurança e Combate a Incêndio 140
10 - QUEDA (CRASH) DE AERONAVE 140
11 - AUTOPROTEÇÃO 141
BIBLIOGRAFIA 141
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MÓDULO
SEGURANÇA PESSOAL E RESPONSABILIDADE SOCIAL
(SPR/P)
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1 – RESPONSABILIDADE SOCIAL E RELAÇÕES HUMANAS A BORDO
A Responsabilidade Social está relacionada com o bem-estar, a qualidade de vida,
a preservação do meio ambiente e a efetiva participação de todos nas ações
comunitárias onde estamos inseridos, uma vez que,
como seres sociais, dependemos uns dos outros para
satisfazer nossas necessidades, tanto físicas como
psicológicas.
Já as Relações Humanas dizem respeito a como
as pessoas se relacionam no dia a dia, e dependem
de um somatório de vários fatores. Um desses
fatores, senão o principal, é o bom relacionamento
entre os componentes das equipes de trabalho, onde
é importante que todos se envolvam com o bem-estar, o crescimento pessoal, a
motivação e a qualidade de vida de seus companheiros.
1.1 – Comunicação Humana
A Comunicação a bordo de uma Plataforma é de vital
importância e, por esta razão, precisa ser clara e eficiente,
de modo a não comprometer a segurança das instalações,
das pessoas a bordo e o meio ambiente.
Uma informação somente pode ser passada quando
ocorrem recepção e emissão, mantendo-se o “ruído” em um
mínimo. Observar, ouvir e ler são tão essenciais quanto
demonstrar, falar e escrever.
Comunicar não é manipular o outro indivíduo, mas fazê-lo entender o que
realmente se pretende transmitir.
O problema básico em comunicação
É que o significado captado pelo ouvinte pode não ser exatamente aquele que o
que falou quis transmitir. Quem fala e quem ouve são duas pessoas distintas, que
vivem em mundos diferentes, e, portanto, inúmeros fatores podem interferir e causar
falhas na comunicação entre elas.
A escuta
É também uma parte vital nos processos de comunicação. Ouvir o outro nasce no
escutar a si próprio. Desenvolver a comunicação nos leva ao autoconhecimento.
O olhar
É outro componente da comunicação e traz em si a inclusão. Incluímos as
pessoas quando as olhamos.
1.2 – Barreiras na Comunicação
Existem muitas barreiras que podem distorcer as informações que transmitimos
ou que recebemos. De inicio, a idéia que temos quando falamos em barreiras na
comunicação é a da existência de interferências que impedem a chegada da
mensagem ao ouvinte. Entretanto, existem barreiras muito mais sutis, que revelam
fatos que geralmente não são percebidos por nós.
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Algumas das barreiras da comunicação:
- Ouvir o que esperamos ouvir;
- Utilizar vocabulário específico;
- Quando conversamos, há duas comunicações ocorrendo,
os aspectos verbais e não verbais; e
- Interferência das emoções na comunicação.
a) Ouvir o que esperamos ouvir.
É muito comum ouvirmos somente aquilo que parece estar fortalecendo
nossos pontos de vista. Quando conversamos com alguém, nossas opiniões
nos levam a ouvir unicamente o que nos interessa, ou então recebemos a
mensagem de forma que esta coincida com o nosso ponto de vista.
b) Utilizar vocabulário específico.
Diferentes grupos tendem a desenvolver a
sua própria linguagem, que é considerada
por muitos como uma espécie de gíria
profissional.
Porém, temos que tomar cuidado para
que um leigo no assunto não fique sem
entender o vocabulário empregado.
c) Quando conversamos, há duas comunicações ocorrendo: os aspectos
verbais e os não verbais.
Nós, humanos, temos o poder da fala, da escuta e do olhar. E muitas das
vezes usamos mal estes benefícios. A comunicação será melhor se
prestamos atenção aos aspectos verbais e não verbais.
Os aspectos verbais
Referem-se às palavras que emitimos. Ao falarmos, podemos ser calmos,
exasperados, apressados, irritados, etc. É importante perceber a entonação
de nossa voz.
Os aspectos não verbais
São os que se referem ao corpo. A linguagem corporal é rica e pode fazer
muita diferença se for explorada e desenvolvida com consciência. Com o
corpo, podemos, sem dizer uma única
palavra, expressar muito conteúdo.
Tristeza, alegria, conforto, desprezo,
incômodo, raiva, afeto podem ser transmitidos
e compreendidos somente com a expressão
corporal.
Através do olhar, dos músculos da face, do
tom de voz, da postura, podemos demonstrar
irritação para com o interlocutor, causando-lhe a impressão de estarmos
zangados com ele, quando na verdade, não é esse o caso.
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d) Interferência das emoções na comunicação
Quando estamos tensos ou quando nos
sentimos inseguros, o que ouvimos e vemos
parece ser mais ameaçador do que quando
estamos tranqüilos e seguros.
Da mesma forma, qualquer transmissão que
façamos nessas condições poderá ser
distorcida e provocar perturbações das mais
variadas.
Também podemos não ouvir as críticas construtivas quando nos sentimos
seguros demais.
Como Minimizar as Barreiras da Comunicação Humana:
- Identificar corretamente o público alvo;
- Usar a linguagem apropriada e direta para este público alvo;
- Fornecer informações claras e completas aos seus interlocutores. Não utilizar
frases longas e rebuscadas;
- Usar canais múltiplos para estimular os vários sentidos dos interlocutores
(visão, audição etc.);
- Tenha atenção ao tom de voz e à postura corporal;
- Tente fazer com que seus sentimentos interfiram o mínimo possível nas
comunicações; e
- Tente colocar-se na posição ou situação da outra pessoa, num esforço de
entendê-la.
1.3 – O ambiente Offshore
O trabalhador a bordo de uma plataforma está afastado de seus familiares,
convivendo com pessoas que nem sempre lhe agradam, sentindo-se, por vezes,
isolado. Se somarmos a isto situações de fadiga e “stress”, que são comumente
encontradas a bordo de Plataformas, há a possibilidade da ocorrência de conflitos,
ansiedade, depressão e insegurança.
O ambiente de trabalho somente poderá se desenvolver sem conflitos, e se
tornar agradável, caso haja entre as pessoas respeito, fraternidade, compreensão,
cooperação, bom senso e tolerância. Uma boa prática é tentar se imaginar no lugar
da outra pessoa e ter sempre em mente que seus direitos terminam quando
começam os das outras pessoas.
Caso necessite, não hesite em pedir ajuda ou em conversar a respeito de
suas dificuldades com outras pessoas.
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1.4 – Trabalho em Grupo e Liderança
Os grupos de trabalho se constituem a partir de interesses comuns, que vão
desde a satisfação das necessidades biológicas (sobrevivência, fome, descanso,
etc.) até as psicológicas (reconhecimento, afeição, estima, realização, oportunidade
de troca de idéias e informações, etc.).
Os desafios e as necessidades fazem com que as pessoas se reúnam em
equipes de trabalho para superar as dificuldades e atingir seus objetivos comuns.
O trabalho em equipe tem os seguintes
aspectos fundamentais:
Realização de atividades impossíveis de
serem executadas por uma só pessoa;
Aumento da produtividade;
Como a essência do trabalho em equipe é
o conhecimento compartilhado, as decisões
da equipe têm uma melhor qualidade devido aos diferentes conhecimentos
que compõem as equipes;
Maior criatividade e eficiência no desempenho das funções; e
Melhor aproveitamento de recursos, tanto pessoal como material;
Como seres sociais, necessitamos da companhia de outras pessoas para que,
unidos, possamos nos apoiar mutuamente e suprir as deficiências individuais.
1.4.1 – Liderança no âmbito de uma Equipe de Trabalho
Para que uma equipe de trabalho tenha êxito, é necessário que exista uma
integração entre as pessoas para manter um ambiente que as motivem a trabalhar
juntas, produtiva e cooperativamente, com satisfação econômica, social e
psicológica.
A presença de um líder é fundamental
para manter a união e a motivação de uma
equipe de trabalho.
Um bom líder deve conhecer a si mesmo,
seus pontos fortes e fracos, procurando viabilizar
os primeiros e tentando não tornar pesados
demais os segundos. A partir daí, ele deve promover as condições adequadas para
que surjam outros líderes à sua volta.
O que se espera de um Líder:
Que tenha conhecimento amplo e profundo do trabalho a ser realizado;
Que seja honrado e íntegro;
Que tenha visão do futuro;
Que inspire paixão naquilo que faz; e
Liderar consiste, enfim, em conseguir com que os demais façam o que
devem fazer com profunda convicção e, sobretudo, que o façam tomando
a si a responsabilidade para que isso aconteça.
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1.4.2 – Condições para o sucesso de um Trabalho em Equipe:
Os membros da equipe de trabalho terem uma missão comum;
Que esta missão seja compatível com os objetivos individuais;
Existir uma liderança, individual ou coletiva,
que direcione, coordene e impulsione a
equipe, sobretudo em momentos difíceis;
Que os talentos sejam administrados
corretamente, situando, da melhor maneira
possível, o desejo e o conhecimento de cada
um dos membros da equipe;
Cultivar um espírito de equipe: valores, normas, atitudes e modelos de
comportamento compartilhados. É preciso haver um sentido comum de
pertencimento ao coletivo;
Apresentar resultados: uma equipe funciona quando alcança os objetivos
planejados;
Que haja incentivos: todos os membros da equipe devem ser
recompensados por seu esforço. Todos devem sentir que vale a pena
trabalhar na empresa; e
Que haja uma comunicação isenta de preconceito, preferências e todos
os demais sentimentos que podem prejudicar ou atrapalhar o ambiente de
trabalho.
1.4.3 – Dicas para o Trabalho em Equipe:
Seja Paciente – não é fácil conciliar opiniões diversas. Exponha seus
pontos de vista e ouça a opinião dos outros mesmo não estando de
acordo;
Saiba reconhecer quando a idéia do outro é melhor que a sua, afinal, mais
importante que nosso orgulho é o objetivo que o grupo pretende alcançar;
Não critique os colegas, não deixe que o conflito entre vocês interfira no
trabalho em equipe. Critique as idéias, nunca as pessoas;
Saiba dividir as tarefas, compartilhe as
responsabilidades e as informações;
Trabalhe, não deixe o outro sobrecarregado,
faça a sua parte;
Seja participativo e solidário, ajude seu colega
sempre que necessário, assim, não se sentirá
culpado quando precisar de ajuda;
Dialogue sempre que estiver com um problema
ou insatisfação, para que seja possível
alcançar uma solução;
Planeje e verifique se as metas traçadas estão
sendo atingidas;
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Evite cair no “pensamento do grupo”. É importante ouvir idéias externas; e
Aproveite o trabalho em equipe, pois essa é a oportunidade de conviver
com seus colegas e aprender com eles.
1.5 – Convívio a Bordo
Em todo ambiente de trabalho existe a possibilidade do surgimento de
conflitos, seja por resistência a mudanças, pelo sentimento de posse, comodismo, por
expectativas não atendidas, pelo estresse do longo período embarcado ou outros
motivos.
Normalmente, um conflito surge quando uma das partes em interação percebe
que a outra frustrou, ou está para frustrar, suas necessidades ou objetivos.
Principais causas de surgimento de conflitos a bordo:
Disputa pelo poder;
Desejo de êxito financeiro;
Desejo de status;
Recursos escassos;
Tentativa de autonomia;
Divergência de metas;
Expectativas não atendidas;
Meio ambiente adverso;
Direitos não atendidos ou não conquistados;
Mudanças, acompanhadas por tensões, ansiedade e medo;
Diferenças culturais, individuais, raciais, políticas ou religiosas;
Exploração de terceiros (manipulação);
Necessidades individuais não atendidas;
Carência de informação, tempo e tecnologia,
Emoções não expressas ou inadequadas;
Obrigatoriedade de consenso; e
Preconceitos.
Regras mais comuns de convívio:
Respeitar a propriedade e a privacidade dos outros;
Não brincar nem fazer piadas em relação às questões étnicas, raciais,
religiosas ou sexuais a bordo;
Evitar brincadeiras brutas ou pregar peças;
Manter sempre a higiene pessoal;
Não mudar de camarote ou leito designado sem a devida autorização;
13
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Todos devem se preocupar com o ambiente de trabalho;
Respeitar o próximo e sempre utilizar boas maneiras;
Procurar conhecer os membros da tripulação da plataforma, a fim de
melhor compreendê-los;
Ser claro e positivo quando se expressar, para evitar interpretações
errôneas e mal entendidas;
Ser sempre tolerante nas discussões. Pense que, talvez, o outro tenha
razão e, mesmo que não tenha, tente entendê-lo;
Fazer o possível para que o seu problema e dificuldade pessoal não
influenciem o seu relacionamento com o grupo; e
Qualquer dúvida a bordo, consulte o seu supervisor.
LEMBRE-SE:
As palavras têm poder. Podemos construir pontes ou barreiras com elas.
Bem depois que as pessoas esquecerem o que você disse, elas ainda se
lembrarão de como se sentiram.
1.6 – Prevenção de Drogas e Álcool a bordo
O uso de álcool e drogas é um fator de risco de acidentes, de redução da
capacidade de trabalho, de comprometimento da saúde e das relações no trabalho.
Por estas razões, é proibido o consumo, porte, distribuição e
venda de bebidas alcoólicas ou qualquer tipo de droga
considerada ilícita pelas leis em qualquer lugar de bordo.
É importante que o trabalhador saiba a política da empresa
quanto a drogas e álcool, para que ele não venha a ser penalizado.
1.7 – Responsabilidades Sociais e Trabalhistas
Tanto as empresa como os trabalhadores devem cumprir integralmente a
legislação nacional e internacional referente às suas Responsabilidades Sociais e
Trabalhistas, em especial as contidas na Declaração dos Direitos Humanos, nas
Convenções da Organização Mundial do Trabalho, nas Normas Regulamentadoras
do Ministério do Trabalho e nas Normas da Autoridade Marítima Brasileira. Dentre
os diversos tópicos que a legislação estabelece, destacamos os seguintes:
Ambiente de trabalho saudável e seguro;
Proibição de qualquer tipo de discriminação;
Respeito às jornadas de trabalho estabelecidas;
Respeito aos acordos trabalhistas;
Liberdade dos trabalhadores de se associarem, sem represálias;
Respeito aos direitos fundamentais;
Cumprimento das normas reguladoras referentes ao trabalho e à segurança
do trabalho;
Respeito às normas da empresa;
Prevenção de acidentes pessoais e materiais; e
Prevenção à poluição do meio ambiente.
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2 - SEGURANÇA NO TRABALHO A BORDO
2.1 - INTRODUÇÃO
Considerando as plataformas como uma pequena indústria ou uma pequena cidade
flutuante onde, freqüentemente, há a possibilidade de ocorrer acidentes devido aos
perigos de bordo, do mar e dos ventos, há a necessidade de nos preocuparmos com a
segurança no trabalho.
Segurança no trabalho é a matéria que orienta o bem-estar, procurando diminuir os
riscos, fornecendo conhecimentos e meios para prevenir acidentes de trabalho.
As plataformas, desde o seu projeto, já devem ter os seus sistemas de segurança
estabelecidos em obediência à legislação nacional e internacional.
2.2 - LEGISLAÇÃO DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO
2.2.1 - Histórico
Com o advento da revolução Industrial o trabalho passou a ser executado em
ambientes fechados, onde a ventilação era precária, o ruído altíssimo, as horas de
trabalho sem limites e não havia equipamentos e normas de segurança, o que trouxe,
como conseqüência, elevados índices de acidentes e de moléstias profissionais.
Com o passar do tempo, foram criadas normas e leis que objetivavam a segurança dos
trabalhadores. No Brasil, em 1943, no governo Getúlio Vargas, foi aprovada a
Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que estatuiu as normas reguladoras das
relações individuais e coletivas de trabalho.
Atualmente, existem legislações sobre segurança e saúde no trabalho que constam
das Convenções da Organização Mundial do Trabalho, das Normas da Autoridade
Marítima Brasileira e das Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho.
2.2.2 - Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho (NR)
As Normas Regulamentadoras são documentos legais aprovados em 08/06/1978 pela
Portaria nº 3.214, de 18/06/1978, do Ministério do Trabalho. Existem hoje 32 Normas
Regulamentadoras – NR’s:
NR-01 Disposições Gerais
NR-02 Inspeção prévia
NR-03 Embargo ou interdição
NR-04 Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do
Trabalho -SESMT
NR-05 Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA)
NR-06 Equipamento de Proteção Individual - EPI
NR-07 Programas de controle médico de saúde ocupacional
NR-08 Edificações
NR-09 Programas de prevenção de riscos ambientais
NR-10 Segurança em instalações e serviços em eletricidade
NR-11 Transporte, Movimentação, Armazenagem e Manuseio de Materiais
NR-12 Máquinas e equipamentos
NR-13 Caldeiras e vasos de pressão
NR-14 Fornos
NR-15 Atividades e operações insalubres
NR-16 Atividades e operações perigosas
NR-17 Ergonomia
15
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NR-18 Condições e meio ambiente de trabalho na indústria da construção
NR-19 Explosivos
NR-20 Líquidos combustíveis e inflamáveis
NR-21 Trabalhos a céu aberto
NR-22 Segurança e saúde ocupacional na mineração
NR-23 Proteção contra incêndio
NR-24 Condições sanitárias e de conforto nos locais de trabalho
NR-25 Resíduos industriais
NR-26 Sinalização de segurança
NR-27 Registro profissional do técnico de segurança do trabalho no Ministério
do Trabalho
NR-28 Fiscalização e penalidades
NR-29 Segurança e saúde no trabalho portuário
NR-30 Segurança e saúde no trabalho aquaviário
NR-31 Norma regulamentadora de segurança e saúde no trabalho na
agricultura, pecuária, silvicultura, exploração florestal e aqüicultura.
NR-32 Segurança e saúde no trabalho em estabelecimentos de saúde
NR-33 Segurança e saúde no trabalho em espaços confinados
NR-34 Condições e meio ambiente de trabalho na indústria da construção e
reparação naval
2.2.3 - Norma Regulamentadora 30 (NR-30)
Esta norma regulamentadora tem como objetivo a proteção e a regulamentação das
condições de segurança e saúde dos trabalhadores aquaviários. Em seu Anexo nº. 2
constam os requisitos mínimos de segurança e saúde nas Plataformas nacionais e
estrangeiras autorizadas a operar em águas sob jurisdição nacional.
Os requisitos mínimos de segurança e saúde apresentados nesta norma abrangem os
seguintes aspectos:
Obrigações do Operador da Instalação (Responsável pelo gerenciamento e
execução de todas as operações e atividades de uma plataforma );
Obrigações dos trabalhadores;
Direitos dos trabalhadores;
Serviços especializados em segurança e medicina do trabalho;
Comissão interna de prevenção de acidentes – CIPA;
Programa de controle médico na plataforma;
Programa de prevenção de riscos na plataforma;
Sinalização de segurança;
Condições de vivência à bordo (sanitários, camarotes, cozinha, refeitórios,
lavanderia, instalações de esporte e de recreação;
Instalações de atenção à saúde a bordo;
Instalações elétricas;
Proteção contra incêndios;
Prevenção e controle de acidentes maiores;
Segurança operacional;
Inspeção e manutenção;
Inspeção de segurança e saúde no trabalho;
Prevenção e controle de vazamentos, derramamentos, incêndios e explosões; e
Controle das fontes de ignição.
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Segundo a norma, são obrigações dos trabalhadores das plataformas:
a) Colaborar com o Operador da Instalação para o cumprimento das disposições
legais e regulamentares, inclusive nos procedimentos internos sobre segurança
e saúde no trabalho;
b) Comunicar imediatamente ao seu superior hierárquico as situações que
considerem representar risco para sua segurança e saúde ou para a de
terceiros;
c) Transportar para bordo os medicamentos, com prescrição médica,
indispensáveis ou de uso contínuo; e
d) Suspender sua tarefa e informar imediatamente ao seu superior hierárquico para
que sejam tomadas todas as medidas de correção adequadas, quando tiver
convicção, fundamentada em seu treinamento e experiência, de que exista
grave e iminente risco para a sua segurança e saúde ou para a de terceiros.
2.3 - ACIDENTE DE TRABALHO E PREVENÇÃO DE ACIDENTE
Quando não há prevenção, a repercussão
social dos acidentes é enorme.
, Além de representar um prejuízo econômico à
empresa, ocasiona um drama social de
trágicas proporções, com reflexos tanto para a
empresa quanto para as famílias dos
trabalhadores.
2.3.1- ACIDENTE DE TRABALHO
Acidente de trabalho é aquele que acontece no exercício do trabalho, a serviço da
empresa, provocando lesão corporal ou perturbação funcional, podendo causar morte,
perda ou redução, permanente ou temporária, da capacidade para o trabalho.
Risco
É a combinação da Probabilidade de um
determinado acidente ocorrer com o Dano
(conseqüência) causado pelo acidente.
Ou seja, o Risco é função da Probabilidade e do
Dano. Quanto maior a Probabilidade e/ou o Dano,
maior será o Risco.
Quando for possível mensurar a Freqüência com
que ocorre determinado acidente, a Probabilidade
será substituída pela Freqüência.
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O meio ambiente agradece.
Dano
Pode ser de natureza pessoal, patrimonial ou ambiental.
O dano pessoal é a alteração indesejável a qualquer pessoa, que cause prejuízo a ela.
Perigo
É uma situação com potencial para provocar dano.
Incidente
É a ocorrência anormal, que contém evento perigoso, porém fatores aleatórios ou a
ação de sistemas de controle de proteção impedem que evolua para um acidente,
causando dano.
Alguns exemplos de incidentes ajudarão a esclarecer:
a) A velocidade do motor aumenta descontroladamente, o regulador de velocidade atua
controlando esta velocidade; e
b) O Maquinista ao testar uma válvula de injeção é atingido pelo jato de combustível.
Os óculos de proteção atuam protegendo os seus olhos.
Acidente
É a ocorrência anormal que contém evento danoso. A diferença fundamental entre
acidente e incidente é a ocorrência do evento danoso.
Condições Inseguras
São condições do meio que contribuem para o acidente e que podem ser eliminadas ou
corrigidas. São exemplos de Condições Inseguras:
- Falta de proteção em máquinas e equipamentos;
- Má arrumação e falta de limpeza;
- Andaimes desprotegidos;
- Instalações elétricas inadequadas ou defeituosas;
- Iluminação inadequada;
- Alto nível de ruído; e
- Escadas defeituosas.
Atos Inseguros
São atitudes pela qual o trabalhador se expõe, consciente ou inconscientemente, a
riscos de acidentes. São exemplos de Atos Inseguros:
- Não observar normas de segurança para trabalhos em compartimentos confinados
(NR-33);
- Não observar normas de segurança para trabalhos com mergulhadores;
- Não observar precauções de segurança nas operações de carga e descarga;
- Não observar precauções de segurança nas proximidades de manobras com cabos
tencionados;
- Não observar precauções de segurança nas proximidades da descarga de motores;
- Não cumprir corretamente os procedimentos para as manobras de bombeamento;
- Não utilizar as listas de verificação;
- Remoção de dispositivos de segurança;
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- Uso de roupas e calçados inadequados;
- Não usar os equipamentos de proteção individual;
- Fumar em local proibido; e
- Apressar processos, na tentativa de ganhar tempo.
Causas de Acidentes
A figura a seguir é um exemplo de Mapa de Acidente do Trabalho, onde são
apresentadas as causas dos acidentes de trabalho, que são: o Homem, as Máquinas e
o Ambiente.
A figura também apresenta os tipos de Riscos, as Prevenções e os tipos de Acidentes.
(que acontece no local de
trabalho)
(que acontece no
deslocamento para o
trabalho)
2.3.2 - PREVENÇÃO DE ACIDENTES
As condições de segurança dos trabalhadores a bordo das plataformas são resultantes
de um conjunto de medidas destinadas a diminuir os riscos de acidentes.
Segurança
Pode ser definida como sendo tudo que se pode fazer para prevenir danos, através da
redução, ao mínimo possível, dos riscos que estão presentes nas inúmeras situações
existentes a bordo de uma Plataforma.
É de fundamental importância que todos a bordo de uma Plataforma compreendam que
a segurança e o bem-estar de cada trabalhador dependem da segurança e o bem-estar
de todo o grupo.
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No caso de uma Plataforma, a conhecida frase “estamos todos no mesmo barco”
pode ser aplicada no seu verdadeiro significado.
Comissão Interna de Prevenção de Acidentes - CIPA
É um instrumento para tratar da prevenção de acidentes do trabalho, das condições do
ambiente de trabalho e de todos os aspectos que afetam a segurança e a saúde dos
trabalhadores. É regulamentada pela Consolidação das Leis do trabalho (CLT) e pela
Norma Regulamentadora 5 (NR-5).
A CIPA é composta de representantes do empregador e dos empregados, de acordo
com o dimensionamento previsto na NR-5.
O objetivo básico da CIPA é fazer com que empregadores e
empregados trabalhem conjuntamente na tarefa de prevenir acidentes
e melhorar a qualidade do ambiente de trabalho, de modo a tornar
compatível o trabalho com a preservação da vida e a promoção da
saúde do trabalhador.
A CIPA também tem por atribuição identificar os riscos dos diversos
processos de trabalho e elaborar os mapas de risco.
Reunião de embarque
Todos os recém embarcados nas plataformas, sejam funcionários ou visitantes, devem
receber um treinamento sobre segurança e procedimentos de como se conduzir
durante sua permanência a bordo. Esta reunião (briefing) deverá ocorrer antes do
recém embarcado iniciar qualquer atividade a bordo.
Diálogo Diário de Segurança, Meio Ambiente e Saúde (DDSMS)
As reuniões do DDSMS devem ser realizadas diariamente antes do inicio dos trabalhos
e quando houver alteração significativa na rotina de trabalho, nos sistemas de
segurança ou de pessoal.
Devem abranger, dentre outros aspectos:
Tarefas diárias a serem executadas;
Riscos de um determinado trabalho a ser
executado;
Alterações operacionais;
Designação de responsabilidades;
Análise de acidentes e troca de experiência; e
Qualquer outro assunto sobre o trabalho em
andamento.
Análise de Risco
Mantenha uma busca constante na identificação de perigos a bordo. Após identificado
o perigo, analise o risco envolvido (probabilidade e dano), visando a segurança das
pessoas, do meio ambiente e das instalações.
Certifique-se de que as medidas de controle para o perigo identificado foram
implementadas e são adequadas ao risco existente. Não permita que um risco mal
avaliado contribua para um acidente.
Informe o supervisor sobre os possíveis riscos da sua tarefa.
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Permissão de Trabalho – PT
É uma autorização formal, por escrito, usada para controlar certos tipos de trabalho, os
quais são identificados como potencialmente perigosos.
A Permissão de Trabalho estabelece como devem ser autorizados os trabalhos em
áreas de risco, de tal forma que o pessoal que irá trabalhar dentro ou em volta do local
desenvolva suas atividades com segurança.
O objetivo principal do sistema de permissão de trabalho é assegurar que:
- o trabalho seja controlado e coordenado;
- os riscos sejam identificados e gerenciados; e
- as atividades sejam autorizadas.
Exemplos de serviços que necessitam de Permissão de Trabalho:
- Trabalho sobre o Mar;
- Trabalho com solda;
- Trabalho em espaço confinado;
- Trabalho em áreas inseguras ou desprotegidas;
- Trabalho em atmosferas contaminadas;
- Operações pressurizadas;
- Operações de mergulho;
- Trabalhos de eletricidade;
- Manobra com cargas pesadas;
- Trabalho envolvendo materiais radioativos e explosivos; e
- Operações de Manutenção que tirem de funcionamento sistemas de segurança, tais
como sensores de incêndio e gás, sistemas de comunicações, equipamentos de
salvatagem, equipamentos de combate a incêndio, dispositivos de emergência.
Dicas para execução de um trabalho seguro
- Leia os procedimentos, listas de verificação e instruções em vigor;
- Planeje o trabalho antes de executá-lo;
- Refaça o planejamento se houver alteração no trabalho;
- Manter-se atento quanto a eventos inesperados;
- Em caso de qualquer anormalidade, pare e pense antes de tomar uma atitude;
- Mantenha a concentração na tarefa que esta sendo executada;
- Evite atalhos nos procedimentos operacionais;
- Evite brincadeiras e exibicionismos durante o trabalho;
- Termine um trabalho antes de iniciar outro;
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- Identifique os perigos, faça a análise de risco e adote as medidas de controle;
- Utilize uma comunicação clara e sucinta;
- Utilize os Equipamentos de Proteção Individual apropriados; e
- Em caso de dúvida, pergunte, consulte manuais, procure seu Supervisor, etc.
2.4 - EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL – EPI
É todo dispositivo de uso individual destinado à proteção contra riscos que possam
ameaçar a segurança e a saúde no trabalho.
NR-06, Seção IV - Do Equipamento de Proteção Individual (EPI):
Art.166 - A empresa é obrigada a fornecer aos
empregados, gratuitamente, equipamento de
proteção individual adequado ao risco e em
perfeito estado de conservação e
funcionamento, sempre que as medidas de
ordem geral não ofereçam completa proteção
contra os riscos de acidentes e danos à saúde
dos empregados.
Art.167 - O equipamento de proteção só
poderá ser posto à venda ou utilizado com a
indicação do Certificado de Aprovação.
Obrigações dos Empregados
- Usar obrigatoriamente o EPI indicado para o trabalho;
- Responsabilizar-se pela guarda e conservação do seu EPI; e
- Comunicar qualquer avaria no EPI que o torne parcial ou totalmente inoperante.
Proteção da Cabeça
Esta proteção é de grande importância, pois a cabeça é uma parte vital do ser humano,
além de ser altamente vulnerável e sensível.
O capacete deve ser construído de uma única peça, com uma estrutura interna ajustável
e uma jugular que se ajuste ao queixo para fixar o capacete à cabeça.
Proteção Auditiva
Muitos dos trabalhadores de uma Plataforma ficam expostos a altos níveis de ruídos, tais
como aqueles que trabalham em praça de máquinas ou no convés, sendo importante o
uso de protetores auditivos. Por vezes, os sintomas somente são sentidos após muito
tempo de exposição ao ruído, quando os efeitos já são irreversíveis.
Equipamento de Proteção Respiratória (máscaras)
As máscaras de proteção respiratória são obrigatórias para trabalhos em
condições que envolvam riscos de deficiência de oxigênio, exposição a
vapores perigosos, venenosos ou irritantes, poeira ou gases.
Máscaras de Fuga
É usada em condições de escape de atmosferas perigosas à vida e à saúde ou com baixa
concentração de oxigênio.
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meio ambiente agradece.
Protetores para Olhos
Deve ser feita uma escolha criteriosa na seleção dos óculos protetores adequados ao
trabalho a ser realizado, levando-se em consideração as características do risco
especifico do local de trabalho.
Protetores Faciais
Podem ser para a proteção da face contra impactos de partículas volantes, contra
respingos de produtos químicos, contra radiação infravermelha e contra luminosidade
intensa.
Proteção para as Mãos e Pés
Todo trabalhador deve usar luvas de proteção e calçados de segurança apropriados ao
tipo de trabalho a ser executado.
Cinto de Segurança
Seu uso é obrigatório em trabalhos onde for previsível o risco de queda.
Colete Salva-Vidas
Seu uso é obrigatório em trabalhos onde for previsível o risco da queda do trabalhador ao
mar e, também, no caso de abandono da plataforma.
Condições de Manutenção dos EPI’s
Antes de iniciar o trabalho, certifique-se de que o EPI se encontra em perfeitas condições,
de maneira a não causar danos ao trabalhador, ao meio ambiente e as instalações.
2.5 - ENTRADA EM ESPAÇOS CONFINADOS
Espaço confinado é qualquer área não projetada para ocupação humana contínua, que
possua meios limitados de entrada e saída, cuja ventilação é deficiente para remover
contaminantes ou onde possa existir deficiência de oxigênio.
Todos os espaços confinados devem ser considerados inseguros para entrada, até que
sejam providos de condições mínimas de segurança e saúde. Nesse espaço só é
permitida a entrada após emissão de uma permissão para trabalho (PT) por escrito.
Deve ser previsto treinamento para os trabalhadores quanto aos riscos a que estão
submetidos, as formas de preveni-los e o procedimento a ser adotado em situação de
risco, conforme norma ABNT NBR 14787.
Deve existir sinalização (placa de advertência) com informação clara e permanente,
proibindo a entrada de pessoas não autorizadas no interior do espaço confinado.
Ações de preparação para entrada em um Espaço Confinado
- Retirada de operação dos sistemas existentes no local que possam colocar em risco os
trabalhadores que entrarão no espaço confinado;
- Drenagem e despressurização;
- Para os casos em que a drenagem seja necessária, os suspiros (“vents”) devem ser
mantidos abertos, de modo a evitar danos estruturais e implosões geradas por
pressões negativas no espaço em questão; e
- Desgaseificação (eliminação de Gases e Vapores) do espaço confinado. Uma vez
isolado o espaço confinado, deve ser processada a sua desgaseificação por lavagem
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com água, admissão de ar, de vapor d’água ou inertização, conforme procedimento
operacional específico e tipo de produto.
Precauções para Entrada em Espaços Confinados
Como precaução, as seguintes medidas de segurança devem ser tomadas, antes de dar
entrada em locais confinados, para torná-los seguros sem a utilização de equipamentos
especiais de respiração (máscaras) e de modo a garantir que o local se mantenha seguro
enquanto o trabalhador esteja dentro deste espaço confinado:
- Um profissional qualificado deve efetuar uma avaliação, com instrumentação, do
espaço confinado;
- A atmosfera deve ser testada quanto a explosividade e contaminação do ar;
- Os potenciais riscos devem ser identificados;
- O espaço deve ser preparado e tornado seguro para a entrada do trabalhador;
- Uma “Permissão para Trabalho” (PT) deve ser emitida;
- Os procedimentos de entrada devem ser estabelecidos e seguidos;
- Uma ventilação continua deve ser mantida durante todo o trabalho; e
- O procedimento de fuga em emergência do espaço confinado deve ser conhecido.
2.6 - GÁS SULFÍDRICO (H2S)
Um dos mais temidos agentes químicos encontrados em alguns campos de petróleo é o
Sulfeto de Hidrogênio, também conhecido por Gás Sulfídrico, Gás de Ovo Podre, Gás de
Pântano, etc.
Ele pode originar-se de várias fontes e muitas vezes é resultante de processos de
biodegradação da matéria orgânica vegetal e animal.
Este gás já foi o responsável por diversos acidentes, sendo alguns deles fatais, pois é
extremamente tóxico e inflamável.
Na indústria do petróleo o H2S poderá estar presente nos reservatórios de
armazenamento de petróleo e em alguns campos de produção de petróleo.
Nas plataformas onde há o risco da presença deste gás há máscaras de fuga disponíveis
para o uso a qualquer momento.
Características
- Muito tóxico. Se for inalado, poderá causar danos à saúde;
- Tem odor de ovo podre a baixas concentrações, mas em concentrações elevadas,
inibe o sentido do olfato;
- Incolor;
- Mais pesado que o ar. Por esta razão, são esperadas concentrações mais elevadas nos
pontos mais baixos; e
- Forma misturas explosivas com o ar.
Efeitos danosos ao homem
Os efeitos de uma intoxicação com este gás são sérios, similares aos do monóxido de
carbono, porém mais intensos, podendo causar danos permanentes. Este gás tóxico
paralisa o sistema nervoso que controla a respiração, incapacitando os pulmões de
funcionar, provocando asfixia.
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Favor devolver esta apostila “sem rasuras” ao final do curso. O
meio ambiente agradece.
Detecção e Alarme
Nas Plataformas onde houver a possibilidade de exposição ao H2S deverá existir um
sistema de detecção e alarme, além de placas indicativas alertando para uma possível
exposição ao gás. A localização dos sensores do sistema de detecção será indicada pela
análise de risco.
O que fazer em caso de detecção
Havendo suspeitas ou detecção de H2S em algum ponto da Plataforma, deverão ser
adotadas as seguintes orientações:
- Retirar-se do local e dirigir-se para local bem ventilado;
- Comunicar imediatamente à sala de controle. A sala de controle deverá acionar
imediatamente o técnico de segurança;
- O técnico de segurança deverá equipar-se com conjunto autônomo de respiração e
detector portátil de gás para monitorar a presença do gás;
- Confirmada a presença do gás, e dependendo da quantidade, o técnico de segurança
acionará o plano de ação específico para cada caso; e
- No caso de acionamento do alarme de emergência, o coordenador da emergência
deverá observar a direção do vento para a escolha dos melhores pontos de reunião.
3 – PREVENÇÃO DA POLUIÇÃO E FISCALIZAÇÃO
3.1 – Efeitos da Poluição no Meio Ambiente Marinho
A terra possui 71% de sua superfície coberta por água, sendo que o mar é responsável
por 97,2% desta água. Portanto, é inegável que o mar representa uma parte fundamental
da biosfera, sendo considerado fonte importante de recursos energéticos, alimentares e
minerais, muitos deles renováveis.
O meio ambiente marinho é componente essencial do sistema que possibilita a
existência da vida sobre a Terra, além de ser uma riqueza que oferece possibilidades
para um desenvolvimento sustentável.
Apesar de o homem achar que, por possuir uma área
extensa, o mar conta com uma infinita capacidade de
prover recursos naturais e absorver todos os resíduos que
são nele despejados, isso não é verdade. Cada vez mais
poluentes de diferentes tipos e graus de toxicidade são
lançados no meio-ambiente marinho e conseqüentemente
ocasionam vários tipos de problemas. A poluição produzida
pelo homem já atinge, inclusive, o Ártico e a Antártica,
onde já se apresentam sinais de degradação.
A poluição causada pela imensa quantidade
de substâncias lançadas nos oceanos produz o
aparecimento de organismos que prejudicam o
desenvolvimento da vida marinha e também
compromete o percentual de alimentos. Os oceanos
recebem boa parte dos poluentes dissolvidos nos rios e
riachos, além do lixo dos centros industriais e urbanos e
vazamentos de petróleo e seus derivados provenientes
de oleodutos, navios ou plataformas.
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A poluição por produtos químicos ou metais pesados causa a bioacumulação,
que é o fenômeno através do qual os organismos vivos acabam retendo dentro de si
algumas substâncias tóxicas.
Estas substâncias tóxicas vão se acumulando também nos demais seres da
cadeia alimentar, até chegar ao homem, provocando um processo lento de intoxicação e,
muitas vezes, letal.
3.2 – Principais Fontes Poluidoras
Uma grande parte da poluição dos oceanos é produzida em terra. São resíduos
provenientes de atividades humanas como urbanização, agricultura, despejo de esgoto
não tratado, dejetos industriais e falta de infra-estrutura costeira.
O restante da poluição tem sua origem nas atividades desenvolvidas nos próprios
oceanos e nas suas zonas costeiras. São provenientes de vários tipos de instalações e
embarcações, tais como: navios de carga, de passageiros, barcos de pesca e de turismo,
plataformas fixas e móveis, etc.
Os principais grupos de contaminantes marinhos são: esgoto, hidrocarbonetos de
petróleo, resíduos industriais, lixo e água de lastro.
Esgoto
Carregam altas dosagens de fosfato e nitrogênio,
originando micro-organismos causadores de doenças
como hepatite, por exemplo.
Para se ter uma idéia, uma plataforma com 300
trabalhadores gera uma quantidade estimada entre 5.000
a 10.000 litros de esgoto sanitário por dia. Por isto, são
dotadas de plantas de tratamento de esgoto.
Hidrocarbonetos de petróleo
Atualmente, o petróleo é a principal fonte de energia para
garantir o desenvolvimento das indústrias e movimentar
os meios de transportes em todo o mundo. Cada vez
mais, os esforços para obtê-lo aumentam para atender à
demanda.
Com isso, os riscos de acidentes e vazamentos também
crescem, principalmente porque as grandes reservas de
hidrocarbonetos encontram-se no mar.
O derramamento de petróleo é considerado um dos maiores e mais graves desastres
ecológicos. Os ecossistemas, quando afetados, só conseguem se recompor após
dezenas de anos, desde que sejam limpos rapidamente e desde que não haja mais
nenhum outro problema sério nesse longo período.
Nas Plataformas, quando há a necessidade de se esgotar, para o mar, misturas onde
possa haver a presença de óleo, é utilizado o equipamento denominado “Separador de
Água e Óleo”, que garante que a descarga para o mar somente se dará quando a
concentração de óleo na mistura for inferior a 15 ppm (Partículas Por Milhão).
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Favor devolver esta apostila “sem rasuras” ao final do curso. O
meio ambiente agradece.
As misturas com concentrações maiores que 15 ppm deverão ser descarregadas para os
barcos de apoio, que efetuarão o transporte para terra, para que tenham a destinação
correta.
Caso haja algum derramamento acidental de óleo, seja no convés ou no mar, a
Plataforma deverá cumprir os procedimentos previstos no “SOPEP PLAN” (Plano de
Emergência para Poluição por Óleo).
Resíduos Industriais
A planta industrial das Plataformas gera resíduos que precisam ser descartados. A
maneira como serão realizados estes descartes é estabelecida pelos órgãos de controle
do meio ambiente.
Dependendo das características físico-químicas dos resíduos, serão transportados para
terra pelos barcos de apoio ou descarregados para o mar. Para que possam ser
descarregados para o mar deverão atender a requisitos mínimos, de modo que não haja
prejuízo para o meio ambiente.
Lixo
As Plataformas são dotadas de um Plano de Gerenciamento de Lixo, no qual constam
todas as ações que devem ser adotadas para o descarte dos diversos tipos de resíduos.
A coleta de lixo deve ser seletiva, ou seja, haverá
recipientes específicos para a coleta de papel, vidro,
metal, plástico, resto alimentar, etc.
Os resíduos alimentares podem ser triturados e
descartados para o mar.
Os resíduos sólidos, que não sejam restos de alimento,
devem ser armazenados e, posteriormente,
descarregados para os barcos de apoio.
Para resíduos tóxicos, explosivos e radioativos devem ser observadas as recomendações
especificas para o seu armazenamento e descarga para os barcos de apoio.
Água de lastro
É chamado de lastro o material usado para fazer peso e manter
as condições de equilíbrio das embarcações. Antigamente os
navios usavam material sólido para lastrá-los, o que causava
problemas, especialmente durante as transferências de carga
nos portos.
A grande vantagem de se utilizar a água como lastro reside no
fato de ser um fluido de fácil manuseio e captação.
A desvantagem reside no fato das embarcações percorrerem
vários locais do mundo, recebendo água para lastro de
ecossistemas que podem ser completamente diferentes do
ambiente onde essa água será descarregada, podendo vir a perturbar o equilíbrio
ecológico.
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Ao contrário do que ocorre com outras formas de poluição, a introdução de novas
espécies marinhas pode ser irreversível, pois sem inimigos naturais (predadores ou
competidores pelos recursos) tais organismos podem se expandir rapidamente.
3.3 – Legislação referente à Prevenção da Poluição Marítima
Preocupadas com as conseqüências negativas advindas da poluição do meio ambiente
marinho, as nações sempre se mobilizaram no sentido de gerar acordos e convenções
para conseguir um maior controle dos riscos e perigos inerentes às atividades marítimas.
Dentre as normas, leis e convenções existentes, ressaltam-se as seguintes:
Convenção Internacional para Prevenção da Poluição no Mar - MARPOL
Esta Convenção inclui regras que objetivam a prevenção e a minimização da poluição do
mar causada por embarcações, seja acidental ou por operações rotineiras.
Conhecida como MARPOL (Maritime Pollution), possui 6 (seis) anexos:
Anexo I: Regras para a prevenção de poluição por óleo;
Anexo II: Regras para a prevenção de poluição por substâncias nocivas a granel;
Anexo III: Regras para a prevenção de poluição por substâncias perigosas em
embalagens;
Anexo IV: Regras para a prevenção de poluição por esgoto;
Anexo V: Regras para a prevenção de poluição por lixo; e
Anexo VI: Regras para a prevenção de poluição atmosférica.
Lei Federal n° 9.966, de 2000
Conhecida como “Lei do Óleo”, estabelece os princípios básicos a serem obedecidos na
movimentação de óleo e outras substâncias nocivas ou perigosas em instalações
portuárias, navios e plataformas em águas sob jurisdição nacional.
Dispõe sobre a prevenção, o controle e a fiscalização da poluição, tendo como base a
Convenção MARPOL.
Decreto Federal n° 4.136, de 2002
Dispõe sobre a especificação das sanções aplicáveis às infrações às regras de
prevenção, controle e fiscalização da poluição causada por lançamento de óleo e outras
substâncias nocivas ou perigosas em águas sob jurisdição nacional, prevista na Lei
Federal n° 9.966, de 2000.
Segundo este Decreto, as infrações serão punidas com as seguintes sanções:
I - advertência;
II - multa simples;
III - multa diária;
IV - apreensão do navio;
V - destruição ou inutilização do produto;
VI - embargo da atividade;
VII - suspensão parcial ou total das atividades; e
VIII - restritiva de direitos.
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meio ambiente agradece.
São autoridades competentes para lavrar auto de infração os agentes da autoridade
marítima, dos órgãos ambientais federal, estaduais e municipais e do órgão regulador da
indústria do petróleo, no âmbito de suas respectivas competências.
Qualquer pessoa que constate a ocorrência de fato que possa se caracterizar como
possível infração de que trata este Decreto poderá comunicá-lo às autoridades
competentes, para que se possa realizar a devida apuração.
3.4 – Águas Jurisdicionais Brasileiras (AJB)
A Convenção das Nações Unidas sobre Direito do Mar assinada em Montego Bay,
Jamaica, em 1982 estabelece que todo estado costeiro exerce soberania no Mar
Territorial (de até 12 milhas náuticas) e jurisdição quanto à exploração e ao
aproveitamento dos recursos naturais na Zona Econômica Exclusiva (de até 200 milhas
náuticas) e na Plataforma continental.
As “Águas Jurisdicionais Brasileiras” (AJB) compreendem: as águas interiores e os
espaços marítimos nos quais o Brasil exerce jurisdição em algum grau sobre atividades,
pessoas, instalações, embarcações e recursos naturais encontrados na massa líquida, no
leito ou no subsolo marítimo, para os fins de controle e fiscalização, dentro dos limites da
legislação internacional e nacional.
Os espaços marítimos acima citados compreendem a faixa de 200 milhas náuticas
contadas a partir da linha de base, acrescida das águas sobrejacentes à extensão da
Plataforma Continental que for além das 200 milhas náuticas.
3.5 – Autoridade Marítima Brasileira
Por lei, o Comandante da Marinha é a Autoridade Marítima Brasileira, que tem, dentre
várias atribuições e responsabilidades, a tarefa de fiscalizar, nas Águas Jurisdicionais
Brasileiras, o cumprimento das normas referentes ao meio ambiente marítimo.
Representantes da Autoridade Marítima
Para possibilitar o cumprimento de todas as tarefas atinentes à Autoridade
Marítima, sua estrutura é descentralizada por meio de vários Representantes.
O Diretor de portos e Costas (DPC) é o Representante Nacional da Autoridade
Marítima Brasileira.
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meio ambiente agradece.
Em termos regionais, a Marinha do Brasil é dividida em Distritos Navais, onde estão
localizados os Agentes Legais da Autoridade Marítima, que são: Capitanias dos Portos,
Delegacias e Agências (classificação estabelecida em função da intensidade das
atividades marítimas do local).
Capitanias dos Portos
(locais listados na figura ao lado)
Delegacias
(locais listados na figura ao lado)
Macaé
Agências
(locais listados na figura ao lado)
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3.6 – Fiscalização
A fiscalização nas Águas Jurisdicionais Brasileiras é uma atividade exercida pelas
Capitanias, Delegacias e Agências localizadas nos diferentes Distritos Navais.
Port State Control
Esta denominação, conhecida internacionalmente, é a fiscalização realizada pelos
Agentes Legais da Autoridade Marítima nas embarcações estrangeiras operando em
Águas Jurisdicionais Brasileiras.
Flag State
Esta denominação, conhecida internacionalmente, é a fiscalização realizada pelos
Agentes Legais da Autoridade Marítima nas embarcações de Bandeira Brasileira.
3.7 – Ilegalidades
Além das infrações às regras de prevenção, controle e fiscalização da poluição, as
embarcações estão sujeitas às seguintes ilegalidades:
Pirataria
Segundo a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito
do Mar (CNUDM), constituem pirataria quaisquer dos
seguintes atos:
a) Todo ato ilícito de violência, detenção ou depredação
cometido para fins privados, pela tripulação ou pelos
passageiros de um navio privado, e dirigido contra:
i) Um navio em alto mar ou pessoas ou bens a bordo dos mesmos; e
ii) Um navio, pessoas ou bens em lugar não submetido à jurisdição de algum
Estado.
b) Todo ato de participação voluntária na utilização de um navio quando aquele que o
pratica tenha conhecimento de fatos que dêem a esse navio o caráter de navio pirata.
A diferença entre pirataria e atos ilícitos como assalto ou roubo é que, como visto na
definição acima, o ato de pirataria é executado em alto mar ou fora da jurisdição de um
Estado enquanto os outros atos ilícitos não.
Terrorismo
É uma estratégia que consiste no uso de violência, física ou psicológica, por indivíduos ou
grupos, contra a ordem estabelecida, através de ataques a um governo ou à população
que o legitimou, com o objetivo de constranger ou infringir danos.
Após os atentados terroristas em 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, os países
mais sujeitos a esse tipo de ação, em especial os EUA, decidiram que seria necessário
ampliar a fiscalização de produtos e pessoas que entram em seus portos e aeroportos.
Para isto, trabalharam junto aos países membros da Organização Marítima Internacional
(IMO) para a aprovação de uma legislação que aumentasse as normas de segurança das
instalações portuárias e navios envolvidos em viagens internacionais.
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Assim, em uma Conferência Diplomática da IMO, realizada
no mês de dezembro de 2003, foi aprovado o "Código
Internacional de Segurança para Navios e Instalações
Portuárias" (International Ship and Port Facility Security
Code – ISPS CODE).
A adoção deste código representou uma alteração
significativa na abordagem da proteção no setor marítimo,
estabelecendo a necessidade da instalação de novos
equipamentos de controle/proteção e a implementação de
programas de capacitação e treinamento.
Passageiros Clandestinos
Passageiros clandestinos são aqueles encontrados a bordo que não cumpriram o trâmite
legal para o embarque.
Os passageiros clandestinos ficam sujeitos a prisão a bordo e serão entregues à
autoridade policial. O ingresso de clandestino no Brasil é uma infração administrativa, no
qual o procedimento adotado pela Polícia Federal é retirá-lo do local, submetê-lo a uma
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MÓDULO
PRIMEIROS SOCORROS ELEMENTAR
(PSE/P)
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1- ESTRUTURA E FUNÇÕES DO CORPO HUMANO
O conhecimento e o entendimento básico da estrutura (anatomia) e das funções
(fisiologia) do corpo humano facilitam a realização dos Primeiros Socorros e a
comunicação com a equipe médica.
A divisão anatômica básica do corpo humano é feita em cabeça, tronco e membros.
Ele é composto por células (componentes fundamentais), tecidos (composto por células
semelhantes que formam os órgãos) e sistemas orgânicos (grupos de órgãos que atuam
em determinada função).
1.1 - SISTEMA ESQUELÉTICO
Estrutura interna que dá sustentação ao corpo. Trata-se de uma “torre” de ossos
unidos por articulações que tem como função a locomoção e a proteção de órgãos vitais,
como por exemplo, os do crânio, que protegem o cérebro. É formado por ossos,
articulações e cartilagens. Os ossos são estruturas vivas, formados por sais minerais,
principalmente de cálcio, repletos de células nutridas por sangue. As articulações são
espaços que unem os ossos, envolvidas por uma cápsula com líquido lubrificante. Nas
articulações, os ossos são envolvidos por cartilagem, um tecido mais mole que recobrem
as extremidades dos ossos, cuja função é reduzir o atrito e amortecer os choques.
O esqueleto humano é formado por 206 ossos. Seu eixo principal é a coluna
vertebral que se estende da base do crânio até o quadril. O crânio é formado por vários
ossos firmemente unidos entre si com exceção do maxilar inferior (mandíbula) que se
move.
A coluna vertebral é formada por vértebras e apresenta os seguintes segmentos:
- região cervical: encontra-se no pescoço sendo formada por 7 vértebras;
- região torácica: faz parte do tórax. Formada por 12 vértebras, dá origem às
costelas; e
- região lombar: apresenta 5 vértebras.
Ao final da coluna se localiza a pelve (bacia), constituída pelo sacro que é formado
por 5 vértebras unidas, os ílios (um de cada lado) e cóccix.
Região Cervical
Região Torácica
Região Lombar
Região Sacral
Na parte externa do ílio (ilíaco) em uma cavidade, se aloja a cabeça do fêmur, o
maior osso do corpo humano, que termina no joelho. Articula-se com os dois ossos da
perna: a tíbia que se sente logo abaixo da pele e fíbula. No joelho encontra-se a patela
(rótula) cuja forma se percebe com facilidade. No tornozelo o pé, formado por vários
ossos pequenos, se articula com os ossos da perna.
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Doze costelas estão ligadas a cada lado da coluna vertebral. Cada costela, com
exceção das duas inferiores rodeia o peito, indo da coluna até o osso esterno formando a
caixa torácica que protege o coração, pulmões e outros órgãos internos.
O esterno é um osso chato situado logo abaixo da pele do tórax e em sua parte
superior de cada lado é ligado à clavícula, osso que se estende horizontalmente no ombro
e se junta à escápula, osso triangular das costas. É na parte externa da escápula numa
cavidade que se aloja a cabeça do úmero, osso do braço. O úmero se estende até o
cotovelo onde se articula com os dois ossos do antebraço: rádio e ulna (cúbito). O punho
e a mão, como o pé, são formados por vários pequenos ossos.
Crânio
Clavícula Maxilar
Mandíbula
Escápula
Úmero
Esterno
Costelas
Coluna
vertebral
Ulna
Rádio
Ílio
Carpo
Carpo
Metacarpo
Falanges
Sacro
Fêmur Ísquio
Púbis
Patela
Tíbia
Fíbula
Fíbula
Tarso
Tarso
Metatarso
Metatarso
Falanges
Falanges
1.2- O SISTEMA MUSCULAR
O tecido muscular é caracterizado pela propriedade de contração e distensão de
suas células, o que determina a movimentação dos membros e das vísceras. Há
basicamente três tipos de tecido muscular: liso, estriado esquelético e estriado.
Músculo liso: o músculo involuntário localiza-se na pele, órgãos internos, aparelho
reprodutor, grandes vasos sangüíneos e aparelho excretor. O estímulo para a contração
dos músculos lisos é mediado pelo sistema nervoso vegetativo.
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Músculo estriado esquelético: é inervado pelo sistema nervoso central e, como este
se encontra em parte sob controle consciente, chama-se músculo voluntário. As
contrações do músculo esquelético permitem os movimentos dos diversos ossos e
cartilagens do esqueleto.
Músculo cardíaco: este tipo de tecido muscular forma a maior parte do coração dos
vertebrados. O músculo cardíaco carece de controle voluntário. É inervado pelo sistema
nervoso vegetativo.
O sistema muscular esquelético constitui a maior parte da musculatura do corpo,
formando o que se chama popularmente de carne. Essa musculatura recobre totalmente
o esqueleto e está presa aos ossos, sendo responsável pela movimentação corporal .
MÚSCULOS ESQUELÉTICOS
Anterior Posterior
1.3 - O SISTEMA CARDIOVASCULAR
O sistema cardiovascular ou circulatório é uma vasta rede de tubos de vários tipos
e calibres, que põe em comunicação todas as partes do corpo. Dentro desses tubos
circula o sangue, impulsionado pelas contrações rítmicas do coração. São os vasos
sangüíneos. Eles se dividem em:
- artérias que conduzem sangue arterial para todos os órgãos e tecidos;
- veias que conduzem o sangue venoso de todos os órgãos e tecidos para o
coração. Depois o sangue é transportado para os pulmões;
- capilares que são vasos muito finos onde ocorrem as trocas de nutrientes,
oxigênio e
- gás carbônico entre o sangue e as células.
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Arterial Venoso
O sistema circulatório permite que algumas atividades sejam executadas com
grande eficiência:
- Transporte de gases: os pulmões, responsáveis pela obtenção de oxigênio e pela
eliminação de gás carbônico, comunicam-se com os demais tecidos do corpo por meio
do sangue.
- Transporte de nutrientes: no tubo digestivo, os nutrientes resultantes da digestão
passam através de um fino epitélio e alcançam o sangue. Por essa verdadeira "auto-
estrada", os nutrientes são levados aos tecidos do corpo;
- Transporte de resíduos metabólicos: a atividade metabólica das células do corpo
origina resíduos, mas apenas alguns órgãos podem eliminá-los para o meio externo. O
transporte dessas substâncias, de onde são formadas até os órgãos de excreção, é
feito pelo sangue;
- Transporte de hormônios: hormônios são substâncias secretadas por certos órgãos,
distribuídas pelo sangue e capazes de modificar o funcionamento de outros órgãos do
corpo;
- Intercâmbio de materiais: algumas substâncias são produzidas ou armazenadas em
uma parte do corpo e utilizadas em outra parte. Células do fígado, por exemplo,
armazenam moléculas de glicogênio, que, ao serem quebradas, liberam glicose, que o
sangue leva para outras células do corpo;
- Transporte de calor: o sangue também é utilizado na distribuição homogênea de calor
pelas diversas partes do organismo, colaborando na manutenção de uma temperatura
adequada em todas as regiões; permite ainda levar calor até a superfície corporal,
onde pode ser dissipado;
- Distribuição de mecanismos de defesa: pelo sangue circulam anticorpos e células
fagocitárias, componentes da defesa contra agentes infecciosos; e
- Atuar na coagulação sangüínea.
1.4 - SISTEMA RESPIRATÓRIO
O sistema respiratório humano é constituído por um par de pulmões e por vários
órgãos que conduzem o ar para dentro e para fora das cavidades pulmonares. Esses
órgãos são as fossas nasais, a boca, a faringe, a laringe, a traquéia, os brônquios, os
bronquíolos e os alvéolos, os três últimos localizados nos pulmões.
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Cavidade
nasal e boca
Laringee e
Laringe
Laringe e
traquéia
traquéia
traquéia
Pulmão Pulmão
Pulmão
Pulmão
direito esquerdo
esquerdo
A cada inspiração, o ar (contendo oxigênio) entra pelo nariz ou boca até atingir os
alvéolos que são circundados por capilares. É aí que se dá a troca do gás carbônico por
oxigênio (hematose).
Brônquio Direito Cartilagem
Tireóidea
Cartilagem
Tireóidea
Brônquio de Traquéia
Primeira Ordem
Brônquio Esquerdo
Brônquio de
Segunda Ordem
Ramificações Bronquiais
Brônquio de
Terceira Ordem
O ritmo respiratório em repouso é 16 a 18 incursões respiratórias por minuto, mas
pode aumentar consideravelmente com o exercício físico e também com certas doenças
principalmente as que afetam o coração e os pulmões.
1.5 - SISTEMA DIGESTIVO
O sistema digestivo humano é formado por um longo tubo musculoso, ao qual
estão associados órgãos e glândulas que participam da digestão. Apresenta as
seguintes regiões; boca, faringe, esôfago, estômago, intestino delgado, intestino grosso
e ânus.
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Sua função é transformar o alimento ingerido em partículas bem pequenas para que
então possam ser absorvidas no intestino, passando assim para dentro dos vasos
sangüíneos.
É na boca pela mastigação e com a ajuda da saliva que se inicia o processo de
digestão. No estômago o alimento pela ação de vários sucos digestivos junto com a
contração e relaxamento da parede estomacal forma uma mistura parcialmente digerida
que vai para o intestino delgado. Sob a ação de sucos digestivos vindos do fígado e do
pâncreas, os nutrientes necessários são absorvidos e o os resíduos não aproveitados são
eliminados do organismo pelo ânus.
Numerosas bactérias vivem em mutualismo no intestino grosso. Seu trabalho
consiste em dissolver os restos alimentícios não assimiláveis, reforçar o movimento
intestinal e proteger o organismo contra bactérias estranhas, geradoras de
enfermidades.
As fibras vegetais, principalmente a celulose, não são digeridas nem absorvidas,
contribuindo com porcentagem significativa da massa fecal. Como retêm água, sua
presença torna as fezes macias e fáceis de serem eliminadas.
1.6 - SISTEMA URINÁRIO
O sistema excretor é formado por um conjunto de órgãos que filtram o sangue,
produzem e excretam a urina - o principal líquido de excreção do organismo. É
constituído por um par de rins, um par de ureteres, pela bexiga urinária e pela uretra.
Os rins situam-se na parte dorsal do abdome, logo abaixo do diafragma, um de cada
lado da coluna vertebral, nessa posição estão protegidos pelas últimas costelas e
também por uma camada de gordura. Têm a forma de um grão de feijão enorme. São
responsáveis pela filtração do sangue e remoção das excreções.
A urina deixa o rim por um pequeno tubo chamado ureter que a conduz até a bexiga,
uma espécie de bolsa aonde é armazenada até ser expelida pela uretra.
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Glândula
Supra Renal
Rim
Aorta
Veia Renal Art. Renal
Veia Cava
Ureter
Veia Ilíaca Art. Ilíaca
Bexiga
1.7 - SISTEMA NERVOSO
O sistema nervoso, juntamente com o sistema nervoso autônomo, capacitam o
organismo a perceber as variações do meio (interno e externo), a difundir as
modificações que essas variações produzem e a executar as respostas adequadas para
que seja mantido o equilíbrio interno do corpo (homeostase). São os sistemas envolvidos
na coordenação e regulação das funções corporais
É composto pelo cérebro, medula espinhal e nervos que emergem deles.
Localizado dentro da caixa craniana, o cérebro é uma massa de tecido nervoso que
atuando como um computador, recebe mensagens do exterior por meio dos nervos
sensoriais e dos nervos especiais relacionados à visão, olfato, paladar, audição, etc,
decidindo a ação necessária e então enviando ordens para as várias partes do corpo
pelos nervos motores.
A medula espinhal é composta por um tecido similar e deixa o cérebro por uma
abertura na base do crânio, descendo por um canal na coluna vertebral. Ao longo da
coluna saem nervos contendo tanto fibras nervosas sensoriais e motoras que chegam
aos músculos, pele e outros órgãos.
canal central
cérebro subst. raiz sensitiva
cinzenta
cerebelo
ponte
bulbo
medula
raiz
subst. motora
branca nervo
raquidiano
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Cérebro
Cerebelo
Cerebelo
Plexo braquial
Nervo musculo- Nervos
cutâneo intercostais
Medula
espinhal
Cauda eqüina
Nervo femoral
Nervo ciático
Nervo safeno Nervo femuro-
interno cutâneo
Nervo tibial
posterior
Nervo ciático
poplíteo lateral
Nervos digitais
plantares
comuns
O sistema nervoso autônomo é uma fina rede de nervos que ajudam o controle das
funções de vários órgãos do corpo. Embora esteja conectado com certas partes do
cérebro não é controlado pela vontade, funcionando automaticamente noite e dia.
Divide-se em sistema nervoso simpático e parassimpático, que apresentam de certa
forma funções contrárias (antagônicas). Ele regula, por exemplo, o ritmo cardíaco, de
acordo com as necessidades das várias partes do corpo. Ele também controla os
músculos do estômago e intestino e o ritmo respiratório.
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1.8 - SISTEMA TEGUMENTAR (PELE)
A pele recobre e protege o corpo humano isolando-o do meio exterior. É composta
por duas camadas: a epiderme e a derme.
A epiderme é a camada mais superficial e renova-se constantemente. A derme é a
camada onde se localizam os vasos sangüíneos, nervos, glândulas sudoríparas,
sebáceas e tecido gorduroso.
Pêlo
Pêlo
Terminações
Corpúsculo de
nervosas livres Meissner
Camada de
queratina
Discos de Merkel
Epiderme
Epiderme
Epiderme
Epiderme
Epiderme
Derme Glândula
sebácea
Corpúsculo de Pacini
Folículo do pêlo
Células adiposas
A pele tem as funções de proteção, regulação de temperatura (suor), e por causa
das terminações nervosa que nela se encontram, atua na percepção dos estímulos
externos.
2 - PRIMEIROS SOCORROS BÁSICOS
Antes de ser tomada qualquer atitude no atendimento às vítimas, devemos obedecer
a uma seqüência padronizada de procedimentos (protocolo) que visa não apenas o
atendimento à vítima, mas também os cuidados a serem tomados, pelos socorristas,
objetivando atenuar possíveis riscos encontrados na cena do acidente.
2.1 - AVALIAÇÃO DO CENÁRIO
Ao socorrer uma vítima a primeira preocupação que devemos ter é a segurança do
local do acidente.
Visando assegurar um atendimento seguro tanto para a vítima quanto para o
socorrista devemos avaliar, de maneira rápida, a cena do acidente em busca de dados
que sejam sugestivos de risco. Podemos citar como exemplo uma vítima em um
compartimento com fumaça ou gás tóxico, se há risco de explosão ou desabamento, se a
corrente elétrica foi desalimentada, etc.
Antes de iniciar um atendimento, faça o seguinte questionamento: é seguro
aproximar-se a vítima? Não se exponha ao perigo agindo impulsivamente. Pense antes
de atuar! Caso haja perigo iminente no local, deverá ser adotado o procedimento de
retirada rápida da vítima do local do acidente, observando, se possível, os padrões
mínimos de segurança para a vítima.
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2.1.1 - BIOPROTEÇÃO
O socorrista não pode se transformar em uma nova vítima. Todas as precauções
devem ser tomadas durante o exame e a manipulação da vítima para evitar lesões
corporais ao socorrista ou sua contaminação por agentes biológicos (microorganismos) ou
substâncias tóxicas.
O socorrista deve sempre fazer uso de luvas de procedimentos durante a
manipulação da vítima, devido ao risco de contaminação com vírus como o da hepatite B,
AIDS e outros. Os óculos de proteção e as máscaras ou protetores faciais são
fundamentais quando do atendimento de politraumatizados graves com hemorragias,
principalmente em vias aéreas.
2.1.2 - TRIAGEM
Triagem é a classificação das vítimas em categorias, levando em conta não só a
gravidade, mas também o tempo que poderá ser gasto no atendimento.
O objetivo é otimizar a ação do socorro, salvando o maior número possível de
vítimas para que, a partir da triagem, recebam o atendimento em um local seguro.
No processo de triagem, um dos métodos mais utilizados é o START (Simple Triage
and Rapid Treatment) que identifica as vítimas por cartões coloridos de triagem.
Cartão de triagem vermelho
Cartão que indica primeira prioridade ou prioridade imediata. É utilizado em vítimas
que requerem atenção imediata no local ou tem prioridade no transporte. Geralmente
correspondem a vítimas com traumas graves, dificuldade respiratória, trauma de crânio,
hemorragia com choque, queimaduras severas, etc.
Cartão de triagem amarelo
Cartão que indica segunda prioridade ou prioridade secundária. O socorro deve ser
rápido, devendo aguardar o atendimento de vítimas de maior gravidade. São vítimas sem
indicativo de que virão a morrer nos próximos minutos se não forem socorridas. Devem
ser incluídas, na categoria amarela, as vítimas que não se enquadrarem nos critérios
anteriores, que não consigam se locomover e que estejam orientadas, conseguindo
cumprir ordens simples.
Cartão de triagem verde
Cartão que indica terceira prioridade ou prioridade tardia. É utilizado em vítimas
capazes de se locomover, com lesões menores e que não requerem atendimento
imediato. Não devem ser consideradas isentas de lesão. Apenas não são prioritárias
naquele momento.
Cartão de triagem preto
Cartão que indica prioridade zero ou última prioridade. São vítimas consideradas em
morte óbvia ou em grande dificuldade para reanimação. Neste último caso, só pode ser
considerada cor preta se não houver socorristas suficientes. Caso haja, todo esforço deve
ser feito para reverter o quadro da vítima, com exceção apenas daquelas em morte óbvia.
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2.2 - AVALIAÇÃO PRIMÁRIA DA VÍTIMA
Esta é uma avaliação rápida para determinarmos as condições que ameaçam a vida
do acidentado. As informações obtidas nesta fase são utilizadas para tomar decisões a
respeito das intervenções a serem realizadas e sobre o momento mais apropriado para o
transporte.
O processo da avaliação consiste do Tratado Internacional conhecido pela sigla
“ABC”, como veremos a seguir.
2.2.1 - AVALIAÇÃO E MANUTENÇÃO DE VIAS AÉREAS (AIRWAY O “A” DO “ABC”)
Durante o exame primário do doente traumatizado, as vias aéreas devem ser
avaliadas em primeiro lugar para assegurar sua permeabilidade, tomando o cuidado para
que as manobras realizadas sejam feitas com a proteção da coluna cervical.
Estando a vítima inconsciente, abra sua boca a procura de objetos estranhos que
possam obstruir a passagem de ar para os pulmões, como prótese dentária deslocada,
dentes quebrados, balas, etc. A principal causa de asfixia em vítimas inconscientes é a
obstrução pela própria língua.
2.2.2 - AVALIAÇÃO DA RESPIRAÇÃO ( BREATHING O “B” DO “ABC”)
A permeabilidade das vias aéreas, por si só, não significa ventilação adequada. Uma
troca de gases é necessária para que seja possível a oxigenação e a eliminação de
dióxido de carbono num grau máximo. Uma boa ventilação exige um funcionamento
adequado dos pulmões, da parede torácica e do diafragma. Esta avaliação consiste em
olhar, sentir e escutar. Para que haja respiração é necessário que se tenha movimentos
torácicos que e podem ser observados olhando diretamente sobre o peito da vítima (em
algumas pessoas o movimento abdominal é predominante). Um outro modo seguro é
aproximar o ouvido das vias aéreas da vítima de modo a ouvir o som oriundo da
passagem de ar.
2.2.3 - AVALIAÇÃO DA CIRCULAÇÃO (O “C” DO “ABC”)
Tão logo tenha verificado a permeabilidade das vias aéreas e avaliado a respiração,
devemos avaliar a situação circulatória do paciente. Observe inicialmente os elementos
que fornecem uma rápida idéia do estado hemodinâmico do paciente. São eles:
a) Nível de Consciência - quando o volume sanguíneo está diminuído (hipovolemia), a
perfusão cerebral pode estar prejudicada, resultando em alteração do nível de
consciência. Uma vítima que se encontra inconsciente, como resultado de um acidente, é
portadora de trauma na coluna vertebral até que se prove o contrário.
b) Cor e temperatura da pele - a coloração acinzentada da face e a pele esbranquiçada e
fria, principalmente nas extremidades, são sinais evidentes de hipovolemia.
c) Pulso - inicialmente, o socorrista deverá atentar para o pulso radial, o que lhe dará uma
idéia de como está a situação hemodinâmica do acidentado. Na sua ausência, deverá ser
examinado aquele de mais fácil acesso, ou seja, um pulso central (femoral ou carotídeo),
observando sua qualidade, freqüência e regularidade.
2.3 - AVALIAÇÃO SECUNDÁRIA DA VÍTIMA
Ao examinar determinados seguimentos de uma vítima, devemos saber o que
estamos procurando, pois do contrário os sinais aparecerão e passarão desapercebidos
podendo levar à complicações diversas ou até mesmo ao óbito.
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Comece expondo a vítima sem causar constrangimentos desnecessários. Será
melhor cortar suas roupas do que realizar movimentos que podem agravar possíveis
lesões. Durante o exame da vítima, devemos realizar uma inspeção seguida de palpação.
O exame da cabeça aos pés consiste em uma avaliação mais detalhada, seguindo uma
seqüência lógica, ou seja, iniciando pelas partes mais nobres do corpo:
a) Cabeça
Traumas no crânio podem passar desapercebidos pelo fato dos cabelos poderem
esconder as lesões. Apalpe toda superfície com as pontas dos dedos e observe se há
sangramento ou perda de líquidos pelos ouvidos ou nariz. Observe as pupilas.
b) Coluna Cervical e Pescoço
Vítimas com trauma na cabeça devem ser consideradas como portadores de lesão
instável de coluna cervical (fraturas e/ou lesões de ligamentos), e seu pescoço deve ser
imobilizado e cuidadosamente examinado. Procurar lesões perfurantes, inchações e
hemorragias externas. Em vítimas que fazem uso de dispositivo de proteção de cabeça
(capacete) deverão ser observados cuidados adicionais quando da sua retirada.
c) Tórax
Por possuir em seu interior órgãos de extrema importância, devemos ser minuciosos
à procura de sinais de lesões internas. Procurar por ferimentos, hematomas, perfurações,
deformidades e movimentos respiratórios anormais. Verificar áreas com dor.
d) Abdome
Rapidamente exponha, observe e apalpe o abdome em busca de dor e sensibilidade
ao tato, bem como aos sinais já descritos anteriormente. Dor à palpação e distensão
abdominal podem sugerir lesões internas importantes que deverão ser avaliadas o quanto
antes por um serviço médico.
e) Pelve (quadril)
Examine de maneira rápida a pelve. Fique atento aos sinais de hemorragia e
verifique se há instabilidade neste seguimento.
f) Membros Inferiores e Superiores
Comece examinando os membros inferiores seguidos pelos superiores. Observar a
presença de ferimentos, deformidades, lesões com exposição óssea e hemorragias.
Testar a sensibilidade dos membros ao toque, comparando ambos os lados. Executar
suavemente movimentos de flexão e extensão nas articulações. Por ocasião do exame
dos membros superiores, não esqueça de observar as axilas. Palpar pulsos em
tornozelos e pés e o pulso radial (ambos os lados).
2.4 - INTERVENÇÕES CRÍTICAS E DECISÃO DE TRANSPORTE
Durante o exame primário deve ser avaliada a necessidade de transferência do
paciente, bem como o mecanismo a ser empregado.
Em caso de vítimas graves, os procedimentos para salvar a vida não devem retardar
o transporte.
Existem poucos procedimentos que devem ser realizados no local do acidente.
Podemos citar o manejo da vias aéreas, controle de um sangramento abundante,
tamponamento de uma ferida penetrante/transfixante de tórax e reanimação cardio-
pulmonar.
As manobras de reanimação necessárias para preservar a vida da vítima devem ser
iniciadas tão logo os problemas sejam identificados, e não ao término do exame primário.
Assegure-se que o procedimento valha a pena e comunique o fato ao serviço responsável
em receber a vítima, a fim de estar preparado.
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3 - SITUAÇÕES DE EMERGÊNCIA
3.1 - PARADA CARDÍACA E PARADA CARDIO-RESPIRATÓRIA (PCR)
Ressuscitação Cardiopulmonar, ou RCP é um procedimento de emergência aplicado
quando as atividades do coração e do pulmão param. Socorristas do mundo inteiro têm
salvado incontáveis vidas utilizando este procedimento.
3.1.1 - CAUSAS DE PARADA CARDIOPULMONAR
Podem ser divididas em dois grupos:
a) Causas primárias
Deve-se a um problema do próprio coração, causando uma arritmia cardíaca. A
causa principal é a isquemia cardíaca (chegada de quantidade insuficiente de sangue
oxigenado ao coração). São as principais causas de parada cardíaca no adulto que não
foi vítima de traumatismos.
b) Causas secundárias
A disfunção do coração é causada por problemas respiratórios ou por causa externa,
e são as principais causas em crianças e vítimas de traumatismos.
3.1.2 - SINAIS DE PARADA CARDIOPULMONAR
Durante a avaliação do ABC, assunto já abordado, poderemos constatar alguns
sinais que nos indicarão a necessidade imediata de uma PCR. São eles:
- Ausência de pulso em grande artéria: pulso carotídeo no adulto e braquial em
crianças. É o principal sinal de PCR;
- Ausência de respiração: pode preceder a parada cardíaca ou se dar após o seu
estabelecimento;
- Inconsciência: todo paciente em PCR está inconsciente;
- Dilatação das pupilas (midríase): é um sinal tardio ocorrendo em até 45 segundos
após a parada; e
- Aparência de morte: palidez e imobilidade.
3.1.3 - CONSEQÜÊNCIAS DA PARADA CARDIOPULMONAR
A ausência de circulação de sangue interrompe a oxigenação dos órgãos. Após
alguns minutos, as células mais sensíveis começam a morrer. Os órgãos mais sensíveis à
falta de oxigênio são o cérebro e o coração. Até quatro minutos de parada cardíaca pode
ser tolerado sem que ocorra lesão cerebral.
3.1.4 - REANIMAÇÃO OU RESSUCITAÇÃO CARDIO- RESPIRATÓRIA (RCP)
Conceitua-se RCP um conjunto de medidas que objetivam restabelecer o
funcionamento do coração e do pulmão, para que o cérebro possa receber sangue
oxigenado a fim de não entrar em prejuízo.
Incluem os três passos: desobstrução de vias aéreas - A, suporte respiratório
(respiração boca-a-boca) - B e suporte circulatório (compressões cardíacas) - C.
As novas diretrizes para RCP alteraram a sequência do suporte básico de vida de
A-B-C para C-A-B. Essas se aplicam a adultos, crianças e bebês, mas excluem os
neonatos.
Inicia-se pelas compressões torácicas por elas serem fundamentais para manter o
sangue circulando e porque a insuflação boca a boca é um processo difícil quando o
socorrista não possui treinamento.
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[Link] - SUPORTE CIRCULATÓRIO (MASSAGEM CARDÍACA)
Para que os procedimentos de massagem cardíaca sejam eficazes, o paciente deve
ser posicionado sobre uma superfície plana e rígida em decúbito dorsal.
A cabeça da vítima não deve ficar mais alta que os pés, para não prejudicar o fluxo
sanguíneo. A identificação correta da metade inferior do esterno é importante:
- Com a mão, localizar a margem inferior do rebordo costal da vítima;
- Percorrer todo o rebordo costal até identificar o apêndice xifoide;
- Colocar dois dedos acima do apêndice xifoide (atualmente utiliza-se também
encontrar um ponto médio entre os mamilos);
- Apoiar a palma de uma das mãos sobre a metade inferior do externo;
- Colocar a outra mão sobre a primeira. Os dedos podem ficar estendidos ou
entrelaçados, mas não devem ficar em contato com o esterno;
- Manter os braços esticados e com os ombros diretamente sobre as mãos. A
compressão deve ser feita diretamente sobre o esterno;
- A força da compressão deve ser provida pelo peso do tronco do socorrista e não pela
força de seus braços;
- O esterno da vítima deve ser deprimido de maneira que, durante uma compressão,
possa gerar um pulso carotídeo palpável com força para afundar pelo menos 5 cm o peito
de adultos e crianças e 4 cm o peito do bebê. Comprimir cem vezes por minuto ou até
mesmo um pouco mais rápido (Esse é o ritmo igual à batida que os Bee Gees usam na
música "Stayin' Alive");
- A compressão deve ser aliviada completamente sem que o socorrista retire suas
mãos do tórax do paciente, para que não se perca a posição correta das mãos.
Caso seja restabelecida a função cardíaca, deve-se cessar a massagem.
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[Link] - DESOBSTRUÇÃO DE VIAS AÉREAS
Uma pessoa que parou de respirar não está necessariamente morta, mas está em
perigo imediato. O coração pode continuar batendo ainda por algum tempo após a parada
respiratória. O cérebro pode suportar alguns minutos sem receber oxigenação, período de
tempo que varia de acordo com as circunstâncias.
Manobras para desobstrução das vias aéreas:
- Colocar a vítima em decúbito dorsal (barriga para cima) em uma superfície firme;
- Colocar uma mão por baixo do pescoço da vítima e a outra em sua testa;
- Levantar o pescoço com a mão e pressionar a testa para trás para remover a base
da língua da garganta.
Se a obstrução persistir, procure por corpos estranhos, restos alimentares, prótese
dentária, sangue ou vômito e remova-os manualmente da boca ou garganta, usando
luvas, pano ou toalha.
Se o paciente não voltar a respirar espontaneamente inicie a respiração boca-a-
boca.
Para as vitimas com suspeita de lesão cervical, deve-se empregar o método
conhecido como elevação da mandíbula modificada, na qual o socorrista, posicionando-se
ajoelhado, atrás da cabeça da vítima, coloca os polegares na região zigomática (maçã do
rosto), os indicadores na mandíbula e os demais dedos na nuca, exercendo tração em
sua direção.
Enquanto traciona, os indicadores posicionados nos ângulos da mandíbula,
empurram-na para cima.
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[Link] - SUPORTE RESPIRATÓRIO (RESPIRAÇÃO BOCA-A-BOCA)
As manobras de ventilação, sempre que possível, devem ser realizadas obedecendo
aos critérios de proteção individual, devido aos riscos a que se expõe o socorrista:
- Desobstruir as vias aéreas (item anterior);
- Com a palma da mão na testa da vítima, pressionando-a para trás, pince as narinas
utilizando o indicador e o polegar;
- Faça uma inspiração profunda e adapte sua boca à da vítima sem que haja
vazamentos;
- Aplique duas insuflações com duração de um segundo cada, observando se o peito
da vítima sobe;
- Remova a boca e espere que a vítima exale passivamente.
[Link] - RESUMO DA RCP
1. Chame o Serviço de Emergências Médicas da sua localidade ou peça
para alguém chamar.
2. Tente fazer a pessoa responder; se ela não responder, coloque a pessoa deitada
de costas.
3. Inicie as compressões no peito. Coloque a base da sua mão no centro do peito da
vítima. Coloque a sua outra mão. Entrelace os dedos.
4. Comprima com força para afundar pelo menos 5 cm o peito de adultos e crianças
e 4 cm o peito do bebê, atribuindo um ritmo de cem vezes por minuto ou até
mesmo um pouco mais rápido.(Esse é o ritmo igual a batida que os Bee Gees
usam na música "Stayin' Alive.")
5. Se a pessoa tiver treinamento em RCP, ela deverá abrir as vias aéreas,
reclinando a cabeça e erguendo o queixo da vítima.
6. Pince o nariz da vítima. Respire normalmente e então sele sua boca sobre a boca
da vítima e aplique duas insuflações com duração de um segundo cada,
observando se o peito da vítima sobe.
7. Continue aplicando as compressões e insuflações na proporção de 30
compressões para duas insuflações (igual a antiga diretriz), até o Resgate chegar.
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A interrupção da RCP somente poderá ocorrer após ordem médica ou por cansaço
extremo do socorrista, que impossibilite o prosseguimento das manobras.
A figura abaixo apresenta a sequência da RCP:
3.2 - HEMORRAGIAS
É o derramamento de sangue para fora dos vasos que devem contê-lo (artéria, veia
ou capilar).
Havendo uma diminuição brusca do volume circulante, como a que ocorre em uma
grande hemorragia, o coração poderá ter sua ação como bomba comprometida, o que
chegando a determinados níveis, levará a vítima a um colapso circulatório, podendo
resultar em morte.
A hemorragia pode ser:
a) Hemorragia externa
Sangramento de estruturas superficiais com exteriorização do sangue, podendo ser
controlada utilizando-se técnicas de primeiros socorros.
b) Hemorragia interna
Hemorragia das estruturas mais profundas podendo ser oculta ou exteriorizada como
ocorre em sangramento no estômago, em que a vítima expele o sangue pela boca. A
hemorragia interna é mais grave devido ao fato de não podermos visualizá-la, o que faz
com que o tratamento necessariamente tenha que ser realizado em ambiente hospitalar,
cabendo ao socorrista apenas algumas manobras que visam evitar que o estado de
choque se instale.
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Dependendo do vaso sangüíneo atingido, o sangramento poderá ser:
a) Hemorragia arterial
O sangramento acontece em jatos intermitentes, no mesmo ritmo das contrações
cardíacas. Sua coloração é um vermelho vivo. A pressão arterial torna este tipo de
hemorragia mais grave que um sangramento venoso devido a velocidade da perda
sangüínea.
b) Hemorragia venosa
Sangramento contínuo de coloração vermelho escuro, pobre em oxigênio e rico em
gás carbônico.
c) Hemorragia capilar
Sangramento contínuo com fluxo lento, como visto em arranhões e cortes
superficiais da pele.
O tratamento de uma hemorragia consiste na realização da hemostasia (processo de
interrupção de um sangramento) como se segue:
- Antes de manipular a vítima, procure usar luvas ou sacos plásticos para proteção
das mãos;
- Elevar o local do sangramento se não houver fraturas ou luxações até u nível acima
do coração;
- Pressione o local com firmeza por alguns minutos utilizando compressa limpa e
seca (gaze, pano, lenço limpo, toalha, etc). Se a compressa ficar encharcada de
sangue, coloque outra por cima sem retirar a anterior;
- Se não dispuser de compressa, utilize a mão protegida para fazer a compressão;
- Fixe a compressa sobre o ferimento com bandagem (tira de pano, gravata, cinto,
etc) ou se não for possível, mantenha a compressão com a mão;
- Mantenha a vítima agasalhada; e
- Não limpe ou lave o ferimento, pois o coágulo formado poderá ser removido e
ocasionando nova perda sangüínea.
A aplicação de pressão sobre uma determinada artéria deve ser vista como uma
medida drástica, que somente deve ser utilizada após os recursos de compressão direta
(com ou sem elevação de membros) não terem sido eficazes.
A real necessidade do uso do torniquete deve ser considerada por se tratar de um
procedimento extremo de último recurso para controlar uma hemorragia grave, pelos
riscos que o cercam. Muitas vezes um curativo compressivo é a melhor opção. Em uma
situação onde ocorra uma amputação traumática, o sangramento pode ser pequeno, ao
contrário do que se espera, pois a artéria envolvida entra em constricção pela ação
reflexa dos nervos simpáticos. Sendo inevitável o uso deste procedimento, ou seja, após
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todos os métodos citados anteriormente falharem, o socorrista deverá estar atento aos
cuidados que envolvem esta técnica, pois, quando mal realizada, poderá induzir a uma
eventual perda do membro afetado, quando não se tratar de amputação total. Os
cuidados são:
- O torniquete deverá ser aplicado entre o ferimento e o coração a uma distância de
aproximadamente 5 cm da lesão;
- Deve-se posicionar um pacote de curativo ou um rolo de pano sobre a artéria a ser
comprimida;
- Utilize um cinto longo, gravata, meia ou outro material que não venha provocar
estrangulamento dos membros, para envolver o local dando um nó sobre o pacote
de curativo;
- Improvise uma haste firme, como um pedaço de madeira ou barra de metal
(canetas e lápis podem se quebrar facilmente) que deve ser colocada sobre o nó
onde será aplicado um outro; e
- Gire a haste até que o sangramento pare, fixando-a convenientemente.
Não solte ou alivie o torniquete até a chegada ao hospital. Registre o horário de
aplicação do torniquete em local visível, se possível, na própria vítima.
Não cubra o torniquete para que não passe despercebido pelos que darão
continuidade aos cuidados prestados ao paciente.
3.2.1 - TIPOS ESPECIAIS DE HEMORRAGIAS
a) Hemoptise
Tipo de hemorragia proveniente do pulmão, caracterizada por acesso de tosse com
eliminação de sangue vermelho rutilante e espumoso por meio de golfadas, onde deverão
ser observados os seguintes procedimentos:
- Coloque a vítima em repouso e recostada;
- Acalme-a; não a deixe falar;
- Procure auxílio médico.
b) Hematêmese
Hemorragia proveniente do estômago, manifestando-se através de enjôo, náuseas,
vômitos com sangue tipo “borra de café” e palidez, onde deverão ser observados os
seguintes procedimentos:
- Deite a vítima de costas com a cabeça voltada para um dos lados no mesmo nível
do corpo;
- Aplique gelo ou compressas geladas na altura do estômago;
- Procure auxílio médico.
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c) Epistaxe
Conhecido como sangramento nasal, onde deverão ser observados os seguintes
procedimentos:
- Sente a vítima com a cabeça para trás;
- Aperte a narina que sangra durante 5 minutos; e
- Aplique compressas geladas ou saco de gelo sobre o nariz.
3.3 - ESTADO DE CHOQUE
É o quadro clínico que resulta da incapacidade do sistema cardiovascular de prover
circulação sangüínea suficiente para os órgãos.
Causas:
- Hemorragia abundante;
- Desidratação grave;
- Queimaduras graves;
- Infecção severa;
- Ferimentos extensos ou graves; e
- Ataque cardíaco.
Sinais e sintomas do Estado de Choque:
- Alteração do nível de consciência pela hipóxia (diminuição do nível de oxigênio);
- Pele pálida, fria e úmida, com suor abundante;
- Pulso acelerado (aumento dos batimentos cardíacos);
- Respiração rápida;
- Vítima ansiosa, inquieta e com sede;
- Pele dos lábios, mãos e pés arroxeadas (cianose); e
- Pressão arterial baixa.
Os cuidados de emergência prestados ao paciente em estado de choque são:
- Proceder às manobras de desobstrução de vias aéreas e reanimação cardio-
pulmonar se necessário;
- Posicionar a vítima de acordo com a causa do choque. Os pacientes em choque
por causa de um ataque cardíaco não suportam o decúbito dorsal, pois piora a falta
de ar;
- Vítimas de outras causas de choque devem ser transportadas em decúbito dorsal,
com as pernas elevadas cerca de 25 centímetros;
- Tranqüilizar a vítima lúcida;
- Controlar imediatamente as hemorragias externas;
- Aquecer a vítima com lençóis ou cobertores; e
- Transporte rápido para aumentar as chances de sobrevivência da vítima.
3.4 - ASFIXIA
Quando a vítima deixa de receber um suprimento mínimo necessário de oxigênio
(O2), ocorre uma asfixia.
A asfixia pode ocorrer devido a uma das complicações abaixo:
- Obstrução das vias aéreas em caso de afogamento, excesso de secreções, corpos
estranhos, estrangulamento e principalmente pela queda de língua em vítimas
inconscientes;
- Paralisia do centro respiratório por choque elétrico e grande ingestão de álcool
e/ou drogas; e
- Compressão do tórax por pressão externa que impedem os movimentos
respiratórios, como nos casos de soterramento.
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O princípio básico do atendimento visa manter as vias aéreas permeáveis e,
posteriormente, iniciar a respiração artificial, se necessário.
Manobras para desobstrução de vias aéreas causadas por corpo estranho:
a) Em vítima consciente – manobra de Heimlich
- Posicionar-se por trás da vítima;
- Passar os braços por baixo das axilas da vítima;
- Fechar uma das mãos e colocá-la na linha média entre o abdome e o tórax;
- Espalmar a outra mão e colocá-la sobre a mão fechada aplicando uma compressão,
como uma punhalada, para dentro e para cima do abdome.
Repetir o procedimento até que as vias aéreas estejam desobstruídas ou até que o
paciente se torne inconsciente.
b) Em vítima inconsciente:
- posicionar a vítima deitada e realizar a manobra ajoelhado ao seu lado.
3.5 - QUEIMADURAS
Queimadura é uma lesão produzida no tecido de revestimento do organismo por
agentes térmicos, produtos químicos, radiação ionizante, etc.
A pele tem por finalidade a proteção do corpo contra invasão de microrganismos, a
regulação da temperatura do organismo através da perda de água para o exterior e a
conservação do líquido interno. Poderá ainda ser decisivo para a constatação da
gravidade de uma vítima, a localização anatômica da queimadura e a extensão da área
atingida.
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Classificação das queimaduras:
a) Queimaduras de 1º grau
Atinge somente a epiderme e são as mais comuns. Deixa a pele avermelhada,
provocando ardor e ressecamento, sem bolhas.
b) Queimaduras de 2º grau
São aquelas que atingem camadas um pouco mais profundas da pele, atingindo a
epiderme e a derme. Caracterizam-se pela formação de bolhas e desprendimento das
camadas superficiais da pele com a formação de feridas avermelhadas que são muito
dolorosas e podem sangrar.
c) Queimaduras de 3º grau
São aquelas em que todas as camadas da pele são atingidas, podendo ainda
alcançar os músculos e ossos. Estas queimaduras apresentam-se secas, esbranquiçadas
ou de aspecto carbonizado. A pele se assemelha ao couro marrom. Não são muito
dolorosas, pois há destruição das terminações nervosas, que transmitem a sensação de
dor. Alto risco de infecções.
Para calcularmos, em um adulto, a percentagem aproximada de superfície de pele
queimada, utiliza-se o seguinte método (regra dos nove):
- Cabeça 09 %
- Pescoço, tórax e abdome 18 %
- Costas (região dorsal) 18 %
- Genitália 01 %
- Membro superior (cada um) 09 % , sendo braço 4,5% e antebraço 4,5%
- Membro inferior (cada um) 18 %, sendo coxa, 9% e perna 9%
Soma Total 100%
De uma forma geral, será considerado um grande queimado todo adulto que tiver um
comprometimento de 15% ou mais de superfície corporal queimada.
Cuidados a serem observados com a vítima de queimaduras:
- Examine seu paciente retirando ou cortando suas roupas, não devendo ser
retiradas as partes que, eventualmente, estejam aderidas à pele;
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- Retire anéis e pulseiras da vítima, para não estrangularem as extremidades dos
membros, devido ao edema (inchaço) que possa ocorrer;
- Lave sempre as mãos antes de lidar com uma queimadura. Isto ajuda a prevenir
uma possível infecção;
- Resfrie o local da queimadura com água fria, soro fisiológico ou compressas frias
úmidas;
- Nunca fure as bolhas nem toque na parte queimada, pois isso poderá provocar
uma infecção;
- Não aplique nenhuma substância ou remédio sobre a queimadura. Este
procedimento será realizado em uma enfermaria ou hospital sob orientação
médica;
- Proteja a queimadura com um curativo ou pano limpo;
- Ofereça água para hidratar a vítima, caso esta esteja consciente; e
- Procure auxílio médico.
3.6 - CHOQUE ELÉTRICO
Os danos resultam dos efeitos da corrente elétrica e da conversão desta em calor
durante a passagem pelos tecidos. A severidade do trauma depende do tipo de
corrente,da magnitude da energia aplicada, resistência, duração do contato e caminho
percorrido pela eletricidade.
A PCR é a principal causa de óbito após a lesão elétrica, podendo ocorrer parada
respiratória causada pela passagem da corrente pelo cérebro, levando à inibição da
função do centro respiratório, com conseqüente paralisia dos músculos respiratórios.
Podem ocorrer queimaduras, principalmente nas extremidades por terem menor
diâmetro e resultarem num maior fluxo de corrente. Podemos citar ainda as lesões
secundárias causadas pela queda ou projeção da vítima contra superfícies rígidas.
Condutas gerais:
- A segurança na cena é prioridade. Não se torne outra vítima;
- Desalimente a corrente elétrica, antes de tocar a vítima;
- Não tente manipular alta voltagem com pedaços de pau ou mesmo luvas de borracha.
Qualquer material, mesmo aquele dito mau condutor, pode conduzir eletricidade,
dependendo da voltagem;
- Realize a avaliação do paciente (avaliação inicial) como já descrito anteriormente;
- Trate das possíveis lesões;
- Transporte o paciente para avaliação médica, pois é impossível dizer a extensão do
dano no exame pré-hospitalar; e
- Esteja sempre preparado para intervir durante a ocorrência de uma parada respiratória
ou parada cardio-respiratória.
3.7 - TRAUMATISMOS MÚSCULO-ESQUELÉTICOS
3.7.1 - FRATURA
Fratura é a ruptura de um osso.
Esta ruptura pode ser completa, isto é, abranger toda a espessura do osso, ou
incompleta, quando só compreende uma parte do mesmo. A fratura incompleta pode ser
uma simples fissura (rachadura).
Uma fratura recebe o nome de simples ou fechada, sempre que os ossos não
perfurarem a pele. Já quando o osso fraturado entra em contato com o meio externo, seja
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através do ferimento causado por suas arestas irregulares, seja através de um trajeto que
permita que o osso entre em contato como o meio, recebe o nome de exposta ou aberta.
Os sinais e sintomas de uma fratura são:
- Dor intensa;
- Edema (inchação) no local que poderá ter a cor arroxeada quando ocorrer
rompimento de vasos e acúmulo de sangue sob a pele;
- Impotência funcional, incapacidade ou limitação dos movimentos; e
- Crepitação, isto é, a sensação que se tem quando, ao tocar o local, as partes
fraturadas se atritam.
Tratamento de emergência:
- Contenção de hemorragia, como a que pode ocorrer nas fraturas expostas;
- Proteção do ferimento, se houver, visando a prevenção de infecção; e
- Imobilização provisória.
Imobilização de uma fratura:
- Mantenha o membro fraturado na posição mais natural possível, sem causar
desconforto para a vítima;
- Improvise talas com o material disponível no momento: revista grossa, madeira,
galhos de árvore, etc;
- Acolchoe as talas com panos ou qualquer outro material macio, afim de não ferir a
pele;
- Utilize talas que ultrapassem as articulações acima e abaixo da fratura e que
sustentem o membro atingido;
- Amarre as talas com tiras de pano em torno do membro fraturado. Não amarre no
local da fratura;
- Sempre que imobilizar um membro fraturado deixe os dedos livres para verificar
qualquer alteração. Estando eles inchados, roxos ou adormecidos, as tiras devem
ser afrouxadas; e
- No caso de fratura exposta, proteja o ferimento com gaze ou pano limpo antes de
imobilizar, a fim de evitar a penetração de poeira ou qualquer outra substância
que favoreça uma infecção.
A prioridade no tratamento das fraturas:
- Coluna vertebral;
- Pelve (bacia);
- Extremidades inferiores; e
- Extremidades superiores.
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As lesões de coluna vertebral mal conduzidas podem ocasionar a morte ou
incapacidade permanente.
Cuidados imediatos:
- Manter a vítima imóvel e agasalhada; e
- Improvisar com papelão, jornal, toalha, camisa uma imobilização caso a lesão seja
na região cervical.
3.7.2 - ENTORSES
Quando um ângulo de determinado movimento é excedido, pode ocorrer um
estiramento ou até mesmo uma ruptura dos ligamentos daquela articulação, ou seja, uma
entorse, que é a perda momentânea das superfícies articulares com lesão das partes
moles.
Sinais e sintomas:
- Dor intensa na articulação afetada;
- Edema;
- Equimose (pontos avermelhados) causada por rompimento de pequenos vasos; e
- Impotência funcional.
Conduta:
- Gelo ou compressas frias (sem restrição), protegendo a pele para evitar lesões
causadas pelo frio;
- Imobilização da área afetada; e
- Encaminhamento para avaliação médica.
3.7.3 - LUXAÇÃO
Lesão em que as superfícies articulares deixam de se tocar de forma permanente,
podendo ser completa, quando há separação total das superfícies articulares, ou
incompleta, quando a articulação ainda mantém algum ponto de contato.
Sinais e sintomas de luxação:
- Dor intensa;
- Deformidade ao nível da articulação;
- Perda da mobilidade;
- Impotência funcional; e
- Equimose.
Tratamento de emergência:
- Gelo ou compressas frias;
- Imobilização da área afetada; e
- Encaminhamento para avaliação médica.
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3.7.4 - DISTENSÃO
Uma distensão é um estiramento de um músculo ou tendão, devido a esforços
musculares excessivos.
Sinais e sintomas:
- Dores no músculo ou tendão lesionado;
- Fraqueza do membro e
- Tumoração ao nível da ruptura, caso ocorra.
Tratamento de emergência:
- Repouso da região afetada
- Gelo ou compressas frias (sem restrição).
A não ser em casos de traumatismos sem importância, o paciente deverá ser
examinado por um médico na primeira oportunidade.
4 - IMOBILIZAÇÕES
Com o propósito de conter os movimentos e estabilizar um determinado seguimento,
as imobilizações podem ser realizadas por talas ou bandagens, improvisadas ou não.
Como socorrista, sua prioridade será detectar e controlar os problemas que possam
ameaçar a vida da vítima. As lesões de extremidades serão atendidas ou imobilizadas
num segundo momento, uma vez que seu paciente esteja estável.
Regras para imobilização:
- Tranqüilizar a vítima, explicando o que será feito;
- Remover ou recortar as roupas do paciente para que o local da lesão seja exposto;
- Remover jóias que possam comprometer a circulação em caso de edema;
- Cuidar das lesões abertas controlando hemorragias presentes e protegendo-as
com bandagens estéreis;
- Realinhar para a posição anatômica um membro com desvio, facilitando assim sua
mobilização. Caso haja resistência, imobilizar na posição encontrada;
- Acolchoar imobilizadores e talas para evitar ferimentos em pontos de pressão com
a pele;
- Não tentar reduzir fraturas ou luxações;
- Verificar pulso distal e sensibilidade antes e depois da imobilização. Caso o pulso
esteja ausente, reposicionar ou afrouxar os imobilizadores;
- Imobilizar as articulações proximal (acima) e distal (abaixo) à lesão, nos casos de
fraturas e somente a articulação afetada quando se tratar de entorse ou luxação;
- Deixar as pontas dos dedos expostas, permitindo a observação da circulação; e
- Elevar a extremidade lesada após a imobilização, se possível.
Materiais utilizados na imobilização:
- Bandagens - Muitas vezes torna-se a única opção pré-hospitalar para imobilização
de alguns tipos de fraturas como de clavícula, úmero e escápula, podendo ser
utilizadas na forma de tipóia.
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- Talas rígidas - Podem ser de madeira, alumínio, papelão ortopédico, arame ou
plástico, sendo facilmente adaptadas ou improvisadas.
5 - TRANSPORTE DE FERIDOS
São técnicas para transporte de vítimas de acidentes para locais seguros ou para
que sejam encaminhadas ao centro médico.
Um transporte feito de forma incorreta pode, não só agravar o estado da vítima,
como também lesionar o socorrista.
A escolha da técnica para o transporte dependerá da situação da vítima, do local
onde ela se encontra e da disponibilidade de socorristas e de equipamentos.
a) Transporte por maca
Neste tipo de transporte cada carregador se agacha e segura um pegador com
firmeza. Quando for dada a ordem, todos se erguem ao mesmo tempo, mantendo a maca
nivelada.
Ao ser dada a ordem de iniciar o transporte, os carregadores, ao mesmo tempo,
iniciam o transporte com passos curtos.
Ao ser dada a ordem de parar o transporte, os carregadores interrompem os passos
ao mesmo tempo.
Ao ser dada a ordem de pousar a maca, os carregadores, ao mesmo tempo, se
agacham e baixam a maca.
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Os tipos de transporte a seguir apresentados só podem ser utilizados em vítimas
sem suspeita de lesão na coluna vertebral.
b) Transporte de apoio
Este tipo de transporte pode ser utilizado para auxílio a uma vítima que não consiga
caminhar sozinha, consciente, e que não necessite de maca:
- Passar o braço da vítima sobre os ombros, por trás do pescoço;
- Segurar firmemente o braço da vítima com uma das mãos; e
- Passar o outro braço por trás da vítima, segurando-a pela cintura.
c) Transporte nos braços (colo)
Trata-se de um método tradicional semelhante ao modo como os bebês são
conduzidos. É cômodo para a vítima, porém penoso para o socorrista, dependendo do
peso e da distância a ser percorrida:
- Passar um braço por baixo dos joelhos da vítima e o outro por trás dela,
segurando-a por baixo da axila da vítima;
- Um dos braços da vítima deve passar por trás do pescoço do socorrista; e
- Inclinar o tronco para trás ara o transporte.
d) Levantamento de Bombeiro
É um método difícil de ser realizado, principalmente quando o socorrista encontra-se
sozinho, por exigir força e coordenação:
- Coloque a vítima deitada de barriga para baixo, com os braços esticados para
frente;
- Coloque-se de frente para a cabeça da vítima apoiando um joelho no chão. Passe
as mãos por baixo das axilas da vítima;
- Fique de pé levantando a vítima, segurando-a com as mãos que estão apoiadas
nas costas da vítima;
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- Mantenha uma das mãos por trás da vítima sustentando-a pela cintura e segure o
punho da vítima com a outra mão, colocando o braço dela em torno de seu
pescoço;
- Abaixe-se de forma que o tronco da vítima caia sobre seu ombro. A mão que
segurava a cintura da vítima passa entre as coxas dela, na altura da dobra do
joelho; e
- Segure o punho da vítima com a mão que passou por trás do joelho, ficando com
uma das mãos livres.
e) Arrastamento
O arrastamento pode ser feito pela própria roupa da vítima no sentido da cabeça, ou
com o auxílio de um cobertor.
f) Transporte em cadeira
Meio prático de transportar a vítima. A cadeira poderá ser arrastada ou conduzida
por dois socorristas.
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g) Transporte de lençol pelas pontas - Feito por quatro socorristas:
- A vítima é deitada em decúbito dorsal sobre um lençol, cobertor ou lona; e
- Cada socorrista segura uma ponta do lençol, formando uma espécie de rede onde a
vítima é transportada.
Quando houver suspeita de lesão na coluna vertebral, o transporte deve ser feito em
superfície rígida (prancha longa), com a vítima em decúbito dorsal, pois permite a
estabilização da coluna e o início das medidas de suporte de vida.
A prancha longa é geralmente construída em madeira e necessita de três cintos ou
faixas de fixação de tronco e membro e de um imobilizador especial para a cabeça.
O princípio básico consiste em um dos socorristas estabilizar a cabeça e o tronco da
vítima enquanto os outros socorristas movimentam a vítima em bloco, de maneira
sincronizada.
As técnicas mais utilizadas são as manobras de rolamento:
1- Rolamento de 900 para vítimas encontradas em decúbito dorsal (de costas)
- Um dos socorristas estabiliza a cabeça da vítima por trás (líder);
- Outro socorrista aplica o colar cervical;
- Posicionar a prancha paralelamente à vítima, do lado oposto ao rolamento;
- Dois auxiliares posicionam-se lado a lado ao nível dos ombros e joelhos da vítima;
- Rolar a vítima em bloco ao comando do líder até a posição de decúbito lateral para o
lado onde estão os socorristas;
- Deslizar a prancha até encostar no corpo da vítima;
- Ao comando do líder a vítima é reposicionada em bloco em cima da prancha;
- Ajustar a vítima sobre a prancha;
- Fixar o tronco e extremidades com os cintos; e
- Aplicar e fixar a cabeça da vítima ao imobilizador lateral.
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2 - Rolamento de 1800 para vítimas encontradas em decúbito ventral (barriga para baixo):
- O socorrista líder localiza-se atrás da cabeça da vítima e inicia a estabilização
manual;
- Posicionar a prancha paralelamente ao corpo, do lado para o qual o rolamento será
feito;
- Dois auxiliares se colocam ajoelhados sobre a prancha, ao nível dos ombros e
quadris da vítima;
- Ao comando do líder, rolar a vítima 90 0 em bloco para o lado da prancha até
permanecer em decúbito lateral;
- Os auxiliares saem da prancha se ajoelhando no solo;
- O líder comanda outro rolamento da vítima sobre a prancha; e
- Colocar o colar cervical e aplicar os imobilizadores de cabeça.
6 - REGRAS BÁSICAS PARA SITUAÇÕES DE EMERGÊNCIA
Como normalmente a plataforma se encontra em mar aberto, distante da costa e do
apoio de terra, o socorro a uma vítima dependerá da atuação dos socorristas de bordo.
Desta forma, todos a bordo devem ter noções elementares do atendimento de uma
emergência.
6.1 - COMPORTAMENTO
Em situações de emergência há uma tendência natural de agirmos impulsivamente,
devido ao estresse provocado pela emergência.
Por isso, antes de agirmos devemos respirar lenta e profundamente, para nos
acalmarmos e podermos cumprir os procedimentos preconizados para cada situação de
emergência.
6.2 - PROTEÇÃO
A sequência de ações a serem tomadas em uma emergência dependerá de cada
situação encontrada pelo socorrista.
Porém, sempre em primeiro lugar devemos cuidar de nossa proteção e de nossa
equipe, pois se acontecer algum acidente com os socorristas, o atendimento às vítimas
estará comprometido.
Muitas vezes, na vontade de ajudar uma vítima, o socorrista se esquece de sua
própria segurança. Por isto, antes de iniciarmos o socorro, devemos olhar atentamente a
cena onde se encontra a vítima e avaliar os possíveis riscos, tais como:
Explosão;
Choque elétrico;
Agressão;
Contaminação:
Desabamento; etc.
6.3 - IDENTIFICAÇÃO DO NÚMERO DE VÍTIMAS
Procure identificar o número exato de vítimas, pois com esta informação as tarefas
poderão ser corretamente divididas. Providencie para que sejam efetuadas buscas por
outras vítimas.
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6.4 - PEDIDO DE APOIO
O pedido de apoio é de fundamental importância para o socorro a uma situação de
emergência, pois, sozinho, o socorrista tem limitações.
O pedido de apoio deverá constar, basicamente, das seguintes informações:
Quem está solicitando o apoio;
A situação de emergência, com o máximo de informações possíveis e com clareza
(fale pausadamente, com calma);
O local da situação de emergência; e
O número de vítimas.
Pergunte às pessoas que presenciaram o fato o que realmente aconteceu, pois
essas informações poderão ser fundamentais para os primeiros socorros e para o
posterior atendimento avançado.
6.5 - MEIOS DISPONÍVEIS DE ASSISTÊNCIA MÉDICA
Toda plataforma deve ser provida de uma enfermaria, com dotação de
equipamentos, de medicamentos e lotação de profissionais de saúde estabelecidas em
Norma da Autoridade Marítima (NORMAM).
Quando os meios existentes a bordo não forem suficientes para o atendimento à
emergência, outros meios de apoio deverão ser pedidos.
Um dos apoios existentes é a equipe de terra formada por profissionais de nível
superior da área de saúde, que prestam atendimento à distância.
Outras plataformas e navios presentes na área de operação poderão ser acionados,
tanto para prestarem apoio médico, como para a remoção da vítima.
Outro apoio importante é a remoção aérea, que poderá levar o acidentado para o
atendimento em unidades hospitalares em terra. Em algumas áreas de operação há um
helicóptero com uma configuração específica para a remoção aérea, disponível 24 horas
por dia.
A utilização destes helicópteros preparados especificamente para a remoção aérea,
pousando no Heliponto (Helideck) da plataforma, é a situação ideal para a remoção de
vítimas, porém, nem sempre encontraremos está situação ideal.
Pode ser que não seja possível dispor de um helicóptero para a remoção, sendo
necessário realizar a remoção para uma embarcação. Ou pode ser que o helicóptero não
possa pousar no Heliponto, por ser mais pesado ou maior do que o permitido para
determinado Heliponto. Nestes casos, a remoção será feita içando-se a vítima.
Deve-se ter muita atenção com relação à correta fixação da vítima à maca e da
maca ao cabo de içamento.
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Outra medida importante é evitar que a maca gire, pois há a tendência de que isto
ocorra. Para evitar o giro da maca, é necessário que ela seja segura pelas extremidades
enquanto é içada.
7 - HIGIENE E SAÚDE PESSOAL
A higiene pessoal engloba os cuidados que a pessoa deve ter com a saúde para que
seu corpo fique longe de bactérias e vírus, que podem estar presentes em diversos atos
ao longo do dia.
Atitudes como tomar banho, lavar as mãos, escovar bem os dentes e usar roupas
limpas são importantes para que a saúde continue estável.
7.1 - BANHO
A pele humana possui milhões de glândulas que
produzem secreções e sem a limpeza da pele, estas secreções
se acumularão gradativamente.
O banho faz bem para a saúde de quem toma e também
para pessoas que convivem com ela. É importante que a
pessoa tome banho diariamente, pois a falta de banho pode
gerar assaduras, mau cheiro, micoses, corrimentos vaginais,
sarna, piolho e infecções urinárias.
7.2 - LAVAGEM DAS MÃOS
Sempre que você toca em pessoas ou objetos ao longo do dia adquire bactérias e
vírus em suas mãos, sendo importante lavá-las com água e sabonete líquido ou com
álcool.
Sempre que a mão entra em contato com os olhos, nariz ou
boca os germes ali encontrados infectam o nosso organismo,
podendo originar doenças.
É importante lavar as mãos antes das refeições, ao ir ao
banheiro ou tocar em algo que pode estar contaminado (ex.: lixo),
tossir. Não lavar as mãos pode resultar em contaminação e
desenvolvimento de doenças virais, bacterianas e fúngicas.
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7.3 - UNHAS
As unhas devem estar sempre limpas e cortadas. Como a sujeira fica armazenada
na parte debaixo da unha, quando a pessoa coloca a mão na boca ela é infectada com as
bactérias ali existentes.
A falta de cuidado com as unhas pode gerar verminoses e doenças intestinais.
7.4 - ROUPAS
As roupas devem ser confortáveis, folgadas e devem sempre estar limpas. Nunca
utilize roupas intimas repetidamente sem lavá-las, pois a higiene genital é muito
importante.
7.5 - SAPATOS
Sapatos fechados que não deixam o suor sair fazem com que o mau cheiro fique
impregnado nos pés, gerando o famoso chulé.
Sempre que possível, use sapatos mais abertos e não use o mesmo sapato vários
dias seguidos.
Quando utilizar tênis, escolha meias de algodão e se puder passe talco antes de
colocar as meias.
Consequências: Mau cheiro e micoses.
7.6 - DENTES
Nunca se esqueça de escovar os dentes sempre que ingerir algum alimento ou pelo
menos três vezes ao dia. De preferência depois do café da manhã, do almoço e quando
for dormir. Nunca durma sem escovar os dentes.
Limpe-os interiormente e exteriormente, não se esqueça de
lavar a língua, local onde ficam alojadas muitas bactérias.
Troque sua escova de três em três meses ou se perceber que
ela está desgastada. Nunca se esqueça de usar fio dental.
Consequências: Mau hálito, cáries, tártaro, placas, problemas
nas gengivas, sensibilidade, reumatismo infeccioso e gengivite.
7.7 - ROSTO
Nossa pele tem impurezas que devem ser retiradas para que não haja o acumulo
delas. Sendo assim, lavar o rosto diariamente com sabonete é importante para que a pele
continue sempre limpa.
Consequências: Espinhas e cravos.
7.8 - O AMBIENTE
Além da higiene pessoal, devemos nos preocupar com a higiene nos locais onde
vivemos.
Os camarotes e banheiros precisam estar sempre limpos e as roupas de cama e
toalhas devem ser trocadas regularmente, de maneira que estejam sempre limpas.
Os locais de trabalho também devem estar limpos, pois lá permanecemos por muitas
horas por dia.
Outra preocupação importante é quanto à higiene nos locais onde as refeições são
preparadas e servidas. A boca é uma importante porta de entrada para o desenvolvimento
de doenças.
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MÓDULO
TÉCNICAS DE SOBREVIVÊNCIA PESSOAL E PROCEDIMENTOS DE EMERGÊNCIA
(TSP/P)
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1 - PLATAFORMAS
Para efeito de estudo, utilizaremos nesta publicação o termo genérico “PLATAFORMA”
para todas as Unidades Marítimas envolvidas nas operações de prospecção, extração,
produção e/ou armazenagem de petróleo e gás.
Este termo inclui as Unidades Fixas e Móveis de Produção, Flutuantes de Perfuração,
Auto-Eleváveis, Navios Sonda, Unidade Estacionária de Produção, Armazenagem e
Transferência (FPSO) e Unidade Estacionária de Armazenagem e Transferência (FSU),
além das Plataformas de Apoio.
PLATAFORMA DE PRODUÇÃO PLATAFORMA ALTO-ELEVÁVEL PLATAFORMA DE PRODUÇÃO
(FIXA) (FLUTUANTE)
PLATAFORMA DE PERFURAÇÃO NAVIO SONDA FPSO
(FLUTUANTE) (PERFURAÇÃO)
1.1 - ARRANJO GERAL
O arranjo geral de uma plataforma depende basicamente do seu tipo, entretanto, algumas
áreas são comuns a todos os tipos de plataforma.
a) Área Industrial – engloba toda a planta industrial (exemplos: área de perfuração, área
de produção, etc.)
b) Área funcional – engloba a sala de controle, passadiço, sala de lastro, escritórios,
oficinas, paióis, etc.
c) Área habitável – engloba os refeitórios, camarotes, cozinha, banheiros, etc.
1.2 - ESTRUTURA FUNCIONAL E HIERÁRQUICA
A estrutura funcional e hierárquica de uma plataforma depende de diversos fatores, tais
como: tipo e emprego da plataforma, normas da Bandeira, da Companhia e do país onde
a plataforma opera.
A Resolução A.891 da Organização Marítima Internacional estabelece uma estrutura
básica para as Plataformas:
OIM – Offshore Installation Manager (GEPLAT – Gerente da Plataforma): Responsável
pela Plataforma.
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Barge Supervisor (Supervisor da Embarcação): Substituto do OIM.
Ballast Control Operator (Operador de Controle de Lastro): Responsável pelas
operações de Lastro.
Maintenance Supervisor (Supervisor da Manutenção): Responsável pela Manutenção.
Autoridade Marítima Brasileira (Diretoria de Portos e Costas – DPC) também estabelece
para cada Plataforma uma estrutura funcional, levando em consideração, basicamente,
seu tipo e seu emprego.
Existem várias outras funções a bordo de Plataformas que não são estabelecidas pela
Organização Marítima Internacional ou pela Autoridade Marítima Brasileira, tais como:
Supervisor de Mecânica, Supervisor de Elétrica, Plataformista, Mecânico, Eletricista, etc.
Abaixo, podemos observar um exemplo de um trecho de estrutura funcional e hierárquica
de uma Plataforma.
GERENTE DA
PLATAFORMA
SUPERVISOR DA SUPERVISOR DA
MANUTENÇÃO EMBARCAÇÃO
SUPERVISOR DE SUPERVISOR DE OPERADOR DE
MECÂNICA ELÉTRICA CONTROLE LASTRO
Nota importante: Seja qual for a estrutura funcional e hierárquica da Plataforma, é de
fundamental importância que todos sigam corretamente as ordens e
instruções da cadeia de comando, de modo a não afetar a segurança
da Plataforma e das pessoas.
1.3 - OPERAÇÕES COMBINADAS
São operações em que há a necessidade de se trabalhar em conjunto com outras
unidades, embarcações ou equipes. No setor Offshore são várias as operações
combinadas e a seguir serão apresentadas as principais.
1.3.1 - OPERAÇÃO COM BARCOS DE APOIO
Os Barcos de Apoio (Supply-Boat) são responsáveis pela maior parte do suprimento para
as plataformas. As manobras de embarque e desembarque de material e pessoal são
realizadas pelos guindastes da Plataforma, enquanto a embarcação de apoio se mantém
posicionada sob suas próprias máquinas.
TRANSFERÊNCIA DE MATERIAL TRANSFERÊNCIA DE PESSOAL
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Os Barcos de Apoio também são responsáveis por combate a incêndio (Fire Fighting) e
combate à poluição por óleo (Oil Recovery).
COMBATE A INCÊNDIO COMBATE À POLUIÇÃO
1.3.2 - OPERAÇÃO COM NAVIO ALIVIADOR (OFFLOAD)
É a operação em que o petróleo produzido e armazenado nas Unidades de Produção é
transferido para Navios Aliviadores.
1.3.3 - OPERAÇÃO COM FLOTEL
Flotel é uma Plataforma ou Navio que fica a contrabordo de uma outra Plataforma que
necessite de apoio, seja armazenando equipamentos ou materiais, seja hospedando
trabalhadores. Normalmente, o Flotel é empregado no apoio a grandes obras nas
Plataformas.
1.3.4 - OPERAÇÃO COM MERGULHADORES
A bordo de Plataformas, muitas tarefas abaixo da linha d'água são realizadas
por mergulhadores. Durante a operação com mergulhadores algumas
precauções precisam ser tomadas, tais como: não operar bombas nas
proximidades do mergulho, não operar hélices, não permitir a aproximação de
embarcações e içar a Bandeira ALFA, ao lado apresentada.
1.4 - ESTABILIDADE E ESTANQUEIDADE
As Plataformas flutuantes, ou seja, aquelas que não são fixas ao solo marinho, reagem à
ação das forças do mar. Por esta razão, a seguir são apresentadas algumas noções
básicas sobre a estabilidade e a estanqueidade das plataformas.
Linha d’água – é a linha de flutuação da Plataforma.
Obras Vivas – é a parte da Plataforma abaixo da linha d’água (submersa).
Estanqueidade – capacidade de não permitir a entrada de água na Plataforma.
Reserva de Flutuabilidade – toda parte estanque da Plataforma acima da linha d’água.
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Antepara – são as separações verticais que subdividem o espaço interno da Plataforma.
Porta Estanque – são portas que permitem a passagem pela anteparas, mas que quando
fechadas impedem a passagem de água.
Centro de Gravidade (CG) – ponto onde atua a resultante de todas as forças provocadas
pela gravidade (Pesos).
Força de Empuxo (E) – pressão da água, exercida sobre as obras vivas, que faz com
que a Plataforma flutue.
Centro de Empuxo (CE) – ponto onde atua a resultante de todas as forças de Empuxo.
Estabilidade – é a capacidade que tem uma Plataforma de resistir às forças do mar e
manter sua posição de equilíbrio. Será função dos diversos pesos
existentes a bordo, da posição do Centro de gravidade, das Forças de
empuxo e da posição do centro de Empuxo.
Sistema de Lastro – composto por redes, válvulas, bombas e tanques, tem como
finalidade alterar (melhorar) a estabilidade da Plataforma por
meio do bombeamento de água de um bordo para outro, ou de
vante para ré, ou para dentro ou para fora da Plataforma.
Calado – é a distância vertical entre o plano da linha d’água e o plano do fundo da
Plataforma.
Disco de Plimsoll – utilizado para indicar o calado máximo da Plataforma, para cada
situação, de modo a não comprometer sua estabilidade.
CALADO E DISCO DE PLIMSOLL
1.5 - FAMILIARIZAÇÃO INICIAL A BORDO
Todo pessoal que chega a uma plataforma deve receber informações a respeito de suas
características e sua situação operacional. Este procedimento é conhecido como
“Brienfing”, que é uma palavra inglesa que tem como significado uma instrução de curta
duração. Consiste basicamente de um resumo a respeito dos seguintes tópicos: principais
características da plataforma, suas normas internas, localização dos postos de reunião e
de abandono, alarmes e procedimentos em caso de emergência, além das operações em
andamento e as modificações ocorridas no último período.
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1.6 - IDENTIFICAÇÃO E CONTROLE DO PESSOAL
Ao chegar à plataforma, todos os funcionários ou
visitantes devem, antes do briefing, apresentar-se à
recepção para que haja a identificação, o controle
do embarque e seja fornecido um cartão de
identificação, conhecido como cartão “T”.
Neste cartão são encontradas diversas informações
vitais em uma emergência, tais como: nome, empresa,
camarote, tipo sangüíneo, ponto de reunião, função,
ponto de abandono, baleeira e ações em caso de
emergência.
Os funcionários ou visitantes deverão também ser
informados da existência da lista nominal de presença EXEMPLO DE CARTÃO “T”
a bordo, conhecida como POB (People On Board/Pessoas a Bordo), que funciona como
conferência no caso de evacuação ou abandono da plataforma.
Após a identificação inicial, o recém embarcado deverá ser encaminhado ao local onde
será realizada a palestra de embarque (Briefing).
1.7 - PONTOS DE REUNIÃO
São locais pré-determinados para que as pessoas não
envolvidas diretamente nas fainas de emergência se
reúnam, de modo que sejam orientadas e monitoradas
por um coordenado.
Os locais são pré-determinados de forma que as
pessoas estejam abrigadas e afastadas da zona de
perigo, porém, o mais próximo possível do seu posto
de abandono.
CARTÕES
Os locais normalmente utilizados como pontos de
“T”
reunião são: sala de jogos, sala de TV, recepção,
auditório e refeitório. Ao dirigir-se para o ponto de PONTO DE REUNIÃO
reunião, faça-o com calma e com seu colete salva-
vidas. Nos Postos de Reunião haverá um Coordenador, que será o responsável pela
condução da faina e pela segurança das pessoas presentes.
1.8 - PONTOS DE ABANDONO
São locais para onde são dirigidas as pessoas que deixarão a plataforma, vindas dos
pontos de reunião, quando da evacuação ou abandono da plataforma. Localizam-se nas
áreas próximas aos turcos das baleeiras.
Nos Postos de Abandono haverá um Coordenador, que será o responsável pela
condução da faina e pela segurança das pessoas presentes.
1.8.1 - Abandono
É o método de se retirar da plataforma, de forma ordenada, todas as pessoas não
envolvidas em uma faina de emergência, quando é iminente a perda de controle desta
emergência, utilizando-se para tal, recursos próprios, que devem ser as baleeiras,
preferencialmente, ou, se estas não estiverem disponíveis, as balsas salva-vidas.
1.8.2 - Evacuação
É o método de se retirar da plataforma, de forma ordenada, como medida preventiva,
todas as pessoas não envolvidas em uma faina de emergência, quando há o risco de se
perder o controle desta emergência.
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Para tal, faz-se a escolha dos recursos mais adequados, dentre todos disponíveis,
preferencialmente recursos externos, tais como aeronaves e/ou embarcações, se as
condições assim permitirem. Caso contrário, serão utilizadas as embarcações rígidas e/ou
infláveis de sobrevivência.
1.9 – EMBARQUE E DESEMBARQUE EM HELICÓPTEROS
Os helicópteros são largamente empregados pelos trabalhadores de Plataformas e, como
em qualquer meio de transporte, temos que ter cuidados especiais para que a segurança
esteja sempre em primeiro lugar. Para tal, as seguintes ações devem ser adotadas:
a) Antes do embarque, receber instruções sobre o
vôo e sobre as medidas de segurança;
b) Colocar corretamente o colete salva-vidas;
c) Não portar objetos soltos (boné, papel, etc.) que
possam atingir as turbinas;
d) Não portar objetos pontiagudos (caneta, lápis, etc.);
e) Após a autorização para o embarque, fazê-lo
perpendicularmente ao eixo longitudinal do
helicóptero e nunca pela parte dianteira ou,
principalmente, traseira, devido ao risco de ser
atingido pelo rotor de cauda ou pela oscilação das pás rotativas;
f) Colocar corretamente o cinto de segurança (bem ajustado e com a fivela livre para ser
acionada); e
g) No desembarque, aguardar a autorização para sair da aeronave. O desembarque
deverá ser feito perpendicularmente ao eixo longitudinal do helicóptero, como
explicado acima.
O número de acidentes com helicópteros é relativamente pequeno quando comparado a
outros meios de transporte, porém, isto em nada diminui a importância dos procedimentos
que devem ser adotados no caso de queda de uma aeronave.
A análise de acidentes ocorridos com helicópteros sobre o mar aponta para os seguintes
aspectos que agravam as conseqüências:
Pânico;
Desorientação;
Falta de conhecimento dos equipamentos de segurança a bordo da aeronave e dos
procedimentos de emergência; e
Falta de conhecimento dos procedimentos para evacuação com a aeronave submersa.
No caso de queda da aeronave n’água, as seguintes ações contribuirão para a
sobrevivência dos passageiros:
Prestar atenção às instruções de segurança apresentadas antes do vôo;
Ao entrar na aeronave, procure localizar as saídas de emergência e identificar quais
ações serão necessárias para o escape. Identifique pontos de referência no interior da
aeronave que possam auxiliar no escape;
Procure localizar os equipamentos de segurança a bordo da aeronave;
Manter a fivela do cinto de segurança livre para ser acionada;
No caso de queda, tentar manter a calma;
Tentar manter a orientação, tendo como base os pontos de referência no interior da
aeronave; e
Somente abandone o interior da aeronave após a parada das pás rotativas.
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2 - EMERGÊNCIA EM PLATAFORMA
É toda anormalidade que possa gerar sérios danos ao pessoal, equipamento ou ao meio
ambiente. Para a eliminação de suas causas e para o
controle de seus efeitos é necessário interromper as
rotinas normais de bordo e adotar procedimentos de
emergência previstos nas publicações e manuais de
bordo. Assim que a situação de emergência for
divulgada, todo pessoal de bordo deverá guarnecer
seus postos, de acordo com o estabelecido na tabela
mestra de fainas de emergência.
2.1 - TIPOS DE EMERGÊNCIA
Existem vários tipos de emergências, sendo que para cada um deles são previstos
procedimentos para atenuar, controlar ou extinguir estas emergências, evitando que fujam
ao controle. Os seguintes eventos configuram uma emergência em plataforma:
Incêndio; Colisão de embarcação contra a plataforma;
Explosão; Acidente envolvendo material radioativo;
Erupção de poço (blow-out); Mau tempo;
Acidentes envolvendo aeronave; Problemas com lastro (Plataformas Flutuantes);
Homem ao mar; Água aberta (Plataformas Flutuantes); e
Doença ou lesão grave a bordo; Acidente envolvendo operações de mergulho.
2.2 - COORDENAÇÃO DA EMERGÊNCIA
A Coordenação geral de uma emergência em uma plataforma é exercida pelo GEPLAT
(abreviatura de Gerente de Plataforma), a quem caberá assegurar-se que todas as
pessoas de bordo conheçam seus postos e deveres durante as fainas de emergência.
O GEPLAT também terá sob sua responsabilidade os Grupos de Ação.
2.2.1 - Grupos de Ação
São equipes destinadas ao combate e controle das diversas situações de
emergência que possam ocorrer a bordo de uma plataforma. São formados por
pessoas que devem estar familiarizadas com as características da plataforma, suas
possibilidades e limitações, bem como terem pleno conhecimento das ações a serem
tomadas em situações de emergência. Os Grupos de Ação são normalmente os
seguintes:
Brigadas de emergência (combate ao fogo, avarias e mau tempo);
Equipe de parada de emergência (controle da planta de processo, estabilidade e
poços);
Equipe de abandono (tripulantes com função em balsas salva-vidas e baleeiras);
Equipe de resgate (homem ao mar e buscas);
Equipe de socorristas; e
Equipe de combate a acidentes ambientais (ex: SOPEP).
2.2.2 - Tabela Mestra
A tabela mestra de fainas de emergência estabelece as funções, responsabilidades
e ações que devem ser tomadas pelo pessoal de bordo durante uma faina de
emergência, em especial os Grupos de Ação.
Regularmente, são realizados exercícios para que as pessoas se familiarizem com a
tabela mestra, cujas cópias são afixadas em locais onde possam facilmente ser
consultadas.
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A seguir é apresentado o trecho de uma Tabela Mestra, referente às fainas de
“Abandono” e “Homem ao Mar”.
ABANDONO ATRIBUIÇÕES
Baleeira - 1 (BE) Coordenador
1-COORDENAR TODO PESSOAL
FUNÇÃO Cód. TITULAR Cód. RESERVA NÃO ESSENCIAL AO CONTROLE
DA EMERGÊNCIA NA ESTAÇÃO
Coordenador 101 Sondador 1 103 Sondador 3 DE ABANDONO.
Timoneiro 124 MCB 109 Sup. de Elétrica 2- VERIFICAR SE HÁ FALTOSOS
ENTRE O PESSOAL NÃO
Co-Timoneiro 110 Mecânico 1 111 Mecânico 2 ESSENCIAL E EM CASO
AFIRMATIVO, COMUNICAR
IMEDIATAMENTE AO
Baleeira - 2 (BB) COORDENADOR DA ÁREA.
3- VERIFICAR PRESENÇAS, A
FUNÇÃO Cód. TITULAR Cód. RESERVA UTILIZAÇÃO DE COLETES E A
ENTRADA E OCUPAÇÃO
Coordenador 201 Suapo 202 Sondador 2 CORRETA NA EMBARCAÇÃO.
4- AUTORIZAR A DESCIDA DA
Timoneiro 205 Sup. Mecânica 204 Mecânico 3 EMBARCAÇÃO APÓS RECEBER
ORDEM VERBAL DO
Co-Timoneiro 207 Eletricista 2 208 Eletricista 3 COORDENADOR DA ÁREA.
ATRIBUIÇÕES
Timoneiro Co-Timoneiro
1- CHECAR SISTEMAS DA EMBARCAÇÃO E 1- AUXILIAR O TIMONEIRO NOS PREPARATIVOS PARA
PREPARÁ-LA PARA O ABANDONO. O ABANDONO DA EMBARCAÇÃO.
2- APÓS A DESCIDA DA EMBARCAÇÃO AO MAR
CONDUZI-LA PARA LOCAL SEGURO
HOMEM AO MAR ATRIBUIÇÕES
FUNÇÃO Cód. TITULAR Cód. RESERVA 1-REALIZAR A BUSCA DE
PESSOA(S).
2-EFETUAR O RESGATE.
Timoneiro 124 MCB 205 Sup. Mecânica 3-PRESTAR OS PRIMEIROS
SOCORROS À VÍTIMA;
Socorrista 1 116 Plataformista 1 117 Plataformista 2 4-MANTER O COORDENADOR DA
ÁREA INFORMADO SOBRE O
Socorrista 2 110 Mecânico 1 111 Mecânico 2 ANDAMENTO.
2.3 - INSTRUÇÕES NO CASO DE EMERGÊNCIA
No caso da disseminação de um alarme de emergência, deve ser observada a proibição
do fumo a bordo e a paralisação dos trabalhos e equipamentos que não sejam
estritamente necessários. Deve-se evitar correria e atropelos, mantendo sempre a calma,
caminhando pela direita nos corredores e escadas, munido de seu EPI completo
(capacete, botas, uniforme, óculos de segurança, protetor auricular e luvas). Todo o
pessoal não envolvido na emergência deverá se dirigir ao seu camarote e apanhar o seu
colete salva-vidas, a menos que esteja em um local onde haja coletes disponíveis. Dirija-
se ao seu ponto de reunião, pegue seu cartão “T”, vista o seu colete salva-vidas,
orientado pelo coordenador se necessário, e aguarde instruções.
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2.4 - SINAIS DE ALARME
Ao tomar conhecimento de uma emergência, os seguintes Sistemas de Comunicação
Interiores poderão ser empregados para a sua divulgação:
a) INTERCOM – sistema composto de vários alto-falantes e microfones espalhados pela
Plataforma, que permitem que a divulgação da emergência seja ouvia em todos os
locais de bordo;
b) Telefones Internos – permitem que a emergência seja informada à Sala de Controle;
c) Rádios do tipo “Walk Talk” – os trabalhadores que portam este tipo de equipamento
poderão divulgar a emergência para a Sala de Controle; e
d) Alarmes de Emergência – são sinais sonoros com acionamento em locais
estrategicamente escolhidos, com a finalidade de alertar todos a bordo da Plataforma
sobre a anormalidade.
Sinal de alarme intermitente .................................Situação de emergência
Sinal alarme contínuo ............................................Preparar para abandonar
Nota: os locais com ruído intenso devem ser dotados de sinais de alarme visuais
(luzes estroboscópicas), em complemento ao alarme sonoro.
É de fundamental importância a correta divulgação da emergência, informando sua
natureza e localização.
2.5 - SÍMBOLOS
A bordo de plataformas existe um número grande de símbolos afixados em anteparas,
portas, caixas de equipamentos, canalizações, etc. O propósito da utilização de símbolos
é facilitar a visualização e a compreensão quanto a assuntos de importância, tais como a
localização dos equipamentos de salvatagem.
A figura a seguir mostra alguns destes símbolos.
O significado dos símbolos acima apresentados é o seguinte:
1ª LINHA: baleeira, bote de resgate, balsa salva-vidas, balsa salva-vidas lançada por
turco, escada de embarque, rampa de abandono, bóia salva-vidas, bóia salva-
vidas com retinida.
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2ª LINHA: bóia salva-vidas com dispositivo de iluminação automático, bóia salva-vidas
com dispositivo de iluminação e fumígeno, colete salva-vidas, colete salva-
vidas para criança, roupa de imersão (proteção térmica), rádio portátil de
embarcação de sobrevivência, EPIRB, SART.
3ª LINHA: sinal de socorro pirotécnico de embarcação de sobrevivência, foguete manual
estrela vermelha com pára-quedas, aparelho lança retinida, posto de reunião,
sistema de evacuação, maca, roupa para proteção térmica, roupa
antiexposição.
4ª LINHA: quebrar o vidro em caso de emergência, escada para escape, helicóptero,
telefone de emergência e equipamento de respiração.
2.5.1 - Plano de Segurança e Combate a Incêndio
Neste plano são indicadas, através de símbolos, as localizações de todos os
equipamentos de salvatagem e de combate a incêndio existentes a bordo. O plano
deverá ser aprovado por Sociedade Classificadora e suas cópias deverão ser
afixadas em locais onde possam facilmente ser consultadas.
A seguir é apresentado um exemplo de cópia de um Plano de Segurança e Combate
a Incêndio.
2.6 - ROTAS DE FUGA
São faixas pintadas no piso das áreas externas da
plataforma, formando um corredor com setas brancas que
indicam o caminho mais rápido e seguro para se chegar aos
postos de abandono. Nos corredores interiores, são
utilizadas placas adesivas para indicar as rotas de fuga e
saídas de emergência. As rotas de fuga e as saídas de
emergência devem estar sempre bem sinalizadas,
iluminadas e desobstruídas.
2.7 - TREINAMENTO
As plataformas deverão estar providas de pessoal adequadamente capacitado para agir
prontamente nas situações de emergência, sendo para tal necessário que haja uma
perfeita familiarização com os equipamentos e instalações que possam ser empregadas
nas situações de emergência, bem como com os procedimentos a serem cumpridos.
O manual de treinamento da Plataforma deverá conter instruções e
informações sobre os equipamentos de Salvatagem que se encontram a
bordo e os métodos de sobrevivência.
Estes manuais devem ser mantidos onde os tripulantes tenham fácil
acesso.
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3 - EQUIPAMENTOS DE SALVATAGEM
Os equipamentos de salvatagem são fabricados e instalados a bordo observando-se os
requisitos previstos na seguinte legislação: Código LSA, Convenção SOLAS, Códigos
MODU 79 ou 89 e Normas da Autoridade Marítima Brasileira (NORMAM).
Os equipamentos de salvatagem deverão ser mantidos sempre em condições corretas de
operação. Para tal, é necessário que sejam cumpridas as manutenções previstas em seus
manuais. Além disso, suas quantidades e características deverão atender aos requisitos
estabelecidos em legislação.
3.1 - CLASSIFICAÇÃO DOS EQUIPAMENTOS
Os equipamentos de salvatagem são classificados segundo seu emprego e suas
características, da seguinte forma:
CLASSE I - Fabricados conforme requisitos previstos na Convenção SOLAS e no Código
LSA. São utilizados nas embarcações empregadas na navegação entre
portos brasileiros e estrangeiros. Possuem o mais alto grau de segurança
exigido.
CLASSE II - Fabricados com base nos requisitos acima, abrandados para o uso na
navegação de mar aberto entre portos nacionais.
CLASSE III - Para uso nas embarcações empregadas na navegação interior.
3.2 - MARCAÇÕES NOS EQUIPAMENTOS
Os equipamentos de salvatagem deverão ser marcados com letras romanas maiúsculas,
com tinta à prova d'água, com o nome da embarcação e do porto de inscrição ao qual
pertence. Os equipamentos deverão também possuir as marcações referentes ao no do
Certificado de Homologação, fabricante, modelo, classe, n o de série e data de fabricação.
3.3 - ISENÇÃO
Qualquer abrandamento, quanto a qualidade ou quantidade, referente a equipamentos de
salvatagem de bordo, somente poderá ser realizado com a autorização da Autoridade
Marítima da Bandeira da embarcação e da Autoridade Marítima Brasileira (Diretoria de
portos e Costas - DPC). A este abrandamento dá-se o nome de “Isenção”.
3.4 - COLETES SALVA-VIDAS
Colete Salva-vidas é um equipamento de proteção individual (EPI) obrigatório em todas
as embarcações, independentemente de seu porte ou emprego.
3.4.1 - Classes de coletes salva-vidas
Como visto anteriormente, os equipamentos de salvatagem, aí incluídos os coletes
salva-vidas, são classificados como Classe I, II ou III. Salvo quando expressamente
autorizado, os coletes salva-vidas a bordo de plataformas deverão ser Classe I.
COLETE CLASSE I COLETE CLASSE III
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Observação: existem também os coletes salva-vidas da Classe IV, utilizados para
trabalhos, e os da Classe V, empregados em atividades esportivas.
COLETE CLASSE IV COLETE CLASSE V
3.4.2 - Tipos de coletes salva-vidas
Os coletes salva-vidas podem ser de dois tipos: o tipo que não precisam ser infláveis
para flutuar, pois são naturalmente flutuantes, e os infláveis. A bordo de plataformas,
não é permitido o uso de coletes infláveis. Estes coletes, somente são utilizados nas
aeronaves que efetuam o transporte de pessoal da plataforma.
COLETE RÍGIDO COLETE INFLÁVEL
3.4.3 - Localização dos coletes salva-vidas
A bordo das plataformas, os coletes salva-vidas deverão estar estivados nos
seguintes locais:
- Nos camarotes ou alojamentos;
- Na enfermaria;
- Na sala de comando ou sala de lastro;
- Na sala de rádio;
- No Centro de Controle da Máquina ou Praça de Máquinas; e
- Nas estações de abandono.
Esses coletes deverão estar estivados de modo a serem prontamente acessíveis e
sua localização deverá ser bem indicada.
PONTO DE ABANDONO
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3.4.4 - Requisitos do colete salva-vidas
O colete salva-vidas utilizado em plataformas deverá possuir, dentre outras, as
seguintes características:
- Permitir que seja vestido em até 1 minuto;
- Poder ser utilizado pelo avesso ou ser claramente visível que somente pode ser
vestido de um lado;
- Ser confortável;
- Manter uma pessoa exausta / inconsciente em posição que lhe permita respirar;
- Permitir o nado por pequeno trajeto;
- Permitir o giro do corpo, a partir de qualquer posição, em até 5 segundos, de forma
que a boca permaneça fora d’água; e
- Ter apito, fitas retro-refletivas e iluminação.
3.4.5 - Uso do colete salva-vidas
A maneira correta de vestir o colete salva-vidas varia de acordo com o tipo do colete,
mas, de um a maneira geral, as diferenças não são grandes e nem de difícil
compreensão. Porém, é essencial que todos a bordo leiam e entendam as instruções
específicas de “como vestir o colete salva-vidas”, que estão afixadas nos locais
onde os coletes estão estivados, nos pontos de abandono e de reunião e nos locais
onde os tripulantes têm fácil acesso.
3.4.6 - Salto com o colete salva-vidas
Ao ser necessário saltar no mar, até uma altura máxima de 4,5 metros, proceda da
seguinte maneira:
- Certifique-se que não há uma forma mais segura de abandonar a plataforma;
- Retire todo material desnecessário (caneta, óculos, capacete, etc.).
- Vista corretamente o colete salva-vidas e ajuste-o o mais possível;
- Aproxime-se o máximo possível do nível do mar, de modo a reduzir a altura do
salto;
- Vede as narinas com uma das mãos e, por sobre esta, segure firmemente uma das
golas ou um dos ombros do colete salva-vidas;
- Certifique-se que a área abaixo está livre;
- Fique em pé perto da borda, aprumado;
- Dê um passo adiante, cruzando em seguida as pernas ao iniciar a queda,
mantendo-as assim durante toda a descida (jamais pule de cabeça);
- Não abaixar a cabeça para ver o mar; e
- Ao emergir, gire o corpo, ficando de frente para a plataforma, e nade de costas,
afastando-se da mesma, movendo apenas as mãos.
Ao ser necessário saltar no mar, de uma altura superior a 4,5 metros, deve-se adotar
o mesmo procedimento, exceto:
- Tente fazer uso das escadas fixas, escadas de quebra-peito ou qualquer outro
meio disponível para diminuir a altura do salto; e
- Não vista o colete salva-vidas, fazendo-o somente quando estiver n’água.
3.5 - BÓIA SALVA-VIDAS
Destina-se a ser lançada ao homem que tenha caído no mar, de forma a garantir sua
flutuabilidade enquanto se providencia o socorro/resgate. Devem possuir, dentre outras,
as seguintes características:
- Ter flutuabilidade própria;
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- Devem estar espaçadas a uma distância de modo que não se deva caminhar mais de
12m para alcançá-las e efetuar seu lançamento;
- Resistir à queda de uma altura de 30 metros;
- Ter linha salva-vidas fixada em quatro pontos eqüidistantes; e
- Possuir fitas retro-refletivas.
3.5.1 - Bóia salva-vidas singela
Desprovida de qualquer dispositivo auxiliar, deve ser
lançada a uma pessoa que esteja em perigo no mar
(homem ao mar).
A figura ao lado apresenta uma bóia salva-vidas singela,
estivada dentro de uma caixa de proteção.
3.5.2 - Bóia salva-vidas com retinida
Provida de uma retinida de material flutuante, cujo
comprimento deve ser de 30 metros ou de uma vez e meia
a altura do convés onde a bóia está estivada, o que for
maior. Seu chicote (ponta) não poderá estar preso
definitivamente à estrutura da embarcação. A retinida tem o
objetivo de permitir que a pessoa que caia no mar possa
ser trazida para próximo da embarcação, facilitando seu
resgate. A figura ao lado apresenta uma bóia salva-vidas
com retinida.
3.5.3 - Bóia salva-vidas com facho holmes
É a bóia salva-vidas que possui um facho Holmes
(dispositivo auto-iluminativo) a ela amarrada, que é
lançado ao mar junto com a bóia.
O facho Holmes é, basicamente, uma lanterna que é
acionada ao sair de sua posição de estiva (lâmpada para
baixo).Como ao ser lançada a lanterna flutua sempre
com sua lâmpada para cima, por possuir lastro em sua
outra extremidade, a lanterna gera uma iluminação que
ajudará na localização da pessoa que caia no mar.
A figura ao lado apresenta uma bóia salva-vidas com
facho holmes.
3.5.4 - Bóia salva-vidas com fumígeno e luz
A bóia salva-vidas possui um fumígeno (sinal de
fumaça) de cor visível, com débito constante de no
mínimo 15 minutos, a ela amarrado, que será ativado
quando a bóia for lançada ao mar.
Acoplado ao corpo deste fumígeno existe um sinal
luminoso que será ativado quando cair n’água. Esse
conjunto, que ajuda a localização (dia e noite) da
pessoa que caia no mar, fica fixado por fora da borda
da plataforma.
CONJUNTO SINAL
DE FUMAÇA E
Quando a bóia é lançada ao mar, ela arranca, por ação
SINAL LUMINOSO de seu peso, o conjunto (fumígeno e sinal luminoso) do
local onde está fixado, que cai ao mar com os sinais
(fumaça e luminoso) ativados.
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3.6 - EMBARCAÇÕES DE SOBREVIVÊNCIA
São embarcações que devem ser capazes de preservar e sustentar a vida de pessoas, a
partir do momento em que abandonam a Unidade Marítima até o momento em que serão
resgatadas.
Podem ser de dois tipos: embarcações salva-vidas, conhecidas como baleeiras, e balsas
salva-vidas.
3.6.1 - Baleeiras (embarcações salva-vidas)
BALEEIRA
Existem a bordo das Unidades Marítimas diversos tipos de baleeiras, que variam em
forma, tamanho, recursos e método
de lançamento, porém, seu
propósito é sempre o mesmo, já
citado no item anterior.
Deve ser esclarecido, no entanto,
que determinadas características
encontradas em um modelo mais
recente não invalidam outros
modelos que não as possuam.
A falta de determinado acessório ou
aperfeiçoamento pode e deve ser sobrepujado por procedimentos corretos e pela
capacidade e conhecimento dos operadores.
[Link] - Características das baleeiras
Uma baleeira deve possuir, dentre outras, as seguintes características:
- Ser construída de forma a ter boa estabilidade e borda livre suficiente
quando totalmente carregada;
- Ser construída com material retardador de fogo ou não combustível;
- Possuir escadas de acesso que atinjam 0,40 metro abaixo da linha d’água;
- Permitir que uma pessoa em um maca possa embarcar;
- Ter uma linha salva-vidas flutuante presa nos bordos externo, acima da linha
d'água e ao alcance das pessoas que estiverem na água;
- Oferecer condições de acesso a todos os tripulantes, no tempo de 3
minutos, a partir da ordem de embarque;
- Ser equipada com um motor capaz de manter-se funcionando até mesmo se
tiver sua parte inferior alagada;
- O motor deve ter condições de manter-se funcionando por 5 minutos quando
fora d’água;
- O motor deverá ser dotado de um sistema de partida manual ou de um
sistema de partida com duas fontes de suprimento de energia
independentes e recarregáveis;
- Desenvolver a velocidade de pelo menos 6 nós e ser capaz de rebocar uma
balsa para 25 pessoas, além de ter autonomia para um período não inferior
a 24 horas com 6 nós de velocidade a plena carga;
- Ter cintos de segurança e assentos numerados;
- Ter sistema de ar para o ambiente e para o motor; e
- Ter sistema de proteção contra incêndio através de borrifamento do casco
externo com água.
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[Link] - Dispositivos de lançamento das baleeiras
São meios utilizados para que sejam efetuados os lançamentos e
recolhimentos das baleeiras. Podem ser dos seguintes tipos:
Lançamento por turco
Neste dispositivo a baleeira é arriada
e içada por dois cabos de aço
(presos na proa e na popa da
baleeira). Esses cabos de aço
correm por um sistema de roldanas
até serem enrolados, ou
desenrolados, nos tambores do
turco. Estes tambores são acionados
por motores elétricos, quando do
içamento da baleeira, ou são
controlados por um freio, quando a
baleeira for arriada pela ação do
próprio peso.
Este dispositivo deve possuir, dentre outras, as seguintes características:
- Permitir o lançamento da baleeira, com segurança, tendo sua palamenta e
lotação completas;
- Permitir o lançamento da baleeira, com segurança, em condições
desfavoráveis de trim (até 10° para cima ou para baixo) e banda (até 20 º
para qualquer bordo); e
- Poder arriar a baleeira tanto pelo controle do tambor do turco como por um
operador situado no interior da baleeira.
Queda livre (free-fall)
Neste dispositivo a baleeira é arriada somente pela ação da gravidade, sem
qualquer sistema de frenagem.
Este dispositivo deve possuir, dentre outras, as seguintes características:
- Atender às prescrições aplicáveis as
baleeiras convencionais, além do
disposto neste item;
- Ter uma resistência suficiente para
suportar, quando carregada com toda
a sua lotação de pessoas e toda a
sua dotação de equipamentos, um
lançamento por queda livre de uma
altura de pelo menos 1,3 vez altura
de queda livre aprovada;
- Ser projetada e instalada de modo
que proteja os ocupantes contra
forças de aceleração prejudiciais; e
- Ser dotada de acentos, encostos e
cintos de segurança especiais, que reduzam os efeitos do choque n’água.
Seja qual for o dispositivo de lançamento, ou de baleeira, é importante
salientar que os ocupantes deverão manter a calma, ficar em silêncio,
permanecer sentados, com o cinto de segurança corretamente passado, e
atentos às instruções que serão passadas pelo coordenador da faina.
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[Link] - Instruções para o lançamento das baleeiras
As instruções para o lançamento das baleeiras deverão estar afixadas
próximas a elas, em idiomas que os tripulantes entendam, iluminadas por
iluminação de emergência.
[Link] - Palamenta das baleeiras
Entende-se por palamenta todo o material que devemos ter a bordo de uma
embarcação de sobrevivência. Segundo a publicação Código LSA, o seguinte
material deverá estar disponível a bordo de uma baleeira:
Remos flutuantes. Espelho de sinalização diurna.
Dois croques. Cópia de sinais de salvamento.
Cuia flutuante e dois baldes. Apito.
Manual de sobrevivência. Caixa de primeiros socorros.
Agulha magnética. Medicamentos contra enjôo.
Âncora flutuante. Faca (presa por meio de um fiel).
Duas boças resistentes. Três abridores da lata.
Duas boças com aros de salvamento Duas machadinhas.
flutuantes.
Três litros de água potável por Bomba manual para esgoto.
pessoa.
Duas lanternas para sinalização Conjunto de apetrechos para
Morse. pesca.
Recipiente graduado para água Caixa de ferramentas.
potável.
Ração alimentar (10.000 KJ por Extintor de incêndio.
pessoa).
Quatro foguetes iluminativos com Holofote.
pára-quedas.
Seis fachos manuais (fumígenos). Refletor radar ou SART.
Dois sinais fumígenos flutuantes (cor Caneco inoxidável.
laranja).
Meios de proteção térmica (10% da Rádio VHF.
lotação).
3.6.2 - Balsas salva-vidas
São inúmeros os modelos existentes de
balsas salva-vidas infláveis (variam conforme
a lotação, forma de estiva, altura de estiva,
método de lançamento, método de embarque,
palamenta, custo, etc.).
Como visto anteriormente, os equipamentos
de salvatagem, aí incluídas as balsas salva-
vidas, são classificados como Classe I, II ou
III.
No Brasil, a legislação estabelece que as
plataformas marítimas fixas poderão utilizar balsas salva-vidas da Classe II e as
demais plataformas deverão utilizar balsas salva-vidas da Classe I (podendo ser
dotadas com a palamenta prevista para a Classe II).
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[Link] - Componentes da balsa salva-vidas
As balsas salva-vidas da Classe I possuem, basicamente, os seguintes
componentes:
[Link] - Estiva das balsas salva-vidas
Normalmente vêm embaladas em casulos de forma cilíndrica (de fibra de
vidro), porém, podem vir embaladas em CASULO
invólucros de outras formas. Quando TIRANTE
embaladas em casulos, as balsas são
instaladas sobre berços situados próximos
às bordas da plataformas. A fixação da balsa
a seu berço, bem como sua liberação, é feita
por meio de um sistema de cabos e/ou
tirantes. Faz parte deste sistema um
dispositivo hidrostático de liberação da balsa
salva-vidas, que será explicado
DISPOSITIVO
posteriormente. BERÇO HIDROSTÁTICO
A Figura ao lado apresenta o tipo de balsa salva-vidas mais comumente
encontrado a bordo de plataformas.
[Link] - Palamenta das balsas salva-vidas
Segundo a publicação Código LSA, o seguinte material deverá estar
disponível a bordo de uma balsa salva-vidas:
Dois remos flutuantes. Espelho de sinalização diurna.
Cuia flutuante e dois baldes. Cópia de sinais de
salvamento.
Faca flutuante (presa por meio de um Apito.
fiel).
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Meios de proteção térmica (10% da Caixa de primeiros socorros.
lotação).
Boça com aro de salvamento flutuante. Medicamentos contra enjôo.
Conjunto de apetrechos para pesca. Lanterna para sinalização
Morse.
Um litro e meio de água potável por Três abridores da lata.
pessoa.
Recipiente graduado para água Um par de tesouras.
potável.
Ração alimentar (10.000 KJ por Manual de sobrevivência.
pessoa).
Saco de enjôo para cada pessoa. Duas âncoras flutuantes.
Seis fachos manuais (fumígenos). Duas esponjas.
Dois sinais fumígenos flutuantes (cor Refletor radar.
laranja).
Quatro foguetes iluminativos com pára-
quedas.
[Link] - Métodos de lançamento das balsas salva-vidas
Os métodos para que sejam lançadas as balsas salva-vidas são dos
seguintes tipos:
Lançamento manual
As ações a serem tomadas para o lançamento
manual da balsa salva-vidas são as seguintes:
- Liberar o sistema de cabos e/ou tirantes que
fixam a balsa a seu berço;
- Assegurar-se que a extremidade do cabo de
disparo está presa à plataforma;
- Jogar a balsa salva-vidas n’água;
- Puxar a extremidade do cabo de disparo que
ficou a bordo da plataforma, inflando a balsa
salva-vidas; e
- Após a balsa estar inflada, embarcar o
pessoal designado e liberar a balsa.
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Este método é utilizado quando, após o lançamento da balsa salva-vidas ao
mar, as pessoas dispõem de um meio seguro de saltar n’água para embarcar
na balsa. Isto se dá quando a balsa está estivada a uma altura inferior a 4,5
metros em relação ao nível do mar.
Quando a balsa salva-vidas for estivada a mais de 4,5 metros de altura em
relação ao nível do mar, será necessário que ela seja arriada por um turco, já
com todo o pessoal nela embarcado, ou que a plataforma disponha de
escadas, ou outros meios, que permitam o embarque do pessoal sem que
haja a necessidade de saltar de uma altura superior a 4,5 metros.
Lançamento por turco
Este método de lançamento de balsa salva-
vidas é utilizado quando o método manual,
anteriormente descrito, não é adequado, em
face da necessidade das pessoas terem que
saltar n’água de uma altura não segura.
As ações a serem tomadas para o lançamento
dependem das características da balsa salva-
vidas e do turco que serão empregados, mas,
basicamente, são as seguintes:
- Liberar os cabos que fixam a balsa a seu
berço;
- Abrir o casulo da balsa salva-vidas, de modo
a ter acesso ao anel/manilha existente no
topo da balsa, por onde ela será arriada;
- Girar a lança do turco, posicionando-a sobre a balsa;
- Conectar o gato do turco ao anel/manilha por onde a balsa será arriada;
- Erguer a balsa e girá-la para fora da borda da plataforma;
- Inflar a balsa, acionando (puxando) o
cabo de disparo;
- Posicionar a balsa à altura do convés e
tencionar os cabos de direção, de forma
a manter a balsa suspensa e sem
balanços;
- Após o embarque de todos, cortar os
cabos de direção e arriar a balsa; e
- Quando a balsa atingir o nível do mar,
liberá-la.
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Lançamento automático TIRANTE DE FIXAÇÃO
Caso não tenha sido possível o
lançamento de uma balsa salva-vidas
durante uma operação de abandono, a
balsa será
liberada se a
plataforma vier a
ficar submersa,
por ação de um
dispositivo
hidrostático de
liberação da DISPOSITIVO HIDROSTÁTICO CABO DE DISPARO
balsa. (LIGADO À PLATAFORMA)
A pressão da água ativará o dispositivo
hidrostático, que liberará o casulo de seu berço, fazendo com que ele flutue
em direção à superfície, ligado à plataforma pelo cabo de disparo da balsa.
À medida que a plataforma afunda, o cabo de disparo é tensionado,
acionando a ampola de gás que inflará a balsa.
Após a balsa inflar, um elo de ruptura (cabo fusível), existente no cabo de
disparo, se romperá, desconectando a balsa salva-vidas da plataforma, que
poderá vir a ser utilizada por um náufrago que se encontre próximo.
[Link] - Instruções para o lançamento da balsa salva-vidas
As instruções para o lançamento da balsa salva-vidas da plataforma deverão
estar afixadas próximas a elas, em idiomas que os tripulantes entendam,
iluminadas por iluminação de emergência.
[Link] - Embarque na balsa salva-vidas
O embarque na balsa salva-vidas pode ser
classificado como direto e indireto. O embarque
direto é aquele em que as pessoas abandonam
a plataforma entrando diretamente na balsa
salva-vidas, ou seja, não entram em contato
com a água.
Deve-se dar prioridade ao embarque direto,
sempre que possível, pois nesse método de
abandono o náufrago entra seco na balsa e não
se arrisca a desgarrar-se do grupo.
O embarque indireto é aquele em que a pessoa
se lança dentro da água e nada até a balsa
salva-vidas.
Para facilitar a entrada na balsa, devemos
utilizar o seu degrau, que permite a uma pessoa
com colete salva-vidas um fácil acesso.
A primeira pessoa a entrar deve procurar auxiliar as demais para agilizar a
operação de embarque de toda a lotação.
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[Link] - Ações imediatas após o embarque na balsa salva-vidas
As seguintes ações deverão ser adotadas após o embarque do pessoal e a
liberação dos cabos da balsa salva-vidas:
- Usar os remos para afastar-se da unidade abandonada, indo para um local
seguro;
- Procurar, dentro do possível, por sobreviventes;
- Lançar a âncora flutuante;
- Colocar EPIRB e SART em funcionamento (a operação destes
equipamentos será explicada mais adiante);
- Erguer a cobertura (toldo);
- Distribuir as pílulas antienjôo;
- Drenar a parte interna da embarcação;
- Tratar os feridos;
- Na condição de frio inflar o piso da balsa;
- Deixar os equipamentos de comunicação prontos; e
- Montar vigia.
[Link] - Método para desvirar balsas salva-vidas
Na eventualidade da balsa salva-vidas emborcar durante o processo de inflar,
devido às condições do mar, ela pode ser endireitada da seguinte maneira:
- Subir no fundo da balsa, posicionando-se
sobre o cilindro de ar que foi utilizado
para inflá-la;
- Fazendo uso das mãos, como se fossem
remos, posicionar a balsa de forma que
você fique de frente para o vento (isto
facilitará a manobra de desvirar a balsa);
- Segurar o tirante de endireitamento, ficar
de pé e inclinar-se para trás, até que o
outro lado da balsa suspenda e ela
desvire; e
- Quando a balsa cair sobre você, use o
tirante de endireitamento para dirigir-se até a superfície.
[Link] - Balsa salva-vidas associada ao sistema de evacuação marítima
Pode-se empregar um Sistema de Evacuação Marítima para evitar que as
pessoas tenham que saltar n’água de uma altura não segura para embarcar
nas balsas salva-vidas ou para propiciar uma rápida descida das pessoas até
o nível do mar. As figuras a seguir apresentam alguns tipos de Sistemas de
Evacuação Marítima associados a balsas salva-vidas.
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3.6.3 - Deriva e localização de embarcações de sobrevivência
É importante que após o abandono da plataforma as embarcações de sobrevivência
busquem não se afastar em demasia do local do sinistro, pois as buscas aos
sobreviventes serão certamente iniciadas a partir das imediações da última posição
conhecida da plataforma.
Não se afaste mais do que o necessário para evitar o efeito sucção provocado pelo
afundamento da plataforma, bem como para evitar os efeitos de possíveis explosões
ou incêndio. Deve-se proceder da seguinte forma:
- Lançar a âncora flutuante, pois ela reduz a deriva;
- Prender-se às outras embarcações para aumentar a probabilidade de detecção
visual por parte das aeronaves e embarcações envolvidas na busca
- Emitir pedidos de socorro a intervalos regulares via rádio VHF; e
- Instalar o refletor radar e por em funcionamento o SART.
Sob condições desfavoráveis de mar, manter a âncora flutuante afastada da balsa
por meio de um cabo longo e ter, pronta para uso, uma âncora flutuante extra para o
caso da primeira desgarrar-se.
Deve-se poupar os pirotécnicos nas primeiras horas, exceto se não tiver dúvidas de
que eles serão avistados por embarcações ou aeronaves.
3.7 - BOTE DE RESGATE RÁPIDO (EMBARCAÇÃO DE SALVAMENTO)
A embarcação de salvamento, mais conhecida como bote de
resgate rápido, tem como finalidade o resgate de pessoas
em perigo no mar e, durante a faina de abandono da
plataforma, agrupar as balsas salva-vidas e recolher os
náufragos.
Suas principais características são as seguintes: grande
manobrabilidade e capacidade de ser lançada rapidamente.
O bote de resgate deve poder
acomodar, no mínimo, seis
pessoas, considerando-se uma delas em uma maca ou
deitada, sendo que, obrigatoriamente, três é o número
mínimo de tripulantes para a sua operação.
Deverá existir na plataforma equipe treinada e pronta para
entrar em ação a qualquer momento.
O bote de resgate rápido é dotado de um turco que é
empregado, exclusivamente, para o seu rápido lançamento
ao mar e seu posterior recolhimento.
3.8 - ROUPAS PARA PROTEÇÃO TÉRMICA
Quando em uma faina de salvamento uma pessoa é submetida a baixas temperaturas, há
o risco de sofrer hipotermia, devido à troca de calor de seu corpo com o ar ou a água do
mar. Para minimizar este efeito, existem roupas para proteção térmica.
3.8.1 - Roupa Térmica
Esta roupa permite a proteção térmica de grande parte do
corpo humano, contribuindo, através da diminuição da troca de
calor, para evitar a ocorrência de hipotermia.
Fazem parte da dotação das baleeiras, em quantidade
suficiente para dez por cento de sua lotação.
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3.8.2 - Roupa de Imersão
Esta roupa é para ser usada quando houver a necessidade de
se entrar em águas com baixa temperatura. Deve cobrir todo o
corpo, com exceção do rosto, e é confeccionada com material à
prova d’água.
Não deve permitir a entrada excessiva de água, atenuando,
assim, a troca de calor do corpo com a água do mar. Poderá ter
flutuabilidade suficiente para dispensar o uso de colete salva-
vidas. Neste caso, deverá ser dotada de lâmpada de
sinalização.
3.9 - EQUIPAMENTOS DE LOCALIZAÇÃO E COMUNICAÇÃO
São equipamentos que permitem ao náufrago indicar sua localização e efetuar
comunicações com embarcações e aeronaves envolvidas no resgate.
3.9.1 - Pirotécnicos
São empregados para indicar que uma situação de emergência está ocorrendo, além
de permitir ao náufrago indicar sua localização para as embarcações e aeronaves
envolvidas no resgate.
Por representar riscos a quem os estiver utilizando, devem ser manuseados e
ativados com todo o cuidado, observando-se as instruções para sua operação.
[Link] - Foguete manual estrela vermelha
O foguete manual estrela vermelha com
pára-quedas deve ser utilizado para longas
distâncias durante o dia ou durante a noite,
sendo, logicamente, mais visível no segundo
período. Ejeta um foguete munido de um
composto sinalizador vermelho que, liberado
do foguete, tem seu tempo de queda
aumentado pelo emprego de um pára-
quedas.
Tem o alcance de 300 metros de altura e produz, com sua estrela vermelha,
uma intensidade de luz de 30.000 candelas, por um período de 40 segundos.
Caso haja aeronaves nas proximidades, este pirotécnico não deverá ser
empregado, tendo em vista representar risco à operação de aeronaves.
[Link] - Facho manual
Utilizado para pequenas distâncias, onde se
requer forte luminosidade para indicar a
posição do náufrago. Tem o tempo de queima
de 1 minuto e intensidade de 15.000
candelas.
Ao ser acionado, é importante ter cuidado
com a direção do vento, para evitar que caiam
fagulhas, acidentalmente, sobre o operador
ou sobre a embarcação, no caso de ser
inflável.
É acondicionado, em sua maioria, em tubos contendo a composição
iluminativa vermelha e tendo na parte inferior a sua ignição.
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[Link] - Fumígeno flutuante
Utilizado para sinalização diurna, produz um
rastro de fumaça laranja. Deve ser sempre
lançado ao mar quando for avistado o
socorro. Após o acionamento não se deve
manter contato manual. Este contato
acarretará queimaduras, já que sua
refrigeração é feita na água. É fabricado em
cilindro metálico contendo química fumígena
alaranjada com um ignitor que varia
conforme o modelo.
3.9.2 - Radio Baliza Indicadora de Posição de Emergência (EPIRB)
Emite sinais em freqüência pré-determinada, permitindo a identificação e localização
da embarcação por sinal codificado, via satélite.
Toda EPIRB deve ser instalada a bordo em local da fácil acesso e deve ter
dimensões e peso tais que permitam o seu transporte, por um único homem, até a
embarcação de sobrevivência. Deve também ter sua liberação, flutuação e ativação
automáticas em caso de naufrágio da embarcação. A
EPIRB deve, ainda, possuir dispositivo para ativação
manual.
A EPIRB deverá ser capaz de transmitir um sinal de
socorro, por meio de satélite, na faixa de 406 MHz ou, se o
navio for empregado somente em viagens dentro da
cobertura INMARSAT, por meio do serviço de satélite
geoestacionário operando na faixa de 1,6 Hz.
O satélite envia um sinal a uma estação de recepção de
terra denominada Terminal de Usuário Local (LUT), onde a
posição é calculada e transferida a um Centro de Controle
de Missão (CCM). Os comandos necessários serão
emitidos ao Centro de Controle do Resgate (RCC), que
coordenará a operação do salvamento.
As EPIRBs têm capacidade de transmitir um sinal de
socorro pelo serviço de satélite em órbita polar (406 MHz),
possuindo a capacidade de "HOMING" em 121.5 MHz, funcionando como um
indicador de direção para uma aeronave de resgate.
3.9.3 - Transponder Radar (SART)
Os SARTs transmitem automaticamente um sinal de resposta quando recebem
ondas eletromagnéticas oriundas de um radar da banda “X” (9 GHz), oriundas de um
navio ou aeronave.
O sinal transmitido do SART aparece na tela
do radar das embarcações/aeronaves
engajadas na operação de busca como uma
linha tracejada, indicando a posição e
orientando a unidades de resgate.
O equipamento operará na condição “stand
by” por 96 horas e poderá ser usado
continuamente por 8 horas.
No caso de um desastre no mar, os SARTs
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existentes nas Unidades Marítimas devem ser levados para as balsas salva-vidas,
pois as baleeiras já possuem este equipamento.
3.9.4 - Transceptor VHF
Permite a comunicação com outras Unidades Marítimas, embarcações de apoio e
aeronaves, sendo um equipamento obrigatório que deve permanecer sempre
sintonizado/selecionado na freqüência de chamada/escuta 156.8 Mhz (canal 16).
Esta freqüência é prioritária para comunicações de socorro, urgência e segurança.
3.9.5 - Rádio Portátil VHF
As Unidades Marítimas deverão ser dotadas de pelo menos três aparelhos de rádio
VHF de dois canais. Trata-se de um equipamento portátil capaz de ser usado numa
situação de emergência como comunicação entre a Unidade Marítima, a
embarcação de sobrevivência e as unidades de resgate.
4 - SOBREVIVÊNCIA NO MAR
A análise de acidentes reais ocorridos comprova que o principal fator contribuinte para o
resgate de vidas, dadas como perdidas, foi a atitude mental do sobrevivente.
Não foram poucos os que, tendo equipamentos e treinamento, pereceram por não terem
dominado o conhecimento. Desta forma, perderam a confiança e, conseqüentemente,
perderam também a atitude mental/autocontrole, tão necessária.
Atitude Mental
O homem envolvido em emergências no mar deve manter uma atitude voltada para a
esperança e cuidar para que sua atitude física corresponda, igualmente, ao máximo
esforço para conservar-se vivo. Muitos que pereceram no mar foram encontrados com o
moral baixo. Realmente é difícil, se não impossível, avaliar, por exemplo, quanto abala o
moral ver seus companheiros de infortúnio morrer.
A apatia e a não cooperação nos trabalhos e serviços a bordo de embarcações de
sobrevivência são evidentemente responsáveis pela queda do moral de todos que
compartilham do infortúnio.
O Líder
Em qualquer organização é necessária a existência de uma liderança eficiente e
adequada. O ideal da liderança a bordo de embarcações de sobrevivência é a capacidade
de exercer influência nos esforços para a realização de um objetivo em determinada
situação de emergência. Os líderes são os que dizem aos seus seguidores o que devem
fazer e como devem fazê-lo. Uma boa liderança, o encorajamento e o otimismo são
fatores dos mais importantes para a sobrevivência em qualquer embarcação.
4.1 - NATAÇÃO DE SOBREVIVÊNCIA
A natação de sobrevivência consiste no conjunto de técnicas que objetivam a segurança
do náufrago, em especial a preservação de sua temperatura corporal.
4.1.1 - Posição Help (Heat Escape Lessening Posture)
É a posição mais recomendada para ser assumida por
quem se encontra de colete salva-vidas em emergência
no mar. Para a redução da perda de calor, procure flutuar
com o mínimo de movimento possível.
Mantenha as pernas juntas, cruzadas e encolhidas ou
distendidas, cotovelos colados ao corpo e braços
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cruzados pela frente do seu colete salva-vidas. Manter a cabeça e pescoço fora
d’água.
4.1.2 - Círculo de Sobrevivência
No caso de haver mais pessoas na água
e estando a temperatura do mar baixa, é
aconselhável a adoção desta posição.
Ela mantém o corpo aquecido e diminui a
quantidade de área exposta. Mantenha-
se verticalmente na água, literalmente
agarrado ao seu companheiro de
infortúnio.
4.1.3 - Comboio
Modo usado para ajudar no salvamento de mais de uma pessoa. Consiste em
passar os pés por sob a axila do outro deixando os braços livres para o nado, caso
necessário.
4.1.4 - Posição Caravela
Está é uma técnica aplicável em águas temperadas
(20º C ou acima). Caso estejamos no mar sem o
colete salva-vidas, é possível sobreviver porque a
maioria das pessoas tem flutuabilidade positiva na
água salgada. O objetivo principal é permitir que o
indivíduo se mantenha flutuando com o mínimo de
movimentos e o máximo de conservação de
energia. A pessoa deve expirar debaixo d’água,
depois levantar a cabeça fora d’água para respirar.
O ciclo é repetido até que uma opção melhor esteja
disponível.
4.1.5 - Salvamento N’água
Ao aproximar-se de alguém que esteja em perigo, devemos avisá-lo de que o
socorro já chegou, procurando acalmá-lo. É mais seguro aproximar-se pelas costas
da pessoa em perigo. Nadar para um ponto diretamente atrás dela, passar uma das
mãos sob seu queixo, e puxar-lhe a cabeça para trás.
4.1.6 - Improviso de bóia
Caso não disponha de colete salva-vidas, improvise uma bóia com as calças (águas
temperadas, 20º C ou acima). Para fazer tal bóia é necessário amarrar as duas
pernas da calça, dando nó em cada perna, desabotoar a braguilha e segurá-la pela
cintura por detrás da cabeça.
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Com movimento rápido, de trás para frente, em arco, por cima da cabeça, mergulha-
se a cintura da calça a sua frente. O ar aprisionado irá encher as pernas da calça. A
pessoa deve se apoiar sobre a calça, de modo que as duas bolsas de ar fiquem na
altura de suas axilas.
4.1.7 - Escombros e combustível em chamas
Ao ter que abandonar a plataforma, poderemos ser afetados pela existência de fogo
e/ou escombros na superfície do mar. Para minimizar os efeitos desta situação
devemos priorizar, caso possível, o abandono onde não haja a presença de fogo
e/ou escombros.
Caso isto não seja possível, logo após a entrada na água, devemos nos mover para
longe dos líquidos flutuantes e dos escombros flutuantes o mais rápido possível. A
maneira mais rápida para escapar é nadar contra o vento ou corrente, em direção a
uma área limpa. Use os braços e as mãos para afastar os escombros e/ou líquidos
em chamas.
4.2 - FATORES CLIMÁTICOS QUE AFETAM A SOBREVIVÊNCIA
O clima é um fator importante na sobrevivência dos náufragos. Os principais fatores
físicos (ambientais) que afetam a sobrevivência são: condições do mar, frio e calor.
Condições do mar
Em mares agitados, a sinalização e o resgate tornam-se mais difíceis, principalmente
havendo ondas grandes, pois os náufragos podem não ser avistados pelas equipes de
busca e salvamento. As condições do mar tornam a jornada de sobrevivência ainda mais
desconfortável dentro da embarcação de sobrevivência.
Nessas condições, os náufragos devem procurar ficar fixos dentro da balsa, passando os
braços no cabo interno localizado na altura das costas. Com isso, o náufrago evitará rolar
dentro da balsa, o que pode acarretar até o seu emborcamento, caso os náufragos se
amontoem em um lado apenas, devido aos balanços. Além disso, o mar agitado deixa o
náufrago mais propenso a enjôos e vômitos, agravando o estado de desidratação.
Dos problemas enfrentados pelas pessoas que estão no mar, especialmente em
embarcações que estão “jogando” muito, os mais comuns são tonturas, náuseas e
vômitos. Numa sobrevivência no mar, com a embarcação de sobrevivência ao sabor das
vagas, o problema passa a ser crítico, pois o vômito decorrente do enjôo implica na perda
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de água e conseqüente no aumento do estado de desidratação. Nesta situação, o
náufrago deve permanecer deitado, mudar a posição da cabeça, evitar comer e beber e
tomar o quanto antes comprimido contra enjôo.
Frio
O frio é outro fator que afeta a sobrevivência. Em águas frias, é necessário sair de dentro
d’água o mais rápido possível. Como a maior causa de mortes em sobrevivência no mar é
a hipotermia, todas as plataformas devem possuir embarcações de sobrevivência
(baleeira e/ou balsa salva-vidas inflável), de modo que o náufrago, após abandonar o
navio, não fique dentro da água.
A hipotermia pode ser definida como a redução da temperatura corporal abaixo dos 35 ºC.
Poderá ocorrer tanto em terra como dentro da água.
A hipotermia produzida por imersão na água é mais rápida do que aquela produzida no ar.
Isto se deve à condutividade térmica da água que é cerca de 20 (vinte) vezes maior do
que a do ar atmosférico.
Para se ter um parâmetro de estimativa de sobrevivência de pessoas imersas na água,
sem proteção adequada, podemos consultar o quadro a seguir.
É necessário que o náufrago se proteja do efeito do vento, especialmente se estiver
molhado. Dentro da embarcação de sobrevivência, as pessoas devem secar todas as
roupas molhadas. Não havendo roupas secas para vestir no lugar das molhadas, devem
torcê-las, a fim de retirar todo o excesso de água.
O grupo de sobreviventes deve manter a embarcação de sobrevivência o mais seca
possível, retirando sempre a água que embarcar. Os náufragos devem procurar manter o
corpo aquecido, cobrindo-o com o que dispuser a bordo da embarcação de sobrevivência.
Também é importante agrupar-se aos demais sobreviventes. É o que se costuma chamar
de “calor humano”.
Em hipótese alguma devem ser fornecidas bebidas alcoólicas para os náufragos, pois o
álcool deixa a pessoa mais propensa à hipotermia. Ao contrário do conhecimento do leigo,
o álcool não traz nenhum benefício para os náufragos, muito pelo contrário.
A sobrevivência em temperaturas baixas é uma questão de se manter a temperatura
corporal normal. Em climas mais frios, a tendência é o corpo trocar calor com o meio
ambiente. O fluxo de calor se dá sempre do corpo de maior temperatura para o de menor
temperatura. Assim, em temperaturas mais baixas, há o risco de perdermos calor para o
meio, se não estivermos adequadamente protegidos. A conseqüência dessa perda de
calor corporal é a diminuição de nossa temperatura interna, que pode levar à morte por
hipotermia.
Outro efeito do frio é congelamento das partes expostas do corpo. Esse fenômeno
acontece quando há o congelamento dos líquidos dos tecidos de determinadas áreas, tais
como mãos, pés e rosto, com a formação de cristais de gelo sobre a pele. O frio também
pode causar o “pé de imersão”, que consiste em feridas dolorosas nos pés resultantes da
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exposição à umidade e ao frio, geralmente agravado pela utilização de sapatos muito
apertados e sem ventilação e meias molhadas.
Uma pessoa imersa em água fria deve procurar manter-se calma, sem se agitar
desnecessariamente. Se estiver vestindo o colete salva-vidas, deve adotar a posição
HELP, mantendo a cabeça, pescoço e nuca fora da água, tornozelos cruzados e joelhos
levantados, braços colados ao corpo ou abraçados às pernas, ou ainda com as mãos
entre as axilas, com o objetivo de proteger as partes do corpo onde ocorrem maiores
trocas de calor.
Calor
O calor também pode trazer conseqüências prejudiciais para as pessoas em
sobrevivência no mar. Queimaduras, exaustão pelo calor, insolação, desidratação,
apenas para citar algumas. Em clima quente o náufrago deve retirar o excesso de roupa,
mas deve manter o corpo protegido. Se exposto diretamente ao sol, manter a cabeça e
pescoço protegidos. As embarcações de sobrevivência geralmente possuem coberturas
para proteger os náufragos da incidência direta dos raios solares, prevenindo
queimaduras.
Durante o dia, o náufrago deve umedecer as roupas com água do mar, retirando em
seguida o excesso. Ao anoitecer é importante que o náufrago esteja seco. É importante
que não se exagere no contato com a água salgada do mar, pois ela pode causar feridas
na pele. Prevenir a exaustão pelo calor reduzindo a atividade física; manter-se quieto e
beber água potável são orientações encontradas em todos os manuais de sobrevivência
no mar.
Deve-se manter a ventilação no interior da embarcação de sobrevivência, abrindo suas
entradas e molhando continuamente o toldo, atenuando-se, assim, os efeitos do calor.
O calor excessivo acarreta graves distúrbios no organismo, podendo inclusive levar à
morte. A insolação é causada pela elevação da temperatura corporal sem a
correspondente eliminação deste calor. Geralmente é causada por um problema no
mecanismo de resfriamento do corpo e está relacionado com a capacidade de suar da
pessoa. A insolação pode causar dores de cabeça, mal-estar, febre, perda da
consciência, convulsões, coma e morte.
A exaustão pelo calor está relacionada a distúrbios no sistema circulatório, pelo acúmulo
de sangue nas extremidades e sob a pele. Acarreta fadiga, náuseas, pulso rápido e
irregular, bem como perda de água.
Outro efeito da exposição ao calor é a desidratação. Também pode ser fatal para o
náufrago. Ocorre a desidratação quando o náufrago não consegue manter o equilíbrio
hídrico do organismo, ou seja, perde mais água do que consegue repor. Se esse
processo não for interrompido e revertido, leva à morte, algumas vezes, bem rápido.
Alguns sinais podem indicar o aumento da desidratação do corpo, tais como, sensação de
sede, dor de cabeça, perda de apetite, boca seca, redução da quantidade de urina
eliminada, fadiga, delírios, convulsões, diminuição da pressão sangüínea, entre outros.
As queimaduras solares também são conseqüências da exposição do náufrago ao calor,
mais precisamente aos raios solares que incidem diretamente na pele. Contudo, o
náufrago tem que se proteger também dos raios solares refletidos na superfície da água,
pois podem causar queimaduras. As queimaduras solares são de difícil tratamento dentro
da balsa, devendo o náufrago preveni-las.
4.3 - RAÇÕES
A água é a principal prioridade do náufrago em uma embarcação de sobrevivência. Sem
ela, o náufrago não sobreviveria mais do que alguns dias. Em comparação com a água, a
alimentação vem em segundo plano.
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Dispondo de água potável para beber, o organismo humano é capaz de suportar algumas
semanas sem alimento sólido. Entretanto, quando em completa ausência de água, a
sobrevida da pessoa é reduzida para apenas alguns dias. Proteger-se do sol, vento, água
do mar e do frio e, sobretudo, procurar manter o equilíbrio hídrico do organismo,
conservando a água do corpo, são bem mais importantes do que comer.
Contudo, não se deve negligenciar quanto à alimentação, embora esta venha no final de
sua lista de prioridades em sobrevivência no mar. As embarcações de sobrevivência
modernas são dotadas de rações sólidas.
Existem três recomendações importantes referentes às rações líquida e sólida em
embarcações de sobrevivência, a saber:
Alimento algum é necessário nas primeiras 24 horas;
Não devemos desperdiçar energia, pois estaremos aumentando nossas necessidades
relativas a alimentos e também transpirando, o que ocasionará perda de água pela
transpiração e, conseqüentemente, mais necessidade de reposição de líquido; e
A água deve ser dada aos homens considerados “sãos” após as primeiras 24 horas.
Estes homens, por já possuírem em seu organismo a quantidade normal de água, não
necessitarão da mesma. Somente os feridos e doentes devem recebê-la em pequenas
doses.
4.3.1 - Ração Líquida
O organismo humano contém cerca de 33 litros de água e fica difícil manter a vida se
esta quantidade baixar a 20 litros. Mesmo que não esteja transpirando, o homem
perde água através da evaporação normal da epiderme, pela respiração e ao urinar
ou defecar.
Experiências constataram que nestas condições perde-se cerca de 0,8 litros de água
por dia, caso não se ingerisse alimento líquido de reposição. Assim sendo, pode-se
sobreviver, teoricamente, por 15 dias, período em que ocorrerá uma desidratação de
cerca de 12,5 litros. Caso a sudorese seja bastante, esta perda de água poderá
aumentar tremendamente, e os 15 dias de sobrevivência sofrerão sensível redução.
A estimativa de vida em dias está ligada diretamente à temperatura ambiente, ao
funcionamento dos rins e ao esforço desprendido. O recorde conhecido é de 12 dias
sem ingestão de líquidos.
Em hipótese alguma deve-se ingerir água do mar. Estudos de casos reais
demonstram que o aumento de mortes é de sete a oito vezes maior do que ocorre
nas embarcações onde os náufragos não beberam água do mar. A principal razão
desse número elevado é que o corpo humano, para eliminar o sal contido na água
do mar, irá precisar de água doce, a fim de dissolvê-lo nos rins e expulsá-lo através
da urina.
Não beba água do mar, nem misture com água doce.
Os meios para a obtenção de água são os seguintes: orvalho, chuva e destilador
solar.
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Orvalho
É a condensação direta da umidade da atmosfera. Ainda que de difícil realização em
função da maresia, é possível ocorrer em condições propícias. Ao anoitecer, caindo
a temperatura abaixo do ponto de orvalho, se formam diversas gotículas de água,
que devem ser recolhidas com esponja ou pedaço de pano limpo e espremido em
recipientes de bordo.
Chuva
Uma das funções do vigia (pessoa designada pelo líder) é observar as condições
meteorológicas e cuidar das formações que podem resultar em chuva.
Se um aguaceiro for iminente, procure adotar o seguinte procedimento:
Improvise o maior número possível de recipientes para a coleta de água de chuva,
utilizando-se dos meios existentes a bordo;
Com as primeiras pancadas lave a cobertura (toldo) da embarcação de
sobrevivência para a remoção de sal e impurezas;
Beba a maior quantidade possível de água durante a chuva, sem deixar de estocar
o máximo possível;
Lave as roupas impregnadas de sal diretamente na chuva; e
Lave o corpo e as feridas durante a chuva. A higiene facilitará a cura de ferimentos
e “lavará a alma” melhorando o moral.
Destilador Solar
O destilador solar é basicamente um balão plástico em cujo interior existe um pedaço
de pano preto esticado, que funciona como filtro. Pequenas variações existem de
acordo com o fabricante, mas o seu princípio é de fácil compreensão.
A água do mar, colocada num reservatório, cai por gotejamento em um pano preto e,
por ação dos raios solares, se evapora, deixando o sal no pano. Evaporando e
entrando em contato com a superfície interna, o vapor se condensa, desce pelos
lados e deposita-se na parte inferior.
A quantidade de água obtida por este meio é pequena e o número de destiladores
deve ser calculado em função da lotação da embarcação de sobrevivência. Sua
produção é normalmente de meio litro de água podendo chegar a quase um litro.
4.3.2 - Ração Sólida
Já foi bastante frisado que a água é a primeira necessidade do ser humano em
emergência de homem no mar. Geralmente a sede é acompanhada pela fome, mas
o sobrevivente tem que ter sempre em mente que seu organismo, diferentemente da
água, tem condições de resistir semanas sem nenhum alimento sólido.
No mar, dificilmente ocorrerá morte causada pela fome. Há, no entanto, de se
esquecer parte da cultura alimentar. Devemos lembrar que o que para uns pode
causar repugnância, para outros pode vir a ser considerada fina iguaria.
Afora os recursos naturais temos, a bordo das
embarcações ração sólida com determinado valor
calórico, estudado como o necessário para a
sobrevivência do homem no mar, mas a sua
principal vantagem é ter sido concebida de forma a
não aumentar as necessidades hídricas do
organismo. Há de se ter em mente que a ingestão
de qualquer tipo de alimento só deve ser liberada
quando houver água disponível.
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A ração sólida de bordo exerce uma função mais psicológica do que nutritiva, à
medida de que se sabe que há alimentos, ainda que em pequena quantidade.
Também no mar pode-se caçar. Todas as aves marinhas podem ser caçadas e
comidas, mesmo estando cruas. Há inúmeras espécies que fazem uso de correntes
aéreas e marinhas quando migram de ponto a outro. A visão de uma ave não é
indício certo de proximidade de terra.
Havendo disponibilidade de água, o sobrevivente deve procurar obter alimentos, pois
estará saciando a necessidade da alimentação e do moral alto. Uma destas
atividades construtivas é a pesca, e para tal encontramos a bordo das embarcações
de sobrevivência um kit de pesca, que normalmente se compõe de linhas,
chumbadas, anzóis e iscas artificiais.
Os peixes são comestíveis, com exceção dos venenosos, porém são salgados e o
organismo irá necessitar de maior quantidade de água doce para a digestão.
Deve-se tomar cuidado com os peixes possuidores de espigões e com os que
incham. São perigosos e, em sua maioria, venenosos. O mesmo cuidado deve ser
observado com os desprovidos de escamas ou com dorso serrilhado. São exemplos
de peixes venenosos: peixe escorpião, peixe porco-espinho, peixe sapo, peixe
pedra, peixe linha, peixe zebra, baiacu, peixe leão etc.
Em face de dificuldade em identificar os moluscos perigosos, dentre os inúmeros
existentes, recomendamos que se evite os mesmos. De uma forma geral os de
formas cônicas possuem dentes venenosos. Evite pegar em todo caracol em forma
de cone. Já as conchas, principalmente as grandes, devem ser apanhadas com
cuidado. Elas têm suas aberturas fechadas por dispositivos afiados como navalhas.
4.4 - TUBARÕES
A literatura corrente, assim como alguns filmes, nos
levam a um temor exagerado deste animal como um
todo da espécie. Existem inúmeros tipos de tubarões e
uma enormidade deles não são agressivos e não
possuem registro de ataque ao homem.
No entanto, alguns tipos são extremamente perigosos
em face de sua natureza agressiva e, na dificuldade de
identificação de qual é e de qual não é o agressivo, há
de se instruir que, quando náufragos, se tenha a todos tubarões como se perigosos
fossem.
Sendo o tubarão imprevisível, a pessoa não deve fazer nada que possa irritá-lo,
permanecendo quieta, a fim de evitar movimentos bruscos. Também não se deve urinar
ou defecar na água, uma vez que estas ações podem atrair predadores para o local.
Não se deve nadar, pois o ritmo das braçadas assemelha-se ao de presas às quais ele
está habituado.
As pessoas, se for o caso, devem se manter em grupo. A maioria dos registros indica que
os tubarões atacam banhistas ou homem em perigo no mar que estejam solitários.
5 - RESGATE
O resgate de pessoas no mar poderá ser realizado por meio dos seguintes recursos:
Bote de Resgate;
Navios; e
Helicóptero.
A escolha de qual recurso será empregado dependerá, dentre outros, dos seguintes
fatores: disponibilidade do recurso, distâncias envolvidas, condições meteorológicas e
rapidez com que poderá ser empregado.
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Bote de Resgate
A bordo das plataformas e navios existe uma equipe de resgate treinada para o resgate
de pessoas no mar. Esta equipe forma a tripulação do Bote de Resgate, já visto
anteriormente. Dependendo das condições meteorológicas e do estado de saúde da
pessoa que está dentro d’água, este resgate poderá vir a ser dificultado. É importante que
a pessoa na água não tente se aproximar do Bote de Resgate, pois esta manobra alterará
os cálculos que o piloto do bote está realizando para a correta aproximação. Somente se
aproxime do Bote de Resgate quando este estiver parado ao seu lado.
Navios
O resgate de pessoas no mar também poderá ser realizado por navios, principalmente
navios de Apoio Marítimo, que geralmente estão nas proximidades das plataformas.
Para o resgate, os navios poderão empregar seu Bote de Resgate, arriar escadas de
quebra-peito ou utilizar uma cesta própria para o recolhimento de pessoas no mar.
Helicópteros
No resgate por helicópteros, o sobrevivente ou náufrago nada
ou pouco tem a fazer. Toda a ação de resgate será orientada
pelo Comandante e tripulantes da aeronave.
Estando em uma balsa, devemos tomar algumas precauções
importantes contra a corrente de ar produzida pelo rotor,
devido à aproximação do helicóptero de resgate. Quando em
balsas infláveis dotadas de toldo, devemos nos lembrar de
desinflar o tubulado superior, que lhe serve de armação, ou
retirar o toldo, pois o mesmo armado fará as vezes de vela e
dificultará a aeronave obter o posicionamento em ângulo
correto com a embarcação.
Mantenha-se no centro da balsa, para auxiliar a estabilidade
desta, e vestido com colete salva-vidas durante o resgate por helicóptero.
O resgate poderá ser feito utilizando-se alça, cesta, rede,
padiola ou assento, que são os acessórios mais utilizados
internacionalmente, existindo ainda o puçá, que é utilizado para
“pescar” literalmente o náufrago que por condições de mar ou
físicas/mentais não pode fazer o uso dos demais acessórios.
O meio mais correntemente utilizado é o da alça (lifesling). Ela
permite uma maior agilidade no resgate, embora não se preste a
todo tipo de acidentados. Seu formato pode apresentar
pequenas variações, não fugindo muito do apresentado na
figura ao lado.
É colocada como se fosse uma jaqueta, tendo-se o cuidado de
que o seio/alça da mesma deva ser passado pelas costas e por
baixo das axilas.
A pessoa que a utiliza deve ficar olhando o gancho de
fechamento e ter as mãos cruzadas na frente, como indicado na
figura ao lado. Não se deve sentar na alça.
IMPORTANTE: Deixe sempre o equipamento enviado pela aeronave tocar a embarcação
de sobrevivência ou água antes de você tocá-lo, pois caso contrário, você
poderá sofrer uma descarga elétrica proveniente da eletricidade estática
gerada pelo helicóptero.
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5.1 - HOMEM AO MAR
Caso constatemos a queda de uma pessoa ao mar, o seguinte procedimento deverá ser
adotado:
Gritar, continuamente, “homem ao mar”, complementando a informação com o bordo
ou lado da plataforma onde houve a queda;
Lançar uma, ou mais, bóias salva-vidas para o náufrago; e
Tentar não perder a pessoa de vista.
Quando a informação de “homem ao mar” chegar à sala de controle da plataforma, a
equipe de resgate será acionada.
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MÓDULO
PREVENÇÃO E COMBATE A INCÊNDIO
(PCI/P)
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1 - A NATUREZA DO FOGO
1.1 - TEORIA DA COMBUSTÃO
A combustão é definida como uma reação química de oxidação, na qual uma substância
combustível reage com o comburente, ativada pelo calor (elevação da temperatura), com
desprendimento de energia luminosa, calor e gases combustíveis.
Tetraedro do fogo
Como forma de facilitar o entendimento, representamos os elementos básicos da
combustão por um triângulo, chamado de “triângulo do fogo”.
Considerada a afinidade química entre o combustível e o comburente como mais uma
condição para a existência do fenômeno da combustão, o triângulo do fogo evolui para o
tetraedro do fogo, que representa a união dos quatro elementos essenciais do fogo, a
temperatura de ignição, o combustível, o comburente e a reação química em cadeia.
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1.1.2 - O COMBURENTE
É todo elemento que, associando-se
quimicamente ao combustível, é capaz de fazê-
lo entrar em combustão.
O oxigênio é o comburente mais facilmente
encontrado na natureza.
Ele está presente no ar atmosférico em uma
quantidade aproximada de 21%. Normalmente
não ocorre chama quando a concentração de
oxigênio no ar é inferior a 16%.
1.1.3 - O COMBUSTÍVEL
É toda substância capaz de queimar e alimentar a combustão (madeira, papel, pano,
estopa, tinta, alguns metais etc). É o elemento que serve de campo de propagação ao
fogo. Dentre as diversas classificações que podemos atribuir aos combustíveis,
interessam aos nossos estudos as seguintes:
Sólidos
Líquidos
Gasoso
Combustível Sólido
A maioria dos combustíveis sólidos transforma-se em vapor e, então, reage com o
oxigênio. Outros sólidos (ferro, parafina, cobre, bronze), primeiro transformam-se em
líquidos, e posteriormente em gases, para então se queimarem.
Quanto maior a superfície exposta, mais rápido será o aquecimento do material e,
consequentemente, o processo de combustão.
Como exemplo: uma barra de aço exigirá muito calor para queimar, mas, se transformada
em palha de aço, queimará com facilidade. Assim sendo, quanto maior a fragmentação do
material, maior será a velocidade da combustão.
Combustível Líquido
Os líquidos inflamáveis têm algumas propriedades físicas que dificultam a extinção
do calor, aumentando o perigo para os homens que combatem o fogo.
Os líquidos assumem a forma do recipiente que os contém. Se derramados, os
líquidos tomam a forma do piso, fluem e se acumulam nas partes mais baixas.
Tomando como base o peso da água, cujo litro pesa 1 quilograma, classificamos os
demais líquidos como mais leves ou mais pesados que a água.
A maioria dos líquidos inflamáveis é mais leve que a água e, portanto, flutuam sobre ela.
Os líquidos combustíveis recebem identificações em seus
recipientes.
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Combustível Gasoso
Os gases não têm volume definido, tendendo, rapidamente, a ocupar todo o
recipiente em que estão contidos. Os combustíveis gasosos são armazenados em
recipientes sob pressão. Se o peso do gás é menor que o do ar, o gás tende a subir e
dissipar-se. Mas, se o seu peso é maior que o do ar, o gás permanece próximo ao solo e
caminha na direção do vento, obedecendo aos contornos do terreno.
Para o gás queimar, há necessidade de que esteja em uma mistura ideal com o ar
atmosférico, e, portanto, se estiver numa concentração fora de determinados limites, não
queimará.
Chamamos de Limite de inflamabilidade, os limites inferior e superior entre os quais a
mistura é dita explosiva. Essas misturas são expressas usualmente em percentagem do
gás em relação ao volume do ar.
Processo de Queima
O início da combustão requer a conversão do combustível para o estado gasoso, o
que se dará por aquecimento. O combustível pode ser encontrado nos três estados da
matéria: sólido, líquido ou gasoso. Nos combustíveis sólidos, os gases combustíveis são
obtidos pela pirólise, que é a decomposição química de uma matéria ou substância
através do calor.
Como regra geral, os materiais combustíveis queimam no estado gasoso. Submetidos ao
calor, os sólidos e os líquidos combustíveis se transformam em gás para se inflamarem.
Como exceção e como casos raros, há o enxofre e os metais alcalinos (potássio, cálcio,
magnésio etc.), que se queimam diretamente no estado sólido.
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1.1.3 - A TEMPERATURA
Os vapores emanados de um combustível inflamam-se na presença do
comburente, a partir de determinada temperatura.
Temperatura – Grandeza termodinâmica comum a todos os corpos que estão em
equilíbrio térmico, que expressa a quantidade de calor existente num corpo ou no
ambiente.
Temperatura de Ignição - é a temperatura necessária para que a reação química
ocorra entre o combustível e o comburente, produzindo gases capazes de entrarem em
combustão.
Ponto de Fulgor - é a temperatura mínima na qual um combustível desprende gases
suficientes para serem inflamados por uma fonte externa de calor, mas não em
quantidade suficiente para manter a combustão. A chama aparece, porém logo se
extingue, não mantendo a combustão.
Ponto de Combustão - é a temperatura do combustível acima da qual ele desprende
gases em quantidade suficiente para serem inflamados por uma fonte externa de calor e
continuarem queimando, mesmo quando retirada esta fonte.
Ponto de Ignição - é a temperatura necessária para inflamar os gases que estejam se
desprendendo de um combustível, só com a presença do comburente.
1.1.4 - REAÇÃO QUÍMICA EM CADEIA
A reação em cadeia torna a queima autossustentável.
O calor irradiado das chamas atinge o combustível e este é decomposto em
partículas menores, que se combinam com o oxigênio e queimam, irradiando outra vez
calor para o combustível, formando um ciclo constante.
O fogo age em um corpo, decompondo-o em partes cada vez menores.
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1.2 - MÉTODOS DE TRANSMISSÃO DE CALOR
Há três métodos de transmissão de calor: Irradiação, Condução e Convecção. O
estudo desses métodos permite a visualização de vários fenômenos peculiares aos
incêndios, principalmente no que diz respeito a sua propagação.
1.2.1 - IRRADIAÇÃO
É a transmissão de calor que se processa sem a necessidade de continuidade
molecular entre a fonte calorífica e o corpo que recebe calor. É a transmissão de calor
que acompanha geralmente a emissão de luz.
Ondas de calor atingem os objetos, aquecendo-os. O caso típico de calor radiante
é o calor do Sol.
1.2.2 - CONDUÇÃO
É a transmissão de calor que se faz de molécula para molécula, através de um
movimento vibratório que as anima e permite a comunicação de uma para outra.
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As anteparas e pisos que limitam os compartimentos incendiados atingem
temperaturas que ultrapassam a de ignição da maioria dos materiais encontrados a bordo.
É por isto que, quando ocorre um incêndio em um compartimento, devem ser
inspecionados imediatamente os compartimentos adjacentes, principalmente os que ficam
acima. Todo material existente nesses compartimentos deve ser retirado ou afastado das
anteparas, ao mesmo tempo em que estas devem ser resfriadas, visto que a própria tinta
que as reveste se inflama com facilidade.
1.2.3 - CONVECÇÃO
É o método de transmissão de calor característico dos líquidos e gases. Consiste
na formação de correntes ascendentes no seio da massa fluida, devido ao fenômeno da
dilatação e conseqüente perda de densidade da porção de fluido mais próximo da fonte
calorífica.
Porções mais frias ocupam o lugar próximo à fonte calorífica, antes ocupado pelas
porções que subiram, formando-se assim o regime contínuo das correntes de convecção.
Quanto ao aspecto da propagação de incêndios, a convecção pode ser responsável pelo
alastramento de incêndios a compartimentos bastante distantes do local de origem do
fogo.
Este fenômeno pode fazer com que compartimentos sejam atingidos muitos
andares acima de onde está ocorrendo o incêndio, especialmente onde houver portas ou
janelas abertas que permitam a passagem da coluna ascendente de gases aquecidos.
Nas plataformas, essas correntes de convecção ocorrem através dos dutos de
ventilação que, por esse motivo, devem ter suas válvulas de interceptação fechadas nas
seções que atravessam a área incendiada.
Muitas vezes, devido à falta dessa providência, incêndios aparentemente
inexplicáveis, longe do foco principal, poderão se formar e inutilizar todo o trabalho de
extinção realizado no compartimento no qual o fogo se originou.
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1.3 - ELETRICIDADE ESTÁTICA
Eletricidade estática é o acúmulo de potencial elétrico de um corpo em relação a
outro, geralmente em relação à terra. Forma-se, na grande maioria dos casos, por atrito,
sendo praticamente impossível de ser eliminada. A providência que pode ser tomada é
impedir o seu acúmulo antes que atinja potenciais perigosos (capazes de fazer produzir
uma faísca), aterrando-se o equipamento a ela sujeito, isto é, ligando-se a carcaça do
equipamento à terra, por meio de um condutor.
Quase todos os equipamentos estão sujeitos a atrito e, portanto, a formação de
eletricidade estática. A faísca da descarga elétrica, em si, nada de mal apresenta.
Apenas, havendo combustíveis ou misturas explosivas nas proximidades, é que se pode
temer um sinistro. Por isso mesmo, no transporte e manuseio de líquidos voláteis é que
deverão ser tomados maiores cuidados.
2 - O INCÊNDIO
2.1 - DEFINIÇÃO
Fogo - Desenvolvimento simultâneo de calor e luz, que é produto da combustão de
materiais inflamáveis, como, por ex., a madeira, o carvão, o gás.
Incêndio - Fogo que lavra com intensidade, destruindo e, às vezes, causando prejuízos.
2.2 - A DINÂMICA DO INCÊNDIO
Os incêndios podem ser separados em quatro diferentes estágios: Fase inicial;
Fase de desenvolvimento; Incêndio desenvolvido e Fase de queda de intensidade.
2.2.1 - FASE INICIAL
A temperatura média do compartimento ainda não está muito elevada e o fogo
está localizado próximo ao foco do incêndio
2.2.2 - FASE DE DESENVOLVIMENTO
É a fase de transição entre a fase inicial e a do incêndio totalmente desenvolvido.
Ocorre em um período relativamente curto de tempo e pode ser considerado um evento
do incêndio.
Trata-se do momento no qual a temperatura da camada superior de fumaça atinge
600ºC. As altas temperaturas concentram-se próximas ao foco do incêndio, e a fumaça
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proveniente da combustão forma uma camada quente apenas na parte superior do
compartimento. Caso não ocorra a extinção do incêndio poderá ocorrer o “roolover”, que é
o fenômeno no qual os gases da combustão não queimados no incêndio misturam-se ao
ar e se inflamam na parte superior do compartimento devido à alta temperatura naquela
área.
A característica principal desta fase é o repentino espalhamento das chamas a todo
o material combustível existente no compartimento. Este fenômeno é conhecido pelo
nome de "flashover". A sobrevivência do pessoal que esteja no local é improvável, a partir
dele entra-se na fase de incêndio desenvolvido.
2.2.3 - INCÊNDIO DESENVOLVIDO
Todo o material do compartimento está em combustão, sendo a taxa de queima
limitada pela quantidade de oxigênio remanescente. Chamas podem sair por qualquer
abertura, e os gases combustíveis na fumaça se queimam assim que encontram ar
fresco.
O acesso a esse incêndio é praticamente impossível, sendo necessário um ataque
indireto ao mesmo. Incêndios em praças de máquinas atingem este estágio rapidamente.
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2.2.4 - FASE DE QUEDA DE INTENSIDADE
Quase todo o material combustível já foi consumido e o incêndio começa a se
extinguir. Após a extinção do incêndio, em casos específicos, pode ocorrer o fenômeno do
reaparecimento.
Em um incêndio que tenha se extinguido por ausência de oxigênio, como por
exemplo em um compartimento estanque que tenha sido complemente isolado, vapores
combustíveis podem estar presentes. Quando ar fresco é admitido nessa atmosfera rica
em vapores combustíveis e com temperatura próxima à de ignição, os três elementos do
triângulo do fogo estarão novamente presentes e pode ocorrer uma explosão, fenômeno
também conhecido por “backdraft”.
As condições a seguir podem indicar uma situação de “Backdraft”:
- fumaça sob pressão, num ambiente fechado;
- fumaça escura, tornando-se densa, mudando de cor (cinza e amarelada) e saindo do
ambiente em forma de lufadas;
- calor excessivo (nota-se pela temperatura na porta);
- pequenas chamas ou inexistência destas;
- resíduos da fumaça impregnando o vidro das janelas;
- pouco ruído;
- movimento de ar para o interior do ambiente quando alguma abertura é feita (em alguns
casos ouve-se o ar assoviando ao passar pelas frestas).
2.3 - CAUSAS, PREVENÇÃO E PROVIDÊNCIAS INICIAIS DE UM INCÊNDIO
2.3.1 - PRINCIPAIS CAUSAS
Podemos afirmar que o mais eficiente método de combate a incêndios é evitar que eles
tenham início. A grande maioria de ocorrências de fogo é derivada de falhas humanas,
pela não observância dos cuidados na utilização do material, pela manutenção deficiente
dos equipamentos e pelo desconhecimento das precauções de segurança.
As principais causas de incêndios a bordo, são as seguintes:
- trapos e estopas embebidos em óleo ou graxa;
- acúmulo de gordura nas telas e dutos de extração da cozinha;
- serviços com equipamento de solda elétrica ou oxiacetileno;
- porão com acúmulo de óleo ou lixo;
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- vasilhames destampados contendo combustíveis voláteis;
- uso desnecessário de materiais combustíveis;
- instalações e equipamentos elétricos deficientes;
- materiais inflamáveis ou combustíveis de bordo, tais como óleos, graxas, tintas,
solventes etc., armazenados indevidamente;
- presença de vazamentos em sistemas de óleo combustível e lubrificante;
- partes aquecidas de máquinas próximas a redes de óleo;
- uso de ferramentas manuais ou elétricas em tanques não devidamente desgaseificados,
ou nos compartimentos adjacentes a esses tanques;
- fritadores elétricos superaquecidos; e
- descuido com lâmpadas desprotegidas.
2.3.2 - PREVENÇÃO
A Prevenção a incêndios é o conjunto de medidas para evitar que eles ocorram ou, no
caso de não ser possível evitar que ocorram, para mantê-los sob controle, evitando a
propagação e ajudando o combate.
Uma maneira de contribuir para a Prevenção é evitar as causas de incêndios a bordo
citadas acima. São também maneiras de Prevenção a incêndios:
- Manter os equipamentos de bordo em bom estado de conservação, cumprindo suas
manutenções previstas;
- Operar os equipamentos de bordo seguindo estritamente seus procedimentos de
operação previstos;
- Ter atenção ao operar os equipamentos de bordo;
- Manter os equipamentos de combate a incêndio em perfeitas condições de utilização;
- Realizar inspeções para identificar situações de risco;
- Manter os tripulantes corretamente treinados quanto a combate a incêndio; e
- Adotar as medidas de segurança preconizadas para materiais inflamáveis.
2.3.3 - PROVIDÊNCIAS INICIAIS
Ao detectar um princípio de incêndio, a primeira ação a ser tomada é comunicar o fato.
Em pessoas sem o correto treinamento, há uma tendência de primeiro combater o
incêndio, mas esta ação é errada, pois ações importantes deixarão de ser tomadas a
tempo se o fato não for logo comunicado.
Além disso, a tentativa de vencer sozinho o incêndio poderá encontrar problemas, tais
como: dificuldade em encontrar o equipamento adequado ao combate ao incêndio,
equipamentos avariados, utilização equivocada destes equipamentos e a possibilidade de
estar atacando somente um foco de incêndio secundário.
Assim, o procedimento a ser adotado deverá ser o seguinte:
- Antes de tudo, comunicar o fato, informando o compartimento afetado e, se possível, a
classe do incêndio;
- Após a comunicação, iniciar o combate ao incêndio com os meios que dispuser;
- Localizar o foco do incêndio e estimar sua extensão;
- Para a ventilação para o compartimento afetado;
- Providenciar para que sejam desligados os equipamentos elétricos nas proximidades; e
- Tomar medidas para evitar que o incêndio se propague para outros compartimentos.
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Os seguintes fatores contribuem de maneira significativa para que um incêndio seja logo
detectado, evitando que tome grandes proporções:
- Sistemas automáticos de detecção e alarme de incêndios (fogo ou fumaça);
- Sistemas eletrônicos de Vigilância; e
- Patrulhas.
2.4 - MÉTODOS DE EXTINÇÃO DE INCÊNDIO
2.4.1 - ABAFAMENTO
O primeiro método básico de extinção de incêndios é o abafamento, que consiste
em reduzir a quantidade de oxigênio para abaixo do limite de 16%.
Não havendo comburente para reagir com o combustível, não haverá fogo, com
exceção dos materiais que têm oxigênio em sua composição e que queimam sem
necessidade do oxigênio do ar, como os peróxidos orgânicos e o fósforo branco.
A diminuição do oxigênio em contato com o combustível vai tornando a combustão
mais lenta, até a concentração de oxigênio chegar próxima de 8%, onde não haverá mais
combustão. Pode-se abafar o fogo com uso de materiais diversos, como areia, terra,
cobertores, vapor d’água, espumas, pós, gases especiais etc.
2.4.2 - RESFRIAMENTO
É o método mais antigo de se apagar incêndios, sendo seu agente universal a
água.
Consiste em reduzirmos a temperatura de um combustível abaixo da temperatura
de ignição, ou da região onde seus gases estão concentrados, extinguindo o fogo.
Raciocinando com o triângulo do fogo, isto consiste em afastar o lado referente à
temperatura de ignição.
Com apenas dois lados (combustível e comburente), não há fogo.
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2.4.3 - QUEBRA DA REAÇÃO EM CADEIA
Processo de extinção de incêndios em que determinadas substâncias são
introduzidas na reação química da combustão com o propósito de inibi-la. Neste caso não
há abafamento ou resfriamento, apenas é criada uma condição especial (por um agente
que atua em nível molecular) em que o combustível e o comburente perdem, ou têm em
muito reduzida, a capacidade de manter a reação em cadeia.
A reação só permanece interrompida enquanto houver a efetiva presença do
agente extintor. Assim, requer que ele seja ali mantido até o natural resfriamento da área,
ou que se proceda ao resfriamento por um dos meios conhecidos.
OBSERVAÇÃO: alguns manuais consideram a retirada do material como um método de
extinção, porém consideraremos apenas como uma etapa do processo de extinção do
incêndio, haja vista que se baseia na retirada do material combustível, ainda não atingido,
da área de propagação do fogo, interrompendo a alimentação da combustão.
Ex.: fechamento de válvula ou interrupção de vazamento de combustível, retirada de
materiais combustíveis do ambiente em chamas, etc.
2.5 - CLASSIFICAÇÃO DOS INCÊNDIOS
Os incêndios são classificados de acordo com os materiais neles envolvidos, bem
como a situação em que se encontram. Essa classificação é feita para determinar o
agente extintor adequado para o tipo de incêndio específico e é normatizada pela
Associação Brasileira de Normas Técnica - ABNT.
2.5.1 - INCÊNDIO CLASSE “A”
São os que se verificam em materiais fibrosos ou sólidos, que formam brasas e
deixam resíduos. São os incêndios em madeira, papel, tecidos, borracha e na maioria dos
plásticos.
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Método de extinção:
Necessita de resfriamento para a sua extinção, isto é, do uso de água ou soluções que a
contenham em grande porcentagem, a fim de reduzir a temperatura do material em
combustão, abaixo do seu ponto de ignição. O emprego de pós-químicos irá apenas
retardar a combustão, não agindo na queima em profundidade.
2.5.2 - INCÊNDIO CLASSE “B”
São os que se verificam em líquidos inflamáveis (óleo, querosene, gasolina, tintas,
álcool etc.) e também em graxas e gases inflamáveis.
Método de extinção:
Necessita para a sua extinção do abafamento ou da interrupção (quebra) da reação em
cadeia. No caso de líquidos muito aquecidos (ponto da ignição), é necessário
resfriamento.
2.5.3 - INCÊNDIO CLASSE “C”
São os que se verificam em equipamentos e instalações elétricas, enquanto a
energia estiver alimentada. Um motor elétrico queimando, ainda ligado, classifica o
incêndio como classe “C”.
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Método de extinção:
Para a sua extinção necessita de um agente extintor que não conduza a corrente elétrica
e utilize o princípio de abafamento ou da interrupção (quebra) da reação em cadeia.
Lançamento de um agente que não conduza eletricidade num incêndio classe “C”.
2.5.4 - INCÊNDIO CLASSE “D”
São os que se verificam em metais (magnésio, titânio e lítio).
Lítio e cádmio (em baterias) e magnésio (em motores) são exemplos de metais
combustíveis. É caracterizado pela queima em altas temperaturas e por reagir com
extintores comuns (principalmente os que contenham água).
Método de extinção:
Para a sua extinção, são necessários agentes extintores especiais que se fundam
em contato com o metal combustível, formando uma espécie de capa, que o isola do ar
atmosférico, interrompendo a combustão pelo princípio do abafamento.
Os agentes extintores são compostos dos seguintes materiais: cloreto de sódio,
cloreto de bário, monofosfato de amônia, grafite seco.
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3 - AGENTES EXTINTORES
Agente extintor é qualquer material empregado para resfriar, abafar as chamas ou
quebrar a reação em cadeia, oriundas de uma combustão, proporcionando sua extinção.
Os agentes extintores de uso mais difundidos a bordo são a Água, a Espuma, o Vapor, o
CO2, o Pó Químico, a Solução Aquosa de Carbonato de Potásio (APC), gases inertes
argônio e argonito e o pó químico ABC.
3.1 - ÁGUA
Aplicação - É o agente extintor de uso mais comum. Age principalmente por
resfriamento, devido a sua propriedade de absorver grande quantidade de calor. Atua
também por abafamento, dependendo da forma como é aplicada, ou seja, Jato Sólido ou
Neblina.
O Jato Sólido consiste em um jorro de água lançado à alta pressão, por meio de um
esguicho com orifício circular de descarga. Sob esta forma, a água atinge o material
incendiado com violência e penetra fundo em seu interior.
É o meio para a extinção de incêndios classe “A”, onde o material tem de ser bem
encharcado de água para garantir a extinção total do fogo e impedir seu ressurgimento.
A neblina consiste no borrifamento da água por meio de um pulverizador.
A água, assim aplicada sob a forma de gotículas, tem aumentada, em muito, sua
superfície de contato com o material incendiado, propiciando um rápido decréscimo da
temperatura no ambiente em que ocorre o fogo (extinção por resfriamento).
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A neblina pode ser utilizada para auxiliar a extinção de incêndios classe “A”,
reduzindo as chamas superficiais e permitindo que as equipes se aproximem mais do foco
do incêndio, o que facilitará sua extinção definitiva com jato sólido. A neblina, na ausência
de espuma, é eficiente na extinção de incêndios classe “B”, onde o jato sólido não tem a
menor ação extintora, pelo contrário, aumenta o vulto dos incêndios pelo turbilhonamento
que provoca no seio do líquido inflamado.
A água, sob qualquer forma em que é empregada, extingue incêndios por
resfriamento, isto é, diminuindo a temperatura das substâncias abaixo de sua temperatura
de ignição. No entanto, quando se joga água sobre uma substância em combustão, parte
desta água se transforma em vapor. O vapor, como veremos adiante, tem uma ação de
abafamento. Dizemos, então, que a água extingue incêndios principalmente por
resfriamento e, secundariamente, por abafamento.
Cuidados:
- A água, especialmente a água salgada, é boa condutora de eletricidade e não deve,
portanto, ser utilizada na extinção de incêndios classe “C”. No entanto, na total ausência
de agentes extintores adequados, ela poderá ser usada, sob a forma de neblina,
devendo-se manter uma distância de pelo menos dois metros dos equipamentos elétricos.
Desta forma, são menores os riscos de choque elétrico para o pessoal envolvido na faina.
- A água requer providências efetivas quanto ao seu esgotamento, pois fainas
prolongadas podem causar a redução da reserva de flutuabilidade por excesso de água
embarcada, bem como dar origem à formação de superfície livre, banda permanente ou
redução da estabilidade por acréscimo de peso alto.
- Quando utilizada em jato sólido, a água pode avariar equipamentos frágeis, tais como
equipamentos eletrônicos.
- Ela reduz a resistência de isolamento de equipamentos e circuitos, principalmente em
se tratando de água salgada.
- Pode originar acidentes se, sob a forma de jato sólido, for dirigida sobre o pessoal a
curta distância, principalmente se atingir o rosto.
- Se dirigida sobre equipamentos elétricos energizados, pode causar choque elétrico ao
pessoal que guarnece a mangueira.
3.2 - ESPUMA
Aplicação - É um agente extintor aplicado preferencialmente em incêndios classe "B",
podendo ser também utilizada em incêndios classe “A”.
Pode ser química ou mecânica conforme seu processo de formação. Química, se resultou
da reação entre as soluções aquosas de sulfato de alumínio e bicarbonato de sódio;
mecânica, se a espuma foi produzida pelo batimento da água, LGE (líquido gerador de
espuma) e ar.
Ambos os tipos de espuma atuam da mesma forma, flutuando sobre a superfície do
líquido inflamado e isolando-o da atmosfera.
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Espuma Química – Normalmente é encontrada em extintores portáteis.
Espuma Mecânica – Empregada para produção de grandes volumes de espuma por
meio de equipamentos que misturam proporcionalmente o líquido gerador com ar e água.
A água entra com aproximadamente 85% (em peso) na composição da espuma, tendo
um efeito secundário na extinção do incêndio. Concluímos então que a espuma extingue
o incêndio principalmente por abafamento e, secundariamente, por resfriamento.
Cuidados:
- Sendo condutora de eletricidade, pode causar acidentes se utilizada contra
equipamentos elétricos energizados.
- Reduz a resistência de isolamento de equipamentos e circuitos elétricos e eletrônicos.
- Alguns tipos possuem propriedades corrosivas sobre diversos materiais.
- Produz irritação na pele e, principalmente, nos olhos.
3.3 - VAPOR
Aplicação - O vapor de água pode ser utilizado como agente extintor, por abafamento.
Evidentemente, por sua temperatura normalmente elevada, não tem nenhuma ação de
resfriamento. Usa-se o vapor para extinguir incêndios classe “B”, quando esses incêndios
se mostram insensíveis a outros métodos. O uso de vapor obriga ao isolamento do
compartimento, que fica inoperante.
Cuidados:
- Requer a retirada de todo o pessoal do compartimento.
- Submete todos os equipamentos contidos no compartimento a uma temperatura
elevada.
3.4 - GASES INERTES
É todo gás que não alimenta uma combustão, agindo na redução do comburente
(oxigênio) a níveis abaixo de 16%.
3.4.1 - GÁS CARBÔNICO
Aplicação - Por ser o CO2 um gás inerte, ele é empregado como agente extintor por
abafamento, criando, ao redor do corpo em chamas, uma atmosfera rica em CO2 e, por
conseguinte, pobre em oxigênio. O CO2 é também um gás mau condutor de eletricidade
e, por isso, é especialmente indicado para incêndios classe “C”.
O CO2 é o agente extintor por excelência para extintores portáteis, sendo empregado em
incêndios das classes “B” e “C”.
O CO2 é um agente limpo, que pode ser configurado com sistemas de alta ou baixa
pressão. O sistema de baixa pressão é recomendado para aplicações onde são
necessárias grandes quantidades de CO2. O sistema de alta pressão é recomendado
para perigos menores ou onde o espaço é limitado.
Cuidados:
- Pode causar acidentes, por asfixia, quando utilizado em ambientes fechados e sem
ventilação.
- Pode causar queimaduras na pele e principalmente nos olhos, em face de sua baixa
temperatura, se dirigido a curta distância sobre o pessoal.
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- A descarga das ampolas de CO2 pode dar origem à formação de cargas de eletricidade
estática. Não é indicada, portanto, a utilização de CO2 para saturação de ambientes onde
existam misturas inflamáveis, mas apenas para combate a incêndios já em evolução.
3.4.2 - ARGÔNIO
Aplicação - O argônio é extraído do ar atmosférico no qual está presente, é mais pesado
que o ar e tem zero potencial de efeito estufa “Global Warming Potential” (GWP).
Também é considerado um gás não tóxico.
A concentração máxima de argônio normalmente está entre 34% e 52% do volume,
o que corresponde a níveis de oxigênio de 13.8% a 10%. A concentração de projeto para
um incêndio típico da classe A é 36,2% de Argônio o que corresponde a um nível de
oxigênio de 13.3%.
Cuidados:
Com o oxigênio sendo inspirado em níveis abaixo de 15% ,é esperado que com o
aumento da exposição haja um prejuízo na execução de funções cognitivas e da
performance da habilidade em tarefas. A exposição desnecessária do pessoal para
qualquer agente extintor deve ser evitada com a evacuação da área protegida antes de
descarga.
3.4.3 - ARGONITO
Aplicação - Em áreas onde há pessoas, permite um nível de oxigênio em que as pessoas
podem respirar. Não há nenhum fator toxicológico associado com seu uso. É um agente
limpo, ambientalmente aceitável, que oferece Zero Potencial de efeito estufa.
Em um espaço fechado, os incêndios são extintos em menos de 60 segundos,
quando a concentração de oxigênio cair abaixo de 15%. O Argonito reduz a concentração
de oxigênio a aproximadamente 12.5%, um nível aceitável para exposição humana em
curtos períodos de tempo.
É uma mistura de dois gases inertes (50:50), achada naturalmente na atmosfera:
Argônio (Ar) e Nitrogênio (N2).
Cuidados
Exige os mesmos cuidados que o argônio.
3.5 - AGENTES EM PÓ
3.5.1 - PÓ QUÍMICO SECO
Aplicação - Os pós químicos secos são substâncias constituídas de bicarbonato de
sódio, bicarbonato de potássio ou cloreto de potássio, que, pulverizadas, formam uma
nuvem de pó sobre o fogo, extinguindo-o por quebra da reação em cadeia e por
abafamento.
É empregado para combate a incêndios em líquidos inflamáveis (classe “B”), podendo ser
utilizado também em incêndios de equipamentos elétricos energizados (classe “C”).
O pó deve receber um tratamento anti-higroscópico para não umedecer, evitando assim a
solidificação no interior do extintor.
Cuidados
- Os produtos empregados na sua composição são não-tóxicos. Entretanto a descarga
de grandes quantidades pode causar uma dificuldade temporária de respiração, durante e
imediatamente após a descarga, podendo também interferir seriamente com a
visibilidade.
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- Exigem recomendações para limpeza.
- Podem dar origem a maus contatos e baixas de isolamento em equipamentos elétricos e
eletrônicos.
Os principais agentes químicos, em pó, são:
a) Purple-K (PKP)
É um agente extintor à base de bicarbonato de potássio, muito eficiente na extinção de
incêndios em líquidos inflamáveis em forma pulverizada e em gases inflamáveis,
atacando a reação em cadeia necessária para sustentar a combustão. A substância
química seca é codificada com a cor violeta, com o propósito de identificação. É capaz de
extinguir incêndios classe “B” e é obrigatório para os classe “C”.
Em incêndios classe “C”, deixará resíduos de difícil remoção. O PKP pode ser empregado
para o combate a incêndio em copas, cozinhas, dutos, fritadeiras e chapas quentes.
b) PLUS FIFTY®
A base da substância química seca é o bicarbonato de sódio, contendo aditivos químicos
secos que o mantém com uma vazão livre e não higroscópico. A substância química seca
é codificada com a cor azul clara, com o propósito de identificação. É capaz de extinguir
incêndios Classe “B” e é obrigatório para os Classe “C”.
c) Pó Químico ABC (FORAY)
Fosfato de monoamônia + sulfato de amônia, a substância química seca é codificada com
a cor amarela, com o propósito de identificação. Pode ser usado em alguns tipos de
incêndios da classe A e B e é obrigatório para a Classe “C”.
O fosfato de monoamônia é ligeiramente ácido na presença de umidade, o que resulta em
propriedades corrosivas moderadas. O fosfato de monoamônia derrete quando aquecido
a uma temperatura de 300 °F (149 °C), formando uma camada que adere a uma
superfície.
d) Pó Químico Seco Especial – (MET-L-X)
É empregado exclusivamente no combate a incêndios em metais combustíveis (classe
“D”).
3.5.2 - SOLUÇÃO AQUOSA DE PÓ QUÍMICO
Solução aquosa de carbonato de potássio, o Aqueous Potassium Carbonate (APC)
é usado a bordo de algumas plataformas para extinguir incêndios em óleos comestíveis e
gorduras em geral, nas fritadeiras, ventilações da cozinha e dutos de extração.
A técnica freqüentemente usada no combate a fogo de gorduras líquidas,
envolvendo óleos e banhas não saturadas de origem animal ou vegetal, é a aplicação de
uma solução alcalina como o APC, que em contato com a superfície em chamas gera
uma espuma parecida com a do sabão, impedindo o contato do ar com a superfície em
chamas.
A espuma leve de sabão contém vapor e causa bolhas de CO2 e glicerina que
flutuam na superfície do óleo em chamas.
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4. EXTINTORES DE INCÊNDIO
4.1 - GENERALIDADES
Extintores são recipientes metálicos que contêm em seu interior agente extintor para
o combate imediato e rápido a princípios de incêndio. Podem ser portáteis ou sobre rodas,
conforme o tamanho e a operação. Os extintores portáteis também são conhecidos
simplesmente por extintores e os extintores sobre rodas, por carretas. O grau de proteção
que oferecem não equivale ao das instalações fixas e automáticas, mas, se empregados
adequadamente, são eficientes em extinguir o fogo em seus momentos iniciais.
São muitos os tipos de extintores portáteis. As variações que apresentam entre si
prendem-se, principalmente, às diferenças entre os agentes extintores e ao propelente
utilizado. Os agentes extintores, logicamente, são determinados em função da classe de
incêndio a que se destina o equipamento. O propelente diz mais respeito ao aspecto
prático de sua utilização.
O êxito no emprego dos extintores dependerá de:
- manutenção de acordo com as normas técnicas da Associação Brasileira de Normas
Técnicas (NBR 12962 );
- distribuição apropriada dos aparelhos;
- inspeção periódica da área a proteger; e
- pessoal habilitado no manuseio correto.
4.2 - EXTINTORES A ÁGUA
4.2.1 - TIPO PRESSURIZADO
O propelente (ar comprimido) e o agente extintor são armazenados no cilindro e a
descarga é controlada por meio da válvula de fechamento.
Funcionamento - a pressão interna expele a água quando o gatilho é acionado.
Operação:
Remover o extintor do suporte, suspendendo-o pela
alça inferior.
Retirar o pino de segurança e pressionar o gatilho,
dirigindo o jato para a base das chamas.
Depois de extinto o fogo, dirigir o jato sobre o
material ainda incandescente até encharcá-lo.
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4.3 - EXTINTORES A ESPUMA
4.3.1 - ESPUMA QUÍMICA
O cilindro contém uma solução de água com bicarbonato de sódio e agente
estabilizador. Uma solução de sulfato de alumínio é colocada em um recipiente interno de
plástico. Invertendo-se o extintor, coloca-se em contato as duas soluções e a reação que
se processa desprende gás carbônico (CO2).
O CO2 gerado atua como propelente e a espuma formada tem efeito de
abafamento e resfriamento. Encontra-se em desuso no mercado.
Funcionamento: Com a inversão do extintor, colocando-o de “cabeça para baixo”, os
reagentes, soluções aquosas de sulfato de alumínio e bicarbonato de sódio, entram em
contato e reagem quimicamente, formando a espuma. Depois de iniciado o funcionamento
não é possível interromper a descarga.
Cuidados - Deve-se verificar periodicamente se o bico deste tipo de extintor está
desobstruído e se a tampa está corretamente rosqueada.
Evitar incliná-lo desnecessariamente.
Operação - nos incêndios da classe “A”, o jato deve ser dirigido para a base das chamas.
Num incêndio da classe “B”, em líquidos derramados, o operador deverá fazer com que o
jato de espuma seja curvo, de maneira que a espuma lançada não espalhe o fogo, se
possível, o jato deve ser lançado de encontro às anteparas, permitindo que a espuma
escorra e cubra a superfície inflamada.
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4.3.2 - ESPUMA MECÂNICA PRESSURIZADA
Funcionamento - A mistura de água e líquido gerador de espuma (LGE) já está sob
pressão, sendo expelida quando acionado o gatilho.
Ao passar pelo esguicho lançador,
ocorre o arrastamento do ar atmosférico,
formando a espuma.
Operação - são operados à semelhança
dos extintores de água pressurizada.
Devem ser conduzidos ao local do fogo,
posicionar-se em segurança, romper o
lacre, puxar o pino de segurança,
acionar o gatilho e lançar a espuma
contra uma antepara.
4.4 - EXTINTORES A DIÓXIDO DE CARBONO (CO2)
O extintor consiste de um cilindro de aço sem costura, no qual é comprimido o CO2.
O uso da alavanca de disparo permite uma operação intermitente do extintor.
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Funcionamento - O gás é armazenado sob pressão e liberado quando acionado o
gatilho.
Cuidados - Os extintores de dióxido de carbono com difusor de metal não devem ser
empregados em incêndios da classe “C”, por apresentarem o risco de choque elétrico.
Quando empregados em ambientes confinados, o operador deverá fazê-lo com cuidado, a
fim de não sofrer os efeitos decorrentes da baixa percentagem de oxigênio que restará
para a respiração.
Não podem ser usados em incêndios da classe “D”. São eficientes contra pequenos
incêndios da classe “A”, controlando-os até a chegada do agente indicado para esse tipo
de incêndio.
Operação - Retirar o pino de segurança e, em seguida, pressionar a alavanca que
comandará a válvula de descarga.
A descarga deve ser dirigida para a base das chamas e, após sua extinção, deve ser
mantido o jato para permitir um maior resfriamento e prevenir o possível reavivamento do
fogo.
Deve ser conduzido ao local do fogo, posicionar-se em segurança, romper o lacre e tirar o
pino de segurança, empunhar o gatilho e o difusor e efetuar o lançamento em movimentos
laterais.
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4.5 – EXTINTORES DE PÓ QUÍMICO
Os extintores a bicarbonato de sódio foram originalmente conhecidos como “pó
químico”, sendo esta denominação mantida para todos os extintores com agente extintor
em pó, exceto aqueles para incêndios classe “D”.
4.5.1 – PÓ QUÍMICO PRESSURIZADO
Como propelente emprega o CO2, nitrogênio ou ar comprimido, isentos de
umidade, a fim de não granular o pó.
Funcionamento - O pó sob pressão é expelido quando o gatilho é acionado.
Cuidados - Os extintores a pó químico não são efetivos em incêndio classe “D” e podem,
inclusive, causar reações químicas violentas.
Operação - O jato deve ser dirigido sobre as chamas, movimentando-se o esguicho
rapidamente de um lado para outro. Alguns extintores têm alta velocidade na saída do
esguicho e, por isto, quando usados em líquidos inflamáveis deve ser aplicado a uma
distância de 2 a 2,5 m.
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4.5.2 - PÓ QUIMICO DE PRESSÃO INJETADA
O pó químico fica no interior do cilindro e o propelente (CO2) é armazenado em
uma pequena ampola localizada na parte externa do extintor. A descarga é controlada por
uma válvula externa ao extintor.
Funcionamento - Comunica-se a ampola de CO2 e, ao ser acionado o gatilho, o gás
comprimido pressuriza o extintor, expelindo o pó.
Operação - O jato deve ser dirigido sobre as chamas, movimentando-se o esguicho de
um lado para outro.
5.0 - EQUIPAMENTOS QUE EMPREGAM ÁGUA NO COMBATE A INCÊNDIO
5.1 - GENERALIDADES
Para todos os equipamentos e acessórios de combate a incêndio existem regras
gerais e específicas de padronização para seu emprego, como por exemplo a Convenção
Internacional para Salvaguarda da Vida no Mar (SOLAS), o Código para Construção e
Equipamento de Unidades Móveis de Perfuração Marítima (MODU) e a Associação
Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).
5.2 - BOMBAS E REDES DE INCÊNDIO
A rede de incêndio consiste de um sistema de canalizações que alimenta tomadas
de incêndio e sistemas de borrifo, através de bombas que constantemente as mantêm
pressurizadas.
5.3 - TOMADAS DE INCÊNDIO
As tomadas de incêndio são
dispositivos colocados na rede de incêndio
para a captação da água para o combate a
incêndio.
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5.4 - VÁLVULAS
As válvulas normalmente instaladas na rede de incêndio são de interceptação,
redutora e de segurança.
Válvulas de interceptação - são encontradas na própria rede e nas suas derivações
verticais ou horizontais. Têm por finalidade permitir a segregação da rede em partes
independentes e o isolamento de seções avariadas, visando o reparo.
Algumas dessas válvulas podem ser manobradas à distância.
Válvulas redutoras - são instaladas na rede de incêndio quando for necessário reduzir a
pressão.
Válvulas de segurança - normalmente disparam com uma pressão 10% acima da
prevista.
5.5 - MANGUEIRAS DE INCÊNDIO E ACESSÓRIOS
É constituída de um duto flexível destinado a conduzir água sob pressão. O
revestimento interno do duto é um tubo de borracha que impermeabiliza a mangueira,
evitando que a água saia do seu interior. A capa do duto flexível é uma lona que permite à
mangueira suportar alta pressão de trabalho, tração e as difíceis condições do serviço de
combate a incêndio. As juntas de união são fixadas nas extremidades e são peças
metálicas que servem para unir seções de mangueiras ou equipamentos hidráulicos.
As mangueiras adotadas nas plataformas são as do tipo lona dupla e se
apresentam nos diâmetros de 1½" e 2½". As seções são de 15,25 m (50 pés) de
comprimento com conexão macho em uma extremidade e fêmea na outra. Ao ser feita
referência a uma seção de mangueira, fica estabelecido que se trata desse comprimento
padrão de 15,25 m.
As mangueiras possuem em suas extremidades a conexão de engate rápido.
5.5.1 - ACONDICIONAMENTO
São maneiras de dispor as mangueiras, em função do local de guarda.
Mangueira Aduchada
Facilita o seu manuseio, tanto no combate a incêndio como no transporte.
O desgaste do duto é pequeno, por ter apenas uma dobra.
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Aduchamento - a mangueira deve ficar totalmente estendida no solo e as torções, que
porventura ocorrerem, devem ser eliminadas. Uma das extremidades deve ser conduzida
e colocada de modo que fique sobre a outra, mantendo uma distância de 90 cm entre
elas.
Enrolar, começando pela dobra (onde não estão as conexões).
5.5.2 - ACESSÓRIOS
a) Conexões e reduções
As conexões são usadas para conectar seções de mangueira e as reduções para
diminuir o diâmetro da linha de mangueiras.
As conexões podem, se for o caso, diminuir o diâmetro da linha de mangueiras, bem
como, podem dividir a linha de mangueiras, usando o “Y”.
O caso mais comum é o uso do “Y” que divide e reduz uma linha de mangueiras de
2½" em duas linhas de 1½" .
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As mangueiras só devem ser pressurizadas, após levadas o mais próximo possível do
local de início do ataque, pois é mais fácil seu manuseio enquanto sem pressão.
Quando houver a necessidade de se estender longas linhas de mangueiras, deve-se
estender linhas de mangueiras de 2½", deixando para empregar as reduções em “Y”, para
adaptar linhas de mangueira de 1½", apenas próximo à área sinistrada.
5.5.3 - TRANSPORTE
O transporte da mangueira aduchada deverá ser com a parte metálica voltada para
trás e para baixo.
Para o correto lançamento, deve-se segurar a parte metálica interna da aducha e
pisar aa parte externa, efetuando-se o lançamento para frente, rente ao piso.
5.5.4 - CONSERVAÇÃO
As mangueiras deverão ser conservadas limpas, não sendo, porém, indicado lavá-
las, a não ser no caso de ficarem sujas de óleo ou graxa (estes produtos atacam a
borracha). Nesses casos, deverão ser lavadas com água doce, escova macia e sabão ou
detergente neutro.
Todas as mangueiras deverão ser inspecionadas semanalmente, a fim de se
verificar a presença de umidade. Devem ser retiradas dos seus suportes, pelo menos uma
vez por mês e novamente colhidas, de modo que as dobras não fiquem no mesmo ponto
em que se encontravam.
5.6 - ESGUICHOS
São equipamentos utilizados na extremidade da mangueira de incêndio e têm como
finalidade aplicar a água, em jato ou em forma de neblina.
As principais diferenças entre os modelos existentes dizem respeito à existência ou
não de punho e quanto à sua confecção em latão ou plástico, ou seja, não afetam seu
funcionamento.
Todos apresentam o mesmo princípio. O difusor dispõe de um movimento de
aproximação e afastamento do corpo do esguicho pela rotação de uma luva roscada na
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extremidade de saída. Esse movimento permite uma variação da forma dada à neblina,
desde um leque de 110º até jato sólido (alguns ainda não têm jato sólido, apenas uma
neblina com um leque menor).
O fechamento, em sua maioria, é feito por uma alavanca, porém, em alguns desses
esguichos, pode-se fechar a água pela luva roscada do difusor.
5.7 - CANHÃO DE ÁGUA
Os navios de combate a incêndio são dotados de canhões de água, que servem
para prestar auxílio a plataformas sinistradas.
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6 - SISTEMAS FIXOS DE COMBATE A INCÊNDIO
Em função dos riscos que envolvem a atividade Offshore, as plataformas são dotadas
de sistemas fixos de combate a incêndio. Um deles foi apresentado no item anterior: a
rede de incêndio, formada por redes fixas de água salgada (pressurizadas por bombas de
incêndio), tomadas de incêndio, mangueiras e acessórios.
6.1 - SISTEMA FIXO DE ESPUMA
Produz a espuma a partir da mistura ar, água e Líquido Gerador de Espuma (LGE),
através de um esguicho NPU ou um misturador.
Todo Heliponto (Helideck) de plataforma tem obrigatoriamente um sistema fixo de
espuma para incêndio em aeronave, tendo em vista o combustível de aviação que os
helicópteros carregam.
6.2 - REDE SPRINKLER
É um sistema de acionamento automático, que borrifa água no compartimento
afetado quando na presença de temperaturas elevadas, por acionamento de elementos
termossensíveis. O sistema também aciona automaticamente um alarme de incêndio.
6.3 - SISTEMA FIXO DE CO2
Combatem o incêndio inundando o compartimento afetado com CO2.
É recomendado para a proteção de compartimentos normalmente não ocupados por
pessoas, tendo em vista o risco de asfixia.
O sistema é composto de ampolas de CO2 que liberam o gás para uma determinada
área previamente estabelecida, onde ficam os difusores.
É necessário que o compartimento seja totalmente evacuado, que sejam paradas
ventilação e extração do compartimento e que o compartimento seja totalmente isolado.
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6.4 - SISTEMA FIXO DE FM 200
Este gás atua da mesma forma que o CO2 no combate a incêndio e, por não afetar
o meio ambiente de forma significativa, é o substituto do Halon, gás que foi largamente
utilizado há até alguns anos atrás.
Seu efeito sobre as pessoas é bem menos nocivo do que os dos outros gases
empregados no combate a incêndio em navios e plataformas.
7 - MÁSCARAS CONTRA GASES TÓXICOS
Em todo incêndio é normal a formação de gases irritantes aos olhos e às vias
respiratórias. Dependendo do material em combustão, é possível também a formação de
gases tóxicos. Determinados tipos de máscaras dotadas de filtros (normalmente de
carvão) permitem a respiração em atmosferas assim contaminadas, desde que essa
atmosfera disponha ainda de um percentual adequado de oxigênio.
Quando o incêndio ocorre em ambientes confinados, é praticamente certo o
acúmulo desses gases, enquanto que paralelamente se verifica a redução do percentual
de oxigênio. Nesses casos é necessário que sejam utilizadas máscaras que possam
prover uma atmosfera respirável em seu interior.
7.1 - MÁSCARAS COM TAMBOR-GERADOR DE OXIGÊNIO
As máscaras com tambor-gerador de oxigênio operam em circuito fechado, sem
qualquer comunicação com o ambiente exterior. O tambor-gerador é o elemento
responsável pela revitalização da atmosfera no interior do equipamento. Funciona por
ação química, produzindo oxigênio e retendo o CO2 e o vapor d’água, exalados pela
respiração.
Para indicar o tempo que o tambor-gerador está ativado, a máscara possui um
marcador de tempo com campainha de alarme.
O fim da vida útil do tambor-gerador será notado pelo usuário por uma resistência à
expiração e pelo embaçamento dos visores durante a inspiração, o que deve ser
considerado pelo usuário como uma advertência para que abandone com urgência o
compartimento onde está trabalhando ou que coloque um novo tambor-gerador para
substituir o que está em uso.
Após o uso, nunca tocar no tambor com as mãos desprotegidas pois ele estará
quente após o uso.
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7.2 - EQUIPAMENTOS DE RESPIRAÇÃO AUTÔNOMOS (ERA)
Estes equipamentos funcionam debitando automaticamente a quantidade de ar
necessária para cada inalação. Existem vários fabricantes, porém todas as máscaras
operam dentro de um mesmo princípio de funcionamento.
São compostas de um conjunto de máscara facial contra gases, cilindro de ar
comprimido, válvula de demanda automática, sinal acústico de alarme e manômetro.
DRAGER LUBECA PA 54 BASCCA
(Breathing Apparatus, Self-Contained, Compressed Air)
7.3 - EQUIPAMENTOS PARA ESCAPE DE EMERGÊNCIA
As plataformas devem ter a bordo máscaras de escape de emergência, que são
para o escape de pessoal de locais tomados por fumaça espessa e, por isto, não podem
ser empregadas em fainas de combate a incêndio ou nas fainas de controle de avarias.
Entre as encontradas nas plataformas podemos mencionar: ELSA (Emergency Life
Support Apparatus) e as máscaras EEBD (Emergency Escape Breathing Device).
8 - SISTEMAS DE DETECÇÃO E ALARME DE INCÊNDIO
Permitem que princípios de incêndios sejam informados, com presteza, por intermédio
de um sinal de alarme. Existem dois tipos: o humano e o automático.
O humano é o melhor detector, porém nem sempre é possível sua presença em todas
as situações e lugares. O automático permite cobrir vários compartimentos e tem um
custo bem menor.
O sistema automático consiste basicamente de detectores instalados em vários
compartimentos que se ligam ao “Console do Centro de Controle de Avarias”.
Qualquer dos detectores, quando atuado, faz soar no painel um alarme sonoro,
acompanhado de um alarme visual.
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Os tipos de sensores são classificados quanto ao fenômeno que detectam: gases da
combustão (fumaça), chamas e temperatura.
8.1- DETECTORES DE FUMAÇA
IÔNICOS: detectam o produto da combustão pela influência destes sobre a corrente
elétrica numa câmara de ionização.
ÓPTICOS: a detecção se dá medindo os efeitos (escurecimento ou dispersão) da
interferência das partículas da fumaça sobre o sensor de luz (detector fotoelétrico).
8.2 - DETECTORES DE CHAMA
Proporcionam uma detecção rápida e segura do fogo, através da sensibilidade à
radiação emitida pela chama nas faixas do espectro ultravioleta e infravermelho.
Estes equipamentos são utilizados especialmente na detecção de incêndios em
áreas de líquidos e gases inflamáveis de combustão pura, como petróleo, querosene e
solvente, onde existe um rápido crescimento de fogo intenso.
Os sistemas de detecção de chama são instalados normalmente em petroquímicas e
unidades offshore.
8.3 - DETECTORES DE CALOR
Têm o propósito de detectar incêndios quando a temperatura no ambiente a ser
protegido começa a aumentar. Os efeitos do calor que fornecem os princípios de
operação básicos para os detectores de calor são:
Derretimento de metais;
Expansão de sólidos, gases e líquidos;
Efeito elétrico;
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9 - ORGANIZAÇÃO DE COMBATE A INCÊNDIO
Em uma situação de emergência a bordo de uma plataforma, uma resposta imediata,
organizada e eficiente deve ser dada através de uma ação planejada, com o objetivo de
minimizar os efeitos daquela emergência.
Em uma plataforma de tripulação bem treinada, quando soa um alarme, cada
tripulante, já conhecendo a organização da plataforma quanto a combate a incêndio,
saberá exatamente seu lugar e sua atribuição.
9.1 - TABELA MESTRA
A tabela mestra de fainas de emergência estabelece as funções e ações que devem
ser tomadas pelo pessoal de bordo durante uma faina de emergência.
Regularmente, são realizados exercícios para que as pessoas se familiarizem com a
tabela mestra, cujas cópias são afixadas em locais onde possam facilmente ser
consultadas.
A seguir é apresentado um trecho de Tabela Mestra, referente à faina de “Combate a
Incêndio”.
BRIGADAS DE INCÊNDIO
Brigada 1
FUNÇÃO TITULAR RESERVA
Coordenador Sup. de Manutenção Sup. de Elétrica
Lider Técnico Segurança Sondador 1
Hidrante Almoxarifado 1 Cozinheiro 1
Mangueira Eletricista 2 Mecânico 2
Esguicho Mecânico 1 Eletricista 1
Derivante Homem de área 1 Homem de área 2
Apoio Hotelaria 1 Hotelaria 2
Brigada 2
FUNÇÃO TITULAR RESERVA
Coordenador Suapo Sup. de Mecânica
Lider MCB Sondador 2
Hidrante Cozinheiro 2 Almoxarifado 2
Mangueira Eletricista 3 Mecânico 4
Esguicho Mecânico 3 Eletricista 4
Derivante Homem de área 3 Homem de área 4
Apoio Hotelaria 3 Hotelaria 4
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9.2 - AÇÕES DOS MEMBROS DA BRIGADA
Coordenador: coordenar e orientar toda a faina.
Líder: estar à frente no combate ao incêndio, passando as informações ao Coordenador.
Mangueira: conectar a mangueira de incêndio e guarnecê-la.
Esguicho: estar à frente da brigada, dando o combate ao incêndio, seguindo orientações
do Líder da Brigada.
Derivante: conectar a derivante, de onde sairão as linhas de mangueira para o ataque ao
incêndio.
Hidrante: abrir e fechar a água no hidrante, quando determinado pelo Líder da Brigada.
Apoio: auxiliar no que for necessário.
9.3 - AÇÕES DO GEPLAT
Na unidade offshore as ações são comandadas pelo Gerente da Plataforma
(GEPLAT). Suas atribuições são:
Centralizar as informações, decidir e orientar as ações a serem tomadas para o controle
da emergência;
Comunicar as ações de controle de emergência para a estrutura organizacional de
resposta em terra;
Tomar as providências para a parada operacional de emergência, se necessário;
Decidir sobre a necessidade de evacuação ou abandono da unidade;
Solicitar os recursos adicionais necessários previstos no Plano de Contingência;
Aplicar o Plano de Contingência da unidade para controle do incêndio; e
Coordenar a elaboração dos relatórios que buscam investigar as causas básicas que
deram origem à emergência, para que sejam tomadas as medidas corretivas e
preventivas.
Para efetuar corretamente a coordenação da emergência, o GEPLAT deve ser
capaz de responder às seguintes perguntas:
O que está queimando?
Onde está o foco do incêndio?
Como se pode chegar até o local do incêndio?
Qual é o principal perigo?
É possível isolar o compartimento no qual está ocorrendo o incêndio?
Os circuitos elétricos foram desalimentados?
A ventilação e a extração do compartimento afetado foram paradas?
Que medidas devem ser tomadas para evitar a propagação do incêndio?
Quais equipamentos são necessários para o correto combate?
Há gases perigosos na área?
Há necessidade de realizar resfriamento em compartimentos ou anteparas adjacentes
ao local do incêndio?
Há necessidade de remover material inflamável das proximidades do incêndio?
A quantidade de água utilizada para combater o incêndio pode comprometer a
estabilidade da plataforma?
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meio ambiente agradece.
9.4 - PLANO DE SEGURANÇA E COMBATE A INCÊNDIO
Neste plano são indicadas, através de símbolos, as localizações de todos os
equipamentos de salvatagem e de combate a incêndio existentes a bordo. O plano deverá
ser aprovado por Sociedade Classificadora e suas cópias deverão ser afixadas em locais
onde possam facilmente ser consultadas.
A seguir é apresentado um exemplo de cópia de um Plano de Segurança e Combate a
Incêndio.
Os equipamentos de combate a incêndio devem ser colocados em locais:
De fácil visualização;
De fácil acesso (não podem estar obstruídos);
Onde haja menor probabilidade do fogo bloquear o acesso a eles; e
Onde haja sinalização que os identifique.
10 - QUEDA (CRASH) DE AERONAVE
As ações adotadas em caso de queda de helicóptero no Heliponto (Helideck)
constam do Plano de Emergência de Aviação (PEA), cujo propósito é estabelecer
procedimentos para o combate ao incêndio e para o socorro às vitimas.
A Equipe de Manobra e Combate a Incêndio em Aeronave (EMCIA) é basicamente
formada pelos seguintes membros:
Um Agente de Lançamento e Pouso de Helicóptero (ALPH).
Dois ou três Bombeiros de Aviação (BOMBAV).
Em caso de incêndio o ALPH assumirá o controle da faina, que constará do combate
ao incêndio, salvamento dos tripulantes e passageiros e da posterior remoção dos
destroços.
O principal agente extintor de qualquer
Heliponto é a espuma, tendo em vista o
combustível de aviação que as aeronaves
carregam.
Por isso, em todo Heliponto existe um
sistema fixo de espuma e uma calha em todo o
seu redor para a coleta de combustível de
aviação derramado.
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11 - AUTOPROTEÇÃO
Podem ocorrer situações nas quais a sua sobrevivência dependerá apenas do seu
conhecimento, do seu preparo e da sua atitude.
Seguem algumas orientações que poderão salvar a sua vida e a de seus
companheiros:
Avalie os riscos envolvidos;
Mantenha um quadro mental da localização dos pontos de saída (rota de fuga);
Se no fogo: parar, deitar, cobrir o rosto e rolar;
Se estiver sem equipamento de respiração: rastejar abaixo da fumaça (se possível, use
o equipamento de respiração disponível);
Precauções ao se mover na fumaça ou na escuridão:
Em caso de desordem, não ande;
Mantenha o peso do corpo sobre o pé que está mais atrás, pois isto ajudará na
detecção de obstruções, buracos, degraus, etc;
Mantenha uma mão erguida à frente para localizar obstáculos à sua frente; e
Teste a integridade dos degraus antes de utilizá-los.
BIBLIOGRAFIA
NORMAM-24 - Normas da Autoridade Marítima para credenciamento de instituições
para ministrar cursos para profissionais não-tripulantes e tripulantes não-aquaviários.
NORMAM 01 – Norma da Autoridade Marítima para Navegação em Mar [Link]
Code – International Safety Management Code.
ISPS Code - Código Internacional de Segurança para Navios e Instalações Portuárias;
MARPOL 73/78 – International Convention Ships.
Resolução A-891 (21) – Recomendation of Training of Personel (on Móbile Offshore
Units – MOU’ s).
SOLAS 74/78 – International Convention for the safety of Life at Sea.
STCW 78/95 – International Convention on Standards of Training, Certification and
Watchkeeping for Seafares 1995.
Código LSA – Código Internacional de Equipamentos Salva-Vidas.
Manual da Marinha do Brasil (CAAML – 1212) sobre Sobrevivência no Mar.
Manual de Sobrevivência no Mar – Celso Antônio Junqueira.
Apostila de Combate a Incêndio – CAAML.
Apostila de Prevenção de Acidentes – Petrobrás.
Manual de Embarque da Petrobrás - Plataforma P - 21.
Manual da Petrobras sobre Proficiência em Embarcações de Sobrevivência e
Embarcações de Salvamento.
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