IFRN - INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIAS E TECNOLOGIA
DO RIO GRANDE DO NORTE
TÉCNICO EM MINERAÇÃO
KAUÃ VICTOR DINIZ RAMIRO
ZÉ TARGINO - O MESTRE MAMULENGUEIRO DE LAGOA SALGADA
NATAL
2025
KAUÃ VICTOR DINIZ RAMIRO
ZÉ TARGINO - O MESTRE MAMULENGUEIRO DE LAGOA SALGADA
Trabalho apresentado a professora
como requisito para conclusão do
bimestre.
Professora: Suely Gleide Pereira de
Souza
NATAL
2025
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................... 4
2 DESENVOLVIMENTO......................................................................................... 4
3 CONCLUSÃO ..................................................................................................... 5
4 REFERÊNCIAS ................................................................................................... 6
INTRODUÇÃO
A cultura popular brasileira é rica em manifestações artísticas que traduzem a
essência e a alma do povo. No Nordeste, o teatro de bonecos, conhecido como
mamulengo ou João Redondo, ocupa um lugar de destaque, sendo uma
expressão viva do humor, da criatividade e da oralidade típica da região. Em
Lagoa Salgada, no Rio Grande do Norte, José Targino Filho, mais conhecido
como Zé Targino, tornou-se um ícone dessa arte. Nascido em 1926, ele
dedicou sua vida a dar vida a bonecos de madeira que encantavam crianças e
adultos. Suas apresentações, marcadas por improvisação, sagacidade e
críticas sociais, conquistaram a admiração de gerações e ajudaram a preservar
uma das tradições mais significativas da cultura nordestina. Este artigo tem
como objetivo explorar a vida e obra de Zé Targino, destacando sua
importância como mestre mamulengueiro e o legado cultural que deixou para
Lagoa Salgada e para o Brasil.
DESENVOLVIMENTO
Zé Targino iniciou sua trajetória no teatro de bonecos ainda na infância,
demonstrando desde cedo um talento natural para a arte. Autodidata, ele
começou criando bonecos com materiais simples como sabugos de milho,
panos e pedaços de madeira, e mais tarde passou a utilizar madeira de
mulungu e imburana, esculpindo figuras ricas em detalhes e expressões. Esses
materiais, comuns no semiárido nordestino, tornaram-se uma marca registrada
de seu trabalho, simbolizando a conexão entre sua arte e o meio em que vivia.
As apresentações de Zé Targino eram caracterizadas pela improvisação e pelo
diálogo direto com o público. Ele era um verdadeiro contador de histórias,
utilizando seus bonecos para retratar o cotidiano do povo nordestino, muitas
vezes abordando temas como o coronelismo, a religiosidade, a luta pela terra e
as relações sociais. Os personagens que criava, como o valentão, a moça
formosa, o capanga e o padre, representavam arquétipos da cultura popular e
eram utilizados para provocar risos e reflexões.
Ao longo de sua carreira, Zé Targino tornou-se uma referência em sua cidade e
região, sendo reconhecido como um dos principais representantes do teatro de
João Redondo no Rio Grande do Norte. Seu trabalho foi fundamental para
manter viva essa tradição cultural, especialmente em tempos em que o avanço
da modernidade e da tecnologia colocavam em risco manifestações artísticas
ligadas à oralidade.
Em 2020, sua contribuição foi oficialmente reconhecida com a criação da Casa
da Cultura Mestre Mamulengueiro "Zé Targino", em Lagoa Salgada. O espaço
tem como objetivo preservar o legado do artista e fomentar a continuidade da
arte do mamulengo na região. Além disso, sua obra está inserida em um
contexto maior, já que o teatro de bonecos nordestino foi reconhecido como
patrimônio cultural brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico
Nacional (IPHAN).
CONCLUSÃO
Zé Targino não foi apenas um artista; ele foi um guardião de uma tradição
centenária e um exemplo de como a arte popular pode refletir a alma de um
povo. Sua habilidade em transformar pedaços de madeira em personagens
vibrantes e cheios de vida, aliados à sua capacidade de improvisar e dialogar
com o público, fizeram dele um ícone da cultura nordestina.
Seu legado permanece vivo, tanto através das memórias de suas
apresentações quanto pela continuidade do teatro de João Redondo em Lagoa
Salgada. A criação da Casa da Cultura em sua homenagem é uma
demonstração do impacto de sua obra na identidade cultural da cidade e do
estado do Rio Grande do Norte.
Zé Targino nos ensina que, mesmo com recursos simples, é possível criar algo
grandioso, desde que haja paixão, dedicação e um profundo amor por suas
raízes. Sua história é um convite para valorizarmos a riqueza da cultura popular
brasileira e reconhecermos o papel essencial dos artistas que, como ele,
dedicam suas vidas a preservá-la e transmiti-la às novas gerações.
REFERÊNCIAS
IPHAN - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional
- Documento sobre o teatro de bonecos nordestino como patrimônio
cultural.
Disponível em:
[[Link]]([Link]
/dossie_teatros_bonecos.pdf)
Prefeitura Municipal de Lagoa Salgada
- Lei nº 361/2020: Criação da Casa da Cultura Mestre Mamulengueiro "Zé
Targino".
Disponível em: [[Link]]([Link]
Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)
- Silva, J. A. da. Inventariando o Patrimônio Cultural de Lagoa Salgada.
2023.
Disponível em: [[Link]]([Link]
Artigo: Tradição do Mamulengo no Nordeste
- Periódico da UFRN sobre manifestações culturais nordestinas.
Disponível em:
[[Link]]([Link]
5/pdf/22682)
5. Cavalcanti, L. M.
- Mamulengo: Teatro de Bonecos Popular do Nordeste. Editora UFPE,
1993.