Análise de Problemas em Teoria dos Números
Análise de Problemas em Teoria dos Números
Valença-BA
2023
Sávio Ribeiro Gomes Negrão
Valença-BA
2023
Sávio Ribeiro Gomes Negrão
Teoria dos Números: Uma Análise Sobre
Problemas em Aberto
BANCA EXAMINADORA
Primeiramente a Deus, por me permitir chegar até aqui; sem Ele, nada seria possí-
vel. Agradeço imensamente a minha incrível mãe, Salete Ribeiro Gomes Negrão e ao
meu grandioso pai, Sílvio Pereira Negrão, por terem me ensinado a trilhar o caminho do
bem, do respeito, da honestidade e principalmente dos estudos; por sempre me apoiar e
me guiar na estrada da vida. Aos meus avós paternos, Zelí Dias e Antônio Negrão (in
memoriam), pessoas que fizeram parte da minha criação.
Aos membros da minha banca, Diogo Dórea e Renata Vianna, por contribuirem para
a excelência desse trabalho. Aos professores que tive durante o período de graduação,
professores os quais me espelho, que são exemplos para mim, como Jamille, Ruth, Már-
cia Rebeca, Eliete, Patrícia Argôlo, Renata, Roque, Marcelo, Diego, Diogo, entre outros
professores e professoras que auxiliaram imensamente para minha formação.
Aos meus amigos pelos incansáveis estudos frequentes, em singular, minha prima, Da-
niele Negrão, que além de uma grande amiga, foi uma parceira de estudos durante todo
o curso. Um agradecimento sublime para Vânia Ramos, pela parceria e principalmente
pela paciência e compreensão nos momentos de aflições na longa jornada do curso.
Por fim, trago meu agradecimento especial para minha avó, Ruth Maria e em memória
ao meu avô, Amando Tanan, por serem pessoas que sempre acreditaram em mim, sempre
acreditaram que eu seria capaz. Obrigado por tanto carinho!
Resumo
Este trabalho de monografia visa apresentar uma análise sobre as conjecturas e pro-
blemas em aberto dentro do estudo da Teoria dos Números. Abordaremos desde conceitos
básicos para o entendimento desta análise, como o conceito de números primos, sua infini-
tude, suas aplicações e seu padrão de formação, sendo este, o primeiro problema elementar
em aberto analisado neste trabalho. Além disso, veremos também outros problemas em
aberto envolvendo os números primos, como os famosos Primos de Mersenne e os primos
gêmeos, mostrando a importância do estudo sobre a teoria dos números primos. No campo
das conjecturas, começaremos estudando uma das mais belas conjecturas apresentadas:
A Conjectura de Goldbach. Tal conjectura possui um enunciado relativamente simples
de ser entendido e uma importância extremamente relevante para a Teoria dos Números.
Apresentaremos também a Conjectura de Legendre, que retoma as aplicações dos núme-
ros primos, mostrando novamente o quão misteriosos são esses números e a sua extrema
relevância para a Matemática. Veremos também a Conjectura de Collatz, um importante
enunciado para a teoria dos números primos e repleto de aplicações, principalmente no
campo da Computação. Contemplaremos também outros problemas em aberto, nos quais
veremos os chamados números perfeitos e números amigos. O estudo destes números é
de extrema importância para a Teoria dos Números, pois retoma conceitos básicos como
divisibilidade e congruência modular.
This monograph work aims to present an analysis of the conjectures and open problems
in the study of Number Theory. We will cover basic concepts to understand this analy-
sis, such as the concept of prime numbers, its infinity, its applications and its formation
pattern, which is the first elementary open problem analyzed in this work. Moreover, we
will also see other open problems involving prime numbers, such as the famous Mersenne
Primes and twin primes, showing the importance of the study of prime number theory.
In the field of conjectures, we will begin by studying one of the most beautiful conjec-
tures presented: The Goldbach’s Conjecture. This conjecture has a relatively simple
statement to understand and an extremely relevant importance for Number Theory. We
will also present the Legendre Conjecture, which resumes the applications of prime num-
bers, showing again how mysterious these numbers are and their extreme importance for
Mathematics. We will also see the Collatz Conjecture, an important statement for prime
number theory and full of applications, especially in the field of Computing. We will
also contemplate other open problems, in which we will see the so-called perfect numbers
and friendly numbers. The study of these numbers is extremely important for Number
Theory, since it recovers basic concepts such as divisibility and modular congruence.
1 Introdução 1
5 Conclusões e Perspectivas 52
Referências 53
Introdução
M3 = 2 3 − 1
M3 = 8 − 1
M3 = 7.
1. Introdução 3
Um outro exemplo a se analisar é o número 31, que também é um número primo consi-
derado Primo de Mersenne, pois:
M5 = 2 5 − 1
M5 = 32 − 1
M5 = 31.
Essa descoberta foi muito significativa para a área da Teoria do Números, principal-
mente no que tange aos números primos, pois, os maiores números primos encontrados
atualmente são no formato dos Primos de Mersenne. Mas, fica o questionamento: sabe-
mos que o conjunto dos números primos é infinito, mas será que o conjunto dos Primos
de Mersenne também é? Note que saber que o conjunto dos números primos é infinito
não garante que o conjunto dos Primos de Mersenne também seja.
Outro estudo curioso para se analisar dentro dos números primos são os chamados
“primos gêmeos”. Tais números são pares escritos da seguinte forma: (p, p + 2), onde p e
p+2 são primos. Por exemplo, temos (3, 5), (5, 7), (11, 13), entre outros. Note que cada par
é formado por números primos e a diferença entre eles resulta em 2. Atualmente, existem
pares muito grandes de números primos gêmeos, os quais veremos mais detalhadamente
no capítulo sobre os números primos. A grande questão em relação ao conjunto dos primos
gêmeos é sobre sua infinitude, ou seja, existem infinitos pares de primos gêmeos? Note que
saber que o conjunto dos números primos é infinito não garante que o conjunto dos pares
de primos gêmeos também é, tal afirmação precisa ser analisada de forma independente
e com cautela.
No Capítulo 3, iremos apresentar e discutir três conjecturas dentro da Teoria dos
Números: Conjectura de Goldbach, Conjectura de Legendre e Conjectura de Collatz.
A conjectura de Goldbach foi enunciada por um matemático prussiano nascido em Kö-
nigsberg (hoje pertencente à Rússia), chamado Christian Goldbach (1690 - 1764). Tal
conjectura diz que todo número par maior que dois pode ser escrito como a soma de dois
números primos. Por exemplo,
4 = 2+2
8 = 3 + 5.
Note que p = 2 e p = 3 satisfazem a condição 1 < p < 4, já que 2 e 3 são números primos.
Já a Conjectura de Collatz, enunciada pelo matemático alemão Lothar Collatz (1910 -
1990), não faz uso dos números primos, porém, apresenta uma característica bem interes-
sante: a conjectura segue um determinado algoritmo e afirma que, para qualquer número
inteiro positivo inicial n, se n for par, divida-o por 2, caso contrário, multiplique-o por 3
e some 1. Repetindo esse processo para os próximos números gerados, o resultado final
irá convergir para 1. Então, a conjectura afirma que, independentemente do valor inicial
de n, a sequência resultante sempre chegará eventualmente ao número 1. Apesar de mui-
tos matemáticos terem estudado essa conjectura e encontrado evidências empíricas que
a suportam, ela ainda não foi provada nem refutada. Por isso, a Conjectura de Collatz
é considerada um dos maiores mistérios da Matemática contemporânea dentro da Teoria
dos Números. Por exemplo, escolhendo o número ímpar 3 para iniciar o algoritmo, temos
os seguintes passos (chamaremos de iterações):
1a Iteração
3 · 3 + 1 = 10
2a Iteração
10
=5
2
3a Iteração
5 · 3 + 1 = 16
4a Iteração
16
=8
2
5a Iteração
8
=4
2
6a Iteração
4
=2
2
7a Iteração
2
=1
2
Perceba que o resultado convergiu para 1, como prevê a conjectura. Porém, até o momento
nada foi provado ou refutado, o que torna esta conjectura, no mínimo, interessante de se
analisar.
Abordaremos também problemas em aberto que envolvem a ideia de divisibilidade, parte
da Matemática extremamente importante para a Teoria dos Números. Tais problemas
estão ligados aos números perfeitos e aos números amigos. Temos que, de modo resumido,
um número inteiro positivo é considerado perfeito se ele for igual à soma de todos os seus
1. Introdução 5
divisores próprios. Como exemplo, veja o número 6, este tem como divisores: 1, 2, 3 e 6.
Se somarmos todos os divisores de 6 menores que ele, obteremos o próprio número 6, ou
seja: 1 + 2 + 3 = 6. Essa característica dos números perfeitos foi pensada desde a época de
Euclides de Alexandria (aproximadamente 323 a.C. - 283 a.C.) e intriga os matemáticos
até hoje. A grande questão é: será que existem infinitos números perfeitos? Tal problema
ainda está sem solução.
Já nos números amigos, o conceito é semelhante, porém, dois números inteiros positivos
a, b são considerados números amigos se a soma dos divisores de a (exceto o próprio a) for
igual a b, e a soma dos divisores de b (exceto o próprio b) resultar em a. Como exemplo,
temos o par dos menores números amigos conhecidos: (220, 284). Note que os divisores
de 220 (exceto o próprio 220) são: 1, 2, 4, 5, 10, 11, 20, 22, 44, 55, 110, onde a soma destes
números resulta em 284. O mesmo acontece com o 284, seus divisores (com exceção do
próprio 284) são: 1, 2, 4, 71, 142, onde a soma destes divisores resulta em 220. Por essa
condição específica, o par (220, 284) é considerado um par de números amigos. Assim
como os números perfeitos, aqui também há a grande questão: será que existem infinitos
pares de números amigos?
Para abordar tais assuntos de forma aprofundada, temos como metodologia de pes-
quisa a revisão de literatura, que possibilitou investigar, ampliar, sistematizar e ordenar
a estrutura deste trabalho.
Neste capítulo trataremos de conceitos sobre a definição dos números primos, sua
infinitude, a incessante procura por números primos cada vez maiores e algumas das
principais aplicações. Além disso, abordaremos também problemas em aberto como os
Primos de Mersenne e os Primos Gêmeos. Utilizaremos como referência a obra de Santos
(2009), com a qual iremos enunciar e demonstrar o Teorema Fundamental da Aritmética
e o conceito de divisibilidade.
2.1 Divisibilidade
Definição 2.1. Se a e b são inteiros, dizemos que a divide b, denotando por a | b, se
existir um inteiro k tal que b = a · k. Se a não divide b, escrevemos a ∤ b. Se temos que
a | b, podemos dizer ainda que, b é divisível por a, ou que a é divisor de b.
Como exemplo, temos que 5 | 10, pois existe k ∈ Z tal que 10 = 5 · k, neste caso,
k = 2. Por outro lado, temos que 7 ∤ 10, pois não existe k ∈ Z tal que 10 = 7 · k. Esses
exemplos com essa notação nos ajudará a entender a continuação desse trabalho.
Demonstração:
Se n é primo, não há o que ser demonstrado. Supondo agora que n seja composto,
temos p1 (p1 > 1), como o menor dos divisores positivos de n. Podemos afirmar que p1 é
primo, pois, caso contrário, existiria p, (1 < p < p1 ), com p | n, contradizendo a escolha
de p1 . Temos então que n = p1 · n1 .
Se n1 for primo, nossa demonstração está completa. Caso contrário, tomamos p2 como o
menor fator de n1 . Pelo argumento anterior, p2 é primo e temos que n = p1 · p2 · n2 .
Repetindo este procedimento, obtemos uma sequência decrescente de inteiros positivos
n1 , n2 , . . . , nr . Como todos eles são inteiros maiores do que 1, este processo deve terminar.
Como os primos na sequência p1 , p2 , . . . , pk não são, necessariamente, distintos, n terá,
em geral, a forma:
a
n = p1 · p2 · . . . · pk = q1a1 · q2a2 · . . . · qj j
.
Para mostrarmos a unicidade, usamos indução forte em n. Para n = 2, vemos que
a afirmação é verdadeira. Assumimos, então, que ela se verifica para todos os inteiros
maiores do que 1 e menores do que n. Vamos provar que ela também é verdadeira para
n. Se n é primo, a demonstração está feita. Vamos supor, então, que n seja composto e
que tenha duas fatorações, ou seja:
n = p1 · p2 · . . . · ps .
n = q 1 · q2 · . . . · qr .
n
= p 2 · . . . · p s = q2 · . . . · qr .
p1
n
Como 1 < < n, a hipótese de indução nos diz que as duas fatorações são idênticas,
p1
isto é, s = r e, a menos da ordem, as fatorações p1 · p2 · . . . · ps e q1 · q2 · . . . · · · qr são
exatamente iguais.
■
2.3. Infinitude dos números primos 8
Demonstração:
Tal demonstração baseia-se por uma técnica conhecida como redução ao absurdo,
ou, demonstração por contradição. Esta técnica consiste em supor inicialmente uma
determinada hipótese, e ao desenvolver uma determinada sequência lógica, chega-se a
uma contradição, um absurdo, sendo então a hipótese inicial negada.
Vamos supor inicialmente que a sequência dos números primos seja finita. Temos então
P = {p1 , p2 , . . . , pn } como sendo o conjunto de todos os números primos. Considerando o
número R = p1 · p2 · . . . · pn + 1, temos que R não é divisível por nenhum dos pi (1 ≤ i ≤ n)
da nossa lista, e que R é maior do que qualquer pi . Porém, pelo Teorema Fundamental
da Aritmética, temos que R é primo ou possui algum fator primo. Note que R ∈ / P , o que
contradiz a nossa hipótese que P é finito. Com isso, podemos concluir que o conjunto dos
números primos é infinito.
Fonte: <https://editoraunesp.com.br/>
2.4. À procura dos números primos 9
Porém, o grande diferencial dessa obra é que, além de trazer grandes contribuições
para a Geometria, traz também conceitos e definições sobre a Teoria dos Números. Tais
conceitos são utilizados e estudados pelos matemáticos até os dias atuais. Atualmente,
Os Elementos é um conjunto de livros que dão fundamentos para a base da Matemática.
No livro VII, Definição 2, sob a tradução de Bicudo (2009), Euclides diz:
Tal definição de Euclides nos permite observar os números como um conjunto. Porém,
ao analisar as propriedades de alguns conjuntos de números, percebe-se que existem alguns
conjuntos que são, de certa forma, especiais; especificamente os números primos, um
conjunto de números com características especiais descobertas pelos antigos matemáticos.
Euclides decide então se debruçar em seus estudos sobre os números primos, sendo então,
o primeiro a mostrar através da argumentação lógico-matemática que o conjunto dos
números primos é infinito. E em seu livro IX, na Proposição 20, ele diz:
“Os números primos são mais numerosos do que toda a quantidade que tenha sido
proposta de números primos.”
Partindo desse teorema, será que conseguiremos então determinar quantos números
primos há entre 1 e algum outro número inteiro positivo? Por exemplo, quantos números
primos há entre 1 e 50? Avançando um pouco mais no tempo, iremos analisar agora a
abordagem de Eratóstenes para os números primos. Segundo Eves (1997), Eratóstenes
viveu no século III a. C, nasceu em Cirene, mas passou grande parte da sua vida em Atenas
e depois foi para Alexandria, onde foi bibliotecário da universidade local. Trabalhou como
astrônomo, matemático, geógrafo, historiador, filósofo, atleta e poeta. Ele desenvolveu
um método que posteriormente ficou conhecido por Crivo de Eratóstenes. Tal aplicação
reconhecia números primos entre 1 e um certo n inteiro. Por exemplo, quantos números
primos existem entre 1 e 100? Quais são esses números? O Crivo de Eratóstenes era
capaz de responder essas perguntas.
O algoritmo consiste no método da eliminação, onde são descartados os números os
quais sabemos que não são primos. É um método simples, porém, muito eficaz. Vejamos
um exemplo: quantos números primos existem de 1 a 16? Quais são esses números?
Inicialmente, montaremos uma tabela com tais números.
2.4. À procura dos números primos 10
Fonte: <https://www.iag.usp.br/>
1 2 3 4
5 6 7 8
9 10 11 12
13 14 15 16
Agora iremos eliminar os números que sabemos que não são primos, como o número
1 e os múltiplos de todos os outros números primos. Eliminaremos o 4, 6, 8, 10, 12 e
16 que são múltiplos de 2, o 9 e o 15 que são múltiplos de 3, e assim sucessivamente.
Para exemplificar, colocaremos as células eliminadas em vermelho, indicando que aquele
número foi excluído. Os números que sobraram do nosso algoritmo, ficarão com as células
em verde. Nossa tabela ficará da seguinte forma:
1 2 3 4
5 6 7 8
9 10 11 12
13 14 15 16
Note que os números dentro da célula verde, responde a nossa pergunta inicial: quantos
números primos existem de 1 a 16? Fazendo a contagem, temos seis números primos.
2.4. À procura dos números primos 11
Figura 3: A Álgebra
Fonte: <https://rbhm.org.br/>
2.4. À procura dos números primos 12
Nessa publicação, Euler traz um compilado de seus estudos algébricos onde há alguns
tópicos abordando os números primos, dentre eles, o Polinômio de Euler, um polinômio
p(n) que relaciona números primos de uma forma bem interesante. O polinômio de Euler
é expresso como: p(n) = n2 − n + 41. Se assumirmos valores inteiros para n (n ≥ 0),
perceba o que acontece:
p(0) = 02 − 0 + 41 = 41
p(1) = 12 − 1 + 41 = 41
p(2) = 22 − 2 + 41 = 43
p(3) = 32 − 3 + 41 = 47
p(4) = 42 − 4 + 41 = 53
p(5) = 52 − 5 + 41 = 61
p(6) = 62 − 6 + 41 = 71.
Note que, para valores inteiros de 0 a 6, o polinômio p(n) retorna apenas números primos.
Tal polinômio foi uma grande descoberta no estudo dos números primos, pois imaginou-
se que existiria então uma fórmula para expressar números primos. Porém, o padrão do
Polinômio de Euler de retornar apenas números primos é válido de n = 0 até n = 40,
pois, para n = 41 temos que p(41) = 1.681 = 41 · 41, que não é um número primo. Euler
também formulou uma função φ(n) que determinava a quantidade de números inteiros
positivos que são primos com um determinado n. Números primos entre si pertencem a
um conjunto de dois ou mais números naturais cujo único divisor comum a todos eles seja
o número 1. Por exemplo: de 1 a 10, quantos números são primos entre si com o próprio
10? Perceba que tais números são 1, 3, 7 e 9, temos então 4 números. Note que 9 não
é um número primo, mas 9 e 10 são primos entre si, pois o maior divisor comum (mdc)
entre 9 e 10 é 1. Para números pequenos o processo de contagem é relativamente simples,
mas, e se quiséssemos saber quantos números de 1 a 1.000 são primos entre si com o pró-
prio 1.000? Perceba que o processo de contagem agora é um pouco mais trabalhoso. Para
isso, Euler desenvolveu uma função que posteriormente ficou conhecida como função φ(n):
( ) ( ) ( )
1 1 1
φ(n) = n · 1 − · 1− · ... · 1 − ,
p1 p2 pk
2.4. À procura dos números primos 13
ou na forma de produtório:
k (
∏ )
1
φ(n) = n · 1− ,
i=1
pi
em que n é o número que desejamos analisar e p1 , p2 , . . . , pk são os números primos presen-
tes na fatoração de n. Para o caso mencionado, temos como fatoração que 1.000 = 23 · 53 .
Iremos então utilizar a função φ(n) como sendo:
( ) ( )
1 1
φ(n) = n · 1 − · 1− ,
p1 p2
Logo, de 1 a 1000, há quatrocentos números que são primos com o próprio 1000. Tal
fórmula traz uma excelente praticidade para a Teoria dos Números e principalmente para
o estudo dos números primos. Aplicando a mesma fórmula para o nosso problema inicial:
de 1 a 10, há quantos números primos entre si com o próprio 10?
( ) ( )
1 1
φ(10) = 10 · 1 − · 1−
2 5
( ) ( )
1 4
φ(10) = 10 · ·
2 5
φ(10) = 4.
Fonte: <https://www.ime.unicamp.br/>
2.4. À procura dos números primos 14
É importante citar que o número conhecido como e (um número irracional que vale
aproximadamente 2,718), já era um número conhecido. Foi incialmente deduzido pelo
matemático suíço Jacob Bernoulli (1655 - 1705) em seus estudos sobre Matemática Fi-
nanceira. Posteriormente esse número foi deduzido para sua forma analítica como
( )x
1
e = lim 1+ .
x→∞ x
Tal número tem extrema importância, além de estar presente em outras relações mate-
máticas como a Identidade de Euler:
eiπ + 1 = 0,
que além de relacionar o próprio número e, relaciona também outras duas constantes ma-
temáticas importantes: i, a unidade imaginária dos números complexos e π, a razão entre
o comprimento da circunferência e seu diâmetro. Veremos posteriormente uma aplicação
do logaritmo cuja base é o número e. Para isso, iremos então adotar que loge (x) = ln(x),
também chamado de logaritmo natural.
No final do século XVIII, iniciando o século XIX, outro grande matemático se destaca
em seus estudos: Johann Carl Friedrich Gauss (1777 - 1855), um matemático alemão que
contribuiu em diversas áreas da ciência, dentre elas a Teoria dos Números, Estatística,
Análise Matemática, Geometria Diferencial, Geofísica, Astronomia e os estudos da Óp-
tica. Atualmente, talvez Gauss seja mais conhecido pela criança prodígio que foi, onde
a história nos diz que, quando Gauss tinha 10 anos, seu professor pediu que os alunos
somassem todos os números inteiros de um a cem. Com precisão e rapidez, ele informou
o resultado: 5.050. (EVES, 1997).
Gauss encontrou o seguinte padrão: por exemplo, vamos determinar qual a soma dos
números de 1 a 5. Observe o seguinte desenvolvimento:
Fonte: <https://www.surveyhistory.org/>
somados números equidistantes da ordem crescente com a decrescente, porém, essa soma
foi efetuada duas vezes, então bastava dividir o resultado por dois. Para este caso temos:
(1 + 5) · 5
1+2+3+4+5= = 15.
2
Gauss então expandiu esse algoritmo para os números de 1 a 100, conforme foi solici-
tado a soma pelo professor. Então, foi feito:
(1 + 100) · 100
1 + 2 + . . . + 100 = = 5.050.
2
Isso mostrou então o brilhantismo do pequeno aluno ao professor. Dessa dedução de
Gauss, surge então a fórmula para calcular a soma dos números inteiros de 1 até n, sendo:
∑
n
(1 + n) · n
k = 1 + 2 + ... + n = .
k=1
2
O mesmo método acima foi utilizado para calcular a soma dos n primeiros elementos
de uma progressão aritmética:
(a1 + an ) · n
Sn = .
2
“Seja π(x) a quantidade de números primos menores que, ou iguais a x, então temos
x
que π(x) tende a para valores cada vez maiores de x”.
ln(x)
Matematicamente, temos:
x
π(x) ≈ lim
x→∞ ln(x).
Gauss sempre foi fascinado pelos números primos e tentava incansavelmente encontrar
um padrão nesse conjunto misterioso de números; conjecturar esse padrão π(x) foi apenas
uma das suas brilhantes descobertas na Teoria dos Números. Tal padrão só foi provado
verdadeiro cem anos depois, pelo matemático francês Jacques Hadamard (1865 - 1963),
juntamente com o matemático belga Charles-Jean de La Vallée Poussin (1866 - 1962).
Vamos testar a função π(x) de Gauss para calcular uma aproximação de quantos
números primos há até 10. Temos então que:
10
π(10) ≈ ≈ 4, 34.
ln(10)
Considerando apenas a parte inteira, de fato, temos quatro números primos de 1 até
10, que são 2, 3, 5 e 7. Note que a função π(x) retorna um valor aproximado, porém, nos
traz excelentes aproximações para valores cada vez maiores de x.
A procura pelos números primos sempre foi constante; tentar descobrir uma fórmula
que retornasse apenas números primos fascinou diversos matemáticos; estamos então di-
ante de um dos maiores problemas em aberto da história da Matemática. Saber se um
determinado número é primo também não é uma tarefa tão simples quando se tem um nú-
mero extremante grande. Os métodos conhecidos até aqui são trabalhosos e os métodos
mais sofisticados retornam valores aproximados, porém, as buscas por números primos
cada vez maiores encantam os matemáticos até hoje (STEWART, 2014).
No ano de 1900, o matemático alemão David Hilbert (1862 - 1943) durante a con-
ferência do Congresso Internacional de Matemáticos de Paris, propôs uma lista de 23
problemas matemáticos considerados os mais difíceis da época. Alguns problemas foram
resolvidos, outros ainda continuam em aberto. O fato interessante é que a conjectura
de Goldbach, que será vista posteriormente, é um dos problemas da lista de Hilbert que
continuam em aberto.
2.5 Aplicações
Uma das principais aplicações dos números primos é no sistema de criptografia e
segurança de dados. Para entendermos a sua aplicação, é necessário estudarmos a evolução
dos métodos de criptografia. Um dos primeiros sistemas de criptografia desenvolvidos foi a
2.5. Aplicações 17
criptografia de César, mais conhecida como “Cifra de César”. Desenvolvido pelo imperador
romano Júlio César (100 a.C. - 44 a.C.), esse sistema é um dos mais antigos e simples
métodos de criptografia conhecidos. O método, apesar de ser um dos pioneiros, não
envolve diretamente os números primos, porém, a fim de entendermos melhor o sistema de
criptografia, iremos analisá-lo. O algoritmo consiste em substituir cada letra do alfabeto
por outra letra que esteja um certo número de posições à frente ou atrás no alfabeto.
Esse número de posições é chamado de “chave” e pode ser qualquer número inteiro. Por
exemplo, se a chave for 3, a letra A seria substituída por D, a letra B seria substituída
por E, e assim por diante. A mensagem original é escrita usando a cifra, e para decifrá-la,
basta aplicar a mesma chave e retroceder o número de posições correspondentes para cada
letra da mensagem cifrada.
Apesar de ser um método bastante simples, a Cifra de César foi muito utilizada ao
longo da história, e ainda é usada em alguns casos simples de criptografia. No entanto,
hoje em dia ela é considerada insegura, já que é facilmente quebrada com ferramentas de
análise estatística de texto.
Figura 6: Disco da cifra de César
Fonte: <https://projects.raspberrypi.org/>
Por exemplo, suponha que a chave escolhida seja 5 e a mensagem a ser cifrada seja
“MATEMATICA”. Para cifrar essa mensagem, basta substituir cada letra por outra que
esteja 5 posições à frente no alfabeto (poderia ser utilizado o disco da cifra de César para
realizar as rotações necessárias). Assim, a palavra “MATEMATICA” seria cifrada como
“RFYJRFYNHF”. Para decifrar a mensagem, basta aplicar a chave −5 (ou 21, já que
26 − 5 = 21) e retroceder 5 posições no alfabeto para cada letra da mensagem cifrada.
Esse sistema, apesar de eficiente, não é tão seguro, pois, como algumas palavras possuem
repetições de letras, fazendo uma análise cautelosa, a palavra poder ser “descriptografada”
em um período curto de tempo. Com isso, como montar então um sistema de criptografia
mais seguro? Utilizando números primos!
Uma das aplicações mais conhecidas dos números primos na criptografia é o algoritmo
2.5. Aplicações 18
RSA, que é um dos sistemas criptográficos mais utilizados na atualidade. Esse sistema
se baseia na dificuldade de se fatorar números grandes, que é uma tarefa extremamente
complexa e que consome muitos recursos computacionais. O algoritmo RSA utiliza o
produto entre dois números primos grandes e diferentes para gerar chaves públicas e
privadas, que são usadas para criptografar e decifrar informações (PERUZZO, 2017).
A segurança do sistema depende da dificuldade ou até impossibilidade de se fatorar
números extremamente grandes em um tempo viável, mesmo com recursos computaci-
onais avançados. Por exemplo, sendo montada uma “chave” com o número 15, quais
foram os números primos que o produto resultaram em 15? Para este exemplo simples,
é fácil ver utilizando a fatoração que estes números são 3 e 5, pois 3 · 5 = 15. Po-
rém, montando agora uma “chave” com o número 58.801, quais números primos geraram
esse número com seu produto? Agora, é uma tarefa um pouco mais trabalhosa para se
fazer manualmente, porém, com um auxílio de um computador, podemos verificar que
58.801 = 127 · 463. Acontece que para números cada vez maiores, o processamento com-
putacional ficará comprometido devido a alta quantidade de informação que precisará ser
computada.
Vamos imaginar agora uma “chave” que é um número inteiro n = p · q, com 50
algarismos, onde p e q são números primos distintos. Temos então que n < 1050 . Portanto,
√
n < 1025 , ou seja, pelo algoritmo da tentativa de fatoração já visto, precisaríamos testar
√
o algoritmo até os múltiplos de n, que sabemos que é menor que 1025 . Pelo Teorema
dos Números Primos, visto no subcapítulo 2.3, temos que existem, aproximadamente,
1, 7 × 1023 números primos menores que 1025 .
De acordo com o site oficial da USP (Universidade de São Paulo), seu supercomputador
inaugurado em 2015 faz cerca de 20 trilhões (2 × 1013 ) de cálculos por segundo, ou seja,
para esse supercomputador realizar uma única testagem vericando se n é divisível por
um número primo, ele levaria apenas 0, 00000000000005 ou 5 × 10−14 segundos. Porém,
se utilizássemos esse supercomputador para realizar todos os cálculos de testagem do
exemplo anterior, precisariamos de aproximadamente
1, 7 × 1023
= 8, 5 × 109
2 × 1013
segundos, o que levaria em torno de 269 anos para realizar todos os testes com os cálculos
necessários. Se imaginarmos produtos de números primos ainda maiores, já que o conjunto
dos números primos é infinito, o tempo para calcular esses resultados tenderia a aumentar
exponencialmente. Isso nos mostra o poder dos números primos e a sua importância em
algoritmos de criptografia, já que um “ataque a força bruta” em um sistema computacional
criptografado levaria anos para ser quebrado. É notório que essas aplicações de “chaves”
é de grande utilidade na Computação e segurança de dados.
Os números primos também possuem aplicações na Física. Embora não tão comum,
um exemplo de como os números primos podem estar envolvidos na Física é através da
2.5. Aplicações 19
Teoria dos Grupos. Os grupos são usados para descrever simetrias na Física e os números
primos são importantes para determinar o tamanho e a estrutura desses grupos. Por
exemplo, o grupo de simetria de uma partícula elementar pode ser descrito em termos de
um grupo finito, como um grupo cíclico, que é baseado em números primos. Na Física
Quântica (ramo da Física que estuda interações em níveis atômicos), os números primos
são usados na teoria quântica de campos para descrever o comportamento entre partículas
elementares.
Dentro da Física Quântica, existe a Mecânica Quântica, que é uma teoria física que
descreve o comportamento das partículas subatômicas. Na Mecânica Quântica, a distri-
buição de energia dos estados quânticos é dada pela função zeta de Riemann. Essa função
matemática é definida como a soma de uma série infinita que envolve os números primos.
Essa conexão entre os números primos e a distribuição de energia dos estados quânticos
é conhecida como a Hipótese de Riemann, um problema matemático ainda em aberto
que tem sido objeto de pesquisa intensa. A relação entre a função zeta de Riemann e os
números primos foi descoberta pelo matemático alemão Bernhard Riemann (1826 − 1866)
em 1859, e é considerada uma das conexões mais profundas entre a Matemática e a Física.
A forma como os números primos se distribuem na função zeta de Riemann é importante
para entender a distribuição de energia dos estados quânticos, o que tem implicações para
o comportamento de partículas subatômicas (ALVITES, 2012).
Há também aplicações na Teoria das Cordas, que é uma teoria que postula que as
partículas fundamentais são cordas vibrantes em várias dimensões extras além das três
dimensões espaciais e uma dimensão temporal que percebemos no nosso universo. Essas
dimensões extras são “enroladas” em si mesmas e só são percebidas em escalas muito
pequenas. A Teoria das Cordas propõe que a natureza das cordas é descrita por uma
equação matemática conhecida como equação de onda.
As dimensões extras necessárias para a Teoria das Cordas funcionar são descritas em
termos de números primos. Esses números primos aparecem como comprimentos mínimos
para as dimensões extras, conhecidos como raios de compactificação. Por exemplo, se
assumirmos que o raio de compactificação de uma das dimensões extras é um número
primo, isso significa que a dimensão extra tem um comprimento mínimo de um múltiplo do
número primo. Esses comprimentos mínimos são importantes para garantir a consistência
matemática da teoria. A conexão entre os números primos e a Teoria das Cordas é mais
uma prova da profundidade da relação entre a Matemática e a Física. A Teoria das Cordas
é uma área de pesquisa muito ativa na Física Teórica, e a conexão entre os números primos
e a Teoria das Cordas é um exemplo fascinante de como a Matemática pode ajudar a
entender os fenômenos físicos mais complexos. (REIS, 2021).
Por fim, ainda na Física, temos aplicações também na Astronomia. Um exemplo
acontece quando um planeta extrassolar passa na frente de sua estrela hospedeira, ele
bloqueia parte da luz da estrela e produz uma pequena queda no brilho observado. Para
2.6. Primos de Mersenne 20
estudos em acústica e música, onde ele aplicou suas habilidades matemáticas para analisar
as propriedades do som. Ele publicou vários livros sobre o assunto, incluindo “Harmonie
Universelle” em 1636, uma obra de três volumes sobre teoria musical.
Além de seus trabalhos em música e acústica, Mersenne também fez contribuições
significativas para a Matemática e a Física, tendo contato através de correspondências
com grandes matemáticos da época, como Descartes (1596 - 1650), Fermat (1607 - 1665),
Pascal (1623 - 1662) e Torricelli (1608 - 1647). Mersenne também desempenhou um papel
importante no desenvolvimento da ciência experimental. Ele defendeu a importância de
testar ideias e teorias por meio da experimentação, em vez de simplesmente confiar na
especulação ou na autoridade. Ele acreditava que a ciência deveria ser uma busca pela
verdade objetiva, e que isso só poderia ser alcançado por meio da observação cuidadosa e
da experimentação. Ele se tornou então um pensador influente em sua época, e suas ideias
e trabalhos ajudaram a lançar as bases para muitos dos avanços científicos e filosóficos
que se seguiriam nos séculos seguintes.
Fonte: <https://www.deviantart.com/>
Em uma de suas cartas enviadas a Mersenne, Fermat afirma que os números escritos
n
na forma Fn = 22 +1, são números primos, onde n ∈ N. Tais números ficaram conhecidos
como “Números de Fermat” e deixou Mersenne fascinado com os números primos. De
fato, se testarmos variando o valor de n, temos:
0
F0 = 2 2 + 1 = 3
1
F1 = 2 2 + 1 = 5
2
F2 = 22 + 1 = 17
3
F3 = 22 + 1 = 257
4
F4 = 22 + 1 = 65.537.
Porém, perceba que quanto maior o valor de n, maior será o valor de Fn , sendo cada
vez mais difícil verificar se Fn é um número primo, principalmente com os conhecimentos
do século XVII. No entanto, se calcularmos o valor de F5 , iremos obter como resultado
2.6. Primos de Mersenne 22
5
F5 = 22 + 1 = 4.294.967.297, o que aparenta ser um número primo. Eis que então, o
matemático suíço Leonhard Euler mostra que F5 é um número composto, podendo ser
escrito como F5 = 4.294.967.297 = 641 · 6.700.417.
Mersenne então se dedica ao estudo do conjunto dos números primos, tentando en-
contrar um padrão numérico que satisfaça uma lei de formação. Ele parte dos Números
n
de Fermat (Fn = 22 + 1) e começa a desenvolver seu trabalho, analisando e verificando
para quais valores o resultado seria um número primo. Após um longo estudo minucioso
e detalhado, ele começa a escrever um dos seus principais trabalhos, e em 1644, Mersenne
o publica, chamando de “Cogitata Physico-Mathematica”, onde é apresentada a maioria
dos seus estudos sobre os números primos. Tal trabalho foi mundialmente prestigiado
pelos matemáticos da época.
Figura 8: Artigo de Mersenne
Fonte: <https://www.europeana.eu/>
Dentre os estudos publicados por Mersenne nesse artigo, estava uma análise para sobre
um padrão numérico interessante, os Números de Mersenne.
Demonstração:
Para demonstrar essa particularidade, iremos utilizar a contrapositiva, ou seja, iremos
provar que, se n é composto, então Mn também é composto. Para isso, faremos n = a · b,
com a, b ∈ Z e a, b > 1. Agora basta mostrarmos que se a | n, então Ma | Mn . De fato,
Mn = 2 n − 1
Mab = 2ab − 1
Mab = (2a − 1) · (2a(b−1) + 2a(b−2) + . . . + 2a + 1)
Mn = Ma · k.
2.6. Primos de Mersenne 23
A recíproca não é válida. Por exemplo, para n = 11, temos M11 = 2.047 = 23 · 89.
Portanto, n ser um número primo é uma condição necessária, mas não suficiente para que
Mn também seja um número primo.
Podemos então simplificar a nossa expressão e dizer que, para Mn = p (p um número
primo), n também será um número primo. Sendo assim:
Mp = 2p − 1.
Todos os números primos que possam ser escrito dessa forma ficaram conhecidos como
Primos de Mersenne. Importante citar que, nem todo número primo poderá ser escrito
na forma Mp , como por exemplo, o número 5.
Para Mersenne, ele teria então encontrado uma fórumla que, teoricamente, descreveria
o padrão dos números primos. Nesse artigo, devido a limitação da época, foram testados
os números de forma Mp até p = 257.
Tais números são interessantes para os matemáticos pois sua forma simples permite a
aplicação de técnicas matemáticas complexas para estudá-los. O que torna esse enunciado
tão interessante é que, será que existem infinitos Primos de Mersenne? É um problema
ainda em aberto.
Veja o exemplo para os 8 primeiros números primos:
Para cada caso acima, o resultado é um número primo, porém, note que fica cada vez
mais difícil verificar se Mp é um número primo à medida que escolhemos valores mais
altos para p.
Atualmente, os maiores números primos descobertos estão na forma 2p − 1, ou seja,
são Primos de Mersenne, e a busca para números cada vez maiores continua. Para isso,
2.6. Primos de Mersenne 24
06/09/2008 237.156.667 − 1
04/06/2009 242.643.801 − 1
25/01/2013 257.885.161 − 1
07/01/2016 274.207.281 − 1
26/12/2017 277.232.917 − 1
07/12/2018 282.589.933 − 1
p2 − p1 = 2 · k
p2 − p1 = 2 · 1
p2 − p1 = 2
p2 = p1 + 2.
Esse conjunto dos Primos Gêmeos, pensado por Euclides e posteriormente analisado
como uma caso específico dos pares numéricos conjecturado por Polignac é extremamente
fascinante dentro da Teoria dos Números. Observe a formação dos dez primeiros pares de
Primos Gêmeos na forma (p, p + 2) dispostos na tabela a seguir.
2.7. Primos Gêmeos 27
Em 2013, Yitang Zhang (1955 - ), matemático chinês, provou que existe um número
infinito de pares de números primos separados por uma distância de no máximo 70 mi-
lhões de unidades. O trabalho de Zhang foi considerado um grande avanço, pois foi a
primeira vez que um matemático conseguiu provar que existem infinitos pares de primos
gêmeos com uma separação máxima finita. No entanto, a sua prova não é suficiente para
estabelecer o problema geral dos primos gêmeos. Existem várias técnicas matemáticas que
podem ser usadas para estudar os primos gêmeos, uma das mais importantes é a análise
assintótica, que se concentra no comportamento dos números primos em grande escala. A
análise assintótica pode ajudar a entender como os primos gêmeos se distribuem ao longo
da reta real.
Em 1915, o matemático norueguês Viggo Brun (1885 - 1978) provou que a soma dos
inversos dos primos gêmeos é convergente, sendo enunciado então o Teorema de Brun.
Ou seja, sendo pn e pn+1 um par de primos gêmeos, se fizermos
∑∞ ( ) ( ) ( ) ( ) ( )
1 1 1 1 1 1 1 1 1 1
+ = + + + + + + + + ...,
n=1
pn pn+1 3 5 5 7 11 13 17 19
o resultado irá convergir para uma constante, sendo essa chamada de Constante de Brun,
que vale aproximadamente 1, 90216. Sendo extremamente curioso, tendo em vista que
Euler provou que a soma dos inversos dos números primos Pn diverge. Isto é,
∑∞
1 1 1 1 1 1 1
= + + + + + + ...
n=1
p n 2 3 5 7 11 13
não converge para um número real. Este fato torna os pares de Primos Gêmeos ainda
mais desafiadores para serem interpretados.
Em 15 de setembro de 2016, o projeto computacional TPS / PG (Twin Prime Search
/ Prime Grid), projeto que estuda, analisa e cataloga a distribuição dos números Primos,
2.7. Primos Gêmeos 28
encontrou, até o momento, o maior par de Primos Gêmeos descoberto atualmente. Tal
par pode ser escrito como
2.996.863.034.895 × 21.290.000 ± 1,
com 388.342 dígitos por número. Para efeito de comparação, se uma pessoa levasse um
segundo para escrever cada dígito, seria necessário aproximadamente 4 dias ininterruptos
para escrever todos os dígitos de apenas um número do par de primos gêmeos acima.
Outra particularidade interessante é a teoria dos pares de Siegel, que foi desenvolvida
pelo matemático alemão Carl Ludwig Siegel (1896 - 1981) na década de 1930. A teoria
dos pares de Siegel se concentra na interação entre os primos gêmeos e outros tipos de
números primos, como os primos de Sophie Germain (1776 - 1831). Tais teorias têm sido
usadas para estabelecer resultados relacionados aos Primos Gêmeos.
De forma semelhante aos Primos Gêmeos, os números conhecidos como Primos de
Sophie Germain, são um conjunto de números escritos em pares na forma (p, 2p + 1),
onde p e 2p + 1 são números primos. Tal conjunto numérico foi analisado, estudado e
desenvolvido pela matemática francesa Marie-Sophie Germain. Em uma época arcaica
onde as mulheres não eram bem vindas no mundo acadêmico, Sophie mostrou um talento
e brilhantismo fascinante analisando padrões numéricos, trazendo grandes contribuições
para a Teoria dos Números.
Fonte: <http://clubes.obmep.org.br/>
Sophie foi uma matemática brilhante. Dentre as contribuições mais notáveis, está uma
análise sobre o Último Teorema de Fermat (xn + y n = z n , n ∈ Z e n > 2), onde já foi
demonstrado que não existe solução para n inteiro maior que dois. Porém, Sophie Germain
deu uma das primeiras contribuições para a demonstração desse teorema, mostrando que
para o caso n = p, quando p e 2p + 1 são números primos, o teorema é verdadeiro. Esse
caso particular do teorema trouxe grande notoriedade para Sophie, principalmente sobre
o seu estudo sobre tais números primos específicos. (MOREIRA; MARTÍNEZ, 2010).
Tais números são usados na teoria dos sistemas dinâmicos para estudar a estabilidade
de sistemas caóticos, como o mapa logístico. Em geral, os primos de Sophie Germain
têm uma ampla gama de aplicações em várias áreas da Matemática, da Criptografia e da
Física, e seu estudo continua a ser de grande interesse para os pesquisadores em todo o
mundo.
Essa relação de pares ordenados entre os Primos Gêmeos e os Primos de Sophie Ger-
main traz grandes aplicações principalmente para a evolução dos computadores que uti-
lizam um sistema forte de criptografia. Além da Teoria dos Números, os Primos Gêmeos
também têm aplicações em outras áreas da Matemática e da Física. Por exemplo, eles
aparecem em várias equações diferenciais parciais que modelam fenômenos físicos. A na-
tureza dos Primos Gêmeos é um enigma para os matemáticos, mas os estudos sobre eles
têm contribuído para o avanço da Teoria dos Números e para o desenvolvimento de novas
técnicas matemáticas.
Capítulo 3
Conjecturas são comuns na Matemática, muitas vezes servindo como ponto de par-
tida para novas pesquisas e descobertas. As conjecturas são desenvolvidas com base em
observações e padrões identificados pelos matemáticos em seus estudos e pesquisas.
Fonte: <https://clube.spm.pt/>
Além da Matemática, Christian Goldbach tinha interesses em outras áreas, ele era
fluente em várias línguas, incluindo latim, grego, francês e inglês, e escreveu poesia e
peças teatrais em seu tempo livre. Ele também era um grande apreciador de música
e tinha habilidades em tocar violino. Em reconhecimento às suas contribuições para a
Matemática, Goldbach foi eleito para a Royal Society de Londres em 1745. Ele também
foi um membro da Academia de Ciências de São Petersburgo e da Academia de Ciências
de Berlim.
Goldbach ficou conhecido por sua contribuição na Teoria dos Números, em particular,
por uma conjectura que leva seu nome, a Conjectura de Goldbach. Esta conjectura afirma
que todo número par maior que 2 pode ser escrito como a soma de dois números primos.
Embora a conjectura ainda não tenha sido completamente provada, ela continua a intrigar
e inspirar matemáticos em todo o mundo. A Conjectura de Goldbach foi apresentada em
uma carta que ele escreveu para Euler em 1742. De forma analítica, a Conjectura de
Goldbach pode ser descrita como:
Conjectura 3.1. Sendo k um inteiro maior ou igual a 2, existem p1 e p2 primos tais que
2k = p1 + p2 .
3.1. Conjectura de Goldbach 32
A conjectura de Goldbach é uma das conjecturas mais famosas da Teoria dos Números,
e continua a intrigar e inspirar matemáticos em todo o mundo. Além disso, a pesquisa em
torno da conjectura levou ao desenvolvimento de novas técnicas e ferramentas que podem
ter aplicações em outras áreas da Matemática. (CHAVES et al., 2014).
Vamos analisar agora uma tabela contendo os dez primeiros números pares escritos de
acordo com a Conjectura de Goldbach:
Note que, para os primeiros exemplos da Conjectura de Goldbach, fica fácil encontrar
os números primos que satisfazem a condição, porém, para números cada vez maiores,
fica cada vez mais difícil encontrar tais números.
Em abril de 2012, o matemático português Tomás Oliveira e Silva (1980 - ) conseguiu
provar a veracidade da Conjectura de Goldbach até o limite superior 4 × 1018 . Apesar de
seu status de “problema não resolvido”, a Conjectura de Goldbach continua a atrair inte-
resse e esforços contínuos da comunidade matemática. Prêmios são oferecidos para quem
conseguir provar a conjectura ou alcançar avanços significativos em sua resolução. Porém,
embora a evolução dos resultados mostrar que é válido até um determinado valor máximo
(limite superior), isso não prova que será válida para qualquer valor dado (SOUSA, 2013).
Com base nas informações fornecidas no site oficial do projeto GIMPS e para fins de
análise temporal, elaboramos uma tabela para mostrar as principais evoluções de testes
da Conjectura de Goldbach conforme o limite superior correspondente, ou seja, conforme
o número máximo testado. Essa tabela nos fornece uma ideia da quantidade de tempo
que foi necessário para conseguir tais avanços, nos mostrando o trabalho de diversos
matemáticos que se empenharam para encontrar, de alguma forma, uma solução.
3.1. Conjectura de Goldbach 33
Alguns matemáticos dedicaram suas carreiras inteiras a tentar provar, de forma analí-
tica, a Conjectura de Goldbach. Já outros, a usaram como ponto de partida para pesquisas
e aplicações em outras áreas da Matemática, como é o exemplo do matemático chinês Te-
rence Tao (1975 - ), que em 2013 usou a Conjectura de Goldbach como ponto de partida
para uma série de trabalhos em que ele desenvolveu novas ferramentas para estudar os
números primos.
“Todo número ímpar maior do que 5 é igual à soma de três números primos.”
2k = p1 + p2
2k + 3 = p1 + p2 + 3
2k + 2 + 1 = p1 + p2 + 3
2 · (k + 1) + 1 = p1 + p2 + 3
2n + 1 = p1 + p2 + 3, n ⩾ 3.
Realmente, fazendo uma pequena análise podemos constatar essa veracidade pelo
menos para os dez primeiros números ímpares da “conjectura fraca”, observe:
“Todo número ímpar maior que 7 pode ser expresso como soma de três números primos
ímpares”.
Perceba que conjecturar que “todo número ímpar maior do que 5 é igual a soma de
três números primos”, é o mesmo que presumir que “todo número ímpar maior que 7 pode
3.1. Conjectura de Goldbach 35
ser expresso como soma de três números primos ímpares”, já que, para este novo caso, não
poderemos mais utilizar o número 2 na decomposição dos números, como por exemplo,
7 = 2 + 2 + 3. Na Tabela 3.4, temos os dez primeiros números seguindo a variação da
Conjectura Fraca de Goldbach.
O personagem nos traz uma reflexão sobre a essência do “ser matemático”, sobre a
busca pela criação de algo inovador e surpreendente, algo tão belo quanto um quadro
pintado por um grande artista, comparando então a Matemática como uma arte, e de
fato, a Matemática tem sua própria beleza intrínseca. As equações e fórmulas que pare-
cem abstratas à primeira vista, quando examinadas mais de perto, muitas vezes revelam
padrões fascinantes e relações surpreendentes. Christian Goldbach foi um matemático e
intelectual brilhante, com interesses em várias áreas além da Matemática. Sua conjectura
continua a desafiar matemáticos até hoje e é um testemunho do poder e da beleza da
Matemática.
3.2. Conjectura de Legendre 36
onde r(x) é uma função racional, p(x) é um polinômio de grau inteiro n (3 ≤ n ≤ 4) com
nenhuma raiz repetida e c uma constante, sendo y = f (x), se obtém então 3 tipos funções
de integrais elípticas, são essas:
∫ x
dt
f1 (x) = √ , onde 0 < k 2 < 1 ,
0 1− k 2 sen(t)
∫ x √
f2 (x) = 1 − k 2 sen(t)dt , onde 0 < k 2 < 1 ,
0
∫ x
dt
f3 (x) = √ , onde a ̸= 0, a2 ̸= k 2 .
0 1 − k sen(t) · (1 + a2 sen2 (t))
2
Além disso, Legendre é conhecido por ter dado uma das primeiras provas do Teorema
Central do Limite, que afirma que a distribuição de médias amostrais de uma popula-
ção qualquer se aproxima de uma distribuição normal, independentemente da forma da
3.2. Conjectura de Legendre 37
distribuição original. Na Teoria dos Números, assim como Gauss, Legendre também ana-
lisou uma fórmula para calcular o número de primos menores que um determinado valor,
estudando as propriedades dos números primos em geral. Legendre então deduz que essa
contagem dos números primos pode ser definida como
∫ x
1
π(x) ≃ dt,
2 log(t)
ou seja, partindo da mesma análise de Gauss, Legendre viu, de forma independente, que
π(x)
lim ∫ x 1 = 1.
x→∞
2 log(t)
dt
∞ ⌊ ⌋
∑ n
, para n ≥ pi .
i≥1
pi
⌊ ⌋
n
Para a nossa análise, a notação i indica que estamos utilizando apenas a parte inteira
p
ao fazermos a divisão de n por pi .
Esse Teorema nos ajuda a resolver problemas do tipo
Lembre-se que 320! = 320 · 319 · 318 · . . . · 3 · 2 · 1. Para resolver esse problema, iremos
utilizar o Teorema de Legendre. Para isso, temos que
320! = 7n · k, k ∈ N.
Então, temos n = 320 e p = 7. Note que 73 > 320, então utilizaremos até 72 . Faremos
⌊ ⌋ ⌊ ⌋
320 320
n = +
7 72
⌊ ⌋ ⌊ ⌋
320 320
n = +
7 49
n = 45 + 6
n = 51.
Conjectura 3.2. Existe pelo menos um número primo entre os quadrados consecutivos
de números inteiros.
De forma analítica, temos que para qualquer número inteiro positivo n, existe pelo
menos um número primo p tal que:
Por exemplo, para n = 1, a conjectura afirma que sempre existe pelo menos um número
primo entre os quadrados 1 e 4, o que é verdadeiro, pois o número 2 e o número 3 são
números primos nessa faixa. Sendo considerada uma das grandes questões abertas da
Teoria dos Números, este problema tem sido objeto de intensa pesquisa ao longo dos
séculos.
Para entender mais detalhadamente esse padrão numérico, vamos analisar a tabela a
seguir.
3.2. Conjectura de Legendre 39
Note que, até n = 10, temos pelo menos um número primo compreendido entre n2 e
(n + 1)2 . A conjectura foi testada computacionalmente para elevados valores de n, e para
todos eles, foi verificada verdadeira. No entanto, a prova dessa conjectura continua sendo
um problema em aberto na Matemática. Muitos matemáticos tentaram demonstrar tal
conjectura, porém, existem apenas resultados parciais. Um dos feitos mais importantes
é o trabalho de Jing Run Chen (1933 - 1996), matemático chinês que provou existir
entre n2 e (n + 1)2 um número p que é primo ou semiprimo (semiprimos são números
compostos formados pelo produto de dois números primos, não necessariamente distintos).
O resultado de Chen trouxe grandes avanços para a análise da Conjectura de Legendre,
pois agora, se tem um resultado (mesmo que parcial) mais preciso e consistente. (ASSIS,
2019).
A Conjectura de Legendre também se associa a outras conjecutras, no mínimo, cu-
riosas, como o postulado de Bertrand, desenvolvida pelo matemático francês Bertrand
Russell (1822 - 1900), que afirma que sempre existe um número primo entre n e 2n para
qualquer número inteiro positivo n, que pode ser interpretada como uma variação da
Conjectura de Legendre. Outro exemplo é o teorema dos números primos de Dirichlet,
analisada pelo matemático alemão Johann Peter Gustav Lejeune Dirichlet (1805 - 1859),
que estabelece que, se d ≥ 2 e a ̸= 0 são números inteiros primos entre si, ou seja, o
mdc(a, d) = 1, então a progressão aritmética a, a + d, a + 2d, a + 3d, . . . , contém uma
infinidade de números primos. Todos esses trabalhos desenvolvidos possuem como base
os estudos de Legendre.
A busca pela prova da conjectura tem levado ao desenvolvimento de novas técnicas e
ideias matemáticas, e tem sido um estímulo para a pesquisa na Teoria dos Números e em
áreas relacionadas. Perceba a importância de todos os brilhantes trabalhos de Legendre,
um matemático a frente da sua época, trazendo importantes avanços para a Matemática
Moderna, como estudos sobre Geometria Diferencial, Cálculo Diferencial e Algebra.
3.3. Conjectura de Collatz 40
Fonte: <https://people.math.sc.edu/>
Collatz também se dedicou aos estudos de Sistemas Dinâmicos, onde sua pesquisa
tem sido aplicada em uma ampla variedade de áreas, como Criptografia, Teoria da Infor-
mação, Modelagem Matemática, Biologia e Ecologia. Seu trabalho em aproximação de
funções e equações diferenciais parciais também tem sido fundamental para o desenvol-
vimento de métodos numéricos utilizados em diversas áreas da Ciência e da Engenharia.
Ele também teve uma carreira acadêmica notável, tendo lecionado em diversas univer-
sidades alemãs, entre elas a Universidade de Hamburgo, onde atuou como professor de
Matemática Aplicada. Collatz era conhecido como um professor talentoso e dedicado, que
inspirou muitos estudantes a seguirem carreiras em Matemática e Ciência da Computação
(ONODY, 2021).
Dentre os trabalhos de Collatz, existe uma análise na Teoria dos Números que o fez
adquirir destaque na comunidade matemática. Uma conjectura proposta em 1937 que
3.3. Conjectura de Collatz 41
leva o seu nome, a Conjectura de Collatz. Essa conjectura pode ser enunciada como:
Iremos verificar essa conjectura testando para alguns valores e realizando as iterações
seguindo o algoritmo mencionado acima, e para esse primeiro exemplo, usaremos como
ponto de partida n = 10. Então teremos:
Partiremos da função analítica para plotar o gráfico seguinte utilizando como parâ-
metro de ponto de partida n = 60.
3.3. Conjectura de Collatz 42
Valor da sequência
120
100
80
60
40
20
1
1 4 7 10 13 16 19 22
Número de iterações
Note que, graficamente, para n = 60, a curva chega no ponto máximo 160 e decresce até
1, com 19 iterações. De fato, se escrevermos todos os números da sequência teremos: 60,
30, 15, 46, 23, 70, 35, 106, 53, 160, 80, 40, 20, 10, 5, 16, 8, 4, 2, 1. Perceba que o maior
valor encontrado é 160 e temos 19 números após o primeiro número (ponto de partida),
sendo essa quantidade o número de iterações.
Para números maiores, mesmo utilizando o recurso gráfico, fica cada vez mais difí-
cil determinar a sequência das iterações e a quantidade de iterações. Para exemplicar,
vejamos o seguinte gráfico para n = 1.000.
7.000
6.000
5.000
4.000
3.000
2.000
1.000
1
1 23 46 69 92 115 138
Número de iterações
Perceba que, para n = 1.000, fica difícil determinar com precisão os valores numéricos da
sequência e a quantidade de iterações, até mesmo no gráfico. Note também que a curva
não é definida por um padrão específico, sendo aleatória a distribuição dos números. Essa
3.3. Conjectura de Collatz 43
1a linha:
1 while 1 == 1:
O código começa com um loop (repetição) while infinito que executa continuamente en-
quanto a condição especificada for verdadeira. No nosso exemplo, temos “enquanto 1
for igual a 1, faça o comando abaixo:”. Como 1 é sempre igual a 1, o código irá se
repetir inifinitamente, portanto, o loop nunca terminará a menos que seja interrompido
manualmente. Essa parte serve apenas para que, após o código ser executado, todo o pro-
cedimento se repita e seja perguntado novamente um valor para novas iterações, fazendo
com que o programa seja sempre executado.
3.3. Conjectura de Collatz 44
2a linha:
1 n = int ( input ( " Digite um número inteiro positivo para começar novas
iterações : " ) )
Como a Conjectura de Collatz é válida apenas para números inteiros positivos, o programa
solicita ao usuário que digite um número inteiro positivo n para iniciar novas iterações. O
número é lido da entrada do usuário usando a função input(), convertido em um inteiro
usando a função int() e atribuído à variável n.
3a linha:
O programa “printa” (imprime) uma mensagem na tela para indicar que os valores das
iterações serão exibidos a seguir.
4a linha:
1 def collatz ( n ) :
O programa define uma nova função chamada collatz que recebe o número inteiro n.
5a linha:
1 count = 0
A variável “count” é inicializada como zero para contabilizar o número de iterações ne-
cessárias para alcançar o valor 1 na sequência de Collatz.
6a linha:
1 while n != 1:
Um loop while é iniciado e continuará enquanto o valor n for diferente de 1, o que indica
que a sequência de Collatz ainda não chegou ao fim.
7a linha
8a a 11a linha:
1 if n % 2 == 0:
2 n = n // 2
3 else :
4 n = 3 * n + 1
O programa verifica se o valor atual de n é par ou ímpar, ou seja, ele analisa se o resto
da divisão do número n por 2 é igual a zero. Se (if) n for par, o valor é dividido por 2.
Se não (else), ou seja, se n for ímpar, o valor é multiplicado por 3 e adicionado 1. Este
processo é repetido até que o valor 1 seja alcançado.
12a linha:
1 count += 1
Temos um contador count que é acrescido em “1” para cada iteração do loop while, para
registrar o número total de iterações necessárias até alcançar o valor 1 na sequência de
Collatz.
13a linha:
1 print ( n )
14a linha:
Nesse comando, programa imprime o número total de iterações realizadas para alcançar o
valor 1 na sequência de Collatz. Este valor é armazenado na variável count e foi atualizado
em cada iteração do loop while.
15a linha:
1 collatz ( n )
Se escolhermos, por exemplo, um valor inicial igual a 500, o programa irá nos retornar
o seguinte resultado:
Perceba que apenas em quatro linhas do terminal, o programa é capaz de nos fornecer
todas as iterações em ordem de acordo com o valor inicial dado. Além disso, também
é fornecido a quantidade total de iterações, conforme havíamos definido anteriormente
na escrita (script) do nosso código. A ideia em fornecer todo o algoritmo em Python, é
aguçar a curiosidade do leitor para que ele também possa verificar a Conjectura de Collatz,
testando para os mais variados valores. Um obstáculo que pode limitar o código é o poder
computacional no qual ele está sendo executado. Para computadores mais potentes, o
código poderá calcular números altos com maior velocidade; para computadores mais
fracos, o tempo de execução poderá ser maior.
A Conjectura de Collatz é impressionante por envolver operações aritméticas simples e,
ao mesmo tempo, possuir uma complexidade enorme para as tentativas de demonstrações.
Collatz foi um matemático brilhante, grande defensor do poder dos computadores para
a resolução de problemas matemáticos complexos, em uma época em que a Computação
ainda dava seus primeiros passos. Ele faleceu em 26 de setembro de 1990 em Hamburgo,
na Alemanha, porém, sua vida e carreira continuam sendo exemplos do papel fundamental
da Matemática e da Ciência da Computação para o avanço da tecnologia e da sociedade
em geral. A contribuição de Collatz para a Matemática é amplamente reconhecida e
continua a ser estudada por matemáticos e cientistas da computação em todo o mundo.
Capítulo 4
Veremos agora alguns problemas em aberto que não envolvem diretamente os números
primos. Para essa nova análise, abordaremos alguns problemas que estão relacionados com
o conceito de divisibilidade, para isso, precisaremos de algumas definições importantes que
utilizaremos, como o conceito de Mínimo Múltiplo Comum, Máximo Divisor Comum e a
ideia dos divisores próprios de um número inteiro.
Como exemplo, temos que o mmc de 6 e 10 é 30, pois esse é o menor múltiplo comum
a estes números.
Como exemplo, temos que o mdc de 6 e 10 é 2, pois esse é o maior divisor comum
comum a estes números.
Definição 4.3. Sendo k um número inteiro e D(k) seus divisores positivos, denotamos
Dp (k) como seus divisores prórios, onde Dp (k) = {D(k) − k}.
Como exemplo, temos que os divisores próprios de 6 pode ser representado como
Dp (6) = {1, 2, 3}.
Definição 4.4. Sendo n um número inteiro positivo, temos Sd (n) como sendo a soma
dos divisores de n e Sdp (n) como sendo a soma dos divisores próprios de n.
∑
k
n= ai .
i=1
Um fato curioso é que, até o momento, todos os números perfeitos descobertos são
pares, ou seja, sendo n um número perfeito, temos que Sdp (n) = 2k, k ∈ Z+ . Por enquanto,
nada se sabe sobre a existência de números perfeitos ímpares (CRUZ et al., 2013).
No século XVI, o matemático alemão Michael Stifel (1487 - 1567) foi o primeiro a
utilizar o termo “número perfeito” em sua obra “Arithmetica Integra”, publicada em
1544. Nos séculos XVII e XVIII, o estudo dos números perfeitos foi expandido pelos
matemáticos europeus, incluindo Fermat, Euler e Legendre, matemáticos já mencionados
nesse trabalho. Em particular, Euler descobriu uma fórmula para gerar números perfeitos
a partir de números primos, conhecida como a fórmula de Euler para números perfeitos.
Euler provou que, todo número perfeito par pode ser escrito como
( )
2p−1 · (2p − 1) ,
Para algum p primo. Essa fórmula permite encontrar facilmente os quatro primeiros
números perfeitos: 6, 28, 496 e 8.128. De fato, para os números mencionados, podemos
verificar esse padrão conforme a tabela abaixo.
Analisando a tabela, é comum pensarmos que temos uma ordem crescente dos números
primos p, e com isso, deduzirmos que o próximo número perfeito seria (211−1 ) · (211 − 1).
Porém, isso não é verdade, pois o próximo número perfeito da tabela é escrito com p = 13,
sendo esse, 33.550.336 = (213−1 )·(213 −1). Uma curiosidade é que, os números perfeitos são
tão particulares que os números tabelados acima são todos os números perfeitos menores
que 105 .
Um padrão descoberto por Leonhard Euler é que, se 2p − 1 é um número primo, então
(2p−1 ) · (2p − 1) é um número perfeito. Porém, note que se 2p − 1 é um número primo,
então esse é um Número Primo de Mersenne, o que torna os números perfeitos ainda
mais interessantes, já que relaciona características de outros números específicos, como os
Primos de Mersenne, estudados anteriormente.
Essa relação é fascinante, pois permite gerar números perfeitos conhecendo apenas
os Primos de Mersenne correspondentes. Por exemplo, se encontrarmos um novo Primo
de Mersenne, podemos aplicar a fórmula de Euler para obter um novo Número Perfeito.
Essa relação tem sido explorada ao longo dos séculos na busca por números perfeitos e
primos de Mersenne.
Com o avanço da computação moderna, foi possível encontrar números perfeitos
ainda maiores. O maior número perfeito foi descoberto em dezembro de 2018, através
do projeto colaborativo GIMPS (já mencionado anteriormente). O número possui um
total de 24.862.048 dígitos e pode ser gerado pela fórmula de Euler, sendo escrito como
(282.589.933−1 ) · (282.589.933 − 1), sendo o número primo p = 82.589.933.
Dentre outras contribuições, uma interessante é do matemático francês Anatole Lucas
(1842 - 1891), mais conhecido como Édouard Lucas, o mesmo criador do jogo da Torre de
Hanói, que em 1876 mostrou que os números perfeitos pares terminam sempre em 6 ou
8. Ele também calculou, de forma manual, o número 2127 − 1, verifcando ser um número
primo, com isso, foi determinando então o maior número perfeito conhecido da época:
(2127−1 ) · (2127 − 1). O que é extremamente impressionante, tendo em vista o tamanho do
número que foi calculado manualmente.
Os números perfeitos são considerados raros. Embora tenham sido feitos avanços
significativos na descoberta de números perfeitos usando técnicas computacionais, até
agora, apenas 51 números perfeitos foram descobertos. Os maiores números perfeitos
conhecidos têm milhões de dígitos.
Apesar da natureza dos números perfeitos ter sido estudada por séculos, muitos mis-
térios ainda permanecem: ainda não se sabe se existem infinitos números perfeitos ou se
existem números perfeitos ímpares, o que tornam problemas em aberto. Portanto, o es-
tudo desses números continua a ser uma área de interesse para matemáticos e cientistas de
todo o mundo, e a descoberta de novos números perfeitos ainda é um desafio emocionante
para a comunidade matemática.
4.2. Números Amigos 50
Definição 4.6. Dados dois números inteiros a e b, esses formarão um par de números
amigos (a, b) quando Sdp (a) = b e Sdp (b) = a.
Aristóteles (384 a.C. - 322 a.C.), famoso filósofo grego, mencionou os números amigos
em seus escritos. No entanto, foi apenas no século IX que o matemático árabe Al-Farabi
(870 d.C. - 950 d.C.) forneceu os primeiros estudos mais detalhados. Ele investigou tais
números e descobriu o primeiro par de números amigos: (220, 284).
106
105
Par amigo (y)
104
103
102 2
10 103 104 105 106
Número amigo (x)
No plano cartesiano, cada ponto é um par de número amigo, o eixo x representa o número
amigo e o eixo y representa o seu par amigo. O critério de ordenação nesse plano cartesiano
está relacionado ao par (x, y), onde ordenamos cada par com x > y, o mesmo padrão de
ordenação está em nosso apêndice sobre os pares de Números Amigos. Observe que
os pontos estão proximos da reta representada pela função identidade f (x) = x (em
vermelho), porém, não se sabe se essa característica é um padrão para os demais pares
de números de amigos. O que se sabe é que os próximos são pares ordenados cada vez
maiores. Embora muitos pares de números amigos tenham sido encontrados, ainda há
desafios abertos na busca por novos pares. Encontrar pares de ordens ainda maiores ou
desenvolver métodos mais eficientes são áreas de pesquisa em andamento.
Capítulo 5
Conclusões e Perspectivas
O presente trabalho visa trazer uma análise aprofundada sobre a Teoria dos Números,
em particular, sobre Problemas em Aberto. Trazendo contextos históricos, definições e
teoremas, temos como intuito estimular o leitor a se debruçar na linha do tempo da Ma-
temática a fim de compreender sua evolução ao longo da história, utilizando como análise
os seus Problemas em Aberto. A Teoria dos Números é um campo vasto e fascinante,
repleto de Problemas em Aberto que têm desafiado matemáticos ao longo dos séculos.
Entre esses problemas, destacam-se os Primos de Mersenne, primos gêmeos, a Conjectura
de Goldbach, a Conjectura de Legendre, a Conjectura de Collatz, Números Perfeitos e
Números Amigos, problemas esses que foram detalhados neste trabalho. Cada um desses
tópicos apresenta características únicas e desafios matemáticos intrigantes.
A busca por soluções e provas teóricas nesses tópicos impulsiona a pesquisa Matemá-
tica e alimenta a nossa compreensão dos números e suas propriedades. À medida que
avançamos no campo da Teoria dos Números, novas descobertas são feitas e novos de-
safios surgem, garantindo que essa área da Matemática permaneça emocionante e cheia
de possibilidades para os matemáticos do presente e do futuro. Com o intuito de ajudar
os avanços nessa área específica, colaborando no desenvolvimento de pesquisas futuras,
este trabalho trouxe uma atualização de alguns dos princiapais problemas em aberto na
Teoria dos Número, bem como das pesquisas que estão sendo realizadas na tentativa de
demonstrá-los.
Embora muitos avanços tenham sido feitos e conjecturas empíricas sustentadas, esses
problemas ainda resistem a soluções definitivas. Eles nos lembram da complexidade e
profundidade dos números e nos incentivam a continuar explorando, pesquisando e des-
vendando os mistérios matemáticos que permeiam esses tópicos. A Teoria dos Números
continua sendo um campo estimulante, repleto de enigmas a serem resolvidos, e a busca
por respostas para esses problemas em aberto permanece como um desafio constante.
Referências
DOXIADIS, A. Tio Petros e a Conjectura de Goldbach. São Paulo - Brasil: Editora 34,
2001.
M2 = 22 − 1 = 3.
M3 = 23 − 1 = 7.
M5 = 25 − 1 = 31.
M7 = 27 − 1 = 127.
Representação da Conjectura de
Goldbach para os naturais até 100
4=2+2 30 = 7 + 23 46 = 3 + 43 58 = 11 + 47
6=3+3 30 = 11 + 19 46 = 5 + 41 58 = 17 + 41
8=3+5 30 = 13 + 17 46 = 17 + 29 58 = 29 + 29
10 = 3 + 7 32 = 3 + 29 46 = 23 + 23 60 = 7 + 53
10 = 5 + 5 32 = 13 + 19 48 = 5 + 43 60 = 13 + 47
12 = 5 + 7 34 = 3 + 31 48 = 7 + 41 60 = 17 + 43
14 = 3 + 11 34 = 5 + 29 48 = 11 + 37 60 = 19 + 41
14 = 7 + 7 34 = 11 + 23 48 = 17 + 31 60 = 23 + 37
16 = 3 + 13 34 = 17 + 17 48 = 19 + 29 60 = 29 + 31
16 = 5 + 11 36 = 5 + 31 50 = 3 + 47 62 = 3 + 59
18 = 5 + 13 36 = 7 + 29 50 = 7 + 43 62 = 19 + 43
18 = 7 + 11 36 = 13 + 23 50 = 13 + 37 62 = 31 + 31
20 = 3 + 17 36 = 17 + 19 50 = 19 + 31 64 = 3 + 61
20 = 7 + 13 38 = 7 + 31 52 = 5 + 47 64 = 5 + 59
22 = 3 + 19 38 = 19 + 19 52 = 11 + 41 64 = 11 + 53
22 = 5 + 17 40 = 3 + 37 52 = 23 + 29 64 = 17 + 47
22 = 11 + 11 40 = 11 + 29 54 = 7 + 47 64 = 23 + 41
24 = 5 + 19 40 = 17 + 23 54 = 11 + 43 66 = 5 + 61
24 = 7 + 17 42 = 5 + 37 54 = 13 + 41 66 = 7 + 59
24 = 11 + 13 42 = 11 + 31 54 = 17 + 37 66 = 13 + 53
26 = 3 + 23 42 = 13 + 29 54 = 23 + 31 66 = 19 + 47
26 = 7 + 19 42 = 19 + 23 56 = 3 + 53 66 = 23 + 43
26 = 13 + 13 44 = 3 + 41 56 = 13 + 43 66 = 29 + 37
28 = 5 + 23 44 = 7 + 37 56 = 19 + 37 68 = 7 + 61
28 = 11 + 17 44 = 13 + 31 58 = 5 + 53 68 = 31 + 37
C. Representação da Conjectura de Goldbach para os naturais até 100 59
70 = 3 + 67 78 = 11 + 67 86 = 7 + 79 94 = 23 + 71
70 = 11 + 59 78 = 17 + 61 86 = 13 + 73 94 = 41 + 53
70 = 17 + 53 78 = 19 + 59 86 = 19 + 67 94 = 47 + 47
70 = 23 + 47 78 = 31 + 47 86 = 43 + 43 96 = 7 + 89
70 = 29 + 41 78 = 37 + 41 88 = 5 + 83 96 = 13 + 83
72 = 5 + 67 80 = 7 + 73 88 = 17 + 71 96 = 17 + 79
72 = 11 + 61 80 = 13 + 67 88 = 29 + 59 96 = 23 + 73
72 = 13 + 59 80 = 19 + 61 88 = 41 + 47 96 = 29 + 67
72 = 19 + 53 80 = 37 + 43 90 = 7 + 83 96 = 37 + 59
72 = 29 + 43 82 = 3 + 79 90 = 11 + 79 96 = 43 + 53
72 = 31 + 41 82 = 11 + 71 90 = 17 + 73 98 = 19 + 79
74 = 3 + 71 82 = 23 + 59 90 = 19 + 71 98 = 31 + 67
74 = 7 + 67 82 = 29 + 53 90 = 23 + 67 98 = 37 + 61
74 = 13 + 61 82 = 41 + 41 90 = 29 + 61 100 = 3 + 97
74 = 31 + 43 84 = 5 + 79 90 = 31 + 59 100 = 11 + 89
74 = 37 + 37 84 = 11 + 73 90 = 37 + 53 100 = 17 + 83
76 = 3 + 73 84 = 13 + 71 90 = 43 + 47 100 = 29 + 71
76 = 5 + 71 84 = 17 + 67 92 = 3 + 89 100 = 41 + 59
76 = 17 + 59 84 = 23 + 61 92 = 13 + 79 100 = 47 + 53.
76 = 23 + 53 84 = 31 + 53 92 = 19 + 73
76 = 29 + 47 84 = 37 + 47 92 = 31 + 61
78 = 5 + 73 84 = 41 + 43 94 = 5 + 89
78 = 7 + 71 86 = 3 + 83 94 = 11 + 83
Apêndice D
Representação da Conjectura de
Legendre para 10, 102 e 103
Para n = 10 :
102 < 101, 103, 107, 109, 113 < 112
Para n = 102 :
1002 < 10007, 10009, 10037, 10039, 10061, 10067, 10069, 10079, 10091, 10093, 10099, 10103,
10111, 10133, 10139, 10141, 10151, 10159, 10163, 10169, 10177, 10181, 10193 < 1012
Para n = 103 :
10002 < 1000003, 1000033, 1000037, 1000039, 1000081, 1000099, 1000117, 1000121, 1000133,
1000151, 1000159, 1000171, 1000183, 1000187, 1000193, 1000199, 1000211, 1000213, 1000231,
1000249, 1000253, 1000273, 1000289, 1000291, 1000303, 1000313, 1000333, 1000357, 1000367,
1000381, 1000393, 1000397, 1000403, 1000409, 1000423, 1000427, 1000429, 1000453, 1000457,
1000507, 1000537, 1000541, 1000547, 1000577, 1000579, 1000589, 1000609, 1000619, 1000621,
1000639, 1000651, 1000667, 1000669, 1000679, 1000691, 1000697, 1000721, 1000723, 1000763,
1000777, 1000793, 1000829, 1000847, 1000849, 1000859, 1000861, 1000889, 1000907, 1000919,
1000921, 1000931, 1000969, 1000973, 1000981, 1000999, 1001003, 1001017, 1001023, 1001027,
1001041, 1001069, 1001081, 1001087, 1001089, 1001093, 1001107, 1001123, 1001153, 1001159,
1001173, 1001177, 1001191, 1001197, 1001219, 1001237, 1001267, 1001279, 1001291, 1001303,
1001311, 1001321, 1001323, 1001327, 1001347, 1001353, 1001369, 1001381, 1001387, 1001389,
1001401, 1001411, 1001431, 1001447, 1001459, 1001467, 1001491, 1001501, 1001527, 1001531,
1001549, 1001551, 1001563, 1001569, 1001587, 1001593, 1001621, 1001629, 1001639, 1001659,
1001669, 1001683, 1001687, 1001713, 1001723, 1001743, 1001783, 1001797, 1001801, 1001807,
1001809, 1001821, 1001831, 1001839, 1001911, 1001933, 1001941, 1001947, 1001953, 1001977,
1001981, 1001983, 1001989 < 10012 .
Apêndice E
(22−1 ) · (22 − 1) = 6.
(220, 284)
Sdp (220) = 1 + 2 + 4 + 5 + 10 + 11 + 20 + 22 + 44 + 55 + 110 = 284.
Sdp (284) = 1 + 2 + 4 + 71 + 142 = 220.
(1184, 1210)
Sdp (1184) = 1 + 2 + 4 + 8 + 16 + 32 + 37 + 74 + 148 + 296 + 592 = 1210.
Sdp (1210) = 1 + 2 + 5 + 10 + 11 + 22 + 55 + 110 + 121 + 242 + 605 = 1184.
(2620, 2924)
Sdp (2620) = 1 + 2 + 4 + 5 + 10 + 20 + 131 + 262 + 524 + 655 + 1310 = 2924.
Sdp (2924) = 1 + 2 + 4 + 17 + 34 + 43 + 68 + 86 + 172 + 731 + 1462 = 2620.
(5020, 5564)
Sdp (5020) = 1 + 2 + 4 + 5 + 10 + 20 + 251 + 502 + 1004 + 1255 + 2510 = 55644.
Sdp (5564) = 1 + 2 + 4 + 13 + 26 + 52 + 107 + 214 + 428 + 1391 + 2782 = 5020.
(6232, 6368)
Sdp (6232) = 1+2+4+8+19+38+41+76+82+152+164+328+779+1558+3116 = 6368.
Sdp (6368) = 1 + 2 + 4 + 8 + 16 + 32 + 199 + 398 + 796 + 1592 + 3184 = 6232.
(10744, 10856)
Sdp (10744) = 1+2+4+8+17+34+68+79+136+158+316+632+1343+2686+5372 =
10856.
Sdp (10856) = 1+2+4+8+23+46+59+92+118+184+236+472+1357+2714+5428 =
10744.
G. Representação dos 10 primeiros pares de Números Amigos 65
(12285, 14595)
Sdp (12285) = 1 + 3 + 5 + 7 + 9 + 13 + 15 + 21 + 27 + 35 + 39 + 45 + 63 + 65 + 91 + 105 + 117 +
135+189+195+273+315+351+455+585+819+945+1365+1755+2457+4095 = 14595.
Sdp (14595) = 1+3+5+7+15+21+35+105+139+417+695+973+2085+2919+4865 =
12285.
(17296, 18416)
Sdp (17296) = 1 + 2 + 4 + 8 + 16 + 23 + 46 + 47 + 92 + 94 + 184 + 188 + 368 + 376 + 752 +
1081 + 2162 + 4324 + 8648 = 18416.
Sdp (18416) = 1 + 2 + 4 + 8 + 16 + 1151 + 2302 + 4604 + 9208 = 17296.
(63020, 76084)
Sdp (63020) = 1 + 2 + 4 + 5 + 10 + 20 + 23 + 46 + 92 + 115 + 137 + 230 + 274 + 460 + 548 +
685 + 1370 + 2740 + 3151 + 6302 + 12604 + 15755 + 31510 = 76084.
Sdp (76084) = 1 + 2 + 4 + 23 + 46 + 92 + 827 + 1654 + 3308 + 19021 + 38042 = 63020.
(66928, 66992)
Sdp (66928) = 1 + 2 + 4 + 8 + 16 + 47 + 89 + 94 + 178 + 188 + 356 + 376 + 712 + 752 +
1424 + 4183 + 8366 + 16732 + 33464 = 66992.
Sdp (66992) = 1 + 2 + 4 + 8 + 16 + 53 + 79 + 106 + 158 + 212 + 316 + 424 + 632 + 848 +
1264 + 4187 + 8374 + 16748 + 33496 = 66928.